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sexta-feira, maio 02, 2025

Clara Ferreira Alves: estou a ouvi-la no Eixo do Mal e fico estarrecida com os disparates que diz.
Alguém proíba esta criatura de opinar em público!

 

O que diz -- abordando com imprecisão, distorção e baralhação aspectos técnicos misturados com aspectos políticos -- deixa-me perplexa e revoltada. O meu marido, que tem o rastilho mais curto que eu, já fez várias tentativas de mudar de canal, furioso com os disparates que ela diz. Furioso, furioso.

Eu ainda não percebi se ela é ignorante sobre a maior parte dos assuntos, se é demagoga, indo acefalamente atrás da última coisa que ouviu, se é mal intencionada, se é, apenas, tonta. Mas fico chocada com as análises que faz. Troca-se toda, confunde alhos com bugalhos. Mas, como fala com arrogância e armada em boa, parece que ainda há quem compre o que ela diz.

E eu fico intrigada: não há ninguém na SIC que perceba que esta pessoa presta um péssimo serviço à opinião pública em Portugal? Caraças.

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Quanto ao Montenegro, esse cantor pimba que ocupa S. Bento, recomendo a leitura de Montenegro "apanhado", prosa linear e objectiva de Vital Moreira, bem como a de O padrão PSD, mais um tiro certeiro de Der Terrorist.

sexta-feira, dezembro 13, 2024

Os 10 animais mais engraçados do ano -- para ajudar a digerir a Clara Ferreira Alves no Eixo do Mal

 

Mais uma vez estou a ver o Eixo do Mal. Como já deu para perceber, ver as actuações da Clara Ferreira Alves tiram-me do sério. É uma papagaia, fala de cor, empola o que diz para disfarçar a vacuidade do seu conhecimento. Cansa. Irrita. Vê os filmes todos ao contrário. Convenço-me até que não é apenas uma matraca falante e mal informada, que é mesmo pouco ou nada inteligente. E depois como fala sem pensar e sem saber do que fala, tão depressa diz uma coisa como o seu contrário.

O meu marido, de cada vez que ela fala, insurge-se e insulta-a à bruta, sempre a querer fazer zapping. E eu estou quase a fazer-lhe a vontade antes que a sujeita dê cabo da nossa saúde.

Neste momento está o Pedro Marques Lopes, muto bem, racionalmente, a desmontar a cegada que ela para ali esteve a armar. Aliás, está a dar-lhe uma rabecada das valentes. Se ela fosse inteligente (que não é), enfiava-se debaixo da mesa.

Não percebo porque é que a SIC contrata uma criatura como ela: alarmista, desbocada, fútil, mal informada. Praticamente tudo o que diz são tolices, ainda por cima mal fundamentada. Não deviam abrir-lhe um microfone à frente da boca pois dali não vem uma que se aproveite.

E o Luís Pedro Nunes, uma vez mais cavalgou a onda das bocas, e agora está a levar com a fúria não apenas do Pedro Marques Lopes mas também do Daniel Oliveira.

Mas quer o poupas quer a depenada têm uma característica: mal percebem que o que disseram não tem ponta por onde se pegue, ajeitam a conversa. Ela muito mais que ele, claro.

Por isso, para não me focar nem nela nem no vizinho do lado, desloco-me antes para um território mais divertido. 

Já no outro dia, a minha filha fotografou o nosso cabeludo mais fofo e enviou-nos a fotografia com um cheeeese como legenda.


E o que engraçado no nosso amicabeludo é que se faz à foto. Pedimos-lhe para se virar para nós e para esperar para o fotografarmos e ele, sempre tão teimoso e temperamental, neste caso aceita e olha para a câmara.

Hoje fomos ao centro comercial com ele. Adora. Mal sai do carro, puxa, puxa, todo feliz. Adora andar no meio da confusão. Mas, então, a graça de se cruzar com um também todo cabeludo mas que devia ser dez vezes mais pequeno que ele, branquinho, e com um casaquinho. O outro virou-se para o meu, todo entusiasmado. O meu virou-se curioso, olhou-o de alto a baixo e, imediatamente, virou-lhe as costas. Um desprezo olímpico. O outro ainda a querer festa e o meu a ignorá-lo em grande estilo.

Mas o que vos convido é a ver o vídeo abaixo onde se podem ver os 10 animais considerados com mais piada, no concurso The Comedy Wildlife Photography Awards.

The 10 funniest animal photos of the year | BBC Global

The Comedy Wildlife Photography Awards crowned the funniest animal photos of the year.


Uma boa sexta-feira!

sexta-feira, dezembro 06, 2024

E o Oscar para o melhor tricot no comentariado político vai para...

 

Começa as frases a defender uma coisa e, à medida que vai observando a reacção estupefacta ou desdenhosa dos colegas comentadores, inflecte, faz agulha e acaba-as a defender o contrário. E isto é o pão nosso de cada dia. 

Vê-se que vai para ali com os assuntos pela rama, geralmente é claro que não faz ideia do que diz, é leviana e superficial, diz-se e contradiz-se. Os colegas, por vezes incrédulos, por vezes incomodados, a maior parte das vezes mostram-se ansiosos por que acabe o chorrilho de asneiras que torrencialmente brota da sua arrogante boca.

Aliás, não é só a boca que é arrogante. É todo o fácies, desde o platinado e aparado penteado até aos olhinhos que tantas vezes revira, como se desprezasse o mundo ou os seres inferiores que o habitam.

Em síntese: quase nada do que diz faz grande sentido até porque enferma de labilidade extrema. Não dá para levar a sério.

E, contudo, exprime-se com grande cagança, vê-se como o supra sumo da batata doce, como se estivesse a opinar lá de cima, do olimpo. Não se enxerga.

Se há vezes em que vai com casaco de homem dez números acima ou com blusão de cabedal altamente coçado, a verdade é que é frequente ir com camisolas ou casacos de malha. Não sei se são confecção própria ou aquisição. Mas, seja como for, nos tricots é imbatível. 

E é por isso que o Oscar para os melhores tricots no comentariado político vai para... Clara Ferreira Alves. Of course.



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Caso queiram conhecer o Oscar para o penteado mais artilhado do comentariado, desçam um pouco mais.

E, caso também queiram conhecer o Oscar para a comentadora mais fofinha, é descerem ainda um pouco mais.

E o Oscar para o penteado mais empoupado do comentariado político (político e não só) vai para...

 

Cada penteado é uma alta produção. Não sei se aquela poupa é feita à força de laca, se é de cera, se aquilo é sobretudo pujança capilar. Não sei. 

O que sei é que não apenas a fatiota é sempre um statement, todo fashion, umas vezes numa onda clássica, noutras quase a tender para o avant-garde em versão vintage, como aquele cabelo está sempre sem um fio fora do sítio. Volta e meia detecto ali alguma assimetria, não sei se o cabelo a gauche é mais rebelde que o da ala direita mas, a ser isso, não será de estranhar. Relevo.

Muitas vezes diz coisas acertadas, muitas vezes tem graça com umas larachas irónicas, acontece até ser ali a voz que tem observações fora da caixa mas, por sinal, na mouche. Mas noutras vezes a conversa aparece trocada ou ao lado. 

Seja como for, presto atenção. Sei que opina em mais do que um sítio mas só consigo ouvi-lo no Eixo do Mal.

Mas, mesmo que eu percorra mentalmente todos os comentadores, não há outro com penteados como ele. Não há. 

Por isso, o Oscar para o penteado mais produzido e para a poupa mais inamovível do comentariado nacional vai para... Luís Pedro Nunes.


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sábado, outubro 19, 2024

As duas razões pelas quais uma pila se abstém: ou não tem vontade ou não consegue -- Pedro Mexia dixit
[E, já agora, uma questão que envolve a ejaculação precoce das pilas impulsivas]

 

Estava a ouvir o Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer quando João Miguel Tavares, a propósito da atitude dos partidos sobre a decisão que iriam tomar aquando da votação relativa ao Orçamento, usou a metáfora da comparação de pilas. Diz ele que até parece que quem vote contra com mais veemência será quem melhor faz oposição. Nesse contexto, naturalmente os principais intervenientes seriam Ventura com o seu rotundo não e Pedro Nuno Santos que, depois de enunciar todos os motivos para votar contra, aplicou-lhe um 'não obstante' e comunicou que a sua decisão será abster-se.

Nesse momento, Pedro Mexia, sempre com aquele seu ar de quem não está nem aí, se sai com a observação que acima citei. Claro que desatei a rir. Nem mais. E bate muito certo com o que ontem escrevi.

É que Pedro Nuno Santos sabe (ou intui) que lhe falta a energia, a pedalada, o punch, para se impor numa campanha (em que a imprensa e a teia de comentadores está feita com a AD, em que a maltosa da AD e do Chega não se ensaia nada para falsidades e manipulações, em que Marcelo continuará a ser Marcelo). Por isso, porque lhe falta a vontade ou porque sabe que não conseguiria, absteve-se.

