Mostrar mensagens com a etiqueta Assembleia da República. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Assembleia da República. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, setembro 04, 2026

O que é a caquistocracia?


Caquistocracia (ou kakistocracia): significa o «governo dos piores», ou seja, um sistema político liderado pelas pessoas menos qualificadas, mais incompetentes ou mais inescrupulosas.

  • Etimologia: A palavra vem do grego kakistos (o pior, superlativo de mau) combinado com kratos (poder ou governo).
  • História: O termo foi criado no século XVII para descrever governos entregues a cidadãos sem capacidade ou mérito para exercer a função pública. 
  • Principal característica: Incompetência como critério - o governo escolhe ou tolera membros com base na falta de preparação, afastando e hostilizando quem demonstra verdadeira competência.
..............................................................................

A caquistocracia segundo o ChatGPT


Um Governo em que o primeiro-ministro está contaminado por uma infecta Spinumviva que para sempre lhe ficará colada como uma carraça, que começou a governar sobre uma mentira que soou aos portugueses como uma fraude (falando numa descida espectacular do IRS quando era afinal algo que já estava reduzido (pelo governo PS)), que tem balizado a sua actuação por meias verdades, por chutar para canto, por incumprir tudo o que tinha prometido, que se fez rodear de uma equipa de ministros fraquíssimos, que estragam tudo em que tocam (o caso da Saúde, da Educação, então, são paradigmáticos do que é a incompetência elevada a expoentes impensáveis), em que um ministro da Administração Interna (o 3º erro de casting, depois de duas senhorinhas que não atinaram) se apresenta como um polícia de tipo self-made man -- quero, posso e mando e que venha o primeiro que me impeça de fazer o que quero -- não é um exemplo de que, também em Portugal, se tem vindo a decair no sentido de uma caquistocracia? 

Os que estão no Governo não deveriam ser os melhores dos melhores? Como é possível que as coisas estejam num declínio tal?

Mesmo na Assembleia da República, como é possível ver nas bancadas um tal rebotalho? 

A bancada do Chega seria de anedota se não fosse uma tragédia. O mal que este partido tem feito à democracia é palpável, é como uma gangrena que vai alastrando.

Mesmo na bancada do PSD, que líder parlamentar é aquele? Um trauliteiro, um fala barato. Qual o critério: ser unha com carne do Montenegro? Outro vírus para a democracia.

E que porta-voz do PSD é aquele? Que credenciais tem o Bugalho? Ser outro fala-barato? Abre a boca e sai um bafo que incomoda.

......................................................................

Ainda assim, há que reconhecer que nada que se pareça com a palhaçada a que se assiste nos Estados Unidos. Aí, sim, é um filme de terror, a coisa vai para além do imaginável. Não se consegue perceber como o país mais poderoso do mundo (será que o é, de facto?) está nas mãos de um narcisista maligno, demente, ignorante, estúpido até à quinta casa. Nem se percebe como admitem os americanos que a equipa executiva seja constituída por gente tão totalmente desqualificada. Ou como admitem que todas as instituições basilares da democracia estejam permanenetemente sob ataque por parte de Trump, que só descansa quando corre com os competentes e os subsitui por gente desqualificada e servil. É de fugir. 

Gostei de ouvir George Clooney descrever esta situação como uma caquistocracia. No vídeo fala de várias coisas, incluindo disso. Vale a pena ouvir.

George Clooney critica a América da era Donald Trump: "Estamos a viver uma caquistocracia neste momento"

A estrela de Hollywood George Clooney fez uma série de declarações contundentes no Festival de Veneza, onde recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra. Clooney abordou temas como a política norte-americana, o jornalismo, a inteligência artificial, Hollywood, as alterações climáticas e a propriedade dos meios de comunicação.

Clooney descreveu a situação atual nos Estados Unidos como uma "caquistocracia", termo que se refere a um governo exercido pelas pessoas menos qualificadas. Alertou ainda para o conteúdo gerado pela inteligência artificial e para os deepfakes, afirmando que podem tornar cada vez mais difícil distinguir a verdade da ficção.

O ator manifestou ainda preocupação com a concentração dos media e a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros., além de discutir as alterações climáticas e os incêndios florestais que afetaram a casa da sua família em França.


Desejo-vos uma boa sexta-feira

domingo, agosto 30, 2026

Até tu, Tribunal Constitucional? Até tu ensandeceste?
(E uma nota breve sobre toda esta situação que envolve o Neves)
--- A palavra ao meu marido ---

 

O TC publicou ontem o acórdão em que considera constitucional a lei do retorno, não dando razão às questões levantadas pelo PR. Parece-me surpreendente que uma lei como esta relevância tenha sido apenas apreciada por 7 dos 13 juízes (portanto, foi aprovada por maioria) e não percebo qual a urgência da publicação do acórdão -- se fosse publicado daqui a um mês com os 13 juízes presentes haveria algum problema de ordem pública ou de não funcionamento das instituições? 

Mais espantado fiquei ao ouvir hoje os comentários de um antigo bastonário. Conclui que os juízes decidiram a constitucionalidade da lei admitindo um conjunto de pressupostos que permitiriam garantir a aplicação da lei no integral respeito da Constituição. O problema é que esses pressupostos não existem nem parecem ser exequíveis em tempo útil em Portugal. Referiu, por exemplo, a inexistência de centros de detenção e a morosidade da justiça que não vão permitir suportar as expulsões em decisões dos tribunais. Aparentemente consideraram constitucional a lei tendo como base condições de aplicação que, provavelmente, existem na Dinamarca mas não existem em Portugal. Para além da possibilidade de Portugal ser condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem no caso da expulsão de pessoas com filhos portugueses. A ser verdade o comentário que ouvi, só me resta concluir que as incongruências da justiça já atingiram o TC, o que é gravíssimo.

----------------------

Voltando mais uma vez ao Neves. Quem defende que o Neves deve ficar tem geralmente dois argumentos: é competente e correr com ele é dar força ao Ventura. 

Tenho duas notícias a dar:

Primeira: será que é mesmo competente? É que, por exemplo, a nível de droga, a PJ já apreendeu este ano mais do que no ano passado, com ele lá. 

Segunda: o que dá força ao Ventura é a inacção do Montenegro (será que existe alguma razão desconhecida para que tal aconteça?). Mantendo o Neves, Montenegro dá argumentos ao Ventura para ir todos  os dias às televisões falar de lamaçal e dizer outras alarveirices semelhantes. Se o Neves fosse demitido, estes argumentos acabavam. 

