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sexta-feira, dezembro 13, 2024

Os 10 animais mais engraçados do ano -- para ajudar a digerir a Clara Ferreira Alves no Eixo do Mal

 

Mais uma vez estou a ver o Eixo do Mal. Como já deu para perceber, ver as actuações da Clara Ferreira Alves tiram-me do sério. É uma papagaia, fala de cor, empola o que diz para disfarçar a vacuidade do seu conhecimento. Cansa. Irrita. Vê os filmes todos ao contrário. Convenço-me até que não é apenas uma matraca falante e mal informada, que é mesmo pouco ou nada inteligente. E depois como fala sem pensar e sem saber do que fala, tão depressa diz uma coisa como o seu contrário.

O meu marido, de cada vez que ela fala, insurge-se e insulta-a à bruta, sempre a querer fazer zapping. E eu estou quase a fazer-lhe a vontade antes que a sujeita dê cabo da nossa saúde.

Neste momento está o Pedro Marques Lopes, muto bem, racionalmente, a desmontar a cegada que ela para ali esteve a armar. Aliás, está a dar-lhe uma rabecada das valentes. Se ela fosse inteligente (que não é), enfiava-se debaixo da mesa.

Não percebo porque é que a SIC contrata uma criatura como ela: alarmista, desbocada, fútil, mal informada. Praticamente tudo o que diz são tolices, ainda por cima mal fundamentada. Não deviam abrir-lhe um microfone à frente da boca pois dali não vem uma que se aproveite.

E o Luís Pedro Nunes, uma vez mais cavalgou a onda das bocas, e agora está a levar com a fúria não apenas do Pedro Marques Lopes mas também do Daniel Oliveira.

Mas quer o poupas quer a depenada têm uma característica: mal percebem que o que disseram não tem ponta por onde se pegue, ajeitam a conversa. Ela muito mais que ele, claro.

Por isso, para não me focar nem nela nem no vizinho do lado, desloco-me antes para um território mais divertido. 

Já no outro dia, a minha filha fotografou o nosso cabeludo mais fofo e enviou-nos a fotografia com um cheeeese como legenda.


E o que engraçado no nosso amicabeludo é que se faz à foto. Pedimos-lhe para se virar para nós e para esperar para o fotografarmos e ele, sempre tão teimoso e temperamental, neste caso aceita e olha para a câmara.

Hoje fomos ao centro comercial com ele. Adora. Mal sai do carro, puxa, puxa, todo feliz. Adora andar no meio da confusão. Mas, então, a graça de se cruzar com um também todo cabeludo mas que devia ser dez vezes mais pequeno que ele, branquinho, e com um casaquinho. O outro virou-se para o meu, todo entusiasmado. O meu virou-se curioso, olhou-o de alto a baixo e, imediatamente, virou-lhe as costas. Um desprezo olímpico. O outro ainda a querer festa e o meu a ignorá-lo em grande estilo.

Mas o que vos convido é a ver o vídeo abaixo onde se podem ver os 10 animais considerados com mais piada, no concurso The Comedy Wildlife Photography Awards.

The 10 funniest animal photos of the year | BBC Global

The Comedy Wildlife Photography Awards crowned the funniest animal photos of the year.


Uma boa sexta-feira!

sexta-feira, setembro 27, 2024

Uma pergunta: o Daniel Oliveira (o comentador, ex-BE) depilou o peito? A sério...? Porquê...?

 

Posso estar enganada mas tenho ideia que ele era peludo até dizer chega, que os pêlos lhe subiam do peito, pelo pescoço até à barba. Nada contra.

Pois, ontem, num debate qualquer, reparei que estava de camisa aberta e o peito lisinho, lisinho como um peitinho de bebé... 

Cá para mim, exclamei: 'What???? Também tu, Daniel...?!?!'. 

Juro, fez-me impressão.

Se calhar não aprecio extraordinariamente o tipo Toni Ramos, farto pêlo, em contínuo, de cabo a raso. Mas faz-me muita impressão um corpo de homem depilado. Faz-me lembrar um coelho esfolado, um bicho descaracterizado, não sei.... 

Agora se, por acaso, é confusão minha e ele sempre foi glabro de peito, daqui endereço as minhas desculpas.

De qualquer modo acho que esta questão devia ser esclarecida. Só espero que neste Eixo do Mal isto seja tirado a limpo.

sábado, dezembro 04, 2021

O Vice-Almirante foi ao castigo e, como não podia deixar de ser, o Daniel pô-lo com a lagriminha no canto do olho

 

Depois da Susana Pombo a falar da gripe das aves, só me faltava mesmo ver Gouveia e Melo a chorar em frente ao Daniel Oliveira. Não é possível, isto. Só emoções fortes. 

Mas, pergunta a minha insana curiosidade: o que é que ele ali foi fazer? Não sabe que, com aquele ali, quem ajoelha tem que rezar?

Não sei qual a sucessão de perguntas que pôs o homem naquele estado, de voz embargada, os olhos marejados, a tentar conter a indómita lágrima. Na volta, o senhor acabou a falar do dia mais difícil da sua vida, do bisavô de cuja falta ainda não se refez, do bullying de que foi alvo em pequeno, do excesso de peso que em tempos teve, da fome que passou antes de começar a dar vacinas, do estaladão que a madrinha lhe deu num dia de anos, da nostalgia da fraternidade no quartel, de quando pôs o joelho em terra para pedir a mulher em namoro, da emoção de quando nasceu o primeiro filho, de onde deixou ficar o coração ou, simplesmente, de que falam os seus olhos.

Não vou ver o programa todo porque não vejo televisão durante o dia e à noite tenho mais que fazer do que pôr a box a andar para trás. Por isso, tenho que me ficar pelo anúncio. O Vice que quase ia sendo não sei o quê nas Forças Armadas antes que as vizinhas e as comadres tivessem arranjado maneira de não, ali, a ser como é no Alta Definiçao. Garboso, de farda, a fazer o gostinho ao Daniel e às audiências. 

A mulherada adora ver um homem a chorar. Se bem que agora consta que tudo o que é homem e vai dar entrevistas (daquelas a que chama de vida) sejam ao Daniel, à Júlia ou ao Goucha desata a chorar. A lágrima masculina banalizada, mainstream, déjà-vu. Eu, se calha ver, sabendo que estão ali para isso, acho sempre que, para a coisa ficar mais composta, era aparecer alguém da produção a dar-lhes um lencinho de papel e a pôr-lhes uma chucha na boquinha.

