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domingo, setembro 22, 2024

Quais as diferenças entre António Mexia e Theo du Plessis?
Certamente mais do que os cerca de seis milhões que o primeiro terá 'escondido' em off shores... diria mesmo que todo um mundo...

 

Largar tudo e optar por uma vida minimalista em que todos os pertences pesam cerca de nove quilos e cabem numa mochila, trabalhar em regime de voluntariado em jardins em troca de um lugar para dormir, não é para qualquer um. É o próprio Theo que reconhece que, se tivesse filhos, certamente não teria enveredado por uma vida assim, desligada da posse de bens materiais, vivendo em comunhão com a natureza.

Fala de forma tranquila, parece em paz consigo próprio e com a vida que leva e com o que o rodeia.

Quem passa por uma situação como tenho passado recentemente, tendo que me desfazer do que os meus pais laboriosamente juntaram durante toda a vida, os meus filhos pouco querendo, eu não tendo onde guardar mais coisas, e, forçosamente, tendo que dar tudo (ou quase tudo) a quem quisesse e precisasse, percebe que o júbilo que vem da posse é efémero e, na verdade, destituído de sentido. 

No meu caso, poderia ter optado por vender tudo o que não tinha destino dentro da família. Meio mundo me recomendou. Mas não quis fazê-lo. Preferi dar. Muitas pessoas pobres foram lá e escolheram o que quiseram. Ficaram felizes como se lhes tivesse saído a sorte grande. Mobílias, louças, roupas, bibelots. Pessoas que dormiam em camas articuladas metálicas e, de repente, têm uma mobília de quarto, bons lençóis, bons cobertores, boas colchas. Outras saíram felizes com tachos de inox de boa qualidade. Jarras e molduras. Tantas coisas. Claro que se me parte o coração. Claro. Claro. Custa-me muito. Mas, não tendo nós onde colocar as coisas, penso que dar a quem precisa é a solução mais digna. Penso que as pessoas devem sentir-se orgulhosas por terem coisas tão boas e imagino-as a dizerem que são coisas da casa da Professora, coisas que a filha resolveu dar.

Mesmo aquilo que trouxe aqui para casa, por serem coisas especiais, com significado muito específico, por não ter onde colocar, acabei por deixar na garagem. E refiro-me a dois cadeirões, uma escrivaniha, um louceiro, um móvel pequeno. Já antes tinha trazido colchas e toalhas de renda e coisas assim. 

Agora foi tudo o resto. 

Claro que me custa que coisas boas, de que eles tanto gostavam, acabem na minha garagem, sendo que, de certeza, não vou dar-lhes uso. A esperança que tenho é que, daqui por uns anos, quando os meus netos tiverem as suas casas, venham cá abastecer-se. Mas quererão eles móveis deste género? O meu marido diz que não e aborrece-se comigo, diz que trazer esta meia dúzia de coisas é apenas aumentar o problema que estamos a deixar para os nossos filhos um dia que tenham que ser eles a dar destino às nossas coisas.

Compreendo. Mas toda a nossa vida foi formatada para 'termos' coisas. Mas, pensando bem, na realidade, parece inteligente ter o mínimo de coisas, não deixar tralha e encargos para os nossos descendentes.

Não sei se António Mexia, sempre tão blasé, sempre tão cheio de si próprio (embora fingindo que não), é mais feliz que Theo du Plessis. Tenho muitas dúvidas.

Partilho o vídeo no qual este último mostra como é a sua vida. Penso que é um vídeo muito sereno, muito agradável de ver. Está traduzido.

Freedom of Less: One Man's Minimalist Journey

Choosing a different path in life, one that breaks away from the norm, can often feel lonely. The pressure to conform is constant, with those around you eager to pull you back to the familiar and the comfortable. So to walk the path that is truly your own, you must first connect with who you are at the deepest level — your emotions, your desires, and what truly drives you. This journey requires stepping away from what society says you should be, and instead discovering your truth for yourself.  In the end, life is about making deliberate choices, setting your own pace, and defining your own purpose with each step forward. This film is a reflection on the courage it takes to follow that unique, authentic path, even when the world encourages you to turn back.

Back in 2021 we shared a story featuring Theo, called "Being Simply Beautiful".  It has received almost 2 million views to date, and comments continue to pour in, sharing appreciation for this man and his journey.  We've also received many questions about his personal situation and how he sustains his chosen lifestyle.

We recently heard that Theo was building a food garden on a farm near where we live. So we decided to use the opportunity to revisit with him to bring you this follow up film, answering some of the many questions that we have received. 


Protagonista:  Theo du Plessis. 
Filmado em Swellendam, South Africa.

terça-feira, julho 07, 2020

Uma certa biblioteca secreta





Nesta fase da minha vida em que tudo muda, é como se estivesse a começar de novo. Ou seja, estou como peixe na água. Gosto de recomeços. Quando estou nesta, pouco ou nada me prende ao que era. Pelo contrário, quanto mais depressa despir toda a pele que ainda me prende à minha vida anterior melhor.