Ser democrata e de esquerda não é ter dois pesos e duas medidas --  é respeitar a ética republicana e ser integro. Critiquei fortemente o Montenegro pela falta de ética e pelas "habilidades" que vem fazendo. O Neves não é diferente, poderá até ser pior!

quinta-feira, julho 24, 2025

Dicionário made in silly season

 

Futilidade: sondagens sobre as Presidenciais quando ainda não se conhecem todos os candidatos e quando os portugueses ainda estão muito longe de se ralarem com tal coisa.

Cábulas de primeira: deputados do Chega que, de cada vez que abrem a boca, revelam que não sabem do que falam

Cábula de segunda: Luís Montenegro que vai para a Assembleia da República armado em bom, em erudito, a citar Sophia de Mello Breyner, quando, afinal, a frase referida era da autoria de José Saramago. Ou o tipo que lhe escreveu o texto quis divertir-se à sua custa, colocando-lhe uma casca de banana debaixo dos pés, ou foi outro cábula que nem se lembrou de confirmar o que escreveu. Seja como for, ele próprio, o Luís, deveria ter tido a lucidez de confirmar o que ia dizer para evitar fazer um papelinho mais do que triste

Cábulas de terceira: alguns dos comentadores deste blog que aparecem aqui não para referirem factos concretos ou para rebaterem, factualmente, o que aqui se diz, se limitam a 'mandar' bocas ou, mais calinamente ainda, vêm revelar que têm uma bizarra fixação em Sócrates. 

Incompetente em expoente máximo: Ana Paula Martins. Não há dia em que as notícias não nos deixem estupefactos com as cavalices que se passam sob a égide de Madame Aparelhista

Ridícula: a defesa atotozada dos Anjos que não se calam com a cena do acne. Agora entregaram fotografias que atestam a borbulhagem

Embuste: quando eu trabalhava, sempre que havia actualização das tabelas de retenção de IRS, o que o Departamento de Recursos Humanos fazia era 'carregar' essas tabelas na aplicação informática de processamento de salários e escrever a data a partir da qual a nova tabela vigorava. Se a tabela fosse carregada em Agosto mas com incidência a Janeiro, automaticamente a partir de Agosto apareceria já a nova taxa de IRS e, nessa altura, o sistema calculava retroactivamente o IRS que deveria ser retido, devolvendo o que tinha sido retido a mais. Não havia ciência oculta. O valor retroactivo resultava de uma conta simples: o valor a mais em cada mês vezes o número de meses. Acontece que nada disto acontece com o Ministério das Finanças agora faz: o valor devolvido em Agosto e Setembro é muito superior ao valor resultante daquele referido cálculo. Verifica-se que a partir de Outubro (ordenados a pagar no fim de Outubro, ie, depois das eleições) a diferença no imposto retido é cagagesimal, alcagoitas. Mas o que vão devolver em Agosto e Setembro (antes da data das eleições) são valores simpáticos. Se isto não é manipular as pessoas ou comprar votos, que venham todas as virgens rasgar as vestes e me expliquem qual a lógica matemática desta jogada. 

Escapista: Marcelo Rebelo de Sousa, o palrador-mor, o omnipresente e ubíquo  Presidente que, depois de ter feito a vida negra a António Costa, com bocas encapsuladas e bocas directas ou indirectas, usando-se a si próprio ou usando a so-called fonte de Belém, e de ter feito o possível e o impossível para correr com o PS e para pôr o PSD no governo, agora, haja o que houver, remete-se ao silêncio. Não é apenas que se tenha tornado discreto, é mais que isso, praticamente desapareceu, emudeceu, empalideceu, quase se tornou um fantasma.

quarta-feira, março 12, 2025

O Mentenegro queria uma Comissão de Inquérito nini.
Ahahahahahahahaha

 

Quando a minha filha era pequenina, talvez ano e picos ou dois, quando uma coisa era pequena e nós, naquela forma que os adultos têm de usar diminutivos quando falam com crianças, dizíamos que a coisa era pequenina, ela reduzia a palavra e dizia que era nini. Uma vez, estava a chuviscar, uma chuvinha miudinha daquela de que se diz que é molha-tolos, e ela disse que estava uma 'chuva nini'.

Hoje, ao ver as cenas patéticas, ridículas, na verdade até absurdas, por parte do PSD a tentar, por todos os meios, impedir o escrutínio e propondo, em vez de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, uma conversinha de pé de orelha entre o Montenegro e o Pedro Nuno Santos ou uma Comissãozinha a jacto, de 15 dias, só me apeteceu dizer que vá brincar às CPIs ninis lá para a terra dele.

Haja paciência.

Ou melhor. Já não há paciência.

Montenegro já era.

Alô, alô Hugo Soares! Diz que 'o povo percebeu tudo'. Ah percebeu, percebeu... oh se percebeu... Percebeu que o Montenegro meteu o PSD no bolso e, com isso, arrastou a Assembleia e o País para uma crise

 

Continuem nesta senda e vão ver o que os 'Portugueses' -- com que tanto enchem a boca -- pensam. Já que não têm cabeça para perceber por vocês, esperem pelas eleições.

PSD: tudo patético. Agora o que me fez confusão foi o silêncio do Rangel

 

Não vi tudo, longe disso, mas, do que vi, estranhei não aparecerem nomes com algum peso a sair a terreiro a defender o Mentenegro.

Por exemplo, o Rangélico, sempre tão frenético, esteve tão caladinho porquê?

Todos aterrados com a linda proeza que o Mentenegro armou, é certo. Mas ele, sempre tão palrador, não conseguiu soltar um pio...?

segunda-feira, março 10, 2025

Quando Paulo Portas fala em nome dos portugueses baseia-se em quê? Fez uma sondagem só para ele?
A que propósito enche a boca para dizer: 'Os portugueses não percebem' ou 'Os portugueses não querem'?
Ele, que nunca conseguiu nada enquanto líder partidário, sabe lá interpretar o sentir ou o pensar dos portugueses...

 

E depois, tendo engolido a cartilha da equipa de comunicação de Montenegro, o forever irrevogável Portas põe nas mãos do PS a decisão de não haver crise. E a entrevistadora, a simpática Andreia Vale, esquecendo-se de ser jornalista, não foi capaz de lhe dizer que está equivocado pois quem tem nas mãos essa decisão é o Montenegro que foi quem entregou uma Moção de Confiança, fadada à rejeição. Ele que a retire.

Só palhaçadas. 

Sinto falta de políticos sérios, cultos, eticamente irrepreensíveis, corajosos, com visão. 

