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domingo, julho 06, 2025

Galinha-choca

 

Os meus avós paternos tinham, no quintal, uma grande capoeira. Havia o recinto ao ar livre, cercado por uma vedação e havia umas casinha que comunicava com o recinto através de uma passagem em arco. Podia entrar-se directamente quer para o recinto, quer para a casinha. Ao recinto ia-se para limpar e lavar o chão, com agulheta, para pôr água fresca, para lhes dar milho ou sêmeas. Aí os meus avós nunca queriam que eu entrasse. Mas deixavam-me ir à casinha. Espreitava a ver se não estava nenhuma galinha e para ver se havia ovos na cestinha. Se havia, eu recolhia-os. E, por vezes, a minha avó fazia-me uma gemada, quer com ovo completo quer apenas com gema. Mexia bem com um pouco de açúcar. Adorava.

Se alguma galinha ficava choca e isso lhe era permitido, então a galinha tinha direito a tratamento vip. Mas muitas vezes não queriam, não sei porquê, e sacrificavam a pobre da galinha com banhos debaixo da torneira do quintal, a galinha tentando fugir, estrebuchando com todas as suas forças, e o meu avô ou avó agarrando-a com firmeza.

Mas quando a coisa podia ir adiante, a partir de certa altura a galinha era deslocada para a 'casinha', não a pequenina, anexa à capoeira, mas um anexo que também havia no quintal. Esse anexo tinha uma parte com ferramentas, muitas, algumas penduradas na parede do fundo, outras em bancadas. Tinha também uma parte em que estavam os produtos colhidos pelo meu avô na horta. Batatas em caixas no chão, cebolas entrançadas penduradas em réstias, algos também pendurados, entrançados, e uma coisa de que eu gostava imenso, tomates chucha, também pendurados pela rama, igualmente entrançada. Duravam todo o ano. A casinha tinha umas janelas pequenas pelas quais entrava pouca luz e a porta, que tinha uma janela também com portada, tal como as janelas, também não deixava entrar muita luz. Era neste anexo, à meia-luz, que a galinha chocava os ovos. E era ali que nasciam os ovos. Para mim era um sentimento misto: por um lado andava sempre naquela expectativa: já nasceram? estão quase? os ovos já estão bicados? Mas, por outro lado, aqueles pintos meio molhados, esquisitos, feios, meio apardalados, intimidavam-me bastante.

A minha avó não queria que eu andasse por ali a cirandar e não queria que eu fizesse barulho. Por vezes, ajudava-os a nascer. E pegava-lhes. Eu nunca consegui. Bichinhos assim, demasiado frágeis, sempre me fizeram muita impressão.

Mas o pior foi o que uma vez aconteceu. Creio que já o contei mas, como não tenho a certeza, arrisco a contar. 

O meu pai houve uma altura que também quis ter uma capoeira no quintal. Felizmente foi sol de pouca dura pois nem ele nem a minha mãe tinham o mesmo à vontade que a minha avó. Mas, enquanto durou, calhou uma galinha ficar choca. Não sei porquê, resolveram montar apartamento para a galinha, creio que nos dias antes do 'parto', num recanto da sala de jantar. Quando os pintos começaram a sair dos ovos, foi uma atrapalhação. Para mim, pequena, aquilo era uma preocupação. Intuía que os parteiros não tinham sabedoria para a situação. E eles não queriam que eu andasse ali de roda para não stressar a galinha e os pintos. Só que eu não resistia a espreitar. E, numa das vezes, dei com um dos pintos estendido e a esticar uma perna. Apesar de ser uma criança pequena, já tinha ouvido a expressão 'esticar o pernil' e percebia o significado. Então, em pânico, saí dali a correr fui ter com a minha mãe, mas, tão, aterrorizada estava, que mal conseguia falar. A minha mãe não percebeu a razão daquele pavor mas eu empurrei-a para a sala de jantar e, com esforço, lá consegui balbuciar que o pinto estava a morrer. A minha mãe também não era corajosa para essas situações mas lá foi espreitar. Os pintos estavam todos bem. Chamou-me. Mas, quando um dos pintos se espreguiçou, meio a dormir, esticando a pata, ela percebeu o que tinha acontecido.

Ao ver, no vídeo que aqui partilho, o pinto recém-nascido a cair de sono, lembrei-me disso.

E ao ver os pintos a quererem sair do ovo, voltei a sentir, mas a sentir vividamente, aquele susto e receio que sentia há mil anos, quando, pequenina, num compartimento quase sem luz, aguardava que o milagre do nascimento se desse.

Esta galinha mãe fala com os seus ovos – e eles cantam de volta! | BBC Earth

Já se perguntou como é que uma galinha ajuda os seus pintainhos a chocar? Conheça a Patricia, uma galinha anã de Pequim dedicada, que mantém os seus ovos à temperatura ideal e cacareja suavemente para guiar os seus pintos ao mundo.


Um bom dia de domingo

domingo, abril 18, 2021

Beatriz Gosta conta como conheceu Maria Luiza

 

Como é sabido simpatizo imenso com a Marta Bateira, aka Beatriz Gosta. Acho que tem graça, é genuína, tem a língua afiada e o raciocínio rápido. E farta-se de rir o que é coisa boa de ver numa pessoa.

Depois da série da Beatriz Gosta embaraçada em que descrevia a transformação que ia observando no seu corpo à medida que a sua bebé ia medrando no seu ventre eis que começa a série Beatriz Gosta (des)embaraçada, começando com a descrição do parto.

Gosto de ouvir falar de nascimentos e gosto de ver imagens de partos. Tenho pena que os partos dos meus filhos não tenham sido filmados. Gostava mesmo. Foram momentos gloriosos mas eu, lá em cima, torcendo-me de dores, não consegui ver o surgimento deles. Isso, sim, deve ter sido maravilhoso. Um milagre. 

Sem querer anestesias -- e com eles, grandes, subidos, sem descerem -- toda eu me sentia dilacerada. Dores, dores. Transpirava. A cama encharcada com a transpiração. Depois com as águas. Dores, dores. Das duas vezes, um dia inteiro de dores. Depois tirados a ferros. A sangue frio. Tinha pavor que, mais tarde, viesse a descobrir-se que as anestesias prejudicavam a saúde e o desenvolvimento das crianças. E achava que se os bichos, na natureza, têm partos naturais, sem anestesias ou ajudas, também eu haveria de tê-los. E tive-os.

E é como a Marta descreve: depois de horas a temer não resistir à violência das dores eis que, mal as crianças saem, todo o sofrimento se evapora e, como que por artes mágicas, ela -- tal como eu e provavelmente qualquer outra mãe -- fica apenas envolta em felicidade, em tranquilidade.

