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quarta-feira, abril 15, 2026

Temos a prova: Trump é o pior idiota da história.
-- É ele e o J.D. Vance, que já é visto como o novo gato Oscar... --

 

Depois dos passeios e lides no campo, 

-- e se me veem no Instagram (e já tenho 726 seguidores... -- dá para acreditar...?) --, 

estarão a acompanhar as minhas deambulações pelo meio das árvores, umas de pé, outras já cortadas às postas, pelo meio das silvas e etc., eis que agora, recolhida, tenho estado a ver uma dupla com que me divirto grandemente: conversar ou ouvir a conversa entre gente inteligente é outra coisa.

Joanna Coles solta gargalhadas de gosto, e eu com ela, e, quando David Rothkopf afirma que o morto que Jesus Trump tenta acordar do seu leito de morte não é outro senão Jeffrey Epstein, por pouco não projecta todo o chá que tinha na boca. 

E eu, que tenho estado a beber um belo chá de curcuma, por pouco não fiz o mesmo. O Jon Stewart achou que era ele e, de facto, assim de lado, quase poderia ser. Mas, vendo bem, parecido, parecido mesmo, o morto é bem capaz de ser o Epstein. 


E isso torna a maluquice ainda mais disparatado, mais insólito. 

Outro momento delicioso, embora de humor negro, é quando J.D. Vance é comparado ao gato Oscar, o célebre gato que quando se deitava ao pé de uma pessoa no lar em que vivia, pouco depois a pessoa estava morta. Por mais de 100 vezes, isso aconteceu. Andava por ali a vaguear e, de vez em quando, entrava num quarto e aconchegava-se ao pé da pessoa. De duas a quatro horas depois, já estava, a pessoa quinava. Por fim, a família já corria com o gato, chega para lá, ó urubu. Punham-no fora do quarto, fechavam a porta. Mas o gato não se afastava, ficava à porta a miar.

Ora acontece que o J. D. Vance foi visitar o Papa Francisco e, hélas, pouco depois, o Papa morreu. Agora foi pôr-se ao lado de Órban e, ups, Órban levou uma banhada monumental, incrementada pelo efeito J.D. Vance.

Mas, enfim, é ver porque aqui fala-se de tudo. Por exemplo, estará a base MAGA a desmoronar-se? E o que dizer da derrota da Hungria,  do desastre do Irão?

I've Got the Proof: Trump Is History's Worst Idiot | The Daily Beast Podcast

David Rothkopf, correspondente principal de assuntos globais do Daily Beast, junta-se a Joanna Coles para explicar porque está convencido de que a história vai julgar Donald Trump como o idiota mais poderoso e o maior idiota de sempre. Numa conversa abrangente e dinâmica, Rothkopf e Coles analisam os crescentes conflitos de Trump — do Vaticano ao Irão — juntamente com o espetáculo surreal das suas publicações autoproclamadas como "divindade" e as consequências globais das suas decisões. Exploram também as repercussões políticas nos Estados Unidos e no estrangeiro, incluindo a surpreendente derrota de Viktor Orbán e o que isso sinaliza para o futuro do populismo de direita. É uma análise perspicaz e provocadora sobre o poder, a instabilidade e a realidade cada vez mais bizarra que molda a política global.


segunda-feira, abril 13, 2026

Um domingo com árvores abatidas, com a feliz vitória da democracia e da liberdade europeia na Hungria, com o impasse na estúpida guerra que Trump desencadeou contra o Irão e com Israel a continuar a mostrar que é quem manda nos Estados Unidos

 


O domingo amanheceu muito cedo, cedo demais, e logo depois já se ouvia o barulho em contínuo da serra elétrica. Começaram a ser cortadas as árvores que tombaram ou que estão em vias disso na sequência da tumultuosa Kristin. Aliás, hoje ventava de tal forma que, sempre que passava sob as agitadas copas, me interrogava sobre a minha segurança e a de quem por ali andava a serrar os tão amados troncos. Mesmo os cedros e pinheiros que secaram, provavelmente por terem estado tanto tempo com as raízes encharcadas, também já começaram a ser abatidos. Onde havia árvores grandes e frondosas há agora espaço vazio e, ao olhar para esse espaço sem nada, sinto tristeza..

E ainda faltam as árvores maiores, os cedros gigantes, os que estavam dispostos em lugares estratégicos e que maiores dificuldades vão colocar ao seu abate e remoção. Temos mais uns fins de semana destes pela frente.

Tento colocar o coração ao alto. Os paisagistas que cá estiveram foram consensuais: nesta terra pedregosa mais vale contentar-nos com árvores autóctones do que alimentar o sonho de ter belas árvores que, aqui, serão sempre vulneráveis. Os cedros gigantes enraízam superficialmente, sobretudo em terrenos pedregosos. Por isso, quando estão muito grandes, se o vendo os faz flectir, por pouco que seja, o seu centro de gravidade não é sustentado por um enraizamento profundo. E tombam, levantando por completo as raízes. Com os pinheiros não é a mesma coisa, creio que, por um lado, é o mal que lhes dá. Ou a vulnerabilidade face ao excesso de água. Não sei. Não caíram, simplesmente secaram. Mas isso aconteceu sobretudo com os bravos. Os pinheiros mansos estão bem e os outros, de que não consigo lembrar-me do nome, também.

E as azinheiras e as aroeiras e as figueiras bem estão. Portanto, festejo o que está bem e tento aceitar com naturalidade que o ciclo de vida das outras chegou ao fim.

E, como esteve muito frio, estive mais tempo dentro de casa. E até fiz um chá e tudo. Só não acendemos a lareira porque, afinal, psicologicamente já nos estávamos a sintonizar com uma primavera quente. Este retrocesso climático não deverá levar-nos ao saudosismo da lareira.

Além disso, a madeira dos cedros e dos pinheiros não é boa para as lareiras, tem resina de mais.

Enfim, adiante.

Sobre o que por aí se vai passando um ou dois apontamentos:

Hungria

A derrota de Orbán é uma boa notícia para a União Europeia, para a Ucrânia, para a democracia. Ouvir uma multidão, em festa, a aplaudir Péter Magyar e a gritar a uma só voz Europa, Europa, é qualquer coisa de emocionante. A Europa é o berço, o refúgio, o chão e o tecto de quem, por estas nossas bandas, defende a democracia, o humanismo, o desenvolvimento, a liberdade, o Estado de Direito, a paz, a ética, a verdade. Que a Europa, livre e democrática, nos acolha, nos abrace, nos defenda, nos ampare.

Ao mesmo tempo, a derrota de Orbán é uma derrota para Putin, para Trump e para o oportunista e vira-casacos J. D. Vance, é uma derrota para Ventura e para todos os populistas de extrema direita que têm vindo a pulular na Europa à garupa do que julgavam ser a tendência vencedora Trump/Órban.

A caguada quase galáctica armada pelo idiota do Trump

 (nb: caguada com u para não ser um nome feio)

Ele não quer que se lhe chame guerra pois, para ser guerra, tinha que ter sido aprovada pelo Congresso. Como vai muito para além de uma operação especial ou de uma pequena excursão, como ele se lhe refere, prefiro chamar o que é, uma caguada em três actos.

O burro meteu-se nesta alhada, a reboque do outro que o tem na mão, e agora não tem como sair. Ele bem quer pirar-se de qualquer maneira, deixar tudo ensarilhado, e, como se fossemos todos tão burros e malucos como ele, dizer que ganhou. Só que o outro, o que o tem na mão, diz que espera lá aí: não sais, não senhor. E, para provar que não sai, não senhor, continua a bombardear tudo e mais alguma coisa, sobretudo o sacrificado Líbano, mesmo enquanto duram umas pretensas negociações com o Irão.

Para essas negociações, enquanto para representar o Irão, foi um grupo de homens feitos, com formação e experiência, para representar os Estados Unidos foi a tropinha fandanga do costume, a saber: o sinistro genro, o tipo de imobiliário e o totó do J.D. Vance. Enquanto para negociações similares em circunstâncias muito menos limites, outros levam meses ou anos, mas, vá lá, dada a urgência, no mínimo semanas, aqui julgavam que iam conseguir chegar a acordo em 21 horas. Como não conseguiram, vieram-se embora. E o paspalhão-mor, o doente Trump, ameaçou bloquear o bloqueado Estreito de Ormuz que, antes da monumental caguada, estava aberto. Uma tragicomédia que vai paa lá de ópera-bufa, mais parece um teatreco desconchavado engendrado por malucos internados num hospício para dementes encartados.

Qualquer dia nem é uma questão de ninguém conseguir pagar o combustível, é mesmo que não há. Escassez pura e dura.

Não se sabe qual a saída para isto. Airosa não há, mas mesmo que pouco airosa, não se vislumbra.

No meio disto, a esfíngica Melania veio fazer aquela conferência solene que, até hoje, ninguém conseguiu descodificar. Dizem que  uma ex-amiga dela, dos tempos de Epstein, ex-mulher de um grande amigo e apoiante de Trump, ameaçou pôr a boca no trombone e fazer revelações que vão mostrar o que é a verdadeira escumalha, e que, para se antecipar e mostrar que a escumalha não é ela mas, sim, o pato cor de laranja, Melania se antecipou. Mas há também quem diga que foi a Melania que já não pode com o marido e resolveu apertá-lo onde a ele lhe dói mais. Mas também há quem diga que foi Israel, que tem o casal na mão, que a obrigou a ela a ir pregar um susto ao marido para ele perceber que Israel é que manda e que, se ele quiser agora mijar fora do penico, ai ai, que eles pegam no material incriminatório que têm e o põem na prisão em três tempos. Who hnows...?