Tirando alguns, poucos, que se encontram mais ou menos retirados, certamente fartos da cambada que por aí anda a trocar tintas, a vender banha da cobra e a poluir o espaço mediático, só se veem alguns decentes que parece que não conseguem falar suficientemente alto para se fazerem ouvir sobre o permanente ruído da marabunta.

Caraças.

Vou fazer zapping (vou em busca do 'Isto é gozar com quem trabalha'). Eu ainda consigo fazer algum esforço para ouvir o Portas e demais aves papagaias que por aí andam a papagaiar, mas o meu marido fica furioso, não está para ser aturar quem atenta contra a inteligência alheia.

__________________________________

E transcrevo um comentário, pertinente, e que já aqui tinha sido deixado há dias:

Volto a uma pergunta anterior: porque razão o site da Assembleia da República deixou de publicar os registos de interesses?

É ir ao site, escolher o nome de um deputado. Vê-se quantas legislaturas fez, as comissões a que pertence, a biografia, e no cantinho direito está lá uma ligação para os registos de interesses. Se tiver feito várias legislaturas vemos em que sociedades tinha quotas ou lá o que eles entendem que deve ser publicado. Abre-se para esta legislatura e zero. Porquê?

Aqui fica a dica. Alguém sabe responder?

sábado, fevereiro 15, 2025

Não seria boa ideia substituir o Aguiar-Branco, enquanto presidente da Assembleia da República, por um bot?
Um algoritmo não conseguiria pôr mais ordem na mesa e impor mais respeito ao bando de delinquentes que só ali está para armar confusão?
Pergunto.

 

Há funções que, com o tempo (e já não há de faltar muito), irão à vida. Mas, teoricamente, presidir à Assembleia da República não seria uma delas. Há que saber dirimir conflitos, há que garantir o respeito por todos os protocolos em vigor, explícitos ou implícitos, há que saber conduzir os trabalhos no respeito pela proporcionalidade e pela relevância dos temas e há que evitar o abandalhamento. Teoricamente só um humano, um humano inteligente, equilibrado, com experiência de vida, conseguiria fazê-lo.

Mas o Aguiar-Branco tem uma visão minimalista das suas funções, basicamente acha que o seu papel é ser o grilo falante que acompanha o corte da palavra quando o orador excede o tempo atribuído. Quanto ao restante, assobia para o lado, que não é polícia e tal. Não está ali para se chatear.

O gang -- em que uma parte considerável dos seus membros está a contas com a justiça, acusados por cenas que vão desde o roubo de malas à violação, à ameaça de morte ou a outros delitos variados, e que, na Assembleia, se entretém a lançar bocas obscenas, insultos, ofensas ou, simplesmente, a fazer barulho e armar confusão, conspurcando a casa da democracia -- está, portanto, à vontade. Ou melhor, à vontadinha.

Ora, se tivéssemos um robôzinho a gerir a Assembleia, um robôzinho provido de inteligência artificial, um robôzinho que identificasse insultos, ofensas e outros destratos, que obrigasse os deputados mal educados e com comportamento delinquente a saírem da sala sob pena de apanharem choques elétricos se permanecessem nos seus lugares, estaria em clara vantagem sobre o Aguiar-Branco. Fazer uma gestão eficiente dos horários ou dar a palavra a este ou àquele isso nem é tema, isso é de caras, nem precisa de grande inteligência para o fazer.

Penso que se deveria pensar nisso. 

É o que me parece.

segunda-feira, julho 08, 2024

Queixam-se do Ministério Público? Então olhem para as CPI
- salve Pedro Adão e Silva

 

(...)

Vale a pena refletir por que motivo as CPI passaram, num curto espaço de tempo, de instrumento de dignificação do Parlamento e relevantes para avaliações políticas de casos da justiça para paradigma da vulgaridade política e da erosão moral, com práticas desrespeitosas de direitos, liberdades e garantias. E por que motivo praticamente não passa uma semana sem que algum partido proponha mais uma CPI.

(...)

Depois, uma vez aprovada a CPI, ninguém quer deixar de revelar o seu vigor inquisitório. É indisfarçável o entusiasmo com que alguns deputados representam para as televisões.

Ora este é um aspeto fundamental. Portugal é hoje, provavelmente, a democracia ocidental com o rácio mais elevado de canais noticiosos por habitante. Tornou-se difícil contabilizar o número de canais a emitir notícias 24 horas por dia, sem que se perceba a racionalidade económica, o propósito para o posicionamento das marcas e em que é que se pode diferenciar a oferta. Enquanto os operadores televisivos se envolvem numa luta fratricida, uma CPI por dia oferece horas de televisão gratuitas, que ocupam tempo de antena e alimentam uma mistura explosiva de ressentimento e voyeurismo social. Quem ganha com isto? Não é certamente a justiça, nem a dignidade das instituições políticas e, muito menos, um espaço público decente.

Artigo imperdível de Pedro Adão e Silva no Público: Queixam-se do Ministério Público? Então olhem para as CPI

segunda-feira, junho 24, 2024

As CPI são uma vergonha
-- a palavra ao meu marido


Uma vez que ontem estava num registo zen e não me apeteceu desenvolver temas que a ambos têm indignado, o meu marido achou que os temas não deviam passar com a ligeireza com que ontem os aflorei. Por isso, hoje, enquanto ainda estávamos apenas os dois em casa, dei por ele a escrever o que, depois, como é hábito, me enviou por mail.

Transcrevo, pois, o texto que escreveu:

Assisti na sexta feira a uma parte do interrogatório a que foi sujeita a mãe das gémeas. Já tinha assistido  a uma parte do interrogatório ao Lacerda Sales e a interrogatórios efetuados em outras comissões de inquérito.

Em nenhum dos interrogatórios me senti próximo dos verdadeiros inquisidores que são os deputados que fazem os interrogatórios, nomeadamente, quando são da oposição e estão nas comissões por pura luta politica sem qualquer interesse em saber a 'verdadeira' verdade.

No entanto, na sexta-feira tive vergonha do que se passou. Independentemente da mãe das crianças estar ou não a esconder quem a auxiliou, que sentido tem esta comissão de inquérito? Parece que o objetivo é descobrirem se alguém marcou indevidamente uma consulta? Os deputados não têm nada de útil para fazer? Por uma merda destas -- e a palavra é esta --, humilham as pessoas desta maneira, enquanto gastam o dinheiro dos contribuintes? A inquisição já acabou há alguns séculos e a PIDE há cinquenta anos. As pessoas têm direito à sua dignidade e não podem ser sujeitas a humilhações só porque o André Ventura está interessado em "levar tudo atrás" e a AD precisa do André Ventura.

