Não. Nada. Não há nada a dizer. Nada. Nem antes, nem durante nem depois. Ela, Boris, Kwasi Kwarteng, outros que tal. Nada. Figurantes de uma tragédia que tem um nome: Brexit. E que tem um actor principal, que actuou na sombra, que criou as condições, que financiou, que engendrou, que manipulou, que mexeu os cordelinhos. E actores secundários que usaram ferramentas proibidas, que estudaram as motivações profundas, que exploraram os medos, que brincaram com a ignorância, que pagaram.
E os britânicos votaram sem saber no que estavam a votar. Não perceberam o logro. Deixaram-se enredar na perigosa e imprevisível trama do logro.
E agora ninguém consegue gerir esse logro. O logro é ingerível. Cai um ministro, cai outro, caem às mãos cheias, e cai um primeiro-ministro, cai outro, cai outro, repescam os que caíram. Uma farsa, um absurdo, um caos.
E o rei assiste impotente porque está lá apenas para ser o public relations do reino, para ajudar a vender canecas e bandeirinhas, não para tomar decisões relevantes.
Por isso, nada a dizer da pobre coitada da Liz, nada a dizer do bacano do Boris, nada a dizer do James, nada a dizer de todos os que já se demitiram e dos que ainda se vão demitir. A única coisa com graça nisto do Brexit foi o pai do Boris se ter naturalizado francês.
Um dia aparecerá um político a sério, o Brexit será revertido, as coisas voltarão a entrar na normalidade. Só não sei quando. Talvez quando o actor principal, o diabo que actua na sombra, tiver virado pó.
Até lá, que viva o outono que, finalmente, parece estar a aceitar deixar de ser verão. Que traga chuvas, aragens, neblinas, cheiro a lareira, terras molhadas, árvores gotejantes, vontade de aconchego.
E que os tempos tragam algum presciência a quem vive ou assiste ao declínio moral que aqui e ali vai medrando nas sociedades democráticas, abertas, tolerantes, inocentes.
Gosto de dançar, sempre gostei. Contudo, ultimamente, sempre que há circunstâncias que convidam à dança, nunca é dança a dois na versão dantes designada por slow. Agora é mais na base da libertação do corpo, mas a libertação como movimento individual. Tenho uma amiga que é certinha, sempre muito compenetrada e rigorosa, ponderada. Mas, mal sente o sopro de uma música bem batida, solta-se a fera que há dentro dela e assistimos a uma metamorfose. Work hard, play hard, desculpa-se ela quando vê o nosso espanto. Entrega-se em absoluto ao prazer de libertar o corpo e não quer saber de limites. Mas isso se for uma libertação a solo e com a música desencabrestada. Em registo slow nunca vi mas, na volta, seria a mesma voluptuosa entrega. A questão é que, quando há música para dançar, nunca é música slow. Agora slow é a food ou o living. O slow dancing parece ter caído em definitivo desuso. E, no entanto, há melhor forma para os corpos se aproximarem, se testarem, se conhecerem? Li uma vez, e achei bem pensado, que há amor quando dois corpos se reconhecem. Concordo. Amor que é amor a sério tem que ter corpo, toque, olhar, pele, tem que se sentir o calor que se evola do corpo do outro, tem que se sentir o abandono que se desprende do corpo daquele que se deseja, tem que se sentir a urgência das mãos do outro procurando o nosso corpo, tem que se sentir a sua respiração e o toque dos seus lábios na nossa pele.
Portanto, recordemos como é bom dançar assim e iniciemos um movimento a favor do regresso do slow dancing.
A primeira vez que o vi foi no Thelma and Louise. Era um rapaz com uma sensualidade transbordante, uma malícia implícita cativante, um físico absolutamente convincente.
Se até aí eu me enlevava com Richard Gere, que tinha conhecido -- eu, se bem me lembro, quase menina e moça, -- ele capaz de seduzir de uma assentada toda a população de um convento de freiras tal a sedução que dele emanava em American Gigolo, a partir daí mantive o J.D. debaixo de olho.
Não que seja dada a lourinhos, não sou, mas aquele moço tinha, à vista desarmada, uma boa 'pegada', coisa que mulher que se preze fareja à distância.