Um dia, presumo que não longínquo, teremos documentários, dramas e comédias sobre este período rocambolesco da história do mundo. E, muito provavelmente, em todos teremos o venal e idiota Trump retratado como estando simultaneamente nas mãos da Rússia, da China, de Israel e de Melania. Todos com material mais que suficiente para o chantagearem e o levarem a fazer todas as borradas a que vamos assistindo. Claro que tudo devidamente condimentado com o seu narcisismo e a sua demência. Ou seja, um filme.

Seja como for, por crime grosso de envolvimento com menores ou por desencadear uma guerra não autorizada, ou por estar a dar cabo da vida dos americanos ou por muitos outros motivos, parece que reina a agitação entre os republicanos. Preveem que não tarda se vão ver livres dele e já anda cada um para seu lado a ver se se organiza face ao tão esperado day after. Uns andam a arranjar maneira de o tirar rapidamente da Casa Branca, outros aguardam que a solução chegue por outra via: como vaticina um médico americano, esperam que um dia destes ele se engasgue de vez com um hamburguer ou, então, cometa um erro tão grave, tão grave, que tenham que interná-lo à força.

Eu, por mim, só mais modesta, gostava mesmo é que o mundo voltasse a ser como o era nos tempos em que a Rússia ainda não tinha invadido a Ucrânia, que Israel ainda não tinha destruído Gaza e agora o Líbano, em que Trump não tinha tido a sua 2ª e inexplicável vitória. Será que é pedir muito?

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Amanda Ungaro ameaça expor as ligações ocultas de Melania Trump nos arquivos de Epstein

A modelo brasileira Amanda Ungaro ganhou destaque nos media internacionais depois de alegadamente ter ameaçado "expor" informações relacionadas com Melania Trump, na sequência da negação pública da modelo de qualquer ligação a Jeffrey Epstein.

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Desejo-vos uma boa semana

sexta-feira, abril 10, 2026

Se Trump foi dar cabo do Irão, atrás de Netanyahu, para ver se a malta se esquecia dos ficheiros Epstein, será que, agora que a guerra deu para o torto e já não sabe onde se meter, arranjou maneira de sacar dos ficheiros Epstein para a malta se esquecer da guerra do Irão... e cravou a Melania para lhe fazer esse frete?
ou
A Melania, percebendo que o marido está nas últimas, antes que perca a imunidade de ser Primeira-Dama, resolveu já demarcar-se dele e de toda a porcaria que o envolve?
ou
Isto é mesmo um ninho de cucos e estão todos a ver se dão com todos em malucos?

 

No meio do salsifré do so called cessar-fogo que nasceu do nada sem acordo sobre coisíssima alguma, em que ninguém sabe quais os pontos sobre os quais era suposto estarem de acordo, no meio dos violentos bombardeamentos ao Líbano e enquanto parece que veio a Netanyahu uma suposta vontadezinha de abrandar de escaqueirar tudo, até que não reste pedra sobre pedra, e negociar um mini-mini cessar fogo com Beirute, e em que Trump continua com as suas estafadas e tresloucadas investidas e em que vai intercalando ameaças letais ao Irão com remoques e chantagens sobre a NATO e com parvoíces e insultos aos seus antes amigos MAGA influencers e ex-Fox (Tucker Carlson, Megyn Kelly, Alex Jones ou Candace Owens), eis que, do nada, sem que na Casa Branca aparentemente ninguém soubesse de nada, aparentemente sem que o próprio Trump soubesse de nada, do alto do púlpito onde o marido costuma dirigir-se às massas, sozinha, a esfíngica Primeira Dama (também descrita como assalariada de Trump, paga para ser sua mulher), que nunca antes tal coisa fez, apareceu a dizer que nunca foi vítima ou íntima de Epstein, que não foi ele que a apresentou a Trump, que apenas esteve ao mesmo tempo que ele e que o marido em algumas festas e rebéubéu pardais ao ninho, que o que as fotografias e os mails mostram não é nada, que o que não falta por aí são cenas fake para todos os gostos, e que, pasme-se, deve ser dada voz às vítimas para que esclareçam o que há para esclarecer.

Isto mesmo.

Não dá para acreditar, pois não?

Não mesmo. Mas aconteceu. 

Mais uma vez, uma improbabilidade materializou-se. Do nada. 

Quando os republicanos têm feito de tudo para abafar o caso, quando é nomeado Todd Blanche, ex advogado pessoal de Trump, para Procurador Geral, que diz que não há mais nada para dizer sobre o caso, aparece esta a falar no assunto e a dizer que se ouçam as vítimas no Congresso...?

Estranho...

Claro que no meio da confusão reinante, 

  • depois de nas vésperas se ter estado à beira do fim da civilização persa, quiçá do fim do mundo, 
  • quando se discute se: 
    • os mercados vão arrefecer ou esquentar-se ainda mais, 
    • se o preço do petróleo vai disparar para níveis nunca vistos ou se o dito não vai mesmo escassear com as consequências daí advenientes, 
    • se as taxas de juro vão disparar e, consequentemente, enforcar parte dos devedores aos bancos, 
  • ou quando é denunciado o que andavam os submarinos russos a fazer ao largo do Reino Unido e que motivaram que a Marinha britânica mais a norueguesa e não sei quem mais tivessem que sair à cena e dizer a Putin que o vemos e sabemos o que anda a tramar, escoltando-os de volta,
  • ou quando sabemos que os terroristas da Casa Branca ameaçaram o Papa (o Papa!),
  • ou, ainda, quando observamoso oportunista J.D. Vance, esse vira-casacas alimentado à colher pelo perigoso Peter Thiel, por aí andar feito palhaço ambulante, ora a imiscuir-se nas eleições húngaras em defesa desse Órban que mais parece um ogre fedorento, ora agora a caminho do Paquistão para fazer o seu habitual papel de urso, 

aparecer a Melania, num aparente total despropósito, a falar de um tema que estava meio esquecido face às tormentas bélicas em que o marido se lançou, tema esse que o mesmo marido anda permanentemente a querer que seja posto para trás das costas, é daquelas coisas que deixa toda a gente de queixo caído e olhos arregalados. 

What the fuck...? 

Provavelmente ao longo desta sexta-feira saber-se-á alguma coisa mais desta desconcertante aparição: 
  • ou está para sair alguma novidade que a envolve e ela pensa que, com isto, neutraliza a questão, 
  • ou já percebeu que o marido -- na espiral de loucura desorbitada em que anda, ou por alguma notícia que vai sair que o vai incriminar de vez, e, por uma coisa ou por outra, ou pelas duas -- não vai aguentar-se por muito mais tempo e já está a querer demarcar-se dele, 
  • ou sabe, que mais dia menos dia, as vítimas de Epstein vão ser ouvidas no Congresso e, pelo sim, pelo não, está já a dizer que não é vítima pelo que nem passe a ninguém pela cabeça chamá-la a depor,
  • ou, então, em conluio com o desconchavado marido (embora digam que ele não sabia e que está desnorteado com isto), para ver se a malta se distrai do caldinho da guerra e da insubordinação que parece ameaçar as hierarquias militares, resolve desenterrar um assunto que sabe que inflama as redes sociais e distrai de tudo o resto, 
  • ou, então, é tão maluca como ele,
  • ou, na volta, está pelos cabelos com o estafermo do marido e resolveu, de propósito, enfernizada de todo, marafada até à raiz dos bem tratados cabelos, fazer uma coisa que o vai deixar em polvorosa,
  • ou, então, tudo ali está a descarrilar a grande velocidade e não há quem não se atraiçoe às claras e às escuras e quem não desembainhe espadas e facalhões contra uns e outros e contra quem calhar, e ela está já a dar o exemplo espetando uma naifada na aspirinada pança do maridinho,
  • ou, então, a malta alucinou toda de vez e já não há uma coisa, uma única, que faça sentido.
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'PORQUÊ é que ela disse estas coisas?': Nicolle reage ao discurso CHOCANTE de Melania Trump sobre Epstein

Depois de ter convocado a imprensa da Casa Branca esta tarde, Melania Trump fez um discurso inesperado negando qualquer relação com Jeffrey Epstein e apelando a uma audiência pública para as vítimas do financeiro desonrado. Para a análise, juntaram-se a Nicolle Wallace: Jackie Alemany, que acabou de falar com Trump, Luke Broadwater e o deputado Robert Garcia.


Nicolle sobre o discurso surpreendente de Melania: "Não acredito nisso... ela não se pronuncia sobre nada."

Nicolle Wallace comenta o discurso surpresa de Melania Trump sobre Jeffrey Epstein na Casa Branca, hoje de manhã. Charlie Sykes e Angelo Carusone participam na análise do Deadline White House.

Tenham uma boa sexta-feira, ok? 
E não fiquem também malucos com esta maluqueira toda que nos rodeia, está bem?

quinta-feira, abril 09, 2026

Sobre o que o estúpido que tem a memória e a cor de um peixe dourado e a sua turma de estúpidos andam por aí a fazer

 

Não há qualquer racional em nada do que se passa. Qualquer. Bola. Zero.

Durante uns tempos, nas empresas, estava na moda o 'racional'. Qual é o racional? Era a pergunta que se fazia. Não havia apresentação que não se estruturasse em torno do racional. Claro que, só por ser moda, já eu fugia a sete pés de usar a expressão. 

Mas agora, ao ver o desconchavo permanente, só me apetece dizer que aquilo a que se assiste é a coisa mais irracional a que já alguma vez se assistiu. Por muitas perspectivas pelas quais se olhe, não há qualquer racional.

Um fulano que nunca foi bom da cabeça e que agora, em cima do fraco intelecto e da distorção de personalidade, está demente ser o presidente dos Estados Unidos é daquelas coisas que, se fosse ficção, seria delirante.