Gosto de homens altos, de barba, bonitos, com classe e charme, sóbrios, vestidos de oficiais de marinha. Gosto. É uma coisa cá minha. Mas não sei se o Vice, um fulano que está para os jornalistas e comentadores das televisões como o Cesar Millan para os cães raivosos, tinha necessidade de se ir para ali pôr a jeito, prontinho para o justo correctivo.

Não sei. Acho que não havia necessidade.

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De qualquer maneira não sei se a sua presença no Alta Definição conseguirá superar a sua participação na reunião da task-force "Para Resolver os Problemas da Humanidade"


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E queiram descer caso vos apeteça ir arrulhar com a Susana Pombo

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Um bom e divertido sábado
Saúde. Sorte. Amor.

terça-feira, maio 17, 2016

Rodrigo Queiroz e Melo e Nilza de Sena versus Alexandra Leitão e Daniel Oliveira no Prós e Contras
- Ou seja, Ensino com Contrato de Associação versus Ensino Público



Passei por acaso pela RTP 1 e vejo uma senhora com carinha de bonequinha-pafinha, com lábios debruados a cor de betinha, a dizer, com ar grandiloquente, umas coisas muito arrebitadinhas. Vi-lhe o nome. Nilza de Sena. Pela conversa percebo que é PSD. Condiz. Se calhar é deputada na especialidade ensino privado.


Não sei quem é a Nilzinha, nunca tinha visto, não sei a que propósito apareceu ali. Talvez seja a única deputada do PSD que consegue dizer duas palavras de seguida e, agitando-as guturalmente, dar-lhes o ar de conversa articulada.

Depois vi um senhor com ar atarantado e cujo fácies não deixa lugar a muitas ilusões. Vejo que se chama Rodrigo Queiroz e Melo e que é director da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo. Procurava arranjar um argumentário como quem anda, de cabeça perdida, à pesca à linha e só lhe aparecem botas da tropa arrombadas. Quase tive pena do senhor. 


Do que aquelas duas almas disseram não se aproveitou uma mas, porque apelaram ao sentimento e ao lado mais primário da raça humana, arrancaram saraivadas de palmas à assistência.

Vi, então, a brava Alexandra Leitão, a Secretária de Estado do Ensino de quem já aqui falei com admiração. Segura, combativa, uma mulher de armas. Fico, de novo, rendida. Esta, sim, é uma mulher que qualquer governo gostaria de ter nas suas hostes. Inteligente, certeira, uma guerreira. Tudo o que ela diz faz sentido e, depois do ministério do C-rato, sabemos bem a bênção que isso é.


Também ali estava Daniel Oliveira. Habituado ao debate, facilmente meteu no chinelo os pobres do balcão da frente. Enquanto ele falava, o outro rodopiava mentalmente à sua frente e a nilzinha alvoroçava-se na ânsia de poder ripostar com ti-ti-tis.

Mas, uma vez mais, concluí como é difícil, perante a opinião pública, desmontar o discurso direitolas. É que aquilo é gente que nunca se ensaia nada de ser pouco escorreita na escolha de argumentos: vale tudo, sobretudo tirar olhos - e quanto mais sound bites, falácias matrafonas, populices que facilmente caiam na boca dos papagaios ou façam soltar lágrima às senhoras dos programas da Fátima Lopes, melhor. 

Regra geral, parece que a malta de esquerda é intelectualmente mais honesta: documenta-se, é séria na esgrima, é caridosa na aplicação de golpes, não vai aos golpes baixos, tenta não magoar os olhos dos adversários, estuda a lição, sabe aritmética, usa de um verbo mais elaborado -- ou seja, nem toda a gente consegue acompanhar.

E, assim sendo, tenho cá para mim que a gente de esquerda deveria receber um banho de marketing e comunicação para aprender a fazer passar a sua mensagem junto de quem não deve muito à inteligência, já que esse parece ser o nicho-alvo dos direitolas de quinta categoria que hoje gravitam em torno dos ex-PàFs.

Quanto ao tema em debate, se eu tivesse filhos em idade escolar, depois de ter visto aquela fraca ave queirozeana, aquele desagradável rodrigoto, só se não houvesse alternativa à superfície da terra é que eu os deixava nalgum colégio que estivesse sob influência daquele senhor cuja inteligência deu ideia que escorregar do tripé de cada vez que a enérgica Alexandra lhe abria os olhos. Que coisa.

E pronto. Não falo mais nisto que é um tema meio parvo.

Faz sentido para alguém financiar o ensino privado em lugares em que existe oferta pública? 

Caraças.
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E agora vou ver se adivinho qual a continuação da minha primeira noite de amor (salvo seja, claro). 

Se não a publicar ainda esta noite, talvez saia durante o dia, quiçá lá para a hora do almoço, que volta e meio me perco na escolha das imagens)

(Nota: Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

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Entretanto, a quem queira conhecer os hits de momento, as notícias fantásticas que inundam as capas das revistas e primeiras páginas da actualidade -- tragédias, cenas secretas, paixões, mulheres peitudas e maridos de mulheres com histórias clandestinas -- convido a descer até ao post já a seguir.

...... 

domingo, novembro 08, 2015

O problema de Clara Ferreira Alves não é ela ser anticomunista: é ser pedante, inconsistente e padecer de um insuportável e incontrolável narcisismo*


Depois de ter estado a falar do outono in heaven e de vos ter mostrado o que os meus olhos vêem e de, antes disso, ter falado da minha sexualidade (que eu acho que é uma e que um cientista agora anda para aí a dizer que é outra) já não estou com grande vontade de falar de assuntos irrelevantes como sejam, por exemplo, as manifestações exacerbadas da Clara Ferreira Alves.

Aliás, não fosse a preguicinha boa que se abateu sobre mim, já deveria ter lido o programa de governo do PS que, ao que ouvi, integra já os pontos de convergência com o BE e com o PCP. A ver se amanhã me encho de coragem e ponho de lado o Butcher's Crossing para ler o guião para os próximos quatro anos.

Mas, enquanto o não leio - e não tendo hoje visto muita televisão nem lido jornais (ah que bem me sinto desde que cortei com o vício do Expresso) - de pouco mais posso falar do que da verborreia da Clara Ferreira Alves que acabei de presenciar, uma vez mais, no Eixo do Mal.




Depois de ter visto o programa da SIC, fui à procura do artigo que lá foi referido e que a dita escreveu no Expresso, Anticomunista, obrigada! -- e o que lá li foi um excesso de razões, um excesso de petulância, um excesso de nostalgia. 