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Mas, seguindo no carril das pilas e, na senda do que em tempos escrevi sobre alguma malta que, na nossa política, por aí anda a padecer de ejaculação precoce, uma pergunta faço eu: se é apenas na 2ª feira que Pedro Nuno Santos vai propor à Comissão Política o voto abstencionista do PS, porque é que já fez o anúncio ao País com pompa e circunstância como se já houvesse uma decisão oficial e escriturada? 

Não está a desvalorizar completamente a independência e relevância da Comissão Política do PS? O que lá vão fazer? Missa de corpo presente? São meros verbos de encher? 

E, se por um qualquer desalinhamento cósmico, a Direcção Política do PS decidir num outro sentido, com que cara vai ficar o não-impulsivo Pedro Nuno Santos? Ou tem um certo lado masoquista e gosta de fazer anúncios que mais não são do que passos em falso como naquela opereta bufa do aeroporto? Aparecer-nos-ia, outra vez, com o rabo entre as pernas, a confessar que se tinha precipitado? 

Note-se: estou a perguntar. E não são perguntas retóricas. Pergunto pois gostava mesmo de saber qual a resposta.

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E, se só agora aqui chegou e lhe apetece uma peixeirada, é descer. O Rangel está aí em baixo para a servir.

sexta-feira, junho 07, 2024

A Clara Ferreira Alves é mal informada, ignorante, demagoga, fala-barato, tendenciosa ou apenas intelectualmente destituída?

 

Pergunto.

E pergunto isto depois de mais um exercício de auto-flagelação ao forçar-me a ouvi-la no Eixo do Mal apesar de o meu marido ter estado aqui ao meu lado, furibundo, revoltado, insultando-a, querendo fazer zapping.... (Acontece que eu estava a querer ouvir o Pedro Marques Lopes e, portanto, achei que, por hoje, não morreria se tivesse que a gramar. Contudo, reconheço que aturar a pesporrência, a inconsistência, os disparates consecutivos, o populismo barato daquela mulher leva qualquer um ao desespero. Criatura horrível.)

sexta-feira, dezembro 22, 2023

Enquanto não tirarem a Clara Ferreira Alves do Eixo do Mal sou obrigada a ver o 24 Kitchen

 

Depois de termos visto a Bardot na 2, tentei passar para a SIC N para ver o Eixo do Mal. Estava o Pedro Marques Lopes a falar e estava a falar acertadamente, com ponderação. Ouvimo-lo. A seguir passaram para o Daniel Oliveira e distraí-me.

[Embora toda a gente me diga que deixe de tentar saber tudo pois não sou médica e hei-de sempre fazer leituras incompletas, não resisti e fui ao ChatGPT investigar uma coisa que ouvi a uma enfermeira, no hospital, e que não percebi. Pensava que tinha sido engano embora a minha filha, que me tem acompanhado -- e, desta forma, impedido de soçobrar [e que, com a ida ao CCB, conseguiu a proeza de me distrair e de fazer entrar ar fresco na cabeça] -- tivesse ouvido o mesmo. Quando contei ao meu filho, constipado, cansado e acabado de chegar de fora, acho que também lhe soou estranho. Na altura, pareceu-nos uma coisa tão fora de contexto que nem a minha filha, apesar de dominar bem muitas das matérias com que nos confrontamos, nem eu questionámos a enfermeira. E agora, enquanto o Daniel Oliveira dissertava, fui ver e já percebi. Faz sentido no âmbito em que foi dito. Compreendo melhor o que estão a tentar fazer. Relojoaria fina. Com pinças, um toque aqui, um toque ali, disse a enfermeira e disse o médico.]

Nisto, no Eixo do Mal, passam para a Clara Ferreira Alves e ali ficou por breves instantes. Foi o suficiente para o meu marido se enfurecer. Tentei que se acalmasse para tentar conseguir ouvir a conversa dela. Também não consegui. 

Se aquela mulher a mim me causa brotoeja, no meu marido o efeito é verdadeiramente anafiláctico. 

Com aquele arzinho arrogante e pesporrente, a empertigada senhora começou a dizer as alarvidades do costume. Não sei se está boa da cabeça pois tem ódios de estimação tão absurdos e tão insustentados que chega a causar aflição, isto já para não falar em vergonha alheia. 

O meu marido imediatamente passou para o 24 Kitchen e eu não tive como argumentar. Concordei. Qualquer coisa é melhor que a dita comentadeira.

Esta Clara Ferreira Alves é, neste momento e desde há algum tempo, um activo tóxico, muito tóxico, não apenas para a SIC Notícias como, direi mesmo, para o País.

Não sei o que leva a SIC a manter o contrato com esta criatura que se diz e desdiz, inconsequente, maledicente, fútil, inútil, impreparada, manda-bocas. Uma troca-tintas armada em chica-esperta.

Portanto, estou a ver a preparação dos repastos natalícios pela Nigella Lawson. É o que é.

Quanto ao demais, mormente ao tema que me tem trazido doente, parece que começo, aos poucos, a mentalizar-me para que a vida é isto mesmo. A gente pensa que já o sabe mas, quando nos bate à porta, parece que esquece. A enfermeira hoje dizia que o nosso corpo é uma máquina complexa, poderosa, incrível na forma como se ajusta e se recupera mas que, também, ao mesmo tempo, por uma pequena coisa se descontrola, por uma pequena coisa quase se perde. É mesmo. Se já o tinha constatado com outros casos, e muito fortemente, com o meu pai que tantas vezes estava mais lá do que cá e que perdia o andar, a fala, numa das vezes a capacidade de reconhecer números e que, depois, recuperava (até que deixou de recuperar e entrou numa recta descendente que o deixava angustiado e infeliz), agora, com a minha mãe isso parece ser ainda mais evidente e, por vezes, incompreensível. Mas, enfim, não vou falar no assunto senão começo, de novo, a enfiar-me naquele caminho estreito do qual me custa a sair.

Portanto, fico-me por aqui. 

sábado, fevereiro 11, 2023

Quando a praxis do Correio da Manhã e o modus faciendi do Chega parecem ocupar na íntegra a mente de André Pestana
e quando o professor, poeta e crítico literário António Carlos Cortez parece revelar que tem tanta tralha confusa na cabeça que não lhe sobra espaço para os neurónios
só me ocorre perguntar porque é que a SIC dá palco a gente desta...

 

O Expresso da Meia-Noite está a revelar que, se estes dois que aqui estão representam a classe profissional, a docência em Portugal está muiiiito mal entregue.

Misturam alhos com bugalhos, misturam banalidades com generalidades, atiram 'bocas', dizem coisas como quem anda ao pontapé com batatas, disparam tiros para o ar em todas as direcções, bagunçam temas conjunturais com estruturais, querem privilégios, justificam-se usando a lógica dos invejosos, dizendo que se há dinheiro para uns porque não há para eles, não têm noção de prioridades, desconhecem o que é o rigor. Um saco cheio de nada. De nada. Zero. Estou chocada com a boçalidade a que estou a assistir. É o populismo à solta. No meio da conversa aparecem offshores, banqueiros, tudo e mais alguma coisa -- uma demagogia vergonhosa.

Já muitas vezes o sugeri e volto a fazê-lo (e nem é em especial por estas duas aves que aqui estão a degradar a imagem dos professores em Portugal): não deveria ser possível que gente desclassificada, inculta, mal formada, demagoga, gente que se está a marimbar para o ensino e para os alunos, exercesse a docência. A docência só deveria ser exercida por gente escorreita, com nobreza de carácter, com um mínimo de cultura, com um mínimo de inteligência e de honestidade intelectual.

Isto a que assisto mina a confiança dos portugueses na democracia. É um vale tudo que inevitavelmente abre a porta à direita radical, ao populismo mais desbragada.

Ao dar tanto palco a gentinha que quer é armar baderna, a comunicação social está a atirar achas para a fogueira anti-democrática. Porque é que a SIC não convida professores de verdade e não profissionais da bagunça, porque é que não dá voz a professores decentes, preocupados com o ensino e com os alunos, professores com verdadeira vocação docente? Porque dá palco à verdadeira aberração que é esta dupla Pestana & Cortez?

sexta-feira, fevereiro 18, 2022

Depois de um dia do caneco, constato que a Clara Ferreira Alves continua no Eixo do Mal. Pior: igual a si própria.
Há mistérios que jamais terão explicação.

 


Mais uma vez enganei-me. Na quarta-feira à noite disse ao meu marido que pensava que ia ter uma quinta-feira tranquila. 

Qual quê? Quando a gente acha que está a salvo deve ficar calada. Falar atrai.

