Do que a gente se apercebe, uma coisa é o que as pessoas são no dia a dia e outra é o que são por dentro. A gente vê pessoas que convivem, que dizem piadas, que riem, que trabalham, que são bem sucedidas, que têm uma vida normal, dir-se-ia que bem-sucedida e feliz, e, depois, quando mergulham dentro de si próprias, começam a desenterrar demónios, memórias angustiantes que, aparentemente, as têm mutilidado toda a sua vida.
Uma vez mais concluo que as pessoas são muito diferentes umas das outras pois as coisas de que muitas pessoas se queixam, passei por elas e não me fizeram mossa. De resto, só me apercebo disso ao ouvir relatar, com mágoa, o que lhes aconteceu. Penso: 'Olha, comigo também aconteceu isto...', porque, na verdade, nem me lembrava, pouca ou nenhuma relevância lhes tinha atribuído.
E, note-se, comparo comigo não porque me considere o fiel de alguma balança ou o alfa e o ómega do pedaço mas porque é o caso que tenho mais à mão e de que posso falar sem estar a cometer nenhuma inconfidencialidade.
Sou fã do Anderson Cooper em tudo o que faz. E o podecast em que conversa com pessoas sobre perda, sobre luto, sobre dar a volta, é muito interessante. Ele não apenas pergunta como ouve, ouve empaticamente, e faz observações sobre si próprio. São sempre momentos de partilha e, dado o tema que é, momentos de uma considerável intensidade.
Aqui fala com Sharon Stone. A bomba sexual de Instinto Fatal, a mulher com o cruzar e descruzar de pernas mais sensual do planeta, tem tido uma vida do caraças. E há que definir 'caraças' pois se há alturas em que ser do caraças é do melhor que há, noutras é o exacto oposto. É o caso.
Desde a hemorragia cerebral que a tirou deste mundo e a fez deslocar-se pela célebre luz branca, até ao complicadíssimo divórcio, à perda da guarda partilhada do filho, os vários abortos, a difícil relação com a mãe.... tudo lhe tem acontecido.
Mas está cá para contá-lo e isso é o mais importante. Com os olhos muito abertos, tentando controlar o choro, com a voz embargada, quase não conseguindo falar, Sharon Stone -- que já não é a mulher jovem e apetecível mas sim uma mulher interessante, pintora, defensora da igualdade de oportunidades entre homes e mulheres --, não contorna os obstáculos: vai de frente, fala, expõe-se, despeja o saco.
A mãe nunca lhe disse: 'Orgulho-me de ti. Gosto muito de ti'. E ela toda a vida carregou esse não-reconhecimento com uma grande mágoa. A minha mãe também nunca me disse isso. Mas nunca me importei. Provavelmente a diferença é que eu sempre acreditei que não são precisas palavras, e que, apesar de não o verbalizar, era isso que a minha mãe sentia por mim. De resto, há palavras que, a mim, muitas vezes me parecem enfeites desnecessários. Basta-me tomar o pulso à essência, senti-la lá, viva. Basta-me, e basta-me muito bem. Do que se percebe, e certamente por todos os antecedentes, Sharon Stone duvidava que a mãe o sentisse.
Mas não é só da mãe que ela fala. Carrega outras dores. A que foi uma das mulheres mais desejadas do mundo, que espalhava glamour por onde passava, tem, afinal, carregado muitas provações ao longo da sua vida.
Convido-vos a ver.
O luto complexo de Sharon Stone: "Para mim, está tudo bem sentir-me livre da minha mãe."
Sharon Stone viveu muitas perdas na sua vida, a mais recente das quais a morte da mãe, Dorothy, em 2025. Conta a Anderson Cooper que sentiu alívio após a morte da mãe e se sentiu "livre da minha mãe, livre do trauma dela".
0:00 O luto complexo de Sharon Stone
11:49 Stone fala sobre a sua falecida mãe
18:00 "Queria que ela morresse em paz"
23:59 "É normal ter todos os sentimentos que se tem"
Eu sei, ou julgo que sei, que um mentalista é um ilusionista que, em vez de trabalhar com cartas ou com lenços ou coelhos a saírem da cartola, trabalha com a observação, com a psicologia, com a manipulação.
