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quinta-feira, outubro 08, 2026

Uma casa com arte, design e muita luz

 

Deveria acrescentar ao título: e com muito bom gosto. E ainda: fácil de limpar.

Para uma casa assim, com este espaço, esta disposição, com esta mobília, peças de arte e peças decorativas, com este jardim e com esta vista, eu poderia mudar-me com a certeza de que me sentiria muuuuito bem.

O design seduz-me. Gosto imenso de peças que são isto mas também podem ser aquilo. Por exemplo, um caso simples: uma mesa de jogo. Pode ser uma simples mesa de apoio, mas, se rodar e abrir o tampo, vira mesa de jogo. Tenho uma, gosto imenso. Nunca a uso como mesa de jogo, mas gosto de saber que a posso transformar. A Julianne Moore tem um banco que vira cadeira, acho uma graça. 

E gosto também muito das prateleiras que usa como estantes: são elegantes, embora robustas, e acompanham o evoluir da parede. 

E as pinturas e as demais peças, tudo despojado e bonito.

Já o confessei aqui algumas vezes: gosto muito da minha casa, muito mesmo, tudo parece à medida do meu gosto. Mas, se fosse hoje mobilá-la de raiz, teria menos móveis e, sobretudo, quase não teria móveis de madeira escura. 

Contudo, para ter menos móveis, teria que ter menos coisas para lá guardar. Por exemplo, aqui em casa seria impensável ter umas prateleiras pequenas com a louça. Primeiro porque duvido que ninguém desse um encontrão e atirasse com os pratos e as tigelas ao chão, segundo, porque apenas caberia lá uma ínfima-ínfima parte da louça que tenho. Hoje posso questionar: para que tenho eu tanto prato, tanto prato, senhores, tanta terrina, tanto copo, copos, então, mais do que um enxame? São os que eram meus, que já eram demais, e são muitos que eram dos meus pais e que não consegui que os meus filhos os levassem. Copos que não acabam. E o pior é que grande parte deles não são de tipo de trazer a uso, são copos delicados e frágeis de mais, uns com pé ultra-fino, outros com desenhos, outros de cristal. Lindos, reconheço, mas uma carga de trabalhos pelo espaço que ocupam e pelo cuidado que há que ter no seu manuseio.

Uma casa, clean, como a da Julianne Moore é uma casa que só é possível se ela tiver não mais que o mínimo indispensável. Por exemplo, na onda arrumadista do meu marido, uma coisa com que embirrou foi ter duas gavetas cheias de panos da louça e das mãos. E são gavetas grandes. Para não o ouvir mais com isso, condescendi em tirar os panos de uma das gavetas e arrumá-los num cesto, cesto esse que coloquei numa daquelas prateleiras junto ao tecto que os meus armários da cozinha têm, em que mesmo com o meu escadote, mal lá chego. Quando estava a arrumar os panos no cesto já estava a passar-me. Tanto pano, não acabavam. Enchi um cesto grande com panos, e, para caberem, tive que fazer rolinhos e arrumá-los ao alto, a la Marie Kondo. O meu marido, passa-se, pergunta quando é que vamos precisar de usar todos aqueles panos, por ele ia tudo fora. Mas foram-me oferecidos pela minha mãe, pelas minhas avós. Custa-me. Se a Julianne Moore visse o espaço que ocupo cá em casa com coisas desnecessárias certamente não ia acreditar.

E nem vou falar das cómodas com gavetões a rebentar pelas costuras com toalhas de mesa cheias de bordados e de rendas que nunca uso. Nem faço ideia de quantas. Tenho pena de não as mostrar, são lindas. Mas, depois, se ficam com nódoas que não saem? Ia pô-las a lavar a altas temperaturas? Poderiam estragar-se. E a trabalheira a passar a ferro. Não arrisco nem estou para me meter em trabalhos. Só uso toalhas que não precisam de se passar a ferro. Aliás, já é raro passar alguma coisa a ferro. Mas vou desfazer-me das verdadeiras obras de arte que são aquelas toalhas? Horas de laborioso e amoroso trabalho da minha mãe e da minha avó? Não vou.

Mas, ao mesmo tempo, penso: pessoas que têm casas como a Julianne Moore fazem como? Não compram quase nada? Passam a vida a deitar coisas fora? Não sei. Gostava de saber, tenho essa curiosidade.

Seja como for, se há coisa que gosto de ver são casas, em especial casas luminosas, desatranvancadas, elegantes, fáceis de manter. Desta gostei bastante. Um chão daqueles limpa-se que é um mimo. E até limpar o pó, que é coisa que destesto fazer, há de ser um tirinho. E a casa de banho, que bonita, também sem tralha de qualquer espécie, branquinha, luminosa, facílima de limpar.

E o jardim no telhado, tão verdinho, tudo tão bonito... e com a vantagem de estar perto do céu, longe da barafunda de Nova Iorque.

Mas vejam e digam se não tenho razão. Não gostavam de viver numa casa assim?

Na casa de Julianne Moore, uma casa num rooftop em Nova Iorque | Open Door | Architectural Digest

Julianne Moore recebe a AD na sua casa em Nova Iorque, projetada pelo arquiteto Oliver Freundlich. A atriz vencedora de um Óscar encheu o seu apartamento na cobertura, construído na década de 1920, com arte, mobiliário vintage e peças de design colecionáveis, incluindo obras de George Nakashima e Isamu Noguchi. A partir do seu belo terraço no último piso, lareira em funcionamento e casa de banho em mármore, a casa de Julianne é um oásis de tranquilidade no meio da metrópole. 


E ela é uma simpatia, não é? E claro que está descalça. como se pode andar em casa a não ser descalça?

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Desejo-vos um dia feliz

sexta-feira, setembro 13, 2024

Coisas ligeiramente despropositadas

 

Gosto bastante de objectos concebidos por (bons) designers. Geralmente a gente olha com algum espanto mas depois conclui: 'Olha, está bem visto, sim senhor...'. Ou ocupam pouco espaço ou são inesperadamente eficientes ou são ergonómicos ou são curiosamente inventivos... e a gente olha e vê que há ali golpe de mestre. Onde encontrei mais e mais interessantes lojas com artigos de design talvez tenha sido Amesterdão. É de uma pessoa se perder. 

Além disso, na presença de objectos com um bom design fica-se com a sensação de que somos intelectual e esteticamente desafiados e isso é muito aliciante. Pelo menos para mim é.