Estou agora curiosa com o que ela vai dizer do puerpério. Para mim também foi o pior. Ela não levou pontos. Eu, sim. Com aquelas tenazes a entrarem dentro de mim para puxarem as crianças, o médico, para evitar rasgões, cortou. Apesar de tudo, piece of cake quando comparado com o resto. Mas o puerpério com o incómodo vaginal, os pontos a picarem, tudo um bocado dorido, e, pior, com o leite a subir -- que a mim até me deu febre -- isso foi muito mau. Os peitos ficavam túrgidos, depois encaroçados, doíam até mais não. E depois os mamilos feridos. Qualquer deles puxava-os ao mamar, mas puxava-os com toda a força. Com o peito encaroçado, o leite se calhar não saía bem. Eles puxavam e eu torcia-me de dores, o peito doía demais, os mamilos sangravam.

Da primeira vez, fui à pediatra ao fim de poucos dias, antes da altura convencionada, porque já não me aguentava mais e receava que lhe fizesse mal o sangue que certamente ia junto com o leite. E as crianças têm cólicas, gritam, e lembro-me de se torcerem com dores das cólicas enquanto mamavam, ainda maltratando mais o peito. Na primeira vez, tinha vinte e três anos acabados de fazer: tudo era novo, tudo doía, tudo me preocupava com receio de não fazer bem. De lembrar que não havia internet para a gente poder informar-se em tempo real.

Mas, depois, ao fim de umas semanas, tudo se resolvia também: eles mamavam melhor, davam mais vazão ao leite produzido, o peito desencaroçava, os mamilos ganhavam resistência. Não sei se haverá mamilos mais resistentes que outros. Os meus são muito claros, de pele muito fina. Talvez, por isso, sejam mais sensíveis. Tenho sempre a impressão que quem os tem castanhos escuros e muito grandes deve padecer menos. Mas não sei, nunca tirei isso a limpo.

Mas, enfim, tudo passa e eu mal os incómodos passavam, logo os esquecia como se tudo fosse bom. Quando estava grávida do meu filho nem pensava sequer no incómodo que ia ser nem me ocorria que poderia ser tão doloroso quanto o da minha filha. E, tivessem as circunstâncias da minha vida sido outras, por exemplo se tivesse família por perto que me pudesse ajudar, teria tido certamente mais filhos. Trabalhava muito, na altura ainda andava de transportes públicas, Lisboa toda para atravessar, tudo longe e difícil, mal conseguia organizar-me para ir buscar um e outro, para chegar a horas, para não lhes faltar com o tempo, a atenção e dedicação que sempre foram a minha primeira e absoluta prioridade. No mínimo, gostava de ter tido três mas, na realidade, gostava mesmo era de ter tido uns cinco ou seis. Sempre me imaginei a ter uma catrefada de filhos, muitas crianças à minha volta. Se calhar, de cada vez que nascessem, iria ter o mesmo problema, o de não descerem facilmente, se calhar teriam que ser todos tirados a ferros e eu, de certeza, que ia sofrer horrores -- mas iria aguentar firme, logo me esquecendo das dores mal os tivesse em cima de mim, cheios de placenta, sangue e vontade de viver.

E estava a ouvir a Marta e a pensar nisto. Ela fala do que lhe custou mas toda ela irradia. Ela ri enquanto descreve o parto, ela ri enquanto fala das dores. Mas ri, feliz da vida. Já cá tem a sua Maria Luiza e isso é que importa.

Que sejam muito felizes, que a vida de ambas seja repleta de sorte e amor. E que a Marta, aka Beatriz, continue a divertir-nos com os seus relatos cheios de realismo e bom humor.

Um regresso muito aguardado: Beatriz Gosta já não está Embaraçada. Agora, reflete sobre esse festival gore chamado "parto". Se têm estômagos sensíveis e comeram bitoque malpassado, boa sorte. 


domingo, fevereiro 16, 2020

O pangolim

P



Tinha havido todos aqueles tigres, claro,
e um leopardo, e uma girafa de seis pernas,
e um jovem veado que saltava para a minha janela
antes de ser morto, e certa vez um cavalo azul,
e algures uma impressão de cães maciços.
Por que é que sonho com tamanhas bestas de sangue quente
cobertas de peles suadas e cheias de paixões
quando podia haver lagartos secos e rãs frias,
ou criaturas lentas, modestas, como uma pausa
de todos aqueles animais pintados do tamanho de pessoas?

Ouriços-cacheiros ou talvez tartarugas,
mas eu penso que o pangolim ficava melhor:
um animal vegetal, que vai
disfarçado de alcachofra ou ponta de espargo
num casaco verde de folhas bem ajustadas,
com a sua cauda de pá, lisa, e o seu nariz de pincel:
o papa-formigas escamoso. Sim, ele ficava bem
melhor num sonho do que numa jaula
na Casa dos Pequenos Mamíferos; por isso convido-o
a ser sonhado, se ele estiver interessado.

['O pangolim' de Fleur Adcock, trad. Graça Braga, in 'Animal Animal, um bestiário poético' organizado por Jorge Sousa Braga]



E, então, veio o pangolim e pôs em risco o Império do Meio

sexta-feira, fevereiro 14, 2020

Bebés acabados de nascer e meninas afegãs a andarem de skate





Esta semana já me levantei às cinco e picos da manhã para me meter a caminho para ter uma reunião à primeira da manhã a norte, já me constipei, já tive, por junto, uma mão cheia de reuniões, algumas com duração de uma meia dúzia de horas, já tive que ler relatórios com muitas páginas carregadas com coisas chatas. E agora dói-me a garganta.

Chego ao sofá para me distrair e, a seguir aos noticiários, ou falam de presos ou de minas abandonadas ou de incêndios transactos ou de culpados e, pelo meio e por cima de tudo, eutanásia. Ou, então, corona vírus (ou conan osiris como dizia, no outro dia, na Prova Oral, a avó de um), agora transmutado em  Covid-19. E é sempre isto, sempre, sempre, sempre: gente doente, gente incapacitada, gente que padece nos hospitais, velhos abandonados, tarados à solta, infectados, isolados, mortos -- desgraça, drama, tragédia. 

Não tenho paciência. Juro: não tenho paciência. É demais.

Se calhar, se esta minha semana não estivesse a ser assim ou se o meu corpo aguentasse um dia inteiro de pés gelados ou entrar e sair de ambientes aquecidos para o frio ou almoços de pé rodeada de simpáticos cavalheiros para, logo de seguida, retomar mais um reunião, e tudo tão non stop, talvez eu tivesse paciência para ver a Isabel Moreira em todos os canais ou para ver desgraças, reincidências, taras, abandonos all over. Assim, lamento, não tenho. Não tenho mesmo.

Acresce que esta sexta vai ser também de arrebimba e eu já estive a escolher o que vou vestir porque de manhã não tenho tempo mas também sei que mal vou ter tempo para almoçar e estou naquelas fases em que só me apetece vestir-me já com manga curta e andar leve, bem disposta e toda eu colorida, antecipando a primavera e os primeiros calores de verão e, à hora de almoço conseguir escapar-me para um jardim e veranear a ouvir passarinhos -- e, afinal, o tempo continua chuviscoso, friento e não consigo pôr-me à fresca nem ter tempo para arejar. A minha mãe arrelia-se: mas não hás-de andar constipada e mal da garganta se nunca andas agasalhada, se andas sempre esgargalada? Pois é. Mas acho que não tem a ver com isso, acho que tem a ver com a seca de vida que levo. A minha filha diz que anda meio mundo assim, que isto são viroses, cenas. Não sei.