E, no entanto, tal como, quando assisto a passes de magia, fico sempre entre o estupefacto e o estarrecido como se estivesse a assistir a alguma coisa impossível, também ao assistir às proezas dos mentalistas, fico incrédula, como se não pudesse ser, como se fosse coisa que transcende o que a razão consegue alcançar.
Idêntica reacção vejo nos que se sujeitam às experiências. Arrepiam-se, sentem que a sua mente está ser devassada, não conseguem compreender o que aconteceu, assustam-se.
Eu jamais me sujeitaria.
Por exemplo, nunca deixei que ninguém me hipnotizasse. Tive um professor que dizia que conseguia hipnotizar. Aparentemente, conseguia mesmo. Assisti a sessões disso. Ele perguntava quem é que queria colaborar e, claro, havia sempre destemidos que avançavam. Alguns iam com a ideia de o desafiar, não se deixando hipnotizar nem por mais uma. E lembro-me de cenas incríveis. Uns faziam figuras patéticas, totalmente vertidos para o personagem que o professor os mandava encarnar, outros resistiam ou fingiam e nós sofríamos ao ver o professor ao ver a sua arte ser questionada. Eu, nunca por nunca, conseguiria expor-me sem controlo sobre os meus actos. Não consigo estar em situações em que não tenha total domínio sobre mim própria. Por isso, nunca me embebedei, nunca me droguei. O mais que fui nesse domínio foi a sedação de quando fiz colonoscopia ou a epidural aquando da artroscopia. Mas aí foi porque teve que ser e, em qualquer dos casos, não fiquei acordada a fazer ou a dizer disparates. Puseram-me a dormir e foi tudo.
Nisto do mentalismo, apesar de saber que aquilo não tem nada a ver com sobrenaturalidades e que, no fundo, o que ali há são truques -- ou melhor, técnicas --, como não as consigo divisar, parecem mesmo uma estranha divinação e causam-me alguma inquietação.
Não obstante, gosto de ver. Talvez porque gosto de tentar perceber como o conseguem.
E, de entre os mais conhecidos mentalistas da actualidade, destaca-se Oz Pearlman. E é levado tão a sério que é convidado para palcos prestigiados.
É ver para crer.
Mentalista partilha alguns truques com Anderson Cooper
Diz que lê pessoas, não mentes — e não é nenhum mágico. O mentalista Oz Pearlman revela como as capacidades que impressionam as celebridades e os CEO podem ajudar qualquer pessoa a destacar-se, numa entrevista emocionante com Anderson Cooper, da CNN.
O mentalista Oz Pearlman impressiona toda a gente, de Joe Rogan a magnatas da tecnologia | 60 Minutos
O mentalista Oz Pearlman lê as pessoas tão bem que parece ler mentes. Partilha insights sobre os truques que intrigam bilionários, celebridades e atletas em plateias por todos os Estados Unidos.
Quando tinha para aí uns dezassete ou dezoito anos, não sei bem, o meu namorado da altura perguntou-me, quando fiz anos, se havia algum disco que eu gostasse de ter.
Naquela altura o conhecimento que havia -- sobre tudo mas, neste caso, sobre música internacional -- , era rudimentar face ao que hoje se passa. Hoje, com o youtube, o spotify e a internet em geral, o acesso ao conhecimento é instantâneo, praticamente universal, ubíquo. Mas, naqueles longínquos anos, os meus amigos eram muito apreciadores, havia sempre alguém que trazia discos de fora, e havia sempre festas com baile incluído, e, ou assim ou de qualquer outra maneira, eu ia minimamente sabendo sobre o que, a esse nível, se passava no mundo.
Disse-lhe que gostava do último LP do Bob Dylan. Ele ficou espantadíssimo. Não fazia ideia que eu soubesse da existência do Bob Dylan ou que gostasse dele a esse ponto. Se bem me lembro da expressão que fez, creio que terá até ficado preocupado, sem saber se conseguiria obtê-lo, em especial no prazo de meia dúzia de dias, até eu fazer anos.