Por essa altura eu ia ao cinema muito amiúde. Adorava ir. Aquele escurinho, aquele cheiro, aquele ambiente fascinava-me. Ia muito ao Quarteto apesar de às vezes cheirar a esgoto e apesar do meu namorado da altura (em especial o que viria a ser meu marido) embirrar com o desconforto das cadeiras e com a falta de espaço já que as pernas não lhe cabiam e tinha que as dobrar à frente dele, quase até ao pescoço. E ia ao Satélite, ao Estúdio. E, claro, aos maiores: Império, Monumental, S.Jorge.
Os grandes filmes de Bergman, na época, conviviam, para mim, com o Oficial e Cavalheiro ou o Breathless (que era uma reprise do A bout de souffle) -- filmes que não podia perder para ver o Richard Gere, com aquele seu corpo gingão, aquela capacidade de bem beijar que não está ao alcance de qualquer um.
Acontece que a minha fidelidade é restrita a casos muito particulares e, portanto, depois de ter visto a arte de Brad Pitt, mantive o Richard em banho-maria e, muito santamente, passei a incluir-me entre as devotas do Brad.
O seu desempenho em Lendas de Paixão foi outro momento alto, tornando, só por isso, aquele filme um objecto de culto.
[Aos destituídos de faro para a ironia, apresento mais um disclaimer: uso aqui a terminologia 'objecto de culto' a propósito deste filme tal como, há dias, usei 'mares do sul' para designar o mar que banha Cádiz. Sou dada a metáforas, se é que ainda não deu para perceber. E tenho dito. Adiante que o momento é de cinefilia e não de semióticas]
Entretanto Richard Gere foi ganhando patine (não perdendo o charme, mas...) e o Brad entrou naquela deriva mediática designada por Brangelina e eu, mais uma vez, fiz swing (and sorry for my french): passei a achar uma certa graça ao Clive Owen.
Enquanto isso, e num registo diferente, encantada pela voz deles, pulava a cerca* com o Jeremy Irons (como não, com aquela voz...?), com o John Malkovitch (aquela irreverência carregada de perversidade é um convite irrecusável) e, até, com o Ralph Fiennes que, parecendo que não, tem uma densidade enleante.
[Outro disclaimer: A cerca das devoções (como dizer?) cinéfilas, of course]
Mas, lá está, aqueles a quem um dia deitei o olho, debaixo de olho ficarão forever e, por isso, o Brad será sempre olhado com o carinho que se dedica aos antigos lover boys.
E, talvez por isso, foi com tristeza que li a entrevista que concedeu agora, confessando o problema de longa data que tinha com álcool, admitindo a sua responsabilidade pelo que aconteceu e que levou ao seu divórcio.
Parece que vive isolado, solitário, dedicando-se à escultura. Reapareceu na capa de uma revista com um ar que faz enternecer qualquer um, em especial aquelas que guardam um cantinho para ele no seu coração.
[Novo disclaimer: cantinho virtual, leia-se]
Magro como um cão sem dono, ar triste, diz até: 'se ao menos pudesse mudar de nome...'
E eu aí tenho que me pôr ao alto. Que é lá isso...? Nem pensar. Qual mudar de nome? No way.
Depois do tema do amor e do vídeo do post abaixo, para me fazer passar por inteligente e superior às petites choses du coeur, fiz mais uma tentativa, a sério que fiz: percorri os jornais económicos, vi as aselhices fiscais do governo, todas as outras que são de todas as espécies e feitios, li sobre o pagode que são os cartazes do PS (e digo pagode porque aquilo mais me parece coisa chinesa, do tempo do Mao, para aí, uma coisa pirosa todos os dias), e percorri os jornais generalistas -- e nada -- e as revistinhas pink, tudo -- e nada -- tentando descobrir temas onde pudesse vir para aqui dar-me ares. Mas a verdade é que ou sou eu que estou desinspirada ou é o mundo que anda meio sem graça.
Claro que há temas sérios, horrendos, mas desses eu só falo quando tenho sossego para rodear as palavras de silêncio. Por isso, espero sentir-me com a gravidade certa na ponta dos dedos para falar nisso e, não sendo hoje, passo à frente.
