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sexta-feira, setembro 04, 2026

O que é a caquistocracia?


Caquistocracia (ou kakistocracia): significa o «governo dos piores», ou seja, um sistema político liderado pelas pessoas menos qualificadas, mais incompetentes ou mais inescrupulosas.

  • Etimologia: A palavra vem do grego kakistos (o pior, superlativo de mau) combinado com kratos (poder ou governo).
  • História: O termo foi criado no século XVII para descrever governos entregues a cidadãos sem capacidade ou mérito para exercer a função pública. 
  • Principal característica: Incompetência como critério - o governo escolhe ou tolera membros com base na falta de preparação, afastando e hostilizando quem demonstra verdadeira competência.
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A caquistocracia segundo o ChatGPT


Um Governo em que o primeiro-ministro está contaminado por uma infecta Spinumviva que para sempre lhe ficará colada como uma carraça, que começou a governar sobre uma mentira que soou aos portugueses como uma fraude (falando numa descida espectacular do IRS quando era afinal algo que já estava reduzido (pelo governo PS)), que tem balizado a sua actuação por meias verdades, por chutar para canto, por incumprir tudo o que tinha prometido, que se fez rodear de uma equipa de ministros fraquíssimos, que estragam tudo em que tocam (o caso da Saúde, da Educação, então, são paradigmáticos do que é a incompetência elevada a expoentes impensáveis), em que um ministro da Administração Interna (o 3º erro de casting, depois de duas senhorinhas que não atinaram) se apresenta como um polícia de tipo self-made man -- quero, posso e mando e que venha o primeiro que me impeça de fazer o que quero -- não é um exemplo de que, também em Portugal, se tem vindo a decair no sentido de uma caquistocracia? 

Os que estão no Governo não deveriam ser os melhores dos melhores? Como é possível que as coisas estejam num declínio tal?

Mesmo na Assembleia da República, como é possível ver nas bancadas um tal rebotalho? 

A bancada do Chega seria de anedota se não fosse uma tragédia. O mal que este partido tem feito à democracia é palpável, é como uma gangrena que vai alastrando.

Mesmo na bancada do PSD, que líder parlamentar é aquele? Um trauliteiro, um fala barato. Qual o critério: ser unha com carne do Montenegro? Outro vírus para a democracia.

E que porta-voz do PSD é aquele? Que credenciais tem o Bugalho? Ser outro fala-barato? Abre a boca e sai um bafo que incomoda.

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Ainda assim, há que reconhecer que nada que se pareça com a palhaçada a que se assiste nos Estados Unidos. Aí, sim, é um filme de terror, a coisa vai para além do imaginável. Não se consegue perceber como o país mais poderoso do mundo (será que o é, de facto?) está nas mãos de um narcisista maligno, demente, ignorante, estúpido até à quinta casa. Nem se percebe como admitem os americanos que a equipa executiva seja constituída por gente tão totalmente desqualificada. Ou como admitem que todas as instituições basilares da democracia estejam permanenetemente sob ataque por parte de Trump, que só descansa quando corre com os competentes e os subsitui por gente desqualificada e servil. É de fugir. 

Gostei de ouvir George Clooney descrever esta situação como uma caquistocracia. No vídeo fala de várias coisas, incluindo disso. Vale a pena ouvir.

George Clooney critica a América da era Donald Trump: "Estamos a viver uma caquistocracia neste momento"

A estrela de Hollywood George Clooney fez uma série de declarações contundentes no Festival de Veneza, onde recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra. Clooney abordou temas como a política norte-americana, o jornalismo, a inteligência artificial, Hollywood, as alterações climáticas e a propriedade dos meios de comunicação.

Clooney descreveu a situação atual nos Estados Unidos como uma "caquistocracia", termo que se refere a um governo exercido pelas pessoas menos qualificadas. Alertou ainda para o conteúdo gerado pela inteligência artificial e para os deepfakes, afirmando que podem tornar cada vez mais difícil distinguir a verdade da ficção.

O ator manifestou ainda preocupação com a concentração dos media e a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros., além de discutir as alterações climáticas e os incêndios florestais que afetaram a casa da sua família em França.


Desejo-vos uma boa sexta-feira

quarta-feira, agosto 05, 2026

Tenho provas de que Trump está a afundar-se no fracasso

 

Continuo sem o meu computador habitual. Já recebi o orçamento -- upa, upa, é caso até para pensar duas e três e quatro vezes --, mas acabei por respirar fundo, dar o ok e pagar, e agora é esperar que fique pronto.

Mas, portanto, continuo limitada. Estou a escrever no telemóvel e isso, para mim, é completamente dissuasor.

Hoje, enquanto varria e andava com um ancinho a raspar os musgos velhos e a terra, andava a pensar em mil assuntos para deles aqui dar conta. Depois lembrava-me do meu severo handicap e, mentalmente, retrocedia.

De tarde tive que escrever um mail que tinha que invocar outros mails enviados antes (há serviços públicos que são um buraco negro, kafkianos, levam o mais resistente ao desespero, dão vontade de desistir, consubstanciam um total desprezo por nós, cidadãos, contribuintes, utentes). O que eu penei para o fazer... No telemóvel seria uma dor de cabeça e no computador deficiente que agora me serve de bóia de salvação e que só funciona, e mal, com um teclado virtual (que se sobrepõe ao texto a menos que o ponha minúsculo) foi um sufoco. O meu marido, quando me vê indisposta com estas provações, decreta: "compra um computador e acaba com isso!". Não compro. Outra vez configurar tudo, passar coisas de um lado para o outro, habituar-me a novas manhas. Não quero.

Espero que sejam mais uns dias. Só mais uns dias.

Por isso, até lá mantenho a minha verve refreada. Por exemplo, apetecer--me-ia comentar as últimas parvoíces do Trump e o mal que ele espalha à sua volta. Está maluco, em decomposição, mas a verdade é que a sua ordinarice, incompetência, falta de vergonha e pulsão para aldrabice compulsiva e descarada continuam a servir de exemplo a estupores e mentecaptos em todo o mundo.

A conversa abaixo entre David Rothkopf e Joanna Coles é, como sempre, muito elucidativa e interessante. Aconselho.

I Have The Proof that Trump is Drowning in Failure | The Daily Beast Podcast

David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para analisar mais uma semana extraordinária no mundo de Trump, desde as crescentes dúvidas sobre a gestão do presidente em relação ao Irão e o aprofundamento da crise de política externa até às alegações de corrupção, disfunção política e o impressionante colapso da confiança pública reflectido em novas sondagens. Abordam a combativa aparição de RFK Jr. na CNN, as consequências em torno do congressista Max Miller, o mistério da longa ausência de Mitch McConnell, as últimas reviravoltas na batalha pela confirmação de Todd Blanche e as crescentes fissuras dentro do movimento MAGA, com Tucker Carlson, Laura Loomer e JD Vance em conflito. Além disso, examinam o mais recente espetáculo do Truth Social de Trump, o seu autoproclamado triunfo no golfe e porque é que os apresentadores argumentam que o caos em torno da sua administração só se está a intensificar à medida que se aproximam as eleições intercalares.


Um bom dia!

terça-feira, julho 21, 2026

O clube dos macho men da pila curta*

 

Já contei que sou tão céptica em relação às redes sociais que, quando me aparece alguma publicação especialmente estúpida, passo à frente: penso que pode ser fake, imagens manipuladas ou forjadas. Continuo a ter a ideia de que o mundo pode estar em franca degenerescência, pode estar infectado até à medula com populistas, palhaços e fantoches por todo o lado, mas, enfim, ainda há alguns limites. Ora tenho constatado que faço mal em ser tão cépica pois, na prática, o que estou a ser é ingénua.

Por exemplo, há não muito tempo eu juraria que seria impossível que o mundo estivesse nas mãos de um maluco rodeado de verbos-de-enche, de lambe-botas, de puxa-sacos. Depois, quando constatei que aconteceu, juraria que não se aguentavam muito. Aguentam-se. Portanto, mais me vale render-me às evidências.

Uma das personagens que acho de gargalhada, anedora pura e dura, é o Secretário da Defesa Pete Hegseth, intitulado da Guerra. Uma coisa inenarrável. Nitidamente é daqueles fulanos que acredita que é por ser alto e bem constituído que é mais homem. Ainda por cima, vê-se que é daqueles mentecaptos que acredita que, se em cima das suas condições genéticas, acrescentar uns músuculos trabalhados vai despertar o respeito alheio.