O que sei é que, com isto, no estado em que estou e só droga a passar nos ecrãs, desisti da televisão. Qualquer dia desisto de vez. Que estupidez é esta de, em horário nobre, competirem para ver quem fala mais de desgraças? Gaita. Uma pessoa a precisar de peace and love, coisas boas, tranquilidade e afectos e... nada.

Portanto, com vossa licença, mudo-me para uma twilight zone onde não há nada de stresses. Ou há mas dão-lhes a volta. Não dá para ficar a pessoa a afogar-se em desgraças.

Passo para um vídeo que me comove. No meio da guerra, no meio da falta de tudo, em situações limites, alguém resolve ensinar as meninas a sentir o gostinho bom da liberdade e de como é bom brincar, em paz: skating. Um vídeo que, completo, deve ser uma maravilha. Para já, só dá para ver a apresentação. Mas é uma lufada de ar fresco.

E, para contrariar o cinzentismo das palavras, fotografias de bebés a nascer. Um milagre que nunca festejaremos o suficiente e de que nunca me cansarei de falar e de ver.


Só tenho pena de não ter o filme do nascimento dos meus filhos. Estava acordada, sem anestesia, mas estava com tantas dores e sem possibilidade de ver o que se passava lá em baixo que só me lembro deles já cá fora, pousados sobre o meu peito, cobertos ainda de restos do ninho de onde tinham vindo. Momentos mágicos. Duas pessoazinhas a saírem de dentro de mim, tão ligadas a mim, tão independente de mim. E a magia continuou: cresceram, ficaram grandes, maiores que eu, tão lindos, tão queridos. Pensar que se formaram no meu ventre parece-me um daqueles milagres que nunca conseguirei compreender e de que nunca me cansarei de me sentir agradecida.

E o vídeo das meninas afegãs a andarem de skate é este aqui abaixo. E a descrição do filme e do reconhecimento que tem reconhecido está aqui: Documentary Telling The Story Of Courageous Afghan Girls Learning To Skateboard In A War Zone Wins Oscar


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As maravilhosas fotografias de nascimentos provêm daqui, onde há mais.
As autoras são Daniela Justus, Jessica Vink, Rebecca Coursey-Rugh e Jana Brasil

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(E agora vou ali buscar uma pastilha para a garganta)

quarta-feira, abril 11, 2018

Clareiras invisíveis





Tenho a dizer o mesmo que ontem: que pouco tenho a dizer. Os dias andam de tal forma que saio deles com a sensação que correm depressa demais e, apesar de não ter um minuto de descanso e de, supostamente, estar a fazer coisas muito importantes, tenho que concluir que bem podia ter feito coisas mais úteis para a humanidade.

Enfim. É o que é. Não vale a pena estar com pensamentos metafísicos. O mundo real não tem muito espaço para a filosofia ou, sequer, para a poesia, mesmo que coxa. Pior: nem para a gramática. Caraças, com cada pontapé.

No meio disto, o que vale é que, no meio de tanto hiper-realismo, surrealismo e neo-realismo, volta e meia divirto-me à grande. Hoje soube que uma, em tempos, quis bater noutra. Ora vendo uma e outra, dir-se-ia que o inverso teria sido mais provável. Tudo do além. Mas logo a seguir a coisa fica séria, desengraçada. 


Só para se ver: tinha ideia de ver, no ipma, o tempo para o fim de semana e cheguei à noite sem ter tido oportunidade para tal. Quero ir buscar um chá e não consigo. Nem para a janela tenho conseguido olhar. Sento-me à secretária a pensar que vou conseguir ver os mails em paz e logo me entra alguém a pedir um minuto. E eu penso: se é um minuto mais vale despachar já e, no fim, são vários minutos e, quando penso que está quase, entra outro a pedir se posso dar um minuto. Chego ao fim do dia seca. Esgotada. E quando penso que me vou embora e que se lixe o que não fiz, entra mais um a dizer que me viu sempre ocupada e que esperou que eu estivesse mais descansada. E eu penso: caraças, não há misericórdia? Mas não digo nada, ouço. Ouço. 

E o trânsito. Uma loucura. Um desperdício. Anos de vida metida no carro. Chovia que Deus a dava e eu no pára-arranca. Penso que era Fauré mas nem disso estou certa. Abstraio-me de tudo. Na volta, vou a meditar. Ou isso ou a chagar a cabeça a alguém. Volta e meia aproveito para tratar de assuntos. Mas muitas vezes nem me lembro de tal. Assuntos...? Que assuntos...? Ontem cheguei ao mesmo tempo que mais uns quantos. Todos enervados com o trânsito. Consigo também, não?, perguntaram. Pelas horas que eram, comigo também. Mas tinha vindo tão noutra que nem tinha dado por nada.


Volta e meia, quando o tempo se enrola em temas complicados e me vejo metida no meio de discussões --  que eu sou tão assertiva que facilmente a coisa pode parecer agressividade, mas não é, é só impaciência -- como que por milagre, abre-se uma clareira na minha cabeça e eu penso como estou bem quando estou in heaven.

Fomos à entrada da gruta grande. Via-se, na terra perto da entrada, uma toca. Não sei que bichos lá vivem. Por baixo dos pinheiros, por entre a caruma, vêem-se corredores, uma espécie de túneis. Nas árvores há muitos ninhos. Penso que tudo há-de fervilhar de vida mas, quando por lá se anda, pouco se vê. Volta e meia ouve-se um bicho a correr, um coelho a saltar e a fugir. Ou pássaros que saem sobressaltados das árvores.

Mas estou em crer que há uma vasta comunidade de habitantes in heaven. E isso traz-me um ânimo bom para dentro dos gabinetes onde se discutem negócios, reestruturações, correr com um, ir buscar outro, dar a volta ao texto, implementar um processo novo, puxar as orelhas à que se anda a portar mal, abrir espaço para a outra voar. Coisas assim.


E eu a pensar, sem ninguém adivinhar, que há coisas que são invisíveis mas que existem e que são tão extraordinárias que nem dá para acreditar.

E eu também a pensar, em background, que gostava tanto de lá ter esquilinhos e nunca lá vi nenhum mas que isso não quer dizer que não estejam lá.

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Fotografias feitas in heaven

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sábado, fevereiro 25, 2017

Dar à luz




Já contei muitas vezes: tive os meus filhos a sangue frio, sem epidurais ou qualquer outra anestesia que atenuasse as dores. A opção não teve a ver com heroísmo: simplesmente temia que, anos mais tarde, viesse a provar-se que alguma dessas coisas era prejudicial à saúde das crianças. Para além disso, não me achando eu diferente de qualquer outro animal, sempre pensei que deveria deixar que a natureza actuasse por si, sem artificialismos. Hoje, sabendo-se já de fonte segura que não há malefícios para as crianças, teria querido epidural. 

