Tudo o que é coisa destas funciona a toque de caixa dos algoritmos. E os algoritmos funcionam com base em estatísticas e probabilidades: 'o que é que me chama a atenção?' 'Dos vídeos que me são mostrados (e são mostrados porque o algoritmo admite que é provável que me interessarem), quais os que me levam a abri-los?', 'Desses, quais vejo até ao fim?', 'Desses, quais partilho?', 'E faço pesquisas? Sobre que assuntos?'... E, com base nessa informação, o algoritmo vai aperfeiçoando o conhecimento que tem dos meus gostos. E, portanto, hierarquizando os meus interesses e fazendo um match selectivo com os vídeos/publicações disponíveis, é-me mostrado, por ordem decrescente de probabilidade de acertarem na mouche, uma selecção. Por isso, raramente me aparecem coisas que estão na moda, vídeos virais, palhaçadas de influencers de meia tigela, bonecadas parvas com citações requentadas, etc. Nem aqui nem no instagram. Quando ouço a outras pessoas ou na televisão comentários sobre personagens conhecidos fico sempre a leste: a mim não me chega dessa sucata. Em contrapartida, ao ser alimentada com temas e vídeos ou publicações que, à partida, são seguramente do meu agrado, fico com menos margem de manobra para pesquisar por mim ou para ser surpreendida por qualquer coisa em que nunca antes tinha pensado. O algoritmo forma uma teia que pode ser, a nível intelectual, uma ratoeira. Lidar com isto é, em si, uma aprendizagem.
Mas, passando adiante, que ninguém deve querer saber destas minhas considerações, hoje fui presenteada como uma entrevista em que in illo tempore, e já lá vão quarenta anos!, Gloria Steinmen conversava com Robert Redford, tristemente agora já ambos do lado de lá. E é um gosto. Pessoas inteligentes e, ainda por cima, com charme são outra coisa. E é uma coisa gostosa de ver como a química é algo de impalpável mas importante quando duas pessoas conversam. Não tem que ser uma química sexualizada, pode ser uma química que nasce das afinidades, da compreensão do encontro de sorrisos, da cumplicidade intelectual. Mas é tão bonito de ver.
Retrospetiva: Entrevista de Gloria Steinem a Robert Redford em 1986
Nesta entrevista de 1986 com Robert Redford, a editora da revista Ms., Gloria Steinem, Redford revela que grande parte da personalidade desajeitada da sua personagem na comédia "Legal Eagles" foi inspirada na sua vida real.
Foi hoje. Quando estávamos a sair para o nosso passeio, estava o vizinho a chegar com uma das crianças. Como tinham os outros carros lá dentro, parou à porta de casa e estava a tirar coisa do porta-bagagem. Pensei: 'Não é cedo nem é tarde', e ataquei. E ele explicou. Não vou revelar mas é uma coisa surpreendente para mim, não me passaria pela cabeça nem conheço um dos intervenientes da questão. Ficámos muito tempo à conversa, contou muitas coisas que desconhecíamos. Portanto, estou esclarecida e, de certa forma descansada embora compreenda que eles têm ali um problemão. Coloquei-nos à disposição deles para o que precisassem. Vizinhos são para isso mesmo.
Não tive lata de perguntar o porquê de se terem posto às escuras, isso já me pareceu cusquice a mais. Mas admito que possa ter feito sentido. Disse ao meu marido o que me parecia uma possível explicação. Respondeu-me que o que estava a dizer não fazia qualquer sentido. Não sei. Mas é irrelevante.
Quase que fico é com material para escrever uma sequela do meu 'Um ordenado paraíso'.
Aliás, estava a ouvi-lo e já a pensar em como destilar aquilo para transformar depois numa narrativa cheia de intriga, acção e suspense.
Já agora, para quem não sabe: a expressão 'um ordenado paraíso' integra um dos meus poemas preferidos, 'As causas' de Jorge Luis Borges (poema que, de certa forma, no meu livro conduz um romance de amor) e usei-a para retratar um 'bairro' em que as casas são uma maravilha, rodeadas de belos jardins, um local tranquilo, tudo o mais aparazível possível, em que parece que nada acontece, uma paz que nada perturba, mas em que, portas adentro, é um desfiar de acontecimentos insólitos, grande parte deles aparentemente inexplicáveis, incoerentes, quiçá até um pouco heterodoxos.
Continuo quase maneta. O quase advém de que mão até tenho e de que ela até mexe. O que mal mexe é o braço pois o cotovelo continua inchado, encravado e doloroso.
Não me apetece ir ao médico pois sei que teria que fazer rx e o escambau e que, portanto, teria que ficar nas urgências a penar. Tenho esperança que, com anti-inflamatório, analgésico, pomada, gelo e imobilização (ie, braço ao peito), isto vá ao sítio.
[Não tenho aqui Transact mas não creio que funcione neste caso não apenas porque, sendo o cotovelo, não sei se o rectângulo adesivo funcionaria (acho que funciona melhor em superfícies lisas como as costas) mas, sobretudo, porque isto deve ter sido alguma rotura de ligamentos ou uma inflamação aguda nos tendões e creio que o Transact é para coisas mais light, tipo contracturas ou distensões. Digo eu.]