E da CPI ao MP "vai o passo de um anão". Então, agora mandaram 50 inspetores da Judiciária investigar as faturas de refeições da Câmara de Oeiras? Mas não existe um orçamento na Câmara e um conjunto de eleitos para verificarem a atuação de executivo? Então os restaurantes não têm programas de faturação auditáveis? Ou será que o MP também se acha no direito de definir a dieta dos autarcas? Por exemplo, à segunda-feira podem comer entrecosto mas não entrecôte, à terça que venha  a sardinha mas nunca  o linguado e, assim, sucessivamente...? E quem paga estes desvarios são sempre os mesmos, os contribuintes. Não têm emenda. Mas numa democracia tem que haver escrutínio e não há nenhum órgão que possa fazer o que quer sem estar sujeito ao escrutínio democrático e às regras da democracia. 

A talhe de foice, os diversos pacotes do Governo também não têm emenda. Ou, pasme-se, referem-se a politicas do Costa que tanto criticaram ou apresentam ideias que não conseguem consubstanciar. Aconteceu mais uma vez com pacote anti-corrupção, isto é, com o pacote "vamos dar a mão ao Ventura". Então o Montenegro, quando é interrogado sobre  as medidas propostas, diz que ainda têm que pensar sobre como serão elas de facto? Será possível que isto seja verdade ou, quando estavam a definir as medidas do pacote anti-corrupção, foram interrompidos, isto é, requisitados para analisar as faturas do Isaltino? Só pode ter sido.

Uma brincadeira, isto tudo. 

Ainda a propósito do pacote anti-corrupção, quero dizer que sou absolutamente contra o confisco dos bens sem que tenha havido condenação. Parece-me um atentado a tudo o que tenho de mais sagrado: a liberdade, os direitos e garantias individuais. Ainda por cima, quando se vê o comportamento anti-democrático, persecutório, leviano e vingativo do MP. Começa-se por este tipo de medidas e qualquer dia ainda se vai estar a falar de medidas que privem os cidadãos da  liberdade de expressão e de manifestação... Acho muito perigoso que se vá por aí...

domingo, junho 23, 2024

Quem é que enfia o chapéu, quem é...?

 

Sei que há temas relevantes que deveriam ser abordados 

(por exemplo: 

a pose majestática de Madame Gago montada nos seus sumptuosos casacos que mostra à saciedade que se está a caguar para dar explicações à malta sobre o regabofe que por lá grassa, 

ou a trupe de investigadores que entram aos cinquenta de cada vez para vasculharem facturas em Oeiras, como se não houvesse auditoria às contas, e como se o custo deles não superasse em muito o custo dos almoços, 

ou as calhandreiras do Ministério Público que andam anos e anos e anos a bisbilhotar a vida das pessoas como se o dinheiro dos nossos impostos não tivesse destino mais decente, 

ou os justiceiros de trazer por casa, gente a fazer-se passar por inspectores da Pide, que gostam de humilhar e atormentar a cabeça aos pobres coitados que se veem atirados para as luzes da ribalta, inquiridos em frente às câmaras para saciar a insaciável fome de espectáculo dos populistas e dos cobardes que, sob pretexto de serem deputados, ali estão a gastar inutilmente o dinheiro dos nossos impostos, etc, etc). 

Assuntos não faltam.

Só que eu ando mais numa de apanhar orégãos, de os dispor à sombra a ver se secam, limpinhos, cheirosinhos, continuo numa de varrer e deixar os caminhos em volta da casa arranjadinhos, voltei a pôr água na banheira que era das crianças quando eram bebés para que os esquilinhos tenham o que beber, depois a ver futebol em família (com o sector masculino a não querer que eu fale ou puxe pela equipa ou bata palmas ou sofra em voz alta pois dizem que os desestabilizo), a conversar ou a rir com eles. 

Por isso, neste registo peace and love, não consigo posicionar-me para falar de coisas que me desagradam. Toda eu estou longe de MPs, PGRs, Venturas e Comissões tóxicas ou outros deputados que, não sendo populistas ou sabujos não são capazes de bater o pé e não aceitar que a sua presença quase normalize as poucas vergonhas que ali se passam, populismos, ignorâncias, invejosices, ingerências indevidas, ou leviandades, conversas incongruentes e tontas (como as do Sarmento, por exemplo). Longe, longe. 

Por isso, agora ao fim do dia, ao passar os olhos pelas notícias, não me apeteceu falar sobre nada do que para ali vi. 

Apeteceu-me foi pôr-me a ver chapéus. Adoro chapéus. Tomara que um dia ainda possa ir a um sítio onde um chapéu lindão como estes do Royal Ascot 2024 não fique descabido. 










________________________________________________________

Desejo-vos um belo dia de domingo

quinta-feira, maio 30, 2024

O Dissolvente já aí anda outra vez a lançar a confusão...
Se queria tanto ter a prévia certeza da aprovação dos Orçamentos de Estado, porque é que dissolveu a Assembleia da República em que havia uma maioria absoluta?

 

Depois de meses a criar instabilidade política não falando noutra coisa senão na possibilidade de dissolver a AR, eis que o Dissolvente-Mor arranjou outro pretexto para começar a minar a opinião pública. Como sempre, tem como alvo preferencial o PS. Agora não se cala com a necessidade de se aprovar o próximo OE. Estamos em Maio, o OE deve ir a votação em Outubro e, com quase meio ano de antecedência, ele já não se cala.

Ainda o OE não está feito e já ele quer à viva força que os partidos (leia-se: o PS) o aprovem.

Alguém acha isto normal?

Eu não acho.

____________________________

Bem esteve André Ventura ao dizer que Marcelo andava com este Governo ao colo pois é um Governo, na prática, lá posto por ele.

domingo, maio 19, 2024

Aguiar-Branco, read my lips:
NÃO. NÃO PODE.


Em tudo nesta vida há linhas vermelhas. Liberdade de expressão é bom e eu gosto e que disso não haja dúvida nem venham cá os Segismundos, os Rufinos ou as Mariazinhas desta vida moer-me a paciência. 

Mas a liberdade de expressão acaba quando começa o insulto, a ofensa, o linguajar xenófono ou racista.

A nossa Assembleia da República é a casa da democracia onde os 'eleitos' nos representam, decidindo o que acham ser o melhor para os portugueses e zelando pelo bom cumprimento da nossa Constituição. É uma casa aberta onde o que ali se passa pode ser visto por todos, devendo dignificar e liberdade, o respeito, a democracia.

