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sábado, janeiro 06, 2018

O omnipresente, o ubíquo... o presidente Marcelo!
[...ou será o seu duplo, Tony Garcia, o polícia de trânsito...?]


Do Paulo, a quem muito agradeço, recebo saboroso mail do qual me permito extrair o que abaixo transcrevo:
Boa noite,
Tenho lido os posts em que refere a hiperactividade mediática do presidente. Concordo em absoluto.
Hoje, num momento de descontracção com uns amigos, alguém descobriu esta pérola da música pimba. Não sei se é sintoma de overdose de Prof Marcelo (que se manifesta nesta omnipresença, mesmo onde não seria expectável), se é a prova de que esta omnipresença e ubiquidade é fruto das centenas de duplos que para ele trabalham (teoria que desenvolvemos no nosso grupo de amigos) ou se realmente o senhor também tinha uma reforma parca em recursos financeiros, como o antigo casal que ocupava a casa, e tem uma carreira musical obscura, para ganhar uns trocos.
Mas... inclusive com este fardamento... fico realmente na dúvida se não será o omnipresente, o ubíquo... o presidente:


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quarta-feira, novembro 04, 2015

Havia de ter graça que, depois disto tudo, o PCP e o BE resolvessem armar-se, outra vez, em partidos de faz de conta e o grupelho dos PàFientos e dos Calvões continuasse por aí a escaqueirar o País. Olhem: pior que isso, só mesmo uma sopa de clítoris. Ui...


Bem. Depois de. ensonada, ter escrito dois postezecos levezinhos, um autobiográfico e outro com a sessão fotográfica de um brincalhão pseudo-nataleiro, estava para ir pregar para outra freguesia quando, ao espreitar os jornais online, dou com umas notícias que fizeram faísca entre elas.


Mas, com vossa licença, vamos com a Rosinha e com uma música alusiva aos tempos de crise que atravessamos


Avancemos, então, para as notícias. Transcrevo:



Sem acordo à esquerda PS recusa moção de rejeição


Carlos César reitera que os socialistas não pretendem contribuir para a queda do Governo, caso não haja uma “alternativa responsável e estável” com o BE e o PCP. (...)


O presidente do Grupo Parlamentar insistiu neste ponto: "Não votaremos nem apresentaremos nenhuma moção de rejeição se não tivermos em simultâneo a garantia que temos uma alternativa acordada e consolidada com os restantes partidos políticos".


....

Pensei: manobra de diversão para consumo dos papagaios-avençados ou para entreter os jornalistas. Mas eis que leio o Mestre Ferreira Fernandes e percebo que a palermice pode mesmo andar no ar.
Quero crer que não, que as esquerdas não iam prestar-se ao papelão de parecerem irresponsáveis e parvinhas. Mas nunca fiando (que uma coisa já eu aprendi: nunca devemos subestimar a estupidez humana). 
Transcrevo:

Vão os semideputados deputar, enfim?


Temos tido, há muito, um grupo de deputados semiaproveitados. Não que alguém os obrigue. Eles próprios, comunistas e bloquistas, é que se trancaram na semirresponsabilidade. Aquele parlamento, para eles, não era bem o deles. Isto é, eles entravam lá como os outros deputados mas tinham um trauma de infância política: não tinham subido a escadaria de São Bento como quem toma o Palácio de Inverno. Na verdade, a quase totalidade dos semideputados (não digo todos porque pode sempre haver um tolinho) sabia que aquilo de 1917 já está fora do prazo há muito. Mas como também era o trauma que lhes dava alguma graça, deixavam-se estar... Então, o grupo de 20 ou 35 semideputados semideputava e mantinha reféns o quase milhão de portugueses que inocentemente pensava tê-los a deputar a tempo inteiro. 

Aconteceu, porém e entretanto, uma revolução a sério: porque os semideputados não queriam ser parte duma alternativa, o outro lado pôde desgovernar a toda a brida nos últimos anos. Com o 4 de outubro passado, e a direita outra vez à frente, embora sem maioria, a situação arriscava--se a repetir. O facto deu um sobressalto aos semideputados e pareceu que eles iam ser deputados. Vão? Se fossem materialistas como dizem, sim. O que tem de ser tem muita força. O problema é que com tanto ano a fazer de semi, fica-se menor. É capaz de haver quem de política só faça continhas: nas próximas eleições fica à frente o PC ou o Bloco?
....