Por isso, não apenas não consegui regar, varrer ou outras coisas básicas e essenciais no meu dia a dia, como continuo a escrever sobretudo com a canhota pois alguns inocentes movimentos de mão provocam-me incomodativas dores no cotovelo.
Portanto, com as minhas desculpas, não vou comentar os comentários (nem sequer os do Mr. Implicante que, apesar de revelar algum sentido de humor, deve ser viciado em gramática e deve padecer de um défice agudo de simpatia -- simpatia ou empatia?).
Passei o dia, pois, na maior indolência, sobretudo lendo e vendo vídeos.
Contudo, a minha natureza puxa-me para a paródia pelo que dou por mim a ver vídeos que me fazem rir e, manhoso como é o algoritmo do youtube, às tantas só me dá é disso. Então, para ver se me cultivo, ponho-me a ver tutoriais sobre maquilhagem, sempre na vã esperança de descobrir quem me ensine como, num minuto (isto é, num único minuto), se transforma uma mulher normal, madura, numa esbelta e viçosa barbie. E, às tantas, começam a aparecer-me tutoriais de toda a espécie e feitio, uns que transformam pretas em brancas, nórdicas em gueixas, outros que transformam olheirentas e papudas em frescas e fofas, outros que transformam narigudas em narizinhas. Nada de útil face às minhas expectativas.
Tem-me também aparecido muita coisa séria como as alterações climáticas mas, por estes dias, para coisas sérias já bastam as terríveis imagens dos incêndios na Grécia ou tempestades na Suíça.
Por isso, não tenho nada de jeito que possa trazer aqui à colação. Quanto muito partilho este vídeo com dois fantásticos: Leonard Cohen interpretando o maravilhoso Dance me to the end of love e o elegante e cavalheiro Robert Redford a dar corpo à coisa.
E, vendo-o, penso: como é que eu, no estado em que estou, poderia corresponder caso me aparecesse um Redford desta vida a convidar para dançar?
PS: Começo a convencer-me que vou ter que interiorizar que o meu corpo não é o de uma atleta sempre pronto para os desafios que se me deparem. Uma maçada, isto.
Penso que a primeira vez que vi Meryl Streep deve ter sido em Kramer contra Kramer. O filme era muito bom e a Meryl e o Dustin Hoffman tinham um desempenho também muito bom, tocante.
Tenho ideia que o vi numa salinha pequena que creio que havia na estação dos Restauradores, lá em cima.
Tudo tão longínquo que chego a duvidar da minha memória.
Pode acontecer que já a tivesse visto antes em Deer Hunter (que não me lembro se vi no S.Jorge ou noutro cinema, ou em Manhattan (que creio que vi no Estúdio, que penso que funcionava no Império -- creio que o Satélite era no Monumental). Que vi estes filmes vi mas não sei estabelecer a sequência.
Mas a cronologia aqui é irrelevante. O que me interessa é que fiquei logo rendida ao talento dela.
Por essa altura, mais coisa menos coisa, também fiquei maravilhada com A Amante do Tenente Francês, ela e Jeremy Irons.
Mas depois veio A Escolha de Sofia. Já tinha lido o livro e tinha ficado impressionadíssima. Por isso receei ver o filme. Mas fui ver. E não vim decepcionada. De tal forma que agora, se ouvir falar n'A escolha de Sofia, é em Meryl Streep que imediatamente penso.
A quantidade de filmes em que a vi e em que sempre a achei extraordinária não sei dizer.
Um em que imediatamente penso quando quero pensar num filme inesquecível é o Out of Africa e, aqui, também, o filme é indissociável dela. Magnífica.
Como pessoa, do que tenho visto, sempre conseguiu manter-se normal, sempre conseguiu manter-se afastada do 'estrelato', nunca a vi deslumbrada.
É extraordinário como ela consegue absorver de tal modo a personagem que tudo flui tão naturalmente que parece que ela, Meryl, se dilui. E isso acontece em qualquer registo. As mulheres que ela representa em As Pontes de Madison County ou em O diabo veste Prada não poderiam ser mais diametralmente opostas. E, no entanto, parece que são pessoas que existem de verdade e cuja existência se justifica de per se, encarnações verídicas de Meryl.
Depois de um domingo maravilhoso, em família, um domingo ameno, com um sol afável, as buganvílias a cobrirem-nos de cor, os pássaros a voarem e a cantarem no meio das flores, apetecer-me-ia pôr-me para aqui a falar de cada uma das pessoas que aqui hoje estiveram, de como me sinto feliz por elas. Feliz, abençoada, agradecida. Mas temo repetir-me e, por isso, hoje vou à boleia da sugestão do Youtube que me mostrou os vídeos que partilho mais abaixo, com excertos de uma entrevista já com alguns anos mas que é bastante actual pois tal como Meryl Streep é intemporal, também as suas palavras o são.