Mas é verdade. Não é ficção. 

E tão perturbante como ver a democracia a ser destruída naquele país e o mundo a ser sugado por um buraco negro é ver como ainda há anormais, tão ou mais estúpidos que ele, que, por lá, por cá e por onde calha, continuam a apoiá-lo. E os que não o apoiam, republicanos não MAGA, mas que não mexem uma palha, por cobardia ou receio de perderem o poder, são igualmente deploráveis. Hoje vi que agora até ameaçaram o Papa. Como o Papa o tem criticado, estão furiosos e, como sempre, não param para pensar- Mas ameaçar o Papa? Onde é que já vamos? É que tantas fazem que já nem dá para acreditar. 

Esta história do cessar fogo que não é cessar fogo coisa nenhuma, é um arremedo de coisa em forma de assim, um conjunto de medidas que o Irão impôs e que o palhaço cor de laranja aceitou -- certamente sem sequer saber o que estava a aceitar, deserto que estava por sair da saia justa em que a sua cabeça desgovernada o tinha metido -- é mais um episódio da fantochada circense que aqui está armada. É que ainda poderia parecer que aquilo era uma coisa assim a modos que mais ou menos. Isto se nos abstrairmos do curioso facto de agora ser o agredido a mostrar que é quem manda, e o agressor, feito caniche que já só quer é ver se consegue abocanhar algum bocado de osso, por exemplo uma percentagem das portagens no estreito de Ormuz, a andar a toque de caixa. Foi à monda e saiu mondado. O pior é o criminoso Netanyahu, que vive de espalhar sangue e que se alimenta do pó da destruição, que não consegue parar de atirar mísseis. Não sei de onde lhe vem tanto dinheiro para tanto material de guerra nem sei como consegue manter-se incólume no meio da desgraça que tem trazido àqueles territórios -- mas isso são outros quinhentos, como sói dizer-se. Mas, portanto, enquanto uns quererem fazer crer que se deu um belo passo a caminho não se sabe bem de quê, está aquele assassino a mostrar que se está bem a marimbar para tudo o que não seja escaqueirar tudo à sua volta a ver se abocanha mais um bocado de terra. Um gémeo separado à nascença de Putin.

Mais uma vez, onde ouço as análises mais interessantes para o caos e para o bailinho que está globalmente armado é nas conversas entre Joanna Coles e o muito bem informado Michael Wolff. Esta conversa foi gravada na terça feira antes de Trump ter, de novo, e neste caso ainda bem, demonstrado que TACO. Mas toda a conversa é actual e muito reveladora de como tudo aquilo funciona.

O que é mais em cima do acontecimento e igualmente imperdível é a reacção de Jimmy Kimmel, gravada já depois de Trump ter enfiado o rabo entre as pernas (vamos ver por quanto tempo, que aquilo ali, bicho maluco, cruel e desencabrestado, nunca será de fiar). Divertido, certeiro, implacável, assim é sempre Jimmy Kimmel. Não admira que Trump o odeie. Mas com as raivinhas de Trump pode ele bem. Começo por partilhar a sua intervenção sobre o Dia-D de Trump, D de Demência, claro.

Trump acobarda-se (chickens out) depois de ameaçar toda uma civilização com a morte, e até os lunáticos o acham louco.

Hoje foi o prazo final dado por Trump para o Irão abrir o Estreito de Ormuz ou ser bombardeado. Publicou esta manhã que, se não concordassem, "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta". Felizmente, era terça-feira de tacos e ele decidiu não abandonar a chalupa durante pelo menos mais duas semanas. Ninguém parece fazer ideia de qual é o plano dele. Alguns membros proeminentes da comunidade de lunáticos estão a pedir a sua remoção através da 25ª Emenda. Lindsey Graham participou no programa de Hannity para dar o seu total apoio à guerra. Bill Gates e Howard Lutnick foram intimados a depor perante a Comissão de Supervisão da Câmara sobre Epstein. O Procurador-Geral interino, Todd Blanche, falou sobre se gostaria ou não do cargo a tempo inteiro. Trump falou com a tripulação da Artemis II e o congressista Tim Burchett disse ao TMZ que viu provas de vida extraterrestre. E JD Vance tem aprimorado as suas capacidades de oratória e comédia!

E agora o Daily Beast, a impagável dupla Joanna Coles e Michael Wolff, Dentro da Cabeça de Trump

O verdadeiro motivo pelo qual Trump nunca irá recuperar: Wolff | InsideTrump's Head

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles enquanto Donald Trump intensifica o seu bluff mais perigoso até à data, ameaçando a destruição a uma escala nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial, encurralado por uma guerra que prometeu nunca iniciar. As ameaças tornam-se mais elevadas à medida que as opções diminuem: o Irão aperta o cerco ao estreito de Ormuz, a instabilidade global do petróleo aumenta e o presidente do "não às guerras intermináveis" vê-se preso na guerra que ele próprio iniciou. Wolff defende que o caos é agravado por um círculo cada vez mais reduzido de apoiantes leais, desprovidos de poder de decisão, um nervoso JD Vance a estar discretamente posicionado para absorver a culpa e um mundo pró-Trump já a preparar-se para as consequências políticas. Wolff sugere que este é provavelmente o início do seu fim: um presidente que intensifica as ameaças porque está encurralado e uma base dividida a clamar por rebelião.
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E, se vos apetecer desanuviar, aconselho-vos a descer um pouco mais. 
Quando duas mulheres inteligentes se põem à conversa o melhor a fazer é ficar a ouvir

quarta-feira, março 11, 2026

Este aqui faz-me lembrar imenso um colega que tive, jovem, elegante, bonito, muito certinho, muito competente, muito racional, que só dizia coisas acertadas, que até conseguia defender posições inconvenientes... mas sempre com ar de quem não partia um prato

 

O circo permanentemente armado em que Trump se sente bem e em que, simultaneamente, é o mestre de cerimónias, o palhaço, o ilusionista, o tipo que vende os bilhetes, o patrão e, ao mesmo tempo, o que não resiste a meter parte do dinheiro ao bolso, faz com que meio mundo tente interpretar os seus actos e as suas palavras ou as suas verdadeiras motivações. Pouca coisa bate certo nele. O que diz no início da frase pode ser oposto ao que diz no fim, o que faz pode ser dissonante face ao que anuncia. Desconcerta, causa repulsa e, ao mesmo tempo, atrai atenções.

Tenho visto o que diz a sobrinha, o biógrafo, o antigo colaborador, jornalistas experientes, congressistas batidos -- e uma coisa é comum a todos: sempre que falam, a emoção envolve o raciocínio. As pessoas mostram-se chocadas, horrorizadas, outras vezes quase divertidas. 

Mas não Jake Auchincloss, congressista, democrata, com um CV irrepreensível e, ao contrário de grande parte dos congressistas democratas que estão quase a cair da tripeça, apenas com 38 anos. 

Como escrevi no título, Jake Auchincloss faz-me imenso lembrar um colega. Depois de ter saído, para a reforma, o director experiente e altamente confiável que o antecedeu, a empresa recrutou uma empresa internacional de head hunters para arranjar alguém a quem se pudesse entregar uma área muito crítica e que fosse bem aceite pelos colegas, gente muito sénior e experiente que formavam uma equipa coesa.

Apareceram-nos com um 'puto'. Menino bem, diríamos que beto, alto, magro, bonito, elegante, sóbrio até dizer chega, certinho da cabeça aos pés, sempre com aquele ar muito lavadinho de quem acabou de sair do banho. Olhámos para ele um pouco cépticos. Fosse qual fosse o assunto, mesmo em situações em que o antecessor ferveria, usaria metáforas ou exigiria que rolassem cabeças, este mantinha a frieza, o vocabulário íntegro e bem alinhado, o tom de voz inalterado. Sorria mas era um sorriso educado, bem comportado. Não dizia piadas nem se exaltava. Ouvíamo-lo até enervados, tal a contenção, à espera que um dia lhe saltasse a tampa. Nunca saltou. Pelo menos, enquanto lá estive isso nunca aconteceu.

Aqui passa-se o mesmo. Joanna Coles bem puxa por ele. Mas Jake Auchincloss não se desalinha. Responde a tudo com exemplar racionalidade, com uma frieza de análise que quase passa ao lado do facto de Trump ser um lunático, um demente, um narcisista fora do prazo de validade. E, no entanto, não foge a nenhuma questão, nem se pode dizer que seja estritamente politicamente correcto. Um fantástico exercício de contenção, é o que é.

Eu sei qual é a próxima artimanha doentia que Trump tem na manga | Podcast do The Daily Beast

O deputado Jake Auchincloss junta-se a Joanna Coles para abordar o caos em torno dos ataques de Donald Trump ao Irão, alertando que o presidente pode estar a travar uma guerra sem uma estratégia clara e sem a aprovação do Congresso. O ex-fuzileiro questiona a liderança do secretário da Defesa, Pete Hegseth, pede a demissão do secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., por alegados conflitos de interesses e explica porque é que os democratas já se estão a preparar para a possibilidade de Trump tentar minar as eleições intercalares de 2026. A conversa abrange desde a luta do Partido Democrata para resgatar o patriotismo e definir a sua mensagem económica até ao poder político de titãs da tecnologia como Elon Musk e a ameaça à segurança nacional representada pelo TikTok, antes de terminar com perguntas persistentes sobre os Arquivos Epstein.


segunda-feira, março 02, 2026

Um sistema intrinsecamente corrupto

 

Quando os aviões cruzam os céus para despejar bombas, quando os mísseis atravessam países, quando pessoas começam a reduzir-se à condição de corpos -- e quando as televisões nos encharcam as mentes com imagens e com explicações e mil comentários -- chego a esta hora e mais depressa me apetece falar dos meus meninos, todos os dias mais crescidos, do que de toda a instabilidade que grassa pelo mundo.