Conto.

Cedo apareceu-me o cão ao lado da cama, danadinho para lhe saltar para cima e o meu marido a chamá-lo a ver se ele não consumava o acto.

Ainda estava a refazer-me, avaliando se ainda faria sentido voltar a adormecer, toca-me o telefone. 

Uma dúvida sobre um tema complicado. Ainda à fresquinha (pijamas e camisas de dormir não são comigo) levantei-me e, para estar longe do urso peludo (não fosse pôr-se em pé para me fazer festas e arranhar-me de alto a baixo), fui enregelar para o escritório do lado. Telefonema longo. Problema complexo envolto em mil dúvidas.

Antevi logo que a coisa tinha tudo para ficar complicada. Como estas coisas do capeta nunca vêm sozinhas, juntaram-se vários factores e o meu marido, também cheio de telefonemas e afazeres e tendo que sair antes da hora de almoço, sugeriu que fossemos fazer uma rápida caminhada não fosse não haver outra oportunidade no resto do dia. 

Lá fomos. Mal pus o pé fora de casa, outro telefonema, um que queria reunião urgente. Tentei descartar-me, disse que não era tema apenas meu. Sabendo da agenda superlotada do outro, pensei que aquela reunião urgente seria agendada para o dia de são nunca. Comentei: 'Acho que desta já me livrei'.

Errado. Mais uma vez falei quando devia era ter ficado calada. Atrai, é o que digo. É que o dia estava fadado a ser um dia não -- passado um bocado, nova chamada: era esse mesmo a saber que raio de reunião era aquela. Uma estupidez de uma reunião, disse eu. Vontade de a ter: bola. Mas, sopesados os prós e os contras, acabámos por aceitar fazer a reunião na parte da tarde. Lembrei-me do outro, a confortar-me, anos antes: todos temos uma cruz para carregar.

Resumindo: nem dei pela caminhada.

Em casa, também mal tive tempo para comer uma mísera sopa, um mísero ovo e uma simples salada. Mais telefonemas, mais mails. Depois a reunião. Uma coisa enervante. Calma, maria-odete, pensei cá para mim a cada cinco minutos. 

A seguir, quando a xaropada acabou e me dirigia à cozinha para comer uns cajus e uns arandos, pensando que já não poderia aparecer mais nada para me chatear a cabeça, outra pessoa a ligar, se eu podia participar numa reunião. Não gritei por um triz. Caraças. Depois mais telefonemas. E mais essa reunião descabelada. E mails e apresentações para ver.

Quando chegou o meu marido estava eu ao telefone, irritada. Disse-me: 'Não tinhas dito que ias ter um dia tranquilo...?'. Pois. Limitei-me a encolher os ombros pois estava ao telefone . 

Há bocado sentei-me aqui e, enquanto ele adormecia no sofá e o cão dormia a sono solto no chão, adormeci também.

Acordei agora com ambos a irem para a cama (cada um para a sua, bem entendido). 

Enquanto tentava perceber quanto tempo tinha dormido, ouvi na televisão uma ave esganiçada, veias do pescoço salientes, ar sobredotado. Era a dita. Insurgia-se contra os portugueses que não sabem fazer nada, que não atinam, que já vem do tempo do Eça, que nunca foram capazes de fazer porcaria nenhuma. Notoriamente, a iluminada criatura, deve achar que não faz parte do grupo dos indigentes mentais dos portugueses. Será que acha que é chinesa? 

Tentei concentrar-me, numa de benefício da dúvida. Com muita paciência e tolerância, a modos que deixa cá ver se não sou eu que estou com os dois pés atrás, esforcei-me por lhe prestar atenção. Mas -- lamento -- não. Nada do que a senhora diz se aproveita. Mistura ironia, sarcasmo, desprezo, arrogância. Mas como tudo tem por base um zero absoluto, tudo aquilo resulta numa chachada.

Aliás, tudo o que se diz em volta daquela mesa é um exercício de parvoíce, de gabarolice, de pretenso humor. Não se aprende nada. Não se aproveita nada. Não sei qual a justificação para aquilo.

Se eu fosse responsável pela programação da SUC despedia-os a todos. Mas a que mais rapidamente ia de patins era esta insuportável criatura, que não diz uma que seja fundamentada. Ouve uma aqui, outra ali e vai para ali armar-se em letrada, em superior.

Não há pachorra. 

Nem sei porque é que isto ainda dá na SIC N. Vou fazer zapping ou espreitar a HBO e a Netflix. Puxa. Depois de um dia como o de hoje era o que me faltava era ainda ter que estar a aturar esta gente. Livra.

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Para ver se o post não é uma treta pegada, descobri estas fotografias no Guardian. Fazem parte de LensCulture Art photography awards 2022. Vêm acompanhadas pelos U2 com Stay (Faraway, So Close!)

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Desejo-vos uma boa sexta-feira

Confiança. Esperança.  Saúde. Alegria. Vida nova. 

sexta-feira, fevereiro 04, 2022

Qual é a pessoa qual é ela que anda sempre a surfar qualquer onda sem ter inteligência e habilidade para perceber a qualidade da onda?
Qual é a pessoa qual é ela que não acerta uma mas que erra com a cagança que costuma estar reservada aos que acertam sempre?
Qual é a pessoa qual é ela que tem a maior cara de pau, dizendo uma coisa e o seu contrário sempre com a petulância dos seres superiores?
Qual é a pessoa qual é ela que, mediante a dimensão dos seus juízos errados e dos seus raciocínios avariados, em vez de se demitir e nunca mais nos aparecer à frente, aparece sempre como se não fosse nada?
Quem é a pessoa qual é ela que não apenas tem cabecinha de alfinete como, pelos vistos, a tem vazia?

 

Penso que mais do que adivinhas, estas são perguntas retóricas. Branco é, galinha o põe. 

Mas, a quem tenha dúvidas, aconselho a rever o Eixo do Mal desta quinta-feira e o compare com o da semana passada. 

E, para quem não aguente (o que se percebe porque, na realidade, não se aguenta!), aconselho vivamente a leitura atenta do Completely SICk. Lê-se e não se acredita. 

Só mesmo a Clara Ferreira Alves para falhar tanto, falhar tão grosseiramente, falhar tão ridiculamente.

Transcrevo uma parte do que o Valupi transcreveu:

«António Costa escreveu o manual "Como não fazer campanha eleitoral - Erros a não cometer". Conseguiu cometê-los todos. Ele pode estar a milímetros de acabar ingloriamente a sua carreira política. Não há cargos europeus para quem perde eleições neste cenário.»

«António Costa partiu com aquela soberba que lhe é peculiar e acabou a fazer uma espécie de discurso de caixeiro-viajante à porta a vender escovas e sabões.»

«António Costa foi errático e isto dá uma aparência de desonestidade intelectual. E isso é muito grave.»

«Ele não é capaz de negociar consigo mesmo. Lá naquela bazófia, ele está visivelmente nervoso e sua de pânico porque sabe que pode estar a muito pouco de perder, e de perder tudo. E de rematar uma longuíssima carreira da pior maneira. Rui Rio está contente, evidentemente.»

Clara Ferreira Alves – 27 de Janeiro de 2022

Clara Ferreira Alves, a maior perdedora nas eleições legislativas 2022: 

mostrou à saciedade que não acerta uma, que não é intelectualmente honesta, que não é perspicaz, que não sabe ler a sociedade, que é uma catatua papagueante, que é uma cabeça vazia, que não tem vergonha na cara


Agora, já com António Costa vencedor, o PS com uma maioria absoluta, é vê-la, sem vergonha, armada em esperta, a louvar o Costa, a explicar porque é que o Costa ganhou, a cair sarcasticamente e a pés juntos em cima do Rui Rio. 

É isto o que a SIC tem para nos servir? Acha a SIC que somos parvos? Acha que temos paciência para isto?

Não percebo, mas não percebo mesmo, porque é que a SIC continua a contratá-la. Claro que o Luís Pedro Nunes também não dá uma para a caixa, um misto de candidato a parodiante histriónico e de aluno cábula. Também não se percebe em que qualidade é contratado. Dos outros dois, Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes, agora não digo nada, já dou de barato. No meio de tanta mediocridade, a gente já dá o desconto aos que conseguem ter uma conversa mais estruturada. Podem, com alguma frequência, dar alguns pontapés na lógica, na gramática, na história, na verdade dos factos, etc, mas, pelo menos não são tão desmiolados, descarados, despudorados, impreparados, desrespeitadores da inteligência de quem os ouve, etc, como os outros dois.

Entre Luís Pedro Nunes e Clara Ferreira Alves, esta ainda é pior. Poderia parecer difícil mas não: Clara Ferreira Alves é mesmo do piorzinho que por aí há. Parece que o Balsemão gosta de ter por lá coisas assim, gentinha sempre pronta para fazer o frete. E, quanto mais acéfala é, mais prestimosa essa gente se mostra. Escrúpulos não têm, vergonha também não. Por isso é vê-los. 

