Chego a esta provecta idade carregada de ignorâncias. Por exemplo, no outro dia, estávamos no supermercado e o meu marido chamou a minha atenção para um fruto, perguntando: 'Será bom?'. Nem ele nem eu sabíamos de que fruto se tratava. Vi a etiqueta. Pitaia. O nome era conhecido mas o conteúdo não.
Atraiu-me, sobretudo, a sua cor, a sua beleza. Escolhi uma e trouxe. Fotografei-a. Aqui está, numa tacinha cá em casa.
Isto foi a semana passada, estávamos no campo.
Acontece que com isto e aquilo e mais com as barrigadas de figos que tinha apanhado, fui protelando a inauguração do belo fruto.
No último dia, quando íamos já na autoestrada a caminho da cidade, o meu marido lembrou-se que lá o tínhamos deixado. Fiquei preocupada. Não tinha sido especialmente barato, se calhar era frágil e temi que, ao regressarmos, déssemos com ele já mole e estragado.
Por isso, quando cá chegámos fui logo apalpá-lo. Pareceu-me que ainda estava íntegro, em boa forma.
Entretanto, já a papámos. Não posso dizer que tenha um sabor extraordinário. Não tem. Tem um sabor neutro. Come-se bem, não cansa, justamente porque quase não sabe a nada. Mas é fresca, molhada, escorrega bem (obviamente, estou a referir-me à pitaia).
Esta que trouxemos é a branca. Fui ao meu amigo ChatGPT saber se, pelo menos, tinha virtudes compatíveis com a beleza do exterior. Cá está:
A pitaia, também conhecida como fruta do dragão, é uma fruta tropical originária da América Central e do Sul, mas atualmente é cultivada em diversas partes do mundo, incluindo o Sudeste Asiático. Existem diferentes tipos de pitaia, sendo as mais comuns a pitaia branca (Hylocereus undatus) e a pitaia vermelha (Hylocereus costaricensis).
Os benefícios da pitaia branca incluem:
Rica em Antioxidantes: A pitaia é rica em antioxidantes, como a vitamina C, que ajudam a combater os radicais livres, protegendo as células do corpo contra o envelhecimento e doenças.
Fonte de Fibras: A pitaia é uma excelente fonte de fibras alimentares, que são essenciais para o bom funcionamento do sistema digestivo, ajudando a prevenir a constipação e promovendo a saúde intestinal.
Baixa em Calorias: A pitaia branca é uma fruta de baixa caloria, o que a torna uma excelente opção para quem está tentando perder peso ou manter uma dieta equilibrada.
Hidratação: Com alto teor de água, a pitaia ajuda a manter o corpo hidratado, especialmente em climas quentes ou durante o exercício físico.
Promove a Saúde Cardiovascular: A pitaia pode ajudar a reduzir os níveis de colesterol ruim (LDL) no sangue, devido ao seu conteúdo de ácidos graxos saudáveis e fibras, o que é benéfico para a saúde do coração.
Ação Anti-inflamatória: A pitaia possui propriedades anti-inflamatórias que podem ajudar a reduzir inflamações no corpo, aliviando sintomas de doenças inflamatórias crônicas.
Fortalecimento do Sistema Imunológico: A vitamina C presente na pitaia é importante para fortalecer o sistema imunológico, ajudando o corpo a combater infecções.
Controle dos Níveis de Açúcar no Sangue: Estudos indicam que a pitaia pode ajudar a regular os níveis de açúcar no sangue, sendo benéfica para pessoas com diabetes.
Benefícios para a Pele: O consumo regular de pitaia, devido ao seu conteúdo de antioxidantes e vitamina C, pode ajudar a manter a pele saudável e retardar o envelhecimento cutâneo.
Prevenção da Anemia: A pitaia contém ferro, essencial para a produção de hemoglobina no sangue, o que pode ajudar a prevenir a anemia.
A pitaia branca, além de ser saborosa e refrescante, pode ser consumida de várias formas, incluindo fresca, em smoothies, saladas, ou como parte de sobremesas.
Só virtudes. Portanto, aprovada.
E, por hoje, nada mais havendo a reportar, dou o expediente por encerrado.
Continuo noutra. Por exemplo, organizei-me para ver a Cerimónia de Encerramento dos Jogos Olímpicos. Onde é que eu, alguma vez, me plantava em frente da televisão para ver aberturas ou encerramentos?
E preocupo-me não vá isto ser a antecâmara para um patamar ainda mais grave: ou seja, sentar-me em frente da televisão para ver o programa da Tânia de manhã e o da Júlia à tarde.
Tento tranquilizar-me dizendo aquelas frases consoladoras em que algumas pessoas encontram sentido: 'Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa'.
Mas, pronto, whatever. Uma coisa tenho que confessar: tenho estado a gostar. É bom ver tanta gente junta de tantos países de tantas raças e credos, todos juntos, em festa. Canta-se, dança-se, ri-se.
Se eu fosse Miss Qualquer Coisa diria que seria tão bom se o mundo fosse sempre assim, todos amigos de todos, todos em paz. E amor. E só não falo de sexo porque aqui pode parecer deslocado... mas, na realidade, parece que, como sempre, com tanta concentração de hormonas aos saltos, houve mais sexo por metro quadrado do que em qualquer outro ponto do planeta. Mas isso também é bom e também merece ser festejado. Make love not war, lá diziam os nossos antepassados.