Tempos houve, e não foram longínquos, em que os países faziam as pazes, em que os muros caíam, em que as guerras, fossem guerras de bombas e botas no terreno ou guerras frias, pareciam coisa do passado. Infelizmente voltámos a esses tempos sombrios. E é um pavor.

Como chegámos até aqui?

Talvez a explicação esteja na ausência de saúde moral de parte dos regimes que, em vez de cultivarem a paz, parece que, no seu âmago, se atolam na lama.

Diz David Rothkopf que a assinatura de Trump e, na realidade, a assinatura destes tempos é a 'história' que se conta através dos ficheiros Epstein. 

E, embora já aqui tenha falado dele algumas vezes pois gosto imenso de ouvi-lo, recordo que David Rothkopf é uma pessoa particularmente bem informada, daquelas pessoas de quem se pode dizer que bebe do fino. O seu currículo é impressionante e a quantidade de pessoas que conhece e conheceu de perto, a rede de informações que facilmente cruza, e a forma simples, quase humilde, mas sempre perspicaz e sólida, tornam-no, a meus olhos, uma pessoa cujas opiniões interessam.

Aqui, no vídeo que abaixo partilho, está de novo à conversa com Joanna Coles que garante sempre conversas interessantes, leves qb e com um toque de boa disposição. A conversa decorreu no momento em que Clinton, com quem David Rothkopf trabalhou, estava a depor no Congresso. Por isso, a novidade do ataque ao Irão ainda não tinha ocorrido.

A conversa é longa mas tem interesse do princípio ao fim. 

Para quem duvida das ligações de Epstein à Rússia ou à Mossad, para quem duvida da longa mão de Putin na governação Trump, para quem ainda pensa que tudo gira à volta de sexo com menores de idade, para quem ainda não percebeu o esquema da troca de favores e da pirâmide da influência, para quem ainda não percebeu como o esquema de financiamento privado que existe nos Estados Unidos com políticos e universidades a terem que arranjar financiamento para as suas actividades leva, quase inevitavelmente, à venalidade -- aqui fala-se de tudo isso.

Porque é que Epstein é o crime que define Trump: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast

David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que o escândalo Epstein é a crise que define Donald Trump, ligando o poder global, a desigualdade de rendimentos, a corrupção e a impunidade. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, explica como Epstein envolveu uma rede de elites como Bill Clinton, Príncipe André, Peter Mandelson e magnatas de Wall Street, ao mesmo tempo que levanta questões mais profundas sobre obstrução à justiça, desaparecimento de provas e envolvimentos dos serviços de informação. Discutem também como figuras-chave encobriram ativamente irregularidades para se protegerem a si e aos seus aliados, mostrando um mundo onde o privilégio protege o crime e a verdade completa pode nunca vir ao de cima.

00:00 - Porque é que os arquivos de Epstein podem remodelar a política americana
05h05 - Clinton, Trump e a política de desvio de atenções
10h00 - Mortes, silêncio e o medo em torno do círculo íntimo de Epstein
15h00 - A Rússia, as agências de informação e a armadilha de Epstein
20h05 - Kompromat, o poder e como as elites são comprometidas
25h00 - O príncipe André, as elites globais e a troca de acesso por influência
30h00 - O "escândalo característico" de Trump e a cultura da impunidade
35:05 - Comunicação social, desinformação e obstrução à justiça
40h00 - O que revela o caso Epstein sobre a corrupção nos Estados Unidos
45:05 - Porque é que este escândalo ainda importa e o que vem a seguir

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Desejo-vos uma boa semana 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Quem foram as vítimas de Epstein? As crianças e mulheres violadas e traficadas? Ou também os bilionários, intelectuais e outros que foram atraídos por ele?

 

Neste grande escândalo Epstein muitas coisas me intrigam. Já falei nisto várias vezes antes. Tudo para mim é um mistério. É tudo tão improvável, tão inacreditável... Mais: muitas coisas quase me parecem materialmente inconcretizáveis. Custa crer que um só homem conseguisse ter relações sexuais com tantas mulheres (mais de mil), que tivesse tempo para isso e para milhares e milhares de mails e para viagens e mais viagens, várias de longo curso, para tantas farras e orgias, para tantas sessões de brainstorming com físicos e com biólogos, para reuniões com universidades para seleccionar projectos a financiar, para idas a galerias de arte e para escolher objectos decorativos atípicos... e sei lá que mais. E, nas fotografias, sempre como se tivesse tempo, com calma, com espaço para desfrutar das companhias, das brincadeiras, das velhacarias.

E depois há o cerne: qual o eixo central de toda esta história? A pedofilia e a proxenetismo, envolvendo crianças? A obtenção de material comprometedor para sacar dinheiro aos prevaricadores? Ou o material comprometedor destinava-se a ser cedido ou vendido a agências de informação como a Mossad ou a CIA ou o MI6 ou as derivadas do ex-KGB? Ou, para além disto, ainda mais qualquer outra coisa?

A máquina Epstein movia-se pelo prazer? Pelo dinheiro? Pelo poder? Por outra coisa?

Tenho lido coisas sinistras que envolvem a gravidez de muitas miúdas, o sacrifício de bebés para diferentes fins, manipulação de DNA, e muitas outras loucuras, cada uma mais desvairada que as anteriores, que, como sempre, mantenho na minha cabeça em stand by até que apareçam referidas por congressistas ou por jornalistas de referência. 

Mas, isto para dizer que a leitura ad hoc, avulsa, analisada casuística e não sistemicamente, dificilmente conduzirá a conclusões sólidas.

Vi um vídeo em que um especialista em Data Analytics explicava como estava a desencantar fotografias e vídeos que se encontram encapsuladas em ficheiros pdf, como estão a tentar indexar e sistematizar a informação ou a tentar cruzar informação rasurada com a não rasurada para tentar detectar pontas soltas. Isto porque é tanto mail, tanto documento avulso, tanto power point, tanto documento encafuado dentro de outros documentos, e quase todos cheios de rasuras, que não é fácil identificar o fio da meada nem se é suposto que as coisas se organizem segundo uma lógica única (a da pedofilia, por exemplo), ou se faz sentido que, em simultâneo, multidimensionalmente, se organizem segundo lógicas diversas. E, note-se, aparentemente o que está publicado, e altamente rasurado, é uma pequena parte de todo o material que há. 

Eu, se tivesse meios e tempo, não apenas faria aquilo que o especialista em Data Analýtics fez, como, de seguida, aplicaria aos datos devidamente limpos e sistematizados, a teoria dos grafos. Tenho para mim que será com um modelo que assente na teoria dos grafos que se conseguirá mapear todas aquelas conexões, perceber caminhos equivalentes, pontos de relevância, nós górdios e qual o (ou os) caminho/s crítico/s que movia/m esta pessoa (ou este esquema)? 

Seria um bom tema para as universidades estudarem sob diversas perspectivas (a matemática com tratamento de dados e modelagem, a antropologia e a sociologia, a psicologia, as finanças -- porque afinal, que cash flow era aquele, de onde vinha e para onde ia o dinheiro? -- o direito e a investigação criminal, etc).

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Uma coisa que custa a encaixar em qualquer das partições que façamos para dar lógica a esta história: o que, por exemplo, levava Chomsky ou Stephen Hawking ou tantos outros a frequentar e fazer de tudo para agradar a Epstein? 

Entretanto, li um artigo interessante da autoria de Emma Brookes no The GuardianHow did Epstein ensnare so many rich men? By knowing they were entitled and insecure. Como conseguiu Epstein enganar tantos homens ricos? Sabendo que eram privilegiados e inseguros.

Penso que traz uma perspectiva nova e curiosa, porventura realista, pelo que me permito transcrevê-lo. 

Uma das coisas que tem intrigado frequentemente, à medida que os desenvolvimentos da história de Epstein continuam, é a forma como um jovem que abandonou a faculdade e achava cool cometer gralhas conseguiu persuadir os mais poderosos do mundo a entrar no seu covil. Qual era, precisamente, a natureza do seu "génio"? Era chantagem? Era o esquema de pirâmide social de usar um nome importante para atrair outro? Nada chegou perto de o explicar até que, com a mais recente leva de pormenores dos arquivos de Epstein, algo se tornou subitamente claro: não eram as raparigas e mulheres traficadas que Jeffrey Epstein aliciava. O verdadeiro talento do homem, se assim lhe podemos chamar, estava em aliciar o seu grupo de associados.

Isto não significa, naturalmente, que os homens e a ocasional mulher que se aliaram a um homem a quem nos devemos referir, com toda a seriedade, como "o pedófilo morto" não fossem culpados. No entanto, ao analisar a enorme quantidade de material relacionado com Epstein, desde a investigação profunda do New York Times sobre as suas finanças até ao vasto acervo de correspondência contido nos arquivos, emerge a imagem de um homem que causou danos aos seus pares de uma forma que normalmente se vê dirigida às vítimas. Embora múltiplos testemunhos de sobreviventes indiquem que Epstein considerava as raparigas e mulheres que traficava como de tão pouca importância que nem sequer tinha de se dar ao trabalho de as aliciar – segundo o relato de Virginia Giuffre, Epstein violou-a no primeiro encontro –, todos os seus recursos, através de diversas tácticas, foram direccionados para conquistar a lealdade de homens poderosos.

