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sexta-feira, janeiro 02, 2026

Abrir as hostilidades lendo as mentes

 

Neste momento já não é o primeiro dia do ano e, portanto, escuso de fazer um post muito alinhado. Pensei fazer um post sobre a natureza, sobre uma extraordinária borboleta, ou sobre o que ler faz ao cérebro, e claro que só faz bem, ou sobre acontecimentos marcantes ou sobre os avisos, que se sucedem, sobre os riscos da Inteligência Artificial.

Mas o meu dia foi muito bom, mas com a primeira metade um pouco cansativa. Nestes dias, ponho o despertador para me levantar cedo e, de imediato, entro em erupção criativa a nível culinário. Só me apetece fazer coisas, um buffet completo. O meu marido entra em stress, diz que é um disparate, que eu deveria simplificar. E pergunta-me o que vou fazer. Digo que só sei quando fizer. Ele pensa que estou a desconversar mas não é. é mesmo. Faço sem antes ter pensado no que ia fazer. Pergunta-me: 'Mas nunca fizeste isso. Leste em algum sítio?'. Não. É tudo, ou quase tudo, na base do improviso. E tudo na base de muitas etapas preparativas. Tudo feito com grande prazer. Mas, como é para muita gente, a coisa complica-se. Por exemplo, fiz um lombos de salmão em papelotes com puré de batata e ovo e espinafres salteados, o peixe pincelado com uma emulsão de mostarda, sumo de lima e sal. Várias etapas: cozer as batatas (normais e doces) e os ovos, saltear os espinafres, fazer o molho, e depois dispor tudo nas folhas de papel vegetal. Muitas. A bancada de um dos lados ficou toda ocupada, até com papelotes sobrepostos. Depois tudo para o forno. Mas isto foi uma das coisas. Uma de muitas. Até fiz uma pizza. Tudo. E foi bem apreciada. Acho que nem a provei. Fiquei foi com vontade de fazer mais. Pode ser que depois conte. Hoje não.

A tarde foi tranquila, boa. Uns jogam, outros veem televisão, tudo tranquilo e animado, um ou outro com uma pancada de sono tal o reveillon, mas, enfim, a alegria do costume. 

Mas o que eu quero dizer é que hoje não estou numa de falar nem de coisas sérias, nem de coisas fofas nem de assuntos que merecem respeito. Estou é capaz de ir dormir.

Por isso, vou abreviar e vou antes partilhar um vídeo com aquele fulano que parece ter dons extraordinários. Supostamente não são dons, são habilidades. Mas é uma coisa que parece do outro do mundo de tal forma é do caraças. 

Fico super curiosa, gostava de perceber como é que uma coisa destas é possível. E, pelo que se vê, deixa estupefactas pessoas habituadas a ver e ouvir de tudo, como é o caso, por exemplo de Anderson Cooper. E é com isto, com estas cenas mentalistas, que, aqui no blog, abro as hostilidades em 2026.

O mentalista Oz Pearlman impressiona Andy e Anderson | CNN Véspera de Ano Novo 2026

"O quê?! Como isso é possível?" O mentalista Oz Pearlman aparentemente lê as mentes de Anderson e Andy ao vivo na Times Square na véspera de Ano Novo.


Desejo-vos, de novo, um bom 2026

E um dia feliz, este de hoje e todos os que se seguirem

quinta-feira, janeiro 01, 2026

Feliz Ano Novo!
Venha daí esse 2026 que cá estaremos para o receber de baços abertos.

 


Como dizia um amigo, que não percamos nada do que nos é relevante. Nada nem ninguém. E, se o ano for assim já não será mau,

Poderia especificar mais alguns votos: que tenhamos saúde, saúde é tão importante, que sintamos alegria e motivação, que nos sintamos amados, reconhecidos, que nos sintamos em paz connosco e com os outros, que saibamos ver a beleza que nos rodeia, que saibamos reconhecer os gestos de generosidade e que nunca nos esqueçamos de os agradecer, que saibamos receber e retribuir o afecto, que saibamos ser justos e firmes na exigência de justiça, que saibamos ser verdadeiros e exigir a verdade, que saibamos fazer boas escolhas e percebamos que só nós somos responsáveis pelas nossas escolhas. E que aqueles que amamos ou, simplesmente estimamos, se mantenham bem e perto de nós.
E mais. E mais. Tudo de bom.

E vai daqui um abraço.

Feliz 2026!

🎇🎉🎉🎊🎊🎇

terça-feira, fevereiro 11, 2025

Ano novo, vida nova

 

No primeiro dia do ano, no meio de festejos e celebrações, consegui arranjar tempo para conseguir cumprir o meu desejo: publicar um livro. Já estava muito encaminhado, quase, quase, mas consegui que o que faltava se concretizasse ainda no dia 1 de Janeiro. E, depois desse, já avançaram outros. 

Porque li por todo o lado e me disseram que, sem redes sociais, é para esquecer, cedi e rendi-me: aderi ao instagram. Não publico selfies nem tenho gatinhos para mostrar. Estou a dar os primeiros passos, a aprender, a tentar perceber qual o gozo ou a utilidade. Mas já estou a dar os meus primeiros passos e a ver como tirar partido sem ficar 24 horas por dia a ver a avalancha de posts que, em contínuo, corre pelo feed. Isto já para não falar nas stories e em tudo o resto.

E porque era uma necessidade que vínhamos sentido e também muito por pressão familiar, inscrevemo-nos num ginásio e já começámos a 'malhar'. Faço bicicleta, passadeira, máquinas para os braços, máquinas para as pernas. 

Claro que tendo os dias as mesmas horas, há que reajustar rotinas para encaixar novas solicitações. As caminhadas continuam sagradas, tratar da casa, cozinhar, falar com a família, ir às compras, tudo isso continua a fazer parte dos imprescindíveis, portanto, por vezes o tempo parece que não chega. Parece não: não chega. Não chega mesmo.

Claro que há que pacientar pois as alterações nas rotinas levam algum tempo até que a gente as encaixe sem perturbação.

Depois, pelo meio, há os extras que, parecendo que não, roubam tempo. Por exemplo, hoje fui à consulta anual de cardiologia. Antes tinha feito análises e exames. Felizmente está tudo bem. E o médico confirma que só faço bem em somar o exercício físico mais 'pesado' às caminhadas. Para a semana, adicionaremos pilates. Mais tempo adicionado às novas rotinas.

Mas, para uma consulta, que deve ter demorado menos de meia hora, perdi praticamente toda a tarde. Ir, estacionar, entrar, esperar pela vez (como sempre, o médico estava mais de uma hora atrasado), depois, assim como assim, não se ia desperdiçar o passeio sem ir comer um belo gelado. Depois ainda fui ao supermercado. Conclusão: horas.

Ainda não é hoje que vou divulgar os nomes dos livros nem o nome da autora nem o caminho para o meu instagram pois ainda estou a apalpar terreno, a perceber se as coisas têm pernas para andar. Logo que me sinta mais confiante, de tudo aqui darei a devida conta.

Acho que vos devo isso pois a vossa presença aí desse lado sempre foi um incentivo, uma companhia, uma mão que se estende. 

Até lá peço que não levem a mal não ter respondido a comentários ou a mails. Não tenho tempo... Leio tudo, disso podem estar certos. Quando aprender a organizar-me dentro destas novas solicitações, creio que voltarei a ter mais disponibilidade.

Abraços.

quinta-feira, janeiro 02, 2025

[Actualizado] - O menu do almoço de Ano Novo com as respectivas receitas
e, desta vez, com algumas fotografias

 

Para quem já leu este post, coloco já aqui, à cabeça, o que ontem me esqueci de dizer e que hoje faço questão de aqui deixar. Diz respeito ao caldo com base no qual fiz a canja e o arroz,

Como digo mais à frente, fiz de véspera. Depois de separados, tudo ficou no frigorífico.

E o tema é este: como é óbvio, de manhã, a gordura tinha coalhado como eu pretendia. Então, retirei-a toda (pelo menos creio que sim). Talvez não fique tão bem apaladado mas fica seguramente mais saudável.

