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sexta-feira, outubro 16, 2015

Se está contra um governo apoiado à esquerda ou se é do PS mas contra o Costa, então tem lugar garantido na televisão. Há uma infestação geral. PàFs e pró PàFs por todo o lado. O ultramontanismo pacóvio está à solta.


No post abaixo falei sobre a atracção sexual que se manifesta apesar da amizade, ou do afecto que existe apesar do desejo ou do que deve ser evitado se se quer sentir o fogo da paixão. Uma psicoterapeuta explica como é que as coisas funcionam e fala com clareza, embora nem sempre se mantenha num registo politicamente correcto.

Mas isso é lá mais abaixo e, quem quiser ir a correr até lá, onde se ensina a manter o brasido a boa temperatura, pode esgueirar-se já por aqui..

Aqui, agora, mudo de registo. Mas, confesso, mudo a contragosto. Mas, enfim, noblessse oblige que eu cá não sou de me ir deitar com baratas à solta aqui na sala.




Portanto, de insecticida em punho, tento acabar com a praga de pafianas criaturas que estão a ser atraídas para as televisões e que, por essa via, me entram em casa, a toda a hora.

A ordem dada aos jornalistas deve ter sido: desencantem tudo o que é bicho careta que tenha raiva ao Costa, que odeie os bloquistas como se fossem gente com peste amarela ou temam os comunistas como se fossem gente com coisa ainda pior que o ébola. Toda a gente serve. Devem pôr o radar a trabalhar e onde lhes cheire que vão desancar no Costa ou imaginar pesadelos horrendos ou antever golpes de estado, sismos do pior grau, inundações que derrubem florestas, casas, pontes, ou incêndios que devastem cidades, ou ladrões que assaltem bancos e cofres, tudo em consequência de um governo socialista apoiado pelo PCP ou pelo BE, aí estão eles a contratá-los para os ter caídos ao balcão dos canais televisivos. E, se vão à televisão, isso depois é noticiado nos jornais e, se sai a notícia nos jornais, aí vão eles de rabo alçado para a televisão. Poderiam fazer uma roda, todos de mãos dadas entre a SIC, a RTP e a TVI, Francisco Assis, Álvaro Beleza, José Gomes Ferreira, Henrique Monteiro, José Manuel Fernandes, Bagão FélixCarlos Blanco de Morais, Cardeal Patriarca D. Clemente, Daniel Bessa (e isto já para não falar no Marcelo que semanalmente homiliou à vontadinha, e no pequeno Marques Mendes, o Isento, que também semanalmente destila intrigas, boatos, mensagens subliminares) - e poderia continuar infinitamente (e até juntar aqueles que nos trazem notícias que chegam do além, como é o caso do cherne que não devia ter cara para falar tal a linda folha de serviço que apresenta mas que, como não tem vergonha e como a safadeza e a chico-espertice é que compensam, por aí anda dando palpites como se fosse gente importante).




Incomoda-me isto. Gente ressabiada, acagaçada, gente provinciana que vive com o rabo preso a medos ancestrais ou a tachos partidários, gente que vê o país a empobrecer, a perder competitividade, que vê o país vendido a retalho a empresas estatais comunistas ou a investidores cujo dinheiro apareceu sabe-se lá de onde, que vê o dinheiro das pensões aplicado em fundos ligados à dívida, vulneráveis, portanto, que vê o desemprego e a desertificação a grassarem -- e que, ainda assim, continua a apoiar quem tanto mal tem feito ao país.

Medo dos comunistas e dos bloquistas? Mas porquê, caraças? Acham que vão nacionalizar o quê? A SIC? A TVI? O Expresso? É isso? Ou pior, ainda? Que vamos ficar nas mãos do perigoso exército soviético? Que o Fidel nos vai invadir? Que nos vão obrigar a todos a andar com a boina do Che?

Bolas.

Acham que o Jerónimo, lá por dizer que vai apoiar um governo do PS, vai, a seguir, pegar fogo ao Parlamento e desatar a fazer plenários na Assembleia de República e sanear a Teresa Caeiro? E a Teresa Leal Coelho? Ou a Marilú?
(Olhem, pensando bem, até que isso não seria má ideia de todo...*).