Parte das suas instruções aos militares tem a ver com essas parvoíces: que não podem ter barriga, que não podem  ser gordos, que não podem ter barba.

Pode ser pancada minha mas sempre tive para mim que os homens que se têm em alta conta, que têm um grande orgulho no seu físico, são tipos com fraco miolo. Por acaso, até hoje ainda não encontrei a excepção. Muito direitinhos, muito espetadinhos, músculos muito trabalhadinhos e, vai-se a ver, e são uns parvinhos que até enjoam.

Pior ainda se têm uma conversa muito sexuada. Um tipo que fala muito em testosterona, cá para mim é um parvinho que tem medo de a ter em fraca dose. Que tem medo de ou que sabe mesmo que a tem em pouca ou rala qualidade. É como os que contam muitas piadas de gays, fingindo-se de muito machos: geralmente são gays não assumidos. Ou que andam sempre com piadas sobre pénis pequenos querendo dar a entender que os deles, não, os deles são gigas: nada, coisa nenhuma, geralmente são uns pilas-de-gato.

É o caso deste Pete Hegseth: calmeirão, calmeirão, todo quitado, todo músculos, agora quer tudo o que é tropa a medir a testosterona. Não sei sequer o que pense disto, de tão absudo que é. Não sei se a seguir vai impor que levem injecções, que ponham adesivos ou que apliquem o gel milagroso ou se o próprio Donald não forma uma empresa de Pau de Cabinda convencendo os incautos magalas a abastecer-se no Trump Free Shop. E, pensando bem, o mais certo é que, em breve, da ficha de candidatura às Forças Armadas conste também o tamanho do pénis.

Imagem gerada pelo ChatGPT

Como as duas divertidas tertulianas que no vídeo que abaixo partilho, dizem: só um tipo que tem défice da dita se lembra de impor os testes aos outros como se ele a tivesse de sobra. Como o demente Trump que passa a vida a gabar-se de fazer testes cognitivos sem perceber que toda a gente pensa que se lhos fazem tantas vezes é porque andam a monitorizar o avanço da maluquice.

Michael Woolf no outro dia dizia que nos próximos cem anos, em termos de análise histórica, muita gente vai tentar perceber como é que foi possível que uma trupe tão desqualificada, comandada por um narcisista maligno, cruel, inconsequente e demente, tivesse conseguido ser eleito duas vezes com taxas de aceitação apesar de tudo razoavelmente elevadas. Concordo. É surpreendente, mesmo. Acho que seria interessante acrescentar mais um indicador para análse e para estudo de corrrelações: o tamanho do pénis, e, porque não?, também os níveis de testosterona.

Eu sei qual é o problema de Pete Hegseth com a questão masculina | Podcast do The Daily Beast

Jennifer Welch regressa ao podcast do Daily Beast depois de ter provocado uma tempestade política, revelando como um comentário sobre o ensino doméstico a colocou na mira do Departamento de Educação e dos meios de comunicação conservadores. De seguida, ela e Joanna Coles voltam a sua atenção para as maiores batalhas políticas da semana. Desde a obsessão de Pete Hegseth com a testosterona e a crítica mordaz de Jennifer ao movimento MAGA, passando pela saúde de Mitch McConnell, o futuro político de Andy Beshear, Todd Blanche, os arquivos de Epstein e as crescentes divisões dentro de ambos os partidos, Jennifer apresenta algumas das suas análises mais provocadoras até à data, explicando porque é que os democratas precisam de parar de se defender, porque é que as quezílias internas republicanas só pioram e porque é que as histórias que dominam Washington estão longe de terminar.


[*Ia dizer da pila murcha mas depois receei incomodar alguma alma mais sensível Por isso, ficou curta, assim como assim, pode ser que seja mais consensual]

quinta-feira, julho 16, 2026

A vida no palácio

 

Tinha pensado escrever mais um post sobre o tema dos exames mas, à última hora, resolvi que não. Sempre tive um problema na minha vida: parece que antecipo os problemas. Ainda eles não aconteceram e já eu estou capaz de dizer, tim-tim por tim-tim, o que vai acontecer. Pode até parecer que estou a agoirar, mas não é, quero apenas tentar que se evite que aconteçam. Mas as pessoas reagem mal, acham que estou a preocupar-me á toa, dizem que há que dar o benefício da dúvida, que pode ser que as coisas corram bem. Mas eu, quando tal acontece, sei que não podem correr bem. Nunca engracei especialmente com grafos mas, caraças, parece que a mecância ficou gravada na minha cabeça. Dou por mim, a percorrer os caminhos críticos, a detectar os caminhos que são dead ends, a ver o que devia estar a ser feito em paralelo, a antecipar a barracada por estar a fazer em série coisas que, com toda a probabilidade, vão dar bode e empancar todo o processo. Mas como verbalizar isto? Não dá. 

Se me dissessem 'vamos digitalizar os exames' eu adoraria fazê-lo e, acto contínuo, começaria a delinear todo o processo. E, de caras, vos digo: seria um processo limpinho, económico, sem falhas. Se em contrapartida me aparecesse um bando de anhucas a propor implementar o processo que está em curso eu mandá-los-ia ir dar banho ao cão e nunca mais perdia um minuto da minha vida a ouvi-los. O que está em curso não é uma modernização, não é uma transformação (no bom sentido): é um aborto. Com todas as letras: um aborto. Mais um dos abortos em que o Governo de Montenegro se especializou. Um aborto. Não tem ponta por onde se lhe pegue. Não é moderno, não é eficiente, não é racional, não é económico, não é coisa nenhuma. É um aborto.

Não preciso de vir a ter conhecimento concreto sobre o que vai passar-se nos próximos dias: já o sei.

E tudo o que ouço ao Fanã Alex, ao Luís, ao Hugo, ou a qualquer desses cromos (incluindo a intragável Ana Paula) só prova que é gente que não sabe o que anda a fazer, gente incompetente e irresponsável.

Já aqui falei disso muitas vezes: um colega e amigo dizia-me muitas vezes: 'ter razão antes de tempo, em termos práticos, é o mesmo que não ter razão'. Por isso, não vou estar para aqui a enumerar as burrices imperdoáveis que toda esta gente anda a cometer. Na sexta-feira ao fim do dia falamos. Se estiver enganada, e muito gostaria de estar, será bom para os alunos e para as famílias e, até pelos meus dois netos que estão envolvidos nesta cegada, eu gostaria que tudo corresse bem.

Mas, portanto, em vez de falar nisto, opto por partilhar um vídeo que é, todo ele, um documento: as relações de poder, de chantagem implícita, a bajulação, a anulação da personalidade, e, ao mesmo tempo, a capacidade de tirar proveito de uma situação que tem a anulação implícita, são um roteiro do que se passa nos corredores do poder da Casa Branca. Não sei se é só na Casa Branca ou se é também em Downing Steet, no Eliseu, em S. Bento -- não sei. Mas é interessante perceber como funcionam as 'fontes', como a informação é veiculada.

Lindsey Graham morreu. O amigo indefectível de Trump morreu. Homofóbico, defensor da perseguição aos gays era, contudo, um gay. Toda a gente sabia disso, inúmeras histórias circulavam, e, no entanto, ele manteve-se até ao fim no armário. E Trump sabia disso. E, portanto, tinha-o na mão. Mais do que um grande amigo e um asqueroso puxa-saco de Trump, Lindsey Graham tinha medo dele.

O vídeo fala disto e de muito mais e é, como sempre, muito interessante. Mais do que tentar encontrar motivações ou estratégias políticas na actuação de Trump, talvez seja mais útil perceber como funciona a cabeça destrambelhada do doido varrido e quais as dinâmicas dos ridículos personagens que por ali gravitam.