Mas depois há o reverso: a provocação, a gargalhada que se solta... 

Acredito que para muita gente isto que vou mostrar seja um perfeito disparate. E eu não digo que não seja. Mas divirto-me, acho que só alguém com um grande sentido de humor pode fazer coisas assim. Imagino o que a brilhante Katerina Kamprani deve divertir-se a fazer as suas travessuras. E imagino a vontade de rir que deve dar (tentar) usar estes objectos.

Por exemplo...

Cadeira para gente magrinha e flexível



Cadeira para quem tem o rabo metido para dentro



Copo para quem tem uma cabecinha pequena que encaixe bem no copo



Flutes para casalinhos



Garfo para pessoas delicadas



Óculos para quem tem olhinhos ao lado



Regador que rega o regador



Agulha para coser duas costuras ao mesmo tempo


Useless Design – How Some Everyday Items Are Brilliant Inventions!

What do two, intertwined cups, open rubber boots and a twisted watering can have in common?  They show how ingenious some everyday inventions are. Artist Katerina Kamprani shows off some of the designs which she's has created for the project "The Uncomfortable."



Dias felizes

quinta-feira, fevereiro 22, 2024

Coisas e loisas.
[E decoração da colorida e criativa]

 

Vão-me aparecendo assuntos para tratar e, desabituada que quero estar de ter a agenda preenchida, fico logo como se estivessem a estragar-me o programa de festas. Até há cerca de um ano tinha não sei quantas reuniões por dia, recebia não sei quantos telefonemas, geralmente de gente que vinha comunicar-me problemas, esperando que eu os resolvesse, e não tinha outro remédio senão condensar os assuntos pessoais para os resolver de atacado, a correr, quando houvesse tempo. Estava saturada, ansiando por descanso e tranquilidade. 

Agora, quando acabo um dia, anseio por não ter nada para tratar no dia seguinte. 

Mas tenho tido. Ainda por cima, do tipo de assuntos de que nem sei bem por que ponta pegar e que, seja qual for a ponta, é coisa que não me é familiar. que me parece complexa, demorada, exasperante.

Por exemplo, a minha prima lembrou-se que, se calhar, deveríamos tentar regularizar a situação do terreno que temos no Algarve. Mas lá está: temos? 

Era do meu bisavô. Não sei se já havia registos naquela altura, princípio do século passado. Quando fugiu (e já sei, a minha prima confirmou, que foi para a Argentina), depois de ter perdido tudo, afinal ainda deixou o dito terreno, a casa em que a mulher e os filhos viviam e, se calhar, mais qualquer coisa. Dado que não havia certidão de óbito dele, as partilhas foram-se arrastando. A minha bisavó lá deve ter determinado a distribuição disso pelos filhos, cabendo ao meu avô o dito terreno. Mas nada disso foi registado.

A minha prima tem ideia que, a dada altura, alguma coisa fizeram. Mas não está certa. Eu tenho ideia que não fizeram. A estar em nome de alguém, cá para mim, ainda deve estar em nome dessa minha bisavó, cujo nome só agora soube. 

Ora como é que se passa disso, longínquo, impreciso, para um terreno devidamente registado em nosso nome? Parece-me um salto quântico...

Ela diz que, quando ia ao Algarve, se calhava irem também os pais, às vezes iam lá ver o dito terreno. E que ainda lá está. Diz também que lhe parece que o vizinho do terreno mais acima deve andar a mexer nos marcos pois parece que estão cada vez mais para baixo.

Eu não sei. Sei que encontrei um desenho do terreno, com medidas e tudo. Talvez venha a ser útil embora não saiba para quê.

E não sei se, para tratar de alguma coisa, poderei fazê-lo remotamente ou se terei que me mudar para lá, coisa que, obviamente não acontecerá.

Lembrei-me de ir à Loja do Cidadão. Quem me atendeu, perante a explicação, ficou na dúvida se poderiam resolver ali alguma coisa mas disse-me que, se quisesse tentar, teria que ir de manhã cedo para tirar uma senha. Ou, então, que sempre poderia fazer marcação no siga.marcações. Tentei. Mas, caraças, a dita aplicação... mandou-me para a Conservatória Predial do concelho a que o terreno pertence. 

Também estive a tratar do seguro da casa da minha mãe. Vencia-se agora. O valor, um balúrdio. Pedi uma nova proposta na mesma seguradora. Mais baixo mas, ainda assim, muito caro. Pedi na seguradora onde tenho os meus seguros. Mais em conta. Portanto, tive que tratar também disso, cancelar de um lado, fazer um novo noutro lado.

E etc.

Enfim. Conforme me disse o Conservador, na brincadeira, quando fui tratar da habilitação de herdeiros, só tem maçadas destas quem tem coisas para herdar... É um facto.

Quando os meus filhos me falam das suas vidas profissionais ou quando um amigo, como hoje aconteceu, me fala dos seus contratempos empresariais, quase me parece coisa de um outro planeta, coisa da qual eu, em boa hora, me pus a milhas. Mas, em contrapartida, aparecem-me destes pincéis para os quais não tenho um mínimo de competências...

Felizmente, esteve algum sol e consegui reclinar-me um pouco à hora de almoço, a banhar-me em vitamina D.

E é isto...

Por sorte, há pouco apareceu-me um vídeo giríssimo, uma casa cheia de cores e de ideias inusitadas, que vou partilhar. Pode parecer demasiado fora da caixa mas vejo ali ideias engraçadas.

Senão não fosse isto, o post de hoje não passava da indigência que acabaram de ler. É que ele há dias...

House Tours: 550 sq ft Custom Chelsea Studio

  • Location: New York, NY
  • Size: 550 Sq Ft / 51 Sq Meters
  • Type of Home: Studio Apartment
  • Years Lived In: Owner, 1.5 years

This colorful, custom and retro studio apartment in Chelsea is a labor of love and mad skill, all crafted by Helena, a props fabricator and designer for theater and film. Helena has turned a dull pail studio apartment into a jewel-toned ultra-functional home and hangout destination. Nearly every inch of her apartment has been carefully outfitted with custom furniture, handmade textiles, art objects, and playful paint patterns. In this house tour she shares not so obvious tips for constructing a Murphy bed, painter’s tips for color blocking, and how to make a studio apartment a welcoming destination for her and her friend’s weekly Dungeons and Dragons game night. See why Helena won Apartment Therapy’s “Cleverness Award” in the 2023 Small/Cool Contest!