* Tinha ouvido o Daniel Oliveira, que (ao contrário de desatinado, como se mostra quando fala de Sócrates) esteve focado, objectivo, com uma maturidade democrática agradável de ouvir - e ele tinha falado em narcisismo. 
E, de facto, todo o artigo é um exercício de narcisismo: Clara Ferreira Alves vê o mundo como se se visse ao espelho. Julgando debruçar-se sobre a situação política do País, ela debruça-se, sim, sobre a sua própria imagem, ou seja, sobre as suas ideias acerca da situação do País.
  • Recorda a sua experiência universitária, a impressão que lhe ficou desses anos agitados em que, saído de um período de reverência anti-democrática, meio mundo acordou para a modernidade com a exuberância que essas descobertas por vezes trazem -- e julga que, quarenta anos e muita aprendizagem depois, Portugal é ainda o mesmo. 
  • Recorda o conservadorismo ortodoxo comunista dos tempos em que ostracizavam os homossexuais, os intelectuais mais fora de caixa -- e ignora que o PCP de hoje já se abriu à realidade (talvez não tanto quanto devia mas, caraças, se o está a fazer cada vez mais vamos festejar isso e não recordar episódios passados) e que tem no seu seio muita gente que respira l'air du temps e, em particular, muitos jovens de cabeça desempoeirada. 
  • Recorda a linhagem socialista original, imaculadamente republicana e maioritariamente maçon, e julga que o PS de hoje, com gente como António Costa, Fernando Medina, Carlos César, Pedro Nuno Santos, Ana Catarina Mendes, João Galamba, é ainda, tal e qual, o partido do pós 25 de Abril. Ou seja, recorda as lutas socialistas contra os exageros comunistas e julga que o tempo cristalizou em torno da Alameda soarista. 
  • Recorda as reacções de intelectuais argutos que, à época, não gostavam da linha dura e algo reaccionária e tacanha dos comunistas e julga que os intelectuais de hoje usariam as mesmas palavras para se referirem aos comunistas de hoje.

E, enlevada pela sua prolixa e empolgada argumentação, Clara Ferreira Alves, eleva-se aos píncaros onde coloca as suas referências políticas e intelectuais, e, julgando mostrar a sua superioridade, mais não faz do que, de facto, mostrar a sua incompreensão perante a situação política actual.

Isso é o que consta do seu extenso artigo que termina com estes cassândricos agouros:
O Partido Socialista meteu-se nesta querela sem ter trunfos na manga. Perdeu as eleições, e isso faz toda a diferença na potestade. O PS não tem sobre o PCP e o BE um direito potestativo. São eles que o têm, e exigirão a submissão. Não sei como sairá disto. Sei que das duas uma. Ou António Costa é um génio político e submete os parceiros à sua imponderável vontade ou caminhamos para a mais grave crise de regime depois do 25 de Abril. E, talvez, para o fim do regime saído do 25 de Abril.
E foi isso que também constou da sua intervenção no Eixo do Mal. Ela sabe tudo, ela sabe o que as doutas mentes que admira sabem, ela vê mais longe do que o comum dos mortais e, traçando a bissectriz a tantas linhas de conhecimento, decreta, do alto da sua arrogância, que 'isto não vai correr bem'.

Claro que eu, que até sou míope de natureza, não vejo tão longe. Mas o que a mim me parece é que a senhora doutora Clara Ferreira Alves não acompanhou o evoluir dos tempos e, em especial, não teve golpe de rins mental para acompanhar a reviravolta a que assistimos no último mês - uma verdadeira jogada de mestre de António Costa que soube interpretar os resultados eleitorais de uma forma inteligente (e até irreverente), democraticamente adulta e corajosa; e uma reviravolta igualmente inteligente (e moderna) por parte do PCP e do BE.

E agora, não tendo antevisto isto e não sabendo como lidar com este cenário, puxada para fora da sua zona de conforto, Clara Ferreira Alves mostra que perdeu o pé. E, como não é humilde, não é capaz de o confessar. E, então, resta-lhe agourar, imaginar desastres - as veias do pescoço todas alteradas, toda ela transtornada, assustada com o bicho mau que se esconde nesse futuro que aí vem, um futuro que não está a seguir o guião que ela anteviu.


No entanto, quando algum dos seus colegas de programa a confronta, logo tenta saltar do cavalinho abaixo e, no meio dos lugares comuns que esgrime como se esgrimisse grandes raciocínios, imediatamente começa a ensaiar uma inflexão de posição. Noto-a, cada vez mais, inconsistente, navegando com petulância e ar caprichoso sobre raciocínios que parecem sólidos mas que, facilmente, se revelam voláteis.

Esteve bem Daniel Oliveira ao defender a coligação de esquerda e ao desmontar as falácias que abundam nos argumentários corriqueiros, entre os quais os dela se encontram. Esteve bem, portanto, ao tentar apeá-la da sua arrogante postura. Esteve bem também quando, ex-comunista e ex-bloquista, elogiou a atitude do PCP e do BE. Referiu essa sua condição e isso só lhe fica bem, mostra que não renega o passado e que está virado para o futuro.
A realidade muda e as pessoas devem adaptar-se à realidade. Mas são também as pessoas capazes de mudar que são capazes de mudar a realidade. Se o PCP foi até agora um partido com comportamentos anquilosados e o BE um partido que ensinava a nadar mas não queria nunca atirar-se para a piscina ou fazer-se ao mar e ambos agora deram um salto no tempo e resolveram unir-se em torno de ideais comuns, então qual a lógica de os criticar e de ficar a repisar argumentos velhos e relhos, ultrapassados, gastos? Vamos mas é esperar que a esquerda se mantenha assim, unida, forte, pronta para tirar Portugal do atraso de vida em que tem tido os pés atolados.
Quanto à Clara Ferreira Alves o que eu me permito sugerir-lhe é que faça meditação, passeie à beira mar, descanse a cabecinha, se deixe estar caladinha durante algum tempo - em suma, que nos poupe aos seus excessos que, mais do que anticomunistas, são, sim, antimodernistas.