Abro um parêntesis para dizer que está a Yseult a cantar o My Way, o vozeirão que se sabe, mas com uma indumentária que é qualquer coisa. Diria que do além. Uma coisa espantosa. Todo um filme. Merece ir do palco directamente para o museu. A sério.
Já antes tinha cantado a Billie Eilish (neste caso, numa gravação) mas também vestida de uma maneira que me deixou a tentar perceber qual a lógica. Digamos que no extremo oposto da Yseult. Mas, mesmo quando acho um disparate, gosto. É um mundo em que cabe tudo. Pelo menos aqui, a este nível, cabe.
E é isto, e só isto, pois, nestas circunstâncias de pura alienação, que mais posso dizer?
Não sei.
Não vi MM nem PP nem senti pena. Nem sequer notícias. Portanto, falo mais de quê?
Só se for que já esfaralhei os orégãos todos e já os embalei, para aí uns doze boiões. Esfaralhei ou esfarelei? Ou nem uma nem outra? Não sei que palavra usar para separar as folhinhas previamente secas dos respectivos paus.
Também posso acrescentar que, pelos meus anos, o meu filho me ofereceu um conjunto de alimentos bio, entre eles o latte dourado. Fiquei sem saber como usá-lo. Mas fiz uma experiência e estou fã.
O meu pequeno almoço é assim:
1 banana
1 laranja
meio abacate
kefir
1 café expresso
O kefir que consumo é natural, sem sabores, sem açúcar, geralmente meio líquido, com aquele piquinho (não digo que a azedo pois a expressão é dada a outras conotações) digamos que com saborzinho a coisa fermentada. Pois misturo-lhe um bocadinho do pó amarelo (latte dourado), para aí o equivalente a uma colherzinha de café. Mexo. E adoro. Mesmo bom.
E tão simpatizante estou destas cenas que agora também ponho um pouco de canela na chávena de café.
Supostamente estes pózes (será que é assim que se escreve o plural de pó...?
) são antioxidantes e anti-inflamatórios. Acredito que sim mas não tenho como garantir. O que posso garantir é que sabem muito bem e que me sinto muito bem depois de tomar o pequeno-almoço.
Depois almoço. A meio da tarde, se me dá a fome, como frutos secos (em maior quantidade do que devia mas aí, lá está, entra em cena aquela minha faceta de gulosa).
E depois janto.
Mais nada. Se calhar devia comer menos quantidades ao almoço e ao jantar mas sou um bom garfo e também não estou ainda na fase de abdicar dos meus prazeres.
E claro que isto é assim se não tiver uma figueira carregadinha por perto. Se tiver, já se sabe, é comer até caber. Um disparate.
Por vezes a meio da tarde, quando tenho sede, em vez de beber água (que é o mais frequente), se tiver em casa kombucha, bebo-a bem fresquinha, meio copo. Para fazer render, junto água fresca. Às vezes espremo limão lá para dentro. Fica sempre bom. Também tem o tal piquinho. Gasosinho. Bem bom.
A chatice é que ainda só encontrei kombucha, em garrafa de litro (creio que é de litro), no Continente (passe a publicidade, bolas). Nos outros supermercados nem sabem o que é.
Vi o debate entre Jerónimo de Sousa e António Costa. Jerónimo de Sousa, com ar vendido, sem viço, com uma conversa que frequentemente roça o populismo, usa um discurso vago, oco, dizendo verdades inegáveis mas sem apresentar uma única solução. O PCP disfarça o estado de exaustão ideológica dizendo banalidades. Não conseguiu explicar porque é que chumbou o orçamento quando era um orçamento que ia mais longe do que alguma vez se tinha ido na defesa dos direitos dos mais vulneráveis e na concessão de regalias aos mais carentes. Não consegui explicar, claro. Enunciou pretensas medidas inexequíveis e ilusórias mas enunciou-as de forma gasta, sem vida.
A questão do salário mínimo, por exemplo. Claro que toda a gente gostaria que o salário mínimo desse um valente salto. Mas... e depois? Iria encostar-se ou ultrapassar os outros salários? Esses teriam que subir. Mas... iam encostar-se ou ultrapassar os seguintes...?
E as empresas iriam aguentar o embate dessa subida generalizada dos custos de mão-de-obra sem repercutir nos preços de venda? Provavelmente não. Com as margens de lucro esmagadas como andam por quase todo o lado... Mas os clientes iriam suportar o aumento de preços...? Bom, se calhar não.
É que, como António Costa referiu, grande parte dos possíveis beneficiários não são funcionários públicos ou trabalhadores de empresas altamente lucrativas. Grande número das pessoas que usufruem do salário mínimo trabalha em pequenos restaurantes, pequenos cafés, pequeno comércio. Numa altura em que todas essas pequenas empresas estão tão causticadas pela pandemia, como infligir-lhes ainda outro golpe...?
Subir o salário mínimo, sim, claro. Mas de forma gradual, de modo a que toda a cadeia económica consiga adaptar-se.
O PCP e o BE não percebem isto? Bom. Se não percebem isto, então, mais vale que se dediquem a outra actividade, não à política ou a qualquer função em que se exija algum sentido de responsabilidade.
E, se percebem isto e, ainda assim o defendem, então das duas uma: ou querem o mal do país ou acreditam que a malta não percebe a sua hipocrisia.
Agarrado a conversas velhas, sem vida, o PCP continua, pois, a sua trajectória descendente. Não tem nada a propor. Continua a exibir jargões gastos, bandeiras que não convencem ninguém.