Este é o motivo obscuro pelo qual Trump aterrorizou Graham | 

Dentro da mente de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles investigam as consequências políticas da morte súbita de Lindsey Graham, revelando o que Trump realmente pensava por detrás das suas homenagens públicas, como são elaboradas as publicações do Truth Social dentro do seu círculo íntimo e porque é que a complexa relação de Graham com o presidente era motivada tanto pelo medo e influência como pela lealdade. Analisam também as crescentes especulações em torno da saúde de Mitch McConnell, o conflito cada vez mais inescapável de Trump no Médio Oriente, apesar da sua promessa de evitar guerras intermináveis, e porque é que Michael acredita que o presidente está preso à sua própria incapacidade de mudar de rumo. Por fim, voltam-se para uma força inesperada que está a remodelar o Partido Democrata, argumentando que Bernie Sanders pode ter tido um impacto muito maior na política norte-americana do que até os seus críticos estão dispostos a admitir.

quarta-feira, julho 08, 2026

Nos Estados Unidos, o rei vai nu, de fralda e de medalha de pechisbeque ao pescoço.
Por cá, o que tenho a dizer é que o Luís deu azar à Selecção e que os seus ministros dão azar aos assuntos em que mexem

 

Tenho falado nesta big barracada dos exames e pensava que apenas afectava o meu neto do 12º. Afinal afecta também o do 9º. Julgava que não, que esse tinha escapado a esta malapata das avaliações. 

Só visto. 

Há mil anos, numa outra vida, eu vigiava exames e no dia ou nos dias seguintes recebia uma molhada de exames para corrigir. Levava para casa, via tudo no prazo, lançava as notas. Não me lembrro de alguma vez ter havido qualquer crise, qualquer drama. Tudo decorria com previsibilidade.

Mas é natural que se introduzam mudanças, se digitalizem processos.

Numa outra vida, não a da docência mas a das empresas, não têm conta as brutais transformações que se operaram nos processos. Sendo um grande grupo com muitas empresas, geograficamente dispersas e não apenas em Portugal, de cada vez que se avançava para uma grande transformação, o planeamento, o acompanhamento, os testes, eram vistos ao milímetro. Não havia hipótese de falhar alguma coisa pois já tudo tinha sido exaustivamente ensaiado e validado por todos os utilizadores chave. E, ainda assim, havia planos de contingência. Em processos vitais, se no dia do arranque do novo processo houvesse algum problema e não se conseguisse sanar ao fim do tempo máximo convencionado (1 hora, por exemplo, ou meio dia, em casos menos críticos), o plano B entrava em acção.

Isto a que assisto neste processo deixa-me doida. A única coisa que me ocorre é que é gente muito incompetente, muito impreparada, incapaz de assumir funções deste nível de responsabilidades.

Percorram-se os ministros um a um e acho que os que não são flagrantes candidatos a irem borda fora são os que andam na moita, sonsos, calados, sem fazer nenhum a ver se a gente não dá por eles.

Mas, claro, tudo responsabilidade do habilidoso-mor, o Luís, que os escolheu e que, tendo-se comprovado os eros, não os corrige. 

Acresce que andou de rabo alçado a caminho do futebol, com conversas pirosas, motivacionais, e já se viu no que deu. Tivesse ele estado calado e quieto e talvez agora não ficasse tão colado à derrota da rapaziada da selecção. Podem vir dizer que a culpa é do treinador ou do Ronaldo que já deu o que tinha a dar ou do que quiserem, e certamente têm razão. Mas quem se colou, à cara podre, a eles foi o Luís. Por isso, o Luís é um dos derrotados -- e que o discurso de que deveríamos todos ser como o Ronaldo lhe faça bom proveito. E se ninguém ainda lhe disse, digo eu: tão importante como ter boa forma física ou um talento enorme para o futebol é saber perder, é sair dignamente, seja do campo, quando é substituído, seja da actividade, quando as mais valias já não são aquilo que deveriam ser.

E termino referindo o palhaço-mor, o abestalhado demente Donald, que parece que entrou em acelerada derrapagem mental. Voltou à carga com a Gronelândia, quer largar a Nato, quer lançar a confusão total, para consolo de Putin. E a cambada Maga mais os cobardes e, em alguns casos, burros chapados dos republicanos, no Congresso e no Senado, não são capazes de lhe tirar o tapete. A única, mas mesmo a única, coisa que atenua a minha estupefacção e irritação perante a alarvidade de tudo o que vem daquele estupor é pensar que talvez sirva de vacina. Mas mesmo nisso não estou muito optimista. Cada vez mais me convenço que uma parte significativa da população (provavelmente em torno dos 25%) é mesmo constituída por uma mescla variável de gente burra, estúpida, ignorante, passiva-agressiva, psicopata, invejosa, ressabiada, parva -- gente que se revê em líderes como Trump.

E fico-me por aqui. Não me apetece perder mais tempo com gente desta.

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Desejo-vos um bom dia

domingo, junho 28, 2026

Quem é a loura que deixa bilhetinhos de amor a Trump e que é conhecida por 'impressora humana'?
E outras coisas minhas, sem relevância nacional... :)

 

O meu dia foi complicado, com um contratempo muito grande, um transtorno inesperado, implicando total mudança de planos. Mas, se é verdade que fiquei bastante aborrecida, a verdade é que, no meio das chatices, me ocorreram, várias vezes, pensamentos do tipo: 'ainda foi sorte ter acontecido ali', ou 'poderia ter sido pior'. Provavelmente isto confirma mesmo que sou uma pessoa optimista. Tenho ideia que, perante uma chatice das grandes, dantes havia quem dissesse: 'se tivesses partido uma perna teria sido pior'. Se calhar sou dessas. 

E apesar de ainda não conseguir ter o panorama completo das consequências, o que me apraz dizer é que, apesar de tudo, ou melhor, descontando o que de chato aconteceu, o dia acabou bem, estive bem acompanhada, o saldo foi positivo. E, no fim de contas, não é isso que interessa?

Posso ainda contar que, quando estava, em carro alheio, de volta a casa, ouvi que estavam a chegar várias mensagens. Espreitei o telemóvel e era o mais velho a enviar um vídeo para a família, mostrando que tinha cumprido a promessa resultante da aposta. Quando foi a Taça e o Sporting ia jogar com o Torreense (acho que foi o Torreense, não foi?), um dos primos benfiquistas lançou o desafio aos primos sportinguistas: se confiavam que o Sporting ia ganhar, podiam apostar rapar o cabelo, caso perdesse. E apostaram. Têm ambos belos caracóis que, segundo eles, as meninas adoram. E eles, que fizeram cortes elaborados com nomes fantásticos (cortes creio que inspirados nos jogadores de futebol), têm também grande orgulho no efeito que causam no sector feminino. Pois bem, no vídeo, mostrava-se rapado, rapado, rapado. Lindo. Parece outro. Um homem.

Noutro vídeo o primo benfiquista elogiava-o, dizia-lhe que ele tinha sido um homem, tinha cumprido a promessa. Num outro vídeo, já dizia que também ele raparia o seu. E a tia e a mãe diziam que o garboso 'rapado' estava muito bonito.  E está. 

Vamos ver se o mano mais novo também rapa o seu. Fez quinze anos e faz um sucesso entre as meninas que nos surpreende e dá vontade de rir. A minha filha conta peripécias que nos deixam divertidas e desconcertadas. E eu já testemunhei. Estávamos com ele numa loja e vimos uns rapazes e raparigas a olharem para ele, as miúdas com ar embevecido. Diziam o nome dele e falavam que ele jogava no clube onde joga. O meu marido até disse que pareciam que lhe iam pedir autógrafo. A semana passada, ao ver uma fotografia de grupo, os rapazes de fato e gravata, as meninas de vestido comprido, e ao perguntar qual o par dele no baile de finalistas (do 9º ano...), fartei-me de rir com as observações dele. Fiquei a perceber que há várias que gostam dele. Meio desconjuntado, de poucas palavras, todo mais para a acção do que para a conversa, parece, no entanto, que tem mel. No outro dia vi-o a ensinar o primo como é que se fazia para proporcionar a ocasião para beijar uma rapariga. Fartei-me de rir. De facto, leva jeito. Tem o seu quê de descarado. Como é bem educado e muito divertido, fica ali um mix interessante, cai no goto delas. Mas, no que se refere à aposta, diz que elas gostam de lhe mexer nos caracóis e, portanto, não os quer cortar.

Enfim.

Adiante que se faz tarde. 

Enquanto escrevo, Portugal ainda não conseguiu marcar nenhum golo e isso deve deixar decepcionados os milhares de adeptos que se juntaram um pouco por todo o lado. Não consigo prestar atenção, distraio-me. Mais para a frente, aqui estarei a torcer. Agora é apenas música de fundo.

E, entretanto, estive a ver o vídeo que abaixo partilho que é todo ele um desfiar de tesourinhos deprimentes. O mundo de Trump é um mundo doido, tresloucado, distópico, habitado por personagens que nem sei se são sinistras, se são de comédia, se é tudo um ninho de malucos, se é isso tudo ao mesmo tempo.