Mas, antes, apetece-me rever os trailers de alguns dos seus filmes maiores.
A fotografia lá em cima é da autoria de Annie Leibvovitz.
Segunda-feira nunca é um bom dia. É daqueles axiomas que é bom que ninguém ouse questionar. Segunda-feira é o início do que pode vir a ser uma sucessão de dias carregados de chatices. Numa segunda-feira as tréguas do fim de semana ainda estão longínquas.
[Os Leitores reformados, ao lerem isto, esfregam as mãos de contentes: para eles todos os dias são fim de semana. Bem sei. São uns sortudos. Mas lá chegaremos, nós os pobres coitados que por aqui ainda andamos a trabucar.]
Enquanto não, tenta levar-se o melhor possível embora haja quem não se aguente sem moer a paciência aos outros. Para mim o pior é quando olho para a agenda e penso que tenho ali um buraquinho que virá mesmo a calhar para repousar a minha beleza e, acto contínuo, logo recebo uma chamada a pedir que arranje um bocadinho para uma reunião urgente. E uma pessoa tenta que não mas, às tantas, não tem como não e lá se vai o buraquinho à vida.
[A língua portuguesa é traiçoeira, também sei]
Agora tenho aqui uma coisa a chamar por mim. Ainda antes de ir para a cama terei que ver e despachar esse assunto. Não me apetece nem um pouco pois estive a trabalhar até há pouco, estou mais do que saturada. Mas, quando o dever me chama, parece que não consigo entregar-me ao desfrute da escrita mesmo se de uma colecção de frioleiras postas em palavras se tratar. Podia saltar por cima disto, do blog. Pois podia. Mas, enfim, ficar sem escrever também não consigo. Addicted to writing.
E, então, pensei escrever sobre uma coisa que li na Vogue francesa: as cenas mais eróticas do cinema. Fui conferir, curiosa. Como é costume nestas coisas, parece que quem escolhe os melhores livros, os melhores filmes, as melhores cenas faz de propósito para deixar os outros a sentirem-se ignorantes. Dos oito filmes, apenas conheço três. E das cenas que consegui ver, talvez por descontextualizadas, não achei grandes espingardas. Além disso, agora acontece uma coisa que me encanita solenemente: ao seleccionar um vídeo que contenha alguma ceninha mais encaloradita, o Youcoiso pede que comprove que sou adulta. Não estou para isso, era o que me faltava. Portanto, como não estou para fornecer comprovativos, marimbo-me para as ditas cenas.
A beatice vai alastrando. Claro que há que acautelar que as coisas não sejam vistas por crianças. Mas, caneco, parece que preferia as salas de cinema em que a barragem era feita à porta. Agora aqui...? Não basta a publicidade em cima de tudo senão ainda isto...? Que seca, caraças.
Por isso, com tanto entrave e chachada, desisto das listas alheias. Acontece que, para listas próprias, tenho um problema do escambau: não as tenho anotadas, não as tenho de cabeça e, pior ainda, a cabeça não está formatada para fazê-las.
Posso aqui enunciar algumas cenas ou alguns filmes que tenho a certeza que amanhã me ocorrerão outros, provavelmente mil vezes melhores. E não estou certa de que o algoritmo que é mais lápis azul e beato que fedorentozinho de antanho me deixe abrir o vídeo para conferir. Vou tentar mas, acreditem, não garanto que seja muito para levar a sério. E são oito apenas porque não posso ficar aqui a noite toda a puxar pela cabeça ou a tentar encontrar vídeos que expliquem o critério.
. 1 .
Lady Chatterly, na versão de Pascale Ferran, com Marina Hands e Jean-Louis Coulloc'h um filme belo demais. Mas, mais do que caliente, é belo, belo demais. As cenas mais eróticas apenas são disponibilizadas a quem provar que é adulto. Portanto, vai o trailer.
. 2 .
Dangerous Liaisons de Stephen Frears com Glenn Close, John Malkoviche Michelle Pfeiffer, um filme sensual da cabeça aos pés, passando pela insolente língua de Malkovich (e isto já para não falar do olhar, da voz, das mãos, do andar dele, o descaradão e perverso do Visconde de Valmont)
. 3 .
The Horse Whisperer de Robert Redford com ele e com Meryl Streep, envolvente demais
. 4 .
Damage de Louis Malle com Juliete Binoche e Jeremy Irons. Tem a chatice de não acabar bem mas, antes de acabar, é bom até dizer chea, a começar e a acabar na voz do Jeremy Irons
. 5 .
The Unbearable Lightness of Being de Philip Kaufman com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche, Lena Olin, um filme para sempre, com cenas inesquecíveis (a Lena Olin ficará para sempre na minha memória com aquele seu chapéu)
. 6 .
Closer de Mike Nichols com Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen
[Larry : You like him coming in your face?; Anna : Yes! Larry : What does it taste like?; Anna : It tastes like you but sweeter!]
. 7 .
La vie d'Adèle de Abdellatif Kechiche com Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos
O azul definitivamente a cor mais quente
. 8 .
The French Lieutenant's Woman de Karel Reisz com Meryl Streep e Jeremy Irons.