Quanto a CFA ser pior que o LPN: é que Luís Pedro Nunes se apresenta como um comediante, está ali só mesmo para largar umas larachas. Ela não, ela apresenta-se como se soubesse o que diz. Pior, apresenta-se como se só ela é que soubesse o que diz. E uma arrogância sem razão de ser é simplesmente manifestação de falta de inteligência.

Depois da barracada do que disse às vésperas das eleições, se eu fosse ela, obviamente demitia-me. Mas não. Já está noutra. Quem a ouça parece que sempre disse o contrário do que disse. Quem não faz ideia do que diz nem sabe do que fala, quem se exprime cavalgando ondas sem sequer perceber se são ondas a sério ou ondas fake e, pelos vistos, sem sequer saber o que é uma onda, está ali, na televisão, a fazer o quê? A vender banha da cobra? Mas... a vender a quem? Há compradores para banha da cobra?

Não há pachorra. Não há mesmo.

sexta-feira, outubro 30, 2020

Eh pah... mas ninguém tira a Clara Ferreira Alves da televisão porquê...?

 

Sem querer, passei pela SIC Notícias e aqui está ela, no Eixo do Mal, feita histérica, revoltada contra tudo e contra todos, contra incertos, contra o ar que se respira, contra os outros que respiram o ar que, se calhar, não era para ser respirado. O que é que ela diz? Não faço ideia. Com palavras avulsas proferidas com um ar ressabiado, assanhado, ela antecipa desgraças, fatalidades, cataclismos, toda a espécie de fenómenos sinistros. Ela superior a tudo e a todos, dizendo parvoíces, banalidades, contradições parvas, e tudo com ar furioso, toda ela arrogância, acusa o Governo, acusa as pessoas, acusa o vírus, acusa não se sabe bem o quê. 

Tudo espremido, o que ela diz vale zero. Zero. Nem o penteado lhe vale. Pelo contrário, acentua-lhe o ar de galinha espremida das ideias. Fútil, populista, leviana, fala-barato, transbordante de vã soberba, intragável. 

Enquanto ela fala, o Pedro Marques Lopes olha-a incrédulo. Vai ter que aturá-la até ao fim do programa. Eu não. Bye, bye Madame Cagona.

sábado, novembro 17, 2018

Fartinha, fartinha de aturar cenas do futebol (e-toupeiras e-vieiras, brunos e mustafás), ou de ouvir falar do iva civilizacional das touradas ou de ver casais à primeira vista com homens psicopáticos e mulheres maçadélicas... vou mas é fugir para as montanhas


O Bruno a rezar à janela e a sair da cadeia da polícia um homem novo, todo ele com um apaziguado olhar, um olhar novo, nem sei se até com um andar novo. Parece que dali vai direitinho para um mosteiro. O Mustafá a sair a cuspir chispas e fúrias, dentes já afastados para a labareda ser cuspida mais a preceito. Os comentadeiros rapidamente a fazerem a agulha das toupeiras para as ratazanas. E a May a fazer o pino na ponta da penca enquanto dança o samba de um ministro só. E o iva das touradas, esse tema fracturante, determinante, decisivo para o futuro do país. E o Daniel que parece psicopata e o Hugo que parece alucinado e o José Luís que se depila e a Graça que não são conforma por ele não dar uso à pila. Um tédio. Não encontro nada que me prenda na televisão, tudo me faz ficar a modos que impaciente.
É certo que tenho andado a esforçar-me e o post abaixo, escrito sob influência do Santa, é bem prova disso. Mas ainda tenho um longo caminho a percorrer. Ainda me falta muita paciênciazinha. 
Entretanto, enquanto não me atiro ao tapete, resolvi fazer zapping e, depois de novelas e futebóis e discussões sobre temas absurdos, fui parar a um programa bombástico. É na Sic Radical e uma menina alemã vai escolher um parceiro a partir da apreciação de candidatos nus. Parece-me uma boa opção. Em abstracto. Estive a olhar com atenção a ver qual é que eu escolheria. Decisivamente não um que tinha um piercing onde não lembra ao diabo.
Bem, confesso. Também não teve grande graça. Ou se depilavam ou eram esquisitos. O primeiro que ela despachou era uma coisa estranha. Na volta os outros também seriam. Ná. Nem pensar.
Portanto, fiz zapping outra vez. Expresso da Meia-Noite: jornalistas a cavaquearem com jornalistas, armados em entendidos, donos da verdade, ar superior. Mas superiores a quem, caneco? Não se enxergam. E é que nem ponta de graça. Aposto que nem piercing nem tatuagem têm. Só a Marina, ali, é que dizia coisas minimamente acertadas mas, ainda assim, tudo muito previsível, tudo déjà-vu. Uma seca. Uma tourada. Uma coisa com um i-valor acrescentado inspiracional pequenino, pequenino.

Portanto, pensando melhor, vou mas é esquecer a televisão e ou faço tapetes ou vou para as montanhas. É que farta, farta, fartinha de lérias banais e fúteis. Sou pessoa de altas filosofias, de pensamentos da fundura. Mas só me aparecem rasteirices, gentinhas, coisinhas. Fartinha disso. Tão fartinha que até as calças se me escorrem anca abaixo.


[E vou já avisando que isto pode não ficar por aqui]

E queiram fazer o favor de ir ver as boas ideias que a Santa UJM vos trouxe no post abaixo.

quinta-feira, agosto 16, 2018

Alguém mande o Eduardo Barroso acalmar-se, se faz favor, antes que lhe dê outra...!


Para além do mais parece não estar grande coisa da cabeça... Que exaltação é esta? Ainda defende o Bruno de Carvalho... Mas que conversa mais tresloucada é esta, senhor...? Já arfa, já está sem fôlego. E isto mal se restabeleceu de um enfarte. Oh pá, tirem o homem daqui.

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Uffff. Já acabou e tenho impressão que não lhe deu nada. Vá lá...! Um trangomango em directo era mesmo só o que nos faltava. Fogo. O futebol dá cabo do miolo a toda a gente, credo. O Pedro Mourinho a querer que ele se calasse, que já tinham excedido o tempo, e ele pimba, pimba, pimba, num excitex. Todos amigos dele, ele amigos de todos e mais o Varandas, e mais o Marta Soares e mais o Sousa Cintra e este, aquele e o outro, e as mensagens e os telefonemas e as conversas. E, no fim, arfando, agradeceu por lhe terem dado oportunidade para mostrar que está em forma. Bolas, bolas, bolas.

Só espero é que, da próxima que o convidem, o façam emborcar antes um lexotan e um chá de tília e o mantenham monitorizado para lhe cortarem o pio mal as pulsações disparem.

Não estou para isto. Fogo. Até fiquei enervada com a performance do homem.

E, no entretanto, aqui ao lado, o meu marido só dizia: 'O gajo é maluco, pá.' e, logo depois, 'O gajo é maluco, pá.'. Também me ficou a parecer que sim. A televisão agora é só disto. Caneco.

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Já agora, para quem não acompanhe estas novelas macacas do Sporting

Memorabilia




quinta-feira, agosto 09, 2018

Alguém faz o favor de tirar aquele Rodrigo Pratas dos noticiários da SIC Notícias...?


A criatura está ali para ver se entala os entrevistados, para 'apertar' com os convidados, para ver se descobre onde é que o governo está a falhar, onde é que os bombeiros estão a falhar, se a gnr está a ser autoritária de mais. A criatura não está ali para perceber as dificuldades, os constrangimentos reais, para ajudar a perceber o que quer que seja, para que haja um papel didáctico no que ali se passa, para mostrar compreensão ou solidariedade. Não. A criatura faz sorrisinhos maldosos, insiste, insinua, mete a farpa onde pode, lança veneno.

Escusado será dizer que o meu marido quer fazer zapping, diz que só a pontapé, enfurece-se: tirem-me este gajo daqui. Mas como eu acho que ninguém que mande o ouve aqui na nossa sala, faço-me aqui eco e pergunto a quem manda na SIC: o que é que aquela triste figura ali está a fazer? A incitar à revolta? Mas à revolta contra quê? A ver se lança ainda mais achas para a fogueira?

Tirem-no daqui, se faz favor. Descubram para que é que ele tem jeito. Para isto não tem e não temos que aguentar com uma coisa destas.

Salva a honra do convento aquela miúda equilibrada, a Sara Pinto, que, com moderação, ouve o que os convidados dizem e faz perguntas ou observações sensatas.

Já basta a avalancha de putativos bombeiros, putativos gestores de florestas, putativos comandantes da protecção civil, putativos poli-sabichões que pelos balcões dos comentadores a metro tem passado. Não se aguenta.