E depois de ter lido que a camarilha pafiana já bateu no fundo -- com os ministros precários e pafiosos, em desespero de causa, completamente à nora, para conseguirem alivanhar uma espécie de programa de desgoverno, a serem instados pelas chefias a inspirarem-se no programa do PS -- fico a pensar que havia de ter graça, mas graça mesmo a sério, que Portugal acordasse um dia destes e percebesse que os comunistas e bloquistas tinham tido uma crise infantil de auto-afirmação e que esta coisa da relação entre o PS e as forças de esquerda não tinha passado afinal de um coitus interruptus. Havia mesmo de ter graça.

Bem. 
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E, por falar em graça, depois disto só mesmo esta: desde 1981, o clítoris é uma das estrelas da gastronomia local.


Até me encolhi quando li isto. Credo! Onde?!?! Foge!!!!

Li melhor: 


Perdido na tradução: Tradutor da Google anuncia festival do clítoris



(A Feira do Grelo) É um festival para promover o papel dos grelos na culinária tradicional da Galiza mas durante algumas semanas foi o festival do clítoris. "O clítoris é um dos pratos principais da cozinha galega", podia ler-se na página do concelho de As Pontes, graças a uma confusão do tradutor automático do Google.


A página, escrita em galego, tinha uma versão em castelhano traduzida automaticamente pelo Google. 

A confusão surgiu, segundo a porta-voz do concelho, por causa do significado da palavra em calão português. O tradutor terá confundido o galego com o português e preferido a acepção em calão à botânica.



Uffff.... Antes erro de tradução do que ser mesmo verdade. Nunca mais comia cozido galego! Nem cozido nem sopa nenhuma! Nem petisco! Aliás, nem nunca mais punha os pés na Galiza.

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Pronto. E, agora que já juntei a política à gastronomia, temperando o post com o picante da Rosinha (e isto para evitar trocadilhos vulgares como o do 'grelo da Rosinha'), é que vou mesmo pregar para outra freguesia.

Permitam que relembre: caso queiram saber dos meus hábitos (secretos) desçam até ao post já a seguir.
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sexta-feira, agosto 21, 2015

O dia em que o pénis pediu um aumento


A pedido de uma pessoa que me disse que gostava que eu hoje colocasse aqui uma coisa divertida, aqui deixo uma história em língua inglesa que Leitor, a quem agradeço, me enviou dizendo-me que era um bocado forte mas que, enfim, em inglês sempre disfarçava.

Ora bem, acho que é divertida qb e que, em português é que a gente se entende.

Portanto, cá vai - e quem achar que isto é impróprio para conversa de salão que, pois então, me desculpe e passe à frente que, quando acabar isto, logo vejo sobre que tema mais adequado a meninas bem comportadas me hei-de debruçar.
....


Cara Senhora Administradora,

Eu, o Pénis, venho por esta via solicitar um aumento no meu salário pelas seguintes razões:
  • Pratico trabalho físico
  • Trabalho a grande profundidade
  • Mergulho de cabeça em tudo o que me meto
  • Não folgo ao fim de semana nem nas férias
  • Trabalho num ambiente húmido
  • Trabalho num lugar escuro e pouco ventilado
  • Trabalho em altas temperaturas
  • O meu trabalho expõe-me a doenças contagiosas.
Sinceramente,

P. Nis
<<<>>>

Resposta da patroa do pénis

Caro Pénis,

Depois de analisar a sua solicitação e considerando aos argumentos que levantou, a administração rejeita o seu pedido com base nas seguintes razões:
  • Você não trabalha 8 horas de seguida
  • Você deixa-se dormir depois de breves períodos de trabalho
  • Nem sempre obedece às ordens da equipa de gestão. Não se mantém na área de trabalho que lhe foi destinada e é visto frequentemente visitando outros lugares
  •  Não toma a iniciativa - tem que ser pressionado e estimulado para começar a trabalhar
  • Deixa o seu lugar de trabalho bastante bagunçado no fim do seu turno
  • Nem sempre segue as regras de segurança como, por exemplo, usar vestuário de protecção
  • Pelo andar da carruagem, acho que vai querer reformar-se ainda antes de fazer 65 anos
  • Você é incapaz de fazer dois turnos de seguida
  •  Ás vezes abandona o local de trabalho antes de ter desempenhado a tarefa que era suposto
  • E, como se isto tudo não fosse suficiente, tem sido visto a entrar e a sair do local de trabalho transportando dois sacos de aspecto muito suspeito.
Sinceramente,

V. Gina



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Alerta

A canção que se segue, o Pito Mau do Quim Barreiros, parece-me uma canção inocente, bucólica, retratando a vida no campo. Mas, seja como for, aqui deixo o alerta: talvez seja prudente passarem à frente não vá eu ter percebido mal a coisa e, afinal, isto não ser sobre piu-pius e produtos hortícolas..