Analisemos Andrew Mountbatten-Windsor, que, após a sua detenção na semana passada, viu o seu público relaxar subitamente, deixando de se inibir em descrever o homem como ele realmente é. Talvez tenha visto o vídeo de 2022, agora amplamente divulgado, no qual o ex-oficial de segurança de Mountbatten-Windsor disse a um canal de notícias australiano que a alcunha que davam ao seu chefe real era "o filho da puta". Com um pouco mais de civilidade, o deputado trabalhista Chris Bryant chamou na terça-feira a Mountbatten-Windsor "rude, arrogante e prepotente", observações que podem ser úteis para explicar como Epstein conseguiu tamanha lealdade do oitavo na linha de sucessão ao trono. Em Mountbatten-Windsor, vemos um homem vaidoso, fraco e prepotente, a viver na sombra do irmão, e que Epstein pode ter atraído para uma amizade através de uma combinação de lisonja e demonstração de poder.

Crucial para esta abordagem é o facto de, a julgar pelos e-mails de Epstein, ele nunca ter sido subserviente, pelo menos não com Mountbatten-Windsor. O seu tom em relação ao ex-príncipe e à sua ex-mulher, Sarah Ferguson, muitas vezes roça a grosseria, dando-lhes ordens e impondo-lhes comandos numa espécie de paródia de um empresário ambicioso e dinâmico que está ali para oferecer ao casal uma hipótese de algo que nunca tiveram em toda a vida: relevância real e central. "Sarah, podes [sic] pedir a uma das tuas filhas para mostrar [censurado] Buckingham, por favor?", escreveu Epstein num e-mail de 2010 — dois anos após a sua primeira pena de prisão — no qual parece estar a pedir à antiga duquesa de York que mostre o Palácio de Buckingham a alguém. (A “Sarah” do e-mail respondeu no mesmo dia: “Claro”.)

Os professores do MIT provavelmente preocupam-se menos com a relevância do que dois ex-membros da realeza decadentes, mas podem, por outro lado, sentir inseguranças persistentes sobre o seu estatuto em relação às mulheres. Veja-se o caso de Marvin Minsky, o falecido professor do MIT que, segundo o livro de memórias de Giuffre, foi levado para a ilha de Epstein para ser vítima de tráfico sexual. Neste caso, o poder que Epstein exercia sobre homens como Minsky pode estar menos relacionado com o sexo do que com a auto-imagem. No livro de Giuffre, esta alega que, depois de um dia a andar de mota de água e a fazer atividades turísticas comuns, Minsky teve a ousadia de lhe pedir aquilo que Epstein anunciara como “uma das suas famosas massagens”. É uma passagem terrível, sobretudo porque, a acreditar no relato de Giuffre, Minsky está claramente muito constrangido com o que está a fazer. Dizem que Epstein ofereceu a este homem a oportunidade de viver uma versão fantasiosa de si mesmo que – pesquisem sobre ele no Google – está completamente fora da realidade, e, meu Deus, ele agarrou a oportunidade.

Foi aí que o falecido criminoso sexual se destacou: em extrair influência e proteção de pessoas poderosas, identificando e explorando as suas fraquezas. Como tal, compreendia algo melhor do que ninguém: que, por mais diferentes que fossem nos seus pormenores, estes homens, todos senhores do universo, ainda sentiam fundamentalmente que a vida os tinha prejudicado; que tinham direito a mais do que possuíam. Epstein podia ajudá-los com isso e, a julgar por como e com que risco continuavam a agradar-lhe, amavam-no por isso.

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domingo, fevereiro 22, 2026

Um humor inconveniente

 

Se, há coisa de seis anos, assisti aos Golden Globes 2020 provavelmente não percebi parte das piadas que Ricky Gervais disse. Sei que foi considerado inconveniente, sei que deixou muitos dos presentes incomodados. Disso lembro-me. E tenho ideia de que ele, antes desse dia, já tinha decidido que seria a sua última vez pelo que podia partir a louça toda. E de que se especulava se teria sido mesmo sua decisão ou se não voltou a ser convidado porque o seu nível de corrosão já estava a causar alergias. Mas, sinceramente, à luz do que agora sei, vejo que na altura, se assisti pela televisão às suas piadas, uma parte passou-me certamente ao lado. E, agora que revi as imagens que abaixo partilho, percebo que não foi apenas uma dessintonia entre o humor britânico e o americano: foi mesmo que as piadas foram, na verdade, valentes ferroadas.

Em 2020 eu nunca tinha ouvido falar em Epstein. 

Havia a bronca do Harvey Weinstein e de tudo o que se seguiu, #MeToo incluído, havia a barracada do Woody Allen se apaixonar pela filha adoptiva e a fúria do Ronan Farrow contra o padrasto por supostamente abusar da irmã, Dylan. Mas, em particular esta história, era daquelas coisas, parecia mais um melodrama desconchavado, custava-me a acreditar que o simpático Woody Allen fosse o pervertido que os enteados e a ex-mulher, Mia Farrow, pintavam. Não sei. Acho que naquele ano eu ainda acreditava que a maioria das pessoas eram boas pessoas e tudo o que me parecia excessivo ia para o compartimento das teorias da conspiração que eu renegava como o diabo renega a cruz.

Claro que gostava imenso de Ricky Gervais. Gosto do humor britânico. É um humor em que encaixo bem, parece que é um humor que nunca acho forçado, daquele humor básico ou boçal, infantilóide, feito para pessoas parvas. Pelo contrário, tem aquela dose de irreverência, quase inconveniência mas sem ser ordinário, revela sempre um apurado sentido de observação, é desconcertante, vem com aquele toque de inesperado que me faz cócegas boas, que me faz rir e ter vontade de mais. Mas, lá está, em 2020, se assisti, e se calhar assisti, é certo que parte do conteúdo me tenha passado ao lado.

Mas, agora que sei o pouco que sei (pouco, muito pouco), espanto-me com as flechadas que ele disparou, certeiras, e percebo o ar algo atónito ou, por vezes, desconfortável de algumas pessoas.

Ora vejam.

A piada sobre Epstein que deixou Hollywood sem palavras | Ricky Gervais nos Globos de Ouro de 2020

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Tal como a nuvem radioactiva de Chernobyl, assim a mancha Epstein vai alastrando de país em país

 

Que havia sexo e traficância de menores é mais do que certo e sabido. Cenas de torturas com crianças ou de procriação forçada com roubo de bebés parece que também, embora as pessoas façam por não olhar de perto, tão horríveis parecem ser as revelações. Mas começam a desenhar-se também ligações ao negócio das armas. E parece também claro que havia lavagem de dinheiro -- dinheiro russo, com certeza, mas não se sabe se mais. E que era agente duplo, Mossad e CIA, também já se afirma como se não houvesse muitas dúvidas. Parece que há passaportes com outros nomes e já há congressistas a pedir informação à CIA. Mas suspeita-se também de ligações aos serviços secretos ingleses. Também se detectam ligações a Putin. Aliás, era coisa que ele gostava de descrever, aquela vez em que se encontrou com Putin, um verdadeiro filme, com escalas, destinos misteriosos.

À medida que se investigam os ficheiros mais e mais dúvidas vão surgindo (e, note-se, os que estão disponíveis são os ficheiros mais 'pacíficos' e estão amplamente rasurados, com grande parte ocultada, e serão metade do que há, sendo que há outros tantos retidos, por razões que o Departamento de Justiça ainda não explicou cabalmente). Quantos países estão comprometidos ao mais alto nível com segredos de estado divulgados? Quem, em cada país, fazia parte da rede?

Alguma vez se vai saber?

E ele? O que, de facto, lhe aconteceu? Foi assassinado ou retirado da cadeia? É que parece que já ninguém acredita na tese do suicídio.

Há até quem também já compare o fácies de Ghislaine Maxwell e o da mulher que foi ao Congresso (não) prestar declarações e conclua que não são a mesma pessoa, e que, a ser verdade, a amiga de Epstein já estará fora, provavelmente indultada, provavelmente posta a bom recato.

Tudo o que antes pareceria uma tresloucada teoria da conspiração agora parece apenas uma pálida amostra do que ainda há para saber.

O irmão do Rei foi chamado a depor e o seu biógrafo diz que o mais provável é que se pire pois já lhe ofereceram 'casa' num país árabe onde tem muitos amigos. A futura rainha norueguesa já pediu desculpa e os concidadãos olham para tudo o que se sabe com suspeição. Bill Gates cancelou a sua intervenção na maior web summit face às suas ligações, maiores do que se supunha, ao íman Epstein. E os casos sucedem-se. 

Por todo o mundo. Só nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça iniste em assobiar para o lado. E Trump, esse folião demente, até já se gaba de que foi ilibado.

Les Wexner foi chamado a testemunhar no Congresso. Apresentou-se como vítima: diz que foi roubado por Epstein, centenas de milhões. Uma história mirabolante, de cabo a raso. Aliás, cada uma das ligações a Epstein daria, de per se, uma história de loucos. Veja-se esta. Como é que um multimilionário como Wexner passa a gestão da sua fortuna para um tipo que não tinha conhecimentos nem académicos nem práticos? Não tinha nenhuma licenciatura, tinha enganado o colégio em que tinha dado aulas como se fosse formado em matemática, daí tinha passado para analista financeiro de uma empresa de gestão de fundos em que cometeu uma fraude e foi despedido, depois dali, por ser desonesto, foi contratado para uma empresa fraudulenta pois, tratando-se de uma empresa que funcionava com base em esquemas, nada como um tipo esquemático, para aldrabar as contas... Dizem que Wexner se terá envolvido sexualmente com Epstein e que, a partir daí, ficou na mão dele. Se isso justifica que lhe tenha passado para a mão centenas de milhões de dólares, não se sabe. 

Na verdade, não se sabe se alguma vez se vai saber alguma coisa.