Um dia feliz

Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, janeiro 19, 2024

Coisas e loisas

 

O meu marido de vez em quando vinha dizer-me que, na cave, ainda há sacos com coisas que vieram da outra casa e que ficaram para arrumar quando eu tivesse tempo. Era aquele tipo de coisas que, na altura, não sabia bem onde pôr talvez porque eram de utilização dúbia.

E o tempo foi passando e a vontade para abrir os sacos, ver o que lá está dentro, decidir o que fazer, não apareceu.

Primeiro era porque estava a trabalhar, tinha mais que fazer. Depois deixei de trabalhar e ainda tive menos tempo livre.

E o meu marido sempre a picar. Para ele parecia-lhe inconcebível que havendo aquilo por fazer eu não me importasse e fosse deixando estar. 

Então, resolveu ele deitar mãos à obra. Só que descobre coisas que ou não sabe o que são ou não sabe o que lhes fazer nem onde guardar. 

Eu sei o que são mas também não sei o que lhes fazer. 

Por exemplo, termos. Um para líquidos, outro para sólidos. Ou uma caixa tabuleiro em madeira com uma grelha também de madeira que acho que é para cortar o pão, se calhar para as migalhas caírem para o tabuleiro. Ou um rechaud. Coisas assim. Coisas que na altura devem ter tido uma justificação mas que depois caíram em desuso. Por acaso o rechaud até teria dado jeito no outro dia. Puxei pela cabeça para tentar perceber onde estaria até que deduzi que lhe tinha perdido o rumo. Afinal apareceu. 

Poderia guardar na cozinha se os armários não estivessem cheios ou se a despensa não estivesse identicamente repleta. E pior que isso. Nesta cozinha, num dos lados, o armário de cima vai até ao tecto. Mesmo que me ponha em cima daquele banquinho desdobrável do ikea, não chego lá. Ou seja, não faço ideia de que é que o meu marido para lá encafuou. 

Trouxe as coisas para cima e depois deixei de vê-las. Devem ter ido fazer companhia às coisas lá de cima.

Veio também dizer que havia uma coisa que não sabia o que era e que estava toda cheia de bolor. Fui ver. Uma toalha de mesa de renda, grande, rectangular, feita por mim. Não com bolor mas com ferrugem. O tempo que levei a fazer aquela toalha... Rosetas e rosetas de crochet em linha branca. E nunca mais a usei e nunca mais de tal me tinha lembrado. E o espaço que aquilo ocupa. As gavetas já estão cheias. Agora, ainda por cima, tenho que ver como se tiram as manchas de ferrugem. Ainda mais essa.

Quando lá fui ver a toalha vi uns jogos turcos de toalhas de casa de banho, ainda na embalagem. Houve uma altura em que a minha avó materna me levava turcos e mais turcos, coisas para o enxoval. Também não sei onde pôr. Mas custa-me desfazer deles tendo sido presente da minha avó.

Outra coisa que lá estavam eram lençóis bordados, outros com grandes rendas. O trabalho que deram. A minha avó materna e a minha mãe faziam rendas enormes, numa linha finíssima. Depois contratavam uma senhora que fazia bordados e que pregava as rendas. Obras de arte. Nunca usadas. Onde é que eu ia pôr lençóis daqueles na cama? Não dariam jeito nenhum. Nem podem ser usados sem ser passados a ferro. Os que uso são muito maiores do que aqueles, as camas agora são bem maiores, e não precisam de ser passados a ferro. Portanto, onde é que os ponho aquelas peças de arte? 

Tralha, tralha, tralha. Na prática é o que tudo aquilo é.

E já sei que mesmo que queira impingi-los aos meus filhos, não vão nessa. Têm as coisas deles, não querem coisas que nada têm a ver com o seu gosto e com o seu estilo de vida. E também não têm espaço. Compreendo-os. Fazem bem.

É um assunto que me incomoda: a quantidade de coisas que tenho cá em casa. Quando via alguns programas de reabilitação de casas nos Estados Unidos ficava admirada ao ver que as pessoas compram as casas mobiladas e, quando vendem as casas em que viviam, vendem-nas mobiladas. É mais fácil do que andar com a tralha atrás.

Nestas alturas lembro-me do meu amigo que morava num andar em que ele e a mulher tinham comprado o direito e o esquerdo e feito obras para unir. Ficou um mega-mega-apartamento. Segundo ele dizia, carregado de toda a espécie de tralha. Não conheci essa casa, só a casa que tinham no campo. Aí, era uma moradia grande. Ela era o cúmulo da vitalidade, de entusiasmo, e isso abarcava também a sua actividade de decoradora. Andava por antiquários e lojas de velharias e arranjava peças fantásticas. Carradas de coisas fantásticas. Carradas. Em Lisboa devia ser a mesma coisa. E por cima do giga-apartamento deles, de um dos lados, morava a sogra. Quando a sogra morreu, a casa ficou para eles. A senhora tinha um belo apartamento requintadamente mobilado. Ele estava doido com tanta tralha. Dizia que só tinha vontade de comprar um apartamento minúsculo no Chiado e mudar-se para lá, deixando tudo para trás, tudo.

Eu também acho que uma bela coisa poderia ser mudar-me para a casa quase vazia, a casa dos sonhos do meu marido. E esta ficava como casa-museu. Quando os meus netos, bisnetos e trinetos quisessem descobrir raridades do passado, vinham até cá.


Mas, enfim, também não é caso para lágrimas. 

Caso para lágrimas é ver como jovens estudantes, gente supostamente não totalmente burra, adere ao Ventura. Não consigo perceber se é mérito do Ventura, que é capaz de ser perigosamente inteligente, ou se é demérito da malta que se deixou enredar nas conversas muito elaboradas do aparelhismo partidário e se mostra demasiado instalada, afastando a malta que é jovem e rebelde, ou se é uma idiossincrasia desta juventude que parece alienada e não aprendeu a dar valor à democracia e à liberdade. Uma tristeza e uma preocupação.

Mas é o que é. Face a isso, saibamos agir com inteligência. E bola para a frente.


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Um dia bom

Saúde. Boa sorte. Paz.

segunda-feira, agosto 28, 2023

Um domingo muito feliz
[E uma casa muito bonita e muito funcional, com belos objectos, e uns designers que transformam refugos em peças interessantes]

 

Se no sábado a casa estava meio cheia, este domingo chegou a metade restante. E, quando as duas metades se reúnem, a alegria imediatamente redobra. Aliás, qualquer deles fica numa impaciência enquanto os demais não chegam, como se estivessem num involuntário e infindável stand by.

