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quinta-feira, julho 16, 2026

A vida no palácio

 

Tinha pensado escrever mais um post sobre o tema dos exames mas, à última hora, resolvi que não. Sempre tive um problema na minha vida: parece que antecipo os problemas. Ainda eles não aconteceram e já eu estou capaz de dizer, tim-tim por tim-tim, o que vai acontecer. Pode até parecer que estou a agoirar, mas não é, quero apenas tentar que se evite que aconteçam. Mas as pessoas reagem mal, acham que estou a preocupar-me á toa, dizem que há que dar o benefício da dúvida, que pode ser que as coisas corram bem. Mas eu, quando tal acontece, sei que não podem correr bem. Nunca engracei especialmente com grafos mas, caraças, parece que a mecância ficou gravada na minha cabeça. Dou por mim, a percorrer os caminhos críticos, a detectar os caminhos que são dead ends, a ver o que devia estar a ser feito em paralelo, a antecipar a barracada por estar a fazer em série coisas que, com toda a probabilidade, vão dar bode e empancar todo o processo. Mas como verbalizar isto? Não dá. 

Se me dissessem 'vamos digitalizar os exames' eu adoraria fazê-lo e, acto contínuo, começaria a delinear todo o processo. E, de caras, vos digo: seria um processo limpinho, económico, sem falhas. Se em contrapartida me aparecesse um bando de anhucas a propor implementar o processo que está em curso eu mandá-los-ia ir dar banho ao cão e nunca mais perdia um minuto da minha vida a ouvi-los. O que está em curso não é uma modernização, não é uma transformação (no bom sentido): é um aborto. Com todas as letras: um aborto. Mais um dos abortos em que o Governo de Montenegro se especializou. Um aborto. Não tem ponta por onde se lhe pegue. Não é moderno, não é eficiente, não é racional, não é económico, não é coisa nenhuma. É um aborto.

Não preciso de vir a ter conhecimento concreto sobre o que vai passar-se nos próximos dias: já o sei.

E tudo o que ouço ao Fanã Alex, ao Luís, ao Hugo, ou a qualquer desses cromos (incluindo a intragável Ana Paula) só prova que é gente que não sabe o que anda a fazer, gente incompetente e irresponsável.

Já aqui falei disso muitas vezes: um colega e amigo dizia-me muitas vezes: 'ter razão antes de tempo, em termos práticos, é o mesmo que não ter razão'. Por isso, não vou estar para aqui a enumerar as burrices imperdoáveis que toda esta gente anda a cometer. Na sexta-feira ao fim do dia falamos. Se estiver enganada, e muito gostaria de estar, será bom para os alunos e para as famílias e, até pelos meus dois netos que estão envolvidos nesta cegada, eu gostaria que tudo corresse bem.

Mas, portanto, em vez de falar nisto, opto por partilhar um vídeo que é, todo ele, um documento: as relações de poder, de chantagem implícita, a bajulação, a anulação da personalidade, e, ao mesmo tempo, a capacidade de tirar proveito de uma situação que tem a anulação implícita, são um roteiro do que se passa nos corredores do poder da Casa Branca. Não sei se é só na Casa Branca ou se é também em Downing Steet, no Eliseu, em S. Bento -- não sei. Mas é interessante perceber como funcionam as 'fontes', como a informação é veiculada.

Lindsey Graham morreu. O amigo indefectível de Trump morreu. Homofóbico, defensor da perseguição aos gays era, contudo, um gay. Toda a gente sabia disso, inúmeras histórias circulavam, e, no entanto, ele manteve-se até ao fim no armário. E Trump sabia disso. E, portanto, tinha-o na mão. Mais do que um grande amigo e um asqueroso puxa-saco de Trump, Lindsey Graham tinha medo dele.

O vídeo fala disto e de muito mais e é, como sempre, muito interessante. Mais do que tentar encontrar motivações ou estratégias políticas na actuação de Trump, talvez seja mais útil perceber como funciona a cabeça destrambelhada do doido varrido e quais as dinâmicas dos ridículos personagens que por ali gravitam.

Este é o motivo obscuro pelo qual Trump aterrorizou Graham | 

Dentro da mente de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles investigam as consequências políticas da morte súbita de Lindsey Graham, revelando o que Trump realmente pensava por detrás das suas homenagens públicas, como são elaboradas as publicações do Truth Social dentro do seu círculo íntimo e porque é que a complexa relação de Graham com o presidente era motivada tanto pelo medo e influência como pela lealdade. Analisam também as crescentes especulações em torno da saúde de Mitch McConnell, o conflito cada vez mais inescapável de Trump no Médio Oriente, apesar da sua promessa de evitar guerras intermináveis, e porque é que Michael acredita que o presidente está preso à sua própria incapacidade de mudar de rumo. Por fim, voltam-se para uma força inesperada que está a remodelar o Partido Democrata, argumentando que Bernie Sanders pode ter tido um impacto muito maior na política norte-americana do que até os seus críticos estão dispostos a admitir.

domingo, junho 28, 2026

Quem é a loura que deixa bilhetinhos de amor a Trump e que é conhecida por 'impressora humana'?
E outras coisas minhas, sem relevância nacional... :)

 

O meu dia foi complicado, com um contratempo muito grande, um transtorno inesperado, implicando total mudança de planos. Mas, se é verdade que fiquei bastante aborrecida, a verdade é que, no meio das chatices, me ocorreram, várias vezes, pensamentos do tipo: 'ainda foi sorte ter acontecido ali', ou 'poderia ter sido pior'. Provavelmente isto confirma mesmo que sou uma pessoa optimista. Tenho ideia que, perante uma chatice das grandes, dantes havia quem dissesse: 'se tivesses partido uma perna teria sido pior'. Se calhar sou dessas. 

E apesar de ainda não conseguir ter o panorama completo das consequências, o que me apraz dizer é que, apesar de tudo, ou melhor, descontando o que de chato aconteceu, o dia acabou bem, estive bem acompanhada, o saldo foi positivo. E, no fim de contas, não é isso que interessa?

Posso ainda contar que, quando estava, em carro alheio, de volta a casa, ouvi que estavam a chegar várias mensagens. Espreitei o telemóvel e era o mais velho a enviar um vídeo para a família, mostrando que tinha cumprido a promessa resultante da aposta. Quando foi a Taça e o Sporting ia jogar com o Torreense (acho que foi o Torreense, não foi?), um dos primos benfiquistas lançou o desafio aos primos sportinguistas: se confiavam que o Sporting ia ganhar, podiam apostar rapar o cabelo, caso perdesse. E apostaram. Têm ambos belos caracóis que, segundo eles, as meninas adoram. E eles, que fizeram cortes elaborados com nomes fantásticos (cortes creio que inspirados nos jogadores de futebol), têm também grande orgulho no efeito que causam no sector feminino. Pois bem, no vídeo, mostrava-se rapado, rapado, rapado. Lindo. Parece outro. Um homem.

Noutro vídeo o primo benfiquista elogiava-o, dizia-lhe que ele tinha sido um homem, tinha cumprido a promessa. Num outro vídeo, já dizia que também ele raparia o seu. E a tia e a mãe diziam que o garboso 'rapado' estava muito bonito.  E está. 

Vamos ver se o mano mais novo também rapa o seu. Fez quinze anos e faz um sucesso entre as meninas que nos surpreende e dá vontade de rir. A minha filha conta peripécias que nos deixam divertidas e desconcertadas. E eu já testemunhei. Estávamos com ele numa loja e vimos uns rapazes e raparigas a olharem para ele, as miúdas com ar embevecido. Diziam o nome dele e falavam que ele jogava no clube onde joga. O meu marido até disse que pareciam que lhe iam pedir autógrafo. A semana passada, ao ver uma fotografia de grupo, os rapazes de fato e gravata, as meninas de vestido comprido, e ao perguntar qual o par dele no baile de finalistas (do 9º ano...), fartei-me de rir com as observações dele. Fiquei a perceber que há várias que gostam dele. Meio desconjuntado, de poucas palavras, todo mais para a acção do que para a conversa, parece, no entanto, que tem mel. No outro dia vi-o a ensinar o primo como é que se fazia para proporcionar a ocasião para beijar uma rapariga. Fartei-me de rir. De facto, leva jeito. Tem o seu quê de descarado. Como é bem educado e muito divertido, fica ali um mix interessante, cai no goto delas. Mas, no que se refere à aposta, diz que elas gostam de lhe mexer nos caracóis e, portanto, não os quer cortar.

Enfim.

Adiante que se faz tarde. 

Enquanto escrevo, Portugal ainda não conseguiu marcar nenhum golo e isso deve deixar decepcionados os milhares de adeptos que se juntaram um pouco por todo o lado. Não consigo prestar atenção, distraio-me. Mais para a frente, aqui estarei a torcer. Agora é apenas música de fundo.

E, entretanto, estive a ver o vídeo que abaixo partilho que é todo ele um desfiar de tesourinhos deprimentes. O mundo de Trump é um mundo doido, tresloucado, distópico, habitado por personagens que nem sei se são sinistras, se são de comédia, se é tudo um ninho de malucos, se é isso tudo ao mesmo tempo.

Os casos, as peripécias, as contradições, os disparates, os escândalos -- tudo se sucede a um ritmo desvairado. 

Desta vez, no meio de mil maluquices, fiquei a saber exactamente porque se fala tanto de uma tal Natalie Harp. E é do além. Nem sei que diga, nem sei que pense. É de loucos. 