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Até já.

segunda-feira, março 23, 2015

Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, os comentadores pimba






Não sei porque os vejo. O meu marido insurge-se, 'vou tirar este gajo daqui', mas eu insisto, quero sempre ver o que dizem estas pessoas que têm mais de um milhão de pessoas a vê-las, quero sempre ver até onde são capazes de ir.

Manipuladores, macacos de rabos pelados, fazem de conta que são isentos, conduzem a conversa de forma a estabelecer empatia e, depois, pelo meio, lá vão ardilosamente levando a água ao seu moinho.

No sábado, foi aquele Marques Mendes que tem uma habilidade de se lhe tirar o chapéu. Volta e meia aparece ligado a coisas pouco abonatórias mas, na maior limpeza, aproveita o púlpito para as sacudir de cima, e aí vai ele, ladino, sorrisinho laroca, a fazer de conta que não é de cá, e lança um veneninho aqui, insinua uma coiseca ali, ensaia uma mordidela acolá. Enquanto o ouve, a Maria João Ruela sorri com ar derretido. Não sei que raio de programas são estes.


Ontem, no meio de gracinhas, sorrisinhos, lá espetou ele mais uma farpa envenenada. Começou por mostrar desdém por Ricardo Salgado - não há cão nem gato que agora, do alto da sua cobarde pesporrência, não se dê ao luxo de dar um pontapé no corpo caído por terra em que, aos poucos, Ricardo Salgado se vai tornando - e, logo de seguida, não resistiu a comparar Ricardo Salgado a José Sócrates. E sorriu, um sorrisinho alarve.

À noite espreitei os jornais on line, e já lá estava Marques Mendes: Sócrates e Ricardo Salgado são almas gémeas. 


Uma vergonha. Eu acredito que, tal a lavagem ao cérebro a que as pessoas são submetidas - Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem, um discurso moralista que se vende como justicialista, e tudo se mistura, os maus de um lado, os que querem viver à grande, os que não pedem desculpa, os que ainda bem que todos lhes caem em cima, e que apodreçam na prisão, e nós, os comentadores, os deputados, os juízes, os amorins, todos a cuspir-lhes em cima - que, se chega a um ponto em que já tudo parece normal, em que já parece razoável que se enlameiem todos, a mesma lama, o mesmo gozo alarve.

E não há um Provedor da Decência que impeça estas lavadeiras de roupa suja de por aí andarem a espalhar veneno.
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Hoje a mesma coisa: o meu marido não queria ouvir o Marcelo e eu, outra vez, 'mas deixa lá ver'. E, logo de início, a conversa mole do costume, as pessoas escrevem a pôr-lhe perguntas como se ele fosse aquela senhora do tarot ou o zandinga. E ele dá-se a todos os desfrutes. Seja sobre o que for, aí está o Marcelo a opinar, a fazer previsões. Hoje perguntavam-lhe ou foi o José Alberto Carvalho, já nem sei, sobre a reportagem da TVI que mostrava os dois senhores que vivem debaixo de uma ponte no Jamor. Vi a reportagem e de facto fiquei impressionada com a generosidade, coragem e dignidade daqueles dois amigos. Vi depois que se gerou uma onda de solidariedade em volta daqueles dois. Mas, ó senhores, como aqueles dois há mais mil e cada um tem a sua história, os seus motivos. Mas mal se vê uma coisa destas parece que logo se desperta a tentação generalizada de quase adoptar as pessoas quase como se fossem cães abandonados e como se todos os males do mundo estivessem naquelas específicas pessoas. E tanto é com estas pessoas como foi um cão maltratado ou um cão que era para ser abatido. 



Mas a isso já eu estou habituada. Agora ver o Professor Marcelo a dissertar sobre o assunto, a dizer que telefonou ao presidente da Câmara de Oeiras, o Vistas, e lhe perguntou se não dava para construir um casinhoto ilegal debaixo da ponte... Bolas. E digo bolas para não dizer um palavrão. Onde chega a demagogia, o populismo mais barato e miserável. Construir um casinhoto, ilegal, junto à água, debaixo da ponte? Ridículo, absurdo. Vá lá que o presidente lhe disse que não podia abrir esse precedente.