E, portanto, mal se reuniram foi a festa do costume. 

Quando algumas pessoas se arreliam com o barulho que as crianças fazem e o atribuem a falta de educação penso que é porque não estão habituadas a verem, por dentro, a explosão de energia, de entusiasmo, a irreprimível vontade de falar, de rir, de brincar que acontece quando miúdos que se adoram estão juntos. Pode tentar-se que falem baixo e controlem a adrenalina e a alegria mas é escusado pois basta que um pregue uma partida para o outro reagir, para um outro ir ver o que se passa e tomar partido, para logo se envolverem em bulhas amigáveis ou risotas, retaliações, exclamações alto e bom som. E é isto em contínuo. 

Abrandam enquanto comem pois, felizmente, têm um apetite voraz e, quando se sentam, servem-se e focam-se na refeição. Abrandam também ao fim do dia quando lhes dá o sono. Tirando isso, é uma festa. 

Pode parecer ruído para quem está de fora. Mas, na realidade, é uma alegria e uma celebração do afecto e da partilha quando vistos por quem está por dentro.

Entretanto, eu andava à volta dos tachos desde que me tinha levantado, debatendo-me com a sua dimensão tentando ter a garantia de que, apesar de grandes, a confecção se opera a contento, quer nos sabores quer no tempo disponível.

Dia grande e feliz, pois.

É uma grande alegria vê-los juntos, todos sentindo que a casa e o lugar lhes pertence e que até parece que está impresso nos seus genes. Mesmo o mais novo está sempre a perguntar quando é que cá vem pois é aqui que mais gosta de estar. Creio que é o único que ainda não me perguntou o que é que acontecerá quando eu e o avô morrermos. Ainda só tem seis anos pelo que é natural que essa dúvida não lhe tenha ocorrido. Mas os restantes já mostraram a sua preocupação. Percebe-se que querem que este lugar especial permaneça na família mesmo depois de eu e o avô deixarmos de existir. 

Claro está que estou com sono (até porque, estupidamente, tive mais uma noite quase não dormida; toda a vida dormi o sono dos justos, como uma pedra; e, relaciono com a covid, parece que fiquei com o ciclo dos sonos alterados e, de vez em quando, tenho uma insónia total)... e só me ocorre é que ainda bem que esta segunda-feira já não é dia de trabalho para mim. 

O pior de tudo era quando chegava a domingo à noite a sentir que precisava de descansar e, no entanto, poucas horas depois já tinha que estar a levantar-me cedo, com despertador e, se a sorte não me estivesse benfazeja, até tinha logo uma malfadada reunião à primeira hora da manhã. Era o pior que me podia acontecer: uma reunião chata logo ao romper da manhã, numa segunda-feira. Um sofrimento para mim e um risco para os que tinham que me aturar... Felizmente, isso já era.

Na volta o Mujica tem mesmo razão: inteligente, inteligente era o mundo encontrar maneira de pormos os robots a trabalhar deixando para os humanos o descanso, o divertimento, a fruição da beleza, da arte, da boa vida. Isso é que era.

Mas enfim.

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O que tenho ainda a dizer é que o design, a inteligência funcional das coisas e das casas e o bom gosto são coisas a que sou muito sensível.

Acho estes dois vídeos são muito interessantes e, por isso, partilho-os convosco. Boas ideias são sempre bem vindas, não acham?

NTS: Wonderful Waste - How UK Designer Turns Waste into Stylish Furniture

Furniture/Interior/Product Designer Nina Tolstrup founded StudioMama in 2000 with partner Jack Mama, and over the past 20 years they’ve championed repurposing, repairing and upcycling with a playful and accessible approach to design. They’ve explored the potential for small footprint living in their 13m2 Cab office conversion, and the 40sqm London Townhouse, filling both with bursts of colour and upcycled furniture like their Re-Imagined chairs. Nina and Jack have created collections of animal sculpture from timber offcuts, chairs and lamps from pallets and even designed sustainable, transforming kitchen spaces for Ottolenghi.

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Inside an Art Lover's Eclectic European Interior Filled With Wonderful Objects | House Tour

Today we meet Joanna Delia inside her meticulously curated four-storey family home in Valletta, Malta. Joanna is obsessed with art, and her house is a fine-tuned reflection of who she is, and how she wants to spend her life in it.

The collaborative work of Joanna and a handful of European architects and designers, the interior and design of her house is “like a pencil” tall and thin, but full of character emanating from the eclectic selection of artworks she's collected, as well as the inspiring objects she’s acquired over the years. 

As we’ll explore each level of this project, prepare to be mesmerized by the fusion of aesthetics and functionality, as Joanna's keen eye for local art and design is evident in every corner, creating a harmonious space that reflects her passion for creativity. From the moment we enter the front door, we’re greeted by an impressive display of carefully selected artworks that set the tone for what lies ahead. 

Each floor boasts its own unique character and purpose, expertly tailored to suit the needs and interests of Joanna's family. Marvel at the art-filled bedrooms, thoughtfully designed to provide a serene retreat for relaxation and creativity. Throughout the tour, Joanna shares her inspirations, design beliefs, and favorite art pieces, providing invaluable insights for art enthusiasts and home décor aficionados alike.

Whether you're seeking ideas for small space living or simply appreciate the beauty of a well-curated home, this episode promises to ignite your imagination and leave you feeling inspired. 
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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Harmonia e afecto. Paz.

terça-feira, fevereiro 07, 2023

Moda? Modernidade? Provocação? Falta de bom senso? Desarmonia? Mau gosto?

 

Qual a diferença entre moda, modernidade e provocação?

Moda refere-se ao estilo popular de roupas, acessórios, cabelo e maquilhagem numa determinada época. A modernidade refere-se às características e tendências sociais, tecnológicas e culturais associadas ao período atual, enquanto a provocação é a ação ou o efeito de provocar ou estimular alguém ou algo, geralmente de forma desafiadora ou surpreendente.

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Quando o design se auto-supera 

A subir estas escadas é que não me apanham


Quem terá sido o inteligente que inventou esta retrete tipo aquário...?
Estaria à espera de lá ver peixinhos dourados a nadar...?


Urinóis para utilizadores com muita pontaria...?
Ou será que a ideia seria mesmo para enfiar a mangueirinha como se fosse para pôr combustível no carro?