Uma fulana, ex apresentadora da Fox, uma loura quase igual a todas as outras louras que por ali andam, com um poder incrível, que lhe leva notícias (só as boas), que lhe prepara informação (favorável), que lhe imprime as coisas porque ele gosta de ler em papel (o pouco que lê, claro, porque, na verdade, não lê nada), que lhe deixa bilhetinhos de amor, que mostra uma adoração patológica por ele, que frequenta os seus espaços mais privados, que tem acesso a informação confidencial, que vai com ele para todo o lado. Diz Michael Wolff que tudo o que ela lhe deixa escrito é para lhe mostrar que quer ir com ele para a cama. E isto diz muito da saúde mental dela. 

Ah, é verdade, suspeita-se que terá sido Natalie Harp que fez o vídeo dos Obamas como macacos ou o de Trump como Jesus. E, volto a dizer, se foi, o que dizer da sua saúde mental...?

Poderia ser uma série televisiva, cheia de personagens exageradas demais, destrambelhadas demais. Mas é a realidade. A que ponto o mundo chegou. Não dá para acreditar.

No outro dia vi um vídeo em que a neta de Trump, uma adolescente, andava pela Casa Branca com uma amiga, a filmar as salas, a sentar-se na cadeira do avô, a mostrar os telefones e os botões encarnados, a rir, toda eufórica de por ali andar, como se andasse na sua própria casa.

Tudo doido.

Mas nada como Joanna Coles e Michael Wolff para passarem a pente fino as mais recentes maluquices de Trump.

Porque é que o círculo íntimo de Trump teme a sua companheira loira de 34 anos | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles analisam mais uma semana extraordinária na presidência de Donald Trump, desde uma importante vitória no Supremo Tribunal que pode expandir drasticamente o poder presidencial até à linha cada vez mais ténue entre a Igreja e o Estado, as consequências políticas do frágil cessar-fogo com o Irão e porque é que Trump pode, mais uma vez, escapar às consequências de um revés na política externa. Investigam também o mistério em torno de Natalie Harp, a dedicada "impressora humana" de Trump, à medida que novas reportagens corroboram as revelações inicialmente exploradas por Wolff; examinam por que razão o New York Times só agora está a aceitar a ideia de que Trump governa por obsessão em vez de estratégia; debatem a mais recente fixação de Trump com o espelho de água do Lincoln Memorial; e revelam os estranhos cálculos políticos por detrás das comparações de J.D. Vance com Nixon.

Desejo-vos um belo dia de domingo

domingo, abril 26, 2026

Estará a ameaçar o marido? Ou apenas a monetizar o cargo de 'mulher de'?

 

Num certo sentido, talvez um sentido até prevalecente, estou-me bem nas tintas para isto. Tudo personagens que, na minha óptica, são de opereta, bufões, gente desclassificada, ignorantes até à medula, gente estúpida que vinga à conta de outros ainda mais estúpidos que eles. Por isso, para falar a verdade, o que sinto por esta gente é desprezo. O mais profundo desprezo.

Contudo, não posso ignorar que esta gente que, de certa forma, protagoniza o que de mais horrível tem o capitalismo sem ética, o liberalismo de braço dado com populismo, conseguiram chegar a uma posição em que têm uma influência no mundo inteiro.

E se o narcisista maligno, um estupor que já foi condenado não sei quantas vezes, um burlão, um burro que já levou várias vezes as empresas à falência, conseguiu convencer milhões de americanos a votar nele depois de já ter demonstrado à saciedade o que é, como é e o que iria ainda fazer, já da mulher não se sabe bem o que dizer. As notícias têm traçado o seu roteiro desde que chegou aos Estados Unidos, como modelo pouco conhecida, passando pelos meios em que estas elites do dinheiro fácil assente em ética nula se divertiam uns com os outros e com jovens de tenra idade à mistura, até que começou a acompanhar Trump e até que, finalmente, acabou casada com ele. Isto quando, quem os conhece, jura que vivem separados e que ela o odeia. Aliás, dizem que, desde há algum tempo, ele já está na fase pós-sexo, já só vai para a cama com hamburgueres.

Acontece que a insólita conferência de imprensa de Melania, que apanhou todos de surpresa, incluindo a Casa Branca em peso, Trump incluído (passe a redundância), negando evidências e apelando a algo que o marido tem feito tudo para impedir, veio colocar ainda mais os holofotes sobre a bizarra relação entre ambos. E, ao tentarem decifrar o que é que ela tencionou fazer com aquilo, há uma teoria que parece ganhar pontos: a de que ela foi ali ameaçar o marido.

Há quem diga que ela o tem na mão, que ela sabe demais e que pode, se achar necessário, tirar-lhe o tapete a qualquer momento. Um mina que pode rebentar quando menos se esperar. Ou seja, uma ameaça, e, dadas as funções dele, uma ameaça não apenas para ele, como, até, uma ameaça para a segurança nacional. Ou seja, há quem alegue, que, se calhar, a ideia da inesperada e incompreensível conferência de imprensa, foi um aviso que não deve ser menosprezado.

Mas há também quem diga que, para além disso, supostamente estará agora a querer preparar o seu futuro para o day after, para quando ele se for, ou desta para melhor ou, simplesmente, quando for corrido. Ou seja, não apenas não quererá ver-se metida em sarilhos por causa dele, os problemas de eventuais maus comportamentos são dele e não meus, como quer ganhar dinheiro à custa de ser quem é, uma mulher bonita, elegante, famosa.

Acontece que ela própria está a ser apertada não apenas por Michael Wolff que talvez consiga sentá-la no tribunal, levando-a a testemunhar sob juramento e a ter que revelar muito do que nem ela nem o marido querem que se saiba, como pela ex-amiga Amanda Ungaro, que tem estado a colocar a boca no trombone e ameaça divulgar muitos esqueletos que Melania quer fechados a sete chaves. Ora uma mulher contrariada, agastada, agoniada e a sentir-se acossada pode tornar-se deveras perigosa.

Mas vá lá saber-se. 

Agora uma coisa é certa: estando o palhaço cor-de-laranja debaixo de fogo internacional por causa da estúpida guerra que está a lançar o caos nos mercados, nomeadamente, no mercado dos combustíveis, derivados e consequentes, encurralado pelos iranianos de um lado e pelos israelitas de outro, sem saber como sair da armadilha em que caiu, e debaixo de fogo interno pela situação da saúde, dos imigrantes, da não criação de emprego, da inflação, da perda de apoio de parte da sua base de apoio, apertado pelos testículos se calhar por muita gente (pelos israelitas? pelos russos? por ela, Melania?), alguma coisa me diz que, um dia destes, algum contratempo, algum estoiro, o retirará do poder antes do fim do seu mandato.

Não tardará o tempo em que começarão a aparecer, como cogumelos, documentários e filmes de todos os géneros sobre este período sinistro (e que, apesar de trágico, tem um lado muito cómico): os personagens, aos olhos de quem não tenha assistido, ao vivo, a este período, parecerão improváveis, implausíveis, demasiado caricaturais: Trump, ordinário, desbocado, boçal, ignorante, cruel, mais a sua galeria de filhos esquisitos, mais as suas mulheres (uma das quais enterrada num dos seus campos de golf para ele pagar menos impostos), a sua guia espiritual, uma farsante que é de gargalhada, os seus médicos que parecem ter saídos de um manicómio, os seus 'amigos' - tudo gente do mais freak que há.

Mas ninguém melhor que Joanna Coles e Michael Wolff para discutirem sobre o assunto. Convido-vos a assistirem a mais uma gostosa cavaqueira.

Eu sei como Melania ameaça Trump: Wolff | Por dentro da mente de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles revelam os bastidores do relacionamento mais enigmático da política americana, dissecando o estranho e transacional casamento entre Donald e Melania Trump e o que isso pode significar para a sua presidência à medida que a pressão aumenta de todos os lados.

Desde a sua ausência física da Casa Branca e a sua suposta vida separada em Nova Iorque até ao esforço calculado para construir a sua própria marca multimilionária, os autores traçam como Melania poderá estar a redefinir silenciosamente o papel de Primeira-Dama, ao mesmo tempo que se distancia dos escândalos do marido — incluindo a sombra persistente de Jeffrey Epstein.

À medida que Wolff revela detalhes do seu processo explosivo e a possibilidade de forçar um depoimento sob juramento, surge uma questão mais volátil: se a própria Melania se tornou um passivo político, ou até mesmo uma ameaça potencial, detendo uma influência que poderia abalar os alicerces da imagem cuidadosamente construída de Trump e expor verdades que os seus aliados prefeririam manter enterradas. 


Desejo-vos um feliz dia de domingo

quinta-feira, abril 09, 2026

Sobre o que o estúpido que tem a memória e a cor de um peixe dourado e a sua turma de estúpidos andam por aí a fazer

 

Não há qualquer racional em nada do que se passa. Qualquer. Bola. Zero.

Durante uns tempos, nas empresas, estava na moda o 'racional'. Qual é o racional? Era a pergunta que se fazia. Não havia apresentação que não se estruturasse em torno do racional. Claro que, só por ser moda, já eu fugia a sete pés de usar a expressão. 

Mas agora, ao ver o desconchavo permanente, só me apetece dizer que aquilo a que se assiste é a coisa mais irracional a que já alguma vez se assistiu. Por muitas perspectivas pelas quais se olhe, não há qualquer racional.

Um fulano que nunca foi bom da cabeça e que agora, em cima do fraco intelecto e da distorção de personalidade, está demente ser o presidente dos Estados Unidos é daquelas coisas que, se fosse ficção, seria delirante.

Mas é verdade. Não é ficção. 

E tão perturbante como ver a democracia a ser destruída naquele país e o mundo a ser sugado por um buraco negro é ver como ainda há anormais, tão ou mais estúpidos que ele, que, por lá, por cá e por onde calha, continuam a apoiá-lo. E os que não o apoiam, republicanos não MAGA, mas que não mexem uma palha, por cobardia ou receio de perderem o poder, são igualmente deploráveis. Hoje vi que agora até ameaçaram o Papa. Como o Papa o tem criticado, estão furiosos e, como sempre, não param para pensar- Mas ameaçar o Papa? Onde é que já vamos? É que tantas fazem que já nem dá para acreditar. 