Os casos, as peripécias, as contradições, os disparates, os escândalos -- tudo se sucede a um ritmo desvairado. 

Desta vez, no meio de mil maluquices, fiquei a saber exactamente porque se fala tanto de uma tal Natalie Harp. E é do além. Nem sei que diga, nem sei que pense. É de loucos. 

Uma fulana, ex apresentadora da Fox, uma loura quase igual a todas as outras louras que por ali andam, com um poder incrível, que lhe leva notícias (só as boas), que lhe prepara informação (favorável), que lhe imprime as coisas porque ele gosta de ler em papel (o pouco que lê, claro, porque, na verdade, não lê nada), que lhe deixa bilhetinhos de amor, que mostra uma adoração patológica por ele, que frequenta os seus espaços mais privados, que tem acesso a informação confidencial, que vai com ele para todo o lado. Diz Michael Wolff que tudo o que ela lhe deixa escrito é para lhe mostrar que quer ir com ele para a cama. E isto diz muito da saúde mental dela. 

Ah, é verdade, suspeita-se que terá sido Natalie Harp que fez o vídeo dos Obamas como macacos ou o de Trump como Jesus. E, volto a dizer, se foi, o que dizer da sua saúde mental...?

Poderia ser uma série televisiva, cheia de personagens exageradas demais, destrambelhadas demais. Mas é a realidade. A que ponto o mundo chegou. Não dá para acreditar.

No outro dia vi um vídeo em que a neta de Trump, uma adolescente, andava pela Casa Branca com uma amiga, a filmar as salas, a sentar-se na cadeira do avô, a mostrar os telefones e os botões encarnados, a rir, toda eufórica de por ali andar, como se andasse na sua própria casa.

Tudo doido.

Mas nada como Joanna Coles e Michael Wolff para passarem a pente fino as mais recentes maluquices de Trump.

Porque é que o círculo íntimo de Trump teme a sua companheira loira de 34 anos | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles analisam mais uma semana extraordinária na presidência de Donald Trump, desde uma importante vitória no Supremo Tribunal que pode expandir drasticamente o poder presidencial até à linha cada vez mais ténue entre a Igreja e o Estado, as consequências políticas do frágil cessar-fogo com o Irão e porque é que Trump pode, mais uma vez, escapar às consequências de um revés na política externa. Investigam também o mistério em torno de Natalie Harp, a dedicada "impressora humana" de Trump, à medida que novas reportagens corroboram as revelações inicialmente exploradas por Wolff; examinam por que razão o New York Times só agora está a aceitar a ideia de que Trump governa por obsessão em vez de estratégia; debatem a mais recente fixação de Trump com o espelho de água do Lincoln Memorial; e revelam os estranhos cálculos políticos por detrás das comparações de J.D. Vance com Nixon.

Desejo-vos um belo dia de domingo

domingo, junho 21, 2026

O tempo dos broncos

 

Quando estou mais para o zen do que para a truculência, abro o computador e só me apetece falar dos meus jovens, ex-pimentinhas, agora já todos grandes e bonitos, bem dispostos, brincalhões. Aliás, tão zen que, antes de ter energia para levantar a tampa do portátil, adormeci profundamente. O meu marido bem tentou interromper-me mas a pancada era grande demais. Acordei a ver o Trump no seu primeiro mandato, em melhor forma do que agora mas já só a fazer disparates, a dar conta da cabeça dos chineses. E deve andar por aqui alguma melga porque acordei com comichão num braço.

E agora, ao ver as notícias, constato o que já todos estamos fartos de saber: salvam-se alguns, não muitos. Por exemplo, a Meloni, apesar de tudo, tem mostrado que os tem no sítio. Mas, se pensar no que se passa por cá ou no que se passa no país dito mais relevante do mundo, só posso concluir que os broncos devem ter algum mérito para conseguiem convencer os parvos e para conseguirem aguentar-se nos lugares de poder.

Para mim, um bronco é um tipo que inventa problemas, que se enrola de todas as maneiras possíveis e imaginárias para ver se os consegue resolver, depois, quando não consegue desenrailhar-se dos imbróglios que criaram, começam a culpar toda a gente, por fim já querem é safar-se da embrulhada seja de que maneira for e, depois de terem andado a dar trabalho, a gastarem e a fazer gastar dinheiro e paciênciaa toda a gente, na melhor das hipóteses, no fim, fica tudo igual ao que estava antes mas, o mais frequente, é que fique tudo pior.

Com o Montenegro temos exemplos disso por todo o lado. Por exemplo, na Saúde arranjou uma ministreca que começou por correr com um fulano que era reconhecido por toda a gente como super competente, o Fernando Araújo, que estava a tentar pôr ordem no SNS. A a partir daí foi sempre a descer. Demitiu dezenas de gestores, despeja dinheiro para cima de toda a malta que rabeia, inventa desculpas para tudo e mais alguma coisa e, no fim, ou seja, agora, depois de desequilibrar mais as contas, está tudo pior do que estava. E isto não sou eu, humilde observadora, que o digo: são todos os relatórios técnicos e independentes que o demonstram. Na Habitação tem sido o descalabro: isentou de IMI, IMT e sei lá que mais todas as compras de casa para crianças até aos 35 anos. E fez mais não sei o quê, que já lhe perdi a conta. O que sei é que o preço das casas disparou como nunca, um foguete que subiu mais rápido e mais alto que na maioria dos outros países. No Trabalho tem sido o festim a que se tem assistido. Arranjou uma Madame que empreendeu num espantalho com nome de Pacote. Ninguém lhe tinha encomendado o sermão. Foi ela e o Luís que desarrincaram tão destrambelhada ideia. Começaram por andar a fazer perder tempo a patrões e sindicalistas. Pelo meio iam insultando alguns que, por fim, se retiraram da palhaçada. Findo o circo da Concertação, levaram o espantalho, já na versão aborto, para a Assembleia. Aí, canhestros e azêmolas como só eles, resolveram montar-se a cavalo num lacrau asnento. E o País assistiu, entre o boquiaberto e o saturado, a mais um par de coices e a mais uma ferroada do lacrau que, assim, mostrou a todos que de gente desta desenvergadura nada de respeitável se pode esperar.

Nos Estados Unidos o que se vê é um fulano em decomposição, fisicamente decadente, a dormir em público, um narcisista a mandar pôr o nome em tudo o que é canto e esquina, a inventar toda a espécie de loucuras, com aldrabices que não lembram ao diabo (veja-se o que inventou agora sobre a Meloni, que a levou a desmenti-lo com todas as letras), a perseguir os mais indefesos, a tirar aos pobres para dar aos ricos, a mandar a Justiça ir atrás de quem ele não gosta e a indultar todos os criminosos que o apoiam, a ser corrompido à descarada, a tomar decisões erráticas e contra a ciência e contra o mais elementar bom senso, a destratar aliados e a bajular ditadores, a ameaçar invadir ou anexar território alheio, a raptar um presidente de um outro país e a roubar-lhes o petróleo, a ir de braço dado com Israel bombardear o Irão, matar gente indefesa, nomeadamente as crianças de uma escola, e arranjar um trinta e um do qual agora não consegue sair pelo seu próprio pé, já se prestando a sair de fininho, dando aos iranianos o que eles quiserem. Onde não havia antes problema que lhe dissesse respeito, depois de matar imensa gente, de destruir o que não devia, de gastar biliões, agora anda a ver como sair da enrascada. E, no meio disto tudo, centra-se noutros assuntos que também não eram problema para ninguém mas dos quais resolveu fazer cavalo de batalha. Por exemplo, o tema do 'lago', em frente do Memorial Lincoln. Meteu na cabeça que o Reflection Pool haveria de ser azul transparente e apregoou que de piscinas percebe ele. Gastou cerca de 14 milhões de euros, de caminho insultou os presidentes anteriores por não terem sabido manter o lago limpinho, publicou fotografias fake em que se mostrava ao banho com o JD Vance e o Mark Rubio como se equilo fosse uma piscina. Pois bem. Foi resolver um problema que não existia e aranjou um outro ainda maior. 

A imagem do Trumpalgas foi gerada pelo Chatgpt
Nota: na realidade, o que os funcionários andam a despejar são garrafinhas mais pequeninas do que as que aqui se veem

O lindo laguinho azul virou verde, cheio de algas. Pior: o revestimento está a descolar-se. Nas bordas andam funcionários a despejar pequenas garrafas de água oxigenada e de lixívia e outros com camaroeiros. Virou chacota nacional. Nada que incomode os MAGA que já veem nisso uma conspiração: não só olham para as águar verdes e algacentas e as veem azuis, como acham que é tudo embuste dos democratas.