Dizem que foi por ter passado a ser também multimilionário que Epstein viu abrirem-se-lhe todas as portas da alta finança. E daí passou para a academia, para os negócios, para a política. Ou isso ou estaria formatado para ser um agente kompromat de alto gabarito. Ou isso ou tudo o resto que se possa dizer.

Tudo bizarro. E volto ao mesmo: como tinha ele tempo para tudo isto? Como tinha ele cabeça para tudo isto? Sozinho...?

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Dois vídeos, entre muitos outros possíveis, sobre o assunto e sobre os tempos presentes

Arquivos Epstein: mensagens de texto entre Epstein e Bannon desencadeiam guerra civil entre apoiantes de Trump, Wexner presta depoimento

As mensagens de texto recentemente divulgadas de Steve Bannon com Jeffrey Epstein provocam reações negativas entre os apoiantes de Trump, enquanto Les Wexner, antigo proprietário da Victoria’s Secret e figura-chave na ascensão de Jeffrey Epstein à riqueza extrema, presta declarações à Comissão de Supervisão da Câmara.

0:00 Imagens recentemente divulgadas mostram Steve Bannon a entrevistar Jeffrey Epstein
1:39 Troca de mensagens entre Bannon e Epstein
3:41 Como reagirá Trump à controvérsia em torno de Bannon?
4h31 O bilionário Les Wexner presta depoimento ao Congresso sobre as suas ligações a Epstein

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Trump deixa escapar o que o incomoda: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para analisar porque é que a irritação pública de Donald Trump pode revelar mais do que qualquer fuga de documentos. À medida que os arquivos de Epstein desencadeiam uma onda de manchetes, Wolff defende que a verdadeira história não é o que foi descoberto recentemente, mas como a ampla divulgação dispersou a atenção, desviando-a de Trump para um número crescente de figuras periféricas — uma dinâmica na qual, segundo ele, Trump se apoiou repetidamente para sobreviver a crises passadas. Baseando-se nos encontros de Wolff com Jeffrey Epstein e na sua apresentação de Steve Bannon à órbita de Epstein após a saída de Bannon da Casa Branca, a conversa traça a forma como o ressentimento, a rivalidade e a obsessão com Trump uniram estes homens, mesmo enquanto Trump se apresenta agora como vítima de uma conspiração que envolve jornalistas e antigos adversários.
00h00 - Trump furioso no Air Force One
03h37 - O círculo de influência de Epstein alarga-se
06h54 - O comportamento de Epstein e as suas estranhas contradições
10h03 - A alegação de "exoneração" de Trump é examinada
11h32 - Melania questiona e evita a imprensa
14h58 - Porque é que o processo incomoda Trump?
18:21 - As ligações de Steve Bannon a Epstein
22h02 - O debate sobre a culpa por associação intensifica-se
25h44 - O medo de Trump sobre o que pode vir ao de cima
29h31 - Por dentro do padrão de ressentimento pessoal de Trump
33:05 - Estratégia mediática e indignação seletiva
36:42 - A política da distração e da negação
40h11 - Como Trump reescreve narrativas em tempo real
44h18 - O que este episódio revela sobre a mentalidade de Trump

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

À frente dos destinos dos EUA (e do mundo) está um doido varrido, um mentiroso, um narcisista maligno, cruel. As Piedmont Raging Grannies apontam o caminho para que a coisa se resolva.

 

A presença de Trump nos ficheiros Epstein é avassaladora. Há acusações e descrições gravíssimas. Mas a técnica dele é sempre a mesma: nunca assume, nunca se desculpa, e, como manobra de distração, atira as culpas para cima dos outros. Deve pensar que o que interessa é o que os broncos do MAGA pensam. E, como se sabe, esses não só não pensam como apenas se informam junto da rede social do Trump ou do diz-que-diz-que de outros membros do culto MAGA. Portanto, pode dizer as aldrabices que lhe ocorrerem que os trogloditas do MAGA papam tudo. Em cima disso, lança atoardas em todos os sentidos, faz ataques, desencadeia ofensivas, bombardeamentos, o que calhar. Vamos ver no que vai dar tantos meios de guerra a caminho do Irão, a caminho e em volta. Vamos ver. Tudo, em primeiro lugar, para distrair as atenções do que consta dos malditos ficheiros Epstein.

Os democratas, sempre certinhos, racionais, andam desnorteados sem saber como lidar com um animal destes. 

Começam a despontar alguns, felizmente. Com sorte um deles será o próximo presidente dos Estados Unidos.

Mas será que se vai ter que esperar que Trump se aguente até ao final do mandato? Mais 3 anos? E nem me refiro à ideia que grassa na cabeça daqueles doidos, que é abocanhar o próximo mandato. Não me refiro porque acredito que ele não se aguenta até lá, a maluquice já começa a traduzir-se em barracadas a mais. 

As avozinhas do Piedmont Raging Grannies apontam o caminho: a destituição com base na incapacidade objectiva em assegurar uma governação coerente, não perigosa, não traidora, não violadora da Constituição.

A Vigésima Quinta Emenda

O Artigo II, Secção 4 da Vigésima Quinta Emenda à nossa Constituição declara: O Presidente, o Vice-Presidente e todos os funcionários civis dos Estados Unidos serão destituídos do cargo mediante impeachment e condenação por traição, suborno ou outros crimes e delitos graves.

Não acha que já está na hora?

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Como o perverso Epstein usou as 'elites' para abafar a verdade

 

Um dos médicos que fez a autópsia diz que o que encontrou é compatível com estrangulamento e não com suicídio. Outros dizem que não foi ele que morreu, que foi outro parecido com ele e mostram fotografias que o provam. Para além de tudo, naquela altura, as câmaras que apanhavam a porta da cela não estavam a funcionar, os guardas não estavam lá. Tudo nebuloso, tudo dúbio.

Mas não é só isso. Tudo nesta trama é nebuloso. 

Se eu pensar no meu período mais activo, diria que as pessoas com quem eu mantinha um contacto regular, fosse de que natureza fosse, não iriam além das dezenas, duvido que chegassem às cem. E, desses, com quem mantivesse correspondência regular, mensagens, mails, etc, diria que seriam da ordem da dúzia ou, vá, duas dúzias. 


Mas Epstein mantinha contacto regular com milhares de pessoas. Segundo o The Economist sistematizou, focando-se nos 500 mais regulares, a maioria era gente do sector financeiro (banqueiros, fundos, etc), media (jornais, revistas, televisões, etc), a seguir gente da academia (investigadores, professores, ligados à Matemática, à Física, à Biotecnologia, à Evolução, etc), depois gente dos negócios e das tecnológicas, depois gente da política (políticos de 1º nível, primeiros-ministros, ministros, diplomatas, príncipes e princesas, etc), etc. Uma conspícua e imensa rede. Tudo à vista de todos. Todos sabendo que ele já tinha sido condenado por sexo com menores, e todos marimbando-se para isso. E, para que se perceba bem o modus faciendi dele: todos os que com ele lidavam relatam a atenção que Epstein dedicava a tudo, fazia sessões de brainstorming nas universidades em que se se mostrava a par das investigações, não apenas financiava generosamente projectos como acompanhava o seu avanço. Claro que, provavelmente, gravava tudo e passava a informação para  quem tivesse encomendado o 'servicinho' ou para quem estivesse interessado no state of the art da coisa.

Ora, já dou isso de barato. O que eu agora não percebo é como é que ele tinha tempo para estudar os assuntos, para escrever tantos mails, para estar com tanta gente, para levar massagens a torto e a direito, para viajar, para almoçar e jantar com meio mundo, para escolher obras de arte, para tanto deboche.

E o dinheiro que dava a meio mundo? Não há explicação. Pagava a renda da Sarah Ferguson e dava-lhe dinheiro a torto e a direito, pagava os cursos e os alojamentos a centenas das miúdas de quem abusava e traficava, financiava incontáveis projectos, tudo aos milhões, e tinha empregados e mais empregados, e tinha não apenas grandes mansões em várias cidades nos Estados Unidos e fora do país, e ranchos e ilhas, como uma dúzia de apartamentos em Manhattan para alojar amigos e namoradas, tinha iates, helicópteros e aviões. Dinheiro a correr a jorros.

Parece que está claro que era um agente kompromat e aí, ao que parece, era quase free lancer: tinha material comprometedor de meio mundo que venderia a quem desse mais (ou a vários ao mesmo tempo?), parece também claro que era agente da Mossad e que trabalhava para a CIA e que, para a Rússia, funcionava quer como fornecedor de kompromats como intermediaria a aplicação de dinheiro russo fora da Rússia, lavandaria de primeira.

Mas, pergunto eu: se assim se explicaria a sua vasta e crescente fortuna, um escândalo de fortuna, como se explica que tivesse tempo para tudo isso? Os dias dele tinham sessenta horas? Não percebo. Será que mais ninguém fica intrigado com isso?

No outro dia, um matemático, catedrático em Harvard, e financeiro de Wall Street, que o conheceu, diz que Epstein era uma estrutura. Era alguém 'fabricado', uma estrutura 'fabricada', um produto high level dos serviços de inteligência. 

Não sei. Mas admito que sim, pelo menos, faz-me sentido.

Há, no tema Epstein, vários mistérios, e este do tempo parece-me um deles.

Partilho um vídeo no qual Tina Brown, jornalista da velha guarda, fundadora do Daily Beast, e que, há uns anos, foi intimidada por ele para não avançar com uma série de artigos, conversa sobre o assunto. 

Não que daqui venha uma luz clarificadora mas é interessante, dá para ir iluminando a forma como ele manobrava as muitas pessoas que gravitavam na sua órbita.