Hoje ao fim do dia, tive que ir a um sítio para escolher uma coisa. Mas, mal lá chegada, quando me preparava para ir tratar do que lá me tinha levado, uma pessoa chamou-me para me mostrar uma coisa. Fui. Pensava que era coisa rápida. Afinal foi demorado. Ia mostrar-me umas coisas simples. Afinal, de uma coisa, veio outra e, de outra, veio outra. Sempre mais coisas para me serem mostradas. E, às tantas, chegámos a uma sala e ali havia muita coisa para ver. E, estava eu a ver uma estante, diz-me: não está ver o que é esta estante? E eu: não. Então, a estante rodou e descobriu-se uma porta. Fui atrás. Máquinas. Não percebi que máquinas eram aquelas. De outro lado, caixas, arcas, coisas indistintas. Então, quando pensava que não havia nada mais a ver, dizem-me: e aqui atrás há isto. Espreitei.

Não queria acreditar: uma sala cheia de estantes e livros, livros, revistas. Explicou-me: uma biblioteca privada. Mas privada em todos os sentidos da palavra. Secreta, oculta, quase como se não existisse. Olhei em volta, perplexa. Estantes a toda a volta e, se não estou em erro, também ao meio, Se eu pudesse ter uma biblioteca assim, a library of my own, secreta, vasta, sigilosa, um espaço quase infinito... Fiquei sem dizer nada. Nunca poderia ter imaginado tal.
Quando saí daquele labirinto, já as pessoas com quem tinha ido encontrar-me se tinham ido embora, certamente cansadas de esperar por mim. O tempo tinha passado sem que eu tivesse dado por ele e sem que eu tivesse conseguido interromper quem tinha estado a conduzir-me naquela inesperada visita guiada.


O tempo não anda a ser-me suficiente para me entregar à absoluta descoberta de uma vida nova que se desdobra a toda a hora à minha frente até porque tenho que conciliá-la com o lado prático da minha actividade quotidiana mas, apesar disso, o que posso dizer é que, para mim, o mais estimulante são estes momentos em que passam por mim estas vibrações prenhas de expectativa e descoberta.

Há algum tempo, naquele longínquo tempo pré-covid, estava eu a almoçar, acompanhada, quando ouvi uma voz conhecida a exclamar: 'Olha quem ela é,,,!'. E já lá vinha ela de braços abertos e eu levantei-me e abraçámo-nos e demos o beijinho que, em tempos, as pessoas trocavam quando se encontravam. E logo ali, de pé, pusemos a conversa em dia. Quis que ela se sentasse e almoçasse connosco mas não, estava atrasada, ia ter com outra pessoa, já estava nas horas. Perguntei-lhe como estava a dar-se nessa sua nova vida. Sorrindo, transbordante de entusiasmo, disse: 'Bem! Óptima! Se eu soubesse que ia ser assim, há que tempos que tinha mudado'. Adorei ouvir, era bem ela, sempre pronta para ser a eterna adolescente que conheço há anos. Provavelmente sou também um pouco assim. Não fazer as coisas pela metade, não negar a experiência que se faz convidada, ousar, ir em frente.

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Uma vez mais, fotografias que nada têm a ver com o texto (ou será que têm?) da autoria de Eylül Aslan e que, cá para mim, se forem como eu, curvam-se perante Ennio Morricone que, pela milionésima vez, aqui nos traz o Oboé de Gabriel. 
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Talvez um dia destes regresse ao mundo dito real e fale da notícia do dia: o que o super-judge Alex -- o implacável justiceiro que parece odiar visceralmente quem tem dinheiro ou poder -- fez agora ao Mexia (o da EDP) e ao Manso Neto. Todo um filme. Uma opera bufa. Uma soap. Mas terá que ser num dia de muito estômago. 

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E boa sorte e muita saúde e alegria para si que aí está desse lado.

quinta-feira, julho 20, 2017

Sócrates, Hugo Soares, Rocha Andrade e os outros Secretários de Estado, António Mexia, Comandantes variados, Miguel Abrantes et al.
-- ou como o Caso Marquês se cruza com o Galp Gate, com o assalto a Tancos, com as rendas da EDP, com o caso Zeus, com o caso dos bloggers da seita socratina e etc. --
(ou como, na verdade, isto anda tudo ligado)


Os três ex-Secretários de Estado foram constituídos arguidos e vão ficar sujeitos a termo de identidade e residência. O suposto crime que os investigadores do DIAP vão tentar comprovar prende-se com terem ido à bola a convite de um dos patrocinadores da Selecção. É daquelas ficções em que se conhece, à partida, o crime. O suspense prende-se com o making of