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Qual a diferença entre bom gosto e mau gosto?

Bom gosto refere-se a uma sensibilidade estética refinada e a uma escolha cuidadosa de estilo e apresentação. Refere-se a uma combinação de bom senso, equilíbrio, harmonia e elegância na escolha de roupas, mobiliário, arte e outros itens. Já o mau gosto é o oposto, é a falta de sensibilidade estética e a falta de cuidado na escolha de estilo e apresentação. Refere-se a uma combinação de desarmonia, excesso, falta de equilíbrio e falta de elegância na escolha de roupas, mobiliário, arte e outros itens.

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Nos Grammy Awards


Madonna
(tanto fez para se recauchutar... e agora esconde tudo)


Sierra Ferrell que não sei quem é fantasiada não sei de quê


Harry Styles vestido e tatuado ao estilo dele


Kim Petras e Sam Smith prontos para desfilar no Carnaval de Torres Vedras

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Quando é que a moda de mau design se torna ridícula?

A moda de mau design pode ser vista como ridícula quando é considerada inadequada ou exagerada do ponto de vista estético. Isso pode ser devido ao excesso de elementos, à falta de harmonia, ao uso inadequado de cores, padrões ou materiais, ou a um design sem sentido. Quando uma peça de roupa ou acessório é tão desconexa do que é considerado bonito ou esteticamente agradável, ela pode ser vista como ridícula. No entanto, a percepção de ridículo é subjetiva e varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas podem achar que certas tendências de mau design são interessantes ou ousadas, enquanto outras as acham ridículas.

Faz sentido estar com isto enquanto as televisões mostram desastres naturais como estes sismos terríveis e a devastação da guerra?

É compreensível que a exposição constante a notícias tristes e desastres naturais possa ter um impacto negativo na nossa saúde mental e emoções. A exposição prolongada a imagens violentas e perturbadoras pode levar a uma sensação de desespero e estresse. Por esse motivo, é importante equilibrar a exposição a notícias e buscar fontes de informação confiáveis.

Além disso, é importante lembrar que, apesar desses eventos desastrosos, existem muitos atos de bondade e coragem ocorrendo ao redor do mundo. Prestar atenção a essas histórias positivas e encontrar formas de ajudar e apoiar as comunidades afetadas também pode ajudar a equilibrar as emoções e perspectivas. 

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Como é bom de ver a conversa travou-se entre mim (itálico e bold) e p ChatGPT (abaixo da questão) 

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Um dia bom

Saúde. Boa disposição. Paz.

segunda-feira, novembro 29, 2021

Kate Middleton, Letizia de Espanha, Ursula von der Leyen -
- feridas, com hematomas, desfiguradas, vítimas de violência conjugal

 


É tema que já aqui veio várias vezes. É daqueles que receio sempre não saber abordar por não ser capaz sequer de imaginar o que é uma mulher viver sempre amedrontada na sua própria casa tendo que conviver com um homem que a mantém em permanente estado de alerta, sempre com medo de lhe provocar alguma reação que o deixe zangado, sempre com receio de que, a partir de uma qualquer insignificância, se gere uma situação de violência, seja ela física seja psicológica.

O que será viver sempre no fio da navalha, sempre com medo de uma agressão? Sempre com receio de que os filhos testemunhem uma situação que forçosamente os marcará, Receio de que alguém testemunhe a humilhação a que está sujeita. Receio pela própria integridade física. Receio pela integridade dos próprios filhos. Receio de não aguentar. Receio de não ser capaz de escapar. Receio. Receio e vergonha. Vergonha de assumir a situação, vergonha de que os outros tenham pena, vergonha.

O que será viver assim? Como se consegue viver assim? Como se consegue sobreviver assim, debaixo de uma ansiedade escondida, de um permanente terror?

Nem imagino o que será o carrossel emocional de viver com um homem que ora se faz de infeliz, que arranja desculpas para as suas reacções, que ainda quer receber apoio e comiseração por parte da sua vítima, que pede desculpas e até chora e que, dias depois, por um nada, se vira do avesso, amua sabe-se lá porquê, amua e não diz porque está amuado, um homem que desconfia de tudo, que se vitimiza, que tem ciúmes de tudo e de todos, que inventa pretextos para violentar e agredir aquela a quem dias antes jurou amar para sempre. Nem imagino.

Nem imagino como se consegue tentar ganhar coragem para denunciar a situação sabendo que ele pode vingar-se, pode fazer mal aos filhos, pode fazer chantagem, pode fazer-lhe ainda pior se souber, pode agredi-la ainda mais ao sentir-se acossado. Nem imagino a coragem que é preciso ter quando ele não quer sair de casa e ela não tem para onde ir. 

Nem imagino como se consegue suportar a proximidade física de alguém de quem se teme que um dia lhe cause uma dor irreversível, fracturas, ferimentos, denunciadores hematomas, de alguém que quem se teme que seja capaz de lhe tirar a própria vida. Como se suporta partilhar a intimidade com alguém que deveria estar preso?

Como se consegue dormir e continuar a trabalhar, fingindo que se leva uma vida normal, quando a angústia é uma garra que aperta o coração e destrói a alma?

Como se consegue sobreviver quando já se ultrapassaram mil barreiras psicológicas e já se denunciou a situação e, no entanto, ninguém levou a sério nem tomou as devidas providências?

Como se consegue arranjar coragem para continuar a descobrir forças para proteger os filhos e a família, para que não sofram, para que não vivam aterrorizados? Como se consegue?

E como se consegue continuar a ter esperança quando há polícias que não agem rapidamente e juízes que desculpabilizam os agressores e ainda fazem recair sobre as mulheres-vítimas parte da responsabilidade pela violência? 

O que devemos fazer para, como sociedade, não aceitarmos mais situações testas? O que devemos fazer para criar condições para que qualquer mulher que tenha sido ou receie ser agredida saiba como agir para viver em paz e sossego, livre de ameaças e maus tratos?

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As fotografias foram editadas por Alexsandro Palombo, ao que parece sem ter pedido autorização às respectivas figuras públicas. No entanto, estou em crer que não se importarão. Kate Middleton, Ursula von der Leyen, Letizia, Kamala Harris, Christine Lagarde e outras aparecem em nome de tantas mulheres anónimas de quem só se ouve falar quando são assassinadas pelos companheiros.

