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sábado, maio 25, 2019

Theresa May, um irrelevante ponto e vírgula na história do Reino Unido



Claramente não podia dar certo. Não sou de rogar praga mas há trajectórias que não enganam. Não é preciso ver o caminho acabar no buraco para a gente olhar e ver que é lá que ele vai dar.

No outro dia um colega lançou um projecto e eu, ao sair de lá, arreliada pelo dinheiro que se gasta em coisas destas, disse-lhe: 'Não vai dar em nada'. Ele, nem percebendo a incorrecção lógica da frase, como que teve um arrepio: 'Puxa. Vire essa boca para lá!'. Lembrei-o: 'Algum dos meus alertas alguma vez falhou?' e ele insistiu: 'Não. Por isso lhe digo que vire essa boca para lá'.

E é.


Mas também pode ser que os meus palpites que dão furados eu esqueça. Posso não saber de muita coisa mas de uma eu sei: não sou arraçada de cavaco de maneira nenhuma: engano-me. E, quanto a dúvidas, upa, upa, cada vez mais.

Hoje, por exemplo, juntei um e mais um e mais outra coisa que nada a ver e deu três e, vai daí, tocou um sino do caraças: uma suspeita cabeluda que, a ser verdade, seria uma tal bomba que me forço a pensar que mais vale tirar daí o sentido porque ia ser bomba demais, coisa que ninguém na vida poderia suportar. E, no entante, é como sempre. Sei que a coisa vai começar a fazer o seu caminho. E escrevo isto e penso: 'Estou enganada. Estou enganada'. e, dentro de mim, há sinos a tocar, campainhas que não se calam. 

Em situações destas forço-me a pôr-me em stand by, a não me mexer. Sei que a coisa se vai resolver por si e é assim que as coisas se devem resolver. Quando as antenas estão ligadas captam tudo, até o que está a milhas, até o que está para acontecer. Só tenho que estar sossegada, à espera que as pontas se juntem e que eu esteja atenta para observar antes da coisa ser visível. E, se nada acontecer, a suspeita morre por si.

Mas caraças. Caraças.


Mas isso não vem ao caso. E neste caso nunca aqui virá. Quanto muito sob a forma de história.

O que vem é que, tendo estado todo o santo dia incontactável, agora à noite me diz o meu marido: 'A May anunciou a demissão' e eu pensei que desde o primeiro dia eu tinha lido na cara dela a palavra demissão. Ter-se-ia poupado a tantas humilhações, a tanto esforço para superar as atrapalhações e para ser engraçada, para aparentar naturalidade, a tanto trabalho inglório, a tanta traição, a tanta preocupação para nada. Obviamente não nasceu para liderar coisa nenhuma.

Até acredito que seja boa pessoa, até acredito que genuinamente tenha pensado que conseguia fazer alguma coisa. Mas, coitada, não teve um bom amigo que, sem ser derrotista, lhe pudesse ter dito que aquilo não era coisa para ela?


Estive agora a ver o vídeo. A forma como se emociona ao terminar, dá-me pensa. Coitada, tanto esforço para nada. Terá à sua espera o abraço apertado do marido, aquele senhor com ar de totó e que é capaz de também ser um bom homem. 

Mas isso não apagará as noites mal dormidas, os vexames, as viagens permanentes de Londres para Bruxelas e vice-versa, para levar tareia por onde quer que passasse.

A alhada em que o Reino Unido se meteu é outra que me dá pena. Não é bonito de se ver nem sei como é que isto vai acabar. Adivinho mas não é tudo: só algumas coisas e, ainda assim quase nunca vem o guião completo. Mas uma coisa parece óbvia e nem é preciso ser bruxa: começo a pensar que pode não acabar bem.

A única saída que pode ser é se os resultados forem inesperados e vier a haver um segundo referendo que reverta a situação. Muitos ses que não descansam ninguém até porque... e se não?

Caraças.


Whatever. Estou a dormir. Muitos dias a madrugar e a dormir pouco, muita cena, muita distância, sempre muita coisa. E na volta até aconteceram muito mais coisas e, possivelmente, até mais colunáveis do que o triste fim de uma pobre desasada. Mas eu não sei e, além disso, é coisa que, a esta altura do campeonato, me dá igual.

Os vídeos abaixo mostram tudo isto de que tenho estado para aqui a falar, enquanto tiro um cochilo entre cada sílaba.









Os cartoons que plantei lá em cima, a meio do texto, são de Steve Bell e obtive-as no The Guardian. Gostava de ver é como eu me saíria das mãos dele. Medo... [o que vale é que essa é hipótese inexistente]

Impossível para mim, agora, comentar os comentários de ontem. Pode ser que amanhã. As minhas desculpas.

quarta-feira, abril 03, 2019

Olha, agora quer mais um bocadinho para uma rapidinha com o outro


Meteu-se numa furada e o mais esquisito é que parece que gosta. Espetam-lhe facas nas costas e ela gosta; e desatam a rir-se dela pela frente e ela parece que também gosta. E quando o barco ameaça afundar-se e os amigos saltam borda fora, ela ri-se e parece que gosta. E quando quer armar-se em engraçada ninguém se ri mas, da sua falta de jeito, toda a gente se parte a rir -- mas ela parece que gosta. E, quanto tenta dançar, parece um boneco desajeitado e toda a gente se ri... mas, lá está, ela também parece que gosta.