Como é que receberam os bilhetes? Como é que foram para o avião? A pé ou de taxi? Se de taxi, quem pagou o taxi? E como é que compensaram o ofertante por tão imensa prebenda? Perdoaram dívidas de milhões? Foram passadas concessões de exploração de petróleo em Massamá? Se não foi isso, então o que foi? 
Muitas pistas a seguir, muitas linhas de investigação. Muito agente disfarçado, muito infiltrado, muita escuta, muitas provas a coligir. Volumes e volumes de informação a tratar. Dossiers infinitos. Coisa para Joana Vidal ir perdoando adiamentos e deixar rolar a coisa durante dez anos. Percebe-se: o caso é grave. Devia era ter-lhes posto pulseira electrónica que o caso não era para menos.

Entretanto, a Operação Marquês soma e segue. Mais dois arguidos. Agora é malta das Estradas e nova frente de investigação foi aberta: agora também o TGV. Aquela malta que trabalhava com Sócrates e que o dizia um trabalhador incansável, não dando descanso a ninguém, não devem ter percebido que ele, afinal, tinha um clone que, enquanto o genuíno tinha reuniões e visitas oficiais, o outro andava a tramar esquemas para sacar uns trocos a toda a gente possível e imaginária. E, trocos a trocos, o manganão foi enchendo o papo, alugando, como cofre, a barriga do anafado amigo.


Portanto, certamente, mais uns meses de investigação. Também se percebe. Aquilo é um novelo. Não há cabeça que aguente tanta pista. Nem o algoritmo da google daria conta de tamanho emaranhado.


E eu, com pena de tão diligentes cromos a quem chovem pistas como cães e gatos em dia de enxurrada e a quem, por cada pedra que levantam, lhes saltam minhocas, suspeitos e crimes às mãos cheias, vendo os anos a passarem sem que, pobres, pobres coitados, consigam deslindar coisa alguma, aqui me predisponho a dar uma ajuda. É o meu lado de musa de Tiepolo: santinha, santinha, santinha. Assim, para que não continuem a aparecer aos olhos da opinião pública feitos baratas tontas ou a aparentar que têm tempo de sobra ou severa carência de neurónios, daqui levanto o véu sobre mais uns quantos factos que, cá para mim, têm tudo a ver.


Read my lips:
1 - É ou não verdade que os três ex-Secretários de Estado conhecem Sócrates? E, em caso afirmativo, que tipo de conhecimento é esse? O bíblico penso que está fora de questão mas, então, que expliquem tudo muito bem explicadinho. 
2 - É ou não verdade que, por trás da manobra dos convites para a bola, está, afinal, a mão emboscada do silencioso amigo de Sócrates? 
3 - É ou não verdade que, no avião, como leitura, as hospedeiras distribuíram aos passageiros livros do Sócrates? 
4 - É ou não verdade que no camarote, no célebre dia do fatídico jogo, foi avistada uma mulher que alguns juraram ser a cara chapada da ex-mulher de Sócrates enquanto outros, para disfarçar, disseram ser Marcelo Rebelo de Sousa disfarçado de Nossa Senhora de Fátima? E quem eram esses outros? 
5 - É ou não verdade que o primo de Sócrates foi visto de óculos escuros num carro conduzido por alguém que parecia ser o motorista Perna nos arrebaldes de Tancos? 
6 - É ou não verdade que Lalanda, Bataglia e Salgado foram avistados, em dias diferentes, em lugares diferentes, tentando simular que não se conheciam? 
7 - É ou não verdade que Mexia (o da EDP) costumava mandar sms a Sócrates a perguntar informações sobre o alfaiate como se toda a gente não percebesse que isso era código e que, na verdade, estava a referir-se às caixas de robalos que oferecia à filha do Vara, numa altura em que estava zangado com a Guta? 
8 - É ou não verdade que Zeinal Bava foi avistado a falar com um jardineiro que é compadre de um sargento que geria uma messe da Força Aérea e que, dias depois, o mesmo Bava se cruzou na autoestrada, embora em sentido contrário (para disfarçar) com Sócrates? 
9 - É ou não verdade que o SIRESP foi visto a falar ao telefone com a Fernanda Câncio, ex-namorada de Sócrates? 
10 - É ou não verdade que o Granadeiro foi ouvido um dia a insinuar que a Manuela Moura Guedes merecia que lhe reduzissem o tamanho da boca, tendo depois vindo a descobrir-se que o interlocutor era admirador da Cristina Ferreira e que, através dela, iria minar as audiências da TVI e tudo para agradar ao Sócrates? 
11- É ou não verdade que os mails do Benfica não são inocentes e contêm, subliminarmente, ordens de pagamento a favor da manicura da mulher do amigo de Sócrates? 
12 - É ou não verdade que foram avistadas umas personagens muito suspeitas a jantar numa casa de fados, parecendo estar todos com cabeleiras postiças louras e lentes de contacto demasiado azuis para serem credíveis, falando em voz muito baixa, tendo um espião que por lá pára, conhecido no bas-fond por Lima do Sótão, deixado cair para a imprensa que ouviu referir um filósofo grego e que se tratavam uns aos outros por Miguel Abrantes, Valupi e Jumento?
13 - É ou não verdade que é muito, muito, suspeito que Hugo Soares tenha sido eleito como líder parlamentar do PSD? Não seria de investigar qual a mão que manobrou atrás do arbusto para que tal inverosímil facto tenha acontecido? Não está bom de ver que é coisa deliberada para enxovalhar a honra laranja e que isso só vai servir para lançar a confusão no argumentário político e, dessa forma, baralhar os jornalistas e, por conseguinte, beneficiar a estratégia de defesa de Sócrates?