Porque, chegado o termo da gravidez, as crianças não desciam, foram ambos os partos provocados e ambos com recurso a fórceps. Dores de morrer. Tantas dores que transpirava em bica, a cama alagada. Achava que não ia resistir a tamanha dilaceração das entranhas. Horas de contracções e dores, sempre em crescendo. Já extenuada, a sentir que não ia conseguir suportar aquele contrair-se o corpo num esforço brutal para expulsar um ser que parecia não conseguir atravessar o caminho para a vida, a sentir que me ia faltar a capacidade para superar tamanho e tão longo sofrimento, a verdade é que consegui.


E, verdade seja dita, mal as crianças saíam, imediatamente me esquecia das dores e entrava num estado de felicidade levitante, radiosa, como se nada de doloroso se tivesse passado e, pelo contrário, como se vogasse num mar de encantamento.

O meu marido esteve sempre ao meu lado e, sem espinhas, assistiu a tudo.


Ora eu estive lá, vivi cada momento, maravilhei-me quando me puseram as crias ensanguentadas em cima -- mas ver, ver mesmo, isso não vi.


Mesmo que houvesse espelhos, de tal forma estava aflita de dores, não sei se teria tido a capacidade de olhar para o espelho.

Nem sei se seria capaz de assistir a parto alheio. Custa-me imenso ver alguém a sofrer. Também não sei se não estaria com tanto medo que houvesse algum problema que acabaria por cair para o lado.

E, no entanto, não há milagre maior. De dentro do corpo de uma mulher sair uma outra pessoa é coisa mágica -- seja pela via normal, seja via cesariana (como no caso da fotografia seguinte).



Estou, de novo, com isto não porque o tema me seja caro (e é: adorei estar grávida e, apesar de tudo, adorei dar à luz) mas porque vi algumas fotografias de nascimentos que me deixaram maravilhada.

Talvez algumas das pessoas que me lêem já tenham visto, ao vivo, algo com o que aqui mostro mas é a pensar nos outros que, tal como eu, nunca viram uma pessoa a irromper do corpo de uma outra que aqui as mostro.

E devo dizer que de todas as alegrias desta vida, só há uma que supera a de conhecermos um filho que acabou de sair de dentro de nós: é a alegria de sentirmos essa felicidade nos nossos filhos ao conhecerem os seus filhos que acabaram de nascer.


!  Aleluia  !

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Estas fotografias foram algumas das premiadas no concurso anual da International Association of Professional Birth Photographers

Lá em cima: Aleluia do Messias de Handel pelo Coro do King's College

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segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Uma vez mais, as boas vindas a este mundo





O pai destes meninos, por razões que não podia antever, teve que ir para fora, em Janeiro e até princípio de Fevereiro, uma mais duas semanas. Uma na Europa, fim de semana cá, mais duas semanas nos States. 

Dado que em Fevereiro seria, não era prudente que a mãe dos meninos ficasse sozinha com eles em casa.

Depois, percebeu-se que, se calhar, a encomendinha chegaria um pouco mais cedo que a data prevista. Não fosse dar-se o caso, o pai veio um dia mais cedo. Cheio de jet leg, chegou esta sexta. Durante o dia de sábado recuperaram as saudades.

Este domingo, bem cedo, meninos na casa dos avós maternos e ei-los, aos dois, de mala aviada para o hospital.


Durante o dia, fomos trocando mensagens, eu e ele. Tudo bem. Passado uma ou duas horas: Na mesma. Mais tarde: Tudo bem, na mesma. E eu: As contracões estão menos espaçadas? Ele: Mais ou menos. E eu: Mas quanto de intervalo? Ele, certamente já farto da ansiedade da mãe: Não sei, não trouxe cronómetro. Mais tarde: E dilatação? Tem? Quanto? E ele, Acho que sim, uns centímetros, poucos. Depois eu a sugerir ir buscar os meninos e ir para um jardim perto para, just in case, estar por perto. Que não, tudo atrasado. Um pouco antes das sete, para ir buscar os meninos para dormirem cá em casa. Tudo atrasado. Mensagens entre a família, tudo na mesma. Pergunto onde estão as coisas em casa dele, mochilas, essas coisas. Ele diz-me que a menina sabe dizer tudo o que é preciso, onde está tudo. Tem seis anos mas não há coisa que lhe escape.

Então lá iniciámos a manobra: lá fomos buscar os meninos, conversámos, deve ser lá para a madrugada, dizia a mãe da parturiente. O pai, sabendo que estava para durar, tinha ido ao futebol com um outro filho. Depois lá fomos a casa deles buscar as coisas (como contei no post abaixo). Ela a guiar-me. Amanhã é dia de ginástica, tenho que levar a roupa, podem ser aquelas leggings, podem ser aquelas meias aderentes. E o mano tem judo, tem que levar o fato. E agora a mãe mudou a roupa, as meias e as cuecas do mano estão nesta, as minhas aqui. Tudo organizado por ela. E a luz de presença, e o pandinha para o mano e o flamingo para mim. Lá viémos. Banhos, despachar para jantar e ir dormir. Vá. Vá... Vá lá...

Estou a chegar com ele ao quarto, ainda embrulhado na toalha do banho, um telefonema. O meu filho. Pensei que queria saber se tínhamos dado com tudo, se tínhamos fechado a casa.

Não.


'Já nasceu!'.

Uma alegria. Uma alegria imensa. E eu 'mas então, dizias que estava atrasado...'. 'Estava. Mas de repente já cá estava fora, nem cinco minutos'. E eu, numa alegria 'E está tudo bem, filho?'. 'Tudo, tudo bem'. 'Ai, que bom, que alegria tão grande. Conta, conta, como é'. E ele 'Igual aos outros, são todos iguais, cor de rosa' e eu 'tira uma fotografia'. 'Já tiro, foi mesmo agora, ainda está a ser preparado'. E os meninos aos saltos em cima da cama, 'já nasceu o mano!'. Telefonei logo à minha mãe, à minha filha, à outra avó. O meu marido, emocionado, veio dar-me um beijo. Parabéns. Mais um. Desejo felicidades ao bebé, aos pais do bebé, aos manos, à família toda. Meus ricos meninos, que alegria. E, estava eu nisto, nova mensagem. Dele, do meu filho, agora uma fotografia. Um bebé pequenino, de gorrinho, já de olho aberto, a mamar, a mamã tranquila, sorridente, feliz,

Todos em cima do telemóvel, o telemóvel em bolandas, de mão em mão, todos a aumentar a imagem, todos a quererem ver melhor. Encaminho as fotos para a família. Começam a chegar mensagens de volta. 'Parece-se com quem?'. 'Tem o nariz igual ao do mano'. Não sei ver isso. Mais telefonemas. Queremos dizer da nossa surpresa e alegria de viva voz. Queremos desejar felicidades a todos, queremos dar parabéns uns aos outros.


É o quinto pimentinha. Agora são quatro pimentinhas rapazes e uma menina. De cada vez que chega uma nova criança às nossas vidas é esta alegria. Parece que é a primeira vez. E é. Com cada nova pessoinha, é a primeira vez.