E não consegue negociar na UE, não consegue negociar com a oposição no seu país, não consegue negociar no seu próprio partido, não consegue nada. O tempo esgota-se-lhe, o reino divide-se e agora, já em tempo de prolongamento, pede mais um bocadinho e marca um date com o Jeremy. Mas, como tem falta de gosto, em vez de ser com o Irons é com o Corbyn.

Transcrevo:
A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou que vai pedir uma nova extensão "o mais curta possível" do artigo 50 do Tratado de Lisboa e consequentemente do Brexit para ter tempo de se reunir com o líder da oposição, Jeremy Corbyn. A ideia é encontrar um acordo que possa ser aprovado pelos deputados e ter a luz verde dos restantes líderes europeus. O líder do Labour já reagiu, dizendo estar "muito feliz" por se reunir com May.
Uma comédia macaca. Acabe como acabar, não acaba bem até porque, com tudo o que se tem estado a passar, o que está a correr mal já deu pano para muitas mangas.

Falo desta Totó, a Totó May


Ela podia ter a graça do camarada aqui abaixo quando se viu enfiado numa jaula com um leão, com um tigre à espreita do um lado e um cão a ladrar do outro. Mas não. Graciosa e ágil das ideias é que a Totó May não é.


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sexta-feira, março 22, 2019

Gosto deste homem, o que é que hei-de fazer?


Estamos a viver tempos incríveis. Tudo tão inesperadamente caótico, tão imprevisível e fora de controlo que, quando a coisa parece que vai num determinado rumo, alguém lança uma cartada e vira o jogo tornando os prognósticos ainda mais impossíveis.

A Ana, Lady of Vaz con Cellos, dizia que até é difícil não ter pena de Theresa May, a patareca-mor, e eu concordo. Tudo lhe corre mal, todo o mundo dá patadas, não especificamente nela mas muitas acabam por acertar-lhe -- e sempre tudo à vista do mundo, a malta a rebolar de riso com tanta falta de jeito. E o P. Rufino tem razão, aquilo é uma democracia, aquilo ali é um lugar de gente com muita história e pedigree. Mas mais parecem daqueles aristocratas já com os genes muito ensarilhados, sem noção da realidade, ainda a viverem num comprimento de onda que já acabou no século anterior. 

O tempo está em contagem decrescente, a guilhotina a baixar devagarinho e todos incapazes de saberem onde está a saída do labirinto em que se enfiaram.

A pobrezita ali anda a bater a todas as portas e toda a gente a bater-lhe com a porta no nariz. Uma das fotografias do dia é deliciosa: ela e o outro tão patarata como ela. Ela com um corte de cabelo que não correu bem. Ele naquela sua postura sempre tem-te-não-caias. Ela a olhar para ele com ar de galinha desconfiada. Ele com ar de peru velho recosido em vinha de alhos.


O que é que pode sair de bom de um tal par de jarras?

E, no meio desta cegada, desta gente descomandada, continua a sobressair o Speaker. Despudoradamente despenteado, com gravadas criativas, John Bercow dá lições de democracia, de bom comportamento, de graça, de fluência vocabular e gramatical e de etiqueta. Acresce que tem um pulso naquela maltosa que dá gosto. Veja-se este vídeo aqui abaixo para se perceber porque é que gosto deste fantástico mariola (e, calma, mariola no bem sentido).

Bercow defends Parliament after Brexit delay: 'None of you is a traitor'


John Bercow has defended MPs against Theresa May’s accusation that they are frustrating the will of the people over Brexit. Addressing the House of Commons, the Speaker stood up for the right of parliamentarians to vote according to their principles, after the prime minister suggested their failure to back her agreement was responsible for delaying the UK’s departure from the EU.


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Já agora, para quem precisa de relaxar, distender ou meditar:

Aula de Yoga versão Brexit pelo Mestre Sammy J


Sammy J helps us flex our foreign muscles with a brand new flow straight out of Europe. 
Biting, bite-sized comedy as Sammy J tackles the big issues of the day, wrestles them to the ground, then submits them to a variety of yoga poses, sporting analogies, and craft activities.


Até já

quarta-feira, março 13, 2019

Arrastados pelo populismo, manipulados através de fake news, os britânicos estão agora presos na ratoeira em que se enfiaram.
No meio da ópera bufa em que o BREXIT se transformou, a desengonçada mental Theresa May acumula derrotas sem se torcer nem se amolgar


Era relativamente óbvio que toda a campanha a favor do Brexit era uma cavalgada em cima de argumentos populistas, explorando a ignorância e os medos da camada mais desinformada da população.

Soube-se depois das manobras da Cambridge Analytica através de informação sacada ao Facebook. Chamavam-lhe marketing político personalizado e gabavam-se do sucesso [Vidé aqui ou aqui]

O Brexit ganhou, pois. E, desde aí tem sido o que se tem visto.  A Cambridge Analytica, uma vez os seus métodos postos a nu, entrou em insolvência e fechou. Aos poucos, os ratos foram abandonando o navio que, dia após dia, se foi mostrando sem rumo. Os principais políticos apoiantes bateram em retirada, de fininho. Sobraram dois totós. Theresa May de um lado, Corbyn do outro. Do próprio governo de May tem sido uma felga, com vários ministros a baterem com a porta. Os trabalhistas andam também abananados sem perceberem qual é a de Corbyn.