Uma segunda-feira que começa cedo e que vai de enfiada até ao fim do dia é uma segunda-feira para esquecer. Tanto saco, tanto pepino, tanto sapo. A meio de uma reunião que estava a deixar-me com os nervos em franja, já incapaz de disfarçar a minha impaciência, recebi uma mensagem: 'Temos quatro monos na sala'. Deu-me vontade de rir. Tal e qual. Logo de seguida, um outra: 'Pelo menos...'. A partir daí, atalhou. Percebemos ambos que dali, por mais que espremêssemos, não sairia sumo. Quando a reunião acabou, ligou-me: 'Qualquer dia estamos os dois sozinhos'. E eu, apreensiva que também ando: 'Pois. Mas não pode ser. A verdade é que o tempo passa e a conversa não evolui. Não desenvolvem. O que é que a gente faz?'. E sugeri que apostássemos na mais improvável. Concordou. Tenho cada vez mais a convicção de que quando a mudança é profunda, quando os desafios são dos valentes, quando é preciso pragmatismo e capacidade para cortar a direito, as mulheres são mais capazes. É para fazer? Então, faz-se. Não há cá converseta da treta, mas-mas, não há cá medo de ouvir um não: é pão, pão, queijo, queijo.
Mas é uma canseira.
A minha filha diz-me frequentemente que tenho que gerir as coisas no sentido do phasing out. Conhece alguns dos intervenientes e antevê que não me 'deixarão' sair tão cedo. Diz que eu é que tenho que pôr os pés à parede, gerir as coisas nesse sentido. E é o que quero. Mas, por outro lado, são largas, muitas, centenas de famílias que dependem da empresa. Sinto a responsabilidade de fazer o melhor possível.
Da empresa de que saí o ano passado saí com a noção de que tinha cumprido a minha missão e que lá ficaria uma equipa, a 'minha equipa', gente competente e dedicada, que asseguraria a continuidade. Saí com a convicção de que tinha preparado bem a minha saída.
Aqui é tudo muito diferente. Tudo diferente.
O meu marido diz que me esgoto nesta luta. E é um bocado verdade.
Estou in heaven mas mal consigo usufruir. À hora de almoço, saí para andar e para falar com a minha mãe. Ao fim da tarde também. A meio do dia, sempre que falei ao telefone, estive a andar à porta da sala, para a frente e para trás. Nestes telefonemas de trabalho não gosto de me afastar pois a toda a hora me pedem que veja o mail ou que veja a disponibilidade e dá-me mais jeito sentar-me ao computador enquanto telefono para este tipo de validações.
Mas, ao fim do dia, a app informou-me que tinha feito 12.929 passos, o que corresponde a 8 km. E, imagine-se, queimei 502 kcal. Menos mal.
E isto é a maçadora síntese do dia.
À noite, aqui, vi que Bill e Melinda Gates, o dream couple, vai separar-se. Fiquei deveras surpreendida, Dir-se-ia que já teriam ultrapassado todos os cabos das tormentas, que, casados há 27 anos, certamente já enfrentaram. Ele com 65, ela com 56, diria eu que já achariam que o divórcio é coisa para dar mais trabalho do que continuarem a resolver as diferenças. Afinal, o quarto homem mais rico do mundo e a sua mulher que, em conjunto, gerem uma das fundações mais poderosas do mundo, chegaram ao ponto de não retorno. É obra. Já em 2019, MacKenzie Scott, a ex de Jeff Bezos, ao divorciar-se conseguiu a proeza de se tornar a terceira mulher mais rica do mundo e, acto contínuo, fazer filantropia à sua maneira, sem cuidar de acautelar previamente os benefícios fiscais.
Mas é isso: quem tem a ilusão que dinheiro é felicidade e que resolve todos os dramas, bem pode tirar o cavalinho da chuva. É ver quase todos os mais ricos desta vida: Gates, Bezos, Musk. Falta o alienado Zuckerberg. Ou o outro dream couple, a Angelina Jolie e o príncipe encantado de todos os sonhos, Brad Pitt. Dinheiro não lhes falta, sucesso também não. E, no entanto, na intimidade da casa, são como todos os outros casais, têm diferenças. E, por vezes, seja qual for a dimensão da fortuna, as diferenças são insanáveis.
Moral da história? Não há e ainda bem que não há. Detesto quando as histórias pingam moral.
Até porque se é para falar de coisas sérias vou antes falar de outra coisa. Já aqui contei muitas vezes: nada me descansa mais e repousa, tranquiliza, refresca as ideias e me prepara para tudo do que um belo banho. Não sou de água fria. Pode ser tépida no verão mas, no inverno, convém que se lhe sinta o calorzinho. Em especial, fico outra, retemperada, poderosa, se lavo o cabelo. Uma bela shampoozada, água a correr-me em cima até que se vá toda a espuma, e eu ali, com vagar, a deixar que todos os cansaços, aborrecimentos e desconfortos se vão pelo ralo abaixo. Coisa boa. Por sorte não precisei ainda de psicoterapia ou medicação para ansiedades ou angústias. A minha terapia é o banho, em especial com lavagem de cabelo incluída.