Ainda pensei falar de obscenidades. Pornografia. Hardcore, coisa da pesada mesmo: cerca de meio milhão de euros o casório do Jorge Mendes e da sua bem amada Sandra, a ilha grega oferecida pelo Ronaldo, Serralves transformada em sala de baile para futebolistas, treinadores e suas bem arraçadas esposas, advogados e suas coloridas madames, as ruas do Porto cortadas para o grande desfile do dinheiro. Por exemplo.
O rico casalinho: Jorge e Sandra
O Jorginho e a generosa Sandrinha, aqui à civil
Cristiano Ronaldo entre altas cilindradas e seguranças
Lobo Xavi€r e S€nhora - of cours€, as usual
Tanto que haveria a dizer se hoje estivesse numa de porno... Mas hoje estou mais para o romântico do que para a pornochanchada e, portanto, passo por cima desse happening jorge-e-sandra-mendista regado a milhões e volto-me de novo para o amor.
Mas, dissertar sobre o amor, hoje não, não estou muito fluente. Para falar a sério teria que ser científica, sistemática, e não estou a sentir-me com paciência para me manter no trilho do rigor e do bom comportamento.
Por exemplo, deveria compartimentar os diferentes tipos de amor ou as diversas formas de se manifestar: o amor das mulheres mais novas por homens com patine, ou de mulheres velhas por inexperientes pupilos ou de mulheres introvertidas por homens histriónicos ou vice-versa, ou de mulheres feias por mulheres bonitas ou de intelectuais de esquerda por beatos conservadores ou de homens machões por homens machões. Podia, claro. Até podia falar sobre o amor no ambiente de trabalho sobre o qual acabei de ler que é frequente e que até faz bem à conjugalidade (Flasher sur un collègue peut booster votre couple!). Mas não me está a dar para isso, estou preguiçosa.
Por isso, com vossa licença, abrevio razões e avanço para as fitas.
Jogos proibidos
(cenas do Paciente Inglês)
Though it's forbidden for my arms to hold you
And though it's forbidden, my tears must have told you
That I hold you secretly each time we meet
In these forbidden games that I play
A liberdade sonhada
(cenas de Lady Chatterley)
O amor à solta
(cenas de A insustentável leveza do ser)
'Não beijo estranhos'
(uma cena de Closer)
Ora bem. Sim, senhor.
......
Relembro que, no post abaixo, continua o climinha: amor.
Para que serve o amor?
.......
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.
De preferência com muito amor, muitos beijos, muito romance.
Começo o texto com uma declaração de princípios: vou para aqui pôr-me com conversas sobre o que os homens fazem ou deixam de fazer em vez de simplesmente dizerem que amam a mulher que amam quando eu, pessoa apaixonada por natureza, acho que também nunca disse a alguém 'amo-te'. Não me soa bem, parece-me postiço, pechisbeque, converseta à toa. Posso dizer 'gosto tanto de ti', posso dizer, e se calhar di-lo-ei com alguma ironia à mistura, 'I love you' ou 'Je t'aime', etc e tal, mas, em português corrente, 'amo-te' não dá. A palavra parece que tem uma onda cava ao meio, o som some-se, não sei, não gosto.
E, portanto, compreendo que as pessoas de bom gosto também o não digam. Volta e meia armo-me em menina coquette e peço que mo digam... mas a que porta vou eu bater... Um encolher de ombros, talvez um abraço ou um beijo mas a declaração que eu peço... está quieto. E eu, sem o confessar, até o agradeço, acho que me desataria a rir perante uma palavra que me soa tão pindérica.
Mas vem isto a propósito de um artigo da Elle francesa.
[Um preâmbulo.
Ando nisto em vez de andar a desancar o láparo, a pinókia e o resto da tropa fandanga mas a verdade é que acho que o melhor é deixá-los cair de maduros. Nada do que eles digam ou façam já me desperta grande fúria, apenas desejo que venham as eleições e que levem uma corrida em osso mas daquelas em que eles tenham que recolher à toca por muitos e longos anos.
Então, para me distrair, dou por mim a circular por lugares em que vejo decoração, chapéus, vestidos de verão, fotografia. E ando a ler coisas à toda, coisas que não têm nada a ver com nada, por exemplo sobre pinturas que revolucionaram a arte ou coisas a ver com música, enfim, coisas soltas. Como é difícil falar de fragmentos, pequenos apontamentos desgarrados, fico um bocado sem saber como vos trazer um pouco disso, parece-me difícil cerzir tantos retalhos de uma forma que faça sentido.