Perante os próprios britânicos e perante o mundo em geral, o espectáculo tem sido constante. Os europeus, então, têm tido uma paciência de santos com aquela turma descomandada, uma gente que se meteu nisto sem saber o que queria, sem fazer ideia de como agora descalçar a bota.

Agora, a 17 dias da data do Brexit, mais uma derrota para May. Até já dá dó. Aliás, se fosse cá, em português, era caso para se arranjar um mantra, já-dá-dó--já-dá-dó--já-dá-dó! 

Rouca, a esforçar-se para vencer a afonia que se avizinha, May ainda tenta parecer que está ao comando. Mas, coitada, ao comando de quê?


Acordo de Brexit de Theresa May rejeitado
391 contra / 242 favor



quarta-feira, fevereiro 13, 2019

A liderança musculada de Bercow, o colar de May e, de passagem, Boris e Nigel, dois conhecidos comediantes


Gosto de comédias inglesas. Gosto do sentido de humor inglês. Gosto quando o humor é servido com aquele british accent que transporta a saudade do verbo e da verve de Shakespeare, gosto de humor imprevisto, improvável, com aquele toque de absurdo, elegância e despropósito que nos predispõe para a diversão.
Tive um colega inglês que era um verdadeiro biltre mas que, não obstante, era um verdadeiro comediante. Aquela ironia desconcertante, aquela irreverência subjacente ao cavalheirismo britânico, tudo nele puxava ao humor. Claro que em público, e quando em modo 'oficial,' era irrepreensível. E essa dualidade ainda era mais divertida.
Nisto do Brexit -- um dos grandes passos em falso da história -- há que reconhecer que há intervenientes dignos de uma boa soap opera. Dois deles estão aqui abaixo: a fabulosa Nigel e Boris.





Um dia que se faça a história deste conturbado período, o filme que daí resulte pode ser visto sob diversas perspectivas e todas elas curiosas. Muito do que é complexo na natureza humana existe em doses elevadas nestas pequenas histórias que habitam este período da história.

Para além dos dois artistas acima, outros dois marcam o ar do tempo nestes dias pré Brexit, um Brexit que talvez nunca venha a existir: a desasada Theresa May que, há que reconhecer, tem a resiliência de uma verdadeira anta, e o indómito e preponderante John Bercow. Este recentíssimo vídeo, de há poucas horas, mostra bem a fibra de que ambos são feitos:


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Mas eu, neste vídeo, para além do meu (sobejamente conhecido) apreço por Bercow, sou forçada a reparar e invejar o colar de Theresa May. Que espectáculo. O que eu gostava de ter um colar assim. Mal empregado colar ali nela. Alguém saberá dizer-me onde se pode arranjar? Capaz de ser um belo presente para o meu próximo aniversário.

terça-feira, dezembro 11, 2018

O Juíz Carlos Alexandre é vingativo? Tramou o Vara por este não o ter ajudado? Queria ir para chefe do SIS o o Vara não facilitou?
Marta Soares é o chefe da claque dos bombeiros?
Theresa May vai do ex-brexit directamente para os Monty Python?
O Macron, ao aparecer a distribuir dinheiro limpinho de impostos à malta, devia era ter aparecido de Santa Claus?

Pois não sei.




Só para dizer que neste momento não posso estar concentrada no que estou a escrever. Tenho os olhos e os ouvidos noutra coisa. Ou seja, a minha cabeça está tomada pela atenção a uma coisa de que não posso falar aqui e, portanto, os meus dedos, que dançam sobre o teclado, estão por sua conta e risco. Não respondo por eles.


E isto para dizer que estava para falar daquele Marta Soares que acha que isto da Protecção Civil é a mesma coisa que o Sporting nos bons velhos tempos do outro maluco -- guerras intestinas, esquemas, bocas foleiras e ameaças feitas à cara-podre, badernas e tareias encomendadas. Ouvindo-o a incendiar os bombeiros, com total ausência de sentido de responsabilidade, só me ocorre que ele está bem é como líder das claques. Líder da Juve-Bombeys, por exemplo. Mas não tenho cabeça para isso pois estou noutra. Gente corporativista como este Marta Soares não interessa nem ao mais pintado.


Também tinha pensado falar na patareca da May, essa pobre desengonçada mental que desde o início mostrou não ter cabeça, pulso, fibra, pedalada ou endurance para levar a cabo um dos maiores disparates de que há memória. Qual brexit qual carapuça: os ingleses enfiaram um barrete até ao queixo votando numa coisa que nem sabiam o que era e, agora que os que se meteram nisto fugiram todos, ficou ela com o abacaxi nas mãos. Se fosse esperta já tinha tido tempo de tirar a malta deste beco sem saída, desta saia mais do que justa. Mas não: para ali anda, atarantada, sempre a pôr-se a jeito para que o Reino Unido seja motivo de galhofa geral. Mas, enfim, não falta muito para que esta pobre coitada da Theresa May passe à história -- pelo que não vou desconcentrar-me do que hoje me tem presa.