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E agora, caso queiram também descansar a vossa cabeça destes assuntos marafados, desçam, por favor, até ao campo: o outono in heaven está uma doçura dourada, boa, boa.
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terça-feira, outubro 27, 2015

José Sócrates, Luaty Beirão [A propósito da náusea demonstrada por Daniel Oliveira no Eixo do Mal e da censura do Embaixador Seixas da Costa no seu blog Duas ou Três Coisas]






Hoje, enquanto ia no carro à hora de almoço, ouvi Isabel do Carmo a falar da sua experiência de greve de fome. Em tempos, cumpriu 30 dias. Luaty Beirão já cumpriu 36 e, ao que hoje ouvi, começa a aproximar-se do ponto de não retorno. Explicou Isabel do Carmo que o corpo começa a formar açúcar a partir das gorduras dos próprios músculos mas que o cérebro, sendo um órgão bem preservado nestas situações limites, se mantém bem, lúcido. O soro mantém alguma hidratação mas, mesmo transportando alguns sais, não é suficiente, há um ponto em que os órgãos entram em falência. Contou que, a cada momento, a pessoa em greve se interroga sobre se 'eles' vão ceder, sobre se 'eles' a irão deixar morrer. Dizia ela que nenhum poder quer ficar com um morto na consciência pelo que é normal que acabem por ceder. 

Mas com Angola não se sabe e, além disso, há o drama da longa duração com que já vai o jejum de Luaty.

É admirável a coragem deste jovem que, tendo uma mulher que tanto o ama e uma filha pequena de que tanto lhe custa estar longe, coloca a sua vida em risco em luta contra um regime ditatorial que atenta tão grosseiramente contra os mais elementares direitos humanos, que atenta tão despudoradamente contra a liberdade de opinião dos seus concidadãos.

Faço votos que aquela gente de Angola perceba que se diminui aos olhos do mundo com actos prepotentes como o da prisão de Luaty e de todos os outros que, por motivos idênticos, se vêem privados da sua liberdade. Por vários motivos, Angola está a atravessar um mau momento e a última coisa que deveria querer era ser vista como um país atrasado, perecendo às mãos de um regime de tiranos.


O caso de Luaty Beirão não é igual ao de José Sócrates, claro que não. Luaty foi preso porque foi apanhado a ler um livro suspeito e porque era sabido que lutava (com a força das suas palavras) contra os métodos ditatoriais do governo angolano.


José Sócrates foi privado da sua liberdade por outros motivos - mas eu não os conheço pelo que não posso pronunciar-me sobre eles. Até há meia dúzia de dias José Sócrates também não os conhecia. 

O Correio da Manhã, a revista Sábado, o Jornal i e o Expresso, entre outros, enquanto o processo estava em segredo de justiça, iam, contudo, divulgando os motivos: que os investigadores achavam que o dinheiro do amigo era de Sócrates, que as casas do amigo eram de Sócrates, que a casa da ex-mulher de Sócrates era de Sócrates, que Sócrates tinha favorecido negócios em Angola, que não, que a coisa se tinha passado na Venezuela, que não, que afinal era em Vale de Lobo, que não, que era coisa da farmacêutica, que não, era coisa do Grupo Lena, que não, que era coisa com os direitos de transmissão de desafios de futebol - etc, etc, etc.

E, pasme-se, tudo isto se teria passado enquanto Sócrates era primeiro-ministro, trabalhando, como era sabido, de sol a sol, sempre com reuniões de trabalho, e enquanto a sua vida era passada a pente fino nomeadamente a propósito do outlet de Alcochete.


Como já o disse mil vezes, não faço a mínima ideia do que se passa ou passou na vida privada de Sócrates e pode ser que daqui por algum tempo passe a andar de queixo caído, de espanto, por se descobrir que afinal Sócrates tem uma gruta cheia de arcas transbordantes de jóias e pedras preciosas, que é dono de cem prédios nas avenidas mais caras de Lisboa, duzentos apartamentos em Paris, quinhentos flats em Nova Iorque, que tem, acostados na Riviera Francesa, seis veleiros e vinte iates, que aí num aeródromo qualquer tem uma dúzia de jactinhos e duas dúzias de helicópteros, que tem um armazém cheio de Ferraris, Bentleys, Porsches, Carochas de colecção e Bicos de Pato amarelos, e que, não contente com isso, para cúmulo, ainda tem 50 espanholas, 60 moldavas e 80 brasileiras por conta. Pode acontecer. Pode também acontecer que afinal haja outro, um gémeo que, com o seu acordo, se faz passar por ele para praticar toda a espécie de ilícitos. Tudo é possível. 
Nessa altura - e estando tudo isso provado e comprovado e que não restem aos tribunais dúvidas de que, apesar de tanta indecorosa riqueza, pagava IRS apenas sobre o salário mínimo e que todo o dinheiro que possuía tinha sido obtido por esticão, rebentamento de caixas multibanco, assalto a velhinhas ou suborno de construtores civis ou de agentes de futebolistas - então, aqui estarei para dizer que o filho da mãe me enganou bem enganada e, nem que fosse só por isso, devia ia pagar as favas bem pagas em Évora ou no Cu de Judas. 
Mas, volto a dizer, acharei bem que sofra as consequências se for julgado e condenado. 
Até lá, ele e todos os que não forem julgados e condenados, são inocentes. 
Claro que, não sendo eu uma santinha, até poderia franzir o nariz e pôr-me a querer fazer eu justiça pelas minhas próprias mãos (isto é, por exemplo, condenando-o aqui) se conhecesse a acusação e os indícios fossem tantos, tantos, tantos, e tão aparentemente irrefutáveis que, à luz da minha omnisciência, me parecesse que nem valia a pena julgá-lo, que se poderia fazer um short cut e passar já para a fase da guilhotina. Mas nem isso.

De resto e até prova em contrário, Luaty Beirão em Angola ou, cá em Portugal, José Sócrates, o Daniel Oliveira, o Luís Pedro Nunes, o Embaixador Seixas da Costa, a minha mãe ou você, meu Caro Leitor, são, aos meus olhos e perante a justiça, inocentes, digam lá o que disserem deles e de si. Bem podem o Correio da Manhã, a Felícia Cabrita, o João Miguel Tavares, amantes despeitadas, vizinhas invejosas, primas rancorosas, jornalistas ressabiados, meia dúzia de bloggers e uma dúzia de comentadores ou quem quer que seja dizer coisas ou insinuar 'cenas' que eu continuarei a achar que são inocentes. E, sendo inocentes, como inocentes devem ser tratados.