E podia continuar a dar pistas. Mas vou com calma, fico-me, para já, pelo número da sorte para não fundir a mente do nosso querido Saloio de Mação, o Super-Judge Alex, ou a do Procurador Rosarinho Teixeira, sempre tão eficaz, ou a dos outros que devotam a sua humilde vida a perseguir nobres causas e que, nessa senda, coitados, mal têm tempo para refeiçoar ou para pensar.


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A ver se com esta minha preciosa ajuda conseguimos finalmente chegar ao mega-julgamento pelo qual tão impacientemente aguardamos




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Um dia risonho a todos quantos aí estão desse lado

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sábado, junho 03, 2017

O Mexia da EDP é arguido...? Não...
[Mais um golden boy com pés de barro...? Não...
Depois do excelentíssimo Zeinal Bava, agora também o Mexia...? Não...]


E mais não digo.

Só mesmo mais uma coisinha. De vez em quando dá-me para escrever uns folhetins. Tudo ficção. Tudo. Tudo. Tudo. 

Excepto que, volta e meia, me inspiro em lugares, situações ou pessoas de verdade. Mas, calma, é tudo reprocessado e o que sai à cena nada tem a ver com nada. Nada com nada. Nada, nada, nada. Excepto uma ou outra petite chose. Petitinha. Insignificantezinha. Inha. Inha.

E, uma vez -- confesso --, uma das minhas historietas tinha um personagem que era a cara chapada de um nouvel arguido. E podia estar a referir-me ao meu primo mas, por acaso, não. 

E pronto, é só isto. Não me alongo porque nada mais a dizer. Até porque, até prova em contrário, toda a gente é inocente.

Agora o que seria interessante no meio disto é que, tendo havido empolamento de custos ou um jeitinho no algoritmo de cálculo de uma ou outra parcela, ou não jeitinho mas, sim, um involuntário erro (e, atenção, não estou a dizer que houve, estou apenas a hipotesiar), a dita companhia fosse obrigada e emitir notas de crédito a todos os consumidores, individuais ou colectivos. Isso é que era.

E pronto. Como disse, mais não digo. Que a justiça seja justa, célere e eficaz é o que eu estimo (e, como é sabido, o que eu estimo é o que eu desejo).

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segunda-feira, novembro 04, 2013

A EDP apresentou neste terceiro trimestre resultados que superaram as expectativas. Até Setembro os resultados líquidos quase atingiram os 800 milhões de euros. Enquanto isso, talvez para assinalar os seus bons resultados e deixar bem claro ao que andam, sem sequer avisar previamente a Câmara, a EDP deixou os bairros sociais do Porto às escuras. O Lagarteiro e Contumil já estão. Seguem-se outros. No céu cinzento sob o astro mudo, batendo as asas pela noite calada, vêm em bandos com pés veludo chupar o sangue fresco da manada.


No post a seguir a este, falo de alguém que deixou de sofrer da forma mais triste possível e que apenas foi notícia no momento em que isso aconteceu. Antes, os jornais não noticiaram a sua dor, entretidos que andam com um outro caso muito deprimente e mediático. Para quase todas as pessoas, a sua dor não sai nos jornais. Nem tem que sair. No entanto, se me permitem, deixem que partilhe convosco a preocupação de que não nos esqueçamos de dedicar atenção aos que, perto de nós, anónimos, também precisam de ajuda. 

Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra.

*

A EDP apresentou resultados relativos ao 3º trimestre de 2013 que superaram as estimativas dos analistas, o que ajudou à subida das acções. 


A EDP alcançou nos primeiros nove meses deste ano um resultado líquido de 792 milhões de euros.

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Em Portugal há cada vez mais pessoas que vivem sem rendimentos. 

(Não sei como vivem.) 

Ou que vivem no limiar da sobrevivência, com o subsídio de inserção ou com outros trocos. Não sei como se alimentam, como se vestem, como conseguem mandar os filhos à escola ou tratar dos velhos. Se calhar pagam quase nada de renda ou também não pagam. Não sei.