Ou acham que a Catarina e a Mariana, depois de dizerem que o Costa conte com o apoio delas, vão, lá por isso, impor que o Montenegro se case com o Telmo Correia e que adoptem uma criança?

Será que é de parvoíces infantilóides dessas que esta gente medrosa tem tanto medo? Acharão, ó senhores, que o Jerónimo de Sousa e a Catarina Martins são pessoas menos honradas que o Passos Coelho ou o Portas? Será possível que 4 anos de fantochada não deram para perceber qual a natureza daqueles dois incompetentes que se entretiveram a desgovernar o País?



Ai, que isto me desconsola mesmo.

Raio de país atrasado, que não tira o pé da lama, que tem medo de tudo, que morde as canelas de quem quer dar um passo em frente. Caraças.


*  Lá em cima, ao falar em saneamentos, estou a brincar, claro. Gosto tanto delas todas, tão fofésimas, tão giras, tão simpáticas. Poderia lá eu ou alguém pensar em passar sem elas na AR? Of course que not.

.... 

Bem. Já chega de me fustigar com isto.

Vamos mas é dançar. Tempo de liberdade.

Freedom Ballet
(Para ver até ao fim porque é fantastique)


...

As esculturas de animais em arame são do português David Oliveira que tem 35 anos e cujos trabalhos descobri no Bored Panda.

.....

Relembro que, no post já aqui abaixo, há dissertação sobre isto do amor e da paixão, do desejo, do sexo, e da amizade. E dou a palavra a quem sabe do assunto para que a coisa não fique pelo bla-bla-bla da converseta levezinha que tanto abunda pelo espaço pipo-blogosférico.

...

[E, por conversa levezinha, deixem que vos convide a visitar-me no meu Ginjal onde hoje vou pela mão do Rui Caeiro e ao som dos coros da igreja ortodoxa russa que, vá lá eu saber porquê, me parece música telúrica, do mais inspirador que há].


terça-feira, dezembro 30, 2014

"Aí está outra coisa: a idade. Tanto como o nome, ainda menos que o nome, também a idade não deveria ter grande importância. Mas tem. Oh, se tem!", disse David Mourão-Ferreira. E pergunta uma Leitora: "As grandes coisas "materiais" têm importância com a idade?"


O post abaixo é dedicado ao humor e mete uma mulher audaciosa e um cavalo marinho - e mais não digo.

A seguir, se não se importam.

Aqui, agora a conversa é outra. A Leitora Rosa Pinto perguntou se as grandes coisas 'materiais' são importantes com a idade.

Mas - uma vez mais o sugiro - vamos com música: Anna Prohaska interpretando Song to the moon de Dvořák, com Eric Schneider no piano. Um som quase divino.








A pergunta, da forma como é feita, é relativamente abrangente e permite-me, à laia de introdução, falar sobre a importância da idade em sentido lato.

Para começar, direi que, seja qual for a perspectiva, a idade importa mas, em minha opinião, não necessariamente no mau sentido. 

É claro que à medida que a idade avança, o corpo vai perdendo resistência e a flexibilidade, a pele vai perdendo a luminosidade, o cabelo vai perdendo a vitalidade. 




Mas em tudo isso pode ser vista beleza, a beleza de um corpo que se vai transformando, assimilando o tempo que passa.

Claro que há também, de vez em quando, o desconforto das articulações que perdem a lubrificação ideal, dores que surgem e custam a passar. Mas, para isso, há tratamentos e, aos poucos, o corpo também se vai habituando a conviver com essa nova realidade. E há a flacidez que não se cura com comprimidos mas que apenas significará decadência se a mente se sentir decadente.

E no amor?

No amor a idade traz maior exigência mas, por outro lado, maior tolerância. 




À medida que se vai conhecendo mais e melhor a vida, vai-se sendo capaz de relevar o que é insignificante e passageiro e vai-se percebendo que não se deve esperar por algo que, de tão perfeito, pode não existir, ou que não se deve contrariar a natureza e que, se o corpo pede uma coisa, deve-se satisfazê-lo sob risco de a oportunidade passar. Da mesma forma, há uma urgência que advém do contador que vai avançando e que impede que se continue a tolerar o que é intolerável.