Esta série, 'She reported him,' não é a primeira. Já antes tinha feito uma idêntica cujas fotografias foram afixadas nas ruas para denunciar a indiferença com que deixamos que estes crimes continuem a acontecer entre portas. Angela Merkel, Brigitte Macron e outras apareciam igualmente com os rostos desfigurados. 

Todos os anos várias mulheres morrem às mãos dos seus algozes. Mas as que morrem são os casos limites. Por cada mulher que morre, muitas outras sofrem em silêncio, escondendo as agressões, disfarçando os hematomas, sorrindo como se não fosse nada, apenas uma queda sem importância..

Nesta campanha Alessandro tenta chamar a atenção para que não basta incentivar as mulheres a denunciar a situação: há que garantir que o Estado as consegue proteger, amparar, dar-lhes sustento enquanto viverem sob resguardo.

Para quem esteja interessado, poderá ver o artigo no qual tomei conhecimento desta campanha: Kate Middleton défigurée par des hématomes, l’image choc d’une campagne contre les violences conjugales

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Agora que falo nisto, a quem subscreva a Netflix quero sugerir a Maid. É daquelas séries que quem vê nunca esquecerá.

É uma série curta e excepcional baseada em situações reais vividas pela autora do livro sobre o qual se fez a série. Não é uma série negra, não é escancaradamente dramática. É contida, é terna, transporta esperança e mostra como a coragem é uma coisa cheia de riscos e retrocessos mas na qual brilha, ao fundo, uma luzinha que indica o caminho de saída. 

E Margaret Qualley, como Alex, a jovem mãe que foge a um companheiro violento e com problemas de alcoolismo e que, para sobreviver e pagar o seu sustento e o da filha, suporta, com brio, todas as vicissitudes de um trabalho exigente e mal pago, é verdadeiramente excepcional. 

Maid

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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Sorte. Boa disposição.

sábado, abril 03, 2021

Suculentas et al.
[E a bela casa da Beata Heuman]

 



De manhã o meu marido perguntou qual era o programa. Disse-lhe que era ir comprar suculentas e uma taça. Torceu-se, que me deixasse disso. Protestei: não basta não irmos a lado nenhum, ainda protesta quando quero fazer uma coisa de nada. Disse que não lhe apetecia usar máscara. Bela desculpa... Mas fomos. Gosto imenso de ir aos viveiros. Contudo, acho que só me satisfarei quando for sozinha. Aquilo é enorme, têm imensas plantas, algumas que desconheço.  Ele fica impaciente quando me vê a cirandar. Quer que eu me limite a ver aquilo que quero e, depois de ter escolhido oq ue quero, acha que é pagar e desandar. Eu, por mim, ficava a ver tudo e mais alguma coisa e, se alguma coisa despertasse a minha atenção, não me faria rogada. Ele é o oposto. E tem sempre pressa mesmo que por nenhuma razão em particular.

Ainda me lembro de quando trabalhava num sítio no tempo em que havia telefonistas. Aquela telefonista era uma figura. Uma verdadeira Miss Piggy: baixa e bem fornecida, perna torneada, anca bem redonda, seios generosos sempre quase a saltarem dos indiscretos decotes, salto alto, cabelo aos cachos pintados de louro espalhados pelas costas. Ela gostava de mim e eu dela. Belas conversas que tínhamos. Metade do tempo eu estava de boca aberta e a outra metade a rir. Surpreendia-me com as suas revelações. Sabia de tudo. Não havia movimentações que lhe passassem despercebidas. Era telefonista e recepcionista  em simultâneo. Era tão maliciosa, tão brejeira, tão atrevida que os homens até tinham medo das saídas dela. Mas falo dela pois naquela altura o meu marido, se queria falar comigo, passava por ela. Havia telemóveis mas devia ser para ocasiões especiais pois ele ligava para o geral e ela é que transferia a chamada para mim. Para gozar com as pressas dele, ela imitava-o. Não vou reproduzir na íntegra pois quase se limitava ao meu nome e não vou dizer aqui o meu nome mas era assim, a abrir: 'Nome Apelido, se faz favor', mas tão à pressa era que comia metade das sílabas. Ela contava que bem queria meter conversa, cumprimentá-lo, mas que ele não dava abébia. Quando eu lhe contavaele não ligava patavina e dizia: 'Ia pôr-me na conversa com ela...'. Não tem paciência para conversas. Bem o ouço nas suas reuniões habituais. Cumprimenta as pessoas assim: 'Está tudo bem, não está?' e passa à frente. Já lhe disse mil vezes para perguntar: 'Está tudo bem? e esperar pela resposta. Diz que não, não vá a resposta ser longa ou requerer comentário.

Portanto, lá fomos. Até não há muito eu desconhecia a designação 'suculentas' e confundia-as com cactos e, na minha cabeça, cactos eram aqueles bichos com folha gorda e picos, coisa imprópria para ter numa casa com crianças. Por isso, ignorava-as. Até que, há pouco, as descobri. E ando encantada. Já aqui tinha plantado quatro numa taça e tão bonitas elas se estão a fazer que fiquei com vontade de ter mais. No outro dia, quando fomos comprar um vaso de terracota, trouxe logo a taça à espera das plantinhas.

Uma tentação. Trouxe umas quatro de tamanhinho pequeno e depois descobri uns mini vasinhos com umas mini mini. Trouxe cinco dessas. Pensei que, assim, precisaria de outra taça. Só que as taças que tinha eram grandes demais. Vi um tabuleiro em cerâmica esmaltada em bordeaux mas pareceu-me baixo e, sobretudo, caro demais.

Pensei que este sábado iríamos à loja dos vasos. O meu marido detesta lá ir. Há sempre muita gente, uma certa confusão para estacionar. A caminho de casa, ele a dizer que não ia e eu a dizer que tínhamos que ir. E então diz ele: 'Vi lá uma taça redonda parecida com o tabuleiro'. Pedi que descrevesse. Pareceu-me bem. Então demos meia volta e voltámos. Afinal não gostei, era grande demais, achei deselegante. Pedi que desse a opinião sobre o tabuleiro. Como já estava impaciente e sobretudo não queria ir à loja dos vasos, trouxemo-lo.

A seguir ao almoço, estivemos no jardim ao sol, a conversar, a ouvir os pássaros. 

Depois, estivemos a mudar os vasos. O tabuleiro é baixo, é usado para bonsais. Espero que não seja baixo demais para as minhas suculentinhas. Ficou em cima da mesa que está ao pé de dois cadeirões no terraço pequeno de lado. A outra taça ficou no chão, de um dos lados.