Também ando com vontade de escrever um diário mas não sei se seja tão íntimo que nunca possa ser visto por alguém ou se seja sobre as pequenas banalidades do dia a dia mas, se assim for, também acho que não tem interesse para ninguém, nem sequer para mim. Poderia escrever um diário ficcionado mas, aí, talvez quem o leia pense que a coisa é deveras maluca, talvez, quem o veja, deite as mãos à cabeça com tanta coisa fora de órbita, dirão talvez que sou pseudo-dada, uma surrealista retardada, quelque chose nessa base. Por isso, também ainda não me resolvi.]
E, portanto, enleada nestes dilemas metafísicos, vou antes poupar-vos e vou simplesmente traduzir, em versão livre, um artigo da Elle que se chama assim:
8 FAÇONS POUR UN HOMME DE DIRE « JE T’AIME »
ou seja,
Oito formas de um homem dizer 'amo-te'
(Mas vamos com música que vamos melhor -- e com Leonard Cohen, um mestre na matéria)
Leonard Cohen - Love Itself
Porque é que isso acontece?
Porque eles são tímidos? Porque não sabem como dizê-lo?
Seja como for, eles descobrem maneiras de o confessar. Se vos amarem, eles di-lo-ão assim:
Ele enviar-vos-á textos (sms ou mails) sem qualquer razão aparente
«Que tempo desgraçado!», «Estive a ver fotografias animadas com gatos, que coisa divertida». A priori estas mensagens não têm grande interesse? Errado. Esta é uma das maneiras mais hábeis que ele será capaz de encontrar para dizer que vos ama. Só o facto de pensar em si, já demonstra que ele quer que saiba 'Olha, vou enviar-te um sms...' e isso é capaz de ser uma das maiores demonstrações de afecto que um homem pouco dado a conversas é capaz. Mas se ele não o faz, isso também não quer dizer que não vos ame. Talvez prefira as técnicas seguintes.
Ele praticará frequentemente o contacto visual, ou seja, a técnica do 'olho no olho'
Não subestimem o poder do olhar. O «eye contact» é o que há de melhor em matéria de sedução. De sedução e de prova de amor também! Se estiver entre amigos, cada um no seu lado à conversa com amigos, e ele vos lançar olhares enamorados do outro lado da sala, isso significa que está a pensar em si. Não é um querido?
Ele escutá-la-á atentamente
Ouvir atentamente o outro é um dos aspectos mais importantes numa relação. Se você lhe contar o seu dia e as histórias dos seus colegas ou amigos, ele olhará para si e escutá-la-á. É a sua maneira de vos dizer que as suas palavras lhe interessam. E isso é importante.
Ele tocará espontaneamente em si
Quando estão num local público, ele, como quem não quer a coisa, põe a mão nas suas costas? No restaurante ele coloca a mão perto da sua? Se saírem à noite, ele faz-lhe uma festa no ombro de vez em quando? Esta pequena proximidade mostra que ele quer estar perto, sem que isso signifique forçosamente contacto sexual.
Ele dir-lhe-á que os amigos dele gostam muito de si
Uma maneira indirecta de ele lhe confessar os seus sentie«mentos é dizer que os amigos gostam de si, que a adoram, e, às tantas, quase está a dizer que a amam. Nem valerá a pena dizer-lhe que ele até parece que está a falar dos seus próprios sentimentos. Por outro lado, se os amigos dele também são muito do seu agrado, isso talvez aconteça porque ele lhes fala de si a toda a hora, quase nem conseguindo disfarçar o seu amor por si.
Ele sorrirá depois de a beijar
Atenção, pequeno pormenor a ter em atenção da próxima vez que ele a abraçar ou beijar. Quando um homem está submerso pelos seus sentimentos e não sabe como exprimi-los, isso pode traduzir-se na sua expressão facial. É o caso de um sorriso depois de um beijo. Mesmo que seja uma coisa ligeira, olhos fechados, os lábios ao de leve roçando os seus, isso pode querer significar «esta mulher, uau, como eu a amo!»