Pois bem. Acabo de ler no The Guardian que ‘It’s like therapy’: how washing your hair can lift your mood – and change your life. Hairwashing can be a catharsis and a reset, the purifying sluice of water rinsing a bad day down the plughole (...) Li e pensei: olha, afinal, se calhar, não sou maluca de todo. Comentei com o meu marido. Confirmou, disse que com ele acontece o mesmo. Desatei-me a rir: 'Essa é boa. És careca!'. Não concordou. Disse que eu não devia fazer uma leitura tão literal, que o ponto está em como lavar a cabeça levanta o astral -- a cabeça, não o cabelo. Está bem, abelha. Na volta acontece-lhe é como às pessoas que perdem uma mão e que parece que continuam a senti-la: ainda sente como se tivesse cabelo. A vontade de rir que isso me dá. E calma, que não se pense que estou a depreciar. Nada disso. Sou como as demais que é dos carecas que mais gostam.
Já contei, não contei? Uma vez, estando a ouvir a conversa de dois colegas sobre a queda de cabelo, um a dizer que não tinha problema nenhum e outro a dizer que estava a fazer um tratamento e que estava a resultar muito bem, saiu-me, sem querer: uma amiga que é médica, disse-me que a principal causa de calvície é a testosterona. Quanto mais, mais o cabelo cai. Ficaram os dois em silêncio. E eu com vontade de rebobinar e retirar o que tinha dito. A coisa propagou-se. Durante anos, ouvi toda a espécie de piadas. Quando aparecia algum cabeludo, havia sempre alguém que me piscava o olho ou que me dizia: 'Aquele... coitado...'. Uma vez estava numa situação social, com gente que não conhecia muito bem, e às tantas, alguém falou do cabelo farto de um qualquer. E, às tantas, para meu sufoco, um dos meus colegas disse: 'Aqui a nossa amiga tem uma teoria sobre isso...'. E todos, virados para mim: 'Ai é...? Conte...'. E eu, furiosa com ele: 'Desculpem mas não posso. É uma private joke... Não levem a mal'.
Mas, também calma aí, há cabeludos que eu também não rejeitaria. Por exemplo, o dito príncipe dos príncipes, Pitt, Brad Pitt. E outros. Ou seja, quem vê cabelos não vê corações. Nem corações nem o resto, bem entendido.
E é isto. Termino com uma citação que acho o máximo e que vem mesmo aqui a calhar: «Yesterday is history, tomorrow is a mystery and today is a gift, that is why it is called the present.» (Eleanor Roosevelt)
Gosto de dançar, sempre gostei. Contudo, ultimamente, sempre que há circunstâncias que convidam à dança, nunca é dança a dois na versão dantes designada por slow. Agora é mais na base da libertação do corpo, mas a libertação como movimento individual. Tenho uma amiga que é certinha, sempre muito compenetrada e rigorosa, ponderada. Mas, mal sente o sopro de uma música bem batida, solta-se a fera que há dentro dela e assistimos a uma metamorfose. Work hard, play hard, desculpa-se ela quando vê o nosso espanto. Entrega-se em absoluto ao prazer de libertar o corpo e não quer saber de limites. Mas isso se for uma libertação a solo e com a música desencabrestada. Em registo slow nunca vi mas, na volta, seria a mesma voluptuosa entrega. A questão é que, quando há música para dançar, nunca é música slow. Agora slow é a food ou o living. O slow dancing parece ter caído em definitivo desuso. E, no entanto, há melhor forma para os corpos se aproximarem, se testarem, se conhecerem? Li uma vez, e achei bem pensado, que há amor quando dois corpos se reconhecem. Concordo. Amor que é amor a sério tem que ter corpo, toque, olhar, pele, tem que se sentir o calor que se evola do corpo do outro, tem que se sentir o abandono que se desprende do corpo daquele que se deseja, tem que se sentir a urgência das mãos do outro procurando o nosso corpo, tem que se sentir a sua respiração e o toque dos seus lábios na nossa pele.
Portanto, recordemos como é bom dançar assim e iniciemos um movimento a favor do regresso do slow dancing.
Já estava um bocadinho atrasada mas o dia estava tão bonito que isso não foi tema. Quando cheguei ao pé do meu marido, ele disse-me: 'Não te disse? Tu disseste cinco para a uma e eu disse que se fosse à uma e cinco seria uma sorte'. Expliquei a razão do meu atraso. Quando estava a sair, tinha sido interceptada por alguém que teria muito para dizer mas cujas palavras interceptei. Então, ele contou: 'Mesmo agora passou por aqui o ex-ministro [e referiu a pasta] e hesitou, como se me conhecesse e viesse cumprimentar-me'. 'E tu?'. 'Eu desviei-me, disfarcei'. Mas logo a seguir apareceu o presidente [e disse o nome de uma associação patronal] e aconteceu mesma coisa, vinha cumprimentar-me. A mesma coisa, exactamente'. 'Mas estavam juntos?'. 'Não, primeiro um, e entrou para o restaurante. A seguir o outro. E entrou também'. Achei graça e ele também tinha achado. E, assim conversando, dirigimo-nos ao simpático restaurantezinho que descobrimos há pouco tempo.
