Estou agora a ouvir as notícias e sei que nada se passou. Mário Soares está internado e tomara que se ponha bom. Tirando isso, o que vejo na televisão são os teólogos do Benfica e os filósofos dos futebol a perorarem sobre o desafio Porto-Benfica. Neste momento em que escrevo, está o Jorge Jesus, o sujeito mais deslassado que tenho visto nos últimos tempos, deslassado como a maionese que talha, que perde consistência: é a voz que é esbambalhada (e eu não sei se é esbambalhada que se diz ou, antes, esbandalhada mas, seja como for, acho que me percebem), é a postura, é o inenarrável penteado. Jesus...!
Pouco convencida, espreito os jornais online... e nada. Estive um fim de semana sem conseguir ver televisão ou ver internet e nada aconteceu. Passos Coelho diz coisas a que já ninguém atribui qualquer crédito e eu já não consigo achar que valha a pena falar sobre o que ele diz. Acho que disse que a recessão está bem e que se recomenda porque, esperto como é, já estava à espera disso; leio ainda que aproveitou para corrigir «mitos» que circulam na sociedade portuguesa. Tretas. O valor do que ele diz é zero, bola.
As únicas coisas dignas de realce que leio, constam do Diário Digital e dão conta que Ellen Pompeo, a protagonista de «Anatomia de Grey», mostrou mais do que queria quando foi receber o prémio de melhor interpretação em série dramática nos People`s Choice Awards.
Parece que vai animada a discussão sobre se tinha cuecas ou não. Olho e acho discutível.
Fazem-se comparações com o acidente que sofreu Anne Hathaway quando foi à première dos Miseráveis. Aliás o google está cheio de apontamentos sobre a sua vagina. Pois, de facto: neste caso não há dúvidas.
O mais que se pode discutir, neste caso, para além da bizarria da vestimenta, é se estamos perante uma depilação à brasileira, integral ou alguma mais artística. De resto, não vejo razão para tanta especulação.
E, tirando este tema, parece que não perdi nada ao não ter visto nenhuma televisão durante este fim de semana.
Pela mesma razão, ontem também não consegui responder a comentários (e hoje, pedindo imensa desculpa, também o não vou conseguir fazer) e, pela mesmíssima razão, estou aqui com uma canseira em cima que não vos digo nada. Uma tareia, a que eu levei...
Agora a casa já está relativamente arrumada, a roupa de cama e de banho já está toda lavada. Mas ainda não descobri onde foi parar a caixinha que tenho aqui na sala onde guardo o algodão com o qual tiro o verniz com acetona. Desapareceu. Um banquinho pequenino que estava ao lado do sofá e sobre o qual o meu marido coloca o comando nos escassos instantes em que não está a fazer zapping também tinha desaparecido mas ele já o descobriu debaixo de uma secretária. Tenho aqui em cima da mesa uma tampa que não faço ideia a que caixa pertence e o meu marido perguntou-me onde pus uma mantinha azul e eu sei que há bocado lhe peguei mas não me lembro onde a deixei. Nestas alturas, tenho a cabeça de tal forma feita em água que não consigo puxar muito mais por ela.
Pois, já adivinharam: tive casa cheia durante o fim de semana. Como um deles estava constipado, congestionado, meteu vinda do médico cá a casa no sábado e, para terminar, o pai de dois dos pimentinhas caíu de um cavalo e partiu uma costela, o que levou a que tivéssemos que ir acompanhar a casa a mãe e os ditos pimentinhas já que o pai estava a ser observado no hospital, ou seja, como apenas viemos de lá depois de os deixar encaminhados, de pijama vestido, acabámos por apenas chegar a casa tarde e más horas. Agora o que estava atacado já estava uma maravilha e o irmão, em contrapartida, estava febril, pingando, cheio de tosse. Vamos ver é se não pegaram aos primos. De resto, está tudo bem.
De novo, pois, aqui em casa, o carrinho de supermercado onde se põem as peças soltas ainda aqui está no meio da sala pois é sabido que, ao longo dos próximos dias, irão aparecendo pequenas peças ou coisas indiferenciadas e que, à falta de melhor destino, ficam no carrinho.
E que mais vos posso dizer neste fim de semana sem notícias?
Bem, só se for que o bebé começou este fim de semana a comer papa e come que dá gosto. Fica à espera da próxima colherada, a olhar os movimentos da mãe, e engole muito bem. Até aqui tem sido exclusivamente amamentado (a peito) mas, pela amostra, parece que vai sair à irmã e aos primos: um bom garfo.
É um bebé muito risonho, palra imenso, gosta de brincar, quer interagir, mal pode esperar para andar na brincadeira. E come e dorme. Aqui abaixo, depois da fraldinha mudada, já estava cheio de soninho.