Nem se aguentam os putativos jornalistas para quem a opinião de uma pessoa qualquer atrapalhada ou aflita com a aproximação do fogo vale tanto como os dos técnicos que sabem o que fazem mas a quem as alterações climáticas trocam todas as voltas.

sexta-feira, maio 11, 2018

Só uma pergunta:
a diligentíssima Santa Mana Joana já seguiu as orientações da pura donzela que dá pelo nome de Manuela Moura Guedes e já começou a investigar o seu antecessor Pinto Monteiro?



Só a ficção poderá um dia descrever o que a SIC, o Correio da Manhã e demais avençados andam a fazer, ressuscitando mortos, desencantando fantasmas e fantasiando de jornalistas toda a espécie de figurantes e ressabiados.
[E, para que não subsistam dúvidas, uma vez mais repito: que quem for julgado culpado -- pelos Tribunais e não pela justiça popular -- seja condenado. E chamo a atenção: não é isso que, neste meu humilde texto, está em causa. O que está em causa é a tentativa de atropelo aos valores mais basilares do Estado de Direito, criando na opinião pública o sentimento de que os Tribunais são desnecessários uma vez que a verdadeira condenação é a que acontece na praça pública. Perigoso isto.]
Só a ficção poderá reproduzir a sanha desenfreada a que se assiste. Galinhas destravadas, desbocadas a preço de saldo, patetas que se julgam ilustrados, dâmasos e manos costas de braço dado -- de tudo tem vindo a terreiro para saltar a pés juntos sobre quem está na mó de baixo. De repente, um único homem arca com todas as culpas do universo e todos os que o tocaram são postos sob escuta, sob suspeição. Todos. Os que parece que fizeram, os que podem ter feito, os que alguém acha que gostavam de ter feito, os que se pensa que gostavam de um dia poderem fazer, os que ninguém sabe se não fizeram, os que talvez tenham tido um sonho em que pareciam que estavam a fazer, os que juram que nunca fizeram mas sabe-se lá se fizeram, se não fizeram -- tudo suspeito, tudo condenado, tudo pronto para ir para a cruz, tudo pronto para ser apedrejado.

Um desfile de acusadores de pedras na mão.

E, cereja em cima do bolo, em horário nobre, a mega-bocas, a injuriadora-mor, a desbocada Moura Guedes é alcandorada ao balcão da SIC para mostrar a mal contida raiva, para clamar por ainda maior vingança -- e, para tornar ainda mais divertida a ópera bufa, enquanto louvava a Santa Mana Joana,essa eficientíssima magistrada, lança o repto de mandar investigar Pinto Monteiro. Nem mais.

Pena que tenha deixado pelo caminho outros de quem poderia ter-se lembrado como o tal dos submarinos ou aquele de quem se falou aquando dos cartões gold ou o outro que ganhou uns oportunos e valentes cobres com acções do BPN ou os da Tecnoforma. E mais uns quantos. Mas desses a boca escancarada da Moura Guedes esqueceu-se. Pena. Pena.

Isto de que agora falo deu-se há dois dias e eu nem estava para falar no assunto. Mais que fazer. Mas agora, depois dos meus bem-amados bailarinos da areia e do Charlot, apeteceu-e encerrar o expediente com um verdadeiro número de burlesco e nada melhor do que falar em mais uma palhaçada da SIC, esta com a Boca Guedes.

Vamos ver quem ainda lá vão ter em horário Nobre. A Felícia Cabrita, talvez. Essa é que era. Quiçá, até, uma mesa redonda moderada pelo Dâmaso: a Felícia Cabrita, a Moura Guedes, a Lenita Matos e o Totó Miguel Tavares, mesa redonda essa, no fim, comentada pelo mano Costa. Boa?

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Mas vá, chega de burlesco em mau. Que entre o burlesco em bom.

Imaginemos, por exemplo, esses dois grandes admiradores do tal que agora todos querem espezinhar: a acima referida, a pura Moura Guedes, com o marialva José Rodrigues dos Santos. Imaginemo-los in love, unidos pelo ódio ao tal outro. Faz de conta que são estes aqui abaixo, Masokiss e Sven Inches. Apreciemos a sua arte.


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E agora permitam que vos aconselhe a continuar a deslizar porque abaixo é que estão os números de qualidade.

quinta-feira, abril 19, 2018

Sócrates, os interrogatórios e as imagens que a SIC está a transmitir
--- A palavra ao Leitor P. Rufino ---


Na sequência do que ontem escrevi sobre o julgamento popular que a SIC está a levar a cabo (só com acusação e sem direito a contraditório), do Leitor P. Rufino, que sabe bem do que fala, recebi o mail que, com a sua permissão, aqui transcrevo.

As imagens que a SIC transmitiu, relativas ao interrogatório de José Sócrates, são de uma gravidade sem precedentes. Nos termos da Lei Processual Penal em vigor, como aliás é referido num dos Artigos invocados. Mas, há algo de obsceno nisto tudo na medida em que será fácil saber quem foi o autor de semelhante e flagrante ilegalidade, já que, quem está presente nesses interrogatórios, na sala, para além do arguido e o Procurador, estão ainda, sem poderem intervir, os dois advogados de JS. E ainda está presente um oficial de diligências para ir tomando nota das declarações. Por conseguinte, como não passa na cabeça de ninguém ser o próprio JS, nem tão pouco os seus advogados, só pode ter sido o próprio Procurador Rosário Teixeira, ou então o oficial de diligências. A não ser que tenha sucedido algo de rocambolesco, como por exemplo alguém daquele Tribunal ter colocado uma câmara de filmar na sala, antes do interrogatório se ter iniciado e sem ninguém ter dado conta (com vista a posteriormente vender esse filme à SIC). Acho demasiado inverosímil, mas quem sabe! Neste processo já tenho visto tanta violação de procedimentos processuais penais e de práticas de Justiça que já nada me espanta – a “bem” de uma boa “cacha” televisiva, ou num qualquer pasquim.

Registo igualmente a inqualificável atitude daqueles dois jornalistas de se terem prestado a um serviço daqueles. Mandaria a ética profissional que não se tivessem disponibilizado para semelhante imundice jornalística. Mas, manda quem pode e obedece quem não tem espinha dorsal.

A Justiça está totalmente desprestigiada neste país. Um arguido – que, convém sublinhar e lembrar, ainda não foi condenado e, nesse sentido, tem o direito à presunção de inocência – não deve ser tratado desta forma, quer pelos Tribunais, quer pelos “média”. Num Estado de Direito há regras claras para a Justiça e para a liberdade de imprensa/de informar. Mas, não parece ser o caso no nosso patético país.

Já se percebeu, suficientemente bem, que o Ministério Público – que hoje é cada vez mais uma entidade sinistra e “justiceira” – tudo está a fazer, apoiando-se na imprensa (venal) que por aí se vê, para pressionar o colectivo de juízes que irá julgar José Sócrates no âmbito do processo Operação Marquês e, deste modo, obter umas tantas condenações. Ou seja, não deixar espaço ao colectivo quando tiver de decidir. E de facto, com tanta publicidade à volta do caso, um desfecho mais favorável ao ex-PM, por exemplo, desacreditaria a Justiça e os juízes, perante a opinião pública – que já condenou, antecipadamente, José Sócrates. Não vejo outra explicação para este tipo de atitudes com as de ontem na SIC e antes em diversos meios de comunicação social, senão o de querer colocar pressão no tribunal que irá julgar o processo Operação Marquês e José Sócrates. 

Uma vergonha, do ponto de vista judicial! 


PS: Acrescentaria ainda que aquelas imagens que foram ilegalmente captadas e divulgadas nem sequer podem ser usadas validamente em Tribunal para condenar quem quer que seja. É da Lei Processual Penal.

Quanto à SIC, deveria perder a licença. Espero que a revoguem. Tratou-se de um acto de apedrejamento judicial público.

quarta-feira, abril 18, 2018

Sócrates e os vergonhosos julgamentos na praça pública (agora no pelourinho da SIC)


Vejo com estupefacção os vídeos dos interrogatórios a que Sócrates, Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Granadeiro, Bataglia e outros foram sujeitos no âmbito do Caso Marquês. Supostamente as gravações seriam feitas para apoio não sei a quê -- e espero que os arguidos tivessem sido informados de que as gravações estavam a acontecer -- e não para ser passadas em horário nobre numa televisão generalista.

E, no entanto, imagens colhidas e armazenadas à guarda da Justiça foram parar à SIC e são agora pasto atirado para a praça pública.

Tal o estado de bandalheira a que a Justiça chegou em Portugal que isto já se faz a céu aberto, sem receio das consequências.