Ele apertará a sua mão com força
Há forma mais simples de fazer compreender a uma mulher que a ama? Alguns homens dizem-no com as mãos. Na rua, em casa de amigos, no cinema durante um bom filme, ele aperta a vossa mão. Oh, mas não com muita força, apenas o suficiente para que você pense para consigo própria «Olha, parece que tem vontade de me dizer alguma coisa». E essa alguma coisa que ele gostaria de lhe dizer é muito simples: ele ama-a. Ele ama a sua presença e quer preservar a vossa relação. Pense nisso!
Ele quererá fazer montes de coisas consigo
O 'amo-te' não passa forçosamente pela voz. Estejam igualmente atentas aos pequenos gestos do quotidiano. Bem, há coisas que podem parecer bobagem, estamos de acordo. Mas sejamos honestos: se um homem quer preparar um jantar para si, quer ir ao supermercado consigo, quer conhecer os seus gostos... como se chama a isso? Amor, talvez, não...?
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Usei o Ralph Fiennes para ilustrar este post porque tem aquele ar tímido e sincero a que as mulheres acham de um charme irresistível. O artigo em versão original, em francês, pode ser visto aqui.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um dia muito feliz.
Paz e alegria para todos.
E muito amor, com ou sem palavras.
No post abaixo partilhei convosco a voz de um magnífico diseur de poesia, dizendo a magnífica poesia de um poeta magnífico sobre o ofício de escrever.
Aqui, agora, continuo com Tom O'Bedlam (que presumo que não seja o seu nome verdadeiro) mas, desta vez, dizendo uma poesia de Michael Ondaatje (autor, entre outros, de O Paciente Inglês).
Esta voz dizendo poesia tem qualquer coisa de encantatório e eu ouço-a com um prazer imenso, como se a poesia dita ganhasse cheiro, sabor, como se as palavras tivessem pele e calor.
If I were a cinnamon peeler
I would ride your bed
And leave the yellow bark dust
On your pillow.
Your breasts and shoulders would reek
You could never walk through markets
without the profession of my fingers
floating over you. The blind would
stumble certain of whom they approached
though you might bathe
under rain gutters, monsoon.
Here on the upper thigh
at this smooth pasture
neighbour to you hair
or the crease
that cuts your back. This ankle.
You will be known among strangers
as the cinnamon peeler's wife.
I could hardly glance at you
before marriage
never touch you
--your keen nosed mother, your rough brothers.
I buried my hands
in saffron, disguised them
over smoking tar,
helped the honey gatherers...
When we swam once
I touched you in the water
and our bodies remained free,
you could hold me and be blind of smell.
you climbed the bank and said
this is how you touch other women
the grass cutter's wife, the lime burner's daughter.
And you searched your arms
Dorothy Gardner Award, Ashlyn Fenton - Edmonton "The Cinnamon Peeler"
for the missing perfume
and knew
what good is it
to be the lime burner's daughter
left with no trace
as if not spoken to in the act of love
as if wounded without the pleasure of a scar.
You touched
your belly to my hands
in the dry air and said
I am the cinnamon
Peeler's wife. Smell me.
O abraço - Egon Schiele
Poderão ouvir a mesma poesia dita pelo autor e é uma maravilha também mas, ainda assim, prefiro a versão Tom O'Bedlam.
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Já agora, para quem não se lembre ou não tenha visto O Paciente Inglês, aqui fica um apontamento, e a sugestão de que (re)visitem este belíssimo filme.
The English Patient
"I promise, I'll come back for you. I promise, I'll never leave you."
Realização de Anthony Minghella
com:
Ralph Fiennes, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Kristin Scott Thomas., etc
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Relembro: já a seguir há mais dois poemas ditos, maravilhosos, sobre a escrita e o ser-se escritor.
Fotografias feitas na Meia Praia (a primeira feita a partir da janela do quarto).
O primeiro vídeo é Dança do Mar - O bailado das medusas (ao som de Nocturno de Chopin)
O último é o poema Ode to the sea de Pablo Neruda lido por Ralph Fiennes
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Estava a tentar acabar o post que ontem deixei a meio mas não estou a conseguir encontrar as imagens que queria com a rapidez necessária pelo que ainda não é hoje. Esta segunda feira reinicio a minha vida normal, acabam-se-me os folguedos em horário útil. E volto a ter que me levantar cedo, cedo, cedo, coisa que é contrária à minha natureza noctívaga. Mas contra factos não há argumentos: acabaram-se-me as férias grandes. Quinze dias úteis muito bem vividos. Ainda tenho uns diazitos que farei render até final do ano. É a vida, já lá dizia o outro.