Antes vi excertos do debate de Rui Rio com o Ventura, Rui Rio com a Catarina Martins, Catarina Martins com o Rui Tavares.
A única coisa nova nisto é o cabelo da Catarina Martins: agora está loira e com madeixas.
Tirando isso, mantém-se populista, demagógica. Mostra que a deslealdade lhe corre nas veias, em abundância.
Tal como Jerónimo de Sousa, usa argumentos hipócritas para defesa das suas indefensáveis atitudes.
Fui defensora e, depois, apoiante de uma solução à esquerda, apesar de já antes o PCP e o BE se terem aliado à direita para abrirem a porta a um governo de direita, um dos piores de sempre, o de Passos Coelho e Paulo Portas. Mas achei que traição tão grave acontece uma vez na vida. Acreditei que as probabilidades de voltar a acontecer eram mínimas.
Afinal aconteceu uma segunda vez. Sem outra justificação que não a de ceder ao facilitismo de querer agradar ao seus militantes mais fundamentalistas, Jerónimo e Catarina uniram-se ao Rui Rio, ao puto Chicão e ao execrável André Ventura, abrindo uma incompreensível crise. Idem ao IL mas esse não conta. Só conta, como já o disse, porque acho o Cotrim de Figueiredo uma bela figura de homem, ainda por cima sempre elegantemente vestido. E sabe falar e apresentar-se. Ora, na política, isso é importante mas não chega.
Mas, voltando ao PCP e ao Bloco. Tenho lembrado amiúde a propósito do comportamento destes dois partidos: Roma não paga a traidores. Portugal também não. Não perdoamos a traidores, ainda por cima traidores reincidentes. Da parte que me toca, e não passo uma simples e insignificante votante, não apoiarei novo acordo que envolva partidos nos quais o Jerónimo de Sousa, a Catarina Martins ou as manas Mortáguas estejam ao comando ou que tenham o cardeal Louçã na rectaguarda. É gente em que não é possível confiar. Lamento mas é coisa que não consigo ultrapassar. Não perdoo actuações políticas desleais, irresponsáveis, hipócritas.
Claro que Rui Rio também não é flor que se cheire: que não haja dúvidas sobre isso -- é errático, incoerente, é um troca-tintas, um tangas, não tem uma linha de rumo firme. Já deu mil provas disso. Não tenhamos pois dúvidas. Mas, a ter que contar com o apoio de algum partido, e se o Livre e o Pan (partidos relativamente neutros e em que, apesar de alguns excessos a absurdos, parece haver algum bom senso) não chegarem, preferiria que se desse uma littlee controlada hipótese ao Rui Rio do que esperar que a demagoga e populista Catarina Martins e o gasto e servil Jerónimo (servil perante a linha dura dos seus militantes) traiam uma vez mais os seus eleitores (e o eleitorado de esquerda em geral).
Claro que preferia que o PS atingisse uma maioria estável sem necessidade de ficar na mão de quem começa bem mas acaba a chantagear. Confio no António Costa e confio na sua capacidade para formar e gerir equipas competentes e sérias. Confio na sua visão humanista e europeísta, confio na sua capacidade de ajustar um rumo estratégico face às circunstâncias adversas que vão ocorrendo, confio na sua capacidade de introduzir temas inovadores e na sua capacidade de ouvir e articular partes contrárias.
Tenho andado a ler à vez: um pouco do Para quê tudo isto?, biografia de Manuel António Pina e um pouco do Como não morrer.
Comprei o segundo livro para a minha mãe. O bom efeito da nutrição na prevenção e tratamento de doenças é o género de livro de que ela gosta, ainda mais escrito por um médico. Depois de o ter comprado, cá em casa folheei-o e pareceu-me bastante interessante.
Pensei que seria interessante para nós, cá em casa. Então, lembrei-me de o oferecer ao meu marido pelo Natal. Ofereci-lhe também o Jerusalém, a biografia. E, então, no meio da confusão da abertura dos presentes, todos a darem presentes a todos, abre ele o pacote com o Como não morrer e eis que o vejo ficar com ar estupefacto e os filhos a rirem e, ao mesmo tempo, a acharem que era um presente disparatado. Não percebi porquê. Não sei se acharam que era alguma indirecta, assim como se fosse um livro que se dá a alguém que está quase a bater as botas, se quê... Se o livro fosse: Como morrer mais depressa eu ainda perceberia que houvesse desagrado e estupefacção. Agora... é justamente o contrário... Nem é um livro dedicado à terceira idade. Não. É um livro bem escrito sobre as principais doenças causadoras de morte e como a medicina tradicional as encaram vis a vis uma alimentação saudável e equilibrada e um exercício físico adequado para as prevenir e ajudar a combater. Vou lendo aos bochechos e, até ver, estou a gostar de ler. Até estou a pensar oferecer aos meus filhos. Acredito piamente que uma vida saudável e uma alimentação equilibrada são fundamentais. Não garantem a vida eterna -- e ainda bem porque a vida eterna deveria ser uma seca -- mas talvez ajudem a viver melhor.
___________________________________
As pinturas de Odilon Redon não têm muito a ver com o texto mas também o Vejam bem do Zeca não tem e não é por isso que deixa de ser aqui muito bem vindo.
E, para provar que não há limites para o despropósito e para lembrar que são precisos dois para dançar o tango, trago aqui, uma vez mais, o belíssimo tango dançado por Al Pacino e Gabrielle Anwar no Perfume de Mulher.