Mas ofereceu-mo. Provavelmente está ainda junto dos outros LPs que trouxe de casa da minha mãe. Não sei.
O que sei é que eu gostava imenso de ouvir o Bob Dylan. Adorava. Tudo ali era desalinhado: a voz, a música, a letra, ele próprio. E eu gostava muito disso.
Do Timothée Chalamet também sou fã. Também é desmanchado e também parece ter sido tocado por um talento insólito, pouco usual. Sempre que o vejo a actuar, fico espantada. Que rapaz versátil, que capacidade de representar inacreditável. Agarra qualquer papel e, em todos eles, é fantástico. Faz sempre que fique claro que bem representar é uma arte. Ainda não o vi a representar o Bob Dylan mas quem viu diz maravilhas.
Quanto a Anderson Cooper já aqui o trouxe muitas vezes: gosto imenso dele. É um repórter e um entrevistador extraordinário, talvez o melhor. Não há reportagem ou entrevista que ele faça que não seja irrepreensível, memorável ou quase.
Por isso, a entrevista que conduz com o Timothée Chalamet a propósito da sua interpretação do Bob Dylan é um prazer.
Timothée Chalamet: The 60 Minutes Interview
“A Complete Unknown” actor Timothée Chalamet, known for “Dune,” “Wonka,” and “Call Me By Your Name” grew up wary of acting. He explains why and how he ended up making movies.
"60 Minutes" is the most successful television broadcast in history. Offering hard-hitting investigative reports, interviews, feature segments and profiles of people in the news, the broadcast began in 1968 and is still a hit, over 50 seasons later, regularly making Nielsen's Top 10.
Tenho muita dificuldade em processar o que está a passar-se.
Por exemplo, nunca consegui entender bem o que levou Putin a marimbar-se para o Direito internacional e a avançar sobre a Ucrânia, sempre me pareceu coisa de doidos, de gente delirante, de psicopatas encartados, algo de que qualquer país teria meios para se se defender. Mas não. Também nunca percebi como é possível que os próprios russos não consigam demarcar-se do crime em curso ou forçar a queda de Putin.
E ainda estava eu a digerir esta maluquice quando acontece o impensável: os americanos elegem o criminoso e tolo e parvo e narcisista e imprevisível Trump.
E quando ainda estamos a digerir esta vitória e a impensável atribuição de um poder desmedido a outro maluco que já tinha poder mais do que suficiente, Elon Musk, eis que Trump, ainda antes de ser eleito desata a fazer afirmações indigeríveis, malucas para além da conta.
O mundo divide-se entre levá-lo a sério ou parodiá-lo. Mas a verdade é que, com estes delírios, de certa forma Trump legitima a actuação de Putin.
Tantos séculos de civilização, tantos avanços científicos, tantas teorias filosóficas e tantos estudos psicológicos, e, afinal, damos por nós de boca aberta sem perceber bem o que falhou, em que momento se iniciou esta deriva em que as pessoas parece que preferem ser governadas por mentirosos, por cínicos, por gente ameaçadora, gente doida.
Mas, enfim, os tempos não vão fáceis a vários outros níveis e tomara que nos aguentemos até que o mundo volte a avançar com um mínimo de racionalidade.
E que o humor nunca nos falte, que a capacidade de nos rirmos jamais se extinga.
Conan's Greenland weather report cracks up Anderson Cooper
Conan O'Brien talks with CNN's Anderson Cooper about his visit to Greenland after President Donald Trump said he wanted to buy it, and showed video of him presenting the local weather forecast in the native Greenlandic language.
Ainda está em teste e a ser avaliada a sua utilização (em 266 escolas nos Estados Unidos). E o 'tutor', que foi designado por Khanmigo, ainda se engana de vez em quando. Ou seja, não se pode já dizer que isto já está no 'terreno'. Não, está em fase piloto. Mas há uma equipa de técnicos e de professores a monitorizarem todas as situações e a incorporarem no algoritmo as devidas alterações.