Esta história do cessar fogo que não é cessar fogo coisa nenhuma, é um arremedo de coisa em forma de assim, um conjunto de medidas que o Irão impôs e que o palhaço cor de laranja aceitou -- certamente sem sequer saber o que estava a aceitar, deserto que estava por sair da saia justa em que a sua cabeça desgovernada o tinha metido -- é mais um episódio da fantochada circense que aqui está armada. É que ainda poderia parecer que aquilo era uma coisa assim a modos que mais ou menos. Isto se nos abstrairmos do curioso facto de agora ser o agredido a mostrar que é quem manda, e o agressor, feito caniche que já só quer é ver se consegue abocanhar algum bocado de osso, por exemplo uma percentagem das portagens no estreito de Ormuz, a andar a toque de caixa. Foi à monda e saiu mondado. O pior é o criminoso Netanyahu, que vive de espalhar sangue e que se alimenta do pó da destruição, que não consegue parar de atirar mísseis. Não sei de onde lhe vem tanto dinheiro para tanto material de guerra nem sei como consegue manter-se incólume no meio da desgraça que tem trazido àqueles territórios -- mas isso são outros quinhentos, como sói dizer-se. Mas, portanto, enquanto uns quererem fazer crer que se deu um belo passo a caminho não se sabe bem de quê, está aquele assassino a mostrar que se está bem a marimbar para tudo o que não seja escaqueirar tudo à sua volta a ver se abocanha mais um bocado de terra. Um gémeo separado à nascença de Putin.

Mais uma vez, onde ouço as análises mais interessantes para o caos e para o bailinho que está globalmente armado é nas conversas entre Joanna Coles e o muito bem informado Michael Wolff. Esta conversa foi gravada na terça feira antes de Trump ter, de novo, e neste caso ainda bem, demonstrado que TACO. Mas toda a conversa é actual e muito reveladora de como tudo aquilo funciona.

O que é mais em cima do acontecimento e igualmente imperdível é a reacção de Jimmy Kimmel, gravada já depois de Trump ter enfiado o rabo entre as pernas (vamos ver por quanto tempo, que aquilo ali, bicho maluco, cruel e desencabrestado, nunca será de fiar). Divertido, certeiro, implacável, assim é sempre Jimmy Kimmel. Não admira que Trump o odeie. Mas com as raivinhas de Trump pode ele bem. Começo por partilhar a sua intervenção sobre o Dia-D de Trump, D de Demência, claro.

Trump acobarda-se (chickens out) depois de ameaçar toda uma civilização com a morte, e até os lunáticos o acham louco.

Hoje foi o prazo final dado por Trump para o Irão abrir o Estreito de Ormuz ou ser bombardeado. Publicou esta manhã que, se não concordassem, "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta". Felizmente, era terça-feira de tacos e ele decidiu não abandonar a chalupa durante pelo menos mais duas semanas. Ninguém parece fazer ideia de qual é o plano dele. Alguns membros proeminentes da comunidade de lunáticos estão a pedir a sua remoção através da 25ª Emenda. Lindsey Graham participou no programa de Hannity para dar o seu total apoio à guerra. Bill Gates e Howard Lutnick foram intimados a depor perante a Comissão de Supervisão da Câmara sobre Epstein. O Procurador-Geral interino, Todd Blanche, falou sobre se gostaria ou não do cargo a tempo inteiro. Trump falou com a tripulação da Artemis II e o congressista Tim Burchett disse ao TMZ que viu provas de vida extraterrestre. E JD Vance tem aprimorado as suas capacidades de oratória e comédia!

E agora o Daily Beast, a impagável dupla Joanna Coles e Michael Wolff, Dentro da Cabeça de Trump

O verdadeiro motivo pelo qual Trump nunca irá recuperar: Wolff | InsideTrump's Head

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles enquanto Donald Trump intensifica o seu bluff mais perigoso até à data, ameaçando a destruição a uma escala nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial, encurralado por uma guerra que prometeu nunca iniciar. As ameaças tornam-se mais elevadas à medida que as opções diminuem: o Irão aperta o cerco ao estreito de Ormuz, a instabilidade global do petróleo aumenta e o presidente do "não às guerras intermináveis" vê-se preso na guerra que ele próprio iniciou. Wolff defende que o caos é agravado por um círculo cada vez mais reduzido de apoiantes leais, desprovidos de poder de decisão, um nervoso JD Vance a estar discretamente posicionado para absorver a culpa e um mundo pró-Trump já a preparar-se para as consequências políticas. Wolff sugere que este é provavelmente o início do seu fim: um presidente que intensifica as ameaças porque está encurralado e uma base dividida a clamar por rebelião.
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E, se vos apetecer desanuviar, aconselho-vos a descer um pouco mais. 
Quando duas mulheres inteligentes se põem à conversa o melhor a fazer é ficar a ouvir

terça-feira, março 31, 2026

Todos os dias uma novidade... e cada uma mais maluca que a anterior...

 

Não estou obcecada, estou é preocupada. Os preços a dispararem, e não se sabe até que níveis, e não se sabe se não vai haver mesmo escassez, os juros a subirem, muita gente com a corda na garganta... e sem perspectivas de até quando e sem se conseguir antever o nível de gravidade que tudo isto pode atingir.

Não me parece razoável que alguém se mantenha alheado do que está a passar-se.

Imagine-se que os jovens que Trump quer enviar não se percebe para quê, se para ocupar a ilha de Kharg se para lá ir roubar petróleo (e qualquer das situações se traduzirá numa matança), são da nossa família, os nossos filhos, os nossos netos. Gostaríamos que, à nossa volta, as pessoas se mantivessem indiferentes? 

E o grave não serão apenas os mortos: será a violência dos ataques seguintes e as consequências cada vez mais brutais.

E isto seria mau se fosse o plano de um estratega, de um imperialista racional. Agora imagine-se o que é isto nas mãos de um maluco que devia estar internado.

Hoje soube que os briefings diários de Trump, levados a cabo pelos militares constam de vídeos de cerca de dois minutos em que, basicamente, se vêm coisas a irem pelos ares.

E ele, ao ver aquela 'fúria épica', delira e fica furioso por a comunicação social não se fazer eco de tantos feitos.

Hoje também ouvi um editor do Finantial Times falou com ele ao telefone e que ele lhe perguntou se devia invadir a ilha ou ficar-lhes com o petróleo. O jornalista disse que não lhe competia a ele dizer mas que achava que não ia ser fácil, ao que Trump respondeu que não, que ia ser fácil. Assim, toma aquele maluca as decisões.

Uma loucura.

As autoridades norte-americanas dizem que Trump recebe informações sobre a guerra com o Irão através de montagens de vídeos de ataques

Três responsáveis ​​norte-americanos em funções e um antigo funcionário afirmam que as Forças Armadas dos EUA compilam montagens de vídeo de ataques a alvos iranianos para apresentar ao presidente Donald Trump. Courtney Kube, da NBC News, relata como estes vídeos preocupam alguns aliados de Trump, que temem que este não esteja a receber uma visão completa da operação.

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Trump admite secretamente que seu principal capanga 'é louco' | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles exploram um período caótico em que os impulsos de Donald Trump colidem com consequências globais, revelando um presidente movido menos por estratégia e mais por instinto, ego e controle da narrativa. Desde contradizer abertamente sua própria posição sobre o voto por correspondência até colocar seu nome na nota de dólar, Wolff e Coles identificam um padrão de comportamento que prioriza domínio e atenção em vez de consistência.

À medida que a guerra com o Irão entra em uma fase volátil sem um objetivo claro, Wolff argumenta que nunca houve um plano real — apenas improvisação que agora se transforma em risco — enquanto Coles investiga se existe uma lógica oculta nos bastidores ou apenas confusão disfarçada de bravata.

A conversa se aprofunda na dependência de Trump em contar histórias para sobreviver a danos políticos, sua fixação em ressentimentos com a aproximação das eleições de meio de mandato e as fissuras crescentes em seu círculo íntimo, desde a instabilidade de RFK Jr. até dúvidas crescentes sobre figuras-chave responsáveis por executar políticas.

sexta-feira, março 20, 2026

‘Cenário apocalíptico’ - refere o Guardian*.
Para o compreender, ouçamos o que Joanna Coles e Michael Wolff têm a dizer sobre o que se passa dentro da cabeça de Trump e ouçamos também o que Jon Kent e Tucker Carlson, duas pessoas que muito o apoiaram (e conhecem tudo o que se passa) têm a dizer sobre o assunto

 

Aquilo a que se assiste no Médio Oriente é de loucos. O que poderia temer-se que acontecesse, está a acontecer: um doido varrido ao leme dos Estados Unidos. O meu marido desta vez não anda tão pessimista como eu, acredita que ele vai perceber que tudo lhe pode correr mal demais e, ao mesmo tempo, fartar-se, e um dia destes decidir que se vêm embora do Irão pois, segundo apregoará, já não haverá lá mais nada para fazer: Já ganhei, já obliterei tudo de vez, sou o maior - dirá. Eu não tenho essa perspectiva pois receio que ele esteja demasiado na mão do criminoso Netanyahu e não seja tão simples assim dar de frosques. Além disso, mesmo que recue, já causou danos tão extensos e tão irreversíveis que as consequências económicas, políticas e sociais se farão sentir de forma muito impactante nos próximos tempos.

Acresce que ele não é apenas maluco. É também cruel, destituído de arrependimentos. As coisas de que já foi acusado, os casos conhecidos em que já esteve envolvido (e os casos de que talvez ainda nem saibamos) e as vinganças que exerce sobre as pessoas que lhe fazem frente ou que o fazem sentir encurralado são de fazer temer o pior. É destituído de autoconsciência e de princípios. E está maluco.