E, da mesma forma que não é suposto que os deputados por ali andem a roubar a carteira uns dos outros, a fazer chichi contra a parede ou a usarem palavrões quando usam da palavra, também não é suposto que profiram palavras xenófobas ou racistas pois, se isso for aceite aos deputados, será como se estivesse a ser legitimado para o resto da população.

Ora queremos ser uma sociedade civilizada, inclusiva, tolerante, humanista. Não queremos manifestações de ódio, de xenofobia, racistas. No dia em que, a pretexto da liberdade de expressão, elas sejam aceites, em que momento é que se vai considerar que se está a ir longe demais...?

Ou também é suposto que se, por exemplo, o André Ventura resolver pôr-se a mandar para o c... outro deputado ou disser, com todas as letras, que quer que os ciganos se f... ou se um qualquer outro fizer a saudação nazi ou, mesmo, acabe a seu discurso com um 'Heil Hitler', o Presidente da AR assobie para o lado alegando que, se um deputado quiser manifestar-se assim, está no seu direito e que se alguém se sentir incomodado, então, quando muito, que venha o Ministério Público e avalie se aquilo é crime ou não....?

Aguiar-Branco deveria repensar a sua posição, deveria pedir desculpa aos deputados e aos portugueses, e deveria retroceder e anunciar que, se, na Assembleia da República, alguém quiser portar-se desordeiramente, seja por ofender, insultar ou ameaçar raças ou povos ou pessoas individuais, não pode. Não. Não pode. Obviamente, não pode.

PS 1: Ver dois papagaios arruaceiros, um do PSD e outro da AD, a saltarem em defesa do Aguiar Branco e ver a bancada do Chega a aplaudir Aguiar-Branco é apoio de que ele deveria envergonhar-se.

PS 2: Este é o problema e o perigo da direita em Portugal (PSD, AD, Chega): há lá muita gente muito básica, muito ignorante, que não faz a mínima do que é a civilização, que não tem a noção do que é liberdade ou democracia. Portanto, é vê-los armados em bons, a saltar a pés juntos sobre gente digna e que deveria merecer respeito (vide a Hugo Soares de saias, ie, Maria do Rosário Ramalho), a mentir e insinuar maus actos a outros (vide o Miranda Sarmento, a inventar caos e colapsos onde eles não existem), a vociferar no Parlamento, a defender qualquer baboseira que qualquer um deles bolsa. Uma tristeza. E um perigo.

terça-feira, abril 30, 2024

Há razões para optimismos com o actual quadro político e institucional em Portugal?

 

Não quero ser pessimista. Por natureza não o sou. Mas estou a encontrar alguma dificuldade em ser optimista.

Um país funciona bem quando as suas principais instituições funcionam bem, de forma articulada, sensata, inteligente.

Agora quando temos um Presidente que parece estar descompensado, desbocado, desprovido de bom senso, um Governo que parece funcionar na base do improviso (e não é só Marcelo a queixar-se), sem se articularem com os outros partidos (veja-se a barracada da eleição para presidente da AR ou agora, mais recentemente, do diploma do IRS), sem pensarem (vide a descabelada questão de mandarem os meliantes para as forças armadas, pelos vistos seguindo a prática de Prigozhin que ia à cadeia buscar os bandidos para o grupo Wagner) e sem se coordenarem entre eles, e com um Parlamento todo salteado, sem equilíbrios virtuosos, o que se pode esperar?

Um disparate constante.

Salva-se deste panorama -- até ver -- José Pedro Aguiar-Branco a quem tenho visto tomar atitudes assertivamente civilizadas. Mas que pode ele fazer perante o pot pourri em que a AR está transformada sem que do lado do Governo minoritário pareça haver habilidade e inteligência para negociar e sem que o líder da bancada da AD pareça ter cabeça, elegância e savoir fair para estabelecer pontes...?

Quando vejo Montenegro, com comportamentos trauliteiros, a ver se provoca arruaça, em vez de se portar condignamente tentando estabelecer uma linha de entendimento com as outras forças do Parlamento, fico sem perceber qual é a dele. É a atitude de um frangote com a mania que é um galo capão? É a atitude de um rural-lento (Marcelo dixit) que, não conhecendo mundo, se acha mais capaz do que todos os outros com quem tem que lidar? Ou nunca pensou ganhar as eleições e, não se achando capaz, está a ver se se põe a andar?

E outra coisa, agora ao nível das Europeias: ao ver o Bugalho, de peito feito, impante, desafiador, provocador, já a saltar a pés juntos em cima do Marcelo, a sua arrogância e ambição já a saltar-lhe do corpo para fora, pensei que não tarda está a disputar a liderança ao 'lento'  e 'rural' Montenegro e a disputar o lugar do mais populista ao Ventura. Não se me afigura nada de bom, devo dizer. Vejo o Bugalho a espalhar confiança e um hiper-convencido donaire neste seu novo papel e, confesso, sinto um bad feeling.

Poderia sentir-me confiante com a liderança do Pedro Nuno Santos. Mas não sinto. Também o acho lento, palavroso, cauteloso, agarrado a uma ideia demasiado colada à esquerda-esquerda de uma sociedade que já se moveu daí. Falta-lhe ímpeto, visão a longo prazo, calo, mudo. Falta-lhe golpe de asa. Pode ser que ainda a ganhe. Mas não sei.

Portanto, a ver vamos.

Intuo que as eleições europeias vão trazer inputs que vão revirar as expectativas e baralhar as contas. Os desaires e os embustes da AD e a forma canhestra como conduzem os assuntos têm causado péssima imagem. Por isso, a ver se não vem de lá um cartão amarelo.

Enfim...

__________________________________________

Para pro memoria aqui fica o link para o vídeo que, como muito bem diz o João Lisboa, vai ficar para a história por revelar o real dimensão da demência:

Marcelo janta com jornalistas e fala, fala, fala durante 4h: “O que é que eu disse? Que o Costa é lento, a procuradora maquiavélica e o meu filho um idiot…?”

_______________________________________________

quarta-feira, março 27, 2024

Será que o Dissolvente Marcelo já está a preparar-se para dissolver a nova Assembleia da República?

 

Depois das anedotas e das altas chicanas do dia, a maltinha chiripitatá-tatá que resultou do caldinho que o Dissolvente arranjou conduziu a que a faena fosse dada por encerrada depois de tudo se ter ensarilhado de uma maneira descabelada. 