Não têm dinheiro para pagar a luz. Fazem puxadas ilegais ou não pagam. Não têm como.

Nisto há sempre excepções e não vale a pena vir alguém dizer que há quem não pague, podendo fazê-lo. São excepções e as medidas não se fazem para as excepções.


Gente que não tem como pagar a electricidade, nos bairros sociais do Porto (e noutros bairros), desvia a electricidade para as suas pobres habitações. Não sei qual o rombo que isso causa nas contas da EDP mas admito que seja uma gota de água.

Mas para os chineses que pagam o ordenado a António Mexia todas as gotas contam e, sem aviso, cortaram a electricidade a numerosas famílias nos bairros sociais do Porto. Lagarteiro, Contumil. A zona da Campanhã sob ataque cerrado. Outros se vão seguir. E não apenas no Porto.


Leio no Público:

Conceição Lencastre e o marido, Albano Lencastre, lamentava ao início da noite não terem energia para carregar a bateria da cadeira de rodas eléctrica do filho de 23 anos, deficiente motor. “Vou ter de pedir aos vizinhos para me deixarem carregar a bateria da cadeira ou que me mandem uma extensão”, dizia Conceição, beneficiária do rendimento social. “Já não recebemos uma conta de luz há cinco anos. Não sei quanto devemos. Ou pagamos a luz, ou comemos. Fomos uma vez à EDP para pagarmos em prestações, mas a primeira tinha de ser de 500 euros. Não temos.”

Já Teresa Monteiro, de 54 anos, admitia que esta madrugada seria passada “à luz das velas”. “Tenho oito pessoas em casa. Com 254 euros por mês como é que pago a luz?”, questionava sentada à porta do bloco 7, à luz dos candeeiros públicos. “Fui operada há pouco tempo. Não consigo andar e agora nem luz tenho”, lamentava-se, admitindo ter uma “dívida muito grande de luz, água e renda”.

Ao lado, Maria Arminda voltava das compras preocupada com a mãe de 85 anos que estava em casa “à luz da vela”. “Está sem luz, sem frigorífico e não pode cozinhar. Como se faz vida assim? Sei que temos dívidas, mas não temos como pagar.”


Rui Moreira queixa-se que a Câmara não foi avisada. Para quê? Os chineses que pagam o ordenado a Mexia e a Catroga não são especialmente conhecidos por respeitarem os direitos humanos - quanto mais etiquetas.


A EDP não é uma instituição de caridade e admito que não possa, de olhos fechados, permitir situações abusivas. Mas há o lado humano das empresas. Pode, em conjunto com as instituições públicas que têm por obrigação representar e defender as pessoas, estudar-se uma forma digna de resolver os problemas sem atentar contra o direito à sobrevivência e ao respeito que toda a gente deve merecer, ricos ou pobres.

O capitalismo, em si, em abstracto, não é forçosamente mau. O que é mau é o que acontece quando a selvajaria, a desregulação, a prepotência, a desumanização, andam à solta. O que é mau é ter poderes políticos que, em vez de se mobilizarem para melhorar as condições de vida de todas as pessoas, se mobilizam para defender o dinheiro e quem o tem em grandes quantidades. O que é mau é a cegueira de quem elege políticos que mais defendem quem se permite deslocar as suas sedes sociais para não pagar impostos nos países de origem, do que os pobres que mal conseguem sobreviver.

*


Não consigo dizer mais nada sobre isto porque me sinto ferida com situações como estas. O meu País está a atingir níveis de pobreza que assustam. Acresce que quem governa o meu País revela insensibilidade política e social a todos os níveis e está a pôr nas mãos de estrangeiros sem rosto os recursos e os serviços estratégicos de Portugal.

Sem recursos, sem direitos, os portugueses são fáceis, dóceis. Por receio, por cansaço, por vergonha, talvez até por delicadeza, estão a deixar-se matar.



Não pode ser. Isto não pode continuar. Temos que nos levantar e lutar. Todos.

*



Os Vampiros, José Afonso e amigos

(...)
São os mordomos Do universo todo
Senhores à força Mandadores sem lei
Enchem as tulhas Bebem vinho novo
Dançam a ronda No pinhal do rei

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada
(...)

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Relembro que sobre a dor da gente que não sai nos jornais, é descer um pouco mais.

As imagens são, uma vez mais, a arte de rua de Banksy.


Gostaria ainda de vos convidar a visitarem-me também no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa. Aí o meu corpo mostra-se aos pássaros brancos que voam como cavalos alados junto às palavras do Poeta Abel Neves. A música que se lhes segue é a de Mayra Andrade com Traz outro Amigo.