Há sempre burros ainda mais burros do que os burros que conhecemos. Os broncos atraem os broncos. Os broncos mais burros veem-se representados pelos burros que, nas redes sociais, lhes aparecem como ilustres.

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O fiasco do espelho de água de Trump ganha uma reviravolta ao estilo "Greenwatergate"

O jornal The New York Times refere que a confusão causada pelo espelho de água verde de Trump tem agora uma nova e sinistra reviravolta: um contrato de limpeza sem concurso ligado a um doador de Trump e vizinho de Mar-a-Lago.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

sexta-feira, junho 19, 2026

Obama

 

Não está isento de culpas. Ninguém é perfeito. Aliás, no meio em que se movia, difícil seria sair imaculado. Mas, no cômputo geral, há que reconhecer: é de uma outra cepa. Entre o 44º e o 45º/47º pouca coisa há em comum. Talvez os geneticistas venham dizer que, na essência biológica, são quase iguais. Só que, nestes assuntos, as avaliações fazem-se num outro patamar.

Basta ouvi-lo para se ver os Estados Unidos sob uma outra perspectiva, para se ver o mundo sob um outro ângulo.

Obama é um orador de excelência. Os seus silêncios antecipam as palavras que se apresentam luminosas, inspiradoras. É um prazer ouvi-lo.

Obama na inauguração do centro presidencial
Discurso completo, com tradução

O ex-presidente Barack Obama discursa na cerimónia de inauguração do seu centro presidencial em Chicago.

O aguardado centro será oficialmente aberto ao público amanhã, no Juneteenth (Dia da Emancipação). O extenso complexo inclui um museu, um jardim, um campo de basquetebol e uma nova filial da Biblioteca Pública de Chicago.


0:00  Discurso do ex-presidente Barack Obama
2:27  Obama recorda a sua chegada a Chicago em 1985
8h15 Obama ao centro: Não um "mausoléu sem vida - sou demasiado novo para isso"
10h44 Obama sobre os "assuntos inacabados" do seu governo
18:14 "Sugiro que saltem os excertos dos meus discursos... em favor das histórias dos cidadãos comuns"
20h07 "Os Estados Unidos têm sido uma força inegável para o bem no mundo"
24:02 "Quando perdemos a fé uns nos outros... abdicamos do poder de decidir o nosso próprio futuro"
28:13 "As exposições neste centro não têm como objetivo evocar a nostalgia... têm como objetivo lembrar-nos de quem podemos ser"
30:18 Obama sobre a trajetória do universo moral em direção à justiça: a história da frase

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domingo, junho 14, 2026

Donald Trump
-- Nos 80 anos do mais inacreditável Presidente dos Estados Unidos --

 

Já o disse e volto a dizer: não tenho dúvidas de que, não tarda, filmes e séries humorísticas vão surgir a parodiar Trump. Provavelmente nem precisam de muita imaginação pois as cenas reais que o envolvem dão pano para mangas. Também não tenho dúvidas de que documentários surgirão para todos os gostos: sobre a sua misogenia, sobre a sua falta de ética e de moral, sobre o seu narcisismo maligno e a sua compulsividade para a mentira descarada, sobre a sua ganância sem reservas de qualquer espécie, sobre o seu tremendo mau gosto, etc.

É um personagem. Um personagem muito completo, diga-se. Daria um figurão na ópera. Ou no teatro de revista. Ou como figura de banda desenhada.

A medicina haverá também de estudá-lo: sem fazer exercício, ´com peso a mais, alimentando-se à base de big macs, emborcando carradas de aspirinas, sem fazer exercício e com 80 anos... como é que ainda por aí anda a fazer das dele...?

A sociologia estudará também como é que um falhado, um trafulha, um mal educado, um estupor sem vergonha conseguiu fazer-se eleger por duas vezes.

A justiça haverá de averiguar como é que obteve dinheiro de cada vez que o ganhou (e, desde que é presidente, não faz outra coisa senão encher os bolsos).

A psicologia haverá de estudar o caso de todos os que se deixaram humilhar por ele, de todos os que o têm bajulado, de todos os que se anulam, apenas para continuar a gravitar na sua órbita.

E poderia continuar, pois o animal é um fenómeno sob as mais diferentes perspectivas. 

E outra coisa que custa a perceber é como é que alguém, seja lá nos States seja noutros países, ainda pode defendê-lo ou defender as suas políticas absurdas quando se vê à saciedade que são todas um disparate sem ponta por onde se lhes pegue. Que fenómeno de maluquice generalizada é este? 

Para mim, a par da repulsa absoluta coexiste esta perplexidade: como é que isto foi possível? Como é que isto continua a ser possível? Como?!

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Mas, para falar do que se passa na cabeça doida varrida do animal e dos que o cercam, nada melhor do que ouvir a Joanna Coles e o Michael Wolff.

Eu sei porque é que Trump está com medo do seu 80º aniversário | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles celebram a entrada de Donald Trump na sua nona década de vida com um episódio especial que revela novos detalhes sobre conversas privadas dentro do círculo de Trump no que diz respeito à sua idade, saúde, legado e ao futuro da sua presidência, culminando numa previsão surpreendente sobre o que poderá acontecer nos próximos dois anos e meio da era Trump. Na véspera do 80º aniversário de Trump, Wolff traça também a ascensão meteórica de um homem que passou de promotor imobiliário de Queens a talvez a pessoa mais famosa do planeta. Pelo caminho, desvendam os momentos cruciais que construíram o mito de Trump: os excessos da Nova Iorque dos anos 80, o livro "A Arte da Negociação", as falências que pareceram não ter qualquer importância, a reinvenção de Trump através de "O Aprendiz" e a campanha presidencial que começou como um exercício de marketing antes de transformar a política americana. Baseando-se em décadas de reportagens de Wolff e nos seus encontros pessoais com Trump, incluindo uma conversa reveladora em que Trump declarou que o seu objetivo era simplesmente "ser o homem mais famoso do mundo", o episódio explora a busca incessante de atenção que definiu a sua vida.

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Nota: as imagens foram geradas pelo ChatGPT
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Desejo-vos um feliz dia de domingo

terça-feira, abril 28, 2026

Transparência, opacidade, independência, submissão e etc. -- e democracia

 

Não é uma questão de saber se a casa de um político tem elevador e meia dúzia de casas de banho -- e porque será que este exemplo, como diria o Montenegro, se aplica como uma luva ao criador da Spinumviva? -- ou de espreitar para os bolsos deste ou daquele ou de cusquice vã. Não senhor, nada disso. É mesmo ter a certeza de que a democracia funciona a bem dos cidadãos e não de grupos e grupinhos, é ter a certeza de que a política não está aprisionada por interesses que não privilegiam o bem da sociedade no seu todo mas, apenas, obter vantagens que passam por contornar a lei para enriquecimento ilícito ou de uma pequena minoria.

Nestas coisas, antes de me pôr a tecer considerações, gosto de me informar e de aprender com as experiências alheias.

E agora, com as extraordinárias ferramentas da Inteligência Artificial, é fácil fazer comparações. Claro que nisto, como já o era nos motores de busca, a chave está em fazer as perguntas certas. Ora, o que devemos saber para ficarmos com a ideia mais aproximada daquilo sobre o qual pretendemos formar opinião? Aí reside a dificuldade.

Neste caso, o que eu quero saber é qual o modelo de financiamento da actividade pública que melhor defende os interesses da população. 

Como casos de comparação, resolvi obter informação sobre os Estados Unidos (em que, no caso extremo e corrupto do regime trumpista, se percebe como os grandes doadores, as Metas, Teslas, Open AI, Amazon, empresários israelitas, etc, na prática mandam nos EUA -- e, por essa via, também, em parte no mundo), sobre os países nórdicos (em que há sociais-democracias, que me interessa conhecer melhor) e, talvez como contraponto, a Suiça (que, em quase tudo, corre em carris muito lá dela).

O que abaixo se pode ser é o que o Gemini (versão gratuita) respondeu às minhas questões:


1. Política e Democracia: Do "Big Money" à Democracia Direta


A forma como o poder é financiado define quem manda no país.

  • EUA: O sistema de "venda ao melhor licitante". As campanhas são máquinas de gastar dinheiro privado, criando uma elite política refém de doadores.