E era isto.

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Agora, sim, o post com as receitas propriamente ditas.


Foi também o meu filho que sugeriu: pato assado sobre arroz e galo capão no forno. Toda a gente achou bem pelo que assim foi. No talho do costume, encomendei com antecedência. 

De véspera eu e o meu marido começámos a ficar apreensivos: não seria pouco? Eu disse que também ia fazer canja e que ia fazer tiropitas, umas de salmão, outras de alheira, em qualquer dos casos com ricota (outro dia logo conto como é). O meu marido disse que, mesmo assim, talvez fosse de ver se tinham lombinhos de porco.

Na véspera de ano novo, fui buscar a encomenda. Quando me viu, o senhor foi lá dentro e regressou com ar feliz. E disse: 'Tem aqui um galo que é uma categoria. Uns costados e uma peitaça que sim senhor...'. Quando vi nem queria acreditar. 5,500 kg (por extenso: cinco quilos e meio). Gigante. O pato, de 2,500 kg, ao lado do outro parecia um patinho.

Claro que nem perguntei se tinha lombinhos. Difícil foi transportar aquela carga (mais uns ossos para o cão estar entretido e mais uma morcela de arroz e uma alheira) até chegar ao pé do meu marido. Não sei quanto pesavam os ossos mas só entre o galo e o pato iam oito quilos.

Mas, então, a preparação começou de véspera:

1. Preparação do caldo para a canja e para o arroz 

Já contei que, quando há muita confusão cá em casa, fazemos com que o cão esteja entretido com um osso. Peço sempre osso que não lasque. Como não queremos que ele prove a carne crua, cozemos sempre o osso (tem sempre uns bocadinhos de carne agarrada).

Portanto, de véspera, numa panela grande com muita água coloquei uma cebola muito grande aos bocados, uma cenoura grande aos bocados, um alho francês inteiro, um bom molho de salsa, miúdos, o pescoço do galo (que era um pescoço grande, uma perna de galinha, unas asas), um pouco da gordura do pato. Não coloquei sal.

Depois de tudo cozido, retirei o osso. Retirei também todos os miúdos e todos os legumes, desossei as carnes. Separei o caldo: uma parte para a panela onde iria fazer a canja. Outra parte para o arroz, juntando um bocado de chouriço de carne de boa qualidade aos bocadinhos. 

Deixei os legumes cozidos e os miúdos e a carne aos bocadinhos para depois.

Para as carnes ganharem sabor, foram postas a marinar antes de nos preparamos para a recepção ao Ano Novo.

Tempero do galo capão

Numa tigela, juntei: meia mini (cerveja), um bocado de azeite, sumo de um limão, um pouco de tomilho, um pouco de orégãos, um pouco de alecrim, um pouco de pimentão doce em pó, sal, e vários dentes de alho picados. Misturei bem. No maior tabuleiro que encontrei, que era o único em que o galo cabia, coloquei-o e fui despejando a marinada por cima, esfregando bem a pele do bicho. Cobri com papel de alumínio, e coloquei no frigorífico.

Tempero do pato

Muito idêntico mas, em vez de sumo de limão, sumo de laranja. Não levou pimentão. Em contrapartida, juntei um pouco de mel. Esfreguei também bem o pato. Cobri o tabuleiro e frigorífico com ele.

Aqui chegada, a primeira dificuldade: com o frigorífico cheio, o tabuleiro do pato já não cabia. 

Teve que vir o meu marido, até porque eu já mal podia com o tabuleiro do galo. Lá conseguiu pôr o tabuleiro do galo por cima do do pato, espalmando-o (mas, enfim, pormenor)

Em ambos os casos, já tínhamos tido o reveillon, antes que o meu marido fosse para a cama, tirámos os tabuleiros, mudei a posição dos bichos, voltei a esfregá-los com a marinada. E, entretanto fiz o recheio do galo.

Recheio  e agasalho do galo

Numa tigela, coloquei pão duro e seco (mas em bom estado, sem cheiro a pão velho) cortado aos bocadinhos, juntei a cebola e o alho francês, a cenoura, misturei tudo. Os legumes tinham um pouco de caldo que amoleceu o pão. Juntei um pouco de sal e um fiozinho de azeite. Juntei um pouco de alheira, e misturei. Introduzi no interior do galo e baixei para o ar poder circular. Com fio culinário, apertei as patas e fechei o galo. 

Com cuidado, descolei um pouco a pele no peito e nas costas. Com cuidado, coloquei líquido da marinada e introduzi fatias muitos finas de bacon. Depois tive cuidado, tentando ajeitar a pele como se nada tivesse por baixo. 

E voltou para o frigorífico.

Ida das carnes para o forno

Às oito horas, tirámos os tabuleiros do frigorífico. Voltei a virar as carnes e a colocar as marinadas em todas as reentrâncias. A ideia é que as carnes não podem ir frias para o forno (recomendações do meu filho que, na cozinha, é cientista e engenheiro).

O meu marido, entretanto, colocou a lenha no forno de lenha para que por volta das 11h, o pato pudesse entrar.

Às 9h, o forno eléctrico foi ligado com a temperatura no máximo.

Entretanto, retirei o galo para a grelha do tabuleiro e escorri a marinada remanescente. No tabuleiro coloquei uma beringela (com casca) aberta ao meio, batatas doces cor de laranja, batata doce roxa, duas grandes cebolas, meio kilo de feijão verde, um alho francês, salsa.

Por cima do tabuleiro com os legumes, a grelha com o galo.

Quando fui colocar o tabuleiro no forno... não cabia.

Este tabuleiro cabia no forno da outra casa. Mas este forno, pelos vistos, é mais estreito. E eu sozinha em casa, a manobrar aquele peso... (o meu marido tinha ido passear o cão)

Fui experimentar outros tabuleiros. O galo era grande demais. Portanto, usei o próprio tabuleiro do forno e a própria grelha. Nada de mais, só que o tabuleiro do forno é baixíssimo e os legumes estavam altos. 

Ou seja, tive que estar a rearrumar os legumes para não transbordarem. 

E lá foi. O galo coberto com o papel de alumínio. Isto, eram 9 e meia.

Perto das 11, entrou o pato para o forno de lenha, também coberto com papel de alumínio.

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Às 11 e meia, tirámos os legumes pois já estavam bons e pusemos água no tabuleiro de baixo onde antes estavam os legumes. Virei o galo ao contrário e pincelei com mel e azeite. Tapado, de novo para o forno.

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Canja

No caldo que estava feito de véspera, juntei 3 ovos inteiros e mexi com um garfo. Liguei o lume. Quando levantou fervura juntei massinhas pequeninas (letrinhas) e parte das carnes e dos miúdos.

Fui mexendo com um garfo para que o ovo (que estava esfiapado) se mantivesse solto e fltuante. 

Depois da massa cozida, desliguei, juntei um molho de hortelã, mexi e deixei a canja apurar, a panela tapada.

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Arroz

Já tinha o caldo de cozer as carnes e os legumes medido num tacho com os pedacinhos de chouriço, juntei sal, deixei ferver, juntei o arroz e os miúdos já cozinhados. Antes que estivesse bem cozido, retirei e foi para um tabuleiro.

O pato e o galo

De vez em quando retirava o pato em cujo peito tinha feito uns golpes verticais, pincelava com sumo de laranja e mel.

Para ficar mais tostado, foi terminado no forno eléctrico. Uns minutos, poucos. Depois foi colocado sobre o arroz, no tabuleiro sobre o qual creio que o meu filho colocou um pouco do molho que tinha escorrido durante a assadura. É que, entretanto, tinham chegado e já foi ele que se ocupou disso. 

E foi ao forno de lenha para secar o arroz, para terminar o processo. O galo também foi para lá. Fica com outro saborzinho.