Tenho lido e ouvido vários testemunhos e várias opiniões. Aliás, os dissidentes da sua base de apoio começam a aparecer e a falar, ou melhor, a pôr a boca no trombone, e, à medida que se vão sabendo mais episódios, mais é de se ficar preocupado. É certo que em Novembro há as intercalares e, com certeza perdê-las-á (a menos que consiga impedir as eleições) -- mas daqui até Novembro é muito tempo e, ao ritmo a que ele inventa novas parvoíces, pode dar cabo do mundo de vez.

Uma das opiniões que gosto de escutar, porque me parece que faz sentido e porque as vejo corroboradas por acontecimentos posteriores, é a de Michael Wolff, quer nos seus vídeos curtos no Instagram quer no podcast Inside Trump's Head, no The Daily Beast, com a Joanna Coles. Diz ele que todas as decisões são tomadas por Trump sem ouvir conselheiros. Ou melhor, ouvindo apenas o que lhe interessa ouvir. Portanto, para compreender o que está a passar-se, o melhor é perceber como funciona a cabeça (disfuncional) dele. E eu concordo. 

E reparemos: no meio de uma guerra como esta, ele continua feliz e bem disposto, brinca com aviõezinhos na Sala Oval, diz inconveniências que são mais do que de mau gosto, mas que diz como se fossem piadas, à Primeira-Ministra do Japão, e, no reality show que são as sessões contínuas na Casa Branca, diz que vai tomar conta de Cuba, e diverte-se a pronunciar a palavra Cu-Bá, e a seguir já andam a fazer saber que vão divulgar documentos secretos sobre extraterrestres... ou seja, continua a ser a festa do costume, uma produção permanente de conteúdos. O que sai daquela cabeça não é nada pensado, sopesado, consistentes, avaliado à minúcia. Não. Nada disso. É o que lhe dá na gana sem se preocupar em ser coerente. 

Por isso, não será má ideia tentar perceber como funciona aquela cabeça preenchida por poucos e fracos miolos. O caos, a confusão, as traições, a influência desmedida do genro, Jared Kushner, a descoordenação que chega a ser ridícula, o nível de anedota é demais, parece impossível.  Note-se que a Joanna Coles volta e meia desata a rir e ele também... e eu também. Não será caso para rir mas, na realidade, é difícil levar a sério. O pior são os mortos, é a destruição e as consequências da porcaria que ele anda a fazer.

Abaixo dos dois vídeos entre eles, há uma outra conversa que é de nos deixar muito apreensivos. Jon Kent, ex muito apoiante de Trump, responsável pela Unidade de Contraterrorismo demitiu-se sonoramente, batendo com a porta, publicando uma carta e dando uma entrevista a Carlson Tucker, outro ex-fiel e ex-alto propagandista de Trump. E as revelações queimam: não apenas não havia motivos para atacar o Irão (o que já é mais que óbvio para toda a gente), não apenas andam a matar alguns dos iranianos que poderiam servir de ponte para uma negociação, como há meses que os israelitas andam a pressionar para atacar o Irão (aliás, há muitos anos, mas agora reportando-nos apenas ao 2º mandato de Trump), tendo sido afastados todos os conselheiros e especialistas em segurança que avisavam para não o fazer... e ainda outros assuntos aparentemente não relacionados como o assassinato de Charlie Kirk, ficando no ar a suspeita de que houve mão israelita (ou mais que isso?) porque Kirk andava a mijar fora do penico israelita, e que, sabe-se lá porquê, a investigação foi bloqueada. Isto dito pelo responsável pelo Contraterrorismo. Muita coisa é ali dita. A entrevista é longa mas vale a pena ouvi-la. Creio que vai lançar estilhaços em muitas direcções.

Mas, primeiro, a dupla Michael Wolff e Joanna Coles (já sabem: caso não consigam acompanhar bem o que eles dizem, podem activar a legendagem automática)

Eu sei porque é que a presidência de Trump está condenada ao fracasso: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles precisamente quando a demissão repentina de um alto funcionário antiterrorista devido à guerra no Irão expõe fissuras dentro da própria coligação de Trump. Com figuras do movimento MAGA a virarem-se contra o conflito, mesmo enquanto Trump insiste que está a "obliterar" a capacidade militar do Irão, Wolff explica a lógica direta que orienta o pensamento de Trump: se os generais disseram que a obliteração era possível, então a missão deve estar a funcionar — mesmo com a ameaça de disparar os preços do petróleo, o regime iraniano aparentemente mais entrincheirado e o presidente preso no clássico dilema de uma guerra que não pode vencer nem sair facilmente. Analisam também a estranha insistência de Trump de que um antigo presidente dos EUA elogiou em privado a sua estratégia para o Irão, as disputas silenciosas pelo poder entre Marco Rubio e J.D. Vance, a crescente influência de Jared Kushner na política do Médio Oriente e porque é que a próxima fase da presidência de Trump pode parecer familiar: a procura de alguém — qualquer um — para culpar.



A verdadeira razão pela qual Trump perdeu a cabeça com um aliado importante: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles mergulham no caos crescente dentro do universo de Trump, à medida que a guerra com o Irão expõe uma verdadeira guerra civil entre os apoiantes de Trump. Tucker Carlson, Megyn Kelly e Nick Fuentes confrontam-se com Ben Shapiro, Laura Loomer e Mark Levin numa disputa renhida sobre Israel, o anti-semitismo e o futuro do movimento. Wolff revela informações chocantes dos bastidores sobre as correntes conspirativas que impulsionam a base de Trump, a crescente crença de que forças obscuras estão a dirigir a política externa dos EUA e como figuras como Jared Kushner estão a ser reinterpretadas em narrativas sombrias e perigosas. Enquanto Trump se atrapalha num conflito que nunca planeou, marginalizando os seus próprios aliados do "America First" e abraçando os falcões tradicionais, o episódio retrata um movimento a fragmentar-se em tempo real — onde a ideologia, o oportunismo e o ressentimento colidem, e onde a batalha pelo controlo do MAGA pode remodelar a política norte-americana de formas que poucos previram.

E agora, os dois ex-grandes apoiantes de Trump que agora estão em acelerada divergência, sobretudo revoltados com a total e dominante influência de Israel:

Joe Kent revela tudo na sua primeira entrevista desde que se demitiu do cargo de diretor de contraterrorismo de Trump -- com Tucker Carlson

Joe Kent é antigo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo e principal conselheiro do presidente para assuntos terroristas. Serviu durante 20 anos no Exército dos EUA, com 11 missões de combate a combater redes terroristas no 75º Regimento de Rangers, nas Forças Especiais do Exército e no Comando de Operações Especiais do Exército dos EUA, tendo recebido seis Estrelas de Bronze. Joe é também marido de uma militar condecorada com a Estrela de Ouro. A sua primeira mulher, a Suboficial Chefe da Marinha Shannon Kent, também serviu no Exército e foi morta em combate contra o Estado Islâmico na Síria em 2019.


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Esperemos que os tempos de paz e de esperança, como que por milagre, regressem ao mundo

quinta-feira, março 12, 2026

Trump compra sapatos para os seus totós amestrados e eles têm medo de não os usar, incluindo o Mark Rubio a quem os sapatos ficam a chinelar

 

Não foram os mortos, os estropiados, os deportados, os que ficam sem casa e sem família, os que ficam desempregados, os que ficam sem apoios a nível social ou de saúde ou de alimentação e todos os demais que se incluem entre as inúmeras vítimas da crueldade e da estupidez exacerbada de Trump, e tudo isto poderia ser um filme cómico.

Já tinha visto nas redes sociais mas, como sempre que vejo coisas parvas demais, desconfio que sejam fake news e mantenho-me de bico calado. Infelizmente, nestes desgraçados tempos, a realidade anda a ultrapassar a ficção pela esquerda, pela direita, por cima e por baixo.

Quando o Guardian confirma, eu rendo-me: é mesmo verdade. Transcrevo:

Segundo os relatos, Trump presenteia os membros do gabinete e os visitantes da Casa Branca com sapatos Florsheim.

Alguns funcionários do governo queixam-se de ter de usar calçado de qualidade inferior em vez dos seus modelos de luxo favoritos.

Sentado atrás da secretária Resolute, Donald Trump fixou o olhar nos pés de JD Vance e de Marco Rubio. “Marco, JD, vocês têm uns sapatos s—xy”, disse o presidente dos EUA, consultando um catálogo e perguntando o número que calçavam. Rubio disse 11,5 e Vance 13. Trump recostou-se na cadeira e comentou: “Dá para perceber muita coisa sobre um homem pelo número do sapato.”

A história é relatada numa reportagem do jornal The Wall Street Journal que conta como responsáveis, conselheiros e aliados visitantes estão discretamente a adquirir sapatos de couro oferecidos por Trump, que lhos apresenta com o entusiasmo de um vendedor ambulante.

Reuniões do gabinete, almoços e passagens pelo Salão Oval podem transformar-se subitamente em conversas sobre calçado.

“Recebeste os sapatos?”, pergunta ele aos colegas, segundo várias pessoas familiarizadas com o ritual citadas pelo jornal. Alguns chegaram mesmo a experimentá-los no Salão Oval.

Uma funcionária da Casa Branca comentou com ironia: “Todos os rapazes os têm.” Outra acrescentou: “É hilariante, porque toda a gente tem medo de não os usar.” (...)

Donald Trump, agora com 79 anos, terá começado no ano passado a procurar algo mais confortável para usar durante os longos dias de trabalho no cargo. Depois de se decidir pelos sapatos da Florsheim, começou também a encomendar pares para outras pessoas. Segundo a Casa Branca, ele paga os sapatos do próprio bolso.