Agora vão para casa pensar como voltar amanhã de cara lavada, isto depois do Ventura se ter atirado para a pista da lama salpicando todos os que se chegaram a ele.

Enquanto escrevo, lá está ele com os microfones todos apontados à sua boquinha safadona, mostrando estar sempre pronto a entalar quem não lhe fizer a vontade: ou a AD assume o Chega como amante encartado e se prontifica a passear na rua, de mão dada com ele, ou ele fará a vida negra à AD, vem para a rua, aos coices, sempre com a boca posta no trombone. 

Isto a que se chegou, contudo, não foi só obra do Dissolvente: foi também obra da comunicação social que não tem feito outra coisa senão andar com o Ventura ao colo.

Agora pergunto eu: Marcelo -- que já dissolveu duas vezes a Assembleia e que acha que percebeu bem a vontade dos Portugueses --, o que pensa agora, ao ver o descontrolo emocional do Ventura, a sua pulsão chantagista, a condicionar o exercício democrático naquela que é suposto ser a Casa da Democracia?

Estará já a ver como dissolver esta caldeirada?

Hoje, no primeiro dia desta nova composição parlamentar, já se viu o que vai ser a macacada daqui em diante. Vai ser este o desgoverno do País?

O que vai Marcelo fazer? Nada? Vai assobiar para o lado como se nada tivesse a ver com isto....? É que tem, tem muito a ver com o lindo espectáculo a que nos tem sido dado assistir.

..........................................................................................................

[Solução para este imbróglio? Repito-me: fazer o contrário do que o PSD tem estado a fazer, ou seja, a dar palco ao Ventura. O Chega deve ser isolado (mas, atenção!, isolado de forma inteligente, com uma inteligência superior em manha à do Ventura). A democracia deve ser exercida pelos democratas. Portanto, se a AD quer governar, só poderá fazê-lo se tiver a humildade de procurar o entendimento, sempre que faça sentido e tal seja necessário, com o PS]

Ahahahahahahah

Eheheheheheheh

 


(...)

........................................................

Post Scriptum 

Agora a sério: tal como referi na noite das eleições, a única solução de governabilidade mínima (a bem do País) passará por um entendimento (caso a caso, quando faça sentido, quando não viole os princípios programáticos do PS) da AD com o PS. 

No caso da eleição do Presidente da AR, com Aguiar-Branco (nome neutro), a AD, na sua arrogância, cagança, imaturidade democrática, preferiu fazer um entendimento com o Chega, nem se dignando a falar com o PS. Deu nisto. Uma anedota. 

Se a AD tivesse falado com o PS, a esta hora Aguiar Branco seria Presidente da AR.

Uma humilhação para Aguiar Branco e, sobretudo, para Montenegro. Uma grande, grande humilhação.

domingo, março 24, 2024

Antes que os porcos triunfem

 

Várias ideias me ocorrem mas vou rejeitando umas por exigirem um espaço e uma ponderação diferentes deste canto em que escrevo e outras por temer não encontrar as palavras justas. 

Vou antes falar das perplexidades que têm ocupado o meu pensamento nestes meus últimos dias. É certo e é devido que todos tenham direito a votar e que o voto de um marginal ou de um ignorante valha tanto quanto o de um trabalhador esforçado ou de um catedrático. Um voto é um voto e todos os votos são iguais. É um dado adquirido e penso que assim deve ser.

O que me custa é que não se perceba que é muito provável que os ignorantes, em especial os que nem têm consciência de quão ignorantes são ou os que gostam de viver nas margens da sociedade, tudo farão para se vingar dos outros, dos integrados, dos que estudam, dos que sabem.

Se há coisa que sei, até pela minha formação, é que só se podem fazer generalizações quando a amostra é significativa. 

Para conhecer a opinião dos portugueses sobre dado assunto, não precisamos de ouvi-los a todos. Podemos apenas ouvir uns quantos. Mas temos que ouvir os que representem fielmente a população. Por exemplo, se x% são homem e y% são mulheres, tenho que ter essa percentagem representada na amostra. Se uns tantos são analfabetos, uns quantos têm o 9º, outros o 12º, uns a licenciatura e outros o doutoramento, é bom que a amostra também os contemple em idêntica percentagem. E se x% têm até 18 anos, y% estão entre os 18 e os 25, etc, etc, etc....(e por aí fora). Saber montar uma amostra significativa é uma tarefa exigente e requer que se saibam identificar os factores que influem na votação. Por exemplo: se os desempregados votam de uma maneira diferente dos que trabalham, então a amostra deve inclui-los na devida proporção. Ou, relevantíssimo pelo seu peso, os reformados/pensionistas que também devem estar presentes na proporção certa. 

E agora vou dizer uma coisa que pode ser polémica e que, para eu poder fazer finca-pé, teria que validar. Ou seja, afirmo-o agora por mera intuição: creio que a população que se informa sobretudo via redes sociais deve ter um comportamento diferente da que vê televisão, lê jornais ou lê vários livros por ano. Seria interessante que este factor diferenciador fosse testado em estudos de opinião e, se se verificasse a diferenciação, que esse aspecto passasse a estar presente nas amostragens.

Ou seja, constituindo uma amostra significativa, se ouvir o que pensam, poderei generalizar ao todo, embora haja sempre uma certa margem de erro (que desejavelmente será bastante baixa). 

Portanto, eu arrepiar-me com os disparates que ouço no balneário ou mesmo com alguns dislates que ouço a amigos, uns porque são mais conservadores, outros porque não pensam e se limitam a ser maria-vai-com-as-outras, não significa que isso seja amostra do que vai pelo país. Sei disso.

Mas, apesar de não poder generalizar, não posso ignorar. Não posso fazer uma estatística e atribuir probabilidades mas posso acreditar que o que ouço são indicadores.

E o que ouço são coisas descabeladas, sem pés na cabeça, fruto da mais profunda ignorância. Votam convictamente por assumirem como verdadeiros pressupostos que são disparates sem ponta por onde se pegue, fruto da mais profunda iliteracia económica ou social ou de ausência completa de estudo ou de raciocínio. Repetem mentiras já mil vezes desmascaradas, afirmam anormalidades que não são verdade nem aqui nem em parte nenhuma do mundo. Mas acham que, ao votarem no Chega, estão a fazer justiça. Uma dizia, ufana: 'Depois ainda não querem que a gente diga as verdades? Quem é que julgam que são para nos quererem impedir de dizer as verdades?'. E várias outras sorriam e acenavam que sim, que claro que sim, que a elas ninguém as calava. E eu pensava: 'Mas estão a falar de quê? De quem? Elegeram quem? Estão convencidas de quê?'