Como o perverso Epstein usou as elites para abafar a verdade 
| Podcast do The Daily Beast

Tina Brown relata a sua experiência chocante ao ser citada nos arquivos recentemente divulgados do caso Jeffrey Epstein, revelando como Jeffrey Epstein e os seus aliados tentaram freneticamente "neutralizá-la" e fechar o The Daily Beast depois de a sua reportagem explosiva com Conchita Sarnoff ter exposto a sua rede de abusos. Numa conversa envolvente com o editor executivo do Daily Beast, Hugh Dougherty, Brown narra o pânico dentro do círculo de Epstein, as assustadoras ameaças legais de poderosos escritórios de advogados, a duplicidade da cronista social Peggy Siegal e a decadência moral de um "clube" de elite que protegia os seus membros mesmo depois de a verdade estar à vista de todos. Ela reflete sobre a cultura pré-#MeToo que desconsiderava as vítimas, os nomes poderosos que orbitavam Epstein — de Bill Clinton a Ehud Barak — e a escala industrial de exploração possibilitada por Ghislaine Maxwell e pelo recrutador Jean-Luc Brunel. É uma defesa mordaz do jornalismo de investigação, um aviso sobre o poder corrosivo da riqueza extrema e um olhar por detrás das cortinas sobre o quão perto esta história esteve de ser abafada — então, o que mais ainda está escondido nos milhões de arquivos não divulgados?


Desejo-vos uma bela semana

domingo, fevereiro 08, 2026

E porque é que os monstros ainda andam à solta? Porquê?!

 

Ainda não cheguei ao ponto a que chegou Ana Kasparian mas, tal como ela, estou para além de revoltada, incomodada, enojada. Aquilo que tenho sabido vai para além do que a minha capacidade de entendimento julgava possível. Se antes me tivessem falado das coisas que tenho lido e visto, afastar-me-ia a sete pés, acharia que a pessoa que assim falasse era demente, demoníaca, possuída. Odeio teorias da conspiração, odeio tudo o que me soe a rituais, a macacadas. Não sou capaz de ler livros ou ver filmes de horror.

E, no entanto, o que as imagens contidas nos ficheiros já disponibilizados e os testemunhos e os mails e os relatórios mostram vai para além de tudo o que eu julgaria possível. Diria que só uma mente doente, muito doente, poderia inventar tais absurdos. E, no entanto, ali está tudo. Aconteceu. Milhares e milhares de documentos comprovam-no.

E está tudo, há anos, nas mãos do FBI. 

E os criminosos, os sádicos, as indesculpáveis e malignas criaturas continuam à solta. Não foram levados à Justiça, não estão a pagar pelas inúmeras monstruosidades que levaram a cabo.

Porquê? Porquê, caraças? Porquê?

Sofro pelos horrores que aquelas crianças sofreram. Aparentemente várias foram torturadas até à morte. Não pode haver perdão para coisas tão horríveis.

Todos os que participaram deveriam ser expostos, julgados, condenados, apodrecer na cadeia.

Epstein Files -- As vítimas foram BRUTALIZADAS

O diário de uma vítima autista de Epstein, de 16 anos, alega que o poderoso financeiro Leon Black a brutalizou. Cenk Uygur e Ana Kasparian discutem o assunto no The Young Turks.


sexta-feira, fevereiro 06, 2026

E hoje uma coisa completamente diferente

 

Não vou falar das árvores que nos caíram, o que tanto desgosto me dá, não vou falar da preocupação, essa sim baseada em dramas de outra dimensão -- por tantas pessoas terem ficado sem casa, tantas empresas terrivelmente danificadas, tantas pessoas ainda sem eletricidade e sem água canalizada, tantas estradas colapsadas, tantas árvores arrasadas, tantas casas completamente alagadas com prejuízos incalculáveis -- nem vou falar de guerras, de escândalos, da miséria moral de tanta gente que deveria ter um comportamento exemplar e que, afinal, como os ficheiros Epstein tão cruamente revelam, são sórdidos, cruéis. Não vou falar de nada que me perturbe.

Poderia falar das presidenciais já que isso não me perturba. 

Não vou votar com entusiasmo, o Seguro nunca me pareceu um personagem inspirador, não me parece que motive alguém. Mas a alternativa é imprestável pelo que se o Ventura fosse a votos com um calhau eu votaria no calhau, se fosse a votos com um buraco negro eu votaria no buraco negro. Por isso, claro que vou votar no Seguro. É decisão tomada. Na primeira volta votei no Almirante e na segunda, obviamente, voto no Seguro (e, claro, que estou a conter-me para não o tratar por ToZé). Esteja frio, chuva ou ventania, claro que vou sair de casa e vou votar. Portanto, isso nem sequer já é tema.

Mas também não é das presidenciais que vou falar.

Vou falar de uma coisa completamente diferente. 

Vou falar de cães. Quando comecei este blog, estava eu ainda no período de luto pela nossa doce cãzinha, a boxer mais querida e mais amiga do mundo, que nos enchia o coração de amor. Toda a família se derretia com ela.

Tal o desgosto com a sua partida que tinha resolvido, em definitivo, não voltar a ter outro cão. Durante anos mantive-me firme. O meu marido também. Ele que tanto gosta de cães, estava também em luto profundo.

Mas, já aqui nesta casa, com os meninos todos a quererem um cão, de repente senti que o meu coração se abria. Enfrentando ainda a resistência do meu marido, fui abrindo caminho. Depois das peripécias para adoptar um cão abandonado e de termos constatado a maluquice que é aquilo, desistimos.

Até que fomos até a um monte alentejano ver um cão bebé, de um pastor. E foi amor à primeira vista. Peguei logo ao colo aquele pequeno tufo de pelo. E ele aninhou-se em mim. Adoptámo-nos instantaneamente. O meu marido enterneceu-se, rendeu-se.

Tornámo-nos inseparáveis.

É um cão temperamental, teimoso, vigoroso, territorial, possessivo, e excelente guardião. Mas meigo, amigo, muito brincalhão, inteligentíssimo. Não passamos sem ele e ele sem nós. 

E estou a falar nisto pois vi um vídeo que me comoveu. Já tinha visto vídeos com esta forma de adopção, em que são os cães que escolhem os seus futuros donos. Mas este é especial. 

Este cão de abrigo rejeitou todas as famílias... e então fez algo que partiu o coração de todos.

Durante oito meses, Max viu famílias passarem em frente ao seu canil. 

Grande demais. Energético demais. Não tem o tamanho ideal. 

Mas a verdade era mais simples: Max não estava à espera de uma família. Ele estava à espera de uma pessoa. Este vídeo conta a história real de um cão de abrigo que recusou todas as adoções, de um menino que teve que ir embora e da promessa que nenhum dos dois esqueceu. Às vezes, os cães entendem a lealdade melhor do que nós. E às vezes, as melhores coisas da vida valem a pena esperar.

AVISO: O vídeo foi feito com o auxílio de inteligência artificial, mas retrata uma situação que realmente aconteceu de uma forma emocionante.


Desejo-vos um bom sábado

Até tu Noam Chomsky, até tu...?

 

Já aqui o tenho referido: sou céptica por formação académica e talvez, até, por deformação profissional. Para mim, nada pode ser dado como certo até que possa ser objectivamente verificado. Só falo numa coisa se antes me tiver certificado que sei do que estou a falar. 

Agora que passamos o dia juntos, o meu marido refere muitas vezes que quando me interesso por uma coisa, me torno obsessiva. Mas não é obsessão e o que for não é de agora, é desde sempre.

Por isso, se vejo uma notícia, tento cruzá-la através de outras fontes. E, nas redes sociais, se vejo qualquer coisa que não tenho como validar, por mais extraordinária que seja e por mais que me impressione, não falo nela.

Por exemplo, nesta hecatombe que são os ficheiros Epstein (os que foram divulgados, apesar de, em significativa parte, conterem muitas componentes ocultadas) não me faço eco de coisas bárbaras e difíceis de aceitar como verdadeiras enquanto não as vejo referidas por diversas fontes que me parecem credíveis. De tudo o que circula sobre rituais satânicos, sacrifícios de crianças e coisas piores (se é que pode haver uma escala de horror em matérias tão devastadoramente cruéis) não falarei enquanto não tiver a certeza de que há veracidade nos testemunhos e nos documentos divulgados. E, mesmo nessa altura, terei que me encher de coragem pois a minha mente parece que se recusa a deter-se em horrores para além do que humanamente suportável. Mas há outros aspectos talvez até acessórios, pelo menos muito menos dolorosos, que me agrediram e que achei por bem não falar no assunto por achar que talvez fosse alguma coisa por validar. Parecia-me inacreditável. Isto é: não dava para acreditar. Aliás, tudo ali é assim: não dá para acreditar. Mas dizerem-me que o Noam Chomsky também era amigo de Epstein parecia-me até ridículo.

Mas, infelizmente, também é verdade. Os mails que escreveu ao amigo Epstein aí estão para o comprovar. Aconselhava Epstein. E, ao contrário de alguns que dizem que se relacionavam com ele antes de ele ter sido preso a primeira vez e, portanto, não sabiam do seu historial de pedofilia, aqui o que há são mails recentes e referem-se mesmo a como Epstein poderia reagir à censura social de que se sentia vítima. 

E se isto pode parecer inócuo face à miséria e à desgraça moral de todos quantos frequentavam as casas (e o rancho e a ilha e os aviões privados) de Epstein, a verdade é que me parece o cúmulo da degradação moral de uma certa elite (elite a nível económico ou financeiro, a nível académico, a nível político, a nível empresarial e, até, a nível intelectual) ter o Chomsky a ser amigo de Epstein. 