E vou criticar qualquer sistema judicial por prender durante quase um ano uma pessoa sem que se sinta na obrigação de lhe dizer porque o prendeu tal como vou criticar um outro sistema que prenda uma outra pessoa porque suspeita que essa pessoa quer derrubar um regime apresentando como índícios as palavras que profere ou o que lê. São faces distintas da mesma iniquidade, da mesma prepotência, da mesma injustiça. Condenáveis, de qualquer maneira.
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Lá em cima Zeca Afonso canta Alípio de Freitas. 
As imagens mostram trabalhos em gesso de Rachel Dein.

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Muito gostaria que visitassem o meu outro blog, o Ginjal e Lisboa, onde hoje vou pela mão de Mia Couto ao som de Dvořák

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Mais logo conto-vos quem vai ser quem no governo de Passos Coelho: tenho sabido de uns nomes que são de deixar qualquer um de boca aberta. Mal tenha tempo, já aqui vos digo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.

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segunda-feira, junho 08, 2015

Sobre o programa do PS e sobre o programa dos PAF logo falo um dia destes, está bem? Por enquanto, sei apenas que o programa do PS parece coisa feita com pés e cabeça e que o vice-irrevogável Portas diz que não sei o quê lá para as bandas dos PaFs está a bombar. E ainda sobre a extraordinária dupla comentadeira Mendes & Marcelo e, de raspão, também sobre o Bruno de Carvalho, o Marco Silva e, imagine-se!, o Daniel Oliveira.


No post abaixo mostrei-vos imagens de um momento belíssimo a que assisti esta tarde depois de um animado picnic em família. Mas estou um bocado arreliada porque o céu se encobriu e as fotografias ficaram pouco luminosas -- e logo estando eu a retratar Lisboa e o Tejo que são sempre tão cheios de cor e luz. Mas, enfim, a beleza esteve lá na mesma e os veleiros da Volvo Ocean Race são imponentes e de uma elegância que só vista, eu é que não os soube captar convenientemente.

Seja como for, isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. E, com vossa licença, vai ser conversa com mão pesada.

Com a ajuda da Capicua, se estiverem de acordo



Por diversas razões, durante este fim de semana, quase não vi televisão nem li jornais. O tempo não chega para tudo e há que fazer opções. Por isso, o pouco que sei resulta da leitura corrida e apressada do Expresso, de um ou outro noticiário apanhado de forma fragmentada, uma ou outra notícia que li com desinteresse nos jornais online, um ou outro comentário desgarrado.

Por exemplo, lembro-me que vi o Paulo Portas, histriónico como sempre (embora a fazer de conta que está a fazer um esforço para ser comedido), a invocar balelas para justificar que é neles que se deve votar. E, à falta de melhor argumentação, dizia que qualquer coisa estava a bombar. Não faço ideia do que possa ser. Talvez a falta de vergonha na cara, dele e dos outros PaFs.

Santa paciência para aturar tanta vacuidade. 

Agora, antes de escrever isto, fui espreitar o Programa Eleitoral do Partido Socialista bem como o documento preparatório, ou lá o que é, para o programa eleitoral da Coligação (airosamente designada por PaF, tal como acima já o referi).


Dado o adiantado da hora, a leitura que fiz foi em diagonal e, portanto, reservo a minha opinião para quando tiver feito uma análise mais circunstanciada. Mas, assim de súbito, o que acho é que comparar um e outro é como comparar o Género Humano com o Manuel Germano (Mário de Carvalho dixit a propósito de outros carnavais).

Também ouvi um excerto do comentário que o Marques Mendes teceu na SIC -- trocas e baldrocas, como de costume: que o Nóvoa fez mal em ter ido àquilo do PS, que o Nóvoa para aqui e para acolá. Tretas. 

Era o que faltava que o homem, se quer ser presidente de todos os portugueses, agora se armasse em esquisito e não aceitasse o convite para assistir de perto ao que o PS se propõe fazer se ganhar as eleições. Aquele pequeno Nóia, com aquelas conversetas de puto charila, fez-me lembrar um catraio a brincar aos quatro cantinhos ou às pedrinhas. 
Nada daquilo é para ser levado a sério e não percebo porque é que as televisões gastam dinheiro a pagar a estas criaturas que para ali estão a baralhar e dar de novo, conjecturando sobre as infantilidades que lhes ocorrem.

Também vi um bocado do Marcelo na TVI com a imaculada, de tão branca a vestimenta, Judite Sousa. 


Cada vez mais ridículo aquele homem. Agora aparece carregado de sacos com presentes, parece daquela turma do Preço Certo em que aparecem todos carregados de presentes para o Carlos Mendes. Assim está o Marcelo, com queijos e sei lá que mais que não sei quem envia para a Judite. Depois há a secção da propaganda de livros, em que vale tudo, toda a treta que lhe enviam ele ali publicita, misturando livros bons, com outros assim-assim ou com alguns que não lembram ao careca. E os comentários políticos estão ao mesmo nível, faz previsões como se fosse a taróloga Maria Helena, dá conselhos, avança com palpites e, se for necessário, no fim, faz propaganda a telenovelas ou programas de televisão.

Não se aproveita nada. 


Tirando isso, o tema continua a ser a cena do Jorge Jesus e do doido do Bruno de Carvalho -- e meio mundo invade as televisões para 'mandar bocas' sobre tão relevante tema. 



Até o Daniel Oliveira, no Eixo do Mal, estava quase a desvalorizar a forma aparentemente ignóbil como Bruno de Carvalho está a querer ver-se livre do treinador Marco Silva sem lhe pagar o que lhe é devido, com desculpas esfarrapadas e identicamente pueris. 


Dizia ele que o dito Marco ganhava bem, teria advogados para o defender, escusava ele, Daniel, de o defender. Aberrante esta posição: então a lei não tem que ser igual para todos? As pessoas parece que perdem o tino quando o assunto é a pestilência futebolística.

Resumindo e baralhando: não tenho nada a dizer sobre a actualidade quer, nuns assuntos, porque ainda não me sinto devidamente informada, quer, noutros, porque não encontro ponta por onde se pegue na maior parte dos temas que alastram pela comunicação social.

E, assim sendo, permitam que sacuda a poeira e que, a seguir, vá pregar para outra freguesia. Há mais marés que marinheiros e amanhã é outro dia e rebéubéu pardais ao ninho.


Fotografia de Alexander Yakovlev

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Usei algumas imagens do We Have Kaos in the Garden para ilustrar alguns dos artistas que proliferam na vida política portuguesa.