  • Países Nórdicos: Baseiam-se na transparência radical. O financiamento é maioritariamente público. Na Suécia, por exemplo, o foco é a igualdade de oportunidades para os partidos; o dinheiro privado é limitado para evitar que a riqueza distorça o debate.

  • Suíça: É o caso mais curioso. Sendo um centro financeiro, a Suíça tem menos financiamento público direto que os vizinhos, mas o seu "segredo" é a Democracia Direta. Como o povo pode votar em referendos sobre quase qualquer lei, o poder dos lobistas é diluído: não basta convencer um político; é preciso convencer a população.

2. Infraestruturas e Bem Comum


Quem decide onde se constrói a próxima ponte ou linha de comboio?

  • EUA: O modelo é de exploração. Muitas vezes, o Estado só consegue avançar se houver um interesse comercial privado por trás, o que gera desertos de infraestrutura em zonas pobres.

  • Países Nórdicos: O Estado é o arquiteto. As infraestruturas são vistas como a base da produtividade. O financiamento vem de impostos elevados, mas o retorno é visível em transportes públicos impecáveis que servem toda a gente, não apenas quem pode pagar.

  • Suíça: Um modelo híbrido de alta eficiência. O investimento em infraestrutura (especialmente ferroviária) é massivo e financiado publicamente, mas gerido com um rigor empresarial que faz inveja aos privados americanos.

3. Educação e Ascensão Social


O papel das universidades na perpetuação da elite.

  • EUA: As universidades são empresas. Os endowments bilionários de Harvard ou Stanford vêm de doações de magnatas, criando um ciclo onde os ricos financiam as instituições que educam os seus próprios herdeiros.

  • Países Nórdicos: A educação é um investimento público total. Do jardim de infância ao doutoramento, o custo é zero (ou quase zero). O objetivo é que o filho do operário e o filho do CEO estudem na mesma sala, financiados pelo Estado.

  • Suíça: Foca-se na qualidade e no ensino dual (profissionalizante + académico). As universidades públicas (como a ETH Zurich) são das melhores do mundo, têm propinas muito baixas e são financiadas pela Confederação, garantindo que a inovação não dependa de caridade privada.

4. Coesão Social vs. Filantropia


  • EUA (Filantropia): Se um milionário decide financiar uma ala de um hospital, ele é visto como um herói. O problema é que o milionário escolhe o que financiar, substituindo a vontade democrática pela sua preferência pessoal.

  • Países Nórdicos (Estado Social): Não esperam pela caridade. O contrato social dita que todos contribuem para que todos recebam. A saúde e o apoio social são direitos garantidos, não favores de patronos.

  • Suíça (Responsabilidade Individual e Coletiva): A Suíça equilibra isto com um sistema de seguros obrigatórios e uma forte descentralização (Cantões). O dinheiro fica perto do cidadão e a gestão é local, o que impede que grandes fortunas comprem decisões federais.


Comparativo de Modelos

CaracterísticaEstados UnidosPaíses NórdicosSuíça
Motor do SistemaCapital PrivadoEstado SocialDemocracia Direta
Financiamento PolíticoPrivado (Ilimitado)Público (Transparente)Misto (Focado no Cidadão)
Educação SuperiorNegócio / ElitistaDireito / GratuitaExcelência Pública / Acessível
InfraestruturaDependente de LucroPlaneamento EstatalEficiência Coletiva

Nota de Contexto: Enquanto nos EUA o poder económico domina a política, nos Nórdicos o poder político regula o económico e na Suíça o poder do cidadão (via voto direto) trava ambos.

Transparência

A transparência financeira é, talvez, a maior linha divisória entre estes sistemas. Enquanto nuns o dinheiro é um "segredo protegido", noutros é um "livro aberto".

Aqui está como funciona o acesso à informação sobre quem paga as contas da política:


1. Estados Unidos: O Labirinto do "Dark Money"


Nos EUA, a transparência existe no papel, mas é facilmente contornada.

  • Transparência Nominal: As doações diretas a candidatos (limitadas a valores baixos) são públicas e registadas pela Federal Election Commission (FEC). Qualquer pessoa pode pesquisar quem doou a quem.

  • O Problema do "Dark Money": O grande volume de dinheiro passa pelos Super PACs e organizações sem fins lucrativos (501(c)(4)). Estas entidades podem gastar milhões em propaganda política sem nunca revelar a identidade dos seus doadores originais. É aqui que os milionários e as corporações escondem a sua influência.

2. Países Nórdicos: A Cultura do Aquário


Nestes países, a premissa é que se queres influenciar o público, o público tem o direito de saber quem és.

  • Suécia e Noruega: As leis de transparência são extremamente rigorosas. Os partidos são obrigados a publicar relatórios detalhados. Na Noruega, por exemplo, existe um portal online onde qualquer cidadão pode consultar as receitas dos partidos, discriminando o que é público e o que é privado.

  • Cultura de Escrutínio: Mais do que a lei, a pressão social é enorme. Se um político recebe uma doação avultada de uma empresa privada, isso é notícia de primeira página e visto como um conflito de interesses quase imediato. O anonimato em doações políticas é praticamente inexistente.

3. Suíça: A Exceção Histórica (em Mudança)


Até muito recentemente, a Suíça era curiosamente um dos países menos transparentes da Europa nesta matéria.

  • O Passado: Durante décadas, o financiamento político era considerado uma questão de privacidade pessoal. Não havia leis federais que obrigassem a revelar os doadores.

  • A Mudança (2022/2023): Após pressões internacionais e internas, a Suíça implementou novas regras. Agora, para eleições federais, os partidos devem declarar doações superiores a 15.000 francos suíços. Embora seja um passo em frente, ainda é um sistema mais "fechado" do que o nórdico, refletindo a cultura suíça de discrição financeira.

4. Democracias Europeias Consolidadas (Portugal, Espanha, França)


  • Regras Estritas: Nestes países, as doações de empresas (pessoas coletivas) são geralmente proibidas. Apenas cidadãos individuais podem doar, e até um teto máximo relativamente baixo.

  • Publicação Obrigatória: As contas dos partidos são auditadas por entidades independentes (como o Tribunal de Contas em Portugal) e publicadas em Diário da República ou nos sites das instituições. Saber quem doou 1.000€ a um partido é uma questão de consulta pública.


Comparação de Transparência

RegiãoAs doações são públicas?Existem doadores "anónimos"?
EUAParcialmente (Transparente nos candidatos, opaca nos Super PACs)Sim, em larga escala (Dark Money).
Países NórdicosSim, quase totalmente.Praticamente impossível.
SuíçaAgora sim (acima de 15k CHF).Sim, para valores pequenos e locais.
Resto da EuropaSim, com limites baixos por pessoa.Não, empresas estão proibidas de doar.

Onde está o perigo?


Onde as doações são públicas mas os limites são inexistentes (EUA), o risco é a captura do regulador: o político trabalha para quem financiou a sua campanha.

Onde as doações são privadas e anónimas (como era na Suíça ou é no Dark Money americano), o risco é a corrupção invisível, onde o eleitor nem sequer sabe a quem o seu representante deve favores.

domingo, abril 26, 2026

Estará a ameaçar o marido? Ou apenas a monetizar o cargo de 'mulher de'?

 

Num certo sentido, talvez um sentido até prevalecente, estou-me bem nas tintas para isto. Tudo personagens que, na minha óptica, são de opereta, bufões, gente desclassificada, ignorantes até à medula, gente estúpida que vinga à conta de outros ainda mais estúpidos que eles. Por isso, para falar a verdade, o que sinto por esta gente é desprezo. O mais profundo desprezo.

Contudo, não posso ignorar que esta gente que, de certa forma, protagoniza o que de mais horrível tem o capitalismo sem ética, o liberalismo de braço dado com populismo, conseguiram chegar a uma posição em que têm uma influência no mundo inteiro.

E se o narcisista maligno, um estupor que já foi condenado não sei quantas vezes, um burlão, um burro que já levou várias vezes as empresas à falência, conseguiu convencer milhões de americanos a votar nele depois de já ter demonstrado à saciedade o que é, como é e o que iria ainda fazer, já da mulher não se sabe bem o que dizer. As notícias têm traçado o seu roteiro desde que chegou aos Estados Unidos, como modelo pouco conhecida, passando pelos meios em que estas elites do dinheiro fácil assente em ética nula se divertiam uns com os outros e com jovens de tenra idade à mistura, até que começou a acompanhar Trump e até que, finalmente, acabou casada com ele. Isto quando, quem os conhece, jura que vivem separados e que ela o odeia. Aliás, dizem que, desde há algum tempo, ele já está na fase pós-sexo, já só vai para a cama com hamburgueres.