Muitas vezes referido como um exemplo de clarividência democrática, Noam Chomsky, para mim, reunia três características raras quando em simultâneo: lucidez crítica, coerência ética e compromisso permanente com o cidadão comum — mesmo quando isso o tornava profundamente incómodo. Sempre apreciei a forma como incansavelmente fez a apologia de que os cidadãos devem compreender os sistemas que os governam e sempre alertou para o facto de que a apatia política é cultivada deliberadamente, sendo que o poder sempre mostrou preferir populações desmobilizadas. Mas apreciava também a sua coerência: Chomsky sempre criticou todos os poderes, não apenas os adversários ideológicos, criticou os EUA quando era impopular fazê-lo e criticou regimes autoritários, mesmo quando isso desagradava à esquerda, e, além disso, recusou privilégios e cargos que lhe dessem conforto institucional.

E agora... afinal... era amigo de Epstein? Como...? Porquê...? Alguém me explica...?

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O e-mail de Noam Chomsky para Jeffrey Epstein vai deixá-lo doente

Noam Chomsky tranquilizou Jeffrey Epstein quando este enfrentava acusações de abuso e tráfico humano

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quarta-feira, fevereiro 04, 2026

O grande polvo russo

 

O tema está na ordem do dia e meio mundo tenta juntar as pontas. Mais do que um pedófilo, um traficante de crianças e um charmoso manipulador, Epstein era também um espião? Um agente da Mossad? Ou um agente ao serviço da Rússia? Ou de ambos? Ou também da CIA?

Ou era um agente especializado em Krompomat -- material comprometedor ou documentos incriminadores; expressão originária do russo (abreviação de komprometiruyushchy material), refere-se a informações, fotos ou documentos obtidos para chantagear, desacreditar ou manipular figuras públicas, políticos ou empresários -- que depois alguém, pessoas ou instituições, usariam quando conveniente?

Estarão agora os russos com meio mundo 'ocidental' na mão (políticos, empresários, investigadores -- americanos, europeus e mais uns quantos) bem como com planos de tudo e mais alguma coisa na mão?

Parece que sim. Uma extensão insólita, impensável.

E a verdade é que Alexander Dugin (ou Aleksandr Dugin), o estratega russo, o grande defensor da reconstrução imperial da sonhada Eurásia, já começou a querer recolher dividendos. E, claro, os burros do costume já começaram a divulgar as suas ideias. Já recebi um comentário, que obviamente não publiquei, remetendo para um artigo publicado no blog pró Rússia do costume com um artigo dessa criatura.

Aliás, há não muito tempo, Putin, ele mesmo, fez um comentário que na altura soou a ameaça mas que parecia algo encriptada. Agora percebe-se. E usou expressões que Alexander Dugin agora usa. Estava a avisar, portanto. Trump certamente compreendeu-o pois está a obedecer-lhe caninamente.

Parece que depois de financiarem Epstein e incentivarem a depravação dos ricos, poderosos e bem-pensantes 'ocidentais', depois de recolherem provas e de os terem na mão, os russos agora vêm saltar em cima e hipocritamente denunciar a podridão 'ocidental'.

Claro que existe essa podridão, claro que é uma podridão que enoja, que revolve as entranhas, claro que todos esses tarados, perversos e e nojentos merecem punição, uma punição severa, merecem repúdio absoluto, rejeição social incondicional -- mas são eles, eles e só eles, eles e os que os protegeram. Não é toda a sociedade ocidental. E a sociedade russa (e a israelita) têm tanta fruta podre como a ocidental. Não se pode julgar uma sociedade no seu todo pela fruta podre que há no cesto.

Portanto, caros Comentadores do costume não venham para aqui tentar divulgar a cartilha russa pois aqui não serão bem acolhidos. Já deveriam sabê-lo.

De resto, creio estarmos perante a maior e mais extraordinária operação de espionagem jamais urdida e jamais levada a cabo. Só falta mesmo vir a confirmar-se que Epstein está vivo.

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A título de exemplo:

Epstein estava 'efetivamente envolvido no crime organizado russo' | Christopher Steele

“Rastrearam as atividades e operações de Epstein até à década de 1970.”

O antigo chefe da divisão da Rússia do MI6, Christopher Steele, afirma que, na sua opinião, já na década de 1970, Epstein estava “efetivamente envolvido com o crime organizado russo”.

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Para fechar um dia de festejo aquariano, Jen conversa com Joanna e é um gosto ouvi-las a comentar a petite histoire que se esconde por detrás da História
(no caso, a História em tempo real)

 

Cheguei aqui com vontade de falar da canção incrível que um dos meninos compôs para surpreender o avô, e que até me comoveu. O destinatário, que não é de grandes arroubos, também ficou sensibilizado, Claro que quando digo que o menino compôs é uma forma de expressão. Uma forma de expressão um pouco assustadora, confesso. Ele fez a letra, uma letra certeira, divertida, amorosa. Mas, depois, recorreu à Inteligência Artificial para a música e a para a interpretação. A minha filha sugeriu que apelasse ao género Zeca Afonso. Ficou perfeito. Se não tivessem dito, julgaríamos que alguém tinha composto a música e alguém, pessoas de verdade, tinham tocado a música e cantado. Incrível.

[Qual o impacto que isto terá no futuro nem sei avaliar. Quando alguém quiser uma banda sonora para um filme ou para uma novela ou para o que for, imagine-se a diferença, a nível de orçamento...]

O restaurante tinha uma televisão gigante que os meninos pediram para pôr creio que na Sport TV. Por superstição (tema, aliás, abordado na letra da canção), o avô não viu. Mas sofreu, quando a ala benfiquista festejou, e animou-se quando a ala sportinguista festejou, em especial, no final do jogo em que um deles, justamente o autor da canção, soltou um grito digno de um verdadeiro leão.

Escuso de dizer que o jantar foi a animação e a festa de sempre. 

Depois de chegarmos a casa, recebemos uma outra canção, um dos outros meninos enviou uma outra canção, um verdadeiro hino benfiquista sobre o jogo do outro dia e sobre o golo do Turbin. E francamente é a mesma sensação: está incrível, parece que uma banda interpreta a sério uma canção feita de propósito para festejar o jogo do outro dia, jogo que ele e o pai viram, ao vivo, no Estádio da Luz. Claro que a letra é obra do inspirado menino mas o resto é obra da AI. Se ouvissem, podem crer que ficariam admirados.

Mas, se vinha para aqui conversar sobre isto, a verdade é que ao ligar o computador, a realidade impôs-se. E nem falo das consequências da Kristin e do que se teme com a subida das águas e com a chuva que não para. Falo agora das trumpalhadas que têm andado a infernizar a vida a meio mundo.

...   ...   ...   ...   ...

Não tenho dúvida que estamos a viver tempos que ficarão para a História. Tal como Mark Carney frisou no seu memorável discurso de Davos, este não é um momento de transição mas sim um momento de ruptura. Como uma falha tectónica que se acentua, de dia para dia, levando ao afastamento de umas placas e à aproximação de outras, assim as fissuras políticas que afastam os que antes eram aliados e que agora se comportam como adversários levando a inesperadas aproximações. E o que tomávamos por adquirido revela-se, de súbito, inexplicavelmente frágil. Os paradigmas caem ao mesmo ritmo a que se assiste a insólitas ameaças, a perigosos atentados à liberdade e à integridade dos cidadãos.

Se tudo isto se deve a uma demencial avalancha de decisões aleatórias, destinadas a desviar as atenções de crimes ainda mais graves, ou se isto tem por origem um caso extremo de narcisismo maligno e cruel ou se é apenas o caso de um velho demente que está a ser manipulado por forças 'poderosas', umas ideológicas outras meramente corruptas, não sei. Talvez seja uma mistura de tudo. Mas tudo vem em catadupa, uma permanente avalanche difícil de acompanhar. As televisões, os jornais, os podcasts chamam analistas políticos, historiadoras, comentadores de economia, finanças, geo-estratégia, psicólogos, médicos -- de tudo um pouco. As justificações dividem-se, multiplicam-se... mas conclusão que a todos convença isso nem pensar.

Se Joanna Coles é uma daquelas conversadoras que dá gosto acompanhar pois ri com espontaneidade, tem apartes oportunos ou divertidos, mostra uma curiosidade muito pessoal, não deixa escapar uma deixa, Jennifer Welch é uma das podcasters a quem meio mundo presta cada vez mais atenção. Sabe escolher os convidados, tem um sentido crítico apurado e uma acutilância que, em minha opinião, condiz com o seu fácies.

Nesta conversa (relembro que poderão escolher a opção da legendagem e, aí, na autotradução, escolher a língua portuguesa), elas conversam sobre grande parte dos temas da actualidade mas fazem-no de forma livre, com observações que não é por serem engraçadas que são menos relevantes.

Why Thin-Skinned Trump Is Just Like a Teenage Girl: Welch | The Daily Beast Podcast

Trump, tão sensível, é como uma adolescente

Jennifer Welch, do podcast de sucesso "I've Had It", junta-se a Joanna Coles enquanto as notícias se descontrolam completamente — da detenção de Don Lemon e do que Welch chama um caso de teste assustador para silenciar jornalistas independentes, à súbita enxurrada de arquivos de Epstein, às manobras jurídicas do Departamento de Justiça e à profunda vingança de Trump contra a imprensa, que dura há décadas. Welch disseca o mito da masculinidade no cerne do movimento MAGA, a adoração submissa ao homem forte que o sustenta e a cultura evangélica que ignora o abuso enquanto prega a autoridade moral. Ao longo do caminho, Welch liga a exploração, o ressentimento e a repressão num único sistema operativo que alimenta o trumpismo — e levanta a questão que paira sobre tudo isto: se esta é a fase de teste autoritário de Trump, o que virá a seguir quando as proteções finalmente cederem?


Desejo-vos uma boa semana