Pedimos aqueles gostosas entradinhas de que ambos tanto gostamos e estavamos no petisco e a conversar quando reparei que ele estava de olhos postos não sei onde que não em mim. Não gosto. Zanguei-me: 'Estou a falar e tu a prestares atenção não sei a quê'. E ele disse: 'É que acho que entrou a [e disse o nome de uma conhecida deputada europeia] e não pude deixar de reparar'. E, quando me virei para olhar, já ela vinha avançando para uma mesa perto de nós. Jeans, botins, maleta de viagem. Por uma vez não a achei pior nem mais baixinha do que se vê na televisão. Pelo contrário. Bonita, aspecto simpático. Sempre ao telemóvel mas, como é apanágio dela, sempre com um ar vagamente sorridente.
Quando saímos, comentando o ar primaveril e ele brincando com o facto de no prazo de menos de uma hora ter estado ao pé de três pessoas tão 'famosas', olho para o lado e quem vejo? Uma conhecida senhora com uma toilette primaveril, bouquet primaveril na mão e um sorriso encantado de quem tinha acabado de ser presenteada. Fiquei com vontade de ir cumprimentá-la: 'Ora viva! Então como está, Santa Mana?' mas comportei-me.
A seguir separámo-nos e seguimos em direcções opostas, cada um para o seu trabalho. Pensei que teria precisado de um almoço mais prolongado e de ter visto mais celebridades para aguentar melhor a sessão em que ia participar a seguir. Não gosto de me maçar antes de estar no meio das maçadas mas, neste caso, conhecendo do que a casa gasta, não pude deixar de me pôr a pensar no possível antídoto ao que me esperava nas próximas horas. Ia na Antena 2 mas apeteceu-me espevitar. Pus na TSF. E, então, para minha alegria, estava a começar os Sinais. Para se perceber como sou tão absurdamente primária, confesso aqui que, instantaneamente, me esqueci da reunião que ia ter e de tudo o mais à superfície da terra. Encantada, ouvi. Encantada. Como tantas vezes, com aquele arrepio que me percorre a pele. Felizmente o meu piloto automático funciona bem pois a verdade é que desligo. Desligo mesmo. Involuntariamente entrego-me à emoção que me toma: isto quando ouço os Sinais, um andante de Debussy, uma fuga de Bach, o canto de um pássaro, quando contemplo o voo de uma gaivota, a beleza de uma árvore, uma pintura, quando leio uma poesia, quando recordo um momento especial.
Vamos embora, intuí que se chamasse a crónica. Que bom poder testemunhar o prazer das palavras ditas por quem as tão bem sabe escrever e dizer.
Vamos embora -- disse o senhor Rádio, Fernando Alves de seu nome
E depois a reunião foi longa, longa, agitada, e, a meu ver, inconsequente. Mas o tempo o dirá. Penso, para me dar descanso, que não tenho que tentar evitar todos os meus passos que vejo à minha volta. Como nos disse uma vez um senhor da aldeia a quem pedimos que plantasse choupos num lugar que ele dizia inapropriado: 'Mas querem que eu ponha aqui os choupos, eu ponho. Em havendo dinheiro...'.
E depois, já noite, vim para casa. Como habitualmente, vim conversando. Com a minha mãe, com a minha filha. Depois, já cá em casa, fizemos planos para o fim de semana. Mas, entretanto, em conversa com o meu filho, os planos levaram uma reviravolta.
E, entretanto, adormeci.
E agora estou a ver de novo Out of Africa, um dos filmes que nunca me cansarei de ver. E estou a reparar como um dos actores é igual, igual, igual, a um colega meu. Porque é que nunca antes tinha reparado? Porque nas outras vezes que vi o filme ainda não o tinha conhecido? Ou porque o actor entretanto mudou de feições e de maneira de ser para se pôr igual ao meu colega? Mistério.
E agora estou a ver aquela cena de que tanto gosto, uma intimidade profunda, uma cumplicidade que é tão boa de (vi)ver.
E é isto. Vamos embora.
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Um bom sábado a todos.
Que a alegria vos acompanhe.
Eu, que não sou nostálgica, leio com alguma antecipada saudade que Robert Redford vai deixar de actuar. Parece que não vai retirar-se do mundo do cinema, só mesmo de actuar, talvez se limite a realizar.
Racionalmente penso que faz bem já que tudo tem um fim e que o Robert Redford que eu recordo com mais gosto já não é o Robert Redford de hoje, com oitenta e um anos, olhos cercados por uma malha fina de rugas, um cabelo que secou, um corpo que parece ter perdido aquela elasticidade frágil que parecia feita para ser abraçada por uma mulher.