Marco Rubio e JD Vance receberam os seus Florsheim depois de uma reunião em dezembro no Salão Oval. Membros do governo como Pete Hegseth e Howard Lutnick também passaram a fazer parte do “clube”, assim como os comentadores conservadores Sean Hannity e Tucker Carlson e o senador republicano Lindsey Graham.

Diz-se que um membro do governo se queixou em privado de que o presente presidencial o obrigou a aposentar os seus sapatos preferidos da Louis Vuitton — embora poucos pareçam dispostos a arriscar ofender o chefe deixando os Florsheim por usar.

O presidente desenvolveu até um pequeno truque de salão: adivinhar o número de sapato das pessoas. Quando fica satisfeito com o palpite, instrui um assessor a fazer a encomenda. Uma semana depois, chega à Casa Branca uma caixa castanha, por vezes com uma assinatura ou uma breve nota de agradecimento de Donald Trump, relata o The Wall Street Journal.

O hábito tornou-se tão rotineiro que alguns assessores dizem que agora existe uma pequena pilha de caixas de sapatos num gabinete próximo, cada uma com o nome do destinatário. (...)


Tão ridículo, tão, tão ridículo, caraças. Não dá para acreditar

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E são estas mesmas araras descerebradas que estão a lançar o caos e a destruir o Irão, a afundar submarinos cheios de gente, a bombardear uma escola cheia de meninas, a desestabilizar uma dúzia de países, a fazer desacreditar na viabilidade da lei e da ordem baseadas no direito internacional.

Eu sei porque é que a guerra de Trump está em desordem: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a guerra de Trump contra o Irão em tempo real, revelando um comandante-chefe que parece conduzir a guerra da mesma forma que conduz um comício: improvisando a cada instante. Do bizarro regresso da antiga ameaça de Trump de "fogo e fúria" às declarações contraditórias sobre a vitória, rendição e bombardeamento do Irão "de volta à Idade da Pedra", Wolff explica porque é que fontes internas afirmam que não há um plano, apenas improvisação. Entretanto, o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, esforça-se por explicar uma estratégia que pode nem existir, os republicanos entram em pânico com o aumento dos preços da gasolina em vésperas de eleições intercalares, e o próprio Trump parece entusiasmado com o espectáculo. À medida que a retórica se intensifica e os objectivos da guerra permanecem indefinidos, Wolff e Coles expõem o caos, as contradições e os riscos políticos por detrás de um conflito que poderá terminar amanhã ou tomar um rumo imprevisível em Washington.

Um mundo que atravessa tempos para esquecer

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Tal como a nuvem radioactiva de Chernobyl, assim a mancha Epstein vai alastrando de país em país

 

Que havia sexo e traficância de menores é mais do que certo e sabido. Cenas de torturas com crianças ou de procriação forçada com roubo de bebés parece que também, embora as pessoas façam por não olhar de perto, tão horríveis parecem ser as revelações. Mas começam a desenhar-se também ligações ao negócio das armas. E parece também claro que havia lavagem de dinheiro -- dinheiro russo, com certeza, mas não se sabe se mais. E que era agente duplo, Mossad e CIA, também já se afirma como se não houvesse muitas dúvidas. Parece que há passaportes com outros nomes e já há congressistas a pedir informação à CIA. Mas suspeita-se também de ligações aos serviços secretos ingleses. Também se detectam ligações a Putin. Aliás, era coisa que ele gostava de descrever, aquela vez em que se encontrou com Putin, um verdadeiro filme, com escalas, destinos misteriosos.

À medida que se investigam os ficheiros mais e mais dúvidas vão surgindo (e, note-se, os que estão disponíveis são os ficheiros mais 'pacíficos' e estão amplamente rasurados, com grande parte ocultada, e serão metade do que há, sendo que há outros tantos retidos, por razões que o Departamento de Justiça ainda não explicou cabalmente). Quantos países estão comprometidos ao mais alto nível com segredos de estado divulgados? Quem, em cada país, fazia parte da rede?

Alguma vez se vai saber?

E ele? O que, de facto, lhe aconteceu? Foi assassinado ou retirado da cadeia? É que parece que já ninguém acredita na tese do suicídio.

Há até quem também já compare o fácies de Ghislaine Maxwell e o da mulher que foi ao Congresso (não) prestar declarações e conclua que não são a mesma pessoa, e que, a ser verdade, a amiga de Epstein já estará fora, provavelmente indultada, provavelmente posta a bom recato.

Tudo o que antes pareceria uma tresloucada teoria da conspiração agora parece apenas uma pálida amostra do que ainda há para saber.

O irmão do Rei foi chamado a depor e o seu biógrafo diz que o mais provável é que se pire pois já lhe ofereceram 'casa' num país árabe onde tem muitos amigos. A futura rainha norueguesa já pediu desculpa e os concidadãos olham para tudo o que se sabe com suspeição. Bill Gates cancelou a sua intervenção na maior web summit face às suas ligações, maiores do que se supunha, ao íman Epstein. E os casos sucedem-se. 

Por todo o mundo. Só nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça iniste em assobiar para o lado. E Trump, esse folião demente, até já se gaba de que foi ilibado.

Les Wexner foi chamado a testemunhar no Congresso. Apresentou-se como vítima: diz que foi roubado por Epstein, centenas de milhões. Uma história mirabolante, de cabo a raso. Aliás, cada uma das ligações a Epstein daria, de per se, uma história de loucos. Veja-se esta. Como é que um multimilionário como Wexner passa a gestão da sua fortuna para um tipo que não tinha conhecimentos nem académicos nem práticos? Não tinha nenhuma licenciatura, tinha enganado o colégio em que tinha dado aulas como se fosse formado em matemática, daí tinha passado para analista financeiro de uma empresa de gestão de fundos em que cometeu uma fraude e foi despedido, depois dali, por ser desonesto, foi contratado para uma empresa fraudulenta pois, tratando-se de uma empresa que funcionava com base em esquemas, nada como um tipo esquemático, para aldrabar as contas... Dizem que Wexner se terá envolvido sexualmente com Epstein e que, a partir daí, ficou na mão dele. Se isso justifica que lhe tenha passado para a mão centenas de milhões de dólares, não se sabe. 

Na verdade, não se sabe se alguma vez se vai saber alguma coisa.

Dizem que foi por ter passado a ser também multimilionário que Epstein viu abrirem-se-lhe todas as portas da alta finança. E daí passou para a academia, para os negócios, para a política. Ou isso ou estaria formatado para ser um agente kompromat de alto gabarito. Ou isso ou tudo o resto que se possa dizer.

Tudo bizarro. E volto ao mesmo: como tinha ele tempo para tudo isto? Como tinha ele cabeça para tudo isto? Sozinho...?

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Dois vídeos, entre muitos outros possíveis, sobre o assunto e sobre os tempos presentes

Arquivos Epstein: mensagens de texto entre Epstein e Bannon desencadeiam guerra civil entre apoiantes de Trump, Wexner presta depoimento

As mensagens de texto recentemente divulgadas de Steve Bannon com Jeffrey Epstein provocam reações negativas entre os apoiantes de Trump, enquanto Les Wexner, antigo proprietário da Victoria’s Secret e figura-chave na ascensão de Jeffrey Epstein à riqueza extrema, presta declarações à Comissão de Supervisão da Câmara.

0:00 Imagens recentemente divulgadas mostram Steve Bannon a entrevistar Jeffrey Epstein
1:39 Troca de mensagens entre Bannon e Epstein
3:41 Como reagirá Trump à controvérsia em torno de Bannon?
4h31 O bilionário Les Wexner presta depoimento ao Congresso sobre as suas ligações a Epstein

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Trump deixa escapar o que o incomoda: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para analisar porque é que a irritação pública de Donald Trump pode revelar mais do que qualquer fuga de documentos. À medida que os arquivos de Epstein desencadeiam uma onda de manchetes, Wolff defende que a verdadeira história não é o que foi descoberto recentemente, mas como a ampla divulgação dispersou a atenção, desviando-a de Trump para um número crescente de figuras periféricas — uma dinâmica na qual, segundo ele, Trump se apoiou repetidamente para sobreviver a crises passadas. Baseando-se nos encontros de Wolff com Jeffrey Epstein e na sua apresentação de Steve Bannon à órbita de Epstein após a saída de Bannon da Casa Branca, a conversa traça a forma como o ressentimento, a rivalidade e a obsessão com Trump uniram estes homens, mesmo enquanto Trump se apresenta agora como vítima de uma conspiração que envolve jornalistas e antigos adversários.
00h00 - Trump furioso no Air Force One
03h37 - O círculo de influência de Epstein alarga-se
06h54 - O comportamento de Epstein e as suas estranhas contradições
10h03 - A alegação de "exoneração" de Trump é examinada
11h32 - Melania questiona e evita a imprensa
14h58 - Porque é que o processo incomoda Trump?
18:21 - As ligações de Steve Bannon a Epstein
22h02 - O debate sobre a culpa por associação intensifica-se
25h44 - O medo de Trump sobre o que pode vir ao de cima
29h31 - Por dentro do padrão de ressentimento pessoal de Trump
33:05 - Estratégia mediática e indignação seletiva
36:42 - A política da distração e da negação
40h11 - Como Trump reescreve narrativas em tempo real
44h18 - O que este episódio revela sobre a mentalidade de Trump

sábado, janeiro 24, 2026

Será este o momento em que o mundo finalmente deixa de correr atrás dos bombeiros, ou será que Trump já está a acender o próximo fósforo?

 

As conversas entre Joanna Coles e Michael Wolff são sempre gostosas, divertidas, com deliciosos apartes. 