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Relembro que, já a seguir, poderão ver imagens da regata em frente a Lisboa da Volvo Ocean Race

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira. 
Façam de tudo para serem felizes, está bem? 
Riam, cantem, andem ao ar livre, namorem, sejam carinhosos, generosos, tolerantes, pacientes, etc, (excepto com a tropa fandanga dos PaFs que esses não merecem paciência e tolerância nenhuma, claro está)

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domingo, março 29, 2015

A Crónica H de Pedro Santos Guerreiro. O Eixo do Mal com sentida homenagem a Herberto Helder. As marcas em nós de um Poeta maior num dia de sol junto ao rio.





De repente, depois de uns dias frios em que as noites junto ao rio se apresentavam envoltas num vento cortante, eis que chegou o calor, o céu limpo, o rio espelhado ao pôr do sol. 

Há uma doçura no ar, a doçura que vem com a promessa da natureza a renascer, com a temperatura que trará a pele para o contacto do sol. As cores estão suaves, limpas, e as pessoas passeiam devagar, namoram ao sol, conversam olhando os barcos que passam.




E para lá fomos, portanto, e lá foram ter os que tinham ido buscar quem chegou do norte. Os meninos gostam de brincar, correm, escondem-se atrás das árvores, jogam à bola, atiram o disco. Hoje o disco foi para ao rio. Vimo-lo a afastar-se. Um deles disse: não faz mal, é só um prato.

Aquele a quem eu chamava ex-bebé e a quem já não poderei chamar isso, uma vez que está prestes a fazer quatro anos, um rapaz divertido e corajoso a quem os primos tratam por Kokokas, subiu ao pequeno farol, e, destemido, queria ir mesmo até lá acima, queria ver a luz. 




Não o deixámos, claro, mas, ainda acima, ficou perto da lua. Aliás, quando viu a lua a esboçar-se naquele céu tão limpo, ficou intrigado e disse que se calhar já ia ficar de noite.

Depois o sol começou a pôr-se, esfriou. A luz coalhou-se nas águas, os barquinhos pareciam querer ir para lá do horizonte, mergulhar no oceano que vai para o outro lado do mundo.




Dali seguimos para um lanche, uma mesa grande, e os dez em volta da mesa, sempre aquela animação, as crianças riem, nós rimo-nos a olhar para elas. Quando cheguei a casa, já anoitecia e estava frio.




Estive, então, a ler o Expresso e, para começar, folheei a revista, vi as fotografias de Herberto Helder, depois li os vários textos, senti a emoção de quem os escrevia deixando transparecer a admiração profunda por este poeta maior. 


Depois passei para o jornal principal e, como sempre, fui para a crónica de Pedro Santos Guerreiro. E, aí tenho que confessar, comovi-me. Não estava à espera, não falava de economia, bancos, crises financeiras, do mal do País. Não, Pedro Santos Guerreiro falava com o Poeta.  Chamou-lhe Crónica H.



Estou acordado. Fala-me de ti. Hoje não há espadas trespassando os cometas da semana, Herberto Helder morreu e eu vou escrever uma crónica. Não é um texto de opinião, não é um editorial, não é sequer uma coluna, são apenas quatro quartos de coluna, é uma crónica, é fogo daqui em diante, a saída de emergência é já aqui. Saia.

Fique.

(…)

Este texto é meu e não vim cá hoje para ver nem para ler, vim para estar. E ir. Afinal, isto é uma crónica e é a minha forma de expressar não o amor por ele mas o amor pelo amor que ele nos revelou. Herberto, o que quero eu? É apenas uma crónica, não preciso de vencer. Só quero dizer: Herberto é para ler todo e serve para ler tudo. E para nos vermos a nós depois dele, no nosso mundo depois daquele, que são o mesmo, mas nós diferentes.

Sim, estou acordado. Fala-me outra vez.


[A Crónica H completa, de Pedro Santos Guerreiro, pode ser vista aqui]



Também especialmente comovente a parte final do Eixo do Mal.

Clara Ferreira Alves, emocionada, mas solid as a rock, falou não tanto da obra, imensa na sua imensa beleza, mas sobretudo do homem, uma catedral, um homem grande neste tempo de homens pequenos. Contida, a voz arrancada palavra a palavra, disse palavras justas e marcantes sobre o pai do homem que, em sua frente, a escutava. Também contido embora comovido, Aurélio Gomes passou a palavra a Pedro Marques Lopes que, olhos marejados, voz emocionada, disse que apenas diria que era o poeta da vida dele e o pai de um grande amigo. Luís Pedro Nunes não quis falar e eu compreendi. Finalmente falou o filho. Daniel Oliveira disse que nunca tinha querido falar do pai e agora falava apenas para pedir que não façam agora ao pai aquilo que ele não quis em vida: dar o seu nome a uma rua ou praça, fazer um busto, coisas assim. Não o disse mas deve ter pensado que era a primeira vez que o pai não o estaria a ver como sempre costumava fazer. Mas sabemos lá nós se não o estaria mesmo a ver.





A seguir, emocionado, Aurélio Gomes passou Fernando Alves a dizer um poema de Herberto Helder, enquanto mostravam fotografias do poeta. No fim, estavam todos comovidos e eu também. Ninguém gosta de pensar que os poetas também precisam de descansar.


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O poema de Herberto Helder que Fernando Alves diz no vídeo do Cine Povero é As manhãs começam logo com a morte das mães.


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No post a seguir falo das Testemunhas de Darwin e de outras.

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Desejo-vos,meus Caros Leitores, um radioso dia de domingo.

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quinta-feira, julho 24, 2014

Ana Drago, Daniel Oliveira e pareceu-me que também Ricardo Paes Mamede chegam-se à frente e dizem que é preciso unir a esquerda e que, por isso, bora lá formar mais um Partido...? É isso? Percebi bem? E, se bem percebi, vão formar este Fórum, ou Manifesto ou Partido ou lá o que é e depois juntam-se ao Livre e, de braço dado, vão bater à porta do PS? Ou percebi mal? É que, se é isso, não seria mais fácil irem inscrever-se no PS? Ó esquerdinha mais destrambelhada sem qualquer tino na cabeça...


No post abaixo já falei das notícias da imprensa de mão, que dão conta de que o Coelho não se importa de deixar ir a Albuquerque para a Comissão Europeia. E não disse mas dei a entender: cantam bem mas não me embalam.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.



O barco vai de saída



(Fausto, no seu melhor)

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A direita é mais bronca, inculta, gentinha incompetente, pequenos conservadores ultramontanos, pacóvios e provincianos, tementes em relação à cultura e ao conhecimento. Dói só de a gente saber as burrices que dizem e fazem. 

