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domingo, novembro 12, 2017

Golpe de luz


Isto mais para dizer que tenho que espreitar esse tal de Instagram. Diz-me a minha filha que é coisa mais imediata, só imagem. Na volta eu podia ter uma conta numa coisa dessas para lá botar uma foto todos os dias. 

Por exemplo, apetece-me mostrar esta fotografia. Passeando à beira d'água, encantada como sempre, aspirando a maresia, dou com um raio de luz dourada a banhar-se mesmo ali. Achei bonito. Talvez que não tendo o rumor das águas ou o perfume da maresia, a sensação ao ver a foto não seja a mesma que tive ao fazê-la mas, ainda assim, aqui fica.

Mas, lá está, se calhar não é coisa para blog mas para Insta. 
(Excesso de oferta, é o que é; muita treta. Não sei como é que há tempo para espreitar isso tudo, se uma pessoa começa a dispersar-se mas, enfim, um dia destes vou espreitar.)



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segunda-feira, abril 20, 2015

As flores e os frutos in heaven


Tarde de primavera no campo. As cores, as flores, os odores, a exuberância da natureza, a fertilidade da terra, os frutos que começam a ganhar corpo, tudo me parece ter uma existência transcendente. Não interfiro em nada, nada tem sido regado, cortado ou tratado, tudo existe por si, na sua imensa sabedoria, reproduzindo-se, renascendo, com um vigor feliz.

Logo à chegada, uma surpresa muito boa: uma nova ave do paraíso, indecente no seu colorido intenso, já tinha chegado. Ainda lá estava a sombra da do ano passado e eis que a nova já se ergue, tremendamente vaidosa.







E as flores estão por todo o lado, na terra, rodeando os caminhos, tombando dos canteiros, muito belas, cores alegres, puras.






E os pinheiros estão cheirosos, enormes, esgueirados, carregados de pinhas, verdadeiros cachos de pinhas. Serão preciosas para a salamandra e para a lareira quando vier o tempo frio.




Ainda não há muito o meu pai plantou este pinheiro aqui abaixo, teria um palmo. E agora já quer rivalizar com os montes ao longe, um adolescente espigado.




E junto das laranjeiras há um perfume intenso, doce, e não tarda as pequenas laranjas começarão a crescer e ganhar cor.




As nêsperas estão ainda bebés, com penugem, mas não tarda terão as cores do sol e o açúcar todo da terra.



Claro que me dá vontade de me virar para as pinturas, tentar passar para as telas as cores, a doçura, o calor bom que vem de dentro da terra. Mas o tempo não deu. Limitei-me a olhar para a mesa dos materiais e pensar que tenho que a arrumar - ou dar-lhe uso.




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A música é Vanguard - Sara Serpa & Ran Blake; e agradeço ao Leitor que me deu a conhecer este bom som.

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Descendo um pouco mais, do campo poderão circular em Lisboa.

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Lisboa, a bela - as faces da cidade e a realidade das coisas









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Sara Serpa e André Matos interpretam "A Realidade Das Coisas"



Letra de Alberto Caeiro, música de André Matos. Filmado em Villa Roma, Sintra

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