No meio disto esqueci-me de ver a temperatura das carnes. Quando o meu filho foi ver, já a carne do galo estava um pouco para lá do que devia. Devia ser 75º e já estava em 80º. estava bom mas o peito podia não estar tão bem passado. Tenho que interiorizar que, para controlar o tempo de confecção das carnes, não posso esquecer-me do termómetro. Penso que já assimilei mas, em momentos de maior barafunda (que, no fundo, até são os de maior responsabilidade), ainda acontece esquecer-me. 

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A seguir o meu filho desossou os bichos. 



Penso que estavam bons. Para mim é daquelas que só no fim é que se pode avaliar pois nunca se sabe se os temperos estão no ponto; é que não é como os estufados em que se pode ir retocando. Aqui, ou acertamos ou azarinho, bye bye maria-odete, nada a fazer.

Mas penso que estavam bons, saborosos. As peles crocantes, o recheio saboroso, as carnes macias e boas.

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Como era tanta comida, não quiseram comer a canja.

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De tarde fomos dar um passeio a pé e os rapazes (miúdos e graúdos) jogaram à bola.

De regresso, houve quem lanchasse mas a maioria ficou-se por um chá.

No fim, quando se foram embora, levaram a canja para o jantar bem como arroz e carnes pois, embora seja tudo gente de muito alimento, a verdade é que era muita carne e sobrou muito (e, para mim, ficaram imensos ossos que é o que eu mais gosto, para comer à mão, até ficarem os ossinhos todos bem limpos; mas dá-me mais jeito quando não há testemunhas; aliás, só não gamo os ossos dos pratos alheios por mero decoro).

Entretanto, já enviaram mensagens a dizer que a canja estava boa.

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Já não falo no resto, nomeadamente nas tiropitas, pois isto já está longo de mais. 

Desta vez lembrei-me das fotografias. De notar que o galo, perdeu tamanho ao assar. Continuou grande mas tornou-se menos amplo. 

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E o que posso dizer é que entrei o ano da melhor maneira: com os que me são mais queridos em volta da mesa, juntos, na boa, todos bem dispostos, tranquilos, numa boa onda. 

E espero que vocês, meus Caros Leitores, também tenham entrado bem. 

E, uma vez mais, feliz 2025! 

quarta-feira, janeiro 01, 2025

2024 está morto. Viva 2025!

 

Parece que, em termos numéricos, 2025 é uma raridade. Um amigo enviou para o grupo a demonstração da perfeição que é este número. Não sei se isto significa alguma coisa mas, mesmo que isso sejam bons auspícios, não sei se serão suficientes para fazer frente às sombras que espreitam, desde logo o que virá agora do lado dos Estados Unidos. Já havia a tragédia de uma Rússia imperialista, tirânica e temível, governada por uma seita putinista que é do pior que há e de um Israel nas mãos de um brutal Netanyahu que não olha a meios para atingir os fins e de vários países à mercê de radicais (e agora em vez da palavra que queria só me ocorre australopithecus), agora também os Estados Unidos vão ficar na mão de um anormal e de um parvo. Portanto, só posso fazer votos de que os maus ventos não cheguem até cá.

Mas, enfim, agora não se pensa nisso.

Vejamos as coisas pelo lado positivo: até aqui já chegámos. Daqui a nada dobramos o ano (numa dobra que é virtual -- mas, enfim, os símbolos também cumprem algumas funções) e pelo menos em 2025 já teremos posto o pé. E, pelo menos, que assim vamos indo, um dia depois de outro dia. E se a isso pudermos juntar a capacidade e o ânimo para irmos olhando mais adiante, com motivação e boa disposição, melhor ainda.

Importante é que tenhamos boa saúde, boa sorte, boa vontade. 

Portanto, a todos os meus queridos Leitores desejo um 2025 generoso, bondoso, afável. Que a vida nos sorria, que tenhamos confiança em dias melhores, que tenhamos energia e gosto em viver e em apreciar a beleza que nos rodeia.

Saúde, boa sorte, paz e amor para todos!

terça-feira, janeiro 02, 2024

Dia de Ano Novo -- com as receitas da culinária envolvida
[E ainda três vídeos que não garanto que venham totalmente a propósito]

 



Como geralmente acontece, o Dia de Ano Novo foi vivido cá em casa. Só por isso já é, para mim, um dia feliz e a melhor maneira de começar o ano. E o meu desejo é que seja também um dia feliz para todos os que aqui partilham o dia. 

Claro que, enquanto isso, fui fazendo um esforço para não deixar que a nuvem sombria que paira sobre mim não transparecesse e não ensombrasse também os demais. 

Agora estou com as unhas pintadas de azul claro e, em algumas, há desenhos em cor de rosa, em branco e em dourado. Foi a minha menina que as pintou, de tarde, tal como pintou as da tia. E a tia pintou as dela.

E o meu menino mais novo, sempre reguila e esquivo, hoje estava mais meiguinho, deixou-se abraçar e beijar sem protestar. E todos aceitaram juntar-se na escada para uma fotografia em família que ficou muito bem.

Momentos sempre bons, vividos em harmonia e doçura.

Para não me pôr para aqui com mais votos ou com ladainhas, avanço já para o lado prático da questão.

Para o almoço fiz duas saladas, um rolo de salmão, arroz de carnes e salada de frutas 

Vou contar como fiz.

Para picar:

Queijos, rolinhos de presunto e tostinhas com trufas trazidas pela minha filha, azeitonas.

Para começar:

Salada de salmão

Coloco alface iceberg no fundo (do ponto de vista vitamínico, acho que esta alface é a mais fraca. Mas é do agrado de todos, pelo que aposto nela para todos comerem salada, nomeadamente os miúdos). Era para ter posto abacates mas esqueci-me. Dois queijos mozzarellas frescos desfiados. Salmão fumado. Tempero com azeite, um pouco de sumo de lima e orégãos.

Salada de ovo

Numa tigela de vidro, coloco alface iceberg em baixo. À parte misturo maionese, ketchup e três ovos cozidos, um quarto de cebola branca (doce) migada, umas quantas azeitonas pretas sem caroço migadas. Coloco essa papa sobre a alface e envolvo. Por cima, migo dois ovos cozidos e mais umas quantas azeitonas pretas descaroçadas picadas. Passo um leve fio de azeite e uns quantos orégãos.

Para continuar:

Rolo de salmão

Numa frigideira, fritei, em azeite, uma cebola branca bem picada. Juntei salsa picada. Quando a cebola estava bem mole, juntei uma maçã cortada em cubinhos minúsculos. Temperei com sal. Deixei que quase se desfizessem. Depois juntei duas embalagens de espinafres frescos. Tapei a frigideira e deixei que os espinafres amolecessem. Misturei.

Temperei os lombos de salmão com um pouco de sal, abundante sumo de lima e cebolinho picado. 

Estendi uma folha de papel de ir ao forno. Em cima coloquei um rectângulo de massa folhada fresca. Na parte central da massa, longitudinalmente falando, coloquei a cama de espinafres (e cebola e maçã). Por cima os lombos de salmão temperados. Cobri com abundante, mas ponham abundante nisso, mozzarela ralado. Fechei o rolo, puxando a massa para cobrir o dito recheio. Para dar graça, fiz-lhe suaves golpes em diagonal. Antes tinha batido um ovo inteiro (ia lá desperdiçar a clara...) com o qual pincelei o rolo.

Peguei no papel sobre o qual o rolo tinha sido montado e enfiei-o numa forma de bolo inglês. Ensinou-me isso o meu filho: o rolo fica aconchegado, não se corre o risco de abrir e desmanchar-se.

Por acaso, não fiz um: fiz dois rolos. O outro foi igualzinho só que, por cima, depois de pincelar com ovo, espalhei-lhe em cima sementes variadas, incluindo de abóbora, e ainda orégãos.

Antes tinha posto o forno a aquecer a 200º. Quando lá enfiei as formas com os rolos de salmão baixei para 170º. Não vi o tempo, talvez uns 40 ou 50 minutos, não sei. Sei que a meio quando me pareceu que corria o risco de tostar rapidamente demais, reduzi para uns 150º.