Quando tomam conta da quinta, fazem leis que não lembram ao diabo, destratam quem podem, avacalham o que os rodeia, destroem tudo à sua passagem. Sem pruridos ou remorsos.

Ana Drago é inteligente, tem o verbo fácil, é fotogénica.

Mas... so what...? De concreto, o quê?

Os inteligentes de esquerda vêem isso e sentem genuína repulsa. Têm angústias literárias, exaltações quase místicas, epifanias criativas e, de todas as formas possíveis e imaginárias, parodiam, insultam, desprezam os mentecaptos dos direitolas.

Depois, cada um de per se quer parir a tirada mais iluminada, quer citar o intelectual mais cosmopolita, quer obter o reconhecimento deslumbrado dos seus pares, de facto, quer ser primus inter pares.

E, nessa ânsia narcísica, em que os princípios se querem os mais puros, as intenções as mais nobres, o despojamento o mais onírico, começam as divisões.

Enquanto a direita se une, a esquerda divide-se.

Portugal pode estar a ruir, as contas desequilibradas, a dívida a subir para níveis estratosféricos, os juros da dívida a sugarem toda a magra seiva que a frágil economia consegue produzir, podem os desempregados estar a deixar de receber subsídio e os excluídos a deixar de receber o subsídio de inserção, pode o país estar a tornar-se um país onde as desigualdades mais se cavam, e podem os professores ser humilhados e tratados como cães sem dono, e os cientistas ser desprezados como parasitas, podem os jovens sair em debandada, reproduzindo-se longe deste país pobre e envelhecido... que a esquerda continua a agir autisticamente, numa lógica que é essencialmente de estética política. 

Um por aí anda a tocar ferrinhos e a apelar à desunião dentro do próprio partido, outros a repetirem, no mesmo tom de voz, os mesmos slogans de há dezenas de anos que já ninguém escuta, e os da esquerda que se quereria arejada e moderna a brincarem aos partidinhos, juntando-se e desajuntando-se. Um filme que seria de risota se não tivesse a consequência de deixar o caminho livre à destruição que vem sendo levada a cabo - sem oposição.

Acho Ana Drago, Daniel Oliveira, Ricardo Paes Mamede ou Rui Tavares gente inteligente. E João Semedo ou Catarina Martins também. Ou Francisco Louçã, também. Inteligentes e boa gente.


Quantas vezes já vimos estas pessoas a formarem manifestos, partidos, tendências?

Falam, falam, falam... e não fazem nada...


Mas, lá está, falta-lhes qualquer coisa. Falta-lhes um suplemento de quelque chose. Falta-lhes uma cola agregadora. Falta-lhes alegria e força intrínsecas. Miguel Portas tinha tudo isso e tinha, ainda por cima, carradas de charme. Ora nenhum destes tem isso porque isso não se herda, isso ou está nos genes ou, azarinho, não está.

Se ainda não perceberam que, para além de tudo o que é genético e de todos os puros ideais, têm que ter os pés assentes na terra, têm que ter um mínimo de pragmatismo e que, se querem chegar-se ao poder e aliar-se ao PS, então devem ter sentido prático e, de facto, juntarem-se ao PS - ou, então, vão andar o resto a vida a fragmentar os partidos por onde passam, depois a formar outros, depois a provocar cisões, depois a voltarem a juntar-se noutros, uma brincadeira inconsequente e ridícula. 

Fazem-me lembrar as bolinhas de mercúrio quando se partia um termómetro do antigamente. Têm muita pressa de fazer qualquer coisa, juntam-se a outras bolinhas, depois as bolinhas dividem-se em duas e depois voltam a juntar-se a outras bolinhas; mas tanta dança de bolinhas não passa disso mesmo: de uma dança de bolinhas.


Pressa. Muita pressa. Foi neste ritmo que Daniel Oliveira abriu esta quarta-feira ao final da tarde a sessão organizada pela Fórum Manifesto para “Uma governação decente”. Do lado oposto da mesa, mas em sintonia perfeita, na pertença à associação política, mas também na escolha dos verbos e adjectivos, estava Ana Drago, igualmente ex-dirigente do BE.

(...)

Duas certezas para já: vai nascer uma plataforma política e eleitoral que se baterá por ir a votos já nas legislativas de 2015. E que entende que é “suicidário” excluir o PS. Um partido? Aderem ao Livre? “Vamos ver como é possível organizar esse esforço. É muito cedo para ver a forma institucional”, disse Ana Drago.


Por um lado dizem que têm pressa mas, ao mesmo tempo, que ainda é cedo. Em que ficamos? Em lado nenhum, claro.

Há pouco ouvi o Rui Tavares na televisão. A mesma lenga-lenga intelectualizada, bem articulada. Mas, senhores, falta-lhes garra, sentido prático, experiência de vida, capacidade para deitarem mãos ao trabalho.

Se nem conseguem unir-se entre eles, meia dúzia de gatos pingados, como pensam conseguir algum dia mobilizar um país? 

Sabem o que me ocorre perante tudo isto? Que, por este caminho, e se, ainda por cima, os amigos do Seguro o conseguirem aguentar lá, o Passos Coelho e o vice-irrevogável Portas nem precisam de se ralar com as próximas eleições. Têm, de facto, muita sorte: governam um país manso e ainda por cima têm passarinhos destes na oposição... 

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E, a propósito do Passos, queiram, por favor, descer até ao post seguinte.

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terça-feira, dezembro 17, 2013

Manifesto 3D (do Daniel Oliveira, Carvalho da Silva, Ricardo Araújo Pereira, Isabel do Carmo e outros), Partido Livre (do Rui Tavares), MPT (talvez com o Marinho Pinto), e BE, CDU, PS e os mais que se lembrarem de aparecer para pulverizar completamente a esquerda: um festim para os nossos queridos da coligação CDS & PSD. Os da direita não costumam ser muito inteligentes mas são espertos. Em contrapartida, aos da esquerda, que se acham muito inteligentes, falta-lhes esperteza. A continuar assim, isto não vai correr bem.