Acontece que a insólita conferência de imprensa de Melania, que apanhou todos de surpresa, incluindo a Casa Branca em peso, Trump incluído (passe a redundância), negando evidências e apelando a algo que o marido tem feito tudo para impedir, veio colocar ainda mais os holofotes sobre a bizarra relação entre ambos. E, ao tentarem decifrar o que é que ela tencionou fazer com aquilo, há uma teoria que parece ganhar pontos: a de que ela foi ali ameaçar o marido.

Há quem diga que ela o tem na mão, que ela sabe demais e que pode, se achar necessário, tirar-lhe o tapete a qualquer momento. Um mina que pode rebentar quando menos se esperar. Ou seja, uma ameaça, e, dadas as funções dele, uma ameaça não apenas para ele, como, até, uma ameaça para a segurança nacional. Ou seja, há quem alegue, que, se calhar, a ideia da inesperada e incompreensível conferência de imprensa, foi um aviso que não deve ser menosprezado.

Mas há também quem diga que, para além disso, supostamente estará agora a querer preparar o seu futuro para o day after, para quando ele se for, ou desta para melhor ou, simplesmente, quando for corrido. Ou seja, não apenas não quererá ver-se metida em sarilhos por causa dele, os problemas de eventuais maus comportamentos são dele e não meus, como quer ganhar dinheiro à custa de ser quem é, uma mulher bonita, elegante, famosa.

Acontece que ela própria está a ser apertada não apenas por Michael Wolff que talvez consiga sentá-la no tribunal, levando-a a testemunhar sob juramento e a ter que revelar muito do que nem ela nem o marido querem que se saiba, como pela ex-amiga Amanda Ungaro, que tem estado a colocar a boca no trombone e ameaça divulgar muitos esqueletos que Melania quer fechados a sete chaves. Ora uma mulher contrariada, agastada, agoniada e a sentir-se acossada pode tornar-se deveras perigosa.

Mas vá lá saber-se. 

Agora uma coisa é certa: estando o palhaço cor-de-laranja debaixo de fogo internacional por causa da estúpida guerra que está a lançar o caos nos mercados, nomeadamente, no mercado dos combustíveis, derivados e consequentes, encurralado pelos iranianos de um lado e pelos israelitas de outro, sem saber como sair da armadilha em que caiu, e debaixo de fogo interno pela situação da saúde, dos imigrantes, da não criação de emprego, da inflação, da perda de apoio de parte da sua base de apoio, apertado pelos testículos se calhar por muita gente (pelos israelitas? pelos russos? por ela, Melania?), alguma coisa me diz que, um dia destes, algum contratempo, algum estoiro, o retirará do poder antes do fim do seu mandato.

Não tardará o tempo em que começarão a aparecer, como cogumelos, documentários e filmes de todos os géneros sobre este período sinistro (e que, apesar de trágico, tem um lado muito cómico): os personagens, aos olhos de quem não tenha assistido, ao vivo, a este período, parecerão improváveis, implausíveis, demasiado caricaturais: Trump, ordinário, desbocado, boçal, ignorante, cruel, mais a sua galeria de filhos esquisitos, mais as suas mulheres (uma das quais enterrada num dos seus campos de golf para ele pagar menos impostos), a sua guia espiritual, uma farsante que é de gargalhada, os seus médicos que parecem ter saídos de um manicómio, os seus 'amigos' - tudo gente do mais freak que há.

Mas ninguém melhor que Joanna Coles e Michael Wolff para discutirem sobre o assunto. Convido-vos a assistirem a mais uma gostosa cavaqueira.

Eu sei como Melania ameaça Trump: Wolff | Por dentro da mente de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles revelam os bastidores do relacionamento mais enigmático da política americana, dissecando o estranho e transacional casamento entre Donald e Melania Trump e o que isso pode significar para a sua presidência à medida que a pressão aumenta de todos os lados.

Desde a sua ausência física da Casa Branca e a sua suposta vida separada em Nova Iorque até ao esforço calculado para construir a sua própria marca multimilionária, os autores traçam como Melania poderá estar a redefinir silenciosamente o papel de Primeira-Dama, ao mesmo tempo que se distancia dos escândalos do marido — incluindo a sombra persistente de Jeffrey Epstein.

À medida que Wolff revela detalhes do seu processo explosivo e a possibilidade de forçar um depoimento sob juramento, surge uma questão mais volátil: se a própria Melania se tornou um passivo político, ou até mesmo uma ameaça potencial, detendo uma influência que poderia abalar os alicerces da imagem cuidadosamente construída de Trump e expor verdades que os seus aliados prefeririam manter enterradas. 


Desejo-vos um feliz dia de domingo

quinta-feira, abril 23, 2026

"Isto está a acontecer agora!": O grito de alerta de Bruce Springsteen

 

A cantiga é uma arma. A palavra é uma arma. Springsteen sobe ao palco e a sua presença e a sua voz enchem a arena. Todos os que o escutam sentem-se unidos, membros do mesmo exército, prontos para a luta, para resistir.

Resistir. 

No seu recente concerto no Prudential Center, Bruce Springsteen fez uma pausa na música para fazer um dos discursos mais políticos e contundentes da sua carreira. Sob o título "This Is Happening Now", o músico não poupou críticas e deixou um apelo directo ao coração da democracia.

Aqui fica a transcrição possível das suas poderosas palavras:

Sobre a Crise Nacional e a Verdade:

"Estamos a viver tempos conturbados. Os nossos valores americanos, que nos sustentaram por 250 anos, estão a ser desafiados como nunca antes. (...) Os nossos museus estão a ser instruídos para branquear a história americana, ocultando factos desagradáveis ou inconvenientes, como a história completa da brutalidade da escravatura. Dizem que há 'flocos de neve' (sensíveis), mas a verdade é que temos um presidente que não consegue lidar com a verdade."

Sobre a Justiça e a Corrupção:

"O nosso Departamento de Justiça deitou fora a sua independência; limita-se a receber ordens diretamente de uma Casa Branca corrupta. Eles perseguem os supostos inimigos do presidente, encobrem os seus crimes e protegem os seus amigos poderosos. Isto está a acontecer agora."

Sobre o Papel no Mundo e a NATO:

"Minámos a NATO. A ordem mundial que nos manteve seguros e em paz global durante 80 anos está sob ameaça. Ameaçamos os nossos bons vizinhos e aliados, cujos filhos e filhas lutaram ao nosso lado em guerras americanas — países como o Canadá e os Países Baixos. Ameaçamo-los com a anexação predatória das suas terras."

O Declínio da Reputação Americana:

"Esta Casa Branca está a destruir a ideia americana e a nossa reputação no mundo. Para muitos, já não somos vistos como aquele defensor, por vezes imperfeito mas forte, da democracia. Já não somos a 'terra dos livres' ou o 'lar dos corajosos'. Para muitos, somos agora a 'América, a Imprudente' — uma nação pária, imprevisível e predatória. Este é o legado desta administração."

O Apelo Final à Decência:

"Honestidade, honra, humildade, verdade, compaixão, humanidade e moralidade... não deixem que ninguém vos diga que estas coisas já não importam. Elas importam! Elas estão no cerne do tipo de homens e mulheres que somos e do tipo de país que vamos deixar aos nossos filhos."

Springsteen concluiu com uma convocação:

"Tantos dos nossos líderes eleitos falharam connosco que esta tragédia americana só pode ser travada pelo povo americano. Por vocês. Juntem-se a nós e vamos lutar pela América que amamos. Estão connosco?"

 Bruce Springsteen's "This Is Happening Now" 2026 Speech at the Prudential Center


sexta-feira, abril 17, 2026

Robert F. Kennedy Jr., apenas mais um maluco na Casa Branca

 

Não há um que se aproveite. Um grupo de engraxadores, vira-casacas, descerebrados, invertebrados, oportunistas, a lamber o rabo ao mais maluco de todos, o narcisista maligno que está demente.

Mas hoje vou falar do inacreditável Robert F. Kennedy Jr., conhecido como RFK Jr., que Trump colocou na Saúde. Na Saúde!