Também me ocorreu falar do Macron, armado em Papai Noël, a distribuir dinheiro limpinho ao pessoal, a pedir aos patrões que também sejam o Santa Claus e paguem um prémio limpinho de impostos aos coletes, aos amarelos e aos outros. Mas não vou dizer nada. Que a malta precisa de dinheiro limpinho não se questiona. O que me deixa sem palavras é a coerência de tal bodo, rendimentos não tributados, na sequência do vandalismo nas ruas. Jingle bells, jingle bells, tudo bem, é o clima natalício, black friday para todos -- mas agora vai ser assim? A malta não gosta de uma coisa, vai para a rua partir montras e incendiar carros e vem ele, cara de anjinho ou de menino jesus, e, para ver se eles se portam bem, dá-lhes dinheiro limpinho? É que nem sei o que dizer. Só isto: Macron is coming to town. Binga, binga, jinga, jinga.


E há bocado também ouvi o Vara na TVI a dar a entender que foi vítima de uma cabala, de uma vingança mórbida e que os jornalistas deveriam analisar o processo a ver se encontram matéria de facto. E também deu a entender que isto foi tramóia do Super-Judge Alex, fornicado (pardon my french) por não ter sido ajudado -- ao que percebi para ser chefe das secretas. Que aquele so called Saloio de Mação não é flor que se cheire e que tresanda a ressabiamentos e invejinhas pouco brancas, isso já o próprio nos deu a saber através de entrevistas em que, querendo basofiar-se, deu uma data de tiros em cada pé. Mas chegar a ponto de sacanear os que não o levaram ao colo para onde ele queria isso parece coisa suculenta demais para ser deixada passar em claro. O Miguel Sousa Tavares que anda outra vez com o bichinho da informação que agarre o pitéu, se faz favor. E, portanto, fico-me por aqui à espera que a coisa se esclareça. Agora uma coisa é certa: mais depressa compraria um carro em 2ª mão ao Vara do que ao Saloio.


E pronto. É isto. Também já despachei o tema no qual estava focada. Agora vou pôr creme nas mãos, vou fazer o tapete e vou ver se, entretanto, me ocorre algum tema interessante.
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As fotografias mostram o que abaixo descrevo e que retirei do The Guardian:
In her elaborate self-portraits, Cecilia Paredes hides within colourful, patterned fabrics. Based in Philadelphia, the Peruvian-born artist started the series in 2005, when she moved to the US from Costa Rica and was trying to “blend in”. “I wanted to really get along in my new environment and literally become part of the landscape,” she says. The materials she chooses have a personal connection: a pattern involving orchids, for example, the national flower of Costa Rica, symbolises her past life there. Paredes is then painstakingly painted by her assistants. “The day of the shoot is very precise,” she says. “You don’t want any disturbances. I cannot move, and the painting can be from 7am to 3pm, so it’s a very long process.”
Portfolio Series: Cecilia Paredes is at the Museum of Latin American Art, Long Beach, California, until 30 December
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PS: Volto aqui, depois de ter dado o post por encerrado, só para confessar a minha desatenção. Então não é que tenho estado aqui no maior esforço a puxar a agulha e ela sempre a escorregar-me? Isto de ter posto creme nas mãos antes de me atirar ao tapete foi mesmo mal alembrado. Que destreino, este meu.

quarta-feira, outubro 03, 2018

Brexit, um desastre titânico


Quando os ingleses se interrogam sobre o que fizeram e já só querem saber como sair da porcaria em que se meteram e depois de vários dos artífices desta monumental barracada, quais vulgares ratos de porão, já terem saltado fora, eis que Boris Johnson, esse histriónico artista, resolve tirar, de vez, o tapete à desengonçada Theresa May. O discurso causou estrilho, não se fala noutra coisa e só veio pôr mais em evidência a trajectória que está traçada.

Os disparates têm-se sucedido, a desunião em torno deste projecto falhado é crescente e o que se avizinha parece não poder ser senão um de dois: ou uma humilhação nacional ou um desastre descontrolado.

Face a isso, tem valido o bom humor dos britânicos. 


sábado, setembro 01, 2018

Theresa May e outros políticos que não dão uma para a caixa quando se trata de darem um pezinho de dança


Theresa May é desajeitada por natureza. Tenta parecer descontraída mas, quando alguém não leva jeito e é coisa genética, por mais que faça, mais ridícula fica. Em casos assim, cá para mim a solução é assumir e não pretender parecer que se está na sua praia.

No extremo oposto temos pessoas que nasceram para estar bem, estejam onde estiverem. Marcelo ou Obama, por exemplo, estejam dentro ou fora de água, num palco ou numa pista de dança, com novos ou com velhos, estão sempre na boa, integrados, fazendo naturalmente parte da festa.

Mas a desengonçada Theresa May, coitada, é uma verdadeira arara. Se quer dizer uma piada, capaz da coisa lhe sair despropositadamente brejeira. Se quer mostrar alegria, ri aos solvancos de uma maneira estranha que rapidamente se torna viral, se quer ser apenas simpática, acaba feita totó, levada pela mão como lhe aconteceu com o Trump . Agora quis dançar e foi um papelinho. 

Foi na África do Sul e é ver para crer.

Aqui têmo-la, pois, a fazer mais uma das suas figurinhas tristes -- mas o autor do vídeo achou por bem não a deixar sozinha, mostrando como a dança não é natural para algumas figuras políticas.


sexta-feira, julho 13, 2018

Melania, a FLOTUS, mascarou-se de princesa para ir à festa no palácio.
A maluca da May, de pernão ao léu e alarme no braço, deu a mãozinha ao Palhaço Trump e escaganifou-se a rir.
E a gente interroga-se: ri de quê, aquela maria parvalhona?