Por exemplo, Joanna Coles conta que, quando foi entrevistar Valentino, o costureiro recentemente falecido, os assessores lhe pediram para não lhe falar na guerra do Iraque. Ela pensou que talvez algum familiar lhe tivesse morrido. Contudo, ficou curiosa e quis saber qual a razão. Responderam: 'É que ele não sabe da guerra.'. Isto 3 anos depois da guerra ter começado. Explicaram que ele vivia num ambiente de beleza. Notícias más só iriam perturbá-lo.

Michael Wolff não quis ficar atrás e contou que, numa das vezes em que foi entrevistar Trump para o primeiro livro biográfico sobre ele, o Fire and Fury, estando-se a poucos dias do Brexit, puxou o assunto. Trump ficou admirado: 'Ahnnn?'. Não sabia. Quando Wolff lhe explicou, apenas disse que lhe parecia bem que o Reino Unido saísse da UE. E mudou de assunto. Segundo Wolff, Trump não sabe nada de política internacional. Mesmo do que se passa nos EUA pouco sabe. Não lê um livro, não folheia um dossier, não se informa, não estuda. Aliás, conta que Epstein dizia que Trump tem medo de Putin porque Putin tem em sua posse os seus registos académicos, que parece que são péssimos. 

Outro apontamento com piada teve a ver com a nova gravidez de Usha Vance. Ao enviar-lhe os parabéns, Joanna confessou que gostava de ter tido mais filhos (tem dois)... mas apressou-se a advertir: 'Mas não com o J.D. Vance...'. Claro. Puxa. 

Contudo, claro que o tema principal não são estes pequenos fait divers. E ouvi-los a falar do que se tem passado (Davos, Gronelândia, o absurdo Conselho da Paz que mais parece uma extensão do clube privado de Mar-a-Lago, etc) ajuda a ver os grandes temas sob a perspectiva da petite histoire. Por exemplo, comentam que Trump gosta de ter todas as atenções centradas em si. Ateia o fogo não tanto pelo fogo em si mas, sobretudo, para ver os carros dos bombeiros, as sirenes, as luzes, toda aquela emoção. Quando acaba, antes que se avaliem os danos, já não quer mais saber do assunto, já está focado no próximo fogo que vai pegar.

Mas ouçam-nos que tem piada. 

O verdadeiro motivo pelo qual Trump recuou da Groenlândia: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para analisar porque é que as últimas manobras teatrais globais de Trump — desde a ameaça de anexação da Gronelândia até ao "conselho de paz" bilionário — nunca deveriam ter acontecido. Recorrendo a Davos, a sondagens desastrosas, à reação negativa a Minneapolis e ao talento infinito de Trump para distrair, Wolff explica como a fanfarronice sem consequências é a essência do Trumpismo: atear fogo, aproveitar-se dos alarmes e depois ir embora antes que as consequências cheguem. A questão que se mantém após o fim da questão da Gronelândia é: será este o momento em que o mundo finalmente deixa de correr atrás dos bombeiros, ou será que Trump já está a acender o próximo fósforo?

E queiram continuar a descer porque, já a seguir, Colbert faz a festa.

segunda-feira, janeiro 05, 2026

E se aquilo de os Estados Unidos irem 'tomar conta' da Venezuela tiver sido mais uma maluquice do Trump... uma maluquice que lhe ocorreu no decurso da própria conferência de imprensa...?

 

Este domingo mostrou-se afável como há muito não via os dias. Nem vento nem chuva nem frio. Um solzinho algo tímido mas, ainda assim, bem agradável. Consegui andar a varrer as folhas, consegui andar cá fora sem ter que me desviar da chuva nem andar encasacada. Bem bom.

E fizemos umas boas caminhadas. Cruzámo-nos com mais pessoas do que é costume, em especial pais com crianças pequenas a andar ou a aprender a andar de bicicleta. O meu marido disse que devem ser bicicletas recebidas pelo Natal. Também várias pessoas a passearem os cães. Os campos verdes de dar gosto. Daqui por algum tempo o verde será erva alta mas, por enquanto, parece relva e musgo, um tapete fofo por onde apetece andar.

Felizmente comprámos, há semanas, um dispositivo para secar sapatos, umas coisas elétricas que se enfiam dentro dos sapatos. Por isso, quando chego a casa costumo descalçar-me, incluindo as meias, e pôr os sapatos a secar. Andar no meio da erva molhada dá nisto. Claro que poderia usar uns ténis impermeáveis mas prefiro andar com uns muito confortáveis, maleáveis (que são porosos). Comprei há tempos uma espécie de meias de uma espécie de latex que se calçam por cima dos sapatos. E funcionou lindamente, um ovo de colombo. Mas isto de andar no meio da erva e do mato não dá saúde a coisas assim. Sem querer, em especial de noite, piso pedras, paus. Portanto, aquela espécie de botinhas elásticas já não funciona, já estão furadas, já deixam entrar a água. Mas pronto, foram baratas e já cumpriram a sua missão.

Bem. Queria eu dizer que o dia foi tranquilo. 

Ao fim da tarde, como ando incomodada com a tumpalhada da Venezuela, pus-me a ouvir várias opiniões sobre o assunto. Toda a gente converge na ilegalidade, na inconstitucionalidade, na gravidade. Claro.

Mas agora ouvi a opinião de Michael Wolff, que o conhece bem e conhece bem a sua entourage e o staff da Casa Branca, e ri-me com ele e com Joanna Coles. A opinião de Michael Wolff, baseada na sua intuição e em informações recolhidas, é que aquilo de os Estados Unidos irem tomar conta da Venezuela foi uma que lhe saiu ali, no decurso da conferência de imprensa, fruto da sua mania das grandezas e da sua demência. Segundo Michael Wolff, aos poucos todos tentarão ir chutando para canto ou fingindo que estão a fazer alguma coisa nesse sentido mas, na prática, não fazendo nada -- não têm como, não têm pessoas para deslocar para lá com conhecimentos para tomar conta do que quer que seja na Venezuela, não têm autorização do congresso para se meterem em despesas, não têm nada planeado. Ou, igualmente provável, 'tomar conta da Venezuela' na cabeça de Trump não passe de conseguir, ele, a família e os amigos, sacarem de lá o mais que puderem, o mais rapidamente possível, e não o que se poderia interpretar, levando à letra o que ele disse.

Mas, digo eu, sabe-se lá. De um descarado, prepotente, narcisista, sem escrúpulos, ainda por cima demente, o que se pode esperar...? Esperar-se-ia, isso sim, que as instituições funcionassem, que a democracia e o mundo desenvolvido tivessem mecanismos de defesa. Têm mas são tão frágeis que um único maluco pode acabar com tudo em menos de nada. Na prática, a nossa condição é a de indefesos. E isto sou ainda eu a dizer.

Mas convido-vos a ver o vídeo abaixo. Como sempre, a conversa dos velhos amigos, Joanna Coles e Michael Wolff, é bastante interessante. E traz-nos o lado pessoal do que geralmente vemos analisado sob o ponto de vista político. 

E se, mais do que uma bem pensada jogada geo-estratégica, tudo isto deve é ser ser visto como um cocktail de motivações erráticas, mais irracionais do que racionais...? Veja-se: o medo do que aí vem com a revelação de mais ficheiros Epstein em que inevitavelmente virão provas comprometedoras para Trump, o medo do que será a reacção colectiva das pessoas quando virem que o que vão pagar do seguro de saúde vai ser o dobro do que era e, em alguns casos, o triplo; isto a par da pressão das petrolíferas, do real state e das big tech para irem para lá sacar petróleo, terras raras, lítios e etc e irem construir hotéis, casinos, arranha-céus; e mais as provocações de Maduro a dançar e a mostrar que não tem medo dele -- tudo isto deve ter atirado aquele narcisista megalómano e demente para a frente, no que foi secundado por um grupo de palermas. Claro que os militares, que ainda não têm a coragem de não acatar ordens ilegais, executaram as ordens. 

JD Vance, calculista, a preparar-se para se chegar à frente mal surja a oportunidade, e que é um isolacionista, Maga puro e duro, America first e os outros que se lixem, não apareceu na conferência de imprensa. Poderá invocar gripe ou coisa do género mas só os tolos engolirão a desculpa.

Enfim. Um mundo entregue a gente doida. Um perigo temperado pela mais absoluta imprevisibilidade.

No outro dia ouvi um terapeuta que trabalha em lares onde trata de idosos com demência a dizer que acha que Trump só deve ter mais um par de meses em que possa fazer de conta que está funcional pois rapidamente o seu estado se deteriorará a ponto de terem que o retirar de cena. Veremos. 

O vídeo abaixo só começa aos 3'28". Dá para colocar tradução automática.

Michael Wolff & Joanna Coles discutem o tema Trump & Venezuela

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a declaração de Trump de que os Estados Unidos vão assumir o controle da Venezuela após a captura do líder autocrático Nicolás Maduro.

Numa conferência de imprensa tumultuada em Mar-a-Lago, Trump também revelou planos para se apoderar das reservas de petróleo do país e alertou que "não temos medo de enviar tropas terrestres" como parte da tomada de poder.


Desejo-vos uma boa semana

domingo, dezembro 21, 2025

À medida que nos aproximamos de um novo ano, quero acreditar que não há mal que sempre dure

 

Os dias andam cinzentos, quase deprimentes. Mas, ao caminhar no campo, vejo como as terras estão cobertas de verde, lindas - é o lado bom que geralmente está sempre presente. 

Dos meus amigos chegam-me notícias boas e outras nem por isso, e nem sempre encontro palavras sinceras para transmitir optimismo. A vida não é uma fita colorida e glamorosa que se vai desenrolando. Por vezes é quebradiça, por vezes tem que ser remendada, por vezes perde a cor, por vezes rompe-se. Mas também há períodos em que as pequenas imperfeições são irrelevantes e em que predomina a harmonia, a felicidade das pequenas coisas.