Arroz de carnes

Num panelão coloquei azeite, duas grandes cebolonas picadas, um bom ramo de salsa picada, dois tomates bem maduros cortados aos pedaços, louro, dentes de alho, três grandes cenouras cortadas aos cubinhos, uma mini (sim, mini: cerveja), rojões de porco e moelas bem lavadas e cortadas aos bocadinhos. Passado um bocado juntei coxas de frango do campo ao qual tirei previamente a pele. Apenas para dar um certo leve apontamento de sabor e graça, juntei um niquinho de bacon aos bocadinhos e um outro de chouriço de carne, de boa qualidade, também aos bocadinhos. 

Enquanto cozinhava retirei um pouco de caldo para outro tacho. Aí coloquei carne cortada em strogonoff de novilho dos Açores. Depois de levantar fervura, um ou dois minutos e desliguei. Acho que assim fica mais macia.

Quando as outras carnes estavam macias, desossei as coxas de frango. Juntei água a ferver para ficar quase o dobro da quantidade de caldo relativamente à quantidade de arroz. Quase porque depois ia chegar mais caldo. Ajustei o tempero de sal. Quando levantou fervura, juntei o arroz basmati. Quando estava quase, juntei a carne de novilho e o tal respectivo caldo. Antes que estivesse o caldo todo absorvido, vazei tudo para um tabuleiro de forno.

Enfeitei com tirinhas de bacon e rodelas do tal chouriço. Foi ao forno para acabar de cozinhar, para secar e dourar as carnes enfeitantes da superfície.

Para terminar

Doces

Usei os bolos que sobraram do Natal e que descongelei, um bocado de tarte de amêndoa que a minha nora trouxe e que tinha sobrado da véspera, um doce de limão merengado que comprei e bombons.

Salada de frutas gelatinada

Numa tigela, coloquei duas maçãs cortadas aos cubinhos, quatro nectarinas aos cubinhos, vários bagos de uva sem grainha. Juntei uma embalagem de kefir de morango e umas quantas de gelatina de morango. Tudo sem açúcar. Misturei. Cobri de mirtilos.

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Temo-nos revezado nas visitas à minha mãe. Durante a semana fui eu, no fim de semana, os meus filhos. Quando regressaram, contaram que, apesar de tudo, estava menos queixosa. Menos mal, portanto.

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Saíram de cá, depois do lanche, já era noite, já os meninos tinham brincado, já quase todos tinham jogado a um jogo de cartas (claro que o 'quase todos' não me inclui, não consigo jogar a estas coisas, não tenho paciência para aprender regras). 

Consegui que levassem alguns restos (porque, já se sabe, sempre com medo que falte, faço invariavelmente comida a mais). 

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Quando aqui me sentei adormeci logo. Depois, primeiro que conseguisse energia para escrever isto foi difícil. Durante esse processo, de despertar, estive a vir alguns vídeos, por vezes adormecendo pelo meio, dos quais partilho estes três.

Anderson Cooper on freeing yourself from the burden of grief


The World Ahead 2024: five stories to watch out for


Why the world is going crazy—and how to win back our minds | Jamie Wheal | Big Think


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Nota: No dia de Natal de manhã, andando eu a lamentar não termos enfeitado a casa, o meu marido, madrugador, foi apanhar musgo e, sobre um tabuleiro, montou um presépio feito com presepiozinhos que gosto de coleccionar e com duas figurinhas que eram de quando ele era pequeno. Face à gripe da minha filha, como contei, o Natal foi em casa dela pelo que só hoje puderam ver o presépio feito de vários presépios. Por ter sido iniciativa do meu marido, gostei imenso. Direi mesmo que fiquei sensibilizada. 

A fotografia não ficou famosa, reconheço..., mas a esta hora não me apetece ir fazer outra. Mas acho que dá para ficarem com uma ideia, não dá?

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Desejo-vos um dia feliz.
Saúde. Boa sorte. Paz.

segunda-feira, janeiro 01, 2024

2024
-- Receita de Ano Novo --

 

E já cá estamos, em 2024. Aqui, pelo menos, já chegámos. 

Não sei se o Valupi tem razão ao dizer que 2023 foi um período triunfal para os estúpidos. Não que não tenha sido. Foi. Mas foi mais que isso. Foi, em si, um ano estúpido. Claro que pode dizer-se que são os estúpidos que transformam uma coisa neutra numa coisa estúpida. Mas foram tantas as coisas estúpidas que aconteceram, uma tal sucessão de situações transformadas em situações estúpidas por gente estúpida que, em si, tenho que concluir que 2023 se pôs a jeito para os estúpidos fazerem dele gato-sapato. E não foi só isso, foram mesmo as contingências desagradáveis que viram a luz do dia, negativas, abstrusas, ataques de pouca sorte.

Quando o ano começou toda a gente deve ter desejado que fosse um ano incrível, transbordante de paz e bondade, mas, bem vistas as coisas, muitos dos estúpidos que por aí andam já andavam antes a deixar-nos perceber que iam fazer porcaria. Muitas vezes, não quisemos foi ver. 

Não vou exemplificar pois foram tantas as anormalidades que aconteceram que seria absurdo apontar só uma o duas. Mas, de muitas, como não reconhecer que os seus autores já antes vinham dando mostras de que as suas intenções e o seu comportamento iriam descambar em actos estúpidos, nefastos.

E, mesmo a nível pessoal, tenho que reconhecer que quase tudo o que de negativo me aconteceu, não nasceu em 2023. E algumas coisas poderiam ter sido senão evitadas, pelo menos mitigadas. Há o aspecto da sorte, é certo, e nela muitas vezes não conseguimos influir. Mas em muitas das outras deitamo-nos na cama que fizemos. Não que, se fosse outra a cama, o destino fosse forçosamente diferente. Mas uma coisa é certa: quando tomamos uma opção não podemos pensar que as consequências se ficam por ali. Muitas vezes as consequências arrastam-se por anos.

Estou a escrever e já estava outra vez a pensar na situação da minha mãe e no que estamos a passar: tinha vontade de exemplificar como, em cada momento da vida, a vida não é só o que acontece independentemente da nossa vontade mas também é a forma como o encaramos -- ou sob uma perspectiva fatalista e negativa ou sob uma perspectiva de agradecimento e aceitação, mesmo quando o que nos acontece não é famoso. E isso muda tudo. Mas hoje não quero falar outra vez do mesmo, não quero enfiar-me de novo nesse beco do qual tantas vezes parece que não consigo sair.

Só quero dizer que embora triste por a minha mãe entrar o ano numa cama de hospital e de eu não ter podido desejar-lhe um feliz ano novo, com saúde e alegria, como sempre fiz em todos os anos da minha vida, consegui divertir-me e estar feliz na companhia dos que me são queridos, que estão bem, felizes, bem dispostos. 

A vida continua. 

E bola para a frente. Certo?

E agradecendo ao Nuno que, apesar de ser um chato e que tantas vezes me maça, não deixa, outras vezes, de ser atencioso, partilho convosco um poema que ele me enviou por mail. Aqui, na voz de Marília Gabriela:

RECEITA DE ANO NOVO, Carlos Drummond de Andrade

(...)

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Felicidades

domingo, dezembro 31, 2023

Agora que me despeço deste 2023, eis o que se me oferece dizer sobre ele e sobre o que desejo para 2024

 

Penso muitas vezes, se calhar quase todos os dias, que não quero ocupar o meu tempo com situações que não me agradam e que podem ser evitadas. Tento ser rigorosa nisso pois de grande parte das desagradáveis não posso fugir. Por isso, ao menos das que não me interessam e que estão nas minhas mãos, tento fugir.

Desejei tanto reformar-me, desejando imenso usufruir do meu tempo em plena liberdade. Tive que protelar esse momento sobretudo por amizade e solidariedade para com uma pessoa por quem nutro grande estima e a quem não ia abandonar numa altura em que estava a passar por uma delicada situação de saúde. Por ele mas também pelos trabalhadores que poderiam sentir-se também abandonados se viesse a verificar-se um vazio na gestão da empresa caso eu saísse, pois ele estava com algumas limitações (que não queria que ninguém soubesse, contando comigo para o ajudar a gerir esse momento). Portanto, aguentei-me para além do que tinham sido as minhas expectativas.