E a este menino lindo eu desejo o que desejei aos seus dois maninhos e aos seus dois priminhos: que tenha uma vida longa e feliz, que tenha sorte, que tenha saúde, que encontre sempre motivação para fazer mais e melhor, que saboreie o reconhecimento, que lute por um mundo melhor, que saiba ser generoso, que seja compreensivo para com as faltas alheias, que olhe pelos que precisam, que seja sempre uma boa pessoa, que vá atrás dos seus sonhos, que se sinta realizado pelas pequenas coisas que vá alcançando, que não desanime quando as coisas não lhe forem fáceis, que saiba ser feliz.

Os tempos estão incertos e o futuro não sabemos bem o que vai ser. Mas sempre foi assim. Quando engravidei do pai deste bebé, o meu pai disse, com preocupação, 'agora que as coisas estão tão más...?'. Não gostei de ouvir isso ()e ele também nem mais se lembrou desses medos, pois foi sempre um avô devoto dos netos. Eu estava tão contente. E os tempos maus melhoraram e é sempre esta cadência. Não há tempos bons ou tempos maus, há é uma sucessão de acontecimentos que umas vezes nos alegram e outras nos desconsolam.

O que desejo é que os homens, nós todos, um dia destes, o quanto antes, de preferência, consigam ter inteligência para que o mundo se torne um lugar bom para acolher novas vidas e para tratar bem as vidas de quem que cá está.


E aos pais deste menino desejo aquilo que já tantas vezes lhes desejei tal como desejei aos pais dos meus outros doces pimentinhas: que tenham também uma vida longa e feliz, que consigam sempre protegê-lo (até onde isso faça sentido, claro) e transmitir-lhe os bons valores desta vida e, sobretudo, que saibam ensiná-lo a respeitar a vida -- porque ela é um dom precioso.

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Enquanto escrevo, estou a trocar mensagens com a mãe do bebé. Diz-me que chegaram os dois, ela e o bebé, agora ao quarto, pergunta-me por estes meninos que aqui dormem, digo-lhe que dormem descansados. Diz-me que o bebé é lindo e envia-me fotografias. É lindo mesmo. E tem umas mãozinhas que são uma ternura. Digo-lhe que agora descanse, que daqui a nada já ele deve estar a querer comer mais. Diz-me que já mama a sério, o malandro. Derreto-me a ver as fotografias. Tomara que chegue a hora de estar com ele ao colo, tocar naqueles dedos tão bonitos, olhá-lo de perto, bebé mais querido.

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E é isto, meus Caros Leitores. Daqui a nada chega o meu filho que vem tomar o pequeno almoço com os filhos. Depois, à hora de almoço, vai buscar os meninos à escola e vai levá-los a ver o maninho. Eu e o meu marido e a minha filha lá estaremos. Presumo que os dois primos pimentinhas não vão pois seria uma logística complicada com as escolas. Os outros avós também lá devem estar. Não sei se os irmãos dela e as cunhadas também irão, talvez não, talvez esperem que vão para casa. Uma das cunhadas não deve ir de certeza. Foi mãe há poucos dias. O sexto neto da outra avó.

A vida é assim, um constante devir. E eu sinto-me tão agradecida por sentir tantas alegrias. De cada vez que um filho nosso tem o seu próprio filho é, para nós, uma alegria maior. Falo por experiência própria. Numa das fotografias, está o meu filho a rir, a cara encostada à caminha, junto ao bebé. Há tanta felicidade nela que eu me comovo só de os ver, ele e o seu terceiro filho.

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As pinturas que aqui deixei são de Picasso, Mary Cassatt e Berthe Morisot

Lá em cima coloquei  'O meu menino é d'oiro', a cantiga que o ex-'mais novo' esteve a cantar antes de se ir deitar.

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Percebem, agora, porque abaixo partilhei convosco a Ode à Alegria

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terça-feira, outubro 20, 2015

Paulo Portas oferece a Costa o lugar para o qual ainda não foi indigitado no governo que ainda não foi constituído. Cristiano Ronaldo aparece casadinho de fresco ao colo de um marroquino mauzão. E os dinamarqueses mostram como é que se convencem as pessoas a fazerem meninos: se não for a bem da Segurança Social que seja a bem das mulheres que querem ser avós.


Isto ele há dias em que parece que as coisas vêm ter com a gente. 

Depois de me confessar simpatizante desse charmoso movimento que dá pelo nome de esquerda caviar, eu bem queria concentrar a minha verve nas cenas de engate, coisa linda de se ver, do casalinho Portas e Marilú, à uma, na televisão, a ver se arregimentam o Costa para um número de ménage desgovernativa. Pois bem, acabo de ler que Paulo Portas até oferece o seu lugar no Governo a António Costa. Pasmo. O seu lugar? Mas já há novo governo? Já há lugares distribuídos no novo governo? Está tudo doido, certo? 


Também poderia falar das brincadeirinhas de brainstorming que meio mundo anda a fazer -- mas que giras, giras de morrer, devem ser as da rapaziada dos PàFs, querendo fingir que percebem à brava de teoria dos jogos, verdadeiros Varoufakis de trazer por casa, mas que nem uma regra de três simples sabem o que é, ou, querendo parecer que percebem muito de teoria política, O Príncipe e o escambau (e lá deve aparecer o ilustre Mendes feito Maquiavel a dar as suas golden tácticas) -- e tudo aquilo, certamente, a ver no que se lhes ouve dizer pelos canais televisivos pelos quais se distribuem, a descambar no mais puro disparate.

Ou isso ou o Cavaco a ensaiar cenários com a sua Maria. Deve ser coisa jeitosa. Ó filha, achas que, caso tudo dê para o torto, devo dar posse ao Costa? e a Maria: Ó Nini, mas é que tu nem penses, nem que invoquem force majeure ou acts of God, nem assim o deves nomear. era o que faltava, já te disse que não, não e não. Que não aprendes, hein...?

Gostava de poder assistir e filmar para depois a gente aqui se rebolar a rir. Mas, como não consigo tal proeza, fica o vídeo aqui abaixo que deve ser do mesmo calibre das manobras espertas que os pàfs para aí andam a ensaiar, dando uma valente 'repaginada' na narrativa pré-eleitoral.


Brainstorm na Porta dos Fundos


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Bem, mas não era disto que eu queria falar. Nem disto nem daquela cena romântica do Cristiano Ronaldo ao colo do Badr Hari, o marroquino mauzão. Não sei se estão casadinhos de fresco (como o Hari escreveu no Face) nem se estavam a caminho de uma cena escaldante na piscina depois de terem ido a uma discoteca em que só se viam homens. 



Não faço ideia das intimidades nem das fantasias do CR7 nem quero fazer. Confesso que acharia engraçado que ele saísse do armário, musculado, bronzeado, ao colinho de um bad boy -- depois de ter passado anos a percorrer as capelinhas das modelos nacionais e internacionais. Mas, enfim, cada um sabe de si e para a frente é que é caminho.
Olha. Outro!
Enquanto escrevo, estava a ouvir uma vozinha familiar na televisão. Olho e quem é que agora aqui tenho na minha sala? Só me faltava agora esta: o Poiares Maduro, verdinho, verdinho. Isto é mesmo uma praga, senhores, entram-me sala dentro, por todo o lado. Este agora está com o Alvim, deve ser no 5 para a Meia Noite. E diz, com aquele seu ar de texugo fofinho, que teve uma namorada espanhola e que a guapa tinha uma personalidade forte. Ui. 
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Bem, mas dizia eu que não era sobre nada disto que eu queria falar. Tenho que me levantar cedo e tenho que abreviar razões.