A nível geral, a questão da paz (ou a ausência dela) é matricial na vida de qualquer povo. Quando se vive sabendo que aqui e ali e, por vezes, bem à porta do nosso espaço comum, há guerra e ameaças latentes de que o mal vai continuar à solta, não podemos ignorar que está em perigo o mundo tranquilo e seguro que desejamos para os nossos. De uma forma ou de outra, isso influencia a nossa vida, nem que seja pela imprevisibilidade que isso provoca na gestão das contas públicas (das quais todos dependemos) ou nas decisões de investimentos a médio e longo prazo. 

E falo desta forma por, felizmente, estar longe dos cenários de guerra. Para quem lá vive, cada dia é uma roleta russa (no pun intended) e tenho uma admiração sem limites por quem sobrevive sem saber por quanto tempo, ou se os seus filhos, pais, irmãos, amigos, estarão vivos no dia seguinte.

E depois há o cancro do populismo que suga para o buraco negro da desinformação, da ignorância, da anulação da esperança em melhores dias todos os broncos, todos os ressabiados, todos os trogloditas 

A segunda vitória de Trump mostra bem a fragilidade da democracia e o tremendo de risco que é o facto de cerca de metade da população ser estúpida. E essa evidência dá força aos estúpidos de todo o mundo. Veja-se a ascensão de Ventura.

Contudo, não nos esqueçamos: não há mal que sempre dure.

Trump está em decomposição e isso pode precipitar o seu fim. Não se sabe o que virá a seguir, mas tenhamos esperança. Pode ser que se mostre de tal forma grotesco que até os seus mais boçais adeptos batam com a cabeça nas paredes, percebendo a porcaria que fizeram ao votarem nele.

Convido-vos a ver e ouvir o sempre interessante podcast The Daily Beast. Está legendado. Muito do que se passa nos Estados Unidos, com consequências em todo o mundo, deveria ser visto tendo em atenção o que se passa dentro da cabeça de Trump.

Assessores de Trump estão secretamente a preparar-se para a sua queda 

| Dentro da mente de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para abordar a questão que Washington se recusa a enfrentar: o que acontece quando o declínio cognitivo de um presidente é visível, mas sistematicamente racionalizado por aqueles que o rodeiam? Wolff descreve como o círculo íntimo de Trump encobre comportamentos alarmantes como "simplesmente a forma de ser de Trump", mesmo quando os eleitores reconhecem sinais de alerta familiares nas suas próprias famílias. Explica ainda a importância da longa relação de Susie Wiles com Marco Rubio e porque é que a sua influência ainda se manifesta na postura disciplinada e profissional de Trump à medida que este se vai deteriorando. À medida que a grandiosidade de Trump se intensifica — dos discursos inflamados à difamação das instituições nacionais —, Coles questiona porque é que ninguém está disposto a tomar as rédeas do poder e o que significa este silêncio para o país.


Desejo-vos um bom dia de domingo

quinta-feira, novembro 13, 2025

Trump está nos ficheiros, Trump está nos ficheiros...!

 

Aos poucos vão saindo mais e mais provas de que Trump obviamente não apenas sabia de tudo o que se passava na vida de Epstein, o misterioso pedófilo (e chantagista? e agente da Mossad?) como partilhava parte dessa vivência. 

Diz Michael Wolff, que é interveniente na conversa com Epstein em dois dos três mails agora divulgados, que  durante mais de 10 anos Trump e Epstein foram os melhores amigos, partilharam mulheres, segredos, negócios. 

Tendo recolhido, ao longo de anos, inúmeros testemunhos de amigos e inimigos, conhecidos e colaboradores de Trump, Michael Wolff, jornalista e biógrafo de Trump, é, sem dúvida, das pessoas que melhor conhece o presidente dos Estados Unidos. 

Tem documentos de toda a espécie, entrevistas gravadas, tem tudo o que se possa imaginar sobre a sua relação com Epstein. E mantém contacto com actuais colaboradores de Trump na Casa Branca e com antigos e actuais "conselheiros". E coloco a palavra entre aspas pois é conhecido que Trump não se aconselha com ninguém. Pelo contrário alimenta-se do que vê na televisão, do que vê nas redes sociais ou do que ouve, salteadamente, aqui ou ali. O caos que se vive na Casa Branca é pois acompanhado de perto por Michael Wolff. E não faz questão de manter a reserva. Muito pelo contrário. Dá entrevistas, participa em podcasts e tem as suas redes sociais permanentemente actualizadas. Arrisca-se. Provavelmente pensa que sabendo tanto e expondo-se tanto, ninguém ousará 'caçá-lo'.

Contudo foi ameaçado. Melania Trump, para o calar, ameaçou-o com um pedido de indemnização de mil milhões de dólares com acusação de difamação. Numa reviravolta audaciosa, Michael Wolff avançou ele com um processo contra Melania Trump por tentativa de cerceamento da sua liberdade de expressão. Para conseguir financiar essa odisseia judicial pediu ajuda. E, para sua grande surpresa, em poucos dias já conseguiu reunir USD $732 586, verificando-se uma mobilização significativa. E ele vai fazendo saber que vai exibir todos os documentos que possui e vai fazer com que sejam chamados a depor, sob juramento, Melania e Donald Trump. Entre muitos outros.

Portanto, por muito que Trump lance poeira para os olhos de toda a gente, manipule, minta, distorça, invente, arranje milhares de motivos de diversão, ameace meio mundo... talvez a verdade não tarde muito a chegar. 

Por isso, está na hora de voltar a chamar as avozinhas safadas.

Piedmont Raging Grannies  --  Trump is in the Files

Está a tentar de tudo para desviar a atenção do facto de ter quebrado a sua promessa de divulgar os ficheiros de #Epstein. Então, aqui fica um lembrete!


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Dias felizes

domingo, outubro 26, 2025

A arte de que se tem dúvidas.
A natureza de que não se pode ter dúvidas: é arte em estado puro.
E a história do bravo quase-lobo que vai avançar sobre a enigmática e poderosa FLOTUS, obrigando-a a falar sob juramento

 

Dia de visita às artes, no Drawing Room na SNBA, sempre com aquele misto de perplexidade e interesse. Por um lado, face a muitas obras expostas, aquela eterna dúvida: é isto arte? não é isto uma preguiçosa maneira de tentar ganhar a vida? É isto, ao menos, bonito? ou interessante? Por outro, face a outras peças, a curiosidade, o gosto de olhar, a vontade de perceber como foi feito, por vezes até uma certa vontade de possuir.

É certo que não haverá áreas em que a subjectividade mais impere do que na arte. Por isso, é território arriscado, este. Do que eu gosto há quem se ria. No que eu não gosto há quem invista muitos milhares. Por isso, a mim própria me obrigo a bater a bola bem baixinho.

E, além disso, em lugares assim não é apenas a arte que se pode olhar, é também a graça de observar a fauna que se move em torno das galerias, dos artistas, incluindo os próprios galeristas e pintores. Há qualquer coisa que os distingue, que os aproxima entre si. Eu não me aproximo. Não gosto de conversar sobre arte. Para mim, não há conversa possível. Gosto de ver, gosto de me chegar perto ou de ver de longe, mas pouco mais do que isso. De quem eu gostava de ouvir falar era a Paula Rêgo. Falava displicentemente do acaso subjacente, de como apareciam aqueles personagens ou adereços, quase por acaso. Uns tomates pintados ao pé da cama só porque sim, só porque aquele espaço estava vazio e uns tomates ali ficariam bem. Não tinha paciência para alimentar dissertações.

E se isso era assim quando os quadros dela tinham personagens, tinham acção ou intensidade, imagine-se qual o sentido de dissertar sobre pinturas em que aparecem três manchas e dois riscos. Ou na tela grande, cinco pequenos salpicos. Não estou a exagerar. Que se pode dizer sobre obras de 'arte' desse calibre? Falar sobre isso é da ordem da fantasia, mas uma fantasia que só pode fazer sentido na cabeça de uma mente sub-ocupada. Só me apetece dizer para irem dar banho ao cão.

Enfim. 

Tenho ainda a registar o facto já aqui trazido algumas vezes. Não sei qual a explicação mas sei que é um facto: todas as pessoas que conheço de as ver na televisão, quando as vejo ao vivo verifico que são minúsculas. Hoje mais um. Imaginava-o grande. Talvez por ser desenvolto e por na televisão se mostrar uma figura com uma certa presença, imaginava-o grande. Não senhor, pequenino. Nada contra, nada mesmo. Só o refiro porque não percebo o fenómeno: parece que a televisão faz as pessoas parecerem maiores.

Tirando isso, a natureza. A bela natureza. As cores que se mesclam, a luz que as folhas guardam dentro de si, os tons que evocam o pôr do sol, agora que os dias estão tristemente pequenos. 

Debaixo desta chuvinha mansa, os líquenes saem à cena, os musgos aparecem, a caruma, ensopada, fica macia. Os passarinhos cantam, cantam. Uma paz acolhedora.

Caminho enlevada, fotografo e faço vídeos com tudo, tudo me encanta. As cores exuberantes que agora despontam fazem esquecer a secura dos dias em que os grandes calores ressequiram a terra. Os verdes estão de volta.


Ando debruçada à procura dos primeiros cogumelos, mas ainda não apareceram. Anseio por eles. É sempre um deslumbramento, um espanto perante o milagre que é ver aquelas criaturas silenciosas a levantarem-se da terra.