Contudo, face ao que se vê, dá para perceber que no prazo de uns dois anos, se calhar até antes disso, se terá atingido o estado da arte que permitirá a sua extensão a todas as escolas e, provavelmente, a todo o mundo (pois acredito que já esteja a ser traduzido para ´muitas línguas).
Não será capaz de substituir apenas (muitos) explicadores: irá alterar radicalmente a forma de ensino. Não digo que substitua os professores mas, certamente, muitos professores não conseguirão acompanhar a pedalada do Khanmigo. Quanto aos encarregados de educação, terá também que ser um salto gigante.
Tal como, quando eu estudei, não havia internet e tudo o que sabíamos tinha que ser obtido nas aulas ou através dos livros (ou sebentas) que tínhamos à nossa disposição e agora já há internet para pesquisar tudo e mais alguma coisa e até parece impossível termos conseguido viver sem motores de busca, GPS, e etc, daqui por algum tempo parecerá impossível ter-se conseguido avançar escorreitamente no ensino sem ferramentas como o Khanmigo.
Apesar de ser de alguma duração (cerca de 13 minutos), sugiro que dispensem atenção pois é um avanço fantástico a que está a assistir-se na forma como se ensina e se aprende.
Meet Khanmigo: The student tutor AI being tested in school districts | 60 Minutes
Khanmigo, an AI-powered online tutor, could change the way teachers work and students learn. Created by Khan Academy, the new technology is being piloted in 266 school districts.
Gosto muito do Anderson Cooper. Entre outras virtuosas características que, a meu ver, o colocam como um dos grandes jornalistas e repórteres da actualidade, tem a de ser uma pessoa que exerce a empatia com bom senso e sensibilidade.
Nascido numa família milionaríssima, com algumas tragédias na família, ele é fruto de um caldo familiar, cultural e social que poderiam tê-lo feito bem diferente do que é.
Whoopi Goldberg, nova-iorquina tal como Anderson mas os seus antecedentes são bem diferentes.
Contudo, ao falarem da perda da mãe e do irmão, estão irmanados na saudade e no desgosto que sentem.
A dor pela perda dos que amamos, de uma forma ou de outra, deve ser sempre muito parecida. Mesmo que a estranhemos, mesmo que não a saibamos interpretar, mesmo que tenhamos dificuldade em descrevê-la, é sempre qualquer coisa que nos marca de uma forma profunda.
Uma das questões abordadas por eles tem a ver com o que deve dizer-se a alguém que perdeu um ente querido. Tenho a mesma dificuldade, nunca sei o que dizer. Geralmente, não digo nada.
Contudo, vejo (e ainda recentemente o testemunhei) que há pessoas que se esforçam por dizer coisas muito elaboradas e, em momentos em que agradecemos silêncio e pouco mais, nos empatam a paciência com discursos intermináveis sobre a lei da vida e outras pérolas.
Whoopi lançou um livro em que também fala sobre isso e Anderson entrevistou-a. E emocionou-se.
Watch Whoopi Goldberg's emotional conversation with Anderson Cooper about death
CNN's Anderson Cooper sits down with Whoopi Goldberg to discuss her new book "Bits and Pieces", which discusses coping with the death of her mother and brother
Tenho ideia que se costuma dizer que as mulheres que escrevem são perigosas. Mas, se calhar, é mais abrangente.
Na verdade, muita gente tem achado Salman Rushdie perigoso e ele já tem pago, de todas as formas possíveis, as consequências dos riscos que corre ao escrever.
Se antes, as ameaças, o viver sob protecção e tudo aquilo por que passou, certamente lhe deixou algumas marcas, a última situação, o atentado à facada, deixou-lhe marcas físicas muito evidentes. E traumas que parecem também evidentes.
Tudo o que envolve o crime perpetrado contra ele é terrível, a começar pelo sonho premonitório. Nem imagino o que é ter um pesadelo, ficar assustado, ficar sem vontade de ir, e, depois, viver essa situação, sentir-se apunhalado, catorze vezes a faca a entrar-lhe no corpo, não conseguir defender-se, cair a sentir que estava a esvair-se, o chão a encher-se de sangue... Estar às portas da morte depois do terror pelo qual passou deve ser terrível, não saber a extensão e as implicações das lesões... tudo terrível.