Eu não me revejo no PCP onde há gente honorabilíssima mas onde subsistem hábitos controleiros e uma atitute tendencialmente conservadora e sectária, nem no BE onde há uma leviandade intrínseca e uma não objectividade nos momentos críticos, nem sequer no actual PS. Posso concordar com algumas coisas de cada um destes partidos, posso ter maior sintonia com o PS (apesar de não haver empatia entre mim e a actual direcção do PS), mas a verdade, verdadinha, é que acho que esta gente deveria ir toda tomar banho, mudar de pele, repensar a sua vida, pregar para bem longe, para Marte, por exemplo, chatear outros, pentear macacos, qualquer coisa. O mundo mudou e os partidos não. As concelhias, distritais, as juventudes partidárias, tudo isso me parece velho e relho, anquilosado, castrador, coisa a tresandar a naftalina, uma gente que vive para se preservar, alheada do que se passa de novo no mundo.

Claro que o exemplo acabado dos compadrios, do regabofe primário, da incultura mais básica se pode encontrar no PSD. O CDS é outra coisa, o CDS é um grupo de equívocos, uma banda de garagem atrás de um vocalista histriónico e que, qual eucalipto, seca tudo à sua volta. O CDS actual, como é maioritamente constituído por gente sem grandes escrúpulos, monta-se em cima de quem estiver no poder. O eleitorado vai provavelmente dar-lhes um valente chega para lá a menos que se apresentem coligados, o que camuflará um bocado a origem do desastre. De qualquer forma, entre uns e outros venha o diabo e escolha.

Quando agora forem as eleições ponho, pois, de parte o PSD e o CDS, depois ponho também de parte o PCP e o BE e fico muito na dúvida quanto ao PS embora o PS costume ter grandes deputados europeus.

Mas a verdade é que o PS do Totozé Seguro me incomoda. Não é um partido mobilizador, inspirador. Nem um pouco. Parece mais do mesmo. Uma seca. É gente que gosta de empatar no meio campo (e até parece que percebo de futebol) e que tem a maior dificuldade em mobilizar-se para rematar à baliza. Enrolam-se, titubeiam, hesitam, vacilam, uns tarantantam que me dão nervos. Dá-me vontade que apanhem um susto para ver se esta mole espapaçada sai de cena para que as águas deixem de parecer um pântano, para que tenhamos águas límpidas. 

E até quase que sou levada a crer que talvez o regime esteja a precisar de uma fractura para se reorganizar mas, ó senhores, faz sentido aparecerem manifestos e movimentos e novos partidos como se fossem cogumelos?

Vozes lúcidas, bem intencionadas, gente de boa vontade... mas todos divididos...?! Acharão que, assim, vão a algum lado? Umas pombinhas da catrina, lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar. Ingénuas, bem intencionadas, umas pombinhas prontas para serem imoladas.

Não percebem que com esta divisão da esquerda, os chico-espertos da coligação PSD+CDS esfregam as manápulas de contentamento?

Não faria sentido que esta gente de bem se organizasse num único movimento e, tendo expressão, se juntassem em coligação com o PS?

Não faria sentido que, por uma vez na vida, fossem pragmáticos e pensassem em rematar à baliza de vez?

Sorte macaca.

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Bruno Maçães, o Alemão, segundo a imprensa grega ('oh no...', reagiu ele no Twitter); ou o tonto ou a luminária segundo Constança Cunha e Sá na TVI 24; ou o imberbe fanático segundo Daniel Oliveira.



Bruno Maçães, aqui armado em macho man.
(Fotografia obtida no Expresso - fotografia essa que, conforme lá se pode ler, foi divulgada pelo próprio na sua página do twitter )


(Fotografia obtida no site do Governo)
Logo que tomou posse me interroguei aqui se a escolha de tal personagem para Secretário de Estado dos Assuntos Europeus seria piada. 

Há casos em que a intuição não falha. Uma anedota parecia estar a preparar-se.

E a anedota aí está, à vista do mundo.

José Sócrates divulgou o caso no domingo na RTP: numa reunião na Grécia, Bruno Maçães armou-se em Lili Caneças, uma finesse acima da carne seca, deu um chega para lá nos países do sul e foi mais alemão que os alemães no ataque cerrado aos interesses dos países que têm vindo a ser prejudicados neste processo de ajustamento. De tal forma foi que os jornais se referiram a ele como 'o alemão' - e não foi por ele ser alto, espadaúdo, louro e de olhos azuis.


Ouvi e não me espantei: que outra coisa seria de esperar...?

Nestes últimos dias não se tem falado noutra coisa pelo que não é por ser tema novo que aqui o trago. 

Apenas o faço porque quero que aqui, no Um Jeito Manso, fique registada mais esta aventura dos colaboradores de Passos Coelho. E, em vez de me pôr a repetir o muito que se tem dito, permitam que vos recomende o artigo de Daniel Oliveira no Expresso: Os imberbes fanáticos de Passos Coelho.


Para os que não queiram ler o artigo todo, transcrevo alguns pontos:

"Bruno Maçães (...) escreveu no Expresso Online, no Diário Económico e num blogue de direita. Justiça lhe seja feita: nunca escondeu a sua alma radical. Fã de Sara Palin - que "representa o melhor da democracia americana"  -, recebeu a troika e a austeridade de braços abertos. (...) Não deixa de ser assustador pensar que alguém que espera que uma intervenção externa no seu país "seja para durar" venha a ser um dos principais assessores políticos do primeiro-ministro desse mesmo país? 


(...)

Como não falta sentido de missão ao jovem assessor, resolveu oferecer o seu "génio político"  a um país tão carente de neurónios e assim contribuir para erradicação do flagelo da estupidez nacional, atenuando o incómodo que tantas vezes o assaltou: "há alturas em que me convenço que as pessoas à minha volta não são particularmente brilhantes" 

(...)
Como já tinha dito em Portugal, Maçães reafirmou que não vê grandes vantagens em alianças entre Portugal e a Grécia, Espanha, Itália ou até França.
(...)

É natural que, por essa Europa fora, esta imberbe pandilha cause admiração e espanto. Como se pôs um país que está a viver uma das piores crises da sua longa história nas mãos destes aprendizes?"



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Sobre a privatização dos CTT que leva a propriedade de mais de metade da empresa para fora do País, o que deixou os Secretários de Estado todos contentes (a sério...!) falo no post já a seguir. De passagem, falo também de Marques Mendes, essa criaturinha que por aí anda a espalhar uma coisa e o seu contrário, e falo dos juros da dívida da maravilhosa operação de troca da dívida.

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(A ver se ainda cá volto com mais um episódio da história da Leonor.
Hoje se calhar não vou responder aos comentários para ver se tenho tempo para a história. )