Agora, enquanto escrevo, uma coruja pia na noite escura. Gosto do seu canto.  É solitária. E noctívaga como eu.
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Entretanto, estive a ouvir o Michael Wolff. Autor de vários livros sobre Trump para os quais recolheu testemunhos de meio mundo e se tornou confidente de muita gente, Michael Wolff gravou muitas horas de conversa com Epstein, durante as quais o tema era Trump, Melania Trump e etc. Sem receios, tem divulgado muitos dos segredos que Epstein lhe contou, revelou as fotografias que viu com Trump com miúdas pequenas em topless ao colo, etc.

Pois bem. Nas costumeiras manobras de silenciamento de quem diz coisas desconfortáveis de qualquer dos membros do casal Trump, desta vez foi Melania que processou Michael Wolff por difamação, avançando com um pedido de indemnização de um bilião de dólares. Fazem isso embora saibam que não ganham, fazem isso apenas para intimidar os processados, para os calar, e para que, numa de acabarem com a perseguição, os processados aceitem fazer um acordo no decurso do qual os Trumps sempre ganham qualquer coisa. E com isso vão ganhando, no total, mais uns milhões. A ganância e a falta de escrúpulos daquela gente não têm limites.

Só que, desta vez, o tiro lhes saiu pela culatra. Michael Wolff virou a mesa e avançou ele com um processo contra Melania, por tentativa de lhe restringirem a liberdade de expressão. Desta forma, em tribunal, os factos vão vir para a barra dos tribunais e se verá se há difamação, ou se apenas relato de ocorrências. Melania Trump irá depor sob juramento. Espera Michael Wolff que seja também uma oportunidade dos famosos ficheiros Epstein virem para a luz do dia. Tenciona chamar como testemunhas Donald Trump, a sinistra e pérfida Ghislaine Maxwell e Steve Bannon que também sabe mais do que Trump gostaria que ele soubesse. E tenciona fazer ouvir as gravações em que Epstein fala de Trump. Ou seja, tenciona trazer Epstein do mundo dos mortos para depor contra Donald e Melania Trump.

Vai ser bonito de se ver e muita tinta vai ainda correr, muita, muita. 

Ao que consta, Trump foi apanhado de surpresa com esta reviravolta e está possuído. E, quando está assim, mais peripécias e tentativas de distração vão acontecendo, sucedendo-se as ameaças, as vinganças, os disparates, os desmandos.

Partilho um vídeo em que o corajoso Michael Wolff conversa com a simpática Joanna Coles. Vale muito a pena ver. É certo que se passa lá longe. Mas, não nos esqueçamos: nesta nossa aldeia global, o 'lá longe' é à porta da nossa casa.

Wolff: What I’m Going to Ask Melania Under Oath | Inside Trump's Head

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para abordar o seu novo e surpreendente anúncio: um processo de mil milhões de dólares contra Melania Trump. Os dois dissecam a amizade bem documentada de Jeffrey Epstein com Donald Trump e ligam os pontos à demolição da Ala Leste de Trump, expondo a estratégia de destruição do presidente. Wolff e Coles desvendam também as cruzadas linha-dura de Stephen Miller, expondo a estranha psicologia que move um dos membros mais maníacos do círculo íntimo de Trump. À medida que as barreiras legais se fecham, persiste uma questão: quanto do caos de Trump é cálculo e quanto é pura compulsão?


00:00 - Introduction
01:55 - Why Wolff Announced Melania Countersuit Beside The American Flag
04:21 - Wolff's Legal Action Against Melania Is An Anti-Slapp Suit
07:25 - First Time In History First Lady Has Sued A Member Of The Press
10:20 - Trump White House Demolition An Unscrupulous NYC Real Estate Strategy
16:43 - What Wolff Will Seek From Melania And Donald During Legal Discovery
19:23 - How Will Melania And Donald Perform During Depositions?
20:21 - Ghislaine Maxwell's Deposition Will Be Crucial In Melania Trial
21:04 - Wolff To Share Jeffrey Epstein's Comments About Trump During Melania Trial
24:30 - Inside Trump's Head Live Event Nov. 5, Buy Tickets At MCNY.org
25:30 - Why Trump Calls Stephen Miller "Weird Stephen"
28:48 - Stephen Miller Driven My Maniacal Anti-Immigrant Ideology
30:57 - Trump Has Used Stephen Miller As Cudgel
32:35 - Stephen Miller Gets Pleasure From Violent ICE Raids
34:40 - Trump Attempting To Undo Large Progressive Cultural Movements
35:54 - Stephen Miller's Lack Of Opportunities After Jan. 6th
39:08 - Trump Is Confused By Stephen Miller
41:10 - Viewer Questions Asked And Answered

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Desejo-vos um feliz dia de domingo

sexta-feira, setembro 26, 2025

A mãe da vizinha da minha mãe.
E uma preocupação: como travar um idiota demente antes que se transforme num verdadeiro fascista?

 

A minha mãe tinha uma vizinha cuja mãe, viúva, vivia sozinha longe dela. Era uma senhora cheia de iniciativa, muito dinâmica, empresária (pequena empresária), extrovertida, empreendedora, dona de várias casas (algumas arrendadas) e terrenos, sempre muito produzida e com muitas amigas com quem ia em passeios, a espectáculos, a restaurantes, etc. E, até aqui, tudo bem.

Até que a filha começou a detectar algumas inconsistências nas conversas. Por vezes, por telefone, relatava à filha episódios inesperados ocorridos com amigas, passeios fantásticos que tinham feito, visitas que tinha recebido. Só que a filha, que lhe ligava todos os dias, estranhava. Por fim, começou a ter quase a certeza de que a mãe inventava altas proezas. Isto incomodava-a, achava que estava a descobrir que a mãe começava a revelar uma certa tendência para a mentira.

Até que um dia a senhora partiu uma perna. Foi operada mas a filha achou que ela precisava de algum acompanhamento e que seria mais fácil ter a mãe por perto. Como mora numa moradia que tem um anexo que, na prática, é outra casa, convenceu a mãe a ir viver para lá, pelo menos até se recuperar. A senhora concordou mas numa lógica temporária, não queria perder a sua independência. E lá foi. A vizinha da minha mãe contratou uma funcionária experiente para ir lá cuidar da mãe. E, desta forma, passou a acompanhar a mãe de perto.

A senhora continuava a parecer a imponente senhora de sempre, queria arranjar o cabelo, vestia-se sempre com cuidado, era educada, simpática, bem disposta. Mas cada vez mais apareciam façanhas que a filha desconhecia e que lhe pareciam improváveis. Mas tudo sempre dito com assertividade, com relatos pormenorizados. Se a filha mostrava que duvidava, ficava ofendida, amuava, dizia que assim não podia confiar nela, que nunca mais lhe contava nada. E a filha ficava mesmo na dúvida, às tantas a mãe estava a falar verdade.

A minha mãe, por vezes, ia visitá-la. Dizia que era sempre uma tarde bem passada: que ela era uma conversadora impagável, desinibida, com grande sentido de humor, que contava episódios antigos de namorados, que era um ponto que só visto. Só que, no fim, a filha dizia que parte do que ela tinha contado era, quase de certeza, mentira. 

Contava à minha mãe que tinha falado com a médica e que começava a ficar claro que havia ali um quadro de demência que, embora quem não soubesse nem desconfiasse, parecia que ia progredindo.

Contudo, a minha mãe dizia que não percebia se era a senhora que ficcionava mais do que a conta ou se era a filha que não ficava confortável com a desinibição da mãe e preferia transmitir a ideia de que aquilo não era para ser levado a sério.

Mas um dia a minha mãe confirmou. Estavam a lanchar quando a senhora desatou a contar um episódio engraçadíssimo passado com uma cunhada. A minha mãe contou que tinha chorado a rir com a graça dela, com o insólito da história, imitando a voz e os modos da cunhada. Só que, no meio da narrativa, tinha intercalado o seguinte: 'Ainda há bocado, quando o Luís aqui esteve a almoçar, nos fartámos de rir, a lembrar as macacadas dela.'. Ora o Luís era o marido, falecido há uns anos. A minha mãe ficou passada, sem saber como reagir.

E foi assim que a coisa foi evoluindo até que, por fim, já não dizia mesmo coisa com coisa e já era tudo uma ficção pegada, já sem ponta por onde se pegasse. Depois teve um avc e a degradação física e mental foi inexorável.

Quando se vê Trump a dizer e a fazer disparates atrás de disparates, sem qualquer tino, sem noção do ridículo, penso nela. A diferença é que, ao contrário de Trump, a senhora tinha sido uma empresária bem sucedida, não era parva nenhuma.

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How Trump Just Proved He's an Idiot: Michael Wolff | Inside Trump's Head

Trump chronicler Michael Wolff joins Joanna Coles to examine a week where Trump’s world collides with scandal, faith, and science. From Epstein’s secret photo stash and Kash Patel’s embarrassing congressional testimony, to Trump’s jarring rage at Charlie Kirk’s memorial, Wolff dissects the cracks in MAGA’s political and spiritual future. Erika Kirk’s moving forgiveness speech, Trump’s uninformed vaccine rants, and Sam Nunberg’s blunt “Trump is an idiot” verdict all point to a deeper question: how much longer can Trump’s anger and anti-science rhetoric hold his MAGA movement together?

  • 00:00 - Introduction
  • 01:48 - Fergie Haunted By Her Epstein Relationship
  • 04:10 - Kash Patel Is In Over His Head
  • 06:09 - Photos Of Trump With Girls At Epstein's House
  • 09:05 - Why Charlie Kirk Isn't Actually A Political Figure
  • 13:25 - Erika Kirk Commands Spotlight At Charlie's Memorial
  • 16:30 - Sam Nunberg Calls Trump An Idiot
  • 18:32 - Trump's Wild Autism Comments
  • 20:33 - Why Trump Clings To Autism Issue
  • 27:14 - Lindsey Halligan's Turn As US Attorney
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Desejo-vos uma feliz sexta-feira