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Para A noite do mundo com homens que andam sobre o mar talvez procurando a sua sombra, é descer, por favor, até ao post seguinte.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana
(e a mim também desejo pois a readaptação nunca é fácil e vou entrar no meio de mil coisas, que bem as fui acompanhando, com o coração ao largo, através das dezenas de mails diários que fui recebendo. Ai...)
Se eu penso num sítio onde sempre tenha vontade de voltar é em San Sebastián, Donostia, que eu penso. É um sítio onde gostaria de passar um mês de seguida, dois, três. Se eu pensar que um dia gostaria de ficar num sítio a fazer uma vida forasteira, andar pelas ruas e cais a fotografar, depois pôr-me a ouvir música e pintar ou ler ou sentar-me junto a uma janela e escrever, é em Donostia que penso. Há uma largueza de mares, de vistas, há uma alegria nas ruas, muitas crianças, muitas mães a passear nas ruas com os filhos, e restaurantes bons e bares e, em certos dias, muitos, uma neblina única, uma luz muito pura. Há em Donostia qualquer coisa que não identifico nem sei definir mas que me atrai irresistivelmente.
Mas não é só Donostia: é o que há à volta, é Biarritz. Biarritz é lindo. É um romantismo de antigamente, aquelas casas apalaçadas, aquele mar bravio, tudo aquilo é a um tempo genuíno e sofisticado, é uma coisa que remete para uma burguesia que já não existe, uma aristocracia literária. Não sei explicar. Um vento fresco, uma névoa cheia de maresia, penhascos, ondas brancas, distantes. Adoro estes sítios. É como se não fosse Espanha, nem França, mas um reino misterioso, o País Basco das mil histórias, uma gente e um sítio que são naturalmente independentes porque únicos. O mar de Biarritz.
O atraente abismo que podem ser San Sebastián e Biarritz para amantes clandestinos, para poetas, para solitários, para loucos. Lugares envoltos em mar.
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Memorável também é o poema Ode ao Mar dito no filme O Carteiro de Pablo Neruda, um filme encantador, encantatório.
Baseado no livro Il Postino de Antonio Skármeta, adaptado entre outros por Massimo Troisi que interpretou o personagem do carteiro. Massimo Troisi, que também era poeta, adiou uma cirurgia cardíaca para poder completar o filme. Cerca de doze horas depois do fim das filmagens, sofreu um ataque cardíaco fatal.
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Lá em cima, o primeiro vídeo, era a tradução do poema Ode ao Mar de Pablo Neruda, ODE TO THE SEA, lido por Ralph Fiennes, em presença das grandes ondas de Bairritz
No post abaixo recusei-me a falar do cherne que por aí anda de porta em porta a ver se alguém o compra. É o compras.
Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.
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Afterwards
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Se eu não estivesse já servida, diria que, se fosse coisa que a gente pudesse escolher e depois carregar num botão e sair o produto pretendido, para mim o homem ideal poderia ser uma composição a partir dos seguintes (e atenção que são duas e tal da manhã e eu não tenho tempo para pensar, vou dizer a primeira coisa que me venha à cabeça; se o output não me agradar ponho-o à venda e escolho outro):
a energia e o sorriso poderia ser o do António Fagundes (aliás, até podia ser o Fagundão todão)
a voz poderia ser a do Jeremy Irons
o corpo poderia ser o do Clive Owens ou então o do Zidane
(mas não podendo vir só o corpo, poderia vir também a cabeça)
a perversidade (ou, vá lá, para não parecer tão mal: a malícia) poderia ser a do Malkovich
o olhar e a suavidade (a até podia vir também a voz, para quando a do Jeremy estivesse cansada de tanto me dizer poesia ao ouvido) poderia ser o do Ralph Fiennes
a maneira de beijar poderia ser a do Richard Gere
e não falo de outros atributos (não menos importantes) para isto não ficar comprido e chato demais.