Mas ele tem conseguido vencer as ameaças, as más lembranças, os fantasmas, transformando-os em palavras.
Andersen Cooper, como sempre, mostra que é um dos grandes entrevistadores do nosso tempo
Salman Rushdie has come to terms with the attempt on his life the only way he knows: by writing about it in his new book. He details the experience in his first television interview since the attack.
Como geralmente acontece, o Dia de Ano Novo foi vivido cá em casa. Só por isso já é, para mim, um dia feliz e a melhor maneira de começar o ano. E o meu desejo é que seja também um dia feliz para todos os que aqui partilham o dia.
Claro que, enquanto isso, fui fazendo um esforço para não deixar que a nuvem sombria que paira sobre mim não transparecesse e não ensombrasse também os demais.
Agora estou com as unhas pintadas de azul claro e, em algumas, há desenhos em cor de rosa, em branco e em dourado. Foi a minha menina que as pintou, de tarde, tal como pintou as da tia. E a tia pintou as dela.
E o meu menino mais novo, sempre reguila e esquivo, hoje estava mais meiguinho, deixou-se abraçar e beijar sem protestar. E todos aceitaram juntar-se na escada para uma fotografia em família que ficou muito bem.
Momentos sempre bons, vividos em harmonia e doçura.
Para não me pôr para aqui com mais votos ou com ladainhas, avanço já para o lado prático da questão.
Para o almoço fiz duas saladas, um rolo de salmão, arroz de carnes e salada de frutas
Vou contar como fiz.
Para picar:
Queijos, rolinhos de presunto e tostinhas com trufas trazidas pela minha filha, azeitonas.
Para começar:
Salada de salmão
Coloco alface iceberg no fundo (do ponto de vista vitamínico, acho que esta alface é a mais fraca. Mas é do agrado de todos, pelo que aposto nela para todos comerem salada, nomeadamente os miúdos). Era para ter posto abacates mas esqueci-me. Dois queijos mozzarellas frescos desfiados. Salmão fumado. Tempero com azeite, um pouco de sumo de lima e orégãos.
Salada de ovo
Numa tigela de vidro, coloco alface iceberg em baixo. À parte misturo maionese, ketchup e três ovos cozidos, um quarto de cebola branca (doce) migada, umas quantas azeitonas pretas sem caroço migadas. Coloco essa papa sobre a alface e envolvo. Por cima, migo dois ovos cozidos e mais umas quantas azeitonas pretas descaroçadas picadas. Passo um leve fio de azeite e uns quantos orégãos.
Para continuar:
Rolo de salmão
Numa frigideira, fritei, em azeite, uma cebola branca bem picada. Juntei salsa picada. Quando a cebola estava bem mole, juntei uma maçã cortada em cubinhos minúsculos. Temperei com sal. Deixei que quase se desfizessem. Depois juntei duas embalagens de espinafres frescos. Tapei a frigideira e deixei que os espinafres amolecessem. Misturei.
Temperei os lombos de salmão com um pouco de sal, abundante sumo de lima e cebolinho picado.
Estendi uma folha de papel de ir ao forno. Em cima coloquei um rectângulo de massa folhada fresca. Na parte central da massa, longitudinalmente falando, coloquei a cama de espinafres (e cebola e maçã). Por cima os lombos de salmão temperados. Cobri com abundante, mas ponham abundante nisso, mozzarela ralado. Fechei o rolo, puxando a massa para cobrir o dito recheio. Para dar graça, fiz-lhe suaves golpes em diagonal. Antes tinha batido um ovo inteiro (ia lá desperdiçar a clara...) com o qual pincelei o rolo.
Peguei no papel sobre o qual o rolo tinha sido montado e enfiei-o numa forma de bolo inglês. Ensinou-me isso o meu filho: o rolo fica aconchegado, não se corre o risco de abrir e desmanchar-se.