Hoje, ao regressar à cidade, vinha no carro e era o costume: a praga dos mails profissionais a pingarem. Ping, ping, ping. Podia não os ver mas, como amanhã vai ser outro dia de cão, sem tempo para nada, o melhor, em dia assim, é mesmo não deixar acumular. Ninguém os pode ler por mim, isso já eu percebi faz tempo. E, portanto, fui lendo. E a sensação sempre muito esta: vai chegar a um ponto em que não vou ter saco para aguentar mais tanta coisa desta. Muitos são acertados, muito razoáveis, muitos inatacáveis. Mas outros... senhores... Erros ortográficos, disparates, coisas mal pensadas. A uns vou respondendo com dicas pedagógicas, a outros com perguntas para ver se, lendo-as, alguém se lembra de usar a cabeça mas, a outros, tenho que me forçar a recordar-me que não tenho patas pelo que não posso avançar à patada.


Mas a falta de nível que vejo em certas camadas hierárquicas profissionais -- quando tempos atrás parece que só lá via gente inteligente, culta, bem formada -- é uma constante e é transversal.  A nível da política internacional, então, é a derrocada. Há decadência que tem patine, charme, história. Mas há derrocadas que são disparatadas, ridículas, quase cómicas.

O caso das famosas crises de Jean Paul Juncker -- cujo caso mais recente pode ser observado no vídeo abaixo que é de antologia -- é apenas um exemplo.

A palhaçada que são as intervenções de Trump é outro. O que ele diz, as bacoradas, as ofensas, o avacalhamento que imprime ao que diz e faz, o que desdiz e desfaz, a ostensiva falta de cortesia e de boa educação são aviltantes.

Mas igualmente aviltante é a forma servil como muitos dos que são achincalhados depois ainda tentam fazer de conta que está tudo bem e aceitam deixar-se fotografar, a sorrir, junto à besta.

E é que é mesmo uma autêntica besta. A forma como se penteia, a forma como fala, a forma como anda, a forma como cumprimenta os outros é digna de comédia de 5ª categoria.

Agora está no Reino Unido e a forma como a besta se apresentou com a sua bela ao lado é de gargalhada. Devem ter dito ao casal que aquilo ali é uma monarquia, terra de princesas. E, então, vai ela, a Melania, e mascara-se de princesa. Vê-se e não se acredita. Só lhe falta uma tiara com brilhantes para o disfarce ser completo. E o Donald, orgulhoso do troféu, impante na sua poupa amarela a fazer pendant com o vestido pintainho da sua bonequinha, ali desfilou, sentindo-se vitorioso, como se com a sua conversa de jagunço vergasse a vetusta Europa.

Igualmente deprimente é a maluca da Theresa May. A mulher não atina.

Para começar, alguém lhe pôs um chip no braço e ela nem se lembrou que a coisa não passaria despercebida. Ali andou, mão na mão com o pato anormal, toda ela rindo e feliz da vida, como se o Trump não fosse perigoso, parvo e carregado de absurdo e como se aquela bolinha ali no braço não fosse o cúmulo do nonsense. Na volta foi levar a vacinha contra a febre amarela ou contra a bubónica e aquilo era um penso rápido.

Não há paciência.

E depois aquela maria-maluca tem a mania que é boa. Sempre teve e continua. A outra toda de princesa, de capinha feita manto, já a imaginar-se rainha, e ela de racha até às virilhas, o pernão todo ao léu, a rir, toda derretida.. Imagino a macacada que são as conversas entre estes parvalhões.

E pasme-se: é isto a fina flor da política a nível internacional, os grandes líderes das grandes superpotências mundiais.

Estamos bem, estamos.



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E, agora, se me permitem o convite,  queiram descer para verem como cambaleia, ri, vacila e quase tomba uma pessoa com uma valente crise de ciática (ciática de tipo alvoólica, diz-se). Juncker no seu melhor.

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quarta-feira, julho 11, 2018

Oh pá, esse não!
Eu a achar que gostava de todos mas... caraças... deste não...!


E podem vir dizer que é preconceito ou que o mal não é dele, é dela. Pois não sei. Ela não ajuda, concedo, e nem imagino que outro em cima dela poderia causar outra impressão. Mas a verdade é que também não imagino outra a quem ele assente bem.

Portanto, está chumbado. E ela também. Ou melhor, ela com ele em cima duplamente chumbada. 

Faz-me lembrar aquelas mulheres que, quando vão a um casamento, querem armar-se em finas e aperaltam-se de maneira tão deslocada, com vestidos dois números abaixo e chapelinhos tola abaixo, que mais ficam a parecer umas marias cachuchas. 

Aqui Theresa May vinha a sair de uma reunião com a sua equipa de ministros (equipa refeita) em Downing Street e, como se pode imaginar, aquela reunião deve ter sido um belo fartote. 

Brexit com ela.


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PS: Ninguém acertou na adivinha. Que desilusão. Como é que é possível?