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E por aqui me fico hoje. 
Desejo-vos, meus Caros leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda feira.

quarta-feira, outubro 09, 2013

三三峽深喉嚨chinocas陰毛,不可撤銷的端口部長後,他們的嘴,對電力部門對中小企業的稅收信息傳輸 ___ [Uso o tradutor do google para ajudar os meus Leitores que ainda não dominam o chinês: "Three Gorges garganta profunda chinocas pêlos pubianos, o ministro porta irrevogável após suas bocas, o setor de informações fiscais de transferência de eletricidade para as PME" ] /_ /// _/ Texto revisto com a chave do mistério (ou seja, com a versão original do texto em português)




此聖保羅關閘認為什麼?難怪他們叫它保利尼奧展銷會:我認為你可以打開你的嘴,說一件事,它的對立面,只要你分發笑聲。所以想了一會兒到其他可以敞開你的嘴和威脅會惡化稅的?不知道他,扔開拋出開來,沒有人打我們,三峽?我們最不稱職的,先生們,我們從來沒有見過這樣的事情,即使給衛生署,射線休息。聽好了:不但不採取任何更多的蝸牛粘彷彿還在磨,提高了營,我們傳揚到另一個教區,然後總是希望看到吸吮拇指,他說,硬幣,皮帶和兔子件。這怪胎走動以威脅衝擊期望的可怕之處認為,我們都怕他......?UI,UI,嚇得...



*

Uma vez mais, para os meus caros Leitores que ainda não aprenderam a sair da sua zona de conforto e ainda se limitam a falar apenas o inglês ou francês (e é se for) - para além, é claro, de arranharem o português - e que, ainda por cima são preguiçosos todos os dias e não estão para se dar ao trabalho de pegarem neste texto e irem ver o que diz o tradutor do google, aqui vos deixo a tradução:



Este encerramento São Paulo acha o quê? Não é à toa que eles chamam de feiras Paulinho: Eu acho que você pode abrir a boca e dizer uma coisa, o seu oposto, contanto que você distribuir gargalhadas. Então, pense por um momento para outro pode abrir a boca e ameaçou piorar imposto? Eu não o conheço, e abriu abertas, ninguém nos atingir, as Três Gargantas? Nossa mais incompetente e senhores, nós nunca vimos uma coisa dessas, até mesmo para o Ministério da Saúde, os raios de descanso. Ouça-se: não só não agüento mais caracol pegajoso se ainda moagem, melhorando o acampamento, pregamos para outra paróquia, e sempre quero ver chupar o dedo, diz ele, moedas, cintos e peças de coelho. Este movimento ameaçou impacto expectativas do geek é assustador que estamos com medo dele ......? UI, UI, com medo ...


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A primeira imagem provém, como lá se pode ver, do inspirado blogue We Have Kaos in the Garden.


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Ora, então, o prometido é devido.

É sabido que isto do Google a traduzir é um perigo. A versão original, em português, antes de ser vertida para chinês, era a que vos vou mostrar de seguida.  Um texto muito correcto - o google é que deu cabo dele, como podem ver.


Paulo Portas
aqui a fazer biquinho e a bater palminhas,
tudo para ver se evita apertar a mão ao senhor da Three Gorges



Título da mensagem na versão original:


Mensagem da Three Three Gorges transmitida pelo garganta funda dos chinocas, o tal dos pelos púbicos, ao irrevogável ministro Portas na sequência das suas bocas sobre as pequenas e médias taxações sobre o sector da electricidade



Texto da mensagem na versão original:


Esse Paulo Portas pensa o quê? Não é à toa que lhe chamam o Paulinho das feiras: acha que pode abrir a boca e dizer uma coisa e o seu contrário desde que distribua sorrisinhos. Então acha que de um momento para o outro pode escancarar a boca e ameaçar que vai agravar os impostos? Não sabe ele que, escancarar por escancarar, não há quem nos bata a nós, os das Três Gargantas? Que gente mais incompetente, senhores, nunca vimos coisa assim, até dá dó, raios os partam. Escutem bem: não apenas não levam nem mais um caracol furado como, se continuam a moer, levantamos arraiais, vamos pregar para outra freguesia e depois sempre os quero ver a chuchar no dedo, a ele, ao moedas, à tangas e ao cacos coelho. Aquele totó que anda para aí a ameaçar com o papão do choque das expectativas acha que a gente tem medo dele...? Ui, ui, tanto medo...