Por acaso, não fiz um: fiz dois rolos. O outro foi igualzinho só que, por cima, depois de pincelar com ovo, espalhei-lhe em cima sementes variadas, incluindo de abóbora, e ainda orégãos.
Antes tinha posto o forno a aquecer a 200º. Quando lá enfiei as formas com os rolos de salmão baixei para 170º. Não vi o tempo, talvez uns 40 ou 50 minutos, não sei. Sei que a meio quando me pareceu que corria o risco de tostar rapidamente demais, reduzi para uns 150º.
Arroz de carnes
Num panelão coloquei azeite, duas grandes cebolonas picadas, um bom ramo de salsa picada, dois tomates bem maduros cortados aos pedaços, louro, dentes de alho, três grandes cenouras cortadas aos cubinhos, uma mini (sim, mini: cerveja), rojões de porco e moelas bem lavadas e cortadas aos bocadinhos. Passado um bocado juntei coxas de frango do campo ao qual tirei previamente a pele. Apenas para dar um certo leve apontamento de sabor e graça, juntei um niquinho de bacon aos bocadinhos e um outro de chouriço de carne, de boa qualidade, também aos bocadinhos.
Enquanto cozinhava retirei um pouco de caldo para outro tacho. Aí coloquei carne cortada em strogonoff de novilho dos Açores. Depois de levantar fervura, um ou dois minutos e desliguei. Acho que assim fica mais macia.
Quando as outras carnes estavam macias, desossei as coxas de frango. Juntei água a ferver para ficar quase o dobro da quantidade de caldo relativamente à quantidade de arroz. Quase porque depois ia chegar mais caldo. Ajustei o tempero de sal. Quando levantou fervura, juntei o arroz basmati. Quando estava quase, juntei a carne de novilho e o tal respectivo caldo. Antes que estivesse o caldo todo absorvido, vazei tudo para um tabuleiro de forno.
Enfeitei com tirinhas de bacon e rodelas do tal chouriço. Foi ao forno para acabar de cozinhar, para secar e dourar as carnes enfeitantes da superfície.
Para terminar
Doces
Usei os bolos que sobraram do Natal e que descongelei, um bocado de tarte de amêndoa que a minha nora trouxe e que tinha sobrado da véspera, um doce de limão merengado que comprei e bombons.
Salada de frutas gelatinada
Numa tigela, coloquei duas maçãs cortadas aos cubinhos, quatro nectarinas aos cubinhos, vários bagos de uva sem grainha. Juntei uma embalagem de kefir de morango e umas quantas de gelatina de morango. Tudo sem açúcar. Misturei. Cobri de mirtilos.
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Temo-nos revezado nas visitas à minha mãe. Durante a semana fui eu, no fim de semana, os meus filhos. Quando regressaram, contaram que, apesar de tudo, estava menos queixosa. Menos mal, portanto.
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Saíram de cá, depois do lanche, já era noite, já os meninos tinham brincado, já quase todos tinham jogado a um jogo de cartas (claro que o 'quase todos' não me inclui, não consigo jogar a estas coisas, não tenho paciência para aprender regras).
Consegui que levassem alguns restos (porque, já se sabe, sempre com medo que falte, faço invariavelmente comida a mais).
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Quando aqui me sentei adormeci logo. Depois, primeiro que conseguisse energia para escrever isto foi difícil. Durante esse processo, de despertar, estive a vir alguns vídeos, por vezes adormecendo pelo meio, dos quais partilho estes três.
Anderson Cooper on freeing yourself from the burden of grief
The World Ahead 2024: five stories to watch out for
Why the world is going crazy—and how to win back our minds | Jamie Wheal | Big Think
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Nota: No dia de Natal de manhã, andando eu a lamentar não termos enfeitado a casa, o meu marido, madrugador, foi apanhar musgo e, sobre um tabuleiro, montou um presépio feito com presepiozinhos que gosto de coleccionar e com duas figurinhas que eram de quando ele era pequeno. Face à gripe da minha filha, como contei, o Natal foi em casa dela pelo que só hoje puderam ver o presépio feito de vários presépios. Por ter sido iniciativa do meu marido, gostei imenso. Direi mesmo que fiquei sensibilizada.