Quando finalmente o consegui, arranjei uma inflamação num joelho que quase me impedia de andar e que me obrigou a exames. A seguir tive covid. A seguir à covid não conseguia parar de dormir.

Por essa altura a situação clínica da minha mãe teve um surpreendente agravamento, tendo sido internada. Quando teve alta, julgando eu que tudo se apaziguaria, não. Todos os dias a minha mãe tinha sintomas que a angustiavam e para os quais nem eu nem os médicos encontrávamos explicação. 

Por sua vontade, quis recentemente ir para um local com corpo clínico residente, julgando-se sentir aí medicamente mais apoiada. Pensei que, nessa altura, poderia eu descansar pois alguém haveria de conseguir lidar com a situação. Contudo, sem que ninguém conseguisse perceber porquê, aconteceu o contrário, a situação agravou-se. 

Está há já quase duas semanas internada e todos os dias há razões de preocupação. Chego, pois, ao fim deste ano que não me tem sido nada fácil, submersa em apreensão.

Isto faz-me lembrar o que aconteceu com os meus pais. A minha mãe reformou-se mais cedo, o meu pai um pouco depois. Nessa altura, o pai do meu pai e a mãe da minha mãe estavam vivos mas de vez em quando estavam doentes e os meus pais, por um motivo ou por outro, nunca queriam ir de férias para longe pois primeiro pelo meu avô e depois pela minha avó, temiam sempre que houvesse algum problema mais grave, algum desenlace, e queriam estar por perto.

Quando a minha avó morreu, a última, pensei que talvez nessa altura os meus pais conseguissem usufruir em tranquilidade da sua reforma. Mas não. Algum tempo depois o meu pai teve um AVC, responsável pelo seu progressivo declínio ao longo de cerca de doze anos.

Pensei eu que a minha mãe, que tinha acompanhado o sofrimento do meu pai, quando ele partiu, faz três anos e meio, iria poder usufruir da sua liberdade. Ainda andou na universidade sénior, estava connosco, ainda foi de férias connosco para o Algarve e ainda foi a uma excursão com uma amiga. Mas foi sol de pouca dura. De há cerca de ano e meio a esta parte começaram os problemas com ela.

E eu acompanhando todas estas evoluções, ou seja, na prática, também sofrendo eu estes problemas.

É a vida. Nada a fazer. Quando se vivem vidas longas acontece isto.

Tive um colega que, pelo telefone, tinha longas e audíveis discussões com a mulher. Eu estava no gabinete ao lado e não podia deixar de me rir com o despautério dos temas que os levavam a pegar-se daquela forma inflamada. Contudo era inseparável dela, a quem tratava por 'a minha namorada'. Reformou-se, todo feliz por poder ver-se livre de chatices e poder gozar a vida em liberdade com a sua namorada, ir com ela para uma casa de família no norte. Pois, imagine-se, ao fim de poucos meses, sem qualquer aviso prévio, um dia, na sala, julgando ele que ela tinha adormecido no sofá, percebeu que afinal tinha tranquilamente morrido, sem um ai. Foi um choque, claro, sobretudo para ele e para as filhas. Mas também para todos nós que não conseguimos ver como vai ele poder viver sem a sua eterna e fogosa namorada.

Enfim. É o que é. Não se escolhe. Todos gostaríamos que não houvesse sofrimento envolvido mas, quando não há, também custa pois as partidas são inesperadas, uma amputação precoce.

Enfim. Uma conversa meio triste, esta. Que chatice, estar a maçar-vos com estes assuntos. Preferia estar aqui na brincadeira. Mas não consigo.

Há muitas situações que não dominamos, que nos condicionam, que nos obrigam a ocupar o nosso tempo com elas e não com o que queríamos. E a que a nossa consciência não permite que nos soneguemos a elas. Ainda hoje a minha tarde foi passada com uma tarefa que me custou bastante, quer física quer, sobretudo, psicologicamente. Vim esgotada. E, quando fico fisicamente esgotada, parece que fico desidratada e com a tensão baixa de mais. Mesmo em baixo. Não conto porque não me apetece estar a falar de coisas que me custam. Um dia contarei.

Vou entrar no ano novo e, para mim, nem sei bem o que deseje. Claro que quero saúde, vida longa e boa, alegria, boa sorte e felicidade para mim, para a minha família, para os meus amigos. Penso sobretudo nos meus queridos filhos e nas famílias que constituíram, e, muito em especial, nos meus tão amados netos. Para eles, do mais fundo do meu coração, desejo tudo, tudo, tudo de bom. 

Mas, dada a situação da minha mãe, sei que os meus votos, no caso dela, devem ser adaptados mas, sinceramente, nem sei como adaptá-los. Ainda há pouco uma das minhas primas me lembrava que a complexidade do quadro não permite optimismos. Bem sei. E isso é uma sombra que me acompanha, uma sombra muito escura, muito pesada, quase esmagadora, nesta recta final do ano, nesta entrada num ano novo.

Mas tenho que relativizar. Obrigo-me a isso. Na minha situação deve haver muito mais gente, pessoas com familiares doentes e relativamente aos quais manda o bom senso que não se alimente a esperança em aparatosos milagres. Para quem me lê e que esteja nessa situação desejo ânimo, força, coragem, aceitação. 

E o que dizer, então, dos que vivem em cenários de guerra, gente corajosa que não tem culpa de ter nascido num local onde caem mísseis, onde há fome, falta de apoio na doença, onde a esperança é um conceito muito abstracto...? Nestes casos, só posso desejar que alguém consiga apear os bandidos, os assassinos, os facínoras, e que a paz seja possível. E para os que sofrem os horrores da guerra desejo que acreditem que melhores dias virão. Devaneio meu, certamente, este desejo por justiça e por paz. Mas é o que desejo.

Desejo também que a democracia e a liberdade sejam respeitadas e amadas em todas as partes do mundo em que as há e que possam ser uma realidade onde as não há. Desejo lírico também este, bem sei. Mas é também o que desejo.

Cá em Portugal, desejo que o Partido Socialista ganhe as eleições legislativas e consiga formar um Governo estável e forte que saiba honrar os votos que receber dos eleitores e que saiba desenvolver e modernizar o País, levando melhorias a todos os portugueses e a todos os imigrantes que queiram trabalhar, viver e contribuir para o crescimento sustentável do País. Gosto muito do meu país. Para ele quero o melhor. 

E agora, descendo à realidade aqui deste cantinho, do blog onde nos encontramos à fala, quero agradecer a vossa presença aí desse lado, uma presença que me acompanha e anima. Espero que compreendam a minha ausência de resposta a comentários e mails mas, ainda assim, aceitem as minhas desculpas. Para todos vão os meus votos de um feliz 2024. Desejo-vos tudo de bom. Tudo o que desejo para mim e para os meus desejo-vos também, meus queridos Leitores. Que continuemos a encontrar-nos por aqui ao longo de 2024. 

domingo, janeiro 01, 2023

Está feito. O 2023 já cá canta.

 


E, para já, é isto. Já estou de volta a casa e a roda do tempo avançou mais um passo. Já estamos em 2023. 

A passagem foi boa. Comeu-se, bebeu-se, houve música e dançou-se, bateram-se tampas, houve abraços e beijinhos. E largou-se a pele do ano velho -- que afugentámos o melhor que pudemos -- e abriram-se as portas para que o ano novo entrasse e se sentisse bem acolhido.

Tirando isso o que tenho para dizer é que podemos não saber ou não conseguir fazer grande coisa mas se, pelo menos, não estragarmos ou não nos desviarmos por maus caminhos já não será mau. Seja lá o que isto quiser dizer.

E bora lá. Que o 2023 seja bondoso, não nos pregue más partidas, que nos traga esperança, capacidade de acreditar, vontade de querer. E saúde. E alegria. E todas essas coisas boas.