O que hoje tenho para dizer é que há quem leve isto da demografia a sério. Em Portugal, com a taxa de natalidade baixinha, baixinha, com o pessoal todo sem vontadinha nenhuma -- que estes PàFs são mesmo uns empata-coitos -- não sei como é que se vão conseguir manter equilibradas as contas da Segurança Social. E não se vê campanha de sensibilização que levante o ânimo da rapaziada.

Pois bem. Na Dinamarca há assuntos que são levados a sério e a demografia é um deles. Há um anúncio que está a dar que falar: pague umas férias aos seus filhos (de preferência num sítio quente) e vai ver que daqui por 9 meses vem aí um netinho. O anúncio é uma delícia, humor descomplexado ao serviço de uma bela causa. 

DO IT FOR MOM


Spies Travel is joining forces with wannabe grandmas in the fight against Denmark's low birth rate. 

Introducing Spies Parent Purchase™: Send your child on an active holiday and get a grandchild.




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E pronto, por agora é isto. Relembro que no post a seguir tenho Mademoiselle Privé. Pode, volta e meia, puxar-me o pé para o chinelo mas que o chinelo tenha classe, ora essa: Chanel pois então.

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terça-feira, abril 28, 2015

Relato de um dia simples (com a memória do nascimento dos meus filhos por ter visto na televisão o médico que fez ambos os partos)


Limpo a casa, varro o chão, sacudo tapetes, lavo as louças, encho o balde de água e detergente que cheira a sabão, lavo tudo e não me esqueço dos cantos, lavo a roupa, estendo a roupa, e abro portas e janelas e deixo que o ar e o sol e o canto dos pássaros entre pela casa adentro e depois a casa fica cheia de luz, de perfume a limpeza, de abril.

Depois tomo banho e, a seguir, faço o almoço: batata doce, feijão verde, pescadinha de anzol, tudo cozido e temperado com azeite. Quando acabamos já não é cedo, o cabelo ainda está molhado, e eu recosto-me num sofá, o sol a bater na minha pele e leio que da sala se passa para o escritório e do escritório se passa para o atelier, e do atelier para a cozinha e da cozinha para  a sala e por aí fora. E continuo a ler até que adormeço. E durmo até que o telefone toca.

Depois como dois morangos e vou apanhar sol, caminho devagar. O cabelo secou, está uma juba que voa ao sabor da leve aragem. As flores, os cheiros, as tocas, uma lagartixa ao sol, as folhas secas, as sombras nas paredes, a minha sombra, a luz dourada da tarde, os pássaros numa alegria. Entro pelo meio do alecrim, passo as mãos pela ramagem, depois aspiro o aroma do rosmaninho, tão bonito, tão cheiroso, e, mais à frente descubro que a madressilva está em flor. Paz. 

Depois telefono, está tudo bem. Outro telefonema e tudo bem, todos bem. Mais logo receberei outra chamada e ouvirei relatos de castelos e risos e brincadeiras.

Passo as fotografias para o computador, escolho, saturo as cores a algumas, brinco, adivinho que se os pássaros as vissem assim transtornadas de tanta cor se haveriam de rir e diriam entre eles o Pollock passou por aqui. Ou talvez não, talvez apenas pensassem, com alguma indulgência: ainda não viste foi nada, pois de cores exuberantes devem eles ter os olhos cheios.

Depois finalmente a televisão: o Nepal abalado por uma desgraça sem fim; por cá nem quero ver, se alguém quer construir uma alternativa, logo as vizinhas aparecem para destruir, uma política tuga, pequenina, destrutiva.

Jantar simples, tosta com queijo fresco e tomate, iogurte, fruta.

Regresso. Agora, ouvi na televisão uma voz conhecida, uma voz com um grande sorriso lá dentro. Levantei os olhos do computador, olhei. Era o médico, na altura muito jovem, que, com esforço e uma tranquilidade contagiante, puxou os meus filhos de dentro de mim, ele a dizer que era melhor com anestesia e eu a dizer que não queria nem cesarianas nem anestesias, queria tudo ao natural, ajudas só mesmo em último caso, queria parir como os animais, sentir as crianças a sair de dentro do meu corpo. Depois, horas e horas de trabalho de parto, a já achar que não aguentava, eles não desciam, e doía, doía tanto, tanto, e ele a dizer que já era tarde, que o processo de expulsão já estava em curso mas que a coisa ia, que eu ajudasse que ele ia puxá-los com ferros, e sorria, tranquilo - apenas uma vez o vi sério, com ar apreensivo mas, mal me viu a perscrutar o seu semblante, logo sorriu; e o meu marido, jovenzinho como eu mas corajoso que só visto, sempre presente e preocupado comigo por me ver tão transpirada, exausta e aflita, e eu cheia, cheia de dores sem ser capaz de o tranquilizar, e a ajudar nas operações (numa das vezes, tanta a força para puxar a criança que ele e a enfermeira tiveram que me segurar pelos ombros para eu não ir atrás); mas, mal os bebés saíram e vieram para cima de mim, já eu estava feliz, sem me lembrar de nada, qual sofrimento? nenhum!, e toda contente com as minhas pequenas crias ensanguentadas em cima de mim e eu a falar com eles e eles a olharem para mim, o cordão ainda ligado, e ele, o médico sorridente, a dizer que era assim mesmo, que o que eu estava a fazer era uma coisa boa, que fortalecia a ligação e que dava segurança às crianças, e sorria, sempre com aquele ar tão tranquilo. Igual das duas vezes, fórceps a sangue frio. Agora ali na televisão, quase igual, apenas com o cabelo mais branco, continua a sorrir, uma harmonia grande à sua volta. E a voz, igual.

Telefonei à minha mãe para saber se estava tudo bem, que sim; e se o tinha visto na televisão. Que sim, igual, disse ela, a mesma calma, o mesmo sorriso. Naqueles dois dias, horas a fio, várias vezes ele tranquilizou a família, que não estava fácil mas que tudo se resolveria sem problemas e, depois, contente, a partilhar o alívio e a alegria com a família.

Daqui a nada irei à procura de notícias nos jornais e revistas, talvez alguma coisa valha a pena. Senão voltarei a ler, ou talvez vá pintar. Ou talvez abra a porta, agora que já anoiteceu, e me ponha a olhar o céu.