Estamos a falar de pessoas que ainda não foram julgadas, muito menos condenadas. Até prova em contrário são inocentes.

E, no entanto, sem rebuço, a equipa de algozes da SIC dá-se ao desfrute de os expor em momentos melindrosos da sua vida.

Pensei: mas será que, lá por o processo já não estar em segredo de justiça, já é material que por aí ande a pontapé?

Pois bem: não. Leio agora que
"Embora o processo em causa já não se encontre em Segredo de Justiça, a divulgação destes registos está proibida, nos termos do art.º 88º n.º 2 do Código de Processo Penal, incorrendo, quem assim proceder, num crime de desobediência (artigo 348.º do Código Penal)", refere o Ministério Público numa resposta a uma questão da Lusa.
O Ministério Público acrescentou que instaurou um inquérito para "investigar os referidos factos".
Espantoso. Apesar da divulgação estar proibida, a SIC fá-lo na maior descontracção. Mais: faz disso um festival. Um julgamento, sem contraditório, na praça pública.

Ouço os jornalistas e comentadores falarem com assertividade e certeza no dinheiro que, segundo eles, era de Sócrates, de luvas recebidas, etc. Não têm dúvidas nem precisam que os tribunais se pronunciem. Quem os ouça, diria que Sócrates já foi condenado em última instância de todos os crimes que é acusado. E, no entanto, o julgamento (nos tribunais) nem sequer começou.

Uma vergonha, isto, num Estado democrático e que deveria ser um Estado de direito.

Poderia ainda referir as imagens dos interrogatórios a Sócrates: os inquiridores falam em suposições e, do que vi, nunca em factos concretos que incriminem Sócrates. E, do que vejo, Sócrates indignado  e furibundo, mostrando a sua revolta por não haver factos ou pelas acusações não fazerem qualquer sentido. E já por ali anda tudo misturado: a gestão do BES, as relações entre Salgado, o Granadeiro e Bava. Como se tudo fosse uma gigantesca cabala para beneficiar Sócrates. Como numa telenovela em que afinal uma que se supunha mera figurante ser, afinal, mãe da rapariga e outra ser, afinal sua irmã e o pai ser quem menos se suspeitava. Todos relacionados com todos, num argumento fantasioso e improvável. Só que estamos perante pessoas que ali expõem a sua vida real e não personagens de novela.
E, vendo o que vejo, só penso nisto: qualquer pessoa que caia nas malhas de uma Justiça destas está feita para o resto da vida. Mesmo que venha a provar-se ser inocente, terá gasto anos da sua vida a ser trucidado e humilhado na praça pública -- e isso nunca nada apagará. E toda a sua família terá sofrido os horrores da infâmia e da vergonha. Uma pessoa que caia num tal rede de suposições passa a ser uma vítima, uma vítima indefesa.
Mas a reportagem está urdida, na verdade, como uma novela: depois de vermos a revolta de Sócrates perante acusações que parecem infundadas, a SIC mostra gravações de conversas telefónicas e mostram-nos enredos laterais e ficam dúvidas e suspeitas no ar.

Agora, enquanto escrevo, na SIC Notícias falam jornalistas que parecem estar na qualidade de jurados mas, na verdade, assumindo a posição de acusadores. Apenas uma das presentes se distancia. Salvo ela, todos falam na fragilidade da acusação, na ausência de provas e tal e tal... mas, na maior leviandade, continuam em frente, passando por cima de pruridos e dando por provadas as acusações. A expressão facial, o tom de voz é o de acusadores saciados. Nota-se que se sentem heróis: derrotaram Sócrates, o 'animal feroz'. Imagino-os, a estes pequenos jornalistas', saindo do estúdio felizes consigo próprios e pensando: fez-se justiça, Sócrates está crucificado

Um dos pilares essenciais de uma vida saudável em liberdade e democracia é o do direito a uma justiça isenta. Contudo, com o maior dos desplantes, a SIC, qual Correio da Manha, passa por cima de todos os direitos de qualquer cidadão e assume o papel de acusador, fazendo um julgamento público sem direito a argumentação por parte da defesa.

E eu o que tenho a dizer a isto é que o que se está a passar é uma vergonha e apenas lamento que os orgãos judiciais do meu país assistam passivamente a isto sem o impedirem, sem agirem como deveriam fazê-lo. Uma vergonha a todos os títulos - para a comunicação social, para a justiça.

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De resto. Puxo pelos meus fracos galões e permito-me dizer: dizem os outros e dizem os assessments a que tenho sido sujeita que não sou burra. Acresce a minha formação académica e a minha experiência profissional (pelo menos, parte dela). A lógica, a análise científica de hipóteses, a construção de modelos e a validação da sua aderência à realidade faz parte do que estudei e pratiquei. 

E é assente nestes alicerces que continuo a dizer: não tenho provas de que Sócrates seja culpado de corrupção. Também não sei se é inocente e espero que sejam os tribunais a decidi-lo. Mas, até prova em contrário, qualquer pessoa é inocente e como tal deve ser tratada. Suposições não são provas. Nunca na vida, em circunstância alguma, dou por certos raciocínios baseados em hipóteses não comprovadas. 
Posso desenhar raciocínios com base em intuições mas, atenção, a intuição não é divinação à toa mas, sim, um atalho nas deduções, chegando, a partir de sinais, à conclusão. 
Ora, neste caso, o que digo desde o primeiro dia é que, das suposições que ouço, nada concluo. Tanto podem fazer sentido como não. Inclino-me mais para que sejam delirantes e sem uma única prova que as suporte, apenas suposições cruzadas ou derivações umas das outras. Mas não sei. Para isso existem os tribunais.

Contudo, aqui ou ali há aspectos desconcertantes que me levam a admitir que, no meio dos mil tiros que a acusação atirou para o ar, alguns possam acertar em alguma coisa, quiçá até num prato que esteja de passagem. Mas isso se verá -- no julgamento (nos tribunais e não na praça pública, repito)

Posso ainda dizer que me deixa desconfortável a ideia de que Sócrates usava tanto dinheiro emprestado e que o pedia com tanto à vontade. Isso não encaixa na linha de conduta que gosto de ver em pessoas que respeito. No meio de mil suposições e acusações, isso é verdadeiramente o que a mim mais me incomoda. Mas, se for só isso, pode ser eticamente questionável mas crime não é.

Mais: tenho que dizer que conheço outros casos assim. Ainda há pouco, ao telefone com uma pessoa, referi casos que ambos conhecemos em que pelo menos duas pessoas e respectivas famílias viajam como nababos, passam férias como sultões e seguramente recebem empréstimos avultados de um amigo rico. E não sei, mas juraria, que não há cá contabilidades nenhumas entre eles. Portanto, sei que há casos assim e onde não há corrupção ou coisas estranhas nenhumas pelo meio: há apenas uma pessoa muito rica que gosta de fazer agrados aos amigos e amigos que não se importam de receber agrados, vivendo uma vida tão faustosa como o amigo que lhes paga todas essas mordomias. 

E do que sei isto passa-se por uma razão simples: o muito rico, se não fizer isto, acabaria por não poder conviver com os seus amigos já que eles não têm como partilhar despesas.

Portanto, dizer o quê sobre este aspecto em particular? Não digo nada.

De resto, e quanto a tudo o mais, o que digo é que a Justiça em Portugal tem mostrado ser uma perigosa anedota. E que é bom que deixe de o ser.

A inquisição já devia ser coisa do passado. 
Apedrejar pessoas até à morte é hábito que também não deveríamos querer importar.

Consta que, sempre, a turbamulta gostou de ver sacrificar até à morte aqueles que caem nas malhas das suposições; mas, enfim, gostaria de acreditar que, por cá, a turba já adquiriu alguns bons hábitos civilizacionais como, por exemplo, o de não praticar justiça popular. Mas não sei. A psicologia de massas explica muita irracionalidade e muitos crimes têm sido, ao longo dos tempos, cometidos em nome dos melhores propósitos. 

Portanto, que o Estado de Direito funcione é o que se espera. 

E Marcelo, sempre tão lesto a comentar tudo e mais alguma coisa e dar lições a propósito de qualquer pequeno evento, deveria agora chegar-se à frente e exercer o seu poder de influência junto das instâncias judiciais e, estando-se em domínios que são os seus, ter um papel pedagógico junto da opinião pública. Não pode nem deve ficar calado perante esta vergonha pública.

terça-feira, janeiro 23, 2018

Júlia Pinheiro e Conceição Lino sobre a SuperNanny: o grau zero da dignidade profissional em televisão


Não vi nem verei nenhum episódio do programa Supernanny. Os excertos publicitários e o formato anunciado bastaram-me para me sentir incomodada e, não sendo eu masoquista, sempre que posso não desperdiço o meu tempo com lixo. 