E não vou ficar aqui a repetir-me até porque estou a dormir em pé. E daqui a nada tenho que estar a saltar da cama para me ir atirar aos tachos.

Por isso, está dito. E feito. Aqui já chegámos. Agora é ir avançando até chegarmos ao próximo. E depois ao próximo. E ao próximo. E por aí fora. Vida longa e feliz!

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Desejo-vos um dia (e todo o ano!) bom

Saúde. Boas vibes. Paz. 

Paz. Paz, Paz. Paz. Paz (da boa, paz em liberdade).

sábado, janeiro 01, 2022

2022

 


Mal dei pelo ano que acabou. Os dias sucederam-se a um ritmo tal que, a meu ver, mal deixaram rasto. 

O que aconteceu a nível político, vendo bem, foram coisas passageiras, pouco marcantes. Os tempos são de futilidade e quase todos os partidos vão cedendo ao facilitismo. As redes sociais vão triturando as mentalidades e, aos poucos, vai-se pensando e agindo em função das reacções que aí se vão manifestando. É um mundo que não me interessa. 

A política interessa-me mas é a política no osso, sem mas-mas-mas, sem rodriguinhos, sem palavras de efeito. No osso. no campo dos princípios e das boas práticas. O diz-que-diz-que não me diz nada. Rejo-me pelo bíblico princípio de que 'pelos frutos os conhecemos'. 

A nível profissional têm sido, para mim, tempos esgotantes. Ainda há pouco recebi uma mensagem de alguém que tem partilhado este caminho a desejar-me que o próximo seja menos cansativo. Tem sido uma luta. Nunca antes tinha sido tão permanentemente desafiada. Está muito na moda dizer-se que 'crescemos' com as dificuldades. Eu não sei se cresci. Não o colocaria nesses termos. Talvez me tenha tornado mais dura, mais intransigente, mais impaciente. Mas, ao mesmo tempo, mais humilde. Tantas vezes penso que estou certa e, afinal, a realidade vem demonstrar que só interessa estar certa se o estiver no momento certo, no lugar certo. Mas, se calhar, daqui por algum tempo, tudo isto também tenha perdido relevância. 

Mas a nível pessoal aconteceu-me uma coisa muito estranha e dessa eu não posso esquecer-me. Contei-o na altura e já falei várias outras vezes.

Um dia, ao início da tarde, num check-up de rotina, por acaso no dia em que levei a vacina, foram-me detectadas alterações cardíacas relevantes. Ao repetir os exames, ao início da noite, a situação tinha-se agravado consideravelmente. Os médicos começaram a andar num rodopio e vi-os a fazerem chamadas com os meus exames na mão. E, sem que eu me sentisse mal ou percebesse o que se passava, foi accionado o protocolo reservado a estas situações. Recomendaram que chamasse o meu marido (que estava lá fora, porque não eram permitidos acompanhantes) para eu o avisar e para me despedir dele e, de imediato, apareceu a gente do INEM que me examinou e me preparou para eu seguir viagem para o hospital. Eu incrédula com aquilo, a dizer que não me sentia mal, na esperança que tudo não passasse de um absurdo equívoco. É certo que estava com a tensão a rasar os 20 (19,8 de máxima, se a memória me não falha) e é certo que me mostraram os exames que, segundo me explicaram, em poucas horas se tinham alterado consideravelmente. Se ao início da tarde as coisas estavam mal, naquela altura estavam deveras graves -- explicaram-me. E, sem que eu pudesse digerir o que estava a acontecer, já ia numa ambulância com a luz azul a banhar a estrada, a alta velocidade. E ao chegar ao hospital, fui posta numa cadeira de rodas e levada para a sala de reanimação. Nem sei tudo o que me fizeram, nem o que me perguntaram nem o que fui dizendo. A todo o momento esperava que me dissessem que afinal estava tudo bem. Mas não. O meu filho e a minha filha apareceram e eu queria tranquilizá-los mas não sabia como pois nem percebia o que estava a passar-se. E, para minha ainda maior surpresa, tive que lá ficar, em observação. E foi uma noite dramática, do pior que poderia imaginar.

Quando li o que estava escrito na documentação da clínica, enfarte agudo de miocárdio, nem queria acreditar. 

A seguir, foram exames e mais exames. Parece que não terá sido exactamente um enfarte agudo de miocárdio. As opiniões não são consensuais. Acidente isquémico, inflamação do miocárdio - qualquer coisa. Nem quero saber. Não me interessa. Os cardiologistas não descartam que tenha sido da vacina mas também dizem que pode ter sido por qualquer outra coisa. Sei é que ficaram sequelas para o resto da vida.

Mas o que retiro daqui é que, na volta, se não tem sido a coincidência extraordinária de fazer um electrocardiograma no justo momento em que a coisa estava a dar-se, ainda corria o risco de ir desta para melhor... sem dar por isso. E isso dá-me uma perspectiva algo perturbadora do acaso que é a vida. Mas, curiosamente, no bom sentido. 

A possibilidade de a morte ser assim -- uma coisa inesperada, indolor, rodeada de estupefacção -- não me desagrada. 

Mas deixa-me ao mesmo tempo na dúvida: será que subestimo os sintomas? Será que deveria ser mais cuidadosa e atenta aos sinais do corpo? Nunca ligo patavina e isso pode não ser a melhor coisa.

Não faço ideia. A verdade é que, à parte agora ter que tomar dois comprimidos por dia e ter que fazer alguns exames de vez em quando, continuo a agir da mesma forma. Não fiquei medrosa nem inquieta. O meu marido de vez em quando pergunta-me se tenho visto a pressão arterial. Invariavelmente a resposta é não. Esqueço-me. 

Tenho para mim uma coisa que me é muito clara: o que for, soará. Não quero fugir ao meu destino. Quero ajudar a fazê-lo, é certo, mas apenas no que me for natural. Ter medo de morrer para mim é sinónimo de ter medo de existir. Por isso, não tenho medo. Gosto de existir, sem medos, e aceito o que a existência me reservar. 

E sinto-me é agradecida, mas mesmo muito agradecida, pelas felizes coincidências que, na volta, me têm salvo a vida. 

Por isso, se alguma coisa posso concluir é que bom, mas bom mesmo, é a gente viver cada bocadinho da melhor maneira possível. Nunca se sabe quando é que isto vai acabar. Portanto, é de vivermos em paz connosco e com os outros, na boa, agradecidos pelo que temos, não o desperdiçando com situações e pessoas que não interessam.

Está quase a acabar este ano. Não se sabe o que aí virá. Os tempos são de areias movediças.

Mas se for assim, um dia de cada vez, e nós conscientes do milagre que é estarmos vivos e da responsabilidade que isso comporta, amigos daqueles a quem queremos bem, exigentes para connosco e com os outros, em especial com quem nos governa -- que se zele para que cada geração deixe o planeta melhor do que o recebeu, que se zele para que cada geração deixe uma sociedade mais justa, mais inclusiva e feliz do que a que recebeu -- então, estaremos bem.

E, quanto ao resto, bola para a frente porque para a frente é que é caminho.

Feliz Ano Novo. Tudo de bom para vocês. Felicidades.


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Pinturas de Wendy Edelson ao som de Tocando para a frente na voz de Maria Bethânia

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Desejo-vos um feliz 1º dia do ano 
-- e que sejam também felizes todos os dias seguintes

quarta-feira, janeiro 01, 2020

2020
Um ano que tem tudo para vir a ser um ano extraordinário




Este ano tem boa pinta, é estiloso. Vinte-vinte. Soa bem. Vinte vinte. Não é para qualquer um.

E nós já cá cá temos um pé. Ou melhor, os dois. Temos sorte.