E se é bom ver Al Pacino a dançar, imagine-se o que será dançar com ele...
Já o contei: em pequena odiava leite, dava-me vómitos, só de pensar já ficava agoniada. Nessa altura ia uma leiteira vender leite a casa, leite esse que a minha mãe fervia. Havia uma peça chamada fervedor. Volta e meia o leite vinha por fora e ela ficava arreliada, sujava-se o fogão e o próprio fervedor.
Quando arrefecia, formava-se uma película à superfície. Se calhava algum resquício dessa nata ir parar-me à boca, então, o caldo estava entornado de vez. Uns vómitos que me vinham das entranhas...
A minha mãe tentava de tudo. Amornava o leite se estava frio, amornava-o se estava muito quente. E misturava ovomaltine, nesquik. Ou punha apenas açúcar. Tudo me incomodava, tudo me enjoava.
Só comecei a gostar de leite quando experimentei as garrafinhas de ucal com chocolate.
Mas devo aqui introduzir um apontamento: tal como fiz mais tarde com a minha filha, também a minha mãe me deu de mamar até eu já ter um ano. Desse não há registo de eu me queixar. Já o meu filho era um desatino a mamar. Quando resolveu deixar de querer mamar, se fiquei preocupada, a verdade é que, por outro lado, senti um enorme alívio. Magoava-me, engasgava-se. Um desassossego.
Mais tarde, provavelmente já quando estava grávida e a receita incluia o leite é que descobri que se bebesse leite magro frio, o suportava bem. Passei a ter o cuidado de beber pelo menos um copo por dia. Mas aquilo de que gosto mesmo é de iogurte pelo que de bom gosto trocava o leite por iogurte.
Até que a nutricionista me explicou os malefícios do leite. Mostrou-me, no computador, artigos científicos que demonstravam os malefícios do leite na idade adulta. Sinceramente, não sei reproduzir mas fiquei com a ideia de que provoca inflamações.
E eu de bom gosto o aboli. Praticamente também os iogurtes. Sobrou o queijo. Gosto muito de um bom queijo. Agora beber leitinho, está bem, está.
Como fruta, legumes, tento caminhar e apanhar sol. O que sei é que não sinto falta. Se calhar, daqui por algum tempo aparece outra teoria que vai provar que o leite é imprescindível. É a vida.
E esta conversa toda a propósito da campanha da PETA que muitos acho um desaforo, um mau gosto. Eu acho fantástica, linda. Ora vejam.
Devo dizer que já antes tinha ido a uma nutricionista. Sentia que tinha alguns quilos a mais e, sobretudo, arreliava-me não poder vestir blusinhas justinhas sem que se percebessem os pneus. Em verdade se diga que eram uns pneus a modos que raquíticos mas ainda ssim pneus. Seguindo eu uma dieta super saudável e na base do regime crudífero, que é o que prefiro, o meu pequeno almoço era sobretudo peças de fruta, iogurte com cereais, ao almoço bebia sumo natural a acompanhar a refeição e no fim rematava com uma salada de fruta, chegava a casa e comia uma peça de fruta e uma mão cheia de frutos secos e terminava com um jantar leve com salada e fruta. Conclusão da nutricionista: fruta a mais. Eu parva. E ela, ah pois é, açúcar que se farta. Adoptei o novo regime, perdi peso, fiquei bem e assim me mantive durante bastante tempo.
Até que, aos poucos, fui deixando para lá. Pãozinho com queijo, iogurtezinhos, fruta e mais fruta, uma ou outra sobremesa sempre que calhava, um copo de vinho às refeições e já lá ia eu upa, upa.
O médico da medicina do trabalho disse que estava bem assim, sem peso a mais. Eu a protestar, que sabia que tinha uns quilitos a mais e ele que não. Já o contei aqui pois fiquei furibunda -- acrescentou: 'Para a sua idade...'.
Até que voltei à nutricionista.
Como sou disciplinada, num instante perdi seis quilos e doze centímetros de perímetro abdominal. Mas como não sou tão disciplinada como deveria ser, já estou outra vez a fraquejar. Já aumentei um quilo. No entanto, a nutriconista achou bem, diz que se me mantiver assim, estarei bem. Mas eu sinto que mais um deslize e lá as blusinhas brancas a tender para o revelador passarão à história. E se tenho comido doces... (bolos de anos, folares, sericaias, fruta, fruta e mais futa, etc...)
A nível estético é que ainda não realizei nenhuma intervenção. Nem corrigi imperfeições de nascença nem disfarecei os efeitos da iadade. Não que não precise mas porque não nasci para sofrer (e acho que o pós-operatório dessas coisas deve ser péssimo) nem tenho coragem para correr o risco de ficar a parecer uma múmia pastelona de beiças esbandalhadas.
A despropósito: um colega chegou ao pé de mim a mostrar-me uma foto no seu telemóvel: 'Veja lá se sabe quem é'. Olhei e não conheci. Ele insistiu: 'Veja bem'. Vi bem. A feição não me era estranha mas não, não identificava. Mas, então, reparei no último nome do seu apelido e ia-me dando uma coisa. Era um ex-colega nosso. Tinha-me despedido dele há uns anos como um homem de meia-idade. Aquele ali era um homem já com um ar entrado. Mais bonito, com muito melhor aspecto mas, caneco, com mais uma carrada de anos em cima. Fiz as contas. De facto, mais de dez anos depois, talvez fosse natural que já não parecesse ser o quarentão de que me despedi.