Ainda vou pensar se revelo a resposta. Acho que não merecem.

terça-feira, julho 10, 2018

No dia em que a Câmara dos Comuns quase vinha abaixo, na gargalhada, com o elogio de Theresa May ao prestimoso Boris, o famoso Johnson de cabelinho à f...-se, os bifes preferiram foi pôr os olhos nas reais toilettes dos convidados no baptizado de pequeno Príncipe Louis Arthur Charles.
[Mas eu, depois da reportagem, prefiro é deleitar-me com John Bercow, o extraordinário Speaker]


Para que não digam que sou uma aluada (isto os mais brandos, claro, que os outros apodar-me-ão simplesmente de mentecapta -- e estarão todos certos), hoje vou dar uma de comentatriz. 

(Reparem no valentão que dizem ser da Juve Leo
à pancada com um inimigo imaginário. É mesmo mau, ele)
Aqui da parvalheira não tenho muito a dizer. 

Parece que prenderam mais oito juve-leos, alegadamente implicados na saudosa sessão de trolha na Academia de Alcochete. Mas sobre o tema falarei quando chegar o dia. 
O primeiro milho é para os pardais. Sou mais pela caça grossa. Sei esperar.
Tirando isso, não me ocorre mais nada que hoje tenha merecido simultaneamente a atenção da comunicação social tuga e a minha.

Claro que o tema do dia é aquele que, desde há dias, polariza as atenções mediáticas de todo o mundo. Mas, como sempre que alguma coisa me assusta, só falo quando o susto passou. Entretanto, deixo o palco para a bateria de psicólogos, mergulhadores, técnicos da protecção civil et al. que são altamente especializados em resgates de grutas, mormente os que metem mergulho e crianças e que todos os canais de televisão portugueses contratam à mão cheia. Tal como, nos concursos de talentos, sempre pasmo com a quantidade de gente que canta bem, agora pasmo com a quantidade de gente que em Portugal já resgatou crianças e treinadores de futebol de grutas alagadas. 

Mas, dizia eu, não vou falar disso. Não percebo nada do assunto e só quero que tudo acabe em bem. Portanto, nada mais a dizer.

Agora notícia mesmo foi a debandada dos malucos do Brexit do governo da espantadiça e esparvoada Theresa May.
Nada daquilo me assiste e fazem bem os eurocratas em assistirem de galeria à pangalhada que é tudo aquilo. 
Aquela tropa fandanga manipulou os eleitores (com a santa ajuda da defunta Cambridge Analytica), levando os bifes a votar a favor do Brexit e, quando se foi a ver, ninguém fazia ideia daquilo em que se tinham metido. Lembremo-nos que, no dia seguinte, o Google quase foi abaixo com a malta toda a perguntar o que era o Brexit. 

Depois, foi o que se sabe. Para começo de festa, parte da comandita que mais entusiasmada com a campanha andou mal se viu com a obrigação de pôr a cena em prática, deu de frosques. E no governo, então, tem sido uma festa: uns puxam para um lado, outros para outro, outros para nowhere e outros não fazem a mínima.

Hoje meio mundo comenta o simbolismo da debandada do maluco do Boris, aquele Johnson do cabelinho à fornique-se. Eu, por mim, acho que é irrelevante. Não se lhe conhece trabalho que se veja ou ideia que se aproveite. Mas foi ele e mais dois mangas. Acham que a May é muito tiazinha e muito abécula e que os da União Europeia fazem dela gato sapato. Tretas. Sabem todos que a maioria da população não quer sair. Portanto, aquilo já não é um teatro forçado: é, na verdade, uma ópera-bufa.

A única coisa digna de registo a este propósito foi a gargalhada geral do Parlamento quando a tia May resolveu fazer o elogio póstumo dos debantantes, nomeadamente do Boris. Ela a elogiar-lhe a paixão e os outros na maior das galhofas. Uma cena. E das boas.

Mas bom, bom mesmo, foi aquela intervenção do Speaker, moço que já aqui esteve e de quem nunca me canso. O que eu gostava que um dia ainda tivessemos um bacano destes na nossa Assembleia tão bonita mas tão desinteressante. 


A House dos ex-manos bifes pode ser acanhada e sem condições que se apresentem (lembra ao diabo estarem ali todos apertadinhos, uns contra os outros, perna com perna, com os papéis ao colo?) mas é uma festa, um teatro shakespereano.

Mas, enfim, acredito que os britânicos não estiveram nem aí para as macacadas da Théthé e de sua trupe, e quiseram foi ver como se aperaltou a realeza e seus mais chegados súbditos para se apresentarem no baptizado do pequeno Prince Louis, um bebé fofo e querido.


Aqui a comentatriz conta:

Camilla, aquela a quem se imaginam altos dotes em artes não confessáveis -- para tão liminarmente ter passado a perna à Lady Di -- apresentou-se como sempre, com o seu habitual ar meio bardajão-chic e sempre na boa, embora o chapéu quase se lhe enfiasse todo pela cabeça abaixo, uma coisa quase na base do chapéu do D'Artacão.

O eterno putativo candidato a Rei Charles apareceu na boa, como sempre e, também como sempre, a parecer quase da idade da mãe (que, para se preservar para o programa do resto da semana, não deu as caras). E tem a mania de assertoar o casaco e mais valia que não.


A Duquesa de Cambridge, mamãe do três principezinhos, apresentou-se muito bem, muito elegante, muito sorridente -- e desta vez não reciclou nenhuma prévia toilette, deixando as triquitriquiteiras do costume sem fofocas sobre o tema. Dá-me ideia foi que repetiu o toucado mas, como ninguém fala disso, é porque não faz mal. E é bem bonito e um dia que me case a sério, troca de votos com missa cantada e tudo, não me importava nada de me apresentar de virginal e alvo vestido com uma coisa assim na cabeça, com flores de laranjeira e tudo.