A fotografia não ficou famosa, reconheço..., mas a esta hora não me apetece ir fazer outra. Mas acho que dá para ficarem com uma ideia, não dá?
No vídeo abaixo, Yevgenia Albats, corajosa jornalista russa, diz a Anderson Cooper o que pensa do que está a acontecer no seu país.
De uma forma ou de outra todas as vozes lúcidas convergem, dizendo o óbvio. Putin é um dead body que mata sem piedade por motivos fúteis, mentirosos, pretensamente imperialistas mas, na verdade, mal calculados, mal engendrados, e que inflige morte aos ucranianos e aos russos numa luta irracional e criminosa que é tão mais tresloucada quanto mais sente que a sobrevivência lhe foge.
Putin sabe que o que está a fazer ao seu país, impondo a guerra, forçando a guerra, agudizando a guerra, querendo forçar os homens do seu país a ser carne para canhão, só poderá ter um desfecho e, cobardemente, tenta, a todo o custo, atrasá-lo mesmo que, por cada dia que o consegue atrasar, muitas vidas sejam sacrificadas.
O mundo civilizado não lhe perdoará os crimes, os violentos atentados, o sangue e a dor que tem estado a causar. Mas, de entre todos, quem mais quer travá-lo e quem mais o odiará para todo o sempre serão os próprios russos.
Milhares fogem como e para onde podem, outros, corajosos, vão para a rua manifestar-se, outros tentam partir os próprios braços para não serem alistados.
Esta guerra cruel e miserável não vai acabar bem para ninguém pois ninguém sai bem de uma guerra. Mas vai acabar ainda pior para Putin, esse bandido que age à margem da lei, que mostra que não tem coração nem razão.
Não tenho palavras para expressar a minha admiração pela coragem e pela determinação de todos os que, debaixo de um céu que lhes traz bombas e mísseis, muitas vezes sem água, sem luz, muitas vezes vivendo dias a fio em abrigos, amontoados, sem ar fresco ou qualquer conforto, continuam a dizer que aguentarão até que a Rússia seja expulsa, até que a Ucrânia vença a guerra, até que volte a paz ao seu país.
Durante muito tempo Anderson Cooper conversou remotamente com uma jovem mãe. Agora foi, finalmente, visitá-la. Com os seus três filhos, um dos quais bebé, com o marido a lutar pelo país, Olena faz das tripas coração e continua a sorrir enquanto tenta que os filhos tenham uma vida tão normal quanto possível. Mas diz com determinação: não nos esqueceremos e não perdoaremos.
Tenho pena que o vídeo, tal como outros que aqui tenho partilhado, não esteja legendado mas, ainda assim, aqui fica.
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Anderson, depois de andar a falar com Olena Gnes há meses, finalmente encontra-se com esta mãe ucraniana que tem vivido em abrigos em Kyiv
Ver pessoas com armas apontadas na sua direcção. Pensar que se vai morrer. Sentir que se foi alvejado e pensar que o mais certo é que se vá mesmo morrer. Ver, ao lado, um amigo a ser alvejado. Querer que o amigo não morra. Ser levado para ser tratado e perceber que o amigo está a ser deixado para trás. Lembrar os outros que não deixem para trás o amigo. Estar no hospital sem saber o que aconteceu ao amigo. Depois, saber que o amigo morreu. Não poder acompanhar o amigo na sua última viagem. Pedir para lerem um poema para o amigo que não estará lá para ouvir. Agora falar de tudo isto. Falar dos pesadelos que não o deixam dormir em paz. Tentar travar as lágrimas.
Este poema:
Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate,
I am the captain of my soul.
'I kept saying bring Brent': Inside the moment bullets struck journalist Brent Renaud
CNN's Anderson Cooper visits photojournalist Juan Arredondo in a New York hospital, as the photographer recounts the moment he and award-winning filmmaker Brent Renaud came under fire while covering the war in Ukraine.