Agora uma coisa é certa: é frequente que os homens melhorem como tempo. Já as mulheres não, perdem viço sem ganharem nada em troca. Mas, enfim, é o que é.
.....................................
E isto a propósito de uma série de fotografias antes e depois, mas uma daquelas séries mesmo ao meu gosto.
Por mail, uma Leitora fala na minha 'dieta', outra pergunta-me como ando de dietas e a uma outra ando há séculos a dever uma resposta sobre o meu 'regime'.
Portanto, aqui vai.
Começo por dizer que a minha dieta se destina não apenas a ver se não engordo (porque não devo gastar as calorias necessárias já que, com qualquer doce do tamanho de uma bolota, aumento de peso como se tivesse comido uma abóbora recheada de açúcar -- mais ou menos, claro) mas também para evitar inflamações (tendinites, por exemplo, que ultimamente me maçaram um bocado). Acresce que a nutrionista me falou nas calcificações (nas veias?) que resultam das inflamações e que são causadoras de AVC's. Penso que não deve ser bem como estou a dizer mas agora já não me lembro bem da explicação científica que ela me deu -- mas a ideia é mais ou menos esta. Com o historial de AVCs na minha família (a minha avó paterna, o irmão dela, o meu pai), prefiro acautelar.
Cortei com tudo o que é produto lácteo: deixei de beber leite, comer queijo ou iogurtes. Claro que, em dias santos, não resisto ao queijo ou a um iogurte mas, enfim, é só quando o rei faz anos.
Deixei de beber vinho. Nunca bebi muito mas bebia um meio copito ao jantar e ao fim de semana. Agora é em menos quantidade e apenas espaçadamente.
Deixei de comer pão ou demais cereais. Só ao fim de semana (e isto, se calhar comer fora ou ter cá gente em casa).
Em jejum, bebo sumo de um limão misturado com um copo de água morna.
Só depois tomo banho. Depois penteio-me, aplico um hidrante no rosto. A seguir, ou seja, cerca de dez a quinze minutos, sigo para o pequeno almoço.
Aí (excepto ao fim de semana, em que como apenas fruta e uma gelatina) é sempre isto: misturo, num prato, um ovo cozido às rodelas, meia beterraba cozida, uma banana, uma outra fruta (dióspiro ou maçã ou kiwi), alface e, de vez em quando, dois espargos em conserva. Rego com um fio de mel e um de azeite. Gosto, sabe-me bem.
Depois bebo um café.
Quando chego ao escritório, bebo outro café. A meio da manhã bebo um chá, ou verde ou de camomila ou de cidreira ou de outra coisa qualquer.
Ao almoço, como normalmente (carne ou peixe e acompanhamento -- em que os hidratos de carbono não sejam em grande quantidade e contemple sempre também legumes ou salada). Acompanho com água.
A meio ou mais para o fim da tarde, se me dá a fome, como miolos de amêndoa (no máximo 12) e vou bebendo água (mas não muita porque a minha vida de andar parte do tempo em reuniões não me permite andar sempre a caminho da casa de banho).
Ao jantar, como sopa (que tem como base cenoura ou abóbora mais courgette, cebola e nabo ou chuchu e depois ervilhas ou espinafres ou feijão verde), depois peixe ou carne apenas com legumes e salada. Completo com uma peça de fruta.
E nada mais. E não ando com fome.
Tomo ainda Omega 3 e K2 na dosagem recomendada.
Ao fim de semana, se como no restaurante, abuso: como disse, como um pouco de pão, queijo, bebo um pouco de vinho e não passo sem uma sobremesa. E, volta e meia, ao fim de semana como um pouco de chocolate preto.
Já estive mais magra (quando nem ao almoço ingeria hidratos de carbono e quando não tocava em sobremesas) mas sinto-me mais feliz com o regime actual e, de resto, a questão é que não consigo ser mais regrada do que sou. Não gosto de me violentar. Este regime é-me agradável. Não sinto que esteja a privar-me de nada.
* 'linda' é como quem diz, claro está. E uma coisa é certa. Olho para fotografias de quando tinha vinte e tal ou trinta anos e comia tudo o que calhava e tinha uma cinturinha estreita e uma largurinha de corpo que não dá para entender. Agora, com este regime, não estou magra (mas nem pouco mais ou menos -- e, de resto, a minha compleição é mais de carnadura do que de ossadas). Mas, enfim, acho que estou razoável, visto o que quero e sinto-me bem.
[E as minhas desculpas: ontem à noite pensava que conseguiria publicar isto mais cedo mas o dia foi bravo e só agora consegui acabar. Caso pretendam mais alguns esclarecimentos, disponham]
..........................
E tinha em mente escrever uma outra coisa mas isto hoje está fora de controlo: adormeço a todo o momento. Tenho que ir dormir, senão daqui a nada caio para o lado.
Pois tenho a dizer-vos que aqui onde me vedes está uma Pamela Andersen em potência mas, of course, antes de ela assumir a idade e se apresentar irreconhecível em Cannes.
Não é por nada mas um qualquer click dentro de mim fez com que resolvesse ajustar um pouco os meus hábitos alimentares, tentasse encontrar tempo para fazer uma caminhada por dia mesmo que liliputiana e, aqui é que está a suprema novidade, tentasse ainda fazer alguns exercícios. Nada de ginásios que eu não sou cá dessas disciplinas e já me basta o stress quando tenho que chegar a uma hora a um sítio e me vejo engaiolada no trânsito. Não, not me. Horas de ginásio? Ná. Em casarolas.