O ex-bebé é um poço de energia, salta, trepa, corre, quando damos por ele já vai a subir escadas sozinho, faz tropelias, arranca as coisas das mãos da prima, fá-la perder a cabeça. Hoje, porque ela estava a dar luta, deu-lhe uma bofetada mas, logo a seguir, no instante seguinte, arrependeu-se e foi-se encostar a ela, a fazer-lhe um miminho.
E ela que, de vez em quando, lhe grita, 'Ai, ai, ai!' e diz o nome dele com voz grossa, de zangada, depois deixa-o aproximar-se, com alguma indiferença, ou melhor, tolerância. Mas, se ele está distraído com outra coisa, é ela que o chama. No sábado ele deu-lhe um beijinho e ela contou-nos isso e depois, com ar conformado, encolheu os ombros. Mas sorria, é mesmo uma coquette.
Está cada vez mais feminina, muito maternal com o irmão, uma mulherzinha linda, sedutora, mas tem uma personalidade vincada, orgulhosa, determinada e os primos respeitam-na e estão sempre a chamar por ela.
O mais crescido, o que tem quatro anos, já joga noutro campeonato. Sabe tudo, fala de tudo, um vocabulário e um raciocínio que dão gosto. Estava a fazer cálculos na calculadora do telemóvel e eu disse-lhe que ele deveria fazer também contas de cabeça. Não percebeu bem o que queria eu dizer com isso. Perguntei-lhe se a cabeça dele servia só para ter cabelo. Riu-se e disse que não, que também tinha um cérebro.
No outro dia perguntou à mãe se o que fazia os foguetões subirem era aquele fogo por baixo. A mãe confirmou. Então perguntou se cairiam se, quando estivessem já no espaço, lhes faltasse o fogo. A mãe disse que se calhar sim. Então ele explicou à mãe que não, por causa da força da gravidade. A mãe ficou de olhos arregalados. E eu fiquei babada pois fui eu, há uns meses, que lhe expliquei o conceito base.
Claro que prefere brincar com o tio que o desafia (e acarinha) mas também brinca muito com os pequeninos a quem trata com compreensão.
O fim de semana foi também tempo de corte de cabelo, desde o avô aos netos. Ao avô correu melhor que aos netos, especialmente ao mais velho pois o avô mantém-se sossegadinho ao passo que o neto vira a cabeça, mexe-se, faz trinta por uma linha. O ex-bebé, ao contrário do que se poderia esperar, neste capítulo, nem se mexe: gosta de cafuné. Enquanto lhe corto o cabelo fica em transe, adora, até se baba e, no fim, quer que eu o penteie. E, então, eu penteio-o e molho o pente e ele fica anestesiado, quietinho, deliciado.
Claro que depois vão para a banheira. E depois secam-se em toalhas quentinhas e ficam todos bonitinhos, prontos para a actividade seguinte.
Para os pais, que estão ainda com a pedalada toda, nada disto é demais. Para mim e para o meu marido tudo isto, um fim de semana inteiro, non stop, a meio de semanas de trabalho cansativo, deixa-nos capazes de ir para férias logo a seguir.
Mas, enfim, amanhã é dia de trabalho e, nos próximos dias, vamos andar a lembrar-nos das peripécias e das gracinhas destes compactos. Claro que a meio da semana os irei ver de novo, já cheia de saudades.
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Como já acima o referi, não consigo mesmo, outra vez, conversar com os Leitores que escreveram comentários. Estou muito cansada, tenho que me ir deitar. São quase duas da manhã e daqui a nada tenho que estar levantada. Li o que escreveram com atenção e sabem como vos agradeço mas não consigo responder.
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Antes de vir aqui para o Um Jeito Manso, já estive a escrever no Ginjal e Lisboa e muito gostaria de lá vos ter de visita. Hoje escrevo sobre palavras que por vezes se ouvem naquelas casas desabitadas. São palavras que se desenham no ar quando se pensa em casas antes habitadas - e ninguém falou melhor disso do que Manuel António Pina. A música é um momento feliz: António Zambujo e Roberta Sá falam de amor.
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Agradeço o apelo ao voto e a amizade da Leitora Maria Eduardo e, a propósito, aproveito para informar que, de facto, inscrevi mesmo os meus blogues no concurso do blogue Aventar.
Como não sou de modas inscrevi cada um em duas categorias:
- O Um Jeito Manso está em:
- Actualidade Política - blogue individual (página 1 de 4) e em
- Generalistas (página 2 de 4)
- O Ginjal e Lisboa está em:
- Língua Portuguesa (a mesma que a anteror, isto é, página 2 de 4) e em
- Livros, literatura, poesia (idem, página 2 de 4)
- Inscrevi-me ainda em Blogger do Ano e apareço duas vezes, com cada um dos blogues (página 4 de 4)
Nem sei bem porque o fiz mas está feito.
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E com isto me vou. tenham, meus Caros leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda feira.