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[Nota: Como podem constatar, o tradutor do google não deve ser usado em assuntos de responsabilidade. Comecei por escrever este texto que acabaram de ler em português, traduzi-o para chinês (texto lá de cima) e depois retroverti esse texto em chinês para português (texto do meio). Viram a volta que o google lhe deu...? Cá para mim o Passos Coelho e restante comitiva traduzem os documentos da troika com o google. Daí não perceberem nada de nada nem serem capazes de se fazer entender.]

terça-feira, outubro 01, 2013

A palavra aos Leitores de Um Jeito Manso. 1º: "Os impostos são só para os outros?", interroga-se José Vítor Malheiros ('O objectivo das empresas com morada na Holanda é a dupla não-taxação: não pagar nem cá nem lá'). 2º: E "As premonições de Natália Correia", segundo Fernando Dacosta in "O Botequim da Liberdade"


Recebo com frequência mails em que os meus Leitores fazem o favor de me enviar a sua opinião, artigos ou fotografias que consideram relevantes, músicas, etc. Nem sempre consigo tempo para agradecer e nem sempre tenho tempo para compor os textos de modo a poder divulgá-los (a forma como as coisas me chegam, por vezes, se transposta tal e qual para o editor do blogger, sairia toda desformatada, pelo que tenho que ter algum cuidado de edição)

Mas hoje, agradecendo aos Leitores que mos enviaram, resolvi divulgar dois deles por me parecerem que, lidos em sequência, permitirão uma leitura interessante. 

Aliás, há dias li uma breve referência ao estudo referido no 1º artigo e imaginei que ia dar que falar. Para minha surpresa, abateu-se sobre ele um manto de silêncio. Felizmente José Vítor Malheiros deu-lhe relevo e eu, aqui no UJM, faço-me eco de tão oportunas palavras. Se todos os jornalistas divulgassem informação como esta, talvez as pessoas não aceitassem tão facilmente os sacrifícios que lhes são impostos em nome de pecados que não cometeram.




Os impostos são só para os outros?


de José Vítor Malheiros publicado no Público de 17 de Setembro de 2013




O relatório tem como título “Avoiding Tax in Times of Austerity” e como pós-título “Energias de Portugal (EDP) and the Role of the Netherlands in Tax Avoidance in Europe”, foi publicado há dias e já deu origem a várias notícias de jornal. O seu autor é a SOMO, uma organização holandesa sem fins lucrativos, dedicada ao estudo do desenvolvimento sustentável e que há quarenta anos monitoriza o funcionamento das multinacionais e o impacto da sua acção no desenvolvimento económico, no ambiente e nos direitos humanos.


O que diz o relatório? Explica como é que as grandes empresas portuguesas fogem aos impostos em Portugal criando empresas-fantasma na Holanda (mailbox companies, assim chamadas por terem pouco mais do que uma caixa de correio), fazendo passar por elas os seus fluxos financeiros, beneficiando não só das condições fiscais vantajosas que a Holanda oferece às empresas estrangeiras como conseguindo por vezes, como fez a EDP, acordos especiais com o fisco holandês que lhes garantem uma “dupla não-taxação”.

“Dupla não taxação”? Sim. Estas empresas não pagam ou quase não pagam impostos nem cá nem lá, graças a uma hábil utilização das leis fiscais, à conivência das autoridades fiscais holandesas que ganham com o negócio das empresas-fantasmas cerca de mil milhões de euros por ano e, claro, à benevolência generalizada, em Portugal e na UE relativamente aos abusos do grande capital.

A expressão “double non-taxation” aparece 15 vezes nas 30 páginas do relatório e é o Santo Graal do “planeamento fiscal agressivo” - o eufemismo utilizado para descrever a fuga, legal ou ilegal, aos impostos.

O relatório da SOMO não tem nenhuma novidade de fundo. Os advogados que aconselham as empresas sobre as melhores maneiras de fugir aos impostos, os activistas que combatem a mesma fuga aos impostos, os políticos e os jornalistas da área conhecem bem esta situação, que é objecto de discussão em organizações internacionais há anos. Por isso, o relatório foi objecto de algumas notícias mas não suscitou a indignação generalizada que teria sido justa. E, no entanto, esta é uma das razões principais da crise que vivemos, da desigualdade crescente das nossas sociedades, da erosão da democracia que todos sentimos. Graças aos buracos nas leis nacionais e às lacunas nas leis internacionais, as grandes empresas conseguem fugir às suas obrigações fiscais e defraudar o Estado enquanto usam as infraestruturas que os cidadãos pagam com o seu trabalho. A fuga aos impostos é o roubo por alguns do património de todos.



É por isso que é chocante a mentira que Passos Coelho gosta de repetir segundo a qual “não há dinheiro”. Não há dinheiro para a saúde ou para a educação. Não há dinheiro para pensionistas ou para desempregados. Não há dinheiro para as universidades ou para as pequenas empresas. Mas há dinheiro para compensar a fuga aos impostos das grandes empresas. Mais: os mesmos políticos que repetem que não há dinheiro são os que nunca levantam um dedo nos fóruns internacionais para combater a evasão fiscal. E os empresários que mais falam de patriotismo e que pregam que temos de trabalhar mais são os mesmos que vivem à conta dos impostos que nos roubam. Dezanove das empresas do PSI 2 têm empresas de fachada na Holanda. E o Governo adula as grandes empresas que fogem aos impostos enquanto esmifra os trabalhadores por conta de outrem. Como a famosa milionária americana Leona Helmsley (que foi presa por fuga ao fisco) o Governo acha que só os pobres é que devem pagar impostos.