Mas coisa a sério. Com instrumentos e tudo.
Não sei se vos contei. Uma vez, eu gostava de receber pelos anos ou pelo natal, já não me lembro (mas também não interessa), uma passadeira, daquelas que inclinam e aceleram. Punha na varanda e faria ali caminhadas na maior, sempre a abrir. O meu marido registou. E eu registei que ele registou. Chegou o dia e, esperando eu um embrulhão gigante, recebo uma caixinha de papel. Em vez da passadeira, uma bola. Chama-se uma fitball. Encheu a bola e a bola transformou-se numa bolona azul. Fiquei para morrer. Só podia estar a gozar. Mas não. Com aquela cara de pau que tão bem lhe conheço, e como se achasse normal, disse-me que achou que a passadeira era grande demais, que atravancaria a varanda e que aquela bola era do melhor que havia para fazer exercícios. Fiquei passada. É preciso ter desplante para me fazer uma daquelas e ficar na maior. Mas pior. Tentando perceber o préstimo da coisa, montava-me naquilo e rebolava por todo o lado. Por fim, já ria a bandeiras despregadas. Claro que a bola faz a delícia dos miúdos. Volta e meia distraio-me, sento-me nela mas, mal levanto os pés do chão, lá vou eu.
Muito bem.
Guardado estava o bocado para quem o havia de comer. Instrumento precioso para os meus exercícios, agora já com alguma orientação.
Mais. Tínhamos cá em casa dois pequenos halteres mas o que dava jeito era daqueles cujo peso se vai aumentando. Decathlon com ela. Halteres de toda a espécie e feitio. Ora, a minha cabeça não está ginasticada para processar tantas alternativas. Perguntei ao jovem empregado que, certamente percebendo a minha iletracia haltérica, me disse que o melhor era levar o kit, uma caixa que já tinha tudo, a barra, pesos crescentes e as molas para prender os discos. É mesmo isto - exclamei. Uma caixa a pesar horrores. Chego a casa e ... desastre. Só um haltere. Com aquela cangalhada toda, é verdade, mas só um. Fiquei soterrada. Um haltere? Mas vendem uma caixa só com um haltere? Para que é que serve um único haltere?
Mas pronto. Fazer o quê? Voltar lá com aquele pesadelo, fazer a devolução e, depois, pôr-me a escolher peça a peça? Nem pensar. Chegava a casa, carregada de pièces detachées, e ainda corria o risco de as argolas não enfiarem no ferro ou as molas serem da roupa e não daquilo. Ná. Conheço as minhas limitações. Paciência. Fica assim.
E mais um elástico. Pensei eu que perguntando onde estavam os elásticos, era chegar e trazer. Qual quê....? Elásticos de todo o tamanho, preço e feitio. Trouxe o mais barato que, ainda por cima, não se parecia nada com o da fotografia (mas nenhum se parecia).
Antes de me vir embora, por via das dúvidas, já que lá estava, resolvi trazer também um outfit à maneira. Calçãozinho curtésimo e blusinha de alças, decote e justinha. Tudo em cinzento clarinho. Só não trouxe uma fita para a testa porque, também, não é preciso abusar.
Sou assim. Um caso perdido. É como quando penso que um dia hei-de tornar-me escritora. A primeira coisa que logo me ocorre é resolver em que mesa vou escrever ou em que cadeira me hei-de de sentar. Vou evoluindo na decisão. Agora acho que tinha que ser uma mesa gigante numa divisão quase sem mais nada, talvez com uma jarra com flores frescas numa ponta da mesa. Depois começo a pensar como haveria de ser a jarra e que flores lá havia de pôr. Se frescas, tinha que estar sempre a mudar. Artificiais não faria sentido. Portanto, melhor esquecer as flores. Talvez pudesse ser uma jarra muito bonita apenas com água. E uma semana punha um corante amarelo na água, outra um corante azul. Mas depois penso que não tenho nenhuma divisão disponível para isso, nem vejo onde havia de arranjar uma big mesa tão grande como devia ser ou onde haveria de pô-la - ao lado da janela? Encostada a uma parede? Com uma estante por trás?
E é isto. Dúvidas e mais dúvidas. Depois, como me parece que não estão reunidas as condições logísticas, concluo que o melhor é desistir de ser escritora.
Com os exercícios, idem. Primeiro estas pepineiras, só depois a disposição e o tempo para isso.
Chego a casa às quinhentas. Chegada a casa, já não tenho pachorra. Mas pronto. Dias não são dias. Hoje tive. Ginástica com ela. O plano ao meu lado, os vídeos para seguir as instruções.
Mas está bem, está. Parece que a respiração está trocada. Quando ouço que é para inspirar só me dá jeito expirar e vice-versa. Quando ouço que, ao levantar os pesos e expirar e que, ao mesmo tempo, devo comprimir os músculos tal e tal, está bem, está. Parece que, uma vez mais, a minha cabeça, concentrada que está nos movimentos e na coordenação da respiração, já não é capaz de processar ordem de comando para os músculos pretendidos.
Acabei ao fim de meia hora, depois de ter abreviado algumas séries, e estafada, com a tensão baixíssima. Como tenho sempre a tensão baixa, esta coisa das respirações profundas ou de levantar as pernas ou sei lá o quê, ainda a baixou mais.