Acho-o ainda mais cabalístico do que o 2000. Quando foi o 2000, achei que cá em casa é que era, e que havia de ser de arromba. Reuni cá em casa tanta gente que nem sei como é que cá couberam todos. No meio da festança, toca-me o telemóvel e aparece-me um colega a perguntar-me se estava tudo bem. Como havia música, risos, conversas e muita confusão, pensei que tinha percebido mal. Mas não, queria mesmo saber se estava tudo bem. Tive que lhe pedir que especificasse a razão da sua preocupação. Falou-me então do so called bug do ano 2000. Percebi então. Era o coordenador do grupo de acompanhamento que tinha sido criado para garantir que todas as empresas continuavam a funcionar. Juro: nem de tal me tinha lembrado, convencida que estava que bug do 2000 uma ova, tudo treta. Penso que não houve um único problema em todo o mundo. Disse-lhe que não fazia ideia, que estava em casa a festejá-lo e que no dia seguinte logo se veria se estava tudo bem. Lembro-me de ter achado que ele tinha ficado desconcertado com a minha resposta. Muito negócio com muitos zeros se fez à conta dos zeros do 2000.


Mas, dizia eu, nem o 2000 me pareceu tão cabalístico. Aqueles zeros todos tornavam-no demasiado gaiteiro. Mas este 2020 é outra coisa: tem balanço, tem charme, tem swing

Temos, pois, a obrigação de fazer jus à boa pinta que o invólucro apresenta. 2020 deve ser um ano especial. E escrevo 'deve' no sentido de 'ter o dever'. É bom que apareçam grandes avanços científicos, que nos surpreendamos com grandes e muito relevantes saltos tecnológicos, é bom que se conquistem importantes acordos no sentido do desenvolvimento humano e da defesa do planeta. É bom que, nos próximos anos, mesmo que longínquos, se fale de 2020 como o glorioso 2020, o fantástico ano 2020. 

Apesar de tudo o que se avizinha e que forçosamente não é bom (o desastre do brexit e os riscos de ainda maiores desagregações, tudo o que se relaciona com o Trump, os populismos que alastram, os desastres climáticos à vista com as consequências que já se constatam, por exemplo na Austrália, etc, etc), espero que os povos saibam encontrar boas soluções, é bom que saibam levantar-se, unir-se e fazer inflectir o descaminho que as coisas levam. Que coisas extraordinárias aconteçam.

É bom também que 2020 nos traga, em especial a nós que só agora começamos a descobrir o prazer do ar livre e do contacto com a natureza, cada vez mais oportunidade para convivermos, para festejarmos e para desfrutarmos o prazer de existir, de estar bem, de estar com quem gostamos.

Não será apenas por formularmos votos que o destino se encarreirará nesse sentido. Mas, se os votos não forem conversa fiada, lacinhos em efémeros embrulhos, mas sim firmes determinações, talvez as coisas corram como as desejamos. Não somos donos e senhores do nosso destino mas a forma como nos aguentamos e como persistimos contra ventos e marés ajuda muito a conseguimos chegar perto dos nossos sonhos.

E mais: 2020 tem todos os contornos dos verdadeiros elegantes. Que seja, pois, o terreno fértil para todas as boas criatividades. Que floresça a literatura, a arte, que os artistas sintam que ao longo do ano corre a seiva que alimenta e desperta os espíritos. Que seja um ano fértil para a música, para a pintura, para as letras, para a arquitectura, cinema, teatro. Dança. Para que o povo venha para a rua celebrar a arte.

Tirando isso, 2020 tem tudo para lhe piscarmos o olho. Aliás, o safado do 2020 nasceu a piscar-me o olho. Saibamos, pois, não decepcionar. Sedução, malícia, graça, humor. Tudo em boa dose. A vida sabe melhor se vier com o devido tempero. Pela parte que me toca, não viro a cara a nada disso e só espero ter quem me acompanhe. A cor é fundamental e não há melhor cor do que o rubor que acompanha os momentos importantes da vida ou não há luz que se perca quando a cor está disponível para a receber. Tempero colorido, especiarias secretas, bailados descarados mesmo que apenas imaginados: que 2020 venha com tudo e nós cá para lhe darmos o devido troco. 

Não preciso falar da saúde. O ano só será bom se vier com saúde. Mas tenhamos força para vergar o que de menos bom apareça de modo a robustecer o nosso corpo, valorizêmo-lo, forneçamos-lhe a comida certa, façamos o exercício adequado, olhemos por ele.

E sejamos bons, generosos, amigos. É bem verdade: o amor é a resposta. É a resposta mas é também a pergunta. E é o enigma. E é o mistério. E é a insolúvel equação, a eterna dúvida, o sobressaltado motor, o sereno amparo, o secreto refúgio, o insondável esconderijo, o indizível atraente abismo, a semente de tudo.


Que o 2020 seja um ano bom demais para se acreditar.

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E, se me permitem, comecemos bem.

Não sei quem ela é, não percebo o que diz. Mas soa-me bem e isso, para já, parece-me um bom começo de conversa.



A querida Luísa, sabendo-me fascinada pela dança, enviou-me um vídeo com Joel Kioko. Não conhecia. Que belo presente foi conhecer este jovem. Não consigo partilhar o vídeo que recebi mas partilho este aqui abaixo:
Joel Kioko grew up in a poor area of Kenya’s capital, Nairobi, and is now seen as the country’s most promising ballet dancer. He has been training in the US but wants to teach young Kenyans about the beauty of ballet.


Voemos também.

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Felicidades.

quarta-feira, janeiro 02, 2019

O meu primeiro dia de 2019
[Com a ementa do Almoço de Ano Novo]





Comecei o ano como gosto: a cozinhar para a família. E haveriam de chegar ruidosos, brincalhões, sorridentes. Os mais pequenos logo correndo uns atrás dos outros, o bebé com palavras novas, muito bem ditas: bacalhau, cereais, bochecha. Os outros perseguem-se, saltam, e, quando passam ao pé dele, soltam: 'Bacalhau', ao que ele responde prontamente: 'Bacalhau'. Hoje tivemos cá outro menino e, portanto, a minha menininha mais linda estava ainda em mais minoria. Trazia uma bonita maquilhagem (para crianças) que ainda valorizava mais os seus belíssimos olhos. Era ela e cinco rapazes. Vale-lhe a atenção da tia que vai desenhar com ela para a ensolarada secretária e a quem ela retribui penteando-lhe a farta cabeleira, fazendo tranças, ou seja, fazendo a tia sentir-se próximo do nirvana.


Ao almoço a mesa, apesar de bem comprida, é cada vez mais curta. Um dia destes teremos que equacionar fazer aquilo que já fazemos in heaven quando a lotação também quase se esgota: ter segunda mesa. Por enquanto, dado que o bebé ainda fica numa cadeirinha que é posta um pouco afastada  num canto de forma a não ocupar lugar à mesa e dado que ainda vão cabendo, ainda que já um bocado apertados, temos resistido a isto das duas mesas até porque ter toda a gente à volta da mesma mesa é parte da felicidade destes dias.

Depois de almoço, para além de jogarem à bola na sala (com uma bola muito levezinha...) e de andarem às lutas, o menino mais velho pegou na minha máquina e começou a filmar os outros a cantarem, a dançarem e a fazerem performances, cada uma mais maluca do que a outra. A seguir, para ver se sossegavam, fiz-lhes uma sabatina política e geográfica tendo ganho o mais novo (o mais novo a seguir ao bebé, claro, o que tem seis anos) evidenciando, uma vez mais, que é uma surpreendente esponja que absorve e assimila tudo o que ouve. É que até as palavras francesas diz com sotaque francês (como um Macron pronunciado como um parisiense de gema).


Quando saíram, levando a habitual marmita com o que sobrou, e depois da casa minimamente arrumada, resolvemos ir dar um passeio até ao lugar que, para mim, é um dos mais bonitos do mundo, talvez nem especialmente pelo lugar em si mas, sobretudo, pela assombrosa vista que dele se tem. Lisboa, magnífica, sob uma luz dourada, os navios deslizando num Tejo muito azul e muito tranquilo.

Quando regressámos já a noite começava a tombar e eu, mal me apanhei em casa, pus-me a ler o livro da Anabela Mota Ribeiro com entrevistas e fotografias de Saramago e Pilar e, apesar de ser bem interessante, adormeci.