Mas fiquei chocada - para não dizer enojada - com aquela conversa, com ele ter a lata de telefonar a um presidente de Câmara a sugerir uma parvoíce daquelas.

Uma coisa é lutar pela dignidade de todos, pela defesa do direito ao respeito por parte de todos, pelo trabalho, pela assistência aos meus desfavorecidos. E assim, sim. Agora descer ao ponto de querer fazer barraquinhas debaixo das pontes para alojar os desabrigados da vida?

Um populismo, uma vergonha, uma pimpalhice descarada.

Provavelmente o milhão e tal de pessoas que o ouvia comoveu-se com os instintos caritativos desta demagógica criatura... E um dia destes ainda corremos o risco de termos este manipulador e fazedor de factos políticos, este populista, em Belém. Gaita para isto.

O que vale é que a minha filha me ligou nessa altura e, como sempre, o telefonema foi longo e, portanto, não vi mais nada. Quando acabou, perguntei ao meu marido que mais tinha dito o Marcelo, ao que ele respondeu que obviamente tinha logo mudado de canal. Fez bem.

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As imagens provêm de We Have Kaos in the Garden

A música só podia ser Desgarrada entre Quim Barreiros e Canário.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Neste País que está a ficar tão pimba, não sou eu, são as Bombocas que dizem que 'Eles são todos iguais'. O maravilhoso CV e as espectaculares aptidões de Miguel Relvas e Pedro Reis. E ainda o nosso imprudente Passos Coelho a pôr-se a jeito perante Cavaco Silva. Um dia destes o bicho vai pegar.


Acho que o vou escrever deve ter banda sonora. Por isso, meus amigos queiram, por favor, fazer play. Aos que estão no trabalho recomendo que baixem o som do computador para não ficarem com a reputação na lama.


Já está? Ok. Então vamos lá.


Quem aqui me costuma ler sabe que não morro de amores pelo Miguel Relvas. Aparece-nos amiúde casa dentro a falar de tudo e de mais alguma coisa, sempre com aquele ar de velha sabichona, de quem muito sabe.


Li no Expresso que a empresa da qual era administrador executivo até à altura em que veio para ministro, a Finertec, adquiriu 20% da Fominvest, a empresa na qual Pedro Passos Coelho era administrador (segundo constava, pela mão de Ângelo Correia) até vir para primeiro ministro. A operação visará atacar mercados como Angola e Brasil.

Nada de mais.

O que me espanta não é isso. O que me espanta é como é que o Miguel Relvas tinha tempo para exercer a sua função de gestor executivo numa empresa enquanto o víamos andar num permanente vaivém enquanto político activo?

Espanta-me isso em relação a ele e espanta-me em relação a todos os outros (o Miguel Frasquilho que é director do grupo BES e deputado, etc). Eu trabalho numa empresa - e trabalho o dia inteiro sem ter tempo para me ausentar para ir ali tratar de umas coisinhas. Como é que eles conseguem?

Ou será que estão nas empresas, não para trabalhar, mas apenas para garantirem os contactos que conseguem enquanto políticos? É mais isso, não é?

Mas detenhamo-nos agora no super-ministro Miguel Relvas - como é que conseguia ser deputado, presidente da Assembleia Municipal de Tomar, gestor de uma empresa privada e ainda ter tempo para andar pelas televisões a participar em debates? E como é que, no meio disto, ainda arranja tempo para as reuniões da Maçonaria? E, ainda mais espectacular, como é que, no meio disto tudo, ainda conseguiu tempo para tirar um curso superior (acabou o curso de Ciência Política e Relações Internacionais na Lusófona, em 2007) - vejam bem. 

Numa festa na Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria no Rio
com convidadas

Mas as proezas deste homem biónico não se ficam por aqui - em 2008 tornou-se Cidadão Honorário da Cidade do Rio de Janeiro. Presença frequente nas festas de sociedade, interlocutor em negócios, facilitador, dizem.

Na mesma festa com Paulo Elísio de Souza .... Agostinho Branquinho
agora funcionário do Nuno Vasconcellos na Ongoing,
 que também terá estado na festa
  
Como é que ele consegue - perguntarão alguns cépticos? Alguma coisa ficará para trás, digo eu.