Vive-se quando se vive a substância intacta 
em estar a ser sua ardente  
harmonia 
que se expande em clara atmosfera 
leve e sem delírio ou talvez delirando 
no vértice da frescura onde a imagem treme 
um pouco na visão intensa e fluida 




E tudo o que se vê é a ondeação 
da transparência até aos confins do planeta 




E há um momento em que o pensamento repousa 
numa sílaba de ouro 
É a hora leve do verão 
a sua correnteza azul 
Há um paladar nas veias 
e uma lisura de estar nas espáduas do dia 




Que respiração tão alta da brisa fluvial! 
Afluem energias de uma violência suave 
Minúcias musicais sobre um fundo de brancura 
A certeza de estar na fluidez animal 




"Miracles" by Walt Whitman (read by Tom O'Bedlam)

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Poema transcrito: Vive-se quando se vive a substância intacta de António Ramos Rosa.

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sexta-feira, agosto 03, 2012

Uma vez mais, as boas vindas a este mundo


Música, com muita ternura, hoje

Mozart - Larghetto (Concerto nº26 para piano)




Picasso - Mãe amamentando o seu filho 


Ontem à noite estivemos todos na rua a ver a lua. Estava cheia, muito cheia, absolutamente luminosa. 

A noite foi espantosamente calma. Todos dormiram como umas pedras, até o bebé. A minha filha acordou admirada por ter dormido tão bem.

E, de manhã, depois de uma lua daquelas, recebemos a indicação que esperávamos: o processo estava em marcha. 

Foi uma azáfama: arrumar coisas, recolher brinquedos por todo o lado, fazer uma busca a meias caídas, a blusinhas que se tinham molhado, a casaquinhos tresmalhados, guardar o leite, os biberons, medicamentos, guardar os computadores, os telemóveis, a máquina fotográfica - na tentativa de ter tudo pronto para a largada. 

Mais tarde, as notícias davam ideia que a novidade talvez acontecesse mais cedo do que se poderia pensar, talvez lá para o meio da tarde.

Tudo a almoçar rapidamente para nos pormos a caminho! E um que ainda não tem fome e outro que fica com rabugice e adormece, e toda a difícil logística em marcha, vá, vá, vá...!

Mas as notícias chegam e percebemos que ainda estamos mais que a tempo e alvitramos se for como na outra vez é só amanhã à hora de almoço, fomos para lá a meio da noite e nada e voltámos a casa e fomos, de novo, de manhã e nada e só à hora de almoço.

E mais um chichi e mais onde estão os meus óculos?, e onde está o carregador?, e onde estão os sapatos do bebé que se molharam e foram postos a secar? e volta um atrás e já é preciso ficar a olhar para o outro e lá nos atrasamos outra vez e onde é que está a água?, e afinal onde é que meteram os sapatos do bebé?, e agora onde é que estará o boné? querem ver que está no meio da roupa, lá atrás no meio da confusão - ... e depois de muito esforço, e de várias falsas partidas, eis que nos pomos a caminho.

Eu no carro a fazer companhia à mãe e aos meninos e outro carro atrás. O mais crescidinho, cansado de tanto trabalho, foi logo: a dormir, a sono solto. Mas o bebé, que estava a dormir antes de entrar no carro, acordou rabugento. A meio caminho desatou a chorar, caíu a chucha e eu do banco da frente não via a chucha em lado nenhum e fazia ginástica lá para trás, procurando-a no cadeirinha, no banco, procurando no chão,  mas qual quê? em lado nenhum, e ele vá de chorar a plenos pulmões, uma birra das antigas. Para ver se o calava a mãe cantava uma cantiga sobre locomotivas amarelas, vezes sem conta e, de cada vez que se calava, já de garganta seca, lá desatava ele a berrar. 

Às tantas, no meio daquela confusão, ela lembra: não houve mais notícias? E eu que não, que não tinha ouvido chegar nenhuma mensagem. Mas, com o chinfrim da birra e das locomotivas amarelas também podia não se ter ouvido e, então, pego no telemóvel e vejo uma mensagem. Abro. 

Nem quero acreditar. Sem palavras, apenas uma fotografia: a jovem mãe sorrindo com um bebé ao colo. Fico perplexa. Mas já aqui está com o bebé ao colo... digo, quase sem perceber, e logo a seguir chega outra mensagem, também do meu filho: Nasceu de repente. Está tudo bem. E acrescentava o peso do bebé (grandinho, pesadinho). Repito para a minha filha, sem perceber o que aconteceu: Diz que nasceu de repente. Ela, numa excitação, quer ver a fotografia mas eu quero é que ela se concentre na condução.

A seguir ligo ao meu filho, quero detalhes, mas, dado o berreiro do ex-bebé - que nesse momento cedeu o estatuto de bebé ao priminho - não ouço palavra.

Ligo ao meu marido que ia no carro atrás, ligo à minha mãe, dou a notícia e só lhes sei dizer que já nasceu, que nasceu de repente.

Pouco depois, já lá chegados, conta-nos o meu filho que lhe disseram que podia ir almoçar e que, quando voltou, já estavam a médica e as enfermeiras aflitas à espera dele, que entrasse rapidamente, que estava mesmo já a nascer. E disseram à feliz mãe, Vá, faça força, Boa, a cabeça já está cá fora, Vá, mais uma vez, Boa, já está todo cá fora. Assim. Um instante, uma maravilha, tal como eu lhe tinha desejado, uma horinha pequenina. O meu filho contou que, a seguir, cortou o cordão umbilical. Pai pela segunda vez em menos de dois anos, o meu querido filho.

Um pai feliz - e eu fico tão feliz quando o vejo feliz, a ele e à irmã, tão felizes na sua missão de pais responsáveis e dedicados.

Depois chegaram os outros avós com a maninha do bebé, a minha princesinha linda, ficamos uma família emocionada no meio da algazarra das crianças e todos vamos conhecer o menino lindo que vem do recobro com a sua mãe, feliz, sorridente.

E é assim que, pela terceira vez desde que tenho o Um Jeito Manso (há cerca de 2 anos) e pela quarta vez no espaço de cerca de 4 anos, dou as boas vindas a este mundo a uma criança muito querida. Uma vez mais é um menino. São, portanto, (para já...), três meninos e uma menina.

A este menininho lindo desejo que tenha uma vida longa e muito feliz, e que tenha muita sorte, e que tenha saúde, e que venha a ser uma pessoa motivada, realizada, de bem com a vida. Cá estaremos para o acolher, amparar enquanto disso precisar, para o guiar no que faça sentido, para o amar sempre, muito, para o apoiar sempre, incondicionalmente.

Aos queridos pais deste menino desejo que o acompanhem o melhor que saibam e possam, sempre com muita felicidade, com muita sorte, sempre sabendo transmitir a alegria do prazer maior que é a aprendizagem permanente, da satisfação maior que é a descoberta do que está por fazer, e tudo sempre no respeito absoluto pelos outros mesmo que sejam diferentes e, sobretudo, transmitindo a imensa alegria do amor, da construção conjunta, da bênção suprema que é a vida. 

Nasce, este meu querido menino, tal como a irmãzinha e os priminhos, numa época conturbada. Mas todas as épocas o são e é em períodos de indefinição que mais precisas são as pessoas que se envolvem activamente, generosamente, entusiasticamente, na construção do futuro.