A Comissão Europeia estima que o total perdido devido à fuga aos impostos é de um milhão de milhões de euros por ano. Quando se olha para o que as empresas roubam à comunidade através dos seus advogados pagos a peso de ouro e dos políticos corruptos que metem no bolso percebe-se de onde vem a dívida pública. Quando nos roubam é natural que fiquemos com um défice. Só a parte legal dessa fuga aos impostos é estimada em 150.000 milhões de euros. Mais do que o orçamento total da União Europeia.




Não há dinheiro para pagar pensões quando as grandes empresas dão o golpe do baú todos os anos, perante o sorriso seráfico de Maria Swap Albuquerque. A SOMO diz aliás a certa altura que “apenas podemos especular sobre as razões por que as autoridades fiscais portuguesas não levantam junto das autoridades fiscais holandesas” a questão da fuga aos impostos das empresas portuguesas.

Imagine por um momento que tínhamos um Governo honesto, empenhado em fazer cumprir a lei, em combater este regime de crime social tolerado. Qual seria a importância da nossa dívida? Seria possível continuar a destruir o Estado Social com o argumento da falta de dinheiro? Seria possível continuar a vender ao desbarato o património público? Não. É por isso que podemos ter a certeza de que, com este governo, a actual situação de saque legal e fuga das empresas para paraísos fiscais como a Holanda irá continuar.

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"As premonições de Natália Correia" 



A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista.

A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá,  talvez vingança!

Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente.

Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda  querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica.

Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão.

Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?

As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida.

Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir.


Excertos de citações de Natália Correia contidas no livro de Fernando Dacosta, O Botequim da Liberdade.

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sexta-feira, novembro 12, 2010

Afonso Dinis Nunes, António Mexia, a provável falta de cacau e outras desgraças com a Melody Gardot a tentar salvar a situação

As taxas de juro da dívida soberana foram trepando e estão em níveis de fazer bater o dente. Esta situação está a deixar-nos abaixo da linha de água e não se vê como sair disto. O FMI parece ser já uma inevitabilidade, como Soares nos vai preparando.

Ontem vi que em Mesão Frio a população se tinha habituado a uma linda coisa. Rejeitam empregos e dizem 'Eu é mais cursos de formação', que o dinheirinho dá jeito para a lida. Vão tirando cursos e passeando pelas feiras e pelas ruas.

Mas não é só lá.

Tolerância de ponto no dia 19 por causa da cimeira. E sei que a segurança e tal mas, com a economia de rastos, justificar-se-á mesmo esta tolerância numa altura destas?

Relapsos, calinas, baldas, parece que tem que vir alguém de fora, com autoridade, para nos pôr a bater a bola baixinho.

Enquanto isso, Afonso Dinis Nunes, o inteligente e solidário juiz presidente do tribunal de Alenquer, anunciou que vai passar a trabalhar menos duas horas por dia já que vai ganhar menos. É de homem-zinho.

Daqui por vinte anos é expectável que o cacau seja raro, caro como o caviar, diz o "The Independent".  Os cacaueiros são frágeis, o período de crescimento é longo, os produtores recebem pouco, dizem que não é rentável e estão a abandonar a cultura do cacau. O que vai ser de nós?

Mas as más notícias não se ficam por aqui: António Mexia gostava de voltar à política e para governar a maior empresa do País, a maior 'companhia' como ele agora gosta de dizer, a Câmara de Lisboa, vejam bem.

O mestre da imagem, provavelmente o maior cliente de agências de comunicação, de agências de publicidade, parece que acha que o País precisa dele.

É um príncipe do reino do efémero, um príncipe da gestão virtual, do mais vale parecer do que ser.

Usa a inteligência a seu favor e pouco mais que isso mas usa-a com a arte dos grandes coreógrafos, dos grandes encenadores. Diz lugares comuns com a pose dos grandes diseurs, ouve-se a si próprio como um Tom Peters e paga a fotógrafos para captarem o momento e a agências de comunicação para comporem notícias laudatórias, para as difundirem por agências noticiosas e outros meios de comunicação

Diz que isso acontecerá daqui por muitos anos. Ora, daqui por muitos anos, eu acho que ele já estará velho.

Por isso, senhor Mexia, nessa altura go home. É que se, já agora, 'este País não é para velhos', fará daqui por muitos anos...

E porque não me ocorrem notícias boas, mas porque há que não desanimar, aqui vos deixo, com votos de uma boa 6ª feira, a envolvente e melodiosa Melody Gardot em Baby I'm a Fool ("kiss me now, don't ask me how"). Do melhor que há.

Enjoy.