Felizmente tinha trazido uma garrafinha de água -- que menina que faz ginásio e modela os glúteos tem que ter ao lado uma garrafinha de água, olha lá -- e beber água ajuda-me a reequilibrar os chakras.
[Estou a gozar. Não faço ideia do que seja isso de equilibrar os chakras. Ia escrever 'equilibrar a tensão' mas já estou a escrever a sério há tempo demais, já me estava a apetecer aparvalhar. Sorry]
Pronto. De qualquer forma, fiz exercício físico e fiquei logo a sentir os músculos, quando, regra geral, nem dou por eles.
E é verdade. Um dos exercícios é feito com haltere único e o tal único até deu bastante jeito. Para levantar os dois ao mesmo tempo, os pequeninos serviram bem.
Portanto, tudo está bem quando termina bem.
E, desde que comecei este meu regime, já tenho menos alguns quilitos e já estou a tratar de reforçar e modelar os músculos. Foi só ainda um dia... mas sou persistente.
Também, quando resolvi deixar de fumar pensei: nunca mais fumo. Nesse instante, para não ficar com peso na consciência, despachei de seguida os três cigarros que sobravam no maço (que perdulária não sou e não ia deitar fora três cigarros) e até hoje. Nunca mais. Já lá vão talvez uns dez anos, talvez até mais e nem mais um cigarro para as colónias.
Portanto, com o exercício é só eu encontrar a disponibilidade mental para, três vezes por semana, me sacrificar a tentar auto-sincronizar-me. E já estou aqui a pensar qual será o next step: começar a fazer ioga? Meditação? Alguma há-de ser. Claro que posso ficar-me apenas pela alimentação equilibrada e pelo exercício regular. Mas não sei, não. Às tantas, tiro os livros todos de cima daquela mesa redonda ao pé da janela, arranjo uma cadeira maravilhosa e desato a ser escritora. Não sei é como hei-de resolver aquilo das flores ou da jarra só com água. Também é verdade que, em vez da jarra, posso lá pôr uma peça artística. Posso antes, por exemplo, esculpir uma peça num tronco de madeira daqueles que lá tenho in heaven. Mas aí, lá está, isso é capaz de ainda me ocupar algum tempo porque esculpir madeira é coisa que também nunca fiz.
Conclusão disto tudo?
Não há. Trata-se de um work in progress, longe da conclusão.
_________________________
Ah, é verdade: esqueci-me de referir outra deliberação nesta new age, mas essa já vocês sabem: dormir mais. Não dormir o suficiente parece que só faz bem ao Marcelo, não aos humanos normais. Não que eu seja muito normal mas, enfim, sou anormal numa escala diferente da do Marcelo que esse é one of a kind e eu sou só sósias tenho pelo menos duas, portanto posso ser anormal mas não sou exemplar único. Portanto, resumindo: não sei se ainda cá volte hoje com mais alguma laracha ou se me deixe disso e vá para a cama sentir a respiração de olhos fechados.
Ou não. Já sei. Vou ali experimentar o varão a ver se, com a ginástica de hoje, já consigo fazer umas habilidades.
_______
[Aos leitores de índole mais seca ou às leitoras que gostam de se armar em catequistas para com esta pobre pecadora, vou já avisando: não, não estou a comparar-me com as beldades enxutas que usei para enfeitar a fraca prosa. Tenho olhinhos na cara para ver as diferenças. Estou apenas a insinuar que qualquer das gordas empanadas que acima vos mostrei devia pôr os olhos em mim caso aspire a tornar-se uma escultural mulherona que nem esta zinha que aqui vos escreve. Capisce?]
Bem queria cá ter vindo mais cedo mas isto não é fácil. As voltas que eu já dei hoje. Até o IRS dos meus pais já está despachado. As compras de supermercado também (mas à tangente: entrámos estava aquilo a minutos de fechar). E íamos para pintar lá umas coisas no campo mas, afinal, não deu. Fomos mas, o que era para estar pronto, não estava. O senhor ainda lá estava a telhar o telheiro que está a ser arranjado. Parece que choveu quase todos os dias, não conseguiu trabalhar. Não sei.
No meio de tudo, enquanto no carro e durante mais um bocado, ainda me encantei com a Virginia Woolf. Depois fiquei a pensar em qualquer será o factor que torna alguém um escritor de qualidade. Não tem a ver com a imaginação pois pode, apenas, escrever sobre memórias e, ainda assim, apesar de descrever vidas mais ou menos rotineiras ou acontecimentos relativamente banais, prender a atenção do leitor ou dar-lhe vontade de reler algumas passagens para contemplar melhor como se atingiu o reforço do sentido (do que o autor quis dizer) através do enleio de algumas palavras, conjugadas de forma especialmente bela. O livro é 'Momentos de Vida' que, no original, é Moments of Being. O livro, além do mais, tem uma bela capa e sobrecapa, uma boa paginação, fotografias, e, estou em crer, uma cuidada tradução pois o que se lê soa bem e a nota inicial da tradutora, Eugénia Antunes, revela uma sensibilidade e uma preocupação que me agradaram.
Mas o tema deste post não tem nada a ver com esta introdução. A bem dizer, o post começa agora.
A cena é que cada vez mais acho que vivemos assentes em ortodoxias que não ajudam nada à nossa qualidade de vida. Impantes do nosso saber, viramos a cara ao que desconhecemos como se, ao não vermos, tivessemos a comprovação da não existência.