O tema do mau comportamento e da má educação das crianças e da incapacidade dos pais em lidar com a situação parece-me assunto a ser analisado caso a caso, com reserva e pudor. De resto, tenho a noção de que, na maior parte das vezes, o problema da má atitude de algumas crianças está, sobretudo, nos pais e na sua disfuncionalidade. E quando vejo desfocar a questão, responsabilizando as crianças, tratando-as como deficientes, delinquentes ou patologicamente problemáticas, sinto-me chocada e desconfortável.
No outro dia almocei ao lado de um casal que estava com o filho, um rapazinho de uns três ou quatro anos. O miúdo fazia uma birra incómoda. Mas o que me incomodou mais foi a raiva mal disfarçada entre os pais -- a mulher, num tom furibundo e ansioso, não parava de interrogar e pressionar o marido e este já não suportava os remoques permanentes da mulher e já falava num tom demasiado agressivo para o meu gosto. A criança berrava desalmadamente e os pais, em vez de a abraçarem, de tentarem perceber o que se passava, agrediam-se verbal e comportamentalmente um ao outro. Estive a ponto de me meter naquele mal disfarçado conflito, recomendando que se acalmassem e prestassem atenção à criança
Lembro-me também de que, quando estive a fazer uma pós graduação numa universidade privada, nos ter sido publicitado um curso pós-laboral para ensinar os pais com pouco tempo para os filhos a lidarem com a situação. O nosso curso era um curso de gestão dita avançada e todos os que ali estavam eram executivos que provavelmente encaixariam no público alvo. Muitos acharam o curso interessantíssimo e inscreveram-se logo. Eu disse alto e bom som que o achava pura e simplesmente ridículo: se o problema era terem pouco tempo para os filhos, o melhor seria irem mais cedo para casa para estarem com eles em vez de arranjarem pretextos para os deixarem a criar-se sozinhos urdindo, ainda por cima, teorias de cão de caça para lidarem com os seus problemas.
Mas cada família saberá de si e há circunstâncias ou personalidades em que a coisa pode mesmo ser complicada. E admito que casos existam em que algum apoio externo seja necessário.

Agora o que não lembra ao diabo é meter uma televisão dentro de casa e expor ao público os problemas que ali se vivem. 

Mais. Expor crianças seja em que situação for -- sejam pais que humilham os filhos em público, os expoem em revistas, redes sociais ou na televisão -- parece-me sempre mau. Cada um tem direito à sua privacidade, mesmo as crianças. Choca-me que adultos de amanhã estejam hoje, enquanto crianças, a ser expostos pelos pais.

Mas, diga-se em abono da verdade, que não é só isto que me choca: muito do que se passa nesta sociedade inculta, estúpida, imediatista e superficial me choca. 

A comunicação social e essa massa informe que se junta nas redes sociais subsitui o conhecimento e anula a autoridade de quem estuda e sabe do que fala. Ouço com pasmo repetirem-se barbaridades com total convicção apenas porque se leu no facebook, se ouviu a um comentador mentecapto ou apenas porque circula por aí. Uma mãe por mais palerma que seja vai para o facebook dizer parvoíces e há uma chusma de outras mães palermas que acham muita graça e repetem as parvoíces umas das outras. E as parvoíces, por se encontrarem em letra de forma e terem muitos likes, passam a fazer escola. Este é o caldo social e cultural em que germinam programas impensáveis como este Supernanny.

Júlia Pinheiro e Conceição Lino,
as chocarreiras
que se acham no direito de se armar em
justiceiras e pesporrentes.
marimbando-se de alto para as crianças.
Querem é audiências.

Por mero acaso, ao jantar, demos com um debate da SIC sobre o programa Supernanny que, dos excertos que agora ali mostraram, me parece, de facto, roçar a abjecção. E confesso: ver a prepotência, o ar de superioridade alarve, o quero-posso-e-mando, a pesporrência e a total leviandade da Júlia Pinheiro e da Conceição Lino a defenderem aquele formato, a desafiarem  Dulce Rocha, do Instituto de Apoio à Criança (IAC) e Rosário Farmhouse, da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens ( CNPDPCJ) deixou-me chocada. Mais: revoltada.


Ouviram a opinião fundamentada de duas pessoas que sabem do que falam como se estivessem a ouvir a opinião de duas vulgares transeuntes a quem tenham posto o microfone à frente da boa. Com ar de dúvida, por vezes até trocista, Júlia Pinheiro e Conceição Lino desdenharam de toda a argumentação técnica e séria que elas foram carreando para a discussão, contraponto vulgaridades e atoardas, ora com ar arrogante, ora com ar de gozo.

Chocante. E tanto mais chocante quanto se está a falar de crianças.

Júlia Pinheiro e Conceição Lino
a dupla sensacionalista
para quem vale tudo,
 desde explorar o luto e a dor alheia
até aos problemas de crianças indefesas

Depois daquilo a que assisti a única coisa que me ocorre é o seguinte: não é possível ter pessoas como Júlia Pinheiro e Conceição Lino em lugares de responsabilidade na Comunicação Social. Não é possível. 

Podem com os seus desmandos, histerias, manipulações ou exploração alarve das emoções alheias conquistar picos de audiências. Acredito que sim. Mas não vale tudo. Não vale tudo.
Tivesse eu funções de responsabilidade na SIC e de tudo faria para que pessoas que revelaram um tal desprezo pela dignidade alheia (nomeadamente a das crianças) e uma tal alarvidade na defesa acéfala das suas posições, fossem afastadas dos lugares que ocupam. O poder de pessoas assim deve ser neutralizado pois o seu efeito pode ser nefasto.

As televisões têm um poder efectivo: o poder de influência na opinião pública. E esse poder não pode estar nas mãos de pessoas com mentalidades e atitudes como acabei de ver em Júlia Pinheiro e Conceição Lino. Lamento dizê-lo desta forma tão crua. Mas é o que penso.


quinta-feira, junho 08, 2017

António Costa teve dó do José Gomes Ferreira e, quase inexplicavelmente, conseguiu fazer de conta que estava com paciência para o aturar


Vi parte da entrevista ao António Costa feita por José Gomes Ferreira, essa criatura que não sabe pensar, que não aprende, e que não consegue ser isento, imparcial -- de facto, uma criatura que se diria imprópria como jornalista. Disfarça-se de economista mas não é senão um vulgar populista que goza do privilégio de dispor de tempo de antena para, segundo parece, ver se convence alguém, um dia, a contratá-lo como assessor de ministro ou secretário de estado. Debalde. Ninguém o quer para tal mas o Dr. Balsemão, o mano Costa e essa turminha continuam a tê-lo aos balcões da SIC a fazer o trabalhinho sujo que já não há muitos que queiram fazer.


Admiro a paciência de António Costa para aturar coisa assim.

Indelevelmente agarrado ao período passista que apoiou e louvou como um beato acéfalo, tal como o seu guru que ainda não tirou de cima de si o sarro que acumulou enquanto desgovernou, também o Gomes Ferreira continua emprenhado de pafiosice até aos gorgomilos. Um dia destes já todos os correlegionários laranjas, enjoados e desesperados, desertos para se verem livres dele, brutus ou não brutus, trairam o láparo pelas costas, de frente, por baixo e por cima, e ainda anda o Zé Gomes a bramar as virtudes, que só ele vê, no negro período do desgoverno lapariano.

Pouco inteligente como infelizmente mostra ser, repete argumentos errados ad nauseam, sem cuidar de avaliar com quem se mete.

Ora, quem ele teve pela frente nesta entrevista não foi um passarinho qualquer que se deixe intimidar pela presença na televisão ou que fique bloqueado, de nervos em franja, por ter que aturar em público as jericadas do dito pseudo-jornalista. Portanto, o António Costa que de papuço não tem nada, fê-lo rodopiar sobre a sua própra ignorância, divertiu-se a tentar ser pedagógico com tão fraco aluno, como que condoído por se ver forçado a dar cabo do pobre Zé.

Mas, o facto é que é de dar dó mesmo: a cada pergunta que faz, o dito coiso mostra que não percebe uma coisa básica: governar é fazer escolhas e podendo, por vezes os ingredientes ser os mesmos, a forma como se conjugam, se doseiam ou combinam com outros cuidados faz toda a diferença.
Exemplo para quem não vai lá de outra maneira: 
Se eu estiver com uma inflamação e me for prescrito um anti-inflamatório, coisa para, no máximo dos máximos, 1200mgr/dia, sempre a seguir às refeições e com um protector gástrico em jejum, seguir essa prescrição é uma coisa mas se, pelo contrário, armado em chico-esperto, resolver que o protector gástrico é pieguice, não faz falta, essa coisa de ser a seguir às refeições pois que se vão catar que é é logo em jejum para fazer mais efeito e que, se 1200 é bom, 2400 ainda há-de ser melhor, é outra coisa completamente diferente -- e não vai curar o doente, vai é dar cabo dele.
Portanto, vir o putativo ladino Zé Gomes dizer: ah mas vocês também usam anti-inflamatório, sem perceber o que se passou no desgoverno do nefasto Passos Coelho foi um uso descomandado, descuidado, abusivo e abusador de parte da medicação, só revela um estrabismo e miopia intelectual em elevado grau -- mas num grau de dar dó.