O seu marido, o simpático William, cada vez com menos cabelo, apresentou-se de pai amoroso com os dois mais velhos pela mão, a bela e danadinha Charlotte toda coquetezinha, cada vez mais menininha bonita, e o little George sempre com aquele seu delicioso arzinho britanicamente enfadado.


Pippa, a mana do rabo bem desenhado, a tal, se bem se lembram, que quase roubou o protagonismo à mana-noiva-real Kate aquando do casamento dos herdeiros, apresentou-se elegante e pudicamente grávida, a barriguinha discreta sob um vestidinho haut couture. O marido é que se apresentou um pouco esgalgado e com ar precocemente ralado.



O mano de ambas apresentou-se como sempre se apresenta, dandy e bem humorado. A seu lado uma bem humorada amiga com um vestidinho muito Zara, vagamente compensado por um chapelito algo fashion.



Carole Elizabeth, a avó materna de Louis, apresentou-se elegante e decidida as ever, ao lado do seu marido pacholas que mostra muito ter sofrido com aquela mulher e filhas (o filho não lhe deve ter dado trabalho de monta)


A duquesa de Sussex, Meghan de seu nome, apresentou-se elegante, num verde seco discreto e com um chapéu sóbrio e vaporoso que só me dá vontade ter um igual. Dizem que tem as pernas finas demais mas eu acho que lhe ficam bem -- e whatever. Se fosse a peneirenta da Letizia, não faltaria nada para a vermos aparecer com belo pernão, depois de enchertar umas barrigas nas pernas. Mas parece que a duquesa não é dada a isso. Pelo menos so far. O ex-dirty Harry apresentou-se vagamente enfastiado, domesticado comme il fault.


Agora uma coisa é certa: para os batizados os homens da fina flor usam fatos azuis. 

Nos anos mais recentes só fui a dois mas não me lembro de ter visto os homens todos de uniforme azulão -- mas uma coisa deve ser a nobreza britânica e outra a portuga. Ou whatever.

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E termino trazendo aqui, uma vez mais,  John Bercow. 
Love, love, love.

Primeiro dando uma valente desanda no dito Boris Troloró


E a seguir dando um valente chega para lá no azeiteiro-pimpão Trump

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Até já. Tenho aqui um outro tema para tratar:
O sexo entre lésbicas é melhor do que o sexo heterossexual?
Consta que sim.
Mas isso tem tanto que se lhe diga que tenho que arregaçar as mangas.
Ora, com o calor, obviamente já me despi de preconceitos.
Portanto, sem ter como arregaçar as mangas, tenho que ver como deito mãos à obra.
Portanto, se não adormecer antes, já cá apareço para vos contar como é que é.
Senão, paciência.

segunda-feira, abril 16, 2018

Porque é que não digo nada sobe o ataque dos 3 estarolas à Síria em resposta a um ataque com armas químicas e mais não sei o quê com a Rússia à mistura....?
Eu explico.


The Bathers -- Ahmad Nashaat Alzuaby,1964

Não gosto de falar sobre o que não sei. E a verdade, verdadinha, é que não percebo boi do que se passa na Síria. Só sei que o que lá se passa não é coisa boa, nada, nada boa. Melhor: uma desgraça de todo o tamanho e, pior, sem contornos. Se quisesse remeter-me para o léxico topológico nem saberia enquadrar o que lá se passa, na melhor hipótese diria que se trata de um qualquer espaço homeomórfico que se transmuta consoante quem o olha.

Do nada que sei, não consigo apontar um dedo convicto ao suposto facínora Bashar al-Assad como sendo o único mau da fita tal como não consigo fazê-lo em relação a qualquer um dos outros, terroristas, extremistas, aliados ou bandidos.

Mas uma coisa eu sei e tem a ver comigo: não embarco no que me dizem quando a coisa não é óbvia e quando não têm provas para mostrar (excepto se for gente credível a toda a prova -- o que, convenhamos, está longe de ser o caso). 
Uns quantos resolveram atacar um país e fizeram-no por sua alta recriação; acontece que, ainda por cima, se trata de gente de índole mais do que duvidosa, gente doida, gente parva, gente a quem não se conhecem grandes escrúpulos, -- e isso a mim não me inspira qualquer confiança. 
O espaço político (ou palco de guerra, como se diz) é mais do que conturbado e de lá nunca a informação nos chega escorreita; do palhaço do Trump já mais do que conhecemos do que a casa gasta; sobre o Reino Unido sabemos também bem como aquela tropa anda a deitar a mão a qualquer farsa para afastar o mau olhado do Brexit e a baixíssima popularidade da desajeitada May. Portanto, desculpem mas não vou na cantiga disto de ter sido uma boa coisa terem atacado o arsenal químico da Síria. E não vou por todos os motivos e mais um, sendo que esse um é que podem ter atacado muita coisa mas um arsenal químico não atacaram de certezinha absoluta. Não sou a única a dizê-lo e estou bem acompanhada nisso: não apenas o Pata Negra como várias testemunhas, cientistas e vozes informadas.
Horse market, Syria -- Alberto Pasini, 1893

Portanto, havendo na minha mente a dúvida não esclarecida sobre se este ataque tem alguma coisa a ver com alguma coisa do que é dita ou se é mais uma patranha como a das armas de destruição maciça que justificaram a invasão do Iraque -- e, nessa altura, também com meio mundo a acreditar nos aldrabões que se juntaram nas Lajes pela mão do faxineiro Durão Barroso -- deixo-me ficar calada. Que fale quem souber do que fala.