Passei no outro dia por um sítio em que ganhou o Chega e, olhando para aqueles prédios, pensei: 'Andares e andares de gente inculta, desinformada, ressabiada, ignorante. Vão votar sem perceberem que estão a dar tiros nos pés'.

A democracia contém todas as permissões para que, quem queira, a devore, a detone, a faça implodir.

Não acredito que seja benéfico nem quero que se restrinjam liberdades. Longe de mim.

Mas alguma aprendizagem estes ignorantes deveriam ter. Não sei como. Seria bom, num mundo ideal, utópico, certamente meio maluco, que, para se votar, as pessoas tivessem que estudar e passar num teste em que mostrassem saber o bê-a-bá do que é a sociedade, de como funcionam as instituições, de quais são as bases da Constituição, de quais são os riscos das sociedades anti-democráticas em que a liberdade individual não é respeitada, do que é a Economia e as Finanças, do que é a Justiça. E quem chumbasse, qual exame de Código, não poderia ir votar. Tão simples quanto isto.

Se calhar, está na altura de se pensar outra vez no Serviço Cívico ou nas Campanhas de Alfabetização. Engendre-se uma coisa adaptada aos tempos actuais, quiçá via redes sociais. Não sei. 

Uma coisa é certa: alguma coisa deve ser feita. Senão, um dia destes estamos a ser governados por porcos que lá porque andam em duas patas e se vestem com calça e casaco já se julgam tão ou mais preparados que os humanos.

Haverá, entre quem me lê, quem ache que, dizendo isto, estou a revelar um elitismo descabido. Seja. Mas pense-se na qualidade dos primeiros deputados que pisaram a Assembleia da República a seguir ao 25 de Abril e compare-se com parte significativa dos que vão pisá-la dentro de dias. Uma diferença abissal. É como querer comparar o Género Humano com o Manuel Germano. Vamos continuar a aceitar que a democracia vá caminhando por esta rampa descendente que não se sabe onde vai levar (mas a bom sítio não é)?

_______________________________

E parece que vem aí, outra vez, a chuva. E ainda bem. Faz falta sempre a agora, em particular, para lavar o ar que anda carregado de poeiras. 

Que entre, pois, o genial Jacob Collier (que, aqui, vem acompanhado por: Madison Cunningham & Chris Thile).

Jacob Collier - Summer Rain


____________________________________

Desejo-vos um belo dia de domingo

Saúde. ?. Paz.

terça-feira, julho 11, 2023

O ministro Pedro Adão e Silva e o deputado Lacerda Sales.
E a CPI da TAP e os deputados que lá andaram a fazer de procuradores americanos de série B

 

Claro que estou completamente de acordo com Pedro Adão e Silva.

Transcrevo:

“Acho que a transformação destas inquirições em noites de inquirição sem paragem, em saber se falou ao telefone às 10 ou 10:05, em que os deputados são uma espécie de procuradores do cinema americano de série B da década de 80, e que depois tudo isto se transforma e é prolongado numa telenovela ou naquele género de comentário, como se comenta os ‘reality shows’ nos canais noticiosos à noite, se isso não contribui igualmente para a degradação da imagem das instituições e da democracia”, disse.

O ministro criticou ainda políticos, comentadores, jornalistas, dizendo que “não percebem o mal que fazem ao por um lado alimentar o discurso apocalíptico sobre o funcionamento das instituições” e por terem “uma leitura da realidade política como se houvesse sempre um ciclo de apocalipse de 24 horas, que depois é substituído por outro ciclo de apocalipse nas 24 horas seguintes”.

Chega de se ser politicamente correcto enquanto os populistas de esquerda e direita avançam. Já lá dizia o outro que por delicadeza nos deixamos morrer...

Para não ofendermos estes ou aqueles, para não sermos mal interpretados, vamos ficando em silêncio perante o avacalhamento que uns quantos andam a trazer para a política. 

Portanto, melhor faria Lacerda Sales se reunisse com os deputados que integraram a CPI e fizessem uma análise à forma como se comportaram e, humildemente, fizessem um mea culpa. Envergonharam a política que deve ser uma activade nobre e não um exercício de arruaça destinado a 'dar canal' e a gerar mais comentários.

Portanto, totalmente a favor de Pedro Adão e Silva. E lamento que o simpático Lacerda Sales não tenha percebido que deveria encarar as palavras do ministro como uma oportunidade para reflectir.

E seria bom que a Comunicação Social, por uma vez, caísse na real e pusesse a mão na consciência em vez de andar colada aos mais rasteiros populismos.

sábado, junho 17, 2023

O dia da última audição da CPI da TAP
(incluindo uma referência ao Ranking das Escolas)

[Mais uma vez, a palavra ao meu marido]

 

Parece que a coisa não correu muito bem aos partidos que mais entusiasmados estavam com esta Comissão de Inquérito. 

O PSD, o BE, a IL e o Chega apostaram forte em mais uma tentativa de desacreditar o Governo e se possível, com  a ajuda do Sr. Presidente Marcelo, demitir o governo ou dissolver o Parlamento. 

Afinal, e até os comentadores o referem, o Pedro Nuno Santos saiu em ombros e o Fernando Medina pela porta grande. Não fossem as diatribes do ex-assessor e as notícias sobre a CPI da TAP teriam sido tão sensaboronas que dificilmente os órgãos de comunicação social poderiam continuar a matraquear o assunto.

Por outro lado, o espectáculo que os deputados deram foi lamentável.  Os deputados do PSD, da IL, do BE e do Chega fizeram perguntas apenas para tentarem encontrar contradições nos depoimentos e sem qualquer intenção de analisarem a gestão da TAP (que, afinal, era o objectivo da Comissão). Perderam uma excelente oportunidade para se manterem longe dos holofotes e não revelarem a falta de preparação e a arrogância que demonstram. Episódios como os do telemóvel, o horário dos telefonemas, a insistência com que pretendem saber factos acessórios e que deviam ser reservados é trágico cómica. A forma inquisitorial como o Pedro Filipe Soares interrogou o Fernando Medina revela que segue de perto a chefe Mariana Mortágua. Antipatia e arrogância não lhe faltaram.

Ainda por cima, saiu uma sondagem que revela que afinal a posição do PS não sofreu com esta CPI o que deverá ter causado uma enorme azia ao Sr. Presidente que, segundo dizem, é viciado em sondagens. Também hoje o Banco de Portugal reviu em alta as perspectivas de crescimento do País. Mais uma chatice para os comentadores, para os pseudo jornalistas e para a oposição, onde incluo o Sr. Presidente.