E é também isso que eu desejo do mais fundo do meu coração aos meus quatro meninos (e aos mais que vierem) e aos pais destes meninos: que nunca desistam de lutar por um mundo melhor, um mundo mais justo, mais livre, melhor para as pessoas, e que o façam sempre com alegria e convicção, que o façam sem descurar o carinho pelos que lhes são mais próximos, que nunca esqueçam que o amor é um sentimento que deverá estar sempre presente nas suas vidas.

*

E é assim, neste clima de ternura sem limites, que vos desejo também a vós, meus Caros Leitores, um sábado muito feliz.

quinta-feira, maio 10, 2012

Começo - 'Era uma Vez' uma mãe feliz


Com particular carinho e os meus votos de felicidades, publico o poema 'Começo' que a Leitora 'Era uma Vez' deixou nos comentários do post 'Recomeço' (logo que começou o dia 9 de maio).

Maternidade  - Pintura de Katie Berggren


COMEÇO

Anoitecia
e as dores se insinuavam
sabem como são?
O nosso filho vai nascer(disse)
tens a certeza?
claro, é o segundo não?

Um discreto beijo na minha querida menina
A mamã vai buscar o nosso bébé
verdade mamã?
Prometo que é!

E lá fomos nós
a caminho do futuro
"Uma gaivota voava voava
la la la somos livres, somos livres somos livres de voar

Eram tempos de alegria e liberdade
Este era já um "filho da madrugada"
Eram tempos de acreditar
Eram tempos de um novo olhar

Menino ou menina?Sei lá...
Era-nos quase indiferente
desta vez tudo mais fácil
e ali estava ele
encostadinho a mim
aquele niquinho de gente...

Hoje nove de Maio é o seu dia
e como podia eu saber naquele momento
que Deus me dava um menino com talento
homem das artes e do humor

tão intenso
tão intenso
como desde sempre o nosso amor


sábado, dezembro 24, 2011

Um bom Natal a todos - e aqui vos deixo presentinhos para (quase) todos os gostos


Isto hoje pede uma musiquinha. So it is Christmas. Portanto, assim sendo, por favor, play it .
.


Para (a ordem é aleatória e alguns dos nomes têm várias destinatárias):

a Leonor, a Helena, a Ana, a Margarida, a Maria, a Teresa, a Teté, a Tita, a Era uma Vez, a Ivone, a Rita, a Mariana, a Guida, a Isabel, a Rosa, a Alice, a Olinda, a Luísa, a Rosário, e para todas as outras cujo nome não enunciei ou cujo nome desconheço.

e também para (e a ordem é, de novo, aleatória e de novo há nomes que têm vários destinatários):

o João, o Carlos, o António, o Patrício, o Jorge, o Salvador, o Zé, o Francisco, o Henrique, o Pedro, o Eduardo, o Paulo, o José, o Daniel, o Luís, o Luiz, e para todos os outros cujo nome não referi ou cujo nome desconheço.


Meus queridos leitores,

Para as pessoas com família o Natal é uma festa muito feliz, tantas vezes a casa cheia com risos de crianças, com sorrisos dos mais velhos, uma festa com brinquedos pela casa toda, presentes que são afectos, uma mesa cheia de luz.

No entanto, para os que não têm família ou que têm uma família pequena e sem a alegria dos risos das crianças ou das piadas dos mais jovens, pode ser uma época algo triste.

É para todos vós estas minhas palavras - para os que chegam ao natal cansados de tantos preparativos mas que se consolam com a ternura e o aconchego dos afectos familiares, mas é, especialmente, para os que me estão a ler e que não vão ter um dia especialmente festivo. Para vocês, em particular, o meu carinho.

Quero desejar-vos a todos um dia feliz, independentemente de o passarem com mais ou menos companhia, quero enviar-vos o meu afecto, o meu sentido reconhecimento por me lerem, por me fazerem companhia. É para vocês que escrevo. Gostaria de vos oferecer o presente que vos faria feliz mas gosto de oferecer presentes personalizados, tenho dificuldade em escolher um único que seja especial para cada um de vocês. Por isso, deixo aqui uma série de embrulhinhos para que escolham, abram um ao acaso ou abram todos.

Um bom Natal e beijinhos para todos.

E agora vamos lá correr para a chaminé para escolherem o vosso presentinho.




1. Natal é nascimento. É isso que festejamos (mesmo que a data possa não ser exactamente esta... deixemo-nos de minudências e festejemos na mesma). O nascimento de uma criança é sempre uma alegria, é sempre uma fonte de esperança, é o caminho do futuro. Vejamos, portanto, o momento de um nascimento, coisa que para mim é um verdadeiro milagre.



2. A versão maluca de um nascimento (já sabem que eu gosto de coisas malucas, não me levem a mal):  Monty Python's Meaning of Life - ah o que eu me rio sempre que os vejo...



3. As grandes vozes nas músicas de Natal. Aqui temos The Mormon Tabernacle Choir e Audra McDonald a interpretarem Have Yourself a Merry Little Christmas.



4. Continuamos na grande música. Agora temos de novo The Mormon Tabernacle Choir mas interpretando, sob a direcção de Jerold Ottley, O Tannenbaum (O Christmas Tree que é como quem diz, Oh Árvore de Natal) .



5. Tempo para publicidade. As meninas da Victoria's Secret Adriana Lima e outras Anjinhas tentam cantar os Jingle Bells signed, desejando umas Festas Felizes e um bom Natal.



6. Continuamos na publicidade. Agora uma disparatada relativa a uma cerveja bem fresquinha. Sorry.



7. Tempo de coisas sérias, de novo. Agora a voz das mulheres. Maria Bethânia diz poesia, Poema do Menino Jesus, Alberto Caeiro. Como ela diz bem os poetas portugueses... Fernando Pessoa na voz de Bethânia soa tão bem...



8. De novo uma mulher. Sophia, como não podia deixar de ser. Sophia em casa, a voz de Sophia, Sophia lendo as suas palavras.



9. Natal é também, para mim, a história de uma mãe. A mãe que deu à luz numa gruta, em fuga, a mãe que sofreu pelo filho, que o viu arriscar-se, lutar pelos outros, ser perseguido, uma mãe que chorou aos pés da cruz em que o seu filho agonizava. Por isso aqui vos deixo duas imagens de mães vistas pela objectiva de Sebastião Salgado, mães que não desistem dos filhos apesar das duras penas que enfrentam para sobreviver.






10. Até parece mal, depois destas imagens, eu ir mostrar-vos uma coisa assim. Mas, vocês já sabem, gosto sempre de acabar com um sorriso nos lábios. Por isso, minhas amigas, vamos lá a prestar atenção. O modelo não é extraordinário mas é o que consegui arranjar. Mas, meus amigos (do sexo masculino), isto é também para vocês - vamos lá também prestar atenção, replicar os movimentos, ensaiar até saberem fazer o mesmo - para darem uma presentinho à maneira à vossa mulher, namorada, amiga colorida, concubina, whatever.... :)



E é isto meus amigos, espero que tenham encontrado alguma coisa ao vosso gosto e desejo que tenham uns dias tão felizes quanto possível. E divirtam-se.