E no sexo?

No sexo a idade traz um tempo, uma disponibilidade que antes havia em menor quantidade e qualidade e traz um maior conhecimento dos corpos, do próprio e do outro, e uma maior capacidade de entrega e partilha.

E nas grandes coisas materiais, como explicitamente a Leitora refere? 
Por exemplo (digo eu), conhecer grandes hotéis, frequentar os mais caros e luxuosos restaurantes, fazer grandes viagens e consumir sem limites, adquirir roupas de marca custem o que custarem, ter casas requintadamente decoradas com peças assustadoramente valiosas?
Penso que, à medida que a idade avança, tudo isso vai perdendo relevância. Claro que há aqueles para quem a vida apenas faz sentido em função do que conseguem possuir ou experiências exóticas e dispendiosas que conseguem averbar no curriculum - mas com esses eu não me identifico, pelo que por eles não falarei. 




De facto, a mim, isso pouco me diz e cada vez menos. Cada vez aspiro mais à simplicidade, ao valor intrínseco do que é genuíno - ou porque seja puramente natural ou porque resulte do trabalho amoroso de alguém. 

Fiz estas fotografias in heaven durante este fim de semana. O sentimento de deslumbramento que tenho
perante a perfeição de uma pequena flor que desponta no junquilho, 
ou perante os bocados do tronco do meu grande pinheiro que tombou num dia de vendaval e cuja memória preservo, contemplando a beleza da rugosidade que os cobre, 
ou perante a sumptuosidade efémera da flor do aloe vera 
ou, ainda, perante as cores suaves da rocha, entre o azul e o dourado, que se tornam ainda mais belas quando entrevistas numa tarde fria junto aos braços de um pinheiro que dança ao sabor de um vento vagaroso 
é um sentimento imenso, que me empolga, que me fascina. 

Fico perante as cores da rocha num estado de encantamento muito puro e inocente que não se compara ao prazer mundano de frequentar um bom hotel, toco a macieza da sua superfície humedecida e é-me bem mais agradável do que sentir uma cara caxemira, debruço-me e quase venero a perfeição quase intangível da pequena flor como não veneraria uma dispendiosa peça de joalharia.


D & G - 2015


Mas, dito isto, tenho que reconhecer que também não me é indiferente um confortável quarto de hotel com uma bela vista, uma obra de arte que me provoque ou um livro bem encadernado e ilustrado, uma peça de vestuário principescamente costurada - essas grandes coisas materiais.


D & G - 2015


Mas isso é uma coisa e outra é gastar fortunas ou decidir o que gosto ou não gosto em função de modas, de marcas, de prestígios exibicionistas.
[Por exemplo, alguns dos quadros que tenho aqui na sala onde agora estou, e dos que mais gosto, adquiri-os por poucos euros num pintor que vendia a sua arte na rua, mais concretamente na Plaza Mayor em Madrid.]
Importante é a alegria, o gosto pela vida, os afectos, os sorrisos, a beleza das palavras, o apelo de toda a arte, o desafio infinito do conhecimento, o conforto maternal que vem da natureza - e essa importância vai crescendo à medida que a idade nos vai dando a faculdade de melhor abrir o coração e a mente. E as mãos.

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A propósito de tudo isto e da beleza da idade e da importância das grandes coisas imateriais, deixem que vos mostre o vídeo com o novo anúncio Dolce & Gabbana (Verão 2015) - a sensualidade mediterrânica, o convívio entre os dois sexos, entre as várias idades (as mulheres de idade são maravilhosas), as influências de Espanha e Itália misturadas e em festa, tudo é magnífico.





E viva a vida, em qualquer idade!

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E, se é para glorificar coisas que verdadeiramente importam nesta vida, como a beleza e a partilha, e rir e mandar os preconceitos às urtigas, pois então que entre o Freedom Ballet: esta é uma das formas de honrar a beleza imaterial do movimento e da liberdade dos corpos

6&7





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E se é para deixar que as palavras nos levem no seu voo imaterial, que se chegue a nós o Pedro Lamares e diga "Metade" (Oswaldo Montenegro)

E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também





...   ...