Gosto tanto de plantar, de regra, de aconchegar a terra às plantas...

Ao fim da tarde, veio a anterior proprietária. Estivemos a conversar. Estive a mostrar-lhe as suculentinhas. Gostou. Estivemos a ver as árvores, as flores. É um jardim romântico, disse ela. É isso. Nunca tinha pensado nesses termos mas é mesmo. 


Para o jantar mandámos vir uma pizza feita em forno de lenha, daquelas de base fininha e estaladiça. O meu marido, lembrou-se das mostardas que a filha lhe tinha dado no cabaz de petiscos com que o presenteou pelos anos. Abrimos o da mostarda em grão. Óptima. Depois lembrou-se da compota de figo e vinho do Porto. Melhor ainda. Pus um pouco de cada no prato e passava cada bocado de pizza por ambos antes de o degustar. Delícia.

É o que ontem dizia: parece que estou de férias. Bem bom.

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Antes das suculentas mostro as glicínias para o Amofinado lhes sentir o perfume e as frésias virginais.

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Entretanto, em vez de notícias, continuo a ver vídeos de jardins, decoração ou coisas do género.
Se me permitem, partilho dois convosco.

A casa de Beata Heuman 




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Um bom sábado

quarta-feira, março 31, 2021

Massajar o cérebro: extremely fucking satisfying

 



O meu dia foi, outra vez, cheio como um ovo. Hoje o meu marido, ao ver-me a colocar a roupa na máquina, referiu uma toalha que estava em cima da mesa. Perguntei-lhe de que mesa estava a falar. Disse-me que na mesa grande. Perguntei-lhe de que toalha estava a falar. Não estava a ver. Ele encolheu os ombros e disse: 'Não deves viver cá em casa'. Depois elucidou: uma toalha que eu própria tinha posto na mesa quando os miúdos cá estiveram para evitar que a riscassem já que, sem pensarem duas vezes, lá pousavam o que quer que fosse que tivessem na mão. Depois acrescentou: 'Trabalhas de mais, esgotas-te no trabalho'. E eu não disse nada. Penso que ele deve ter razão. De facto, este meu trabalho actual é esgotante. Mas, se calhar, sou eu que faço tudo tão intensamente, querendo resultados imediatos, querendo alcançar a meta para logo traçar outra, que não consigo trabalhar (e viver) de outra maneira.

Deste que me levantei até há pouco estive a trabalhar apenas com um breve intervalo para uma curta caminhada e um rápido almoço. Confesso que nem consegui tomar o pequeno-almoço pois, quando ia fazê-lo, recebi uma chamada que se prolongou até me deixar apenas tempo para colocar uns brinquinhos, prender o cabelo com um travessão e sentar-me, airosamente, em frente do computador para a primeira de várias reuniões. 

Por isso, se aqui estou não é que esteja descansada e precise de me entreter ou que me sinta inspirada ou porque tenha que aqui estar a pagar alguma promessa: é mesmo só porque me descansa a cabeça. E porque, também, faço o gosto aos dedos que gostam de se portar como inconsequentes bailarinos, saltitando sobre o teclado, indiferentes a cansaços, motivos ou descasos. O espírito espairece, os dedos brincam.

Já o contei muitas vezes: em tempos idos fazia tricot (camisolas, mantas), crochet (toalhas de renda), bordados (quadrinhos bordados a ponto pé de flor), tapetes de arraiolos, pinturas, colares e pulseiras. Pelo meio, durante uns tempos escrevi um livro (que se evaporou). Tudo noite adentro. Agora, e desde há uns anos, escrevo aqui, palavras que solto ao vento, sem fazer ideia do paradeiro que escolhem mal se soltam de mim. Mas penso que o motivo é sempre o mesmo motivo: arejar a cabeça, libertar as mãos.

Claro que, se fosse só distrair a mente, poderia deixar-me ficar a olhar para o líquido colorido ou o pó dourado escorrendo pelas ampulhetas ou pelas clepsidras que tenho aqui em casa mas não me dá muito para isso. Gosto imenso destes belos e delicados objectos mas vejo, viro, vejo e está visto. Também gosto de dar corda às duas caixinhas de música: ouço, vejo o mecanismo a rodar, gosto mas, quando a corda chega ao fim, está feito. Mas falta-me qualquer coisa: a minha interacção, as minhas mãos em acção.

Contudo, lembro-me do fascínio que alguns objectos de movimento infinito com imaginativo design me despertaram quando, na companhia de um casal amante de design, visitei galerias e lojas em Amesterdão. Quanta imaginação, quanta arte e engenho. Que surpresa eu sentia perante cada um.

Hoje descobri no The Guardian outro fantástico designer: Andreas Wannerstedt.

E leio: 

‘It can be quite meditative’

Scrolling through Andreas Wannerstedt’s Instagram is the digital equivalent of walking into a spa. There are soothing soundscapes and pastel tiles. It’s a curated escape from the mess and stress of the outside world.

This is all deliberate. The Swedish artist posts each animation – from a slowly twisting velvet rope to two halves of a brass ball clicking into place – with hashtags like #relax #calm, #satisfying and #sleep. He has nine volumes of a series called Oddly Satisfying, which fans lovingly describe as “soothing”, “hypnotising” and “extremely fucking satisfying”.

Vejam, por favor, o vídeo e, se quiserem ler o artigo completo, é só clicar no link: Hypnotic loops and self-soothing sounds: the rise of #OddlySatisfying and visual ASMR


The Swedish artist creating oddly satisfying visual ASMR



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Imagens das peças de Andreas Wannerstedt ao som de Mari Samuelsen a interpretar Fragment de  Max Richter

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Um dia feliz

quarta-feira, janeiro 27, 2021

Perdendo o equilíbrio indesejável

 


Por vezes um pessoa lê coisas que preferia nunca ter lido. Percebe-se uma estranha forma de crueldade mas, pior ainda, uma crueldade gratuita. É como quando alguém ofende outra pessoa por razão nenhuma, destruindo a dignidade de outra pessoa por nada, só porque sim. Fico triste, sem perceber o que leva a isso. E afasto-me. 

O dia hoje tem sido assim. Notícias más, medos. 

Alguma coisa má anda à solta pelo mundo, pelo meu país, matando, assustando, espalhando crueldade. 