Enfim.

E isto para se perceber o que faz ser um político de mão cheia: no fim da entrevista, eu, aqui em casa, à distância, estava irritadíssima enquanto, no estúdio, com aquele maçador e destituído JGF pela frente, o Costa continuava bem disposto e com paciência para lhe dar explicações. Não é crente mas é um santo.

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Cá para mim o José Gomes Ferreira instruiu-se com o vídeo abaixo. Também mostra não ter pruridos: quando faz entrevistas a pessoas de quem não gosta (e não gosta de todos quantos são capazes de lhe demonstrar que o que andou a defender durante quatro anos não passou de uma mão cheia de sandices) faz de tudo para incomodá-las não querendo saber de incomodar também quem, em casa, assiste a tão deploráveis actos de não-jornalismo.


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E, agora, um conselho de amiga: desçam até ao post seguinte que ali poderão encontrar musiquina boa para acompanhar palavrinhas melodiosas.

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sábado, março 18, 2017

Caso Sócrates. Digo: Caso Marquês -- as últimas!
A Procuradora-Geral Joana Marques Vidal fartou-se do Rosário Teixeira.
Fala-se que as suas preferências vão para a Sara Antunes de Oliveira e para Micael Pereira.
E mais surpreendente ainda: parece que Sócrates ficou louro!


Não quero ser cá apodada de viúva do Sócrates senão ainda me põem sob escuta e ainda descobrem que quem pagou o meu colar de pérolas da Parfois foi o Zeinal Bava por conta do Bataglia a mando do Mão de Ferro que, por sua vez, não era mão de ferro coisa nenhuma, o que ele era era o testa de ferro da Sofia Fava que, como é sabido, foi casada com o Sócrates. 

Ou seja, falo apenas na mera qualidade de espectadora do Expresso da Meia-Noite na Sic Notícias. 


E foi aí que fiquei a saber das últimas: que a anibaleira Joana Mana do Vidal está que não pode, farta até à raiz dos cabelos desse verdadeiro empata-cópulas que dá pelo nome de Rosário Teixeira, aquele tipo de pessoa que nem dança nem sai da pista. 

Tentando relembrar -- e fazendo um esforço para não deixar pistas de fora e respeitar a ordem cronológica (embora não seja fácil já que o Rosy Boy é o rei da confusão e atira em todas as direcções, incluindo para os próprios pés):

Rosário Teixeira começou a desconfiar dos negócios de Sócrates com a Venezuela, passou para Angola, fixou-se em Leiria, intercalou com os compradores dos livros, depois desandou para Vale de Lobo, a seguir passou para o BES, para a PT, para a CGD, pelo caminho foi deitando a mão a este, àquele e ao outro -- e a caldeirada está montada, já com vinte e tal arguidos, alguns dos quais, ao que parece, sem qualquer ligação ao marquês, e a coisa já vai em 91 volumes, 452 apensos e 13,5 milhões de ficheiros informáticos (13.500.500!). Nem cinquenta humanóides davam conta de tal profusão de peças para apreciação. 

E ao fim de quarenta e tal meses de investigação -- sem serem capazes de produzir uma acusação -- parece que vêm agora dizer que ainda lhes falta saber quem é que cochichou ao ouvido do Bava numa reunião em que estavam representantes de outros accionistas e mais uma carta de não sei o quê e mais a cor das meias que o motorista Perna usava num dia em que levou um envelope ao marquês e que o melhor era fazerem outra vez buscas à casa do Granadeiro e, por via das dúvidas, também aos balcões do BES que já fecharam e ao caixote do lixo da casa de campo do Zeinal, já para não dizer que, bom, bom mesmo, era investigarem um bocado melhor onde é que a mulher do amigo rico comprava os sapatos e se os pagava com dinheiro dela, do marido ou do primo do Sócrates que isso, isso sim, isso explicaria muita coisa.
(Não sei se foi exactamente isto que disseram porque, confesso, estava a escrever um post sobre a minha virilidade e com um olho no burro e outro no cigano e, portanto, posso ter percebido mal alguma coisa. Mas, se não foi exactamente isto, foi qualquer coisa nesta base o que, para o efeito, vai dar no mesmo já que o que não deve faltar, no meio daqueles milhões de documentos, é muita maluqueira do género.)


O que sei é que, ali no Expresso da Meia-Noite, fiquei a ver como deve ser mesmo verdade o que a rádio alcatifa anda a propagar: que a Procuradora Joana tem desabafado que, se em vez do Rosarinho Teixeira, a investigação estivesse nas mãos da Sara Antunes de Oliveira e do Micael Pereira a coisa já estava mais que resolvida.  E consta que alguns que por aí andam lhe dão toda a razão e vão até mais longe: que nem valia a pena perder-se tempo com julgamentos, recursos e essas frioleiras: era prisão directa para o Sócrates e era já -- e ponto final. 

E deixem que comente o que me foi dado observar. Que casal de falcões de aviário que ali está, sim senhora: Sara & Micael não têm dúvidas, sabem tudo, conhecem os meandros do processo, sabem o que este disse e o que o outro não disse, não há indício que lhes escape. Eram meninos para passarem por cima de toda a folha, sem darem trabalho nenhum nem ao Amadeu, nem ao super-judge Alex nem à mana Joana. 

Estão para a Justiça como o colega Gomes Ferreira está para a Economia: de jornalistas passaram directamente a especialistas-doutores em disciplinas que nunca estudaram e sobre as quais opinam com a segurança de sábios encartados.
Creio que foi o Nicolau Santos que tentou tirar a limpo: se agora fossem fazer uma acusação, fá-lo-iam com base em quê, em provas ou indícios? Sem hesitar, a Juíza-Procuradora-Falcoa Sara Antunes de Oliveira respondeu que apenas indícios, que nestas coisas não há provas, ninguém vai à Conservatória registar um acto de corrupção.
Nem mais. Não há provas mas o que não falta são suponhamos. No big deal. Sempre a abrir.
Já Micael me pareceu mais nervosinho. Onde Sara parece uma justiceira implacável, capaz de pôr atrás das grades, de vermelho directo, quem ela ache que possa ter pensamentos pecaminosos ou sonhos imorais, já o Micael estremece ao falar, parece querer ficar ofendido ao perceber que ninguém tem medo do tanto que ele sabe, parece irritadiço, à beira de uma crise de tipo PMS. Mas, pronto, acredito que, aos olhos da mana Vidal, até um Micael seja melhor que o ensarilhado Rosarinho.

[Quem destoou, para além do equilibrado Nicolau -- que deve ver-se e desejar-se no meio dos frangos justiceiros de que está rodeado -- foi o advogado João Nabais, uma voz lúcida no meio de tanta pangalhada. Investigações sem prazo, prisões preventivas com base em 'indícios sólidos' para, ao fim de anos, ainda não haver uma acusação, fugas de informação, jornalistas a saberem mais dos processos do que a Defesa, julgamentos na praça pública antes sequer de haver acusação formulada, e outras aberrações do género não incomodam? - perguntou, indignado. E perguntou bem.]


Mas, mais surpreendente do que tudo isto, é o que aconteceu ao próprio Sócrates. Parece que se auto-clonou, um clone siamês agarrado a ele pela barriga, e que deu em se apresentar louro de tipo platinado. Mais um bocado e avolumava a popa para ficar com um penteado à Trump. Pelo menos é o que eu vejo na fotografia do Expresso. Claro que o penteado pode ter mãozinha do Micael, já que vejo que é co-autor do artigo e, pensando bem, até pode acontecer que, tão versátil como parece ser, ele tenha uma certa vocação para cabeleireiro, Juíz-Procurador-Cabeleireiro Micael.



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E, portanto, para atalhar razões: ainda não foi desta que, depois de tanto chocarem, nasceu algum pinto. E aí temos mais uma voltinha, mas uma viagem -- prossegue o baile e, no fim de Abril, a Srª Drª Joana vai ver em que param as modas para ver se lhes dá mais uns meses para eles continuarem a brincar aos espiões zarolhos, se mais uns anos a ver se se tornam racionais ou se vai mas é para casa -- que aturar incompetentes destes deve dar cabo da paciência a qualquer um, até a ela que tem cara de santa. (Não tem? Não sejam mauzinhos. Eu acho que tem)

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Here it goes again

Ok Go


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E viva a Justiça em Portugal!

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