Agora já estou no turno da noite. Já escolhi a roupa para amanhá, já pintei as unhas, já estive a ver as fotografias e os filmes, e, antes de me atirar ao tapete, aqui estou para vos dar conta destes meus pequenos nadas.


E, para os que são dados a culinárias, conto o que foi o Almoço de Ano Novo.

Para entradas: brás de farinheira, molhinhos, iscas às tirinhas.

Conto como fiz:
  • Brás de farinheira
Numa frigideira, coloco azeite com cebola cortada às rodelas muito finas. Frito em 'lume' não muito forte até a cebola estar bem macia. Junto o recheio de meia farinheira (usei da Beira Baixa) cortado aos bocadinhos. Mexi e fritei ao de leve. Juntei sete ovos grandes (uso matinados) e juntei um pacote pequeno de batata palha com pouca gordura e pouco sal. Envolvi tudo, ao de leve, até não se identificarem os ingredientes.
  • Molhinhos
Para quem não saiba, trata-se de rolinhos, presos por um cordel, de dobrada branca, muito fina, muito bem lavada. Compro-os já feitos em molhinhos. Apesar de já virem muito bem lavados, coloquei-os, ainda assim, de molho em água com abundante vinagre. Assim estiveram durante umas duas ou três horas. Depois coloquei-os numa panelinha para ficarem cobertos por água com um fio de azeite, sal, uma cebola, umas folhas de louro e um ramo de salsa. Coze durante muito tempo, talvez umas duas horas ou mais, a panela sempre tapada. Depois escorro, tempero com azeite e vinagre balsâmico.
  • Iscas
Não tem história mas pode haver quem não saiba. Compro cortadas fininhas. Frito numa frigideira com azeite, alho abundante e louro. Não devem ficar queimadas, nem secas, nem cruas. Para isso, o 'lume' não pode estar muito forte e devem ser viradas amiúde. Depois de prontas, cortam-se às ripinhas fininhas e servem-se assim. 

Para prato de substância: bochehas e queixadas de porco

Fiz em tachos separados e já explico porquê.
  • Bochechas
Num tacho coloco azeite no fundo, duas grandes cebolas cortadas aos bocados, uma cenoura grande às rodelas, salsa e coentros abundantes, as bochechas, dentes de alho, vários dentes de alhos, cubro com mais duas cebolas e rego com um pouco de vinho branco e mais um pouco de azeite. Depois de ferver, baixo o calor e fica a cozinhar em calor brando, o tacho tapado. Talvez também umas dias horas.
No fim, coloco as bochechas num tabuleito findo, com cuidado para não se desmancharem. Escorro a parte mais líquida do caldo que se formou no tacho e, com a varinha, desfaço a cebola, os alhos, a salsa, a cenoura até ficar um molho muito cremoso. Rego, então, as bochechas com esse molho espesso e saboroso.
  • Queixadas
As queixadas têm osso e fiz à parte para poder moer o molho das bochechas à vontade, sem receio que o caldo contivesse lascas.  
As queixadas foram feitas quase da mesma maneira mas juntei também alecrim e louro, porque, aqui não ia moer. Foram servidas assim mesmo. 
Para acompanhar tinha puré de maçã. Comprei feito, sem açúcares adicionados, puro purá de maçã cozida. 
  • Fiz ainda arroz de substância para acompanhar
Chamo-lhe de substância mas é assim: Num tacho coloco azeite e alhos com carne de vaca e porco picadas, não muita. Junto também um bocadinho, pouco de chouriço de carne cortado aos bocadinhos. Depois juntei cebola picada e salsa. Juntei ainda uma cenoura grande ralada. Juntei o dobro da quantidade de arroz em líquido (uma parte do caldo escorrido das bochechas e a parte restante em água). Ficou a cozinhar. Depois juntei o arroz. No final, quando tinha um pouco de caldo, juntei um ramo de hortelã e mexi para o sabor se misturar.

Houve alface para salada.

Depois uvas e tarte de framboesas e árvore de natal de limão (os bolos, como habitualmente da Padaria Portuguesa).

Acompanhámos com tinto alentejano, um monocasta, Sangiovese 2013. Sumo de laranja para crianças e para quem não é dado a vinhos.

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E fiz questáo de fotografar uma vez mais aquele navio que me enche de pena e espanto: o Rio Arauca continua fundeado a meio do Tejo há mais de um ano com um grupo de tripulantes que de lá não pode sair, apenas contando com a boa vontade de uma empresa que manda regularmente mantimentos para que, ao menos, sobrevivam,


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E permitam que termine este post com um vídeo que nada tem a ver com o que acabei de escrever. Mas tem a ver comigo, com o meu amor à natureza, com o meu respeito e veneração pela diversidade e beleza da natureza.

A história de Pamela Gale Malhotra e do marido Anil que há duas décadas cuidam de um bocado de terra, um espaço maravilhoso que parece mesmo o paraíso na terra


Sejam felizes em 2019.

terça-feira, janeiro 01, 2019

2019
Feliz Ano Novo a todos os Leitores de Um Jeito Manso





Cá estamos. Aqui já nós chegámos. E estamos inteiros. 2018 é passado e a história de 2019 está por fazer. Estamos naquele limbo em que o passado ainda não se esvaíu e o futuro ainda não chegou. E se todos os dias são assim, o dia 1 de Janeiro é ainda mais. Um dia quase igual a todos mas carregado de auspícios. Que tudo seja bom -- dizemos, desejamos.

Não faço balanços, já o disse. Não me interessam. Não quero arrumar o passado, quero apenas honrá-lo. Tenho respeito pela vida, recebo-a de braços abertos, todos os dias, e para ela quero estar sempre disponível. Seduz-me o futuro.


De resto, formulo desejos querendo convencer-me de que, querendo muito, o terei. E, como gosto de partilhar, digo, então, para vocês o que penso para mim:
De tudo o que se passou de menos bom saberemos guardar as devidas distâncias e a tudo o que de bom vivemos saberemos agarrar com carinho e com o cuidado devido aos seres mais frágeis que requerem atenção dedicada.
Dos que amámos e se foram, ou porque atravessaram a secreta porta em direcção ao silêncio ou porque foram viver a sua vida noutras paragens, guardaremos saudade e saberemos amá-los para sempre
Sem angústias, sem ansiedades, não nos pré-ocuparemos. Saberemos respirar até que o coração se aquiete, saberemos esperar até que o momento certo surja, saberemos louvar o que temos sem lamentarmos o que não temos.
As nossas pernas saberão procurar terreno firme para que os nossos pés nos conduzam pelos caminhos que queremos percorrer.
E saberemos guardar um lugar especial no nosso coração para o amor. Pelos outros, também por nós, pela natureza, pela vida. Saberemos apaziguar-nos para melhor sentirmos a serenidade que o amor nos traz. Saberemos ouvir. Aprenderemos a dar com o mesmo prazer com que recebemos os melhores e mais inesperados presentes.
Saberemos ouvir também o nosso corpo, estaremos atentos aos seus sinais, saberemos cuidá-lo sempre que o sintamos mais frágil porque o nosso corpo é a nossa primeira casa, o nosso verdadeiro refúgio.
Veneraremos a beleza. A beleza em todas as suas formas. Procurá-la-emos em todos os lugares. E a simplicidade. E a elegância. E a bondade.  

Agora que 2018 se foi e que o céu já se estrelou de mil cores e que já me deixei fascinar, uma vez mais, pelo fogo de artifício que aqui vos mostro, desejo que 2019 seja para todos vós, Leitores queridos, um ano muito bom, o melhor possível. Do coração vos desejo.

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O algoritmo do YouTube acaba de me brindar com a sugestão deste vídeo. Conhece-me bem, propondo-me a história de Jonna Jinton. É um vídeo muito bonito e vê-lo parece-me uma boa maneira de começar o ano.

Partilho-o convosco: Do sonho para a realidade


Que os vossos melhores sonhos também se transformem em realidade. 
Força, lutem por eles.