Estou no meu casulo silencioso e tranquilo. A vida lá fora anda assim, cruel, mas aqui sinto-me protegida. O dia esteve branco. Não. Não branco, cinzento. Um casulo húmido,  quase atrofiante. Lá fora tudo molhado, triste.

A cameleira está coberta de flores mas grande parte está caída. Não sei se é normal ser assim mesmo ou se é da chuva. Talvez as flores não aguentem o peso da névoa. Apanho as camélias molhadas, umas ainda conservando a cor, outras já amarelecidas. Com as flores caídas cubro a terra de alguns vasos. Ficam bonitos, com qualquer coisa de Frida Kahlo. Amanhã a ver se me lembro de fotografar.

A tangerineira está carregada de pontinhos luminosos mas hoje o chão também estava todo colorido. Apanhei algumas, comi algumas ali mesmo, tão doces. 

A vida corre devagar. Ou não. Se calhar corre depressa demais. Não percebo como se esvaem estes dias. Nem estas semanas. Trabalho muito. De manhã penso que vou fazer isto e aquilo e depois há mil coisas que se intrometem e quando dou por ela é hora de almoço e logo, logo, recomeçam telefonemas e logo, logo, é hora de reunião. Não chego a ter tempo para tratar de assuntos pessoais. E tenho dificuldade em perceber o que se passa. Mal tenho tempo de espreitar a rua. O dia embaciado, tudo molhado e triste.

Morrem muitas pessoas, muitas estão em cadeiras, com oxigénio, mal instaladas, sem atenção, sozinhas, assustadas. Uma enfermeira dizia que sim, que já estão a seleccionar quem vão tentar salvar. No prazo de poucas semanas chegámos aqui. 

De noite, doentes estavam a ser transferidos de um hospital para outros, parece que não conseguiam assegurar o oxigénio, talvez por avaria nas tubagens. Digo talvez porque, na verdade, não sei a causa. Não nos podemos fiar na comunicação social que empola, dramatiza. Não sabem informar, sabem, sobretudo, teatralizar, deformar. Inclino-me para razões técnicas nas instalações, mas é mera intuição. 

Tenho falado neste receio que sinto. As equipas invisíveis que asseguram o funcionamento do país estão a ser afectadas. Muita gente infectada, muita gente em quarentena por terem estado perto de infectados. Quem assegura o bom funcionamento das instalações criticas (infraestruturas de todo o tipo, desde electricidade, água, gás, vapor, comunicações, caminhos de ferro, estradas, edifícios, equipamentos como, por exemplo, os de telecomunicações, redes de frio e oxigénio, avacs, electromedicina, etc, etc, etc) são pessoas iguais a todas as outras com a particularidade de que não podem estar em teletrabalho. Deslocam-se em transportes públicos, almoçam em cantinas, trabalham em equipas. Trabalham por turnos. Se um fica infectado, fica toda a equipa. Se uma equipa fica inoperacional alguma coisa grave pode acontecer algures. 

E eu preocupo-me com tudo isto. O meu marido não quer ver mais notícias, não me quer ouvir falar nisto com quem me telefona. Então, para que não proteste, quando recebo uma chamada, vou falar para o lugar mais longe dele que posso. 

Claro que também não quero estar afogada em notícias tristes mas não consigo deixar de querer saber o que se passa. Sobretudo, quero ver se percebo na tendência dos números algum amolecimento que me permita alguma esperança. 

Nesta coisa do tempo correr depressa demais, só espero é que cheguemos rapidamente a Abril. Gostava de viver o 25 de Abril na rua.

Vi, creio que na 2, uma reportagem em Lisboa. Creio que seriam ingleses que andavam por Lisboa. Estávamos os dois, em silêncio, muito atentos. O meu marido, depois, disse: 'Há quanto tempo não passeamos por ali?'. e eu disse que era verdade, há tanto tempo. E ele disse: 'E sabemos lá quando vamos voltar a andar'. E eu não disse nada. Mas acredito que em Abril talvez possamos voltar a passear por aquelas ruas, no Chiado, descer a rua do Alecrim, ver o rio, ou no Príncipe Real, ir à Travessa, depois ir comer uma pizza ou um risotto ao Avillez, cirandar, fotografar as montras da Hermès. 

Talvez não completamente em Abril, talvez seja optimismo a mais, talvez mais lá para Maio, isso sim, quase de certeza. A ver se vem o bom tempo, a ver se a vacinação vai a bom ritmo para o final de Abril chegar e com ele o Maio, maduro Maio, e depois o tempo da praia, do mar. 

O pior é o que ainda falta para lá chegar. Mas, para já, pelo menos aquele frio que me enregelava até aos ossos parece ter ido para longe. Não gosto de tempo tão frio. E os dias já estão maiorzinhos e isso é bom. Custa-me muito pensar nas vidas que irão ainda perder-se até que a nuvem negra se afaste, custa-me o sofrimento de tanta gente. Mas, mesmo sem querer, começo a dar por mim a querer olhar para os dias de verão esperando que me tragam os abraços e os beijos dos meus filhos, dos meus netos, a companhia descontraída da minha mãe, que possam trazer-me amigos para virem conhecer a minha casa, que possam trazer de volta a vida sem medo, os grupos ruidosos em volta de uma mesa grande, cheia, das cantorias e alegrias. Sinto tanta falta disso.


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Para me distrair, refugio-me no surrealismo, na arte que não pretende mimetizar a realidade, na arte de criar inexistências. O vídeo abaixo fala de uma pessoa, Shona Heath, que tem a cabeça cheia de maravilhosas harmonias inventadas. Criativa e livre, é com Tim Walker que muito gosta de trabalhar. Les beaux esprits... Tantas vezes aqui o tenho tido, o fazedor de encantamentos. Ainda pensei ter fotografias dele aqui hoje. Mas não, preferi a natureza. Tenho saudades de andar entre o meu pequeno bosque in heaven. Por isso apeteceu-me aqui ter das melhores fotografias de natureza do 2020 International Photography Awards que pesquei do Panda Aborrecido. 

Mas vejam estas coisas do além. Somos transportados para um outro mundo, um mundo onde não há pandemias nem medos nem crueldades. Há cor, há formas elegantes, imaginadas. 

The Surreal World of Set Designer Shona Heath

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O título do post é um verso de um poema de 'Acidentes' de Hélia Correia 
e, se calhar, é pena que o texto não tenha muito a ver com ele

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Desejo-vos um dia bom, vivido em delicadeza e harmonia

Saúde.