Por facilidade, pedi ao Gemini que me fizesse uma resenha do que tem sido a vida e a obra deste peculiar personagem. Aqui vai um excerto do que me facultou.

É uma das figuras mais polarizadoras da política americana contemporânea. Membro de uma das linhagens políticas mais prestigiadas do mundo — filho do antigo Procurador-Geral Bobby Kennedy e sobrinho do Presidente John F. Kennedy — a sua trajetória é marcada por um contraste profundo entre o ativismo ambiental de elite e uma vida pessoal repleta de episódios bizarros e teorias controversas.

RFK Jr. formou-se em Direito e destacou-se durante décadas como um advogado ambientalista de sucesso, lutando contra a poluição de grandes corporações no Rio Hudson. No entanto, o seu passado tem lados sombrios:

    • Consumo de Drogas: Durante cerca de 14 anos, Kennedy lutou contra a toxicodependência, particularmente o vício em heroína, que começou após a morte traumática do seu pai e do seu tio.
    • O Episódio da Sanita: Na sua biografia e em entrevistas, RFK Jr. admitiu comportamentos de risco extremo durante os anos 70 e 80. Ele confirmou que o seu vício era tão severo que chegava a consumir cocaína diretamente do tampo de sanitas em casas de banho públicas, ilustrando o quão fundo tinha chegado antes de recuperar a sobriedade em 1983.

A vida de RFK Jr. parece, por vezes, saída de um argumento surrealista. Alguns dos detalhes mais estranhos que ele próprio confirmou incluem:

    • O Verme no Cérebro: Em 2010, Kennedy sofreu de perdas de memória e "névoa mental". Os médicos inicialmente pensaram tratar-se de um tumor, mas ele revelou mais tarde que um médico concluiu que o problema era causado por um parasita (um verme) que entrou no seu cérebro, comeu uma parte dele e morreu lá dentro.
    • O Pénis do Guaxinim: Numa história que se tornou viral, RFK Jr. descreveu como, na juventude, recolhia animais mortos na estrada para os estudar. Numa ocasião específica, ele admitiu ter cortado o osso do pénis de um guaxinim morto para o guardar, um detalhe que ele conta como prova da sua curiosidade científica excêntrica, mas que muitos vêem como uma bizarrice perturbadora.
    • O Urso no Central Park: Recentemente, confessou também ter deixado a carcaça de um urso bebé (que encontrou morto na estrada) no Central Park, em Nova Iorque, encenando um acidente de bicicleta como se fosse uma partida.
A vida pessoal de Robert F. Kennedy Jr. é frequentemente descrita como um labirinto de tragédias e escândalos que rivalizam com as suas polémicas políticas. O seu historial matrimonial e a sua vida íntima têm sido alvo de grande escrutínio, especialmente devido à revelação de diários privados e relatos de comportamentos compulsivos.


O segundo casamento de RFK Jr., com Mary Richardson Kennedy, é o capítulo mais sombrio da sua vida pessoal. Casaram-se em 1994 e tiveram quatro filhos, mas a relação foi marcada por infidelidade e instabilidade.
    • O Divórcio e a Tragédia: Kennedy pediu o divórcio em 2010. Mary, que lutava contra a depressão e o alcoolismo, viu a sua saúde mental deteriorar-se severamente durante o processo litigioso. Em 2012, Mary suicidou-se por enforcamento no celeiro da sua propriedade em Bedford.
    • A "Batalha" Pós-Morte: Após o suicídio, gerou-se uma disputa legal amarga entre RFK Jr. e a família de Mary (os Richardson) sobre o local onde ela deveria ser enterrada, com a família dela a acusá-lo de ter contribuído para o seu desespero emocional.
Em 2013, o jornal New York Post teve acesso a um diário privado de RFK Jr. de 2001, que revelou detalhes íntimos sobre a sua vida paralela enquanto ainda era casado com Mary.
    • O Registo das Conquistas: No diário, Kennedy mantinha uma lista de mulheres com quem tinha tido encontros sexuais. Ele usava um sistema de códigos para classificar os encontros, atribuindo notas de 1 a 10 a cada mulher. Só num ano, o diário listava dezenas de mulheres.
    • Compulsão e Culpa: Nos escritos, ele referia-se à sua luxúria como o seu "defeito de caráter mais profundo" e descrevia a sua luta constante para resistir ao que chamava de "luxúria" ou "atividades sexuais", descrevendo-se quase como um dependente. Ele frequentemente escrevia sobre a culpa que sentia por trair a esposa e por não conseguir controlar os seus impulsos.
    • Casos Extraconjugais: Ao longo dos anos, o seu nome foi associado a várias figuras públicas e celebridades. Relatos sugerem que a sua compulsão sexual era conhecida nos círculos sociais de Nova Iorque, sendo descrita por conhecidos como uma faceta da sua "personalidade aditiva" (transferida das drogas para o sexo).
RFK Jr. tornou-se o rosto do movimento céptico em relação às vacinas a nível mundial. Através da sua organização, Children’s Health Defense, ele tem propagado diversas teorias sem base científica:

    • Autismo: Ele é um dos principais promotores da teoria (já amplamente refutada pela ciência moderna) de que as vacinas infantis causam autismo, devido à presença de timerosal (um conservante).
    • COVID-19: Durante a pandemia, afirmou que as vacinas de mRNA eram perigosas e comparou as medidas de confinamento ao regime nazi, o que lhe valeu críticas severas de membros da sua própria família.

Apesar de ter sido um democrata durante toda a vida, RFK Jr. suspendeu a sua candidatura independente à presidência em 2024 para apoiar Donald Trump. Em troca, Trump prometeu dar-lhe um papel influente na administração, especificamente na área da saúde.

O seu lema, "Make America Healthy Again" (MAHA), foca-se na crítica aos alimentos processados e aos químicos na agricultura. Contudo, a sua nomeação para cargos de saúde pública (como o CDC ou a FDA) causa pânico na comunidade científica, que teme que ele utilize o poder governamental para desmantelar programas de vacinação e minar a confiança nas instituições de saúde baseadas em evidências.

Resumo da Contradição: RFK Jr. é visto pelos seus seguidores como um herói que desafia a "Big Pharma" e a corrupção alimentar, enquanto os seus críticos o vêem como um propagador perigoso de desinformação cujas histórias pessoais bizarras são apenas a ponta do iceberg de um julgamento errático.

Mas nada como assistir à suculenta conversa entre Joanna Coles e Isabel Vincent. Um espanto tudo isto.

Segredos bizarros do capanga mais desvairado de Trump: Autor | Podcast do The Daily Beast

Isabel Vincent junta-se a Joanna Coles para analisar o seu novo livro sobre Robert F. Kennedy Jr., um retrato construído a partir dos seus próprios diários secretos, que foram obtidos pela sua falecida esposa, Mary Richardson Kennedy, durante o seu divórcio brutal.

O que emerge é um homem em conflito consigo próprio: movido pelo legado, consumido pela culpa e impulsionado por desejos — de poder, de mulheres, de redenção — que parece não conseguir controlar. 
Vincent traça o percurso desde um herdeiro Kennedy devastado pela dor até um ativista anti-vacinas e uma improvável força política, revelando os traumas familiares, a dependência e a ambição incessante que o moldaram.

Ao longo do caminho, analisam também o mito e os mecanismos da dinastia Kennedy e a inquietante questão no seu centro: como é que um homem que outrora escreveu sobre humildade, serviço e Deus se encontra agora a exercer influência sobre a saúde de milhões?

Para quem queira direitinho a algum ponto em particular, aqui está a indicação por tempos: 

00:00 - As Confissões Mais Negras de RFK Jr.
03:50 - Por Dentro dos Diários Secretos
07h40 - A Ética de Publicar a Sua Vida Privada
11:30 - Assombrado pelo Legado do Seu Pai
15h20 - Por Dentro do Caos da Família Kennedy
19:10 - Porque Se Candidatou à Presidência
23h00 - COVID, Vacinas e a Sua Ascensão Política
26h50 - Reação Negativa da Família e Lutas Públicas
30h40 - Vício, Casos Extraconjugais e Compulsão
34:30 - O Colapso do Seu Casamento
38h20 - A Morte de Mary Kennedy e as suas Consequências
42:10 - A Investigação Misteriosa
46:00 - Poder, Fama e Contradições Pessoais
49:50 - Pode Ele Escapar à Sua Própria História?
53h20 - Reflexões Finais Sobre o Futuro de RFK Jr.

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Desejo-vos uma bela sexta-feira