E se é para ajoelharmos perante a beleza imaterial de seres que, de tão belos e intemporais, quase poderiam ser delicados anjos, pois que dancem para nós as medusas Água-viva-juba-de-leão, Cyanea capillata, a Urtiga preta do Mar, Chrysaora achlyos, a Medusa da Lua, Aurelia aurita e a Provocação do Mar, Chrysaora fuscescens. 


No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores


(in O fundo do mar de Sophia)




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Nunca quando eu era menina e jovem mulher pude deleitar-me tanto com a infinita vastidão da beleza que está agora ao meu alcance e com a qual antes mal conseguiria sequer sonhar. Menina deslumbrada perante a imensa beleza que me cerca sou eu agora.

Elegantes medusas, sublimes cantos, poemas, danças, sorrisos, palavras que chegam vindas não se sabe de onde, essas sim são as verdadeiras coisas que materialmente importam - e isso sei-o agora, agora que a idade vem deixando as suas marcas de beleza no meu corpo.

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Relembro: a divertida história da mulher que queria porque queria um cavalo marinho é já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.

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sexta-feira, janeiro 03, 2014

Libertar o corpo para libertar o espírito


Depois de, no post abaixo, ter mostrado a minha perplexidade perante a recalibrada reacção do Governo à decisão de inconstitucionalidade do diploma da convergência das pensões, recalibragem essa que deixou toda a gente boquiaberta e revoltada (a começar por alguns membros do próprio PSD e do CDS), quero descontrair. Por favor. Estamos a começar o ano. Give peace a chance, ainda ontem aqui o pedi.

Podemos ser deixados um pouco descansados, sem afrontas, sem ameaças?

Podemos simplesmente ser pessoas normais, descontraídas, sem medos a pairar sobre as nossas cabeças?


Vamos dançar. Só isso, dançar. Em liberdade de corpo e espírito.




*

PS: Pena que o Pedro Mexia esteja a suspender o seu Malparado

Tomara que o intervalo seja breve.


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terça-feira, dezembro 31, 2013

Um feliz 2014 para todos! (Votos à maneira do Um Jeito Manso, isto é, com filmes, músicas, danças e palavras dentro).


Para todos os Leitores de Um Jeito Manso os meus votos de um 2014 muito bom.
Que ele seja melhor do que se espera.
Que venha com surpresas nos dias, com esperanças no futuro, com sonhos por descobrir.

Se houver lutas a travar, pois que se travem.

Se houver caminhos por desvendar, pois que se desvendem.

A vida que nos calhou em sorte é uma, única. Não a desperdicemos.

O País em que nascemos e a que chamamos nosso é este, não o deixemos destruir.

Nossos serão todos os caminhos - mas apenas se o quisermos. Queiramo-lo, então.

Levantemo-nos. Vivamos. Aprendamos os percursos da felicidade.
Se não for isso que nos move, então que mais o será?

A todos: muita saúde, muito amor, muito ânimo, muita alegria, muita persistência, muita solidariedade, muita generosidade.
E muita sorte.

Um feliz 2014 a todos!

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E que comece a festa.



Sabedoria, José Régio, dita por Margarida Mestre

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1900 de Bernardo Bertolucci

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Braveheart de Mel Gibson - O discurso de liberdade

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Ana Maria Pinto canta Acordai de Fernando Lopes Graça

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E que viva a liberdade e a alegria
Os Freedmon Ballet interpretam na rua o tango Hernando's Hideaway (Castanets)

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Mayra Andrade interpreta Traz outro amigo também 
- a intemporalidade de José Afonso percorrendo vastos horizontes.

Todos os amigos nunca serão demais.
Venham.

Vamos construir um maravilhoso Ano Novo.


***

E a todos agradeço os Votos que me deixaram aqui ou por mail. Mil vezes obrigada.

E outra vez: que 2014 seja, para vós, um ano muito bom!