Deveria acrescentar ao título: e com muito bom gosto. E ainda: fácil de limpar.
Para uma casa assim, com este espaço, esta disposição, com esta mobília, peças de arte e peças decorativas, com este jardim e com esta vista, eu poderia mudar-me com a certeza de que me sentiria muuuuito bem.
O design seduz-me. Gosto imenso de peças que são isto mas também podem ser aquilo. Por exemplo, um caso simples: uma mesa de jogo. Pode ser uma simples mesa de apoio, mas, se rodar e abrir o tampo, vira mesa de jogo. Tenho uma, gosto imenso. Nunca a uso como mesa de jogo, mas gosto de saber que a posso transformar. A Julianne Moore tem um banco que vira cadeira, acho uma graça.
E gosto também muito das prateleiras que usa como estantes: são elegantes, embora robustas, e acompanham o evoluir da parede.
E as pinturas e as demais peças, tudo despojado e bonito.
Já o confessei aqui algumas vezes: gosto muito da minha casa, muito mesmo, tudo parece à medida do meu gosto. Mas, se fosse hoje mobilá-la de raiz, teria menos móveis e, sobretudo, quase não teria móveis de madeira escura.
Contudo, para ter menos móveis, teria que ter menos coisas para lá guardar. Por exemplo, aqui em casa seria impensável ter umas prateleiras pequenas com a louça. Primeiro porque duvido que ninguém desse um encontrão e atirasse com os pratos e as tigelas ao chão, segundo, porque apenas caberia lá uma ínfima-ínfima parte da louça que tenho. Hoje posso questionar: para que tenho eu tanto prato, tanto prato, senhores, tanta terrina, tanto copo, copos, então, mais do que um enxame? São os que eram meus, que já eram demais, e são muitos que eram dos meus pais e que não consegui que os meus filhos os levassem. Copos que não acabam. E o pior é que grande parte deles não são de tipo de trazer a uso, são copos delicados e frágeis de mais, uns com pé ultra-fino, outros com desenhos, outros de cristal. Lindos, reconheço, mas uma carga de trabalhos pelo espaço que ocupam e pelo cuidado que há que ter no seu manuseio.
Uma casa, clean, como a da Julianne Moore é uma casa que só é possível se ela tiver não mais que o mínimo indispensável. Por exemplo, na onda arrumadista do meu marido, uma coisa com que embirrou foi ter duas gavetas cheias de panos da louça e das mãos. E são gavetas grandes. Para não o ouvir mais com isso, condescendi em tirar os panos de uma das gavetas e arrumá-los num cesto, cesto esse que coloquei numa daquelas prateleiras junto ao tecto que os meus armários da cozinha têm, em que mesmo com o meu escadote, mal lá chego. Quando estava a arrumar os panos no cesto já estava a passar-me. Tanto pano, não acabavam. Enchi um cesto grande com panos, e, para caberem, tive que fazer rolinhos e arrumá-los ao alto, a la Marie Kondo. O meu marido, passa-se, pergunta quando é que vamos precisar de usar todos aqueles panos, por ele ia tudo fora. Mas foram-me oferecidos pela minha mãe, pelas minhas avós. Custa-me. Se a Julianne Moore visse o espaço que ocupo cá em casa com coisas desnecessárias certamente não ia acreditar.
E nem vou falar das cómodas com gavetões a rebentar pelas costuras com toalhas de mesa cheias de bordados e de rendas que nunca uso. Nem faço ideia de quantas. Tenho pena de não as mostrar, são lindas. Mas, depois, se ficam com nódoas que não saem? Ia pô-las a lavar a altas temperaturas? Poderiam estragar-se. E a trabalheira a passar a ferro. Não arrisco nem estou para me meter em trabalhos. Só uso toalhas que não precisam de se passar a ferro. Aliás, já é raro passar alguma coisa a ferro. Mas vou desfazer-me das verdadeiras obras de arte que são aquelas toalhas? Horas de laborioso e amoroso trabalho da minha mãe e da minha avó? Não vou.
Mas, ao mesmo tempo, penso: pessoas que têm casas como a Julianne Moore fazem como? Não compram quase nada? Passam a vida a deitar coisas fora? Não sei. Gostava de saber, tenho essa curiosidade.
Seja como for, se há coisa que gosto de ver são casas, em especial casas luminosas, desatranvancadas, elegantes, fáceis de manter. Desta gostei bastante. Um chão daqueles limpa-se que é um mimo. E até limpar o pó, que é coisa que destesto fazer, há de ser um tirinho. E a casa de banho, que bonita, também sem tralha de qualquer espécie, branquinha, luminosa, facílima de limpar.
E o jardim no telhado, tão verdinho, tudo tão bonito... e com a vantagem de estar perto do céu, longe da barafunda de Nova Iorque.
Mas vejam e digam se não tenho razão. Não gostavam de viver numa casa assim?
Na casa de Julianne Moore, uma casa num rooftop em Nova Iorque | Open Door | Architectural Digest
Julianne Moore recebe a AD na sua casa em Nova Iorque, projetada pelo arquiteto Oliver Freundlich. A atriz vencedora de um Óscar encheu o seu apartamento na cobertura, construído na década de 1920, com arte, mobiliário vintage e peças de design colecionáveis, incluindo obras de George Nakashima e Isamu Noguchi. A partir do seu belo terraço no último piso, lareira em funcionamento e casa de banho em mármore, a casa de Julianne é um oásis de tranquilidade no meio da metrópole.