Fui ler o CV do fantástico Miguel Relvas - uma vida inteira de servicinho partidário, desde tenra juventude. E daí partiu para estas acumulações com a gestão de uma empresa com interesses em África e Brasil.



E agora é nº2 do Governo, o mais importante, omnipresente, omnisciente, omnifalante.

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Outra coisa surpreendente que li no Expresso deste sábado. Depois de muito adiar, depois da AICEP (a importantíssima Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal que depende de Paulo Portas) estar sem direcção durante mais tempo do que devia, eis que finalmente se sabe quem vai chefiá-la: Pedro Reis, uma escolha pessoal de Passos Coelho.




Pedro Reis para além de amigo é referido como conselheiro de Passos Coelho e, a pedido deste, escreveu um livro, 'Voltar a crescer', no qual reuniu testemunhos de empresários e gestores. Nada de mais, certo?

Pois, se calhar não. Se calhar sou eu que gosto de me armar em difícil. Sou exigente, penso eu. 'Arma-se em esquisita' dirão alguns.

Mas é que o curriculum dele diz-me que depois de ter estado na Altamira (que faliu) e no Grupo Tubos, passou a dedicar-se à imagem e comunicação, detendo participação numa agência de comunicação, Imago, participação que mais tarde vendeu, passando a partner da Cunha Vaz & associados (outra agência de comunicação).




E é este o CV da pessoa que vai ter por missão promover a internacionalização da economia portuguesa, atrair investimento para o País e mais um monte de coisas que, diria eu, requereria a sólida experiência de alguém com provas dadas no comércio externo, um gestor de mão cheia, alguém com visão estratégica, com conhecimentos de história, com uma cultura vasta, com dotes políticos e diplomáticos. Diria eu.

<>

Começa a ser consensual que a única salvação possível para a Europa, para que não se afunde de vez, para que os países não entrem numa pantanosa insolvência da qual não se vê como poderiam sair, seria o BCE assumir-se como banco, adquirindo toda a dívida pública dos países, emitindo moeda, procedento a manobras monetárias (valorização ou desvalorização consoante as circunstâncias).

Podemos ler isso um pouco por todo o lado - e é isso que Cavaco Silva defende. É isso que ele diz nas entrevistas, nos encontros diplomáticos, aos jornalistas que o apanham na rua, no jardim ou onde calhar. E aí não o posso censurar. Nesta matéria concordo com ele (tomara que o soubesse dizer num inglês mais fluente e que tivesse um ar mais cosmoplita mas, enfim, isso é outra conversa).

No entanto há quem não o queira. Quem? Angela Merkel, claro. Se isso acontecer a Alemanha perde o seu protagonismo, a sua preponderância, a sua indisfarçável tentativa hegemónica. Angela Merkel e os seus seguidores, claro. E, de entre eles, quem é que aí anda defendendo que o BCE não deve emitir moeda, que isso iria favorecer a inflação e mais não sei o quê? O Pedrocas, claro. O PPC que nos saíu na rifa. Ou melhor, a fava que nos calhou em sorte.



Pois, conhecendo nós como conhecemos o nosso Presidente, sabemos que o Pedrocas se está a pôr a jeito.

Cavaco Silva anda numa ronda diplomática em que a principal mensagem é que o problema não é apenas de Portugal, que o problema é europeu e que a maneira de isto ir ao sítio é o BCE agir como banco central e... e o ex-Doce anda a dar entrevistas a dizer que isso é um disparate....?

Já com a história dos dois subsídios foi o que foi e agora está a desafiar Cavaco Silva desta linda maneira...? Parece que está a pedi-las.
Reparem no fácies do Presidente: de uma rigidez assustadora
Parece que quer estraçalhar a mãozinha do PPC, não é...?

Isto não vai acabar bem. Cá para mim Cavaco Silva já deve estar a ver como é que se vai livrar dele e não me custa imaginar a D. Maria, à noite, quando se vão deitar, a dizer-lhe, 'Ó filho, não te enerves. Também já sabias que ele era assim uma cabecinha fraca, a Manuela bem dizia. Mas deixa lá, qualquer dia corres com ele, acaba-se com isto. Não vês o que já aconteceu na Grécia e em Itália? Se achares que ele prejudica o interesse nacional, corres com ele e nomeias tu um que aches que percebe disto. Vá, anda-te lá deitar, filho, não te enerves.'




Pois.


Olhem, meus amigos, só desejo é que apesar desta pimbalhada toda, consigam ter uma semana com muita classe.

Divirtam-se, ao menos!