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domingo, julho 05, 2026

Nomeio-te, logo existes

 

Com a família cá, ditosos são sempre esses dias. Mesmo com o calor tropical, a leveza envolve-nos. Houve quem viesse para o almoço, houve quem viesse para o lanche e houve quem ficasse para o jantar e houve até um que veio depois de jantar.

E agora, depois de se ver o futebol, três deles já dormem. Desta vez não houve disputa sobre quem ficava na cama grande: aceitaram pacificamente que a mana, grande como já está, é justa dignatária do privilégio. 

E eu já estou cheia de sono. E já sei que acordarei cedo, chilreiam que é um gosto, e talvez com uma visita ao quarto. Por isso, vou ser breve.

Antes do jantar, enquanto os meninos estavam nos banhos, sentei-me um pouco e reparei que a grinalda de bolas coloridas, que se acendem a partir da luz solar, finalmente se acenderam. Era um botãozinho que tinha que ser mudado. Ficou tão bonito. Gosto imenso de luzinhas, acho que dão um ambiente muito feliz. Só não encho tudo de luzinhas porque sou impedida.

E ainda fiz uma ou outra fotografia. Gosto imenso de fotografar. Mas, antes de fotografar, gosto de ver. Gosto de estar entre o verde, entre as sombras que mudam, junto à luz que vagueia embelezando tudo, trazendo o requinte do dourado aos espaços, gosto de sentir que sou parte integrante do lugar e do tempo, estou ali como uma árvore ou uma flor está, como um bicho, sou o pó das estrelas que um dia voltará às estrelas.

Já várias vezes aqui trouxe os hábitos japoneses com que tanto me identifico. Volto ao assunto. Sigo esses hábitos sem saber que podem não ser apenas excentricidades minhas, que há palavras para nomear esses momentos de pura felicidade. Partilho-os.

6 palavras japonesas que vão mudar a sua visão da natureza

Há momentos na natureza que muitas vezes ignoramos.

A forma como a luz solar se filtra pelas folhas. A beleza silenciosa da chuva. A mudança das estações. 

Em japonês, muitos destes momentos têm palavras próprias. Algumas descrevem o que vemos, enquanto outras oferecem uma forma diferente de ver.

Neste vídeo, exploramos seis conceitos japoneses:

• Shinrin-yoku (Banho de Floresta)

• Komorebi (Luz do Sol Através das Folhas)

• Suiu (Chuva Verde)

• Fukinsei (A Beleza da Irregularidade)

• Kachō Fūgetsu (Aprender Através da Natureza)

• Mono no Aware (A Beleza da Impermanência)

Espero que estas ideias o incentivem a abrandar, a observar mais e a apreciar a beleza silenciosa que sempre esteve à nossa volta. 


Desejo-vos um feliz dia de domingo

domingo, janeiro 18, 2026

Komorebi

 

Acabei de ter uma grande alegria. Aprendi uma coisa e percebi que, na volta, não sou maluca de todo.

Vou contar-vos. 

Tenho um hábito, coisa muito minha, que me leva a ficar a olhar para os muros, para as paredes, para o chão, e que me deixa encantada. É como se o mundo dito real, palpável, se desdobrasse em vários outros, ao mesmo tempo efémeros e imarcescíveis. 

Se tenho comigo o telemóvel, fotografo. Senão, muitas vezes vou a correr buscá-lo. Dantes usava a máquina fotográfica, mas tantas se estragaram que desisti. O telemóvel serve bem. Então fotografo o que me encanta. 

Mesmo à noite, quando vamos passear com o cão, deixo-me ficar para trás para fotografar. Fotografo a sombra que a luz dos candeeiros projecta nos muros, fotografo as árvores contra o céu escuro, quase a sombra que as árvores nocturnas espelham no céu. 

Esta fotografei há pouco, achei-a linda

O meu marido apressa-me, não lhe parece bem que, à noite, as ruas vazias, e isto já para não falar no frio ou na chuva, eu atrase a marcha, me demore, me deixe ficar sozinha. Dantes perguntava o que é que eu estava a fotografar. Agora já se deixou disso. Quando perguntava, muitas vezes eu respondia: 'Nada'. E não era para ser antipática, era mesmo porque achava que ele não ia achar muito lógico se eu dissesse  que estava a fotografar sombras. 

Tenho incontáveis fotografias disso: a sombra que as coisas fazem. A sombra fugaz. Daí a instantes, a posição relativa das coisas face ao sol (ou ao foco de luz) estará diferente, as sombras estarão diferentes ou inexistentes. Ou se o vento agitar as coisas, a sombra perderá a sua nitidez. Adquirirá então movimento, tornar-se-á fluida, ainda mais lábil.

Não comentava com ninguém, ou até escondia, este meu encantamento. Achava que, se falasse nisso, as pessoas achariam que eu não era boa da cabeça e eu teria dificuldade em rebater, se calhar é mesmo pancada. Se me dissessem que eu estava a enaltecer uma coisa banal, uma coisa a que qualquer pessoa normal não atribuiria qualquer relevância, iria pôr-me a falar da beleza poética do que é imaterial, do que não deixa rasto? Estaria a enterrar-me ainda mais, não é?

Mas eis que agora me aparece um vídeo em que se dá um nome a isto. Komorebi. A luz do sol filtrando-se através das árvores. Ou seja, não apenas não é maluquice minha como até tem um nome. Adorei o vídeo: fala-se sobre o assunto, fala-se da beleza das sombras etéreas, intangíveis, móveis, belas, fala-se do que se pode contemplar em silêncio, do que se pode sentir dentro de nós. 

A beleza do Komorebi: como os japoneses veem a luz filtrada

Komorebi é uma palavra japonesa que descreve a luz solar a filtrar-se pelas árvores.

Neste vídeo, exploramos a beleza do komorebi e como os japoneses veem a luz filtrada não apenas como algo que vemos, mas como uma experiência serena de tempo, natureza e presença.

Das florestas e ruas da cidade à arquitetura, jardins de chá e vida quotidiana, o komorebi revela uma forma delicada de perceção do mundo. Ele lembra-nos que a beleza não exige atenção. Ela espera por ela.

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E bora lá votar.

E um belo dia de domingo