Se eu fosse habilidosa fazia aqui uma fotomontagem e avaliaria a qualidade do resultado e se, de facto, valia a pena ficar com o produto da minha imaginação. Como não sou, paciência, fico-me pelas palavras.
E vem isto a propósito de quê?
Eu conto. A marca de lingerie Bluebella pediu a um grupo de mulheres que dissesse o que para si era a mulher perfeita.
Depois foi pedido o mesmo a um grupo de homens.
Pois bem: enquanto as mulheres acham que a mulher perfeita é alta, magra, esguia, cabelos fortes e quase lisos, os homens idealizam uma mulher com curvas, ancas largas, seios fartos, cabelo desordenado e até, imagine-se, um pouco de barriga. Os homens não se sentem atraídos pela suposta perfeição.
Boas notícias, portanto.
Depois a experiência foi a inversa: o homem ideal para ela e para ele. Os resultados provam que os homens acham que o homem ideal tem uns bíceps brutais, uma carinha perfeita, enquanto as mulheres preferem alguma imperfeição no rosto, no cabelo, nada de músculos à bruta.
Bate certo.
No entanto, a mim nenhum destes me conquistaria. Têm músculo a mais e patine a menos. Provavelmente as mulheres inquiridas seriam pouco mais do que adolescentes, ainda não tinham o gosto apurado.
E por aqui me fico - e cada um agora que se compare com a imagem ideal.
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A voz lá de cima é, claro, a de Jeremy Irons lendo Afterwards de Thomas Hardy:
When the Present has latched its postern behind my tremulous stay, And the May month flaps its glad green leaves like wings, Delicate-filmed as new-spun silk, will the neighbours say, 'He was a man who used to notice such things'?
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NB: Não queira descer até ao post seguinte. Depois destes homens decentes e apetecíveis, para quê ver um cherne malcheiroso?
Hoje não estou com grande disposição e, talvez por isso, lembrei-me deste filme (que não é propriamente divertido) com tão fantásticos actores. Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, Juliette Binoche, Colin Firth todos eles com desempenhos notáveis.
E Ralph Fiennes e Kristin Scott Thomas formam o casal romântico por excelência, uma emoção contagiante.
Li "O Leitor" antes de ser feito o filme. A capa do meu livro é esta, ainda não tinha, como tem agora, as fotografias dos actores.
Gostei muito. Transmite bem aquele desconforto que sentimos quando simpatizamos com personagens que, à partida, nos deveriam merecer alguma repulsa. Mas é a natureza humana: todas as pessoas têm um lado lunar, sombrio, secreto, por vezes toldado pelas trevas e, ao mesmo tempo, um lado solar, carinhoso, afável, generoso - a gradação é que varia.
Até Hitler era carinhoso com a amante e amoroso com o cão. Mesmo quando se descobre que o vizinho é um serial killer, toda a gente da rua diz que não suspeitava, que o senhor era simpátco, que falava bem a toda a gente.
Neste livro de Bernhard Schlink, simpatizamos com Hanna e acompanhamos a sua relação sensual e carinhosa com o menino de 15 anos, 21 anos mais novo que ela, que a visita e com quem faz amor, depois do ritual do banho e da leitura de livros.
Mais tarde, quando sabemos que Hanna foi guarda de um campo de concentração nazi, já não somos capazes de deixar de simpatizar com ela, de tentar compreender as suas razões, de, até, ter pena dela.
Quando apareceu o filme, não tive vontade de o ir ver.
Nisto, geralmente sou alma gémea daquela cabra que, num sketch de Hitchcock, aparecia a comer a fita de uma bobina, dizendo com ar desdenhoso 'Gostei mais do livro'...
Quando saíu em DVD hesitei mas resisti mas, quando baixou de preço, comprei-o pelo sim, pelo não, já agora, quem sabe um dia, e, de qualquer forma o prejuízo não seria por aí além...e, foi uma agradável surpresa.
Ralph Fiennes e Kate Winslet são (sempre) excelentes, a adaptação está muito bem e a realização muito competente, sensível.
Aqui fica o trailer (hélas com legendas em brasileiro...) para que possam apreciar um cheirinho do maravilhoso tom de voz britânico e as maravilhosas interpretações deste filme muito bom.