Quando se perde campo visual -- e sei disto porque o meu pai, com o AVC, perdeu metade -- ignora-se o que se passa na parte que a visão não reconhece. É como se metade do que temos pela frente estivesse também nas nossas costas.
Assim somos com grande parte do que existe -- e ignoramos.
Que parte dos alimentos que alegremente consumimos são prejudiciais à nossa específica condição -- desconhecemos. Que esticar o braço, a ver se aquilo dá um estalo que vai aliviar a dor no ombro, só agrava o problema -- desconhecemos.
E estou apenas a dar alguns exemplos.
Há profissões que apenas recentemente começaram a sair da sombra apesar de, quando exercidas com profissionalismo, trazerem a quem delas beneficia significativas melhorias na sua qualidade de vida.
Fisiatria e fisioterapia são duas delas.
O tempo que perdi e as chatices que tive enquanto não dei com uma fisiatra que soube interpretar a minha lesão e me tratou como deve ser, ou o que eu aprendi e como melhorei com a fisioterapia. Estou em crer que se frequentássemos, de quando em vez, a fisoterapia, sob recomendação de um fisiatra, quantos comprimidos e dores não evitaríamos.
Outra é a de nutricionista. Já há um par de anos tinha ido a uma nutricionista. Fui uma única vez, fiquei bem melhor, até a nível estético. De número 42 passei a 40 e a 38, e toda eu me sentia levezinha, o peso de antes.
Mas perdi a disciplina e, além do mais, tenho gostos que não ajudam muito. Voltei ao 42. Não se pode dizer que esteja gorda, acho que nem pouco mais ou menos (mas isto sou eu a dizer...), mas vejo que não 'estou na linha' como queria. Adoro fruta e iogurtes e flocos de aveia e frutos secos. Um dia, para mim, começa bem com uma banana, uma laranja, um kiwi, um iogurte (e dos magros, com frutos e cereias, activia). Se puder, ao almoço, acompanhar a refeição com um copo de sumo de fruta natural, tanto melhor.
Ora, tudo isso tem açúcar que não acaba. Não uso açúcar de pacote há anos mas consumo açúcar natural na fruta ou o que vem no muesli ou no iogurte. E, como não gasto calorias na proporção em que as acumulo, o resultado traduz-se em mais centímetros no perímetro abdominal.
Mais. Não há ano que passe sem que tenha uma tendinite. Ou é um ombro, ou um torcicolo. O ano passado até uma tendinopatia insercional nos isquiáticos eu tive. Geralmente isto acontece uma ou duas vezes por ano. Pode ser apenas durante quatro ou cinco dias mas são dias de dores terríveis e brufen. Contudo, da última vez, porque soube agir, não me impediu de trabalhar e não tive que tomar nenhum anti-inflamatório: bastou não fazer certos movimentos e, ao fim do dia, pôr gelo.
Para além do peso que quero perder, também falei nisto à nutricionista.
E, portanto, agora estou a seguir um regime que visa perder alguma gordura abdominal -- que é onde a gordura se me deposita, e que, não sendo nada de mais, é, ainda assim, desnecessária -- e combater a inflamação. E estou animada com os resultados que hei-de obter.
Conheço pessoas que, por seguirem um regime prescrito por nutricionistas, deixaram de tomar o omeprazol que tomavam há anos, nunca mais tiveram refluxo, azia ou mau estar intestinal; outras que passaram a sentir um nível estável de energia, quando antes sentiam moleza e abulia; ou que voltaram a ter um corpo com contornos definidos quando antes era uma sucessão de pneus. E homens que deixaram de ter uma barrigona a rebentar pelos botões da camisa ou uma papada gorda que lhes desvirtuava as feições.
Contei à minha mãe que, até revisão, terei que, de manhã, comer proteina (ovos, por exemplo) e legumes ou saladas e, de fruta, por exemplo, pera abacate, e, se quiser, umas amêndias. Nem lacticínios nem hidratos de carbono, nem açúcares. O primeiro mês é o mais violento pois o objectivo é consumir a gordura depositada. A minha mãe disse: olha, quando eras pequena, gostavas de comer sopa ao pequeno-almoço. Pois era, já nem me lembrava. Nunca gostei, e nunca comi, torradas ou pão com o que quer que fosse ou café com leite, essas coisas de que toda a gente gosta. Ou era sopa ou papa de aveia ou iogurte ou fruta.
Vamos ver se consigo ser disciplinada e se, depois deste mês mais radical, encontro um equilíbrio entre aquilo de que mais gosto e o que é indicado. Para já sinto a falta do iogurte e do queijo.
Não descrevo a dieta que me foi prescrita pois ela é indicada para a minha circunstância que não será, certamente, igual a de todos quantos me lêem -- e não quero induzir ninguém em erro.
O que posso, isso sim, é recomendar, a quem possa, que vá ouvir a opinião de um nutricionista sobre qual o seu regime alimentar adequado, e que, em caso de dores musculares ou nas articulações, não se fique apenas pelas consultas de ortopedistas ou reumatologistas e ouça também a opinião de um fisiatra.
___________
Lá em cima é a Rita Redshoes com 'Mulher', um vídeo que Leitora a quem muito agradeço me enviou e onde aparece uma amiga sua, por sinal, pessoa com um ar bem simpático.
As fotografias foram feitas nesta tarde de sábado in heaven.