Mas estou a ser injusta. Toda a gente envelhece e o charme não se perde com a idade. Quem sabe como agradar a uma mulher, sabe-o em qualquer circunstância, ao longo da vida. E, de resto, estou a dizer coisas absurdas porque representar não se restringe a agradar às mulheres que assistem na plateia, no escurinho do cinema.
Hoje não estou nos meus melhores dias, não me chegam as palavras para aqui as dizer.
Por isso, não levem a mal que apenas vos deixe aqui excertos de quatro filmes em que participou.
O primeiro, Uma proposta indecente, não é extraordinário, longe disso. Mas tem graça. O segundo e o terceiro, respectivamente, África minha e O encantador de cavalos, estão entre aqueles de que não esqueço, talvez também porque contracena com duas atrizes que admiro incondicionalmente, Meryl Streep e Kristin Scott Thomas. Não coloco aqui os trailers mas cenas que me parecem significativas. O último vídeo é o último em que Robert Redford entrou, O velho e a arma. Não se sabe se será mesmo o último já que ele mesmo diz que nunca se deve dizer nunca. Não sei quando virá para Portugal mas parece ter graça.
Depois do 'artista de mamilos' do post abaixo, estava com vontade de fazer aqui uma gracinha mas há gracinhas que apenas a civilização permite. Ora aqui, in the middle of nowhere, com uma internet a pedal, em que cada página demora eternidades a abrir, com o próprio computador a rebentar pelas costuras, não consigo fazer nada do que queria.
Desespero a ver esta coisa a pensar -- e se me maçam as coisas lentas (as coisas e as pessoas) que dão voltas e voltas aos neurónios sem que dali saia coisa que se aproveite, credo, que falta de paciência. Estou aqui e é o chamado dançar, dançar e não sair da pista. Cada página atravanca a outra, fica tudo pasmado, nem ata nem desata, mastiga e não engole. E por aí fora que, se continuo com metáforas, daqui a nada estou naquela que se impõe. Caraças.
Por isso, e tendo já intervalado para ler - senão, enfurecia-me para nada que não é a minha impaciência que torna a internet mais rápida ou me limpa o disco do computador - volto aqui com um novo plano que, a bem dizer, pode ser plano nenhum que, se isto continua assim, vou ler um pouco mais e...oh oh, ó-ó.
É verdade: a televisão já funciona e afinal não era humidade (thanks de qualquer maneira, Rosa!), era mesmo nabice, uma ficha estranha enfiada na tomada errada aqui na geringonça da tdt, coisa que um olhar jovem e entendido logo detectou. Mas a oferta televisiva é miserável.
Neste momento, estou a ver uma coisa que não sei como se chama mas que tem a gente do Big Brother ou Casa dos Segredos e há outras pessoas, que admito que sejam concorrentes, que são do pior que se possa imaginar. Inenarrável. Vou desligar.
Portanto, meus Caros, hora de procurar o que me agrade noutras paragens. Vamos lá. A pedal, devagar, devagarinho, mas vamos lá.
Uma imagem
Uma fotografia que é quase uma pintura, uma mulher que é quase imaginação
Quando dei conta de Scarlett Johansson (que já fazia filmes há uns aninhos), achei não apenas que ela era a jovem mais encantadora do nosso sistema solar, mas também uma actriz com futuro, se tivesse bons agentes, boas propostas, bom gosto. Aquela menina com rosto de Vermeer, mas com uma anatomia e uma carnalidade que intimidaria o cavalheiro de Delft, chegaria onde quisesse. Infelizmente, tirando os good looks, a promessa não se manteve, justamente numa década da vida em que chovem os grandes papéis.
Ainda que contássemos com todos estes títulos, e só um incondicional o faria, restam dezenas de inanidades «juvenis», comédias sem nexo, filmes com super-heróis, umas femmes fatales às três pancadas. É pena, porque há poucas actrizes a representar aquele «tipo», com aquela intensidade, naturalidade e confiança, apesar de uma certa limitação de registos. Talvez seja preciso que passe de miúda a mulher, não sei. E talvez chegam melhores propostas, melhores agentes, melhores escolhas. No cinema, ser linda de morrer ajuda; mas também ajuda que se entre nuns quantos filmes lindos de morrer.
Ao ler isto, lembrei-me do Encantador de Cavalos. Scarlett já por ali andava e andava bem (apesar de coxear). Não obstante, das actrizes femininas deste filme, eu preferir Kristin Scott Thomas (sempre a vacilar entre a virtude e o pecado, coisa que acho bastante interessante), não posso deixar de referir que Scarlett já, por esta altura, mostrava a sua sinceridade carnal.
Não sei se ela já era, então, linda de morrer ou se este filme é lindo de morrer. Mas que são ambos marcantes, lá isso são. Eu, pelo menos - e não sou cinéfila-, lembro-me de todos eles e, embora não seja dada a repetir aquilo de que gosto, não me importaria nada agora de o rever. Há uma cena fantástica entre Kristin e Robert Redford de que me lembro muito bem. E a forma como ela se vai embora também é muito tocante. Cenas.