Outra coisa que eu também não percebo bem é que ideia é a do Macron para meter a França nisto, ao lado do anormal do Trump e do caso-perdido da May. Mas, enfim, nestes tabuleiros tudo se joga e, portanto, alguma é -- e, provavelmente, não é boa.
[Nem por coincidência acabei de receber, por mail, um vídeo desmontando imagens e notícias, tentando demonstrar a manipulação pegada que dali nos chega. Mas como também não sei se é verdade ou não, agradeço a quem mo enviou mas, por via das dúvidas, não o mostro].
No meio disto tudo o que lamento, mas lamento de coração, é a destruição de tantas vidas e de tantas cidades. Houvesse maneira segura de interromper este ciclo de loucura e restaurar uma vida digna e feliz naquele país e era isso que eu apoiaria. Agora isto...?

Syria — Ruins by the Sea
Frederic Edwin Church, 1873/1874

quarta-feira, julho 19, 2017

Se queres usar uns sapatinhos queques, ao menos garante que não têm a biqueira ratada.
[Que é como quem diz: se queres armar-te em simpática a dar em público os parabéns a alguém, garante que não é uma manobra ao lado]


Confesso. Comigo não dava. Preciso de espaço. Não consigo suportar o excesso de proximidade física. Entrar numa loja e saltar-me uma empregada ao colo a querer impingir-me o que quer que seja, não dá. Ou estar a falar com alguém que se aproxima demais e não pára de me agarrar no braço ou molestar-me com o odor do seu hálito -- não aguento.

Imagine-se agora o que seria estar horas sentada encostada a alguém, um de cada lado, braço com braço, perna com perna, e vários atrás. Horrível. O que vale é que, por aquelas bandas, têm fama de ser lavadinhos. Se fossem franceses, com aquela fobia que parte deles ainda tem ao banho diário, havia de ser um cheirinho a balneário frequentado por judocas transpirados...

No entanto, como espectáculo, não há como o Parlamento do Reino Unido. Uma paródia num permanente registo de tête a tête. Quando tenho dias cabeludos nos quais, em vez de partir para a desgraça, me armo em Madre Teresa, chego a casa capaz é de partir a louça toda. Contudo, sendo putativamente racional, era o que faltava dar prejuízo a mim própria e, portanto, sublimo. E, quando assim é, há remédios que não falham nunca: ou os Monty Python ou o parlamento do Reino de Sua Provecta Majestade.

Acho um piadão àquele Speaker* e acho um piadão à forma como reagem às provocações ou aos deslizes de uns e outros, seja de que lado da bancada for. As interjeições, a pateada e a risota parecem divertidas cenas de um teatro shakespeareano. E eu, nada e criada num país verde e azul que gosta de se travestir de cinzento, pardacento e bolorento, adoro ver como é possível transformar uma coisa que os portuguesas encaram com pacóvia reverência num exercício livre e não desprovido do seu lado lúdico.

Adiante. Nesta cegada do Brexit, ando divertida a ver a saia justa em que os ingleses se meteram quando se deixaram levar pela cantada dos populistas. E, mais concretamente, acho o máximo a forma como a desajeitada Theresa May anda a fazer um papelinho com o qual meio mundo se diverte. 

Leio, por exemploTheresa May em dificuldades na primeira semana de negociações com UE. Bloomberg fala em "erros básicos e tropeções" que têm manchado a reputação do Reino Unido.
Mas isto não são horas para eu me aventurar por terrenos que não domino e, portanto, não vou falar nem do Brexit nem das barraquinhas passadas e futuras onde a Senhora Dona Madame se meteu.

Limito-me a mostrar um grande plano dos sapatos da dita Theresa May durante uma reunião com o primeiro ministro da Estonia no nº 10 Downing Street. Acontece que a senhora é uma vaidosona de primeira, gosta de andar montada em griffes, sempre com sapato e toilette a dar no olho... e, afinal, anda com sapatos ratados. A única desculpa perdoável será se, durante a reunião, o primeiro-ministro tiver andado debaixo da mesa, sabe-se lá com que intuitos para além do de lhe ratar os sapatos.


Theresa May durante a conversa com Jüri Ratas


Claro que a senhora comete gaffes de vária ordem e é alvo fácil para partidas e piadas que levam o Parlamento às lágrimas. Podia escolher vários momentos épicos para aqui partilhar convosco. Mas vai este que acho o máximo: arma-se em simpática e dá os parabéns ao seu grande rival Jeremy Corbyn pelo nascimento de uma neta. Mas upsss... não tinha nascido nenhuma neta... Acontece que o sentido de humor dela também tem graça e isso salva-a do ridículo




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Já agora um momento que, se em Portugal, seria o momento anti-Morgado**: Theresa May e uma desconcertante alusão sexual a propósito do aniversário de Peter Bone.




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* Order! Order! -- grita o Speaker



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** Sobre o Morgado, poema de Natália Correia:


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E um dia feliz a todos quantos por aqui passam.

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