Os comentários do José Gomes Ferreira, do Anselmo Crespo, do Bugalho,... desde vociferarem a chamarem mentirosos aos ministros revelaram bem a decepção que tiveram. Também achei "curiosa" e de um enorme mau perder a justificação dada hoje de manhã na SIC por uma jornalista julgo que responsável pela informação da SIC ou do Expresso, cuja  cara praticamente não se vê devido à abundância capilar, sobre as razões pelas quais o PSD não "arranca" e o PS se mantem à frente. Tem mesmo mau perder.

A FENPROF também ficou chateadíssima com o ranking das escolas. Não sei se o ranking é feito com critérios correctos ou não. Há uma coisa que me deixa de pé atrás e que é ter visto uma notícia em que 40% das notas no ensino privado são dezanoves e vintes. Alguma coisa  está mal se de facto as notas forem estas, estas percentagens não encaixam no que é razoável. No entanto, vi uma reportagem sobre  a primeira escola pública do ranking e tanto os alunos como a professora disseram que o acompanhamento pelos professores tinha sido determinante para a evolução da escola. Sugiro aos senhores professores que exigem "respeito" sigam estes exemplo e ao Mário Nogueira e ao André que se voluntariem para apoiarem os alunos que não tiveram aulas devido à forma como conduziram a luta dos professores, mesmo que no caso do André esse apoio esteja relacionada apenas com os lagartos da Amazónia.

Foi um dia lixado para o Sr. Presidente, para  a oposição e para os professores do "respeito".

sexta-feira, junho 16, 2023

Para terminar um dia quente, quente... o mar azul, os peixes, os pássaros... uma lufada de ar fresco

 

Os meus últimos tempos têm sido de trabalho intenso. Já aqui contei que tenho uma característica: dou-me mal com o tédio. Se tenho pouco que fazer, parece que não consigo fazer nada. Se tenho muito que fazer em muito pouco tempo aí, sim, fico com a pica toda.

Trabalhar horas a fio, até às tantas da noite, trabalhar até ficar cansada, isso, sim, é a minha praia. É uma coisa estúpida? Ah pois é, então não é? Claro que é. Mas é o que é.

Com isto trabalhei ontem até depois das três da manhã. E estava com vontade de continuar. Fui para a cama com uma espertina danada, só adormeci de manhã.

Depois tive um dia ocupado e, quando finalmente, tive oportunidade de recomeçar a função, adormeci pesadamente.

Uma vida sem ordem. Mas, caraças, muito motivada. 

Agora estou aqui a dar contas à minha vida e a pensar que, para tentar recuperar, deveria agarrar-me ao trabalho e, em vez disso, estou aqui a ver se acordo.

E esteve tanto calor... padeço imenso com o calor. 

Fomos passear à praia ao fim da tarde mas ainda estava muito calor.

E, falando em calor, anuncia-se para daqui a dias um calor tórrido.

Ora é isto que, infelizmente, nos espera. Um inferno.

O deserto e as chamas a avançarem, a água a escassear, as populações a migrarem. Um inferno.

Preocupa-me imenso isto das alterações climáticas. Gostava de ver o país a ser florestado, gostava de ver o tema da água muito bem agarrado. Sei que muito se está a fazer mas penso que deveria vir para a ribalta, ser falado, mostrado, discutido. Em vez de se andar a ocupar o espaço e o tempo com chachadas era importante que se debatessem os temas relevantes.

Quando estou em espaços públicos a presenciar conversas, ouço disparates atrás de disparates. Mesmo pessoas que se julgaria estarem minimamente preparadas dizem com cada disparate que é de uma pessoa se atirar para debaixo da mesa. Tanta rede social, tanta comunicação social da treta que dá nisto: as pessoas mal informadas e desfocadas do que é essencial.

Ontem, do que vi da entrevista com o Ministro da Economia, Costa Silva, fiquei espantada com a quantidade de projectos relevantíssimos em curso. De nada disto se ouve falar. Mas, é verdade, Filo, a seguir não se organizam debates para comentar o que foi dito. E seria importante e interessantíssimo que se juntassem empresários, investigadores, professores, gestores, e em conjunto debatessem os avanços científicos e tecnológicos, os investimentos. Seria relevantíssimo que a população estivesse ao corrente do que se faz, se sentisse motivada a fazer mais e melhor.

Mas não. 

Aposta-se é na estupidificação massiva. 

Claro que, a propósito de coisas estúpidas, há bocado, apanhámos o fim da audição do Pedro Nuno Santos. 

Uma paródia, uma chachada, uma barracada. O que é aquilo? Perguntas parvas, atrás de perguntas parvas. Sete ou oito horas de perguntas e perguntas e perguntas. Não sei como é que os inquiridos se aguentam. Tenho ideia de que, se fosse comigo, às tantas me levantava e dizia: "Tenho mais que fazer. Vão dar banho ao cão. E, entretanto cresçam e apareçam. Chiça."

Já não faço ideia do que é que se quer apurar ali mas, seja o que for, se durasse uma semana, devia ser mais do que suficiente para fazer perguntas aos que teriam alguma coisa a dizer. Mas não. Cada um arvora-se em pide de aviário e pergunta, interroga, contra-interroga, volta a interrogar. E depois vem outro e faz o mesmo. Mil vezes a mesma irrelevante pergunta. Mil vezes o mesmo ar de suspeição, de censura, de prepotência. Uma tortura. Não se aguenta. Cerca de oito horas de interrogatório a cada desgraçado. Ontem tinha sido outro, já demitido, e ainda sim, interrogado, esmifrado, seviciado até à exaustão.

Anda aquela gente, aqueles que teoricamente deveriam ser os nossos representantes na Assembleia da República, a ganhar um ordenado pago com dinheiros públicos para ali andarem a dar aquele triste espectáculo. 

_________________________________________________________

Mas não são horas para perder mais tempo com o que não interessa. 

Prefiro mergulhar no azul. 

Mar. Peixes. Peixões. Pássaros. Passarões. Passarinhos lindos.

Muita beleza

Fish Vs Bird | 4KUHD | Blue Planet II | BBC Earth


_________________________________________

As fotografias, lindas de tão minimalistas, são respectivamente de Jose Marques Lopes, Pete Chapman, Elisabeth Brecher e AKittinan Googlegog. Podem ser vistas aqui.

______________________________________________________

Dias felizes
Saúde. Boa sorte. Paz.