Mas a conversa é sobre Scarlett e não sobre Kristin,
Quando quero ver um filme, o meu marido costuma perguntar quantas estrelas lhe dão os críticos. Se dão mais do que três ele fica desconfiado, já hesita. E eu tenho que lhe dar razão. Poucas vezes gostei muito de filmes a que davam 4 ou cinco estrelas.
Da lista seleccionada por Manuel S. Fonseca, Francisco Ferreira, Pedro Mexia, Jorge Leitão Ramos, Vasco Baptista Marques e António Loja Neves fazem parte filmes que vi e de que gostei como o Paris, Texas, o Apocalipse Now, a Morte em Veneza, Belle de Jour, o Anjo Azul, Luzes na Cidade. Vi outros, alguns dos clássicos, mas tenho dificuldade em incluí-los nos meus preferidos. E vejo ali outros, não clássicos (como, por exemplo, O joelho de Claire, um dos preferidos de Pedro Mexia), que não achei nada de extraordinário.
Por outro lado, não vejo ali filmes de que gostei bastante. Claro que não sou cinéfila nem sou capaz de sustentar comparações que envolvam mais do que o meu gosto pessoal. Nem tenho grande memória para agora me pôr aqui a hierarquizar os filmes da minha vida.
Por isso, é ao correr dos dedos e sem a pretensão de incluir todos os que elegeria se me esforçasse mais que aqui vou incluir alguns que me estão na memória como sendo filmes que me ficaram marcados. Há a história, há os actores (Meryl Streep, Jeremy Irons, Glenn Close, Malkovich, Juliette Binoche, Daniel Day-Lewis, Robert Redford, Kristin Scott-Thomas, Daniel Auteil, Sabine Azéma, Robert de Niro, etc), há a realização, há a imagem, há a música. Não saberei bem dizer.
Alguns já aqui os mencionei, incluindo até os trailers. Perdoem-me, portanto, a repetição.
Pintar ou fazer amor
Um de que falei muito recentemente: Lady Chatterly
Um muito anterior, A amante do Tenente Francês
A insustentável leveza do ser
Ligações perigosas (Dangerous Liaisons)
África minha
As pontes de Madison County
Closer (Perto demais)
Damage
O encantador de cavalos
E não vos maço mais pois agora, de repente, comecei a lembrar-me de muitos mais, como o Lágrimas e Suspiros, o Paciente Inglês, a Violação, O Carteiro de Pablo Neruda, o Taxi Driver, Lili Marleen, Annie Hall, etc, etc, etc, etc, e até o Braveheart.
Mas é isso, não gosto nem de experimentalismos, nem de filmes muito conceptuais, nem de filmes que destilam violência gratuita, ou depressivos, ou chatos. Pelos filmes que me ocorreram assim de repente e cujos clips aqui coloquei, constato que sou essencialmente uma romântica, coisa que de resto, já estava farta de saber.
PS: Volto ao texto depois de ler o comentário, que agradeço, da Leitora Maria e que poderão aqui abaixo e que relembrou alguns dos seus filmes e que são também alguns dos meus. Convido-vos, pois, a abrir os comentários para os ver. No entanto, vejo-me quase compelida a acrescentar aqui pelo menos três desses.
O primeiro filme que me marcou fortemente, andava eu no liceu:
E tudo o vento levou
Casablanca
1900
E claro que fico ainda com vontade de referir também o Jogo de Lágrimas, o M. Butterfly, A room with a view (não traduzido porque não me lembro se a tradução foi literal), A Idade da Inocência, etc, etc, mas não vou aqui ficar a escrever o resto do dia a maçar-vos.
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Tenham, meus Caros, um belo domingo.
E, já agora, uma sugestão: acendam uma velinha para que nas reuniões do (des)governo deste fim de semana, das duas uma: que saia dali um orçamento que reponha os ordenados e os impostos para que fiquem iguais aos que eram há uns dois anos e com medidas para o relançamento da economia ou, então, que os ponham tão ridiculamente altos que Cavaco Silva se veja obrigado a dar uma valente e definitiva corrida em osso ao Passos Coelho logo na segunda feira, xô, xô, xô daqui para fora já!
Robert Redford, Kristin Scott Thomas, Sam Neill e Scarlett Johansson (ainda menina) no Encantador de Cavalos, um filme que não me importo de rever de vez em quando (ao contrário do que acontece com grande parte dos filmes). Talvez não seja extraordinário, não sei se é ou não, não sou expert, mas há um equilíbrio, uma graciosidade, uma largueza de espaços, uma beleza, um desprendimento na representação - não sei explicar bem - que torna este filme, aos meus olhos, um filme harmonioso, que me tranquiliza, que apela por mim.
(Tal como acontece com outros tais como, por exemplo, As pontes de Madison County ou o Lady Chaterly de Pascale Ferran ou até mesmo o Dangerous Liaisons de Stephen Frears).
Estava aqui a pensar a propósito de quê me tinha lembrado hoje disto mas acho que já sei: deve ter sido por ter estado ao pé daqueles cavalinhos ternurentos (vidé post de ontem sobre a primavera ou o das Historinhas da Tá)