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quarta-feira, setembro 02, 2026

O Montenegro está nas mãos da improvável sociedade Ventura & Neves? E, afinal, o Neves também é um populista, não é?
-- A palavra ao meu marido --

 

A fazer fé nas notícias que li, o Neves revelou-se na comunicação que fez esta terça-feira, qual Ventura II, um verdadeiro populista. Fez exatamente o que os populistas, nomeadamente o Ventura, fazem. Não esclareceu nada, não tocou nos factos de que é acusado, elegeu um inimigo, neste caso o Ventura, e negou, irritado e vitimizando-se, tudo. É o que faz um populista: nega tudo (vejam o discurso do Trump), elege um inimigo principal (no caso do Ventura, a imigração) e nunca responde aos factos de que é acusado dizendo que são "fake" e resultam de uma cabala. Cavalgam a onda da "vox populi" e dizem o que é mais conveniente num determinado contexto, independentemente de ser verdade ou mentira. 

O Neves aproveita a onda dos "amigos do Neves" nas redes sociais e na comunicação social e transforma-se em arauto do combate ao populismo, elegendo como inimigo principal o Ventura e uns outros tantos que, diz, organizaram uma cabala contra ele, afirmando que são tudo mentiras e que esses difamadores vão sofrer consequências. 

Relembrando uma frase em voga: se fala como um populista, se age como um populista e se parece um populista, então, o mais certo é que o Neves seja mesmo um populista. 

No entanto, deve ter-se esquecido que está no governo mais populista de que há memória, que tem um discurso populista, que aprova leis suportadas no populismo, que segue a agenda do partido do Ventura eleito inimigo principal pelo Neves. Portanto, o Neves, que anunciou que "está de pedra e cal", vai afinal também vai encetar um combate sem tréguas contra o Montenegro..?. Curioso, muito curioso! 

Aliás, o Neves, segundo li, apresentou-se  como se a sua continuação como ministro dependesse da sua própria vontade e decisão e não da vontade e decisão do Primeiro-Ministro. A ser verdade, quer isso dizer que o Primeiro-Ministro não risca nada no que a ele diz respeito? Ou, melhor perguntando: o Neves quis mostrar a toda a gente que tem o Montenegro na mão? 

Parece que o Neves também disse que os bens apreendidos aos criminosos devem ficar ao serviço de quem os apreende. Curioso. Segundo tenho ouvido, parece que não é bem isso que é suposto. 

(Não sei bem porquê mas até me veio à memória uma frase batida "ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão") 

quarta-feira, julho 08, 2026

Nos Estados Unidos, o rei vai nu, de fralda e de medalha de pechisbeque ao pescoço.
Por cá, o que tenho a dizer é que o Luís deu azar à Selecção e que os seus ministros dão azar aos assuntos em que mexem

 

Tenho falado nesta big barracada dos exames e pensava que apenas afectava o meu neto do 12º. Afinal afecta também o do 9º. Julgava que não, que esse tinha escapado a esta malapata das avaliações. 

Só visto. 

Há mil anos, numa outra vida, eu vigiava exames e no dia ou nos dias seguintes recebia uma molhada de exames para corrigir. Levava para casa, via tudo no prazo, lançava as notas. Não me lembrro de alguma vez ter havido qualquer crise, qualquer drama. Tudo decorria com previsibilidade.

Mas é natural que se introduzam mudanças, se digitalizem processos.

Numa outra vida, não a da docência mas a das empresas, não têm conta as brutais transformações que se operaram nos processos. Sendo um grande grupo com muitas empresas, geograficamente dispersas e não apenas em Portugal, de cada vez que se avançava para uma grande transformação, o planeamento, o acompanhamento, os testes, eram vistos ao milímetro. Não havia hipótese de falhar alguma coisa pois já tudo tinha sido exaustivamente ensaiado e validado por todos os utilizadores chave. E, ainda assim, havia planos de contingência. Em processos vitais, se no dia do arranque do novo processo houvesse algum problema e não se conseguisse sanar ao fim do tempo máximo convencionado (1 hora, por exemplo, ou meio dia, em casos menos críticos), o plano B entrava em acção.

Isto a que assisto neste processo deixa-me doida. A única coisa que me ocorre é que é gente muito incompetente, muito impreparada, incapaz de assumir funções deste nível de responsabilidades.

Percorram-se os ministros um a um e acho que os que não são flagrantes candidatos a irem borda fora são os que andam na moita, sonsos, calados, sem fazer nenhum a ver se a gente não dá por eles.

Mas, claro, tudo responsabilidade do habilidoso-mor, o Luís, que os escolheu e que, tendo-se comprovado os eros, não os corrige. 

Acresce que andou de rabo alçado a caminho do futebol, com conversas pirosas, motivacionais, e já se viu no que deu. Tivesse ele estado calado e quieto e talvez agora não ficasse tão colado à derrota da rapaziada da selecção. Podem vir dizer que a culpa é do treinador ou do Ronaldo que já deu o que tinha a dar ou do que quiserem, e certamente têm razão. Mas quem se colou, à cara podre, a eles foi o Luís. Por isso, o Luís é um dos derrotados -- e que o discurso de que deveríamos todos ser como o Ronaldo lhe faça bom proveito. E se ninguém ainda lhe disse, digo eu: tão importante como ter boa forma física ou um talento enorme para o futebol é saber perder, é sair dignamente, seja do campo, quando é substituído, seja da actividade, quando as mais valias já não são aquilo que deveriam ser.

E termino referindo o palhaço-mor, o abestalhado demente Donald, que parece que entrou em acelerada derrapagem mental. Voltou à carga com a Gronelândia, quer largar a Nato, quer lançar a confusão total, para consolo de Putin. E a cambada Maga mais os cobardes e, em alguns casos, burros chapados dos republicanos, no Congresso e no Senado, não são capazes de lhe tirar o tapete. A única, mas mesmo a única, coisa que atenua a minha estupefacção e irritação perante a alarvidade de tudo o que vem daquele estupor é pensar que talvez sirva de vacina. Mas mesmo nisso não estou muito optimista. Cada vez mais me convenço que uma parte significativa da população (provavelmente em torno dos 25%) é mesmo constituída por uma mescla variável de gente burra, estúpida, ignorante, passiva-agressiva, psicopata, invejosa, ressabiada, parva -- gente que se revê em líderes como Trump.

E fico-me por aqui. Não me apetece perder mais tempo com gente desta.

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Desejo-vos um bom dia

quinta-feira, julho 02, 2026

O Leitão, o Ventura, a Ramalho e o Alexandre ou a "liga dos sem vergonha", sem esquecer, bem entendido, a Dona Ana Paula e o chefe deles todos, o Luís
-- E, finalmente, eis que o senhor meu marido se dignou, de novo, a dizer de sua justiça --

 

Ouvir um tipo que é jurista e deputado dizer que o governo não deve cumprir uma ordem do tribunal é assustador e chocante. Assustador porque percebemos que a extrema direita se sente com poder suficiente para fazer este tipo de afirmações, chocante porque apesar desta e de outras afirmações semelhantes ou piores, muita gente vota neles. O Ventura é o Trump cá do burgo. Populista, demagogo, xenófobo e autocrata -- e podem ver pelo que tem acontecido no EUA e no Mundo o desastre que é eleger um tipo com esta natureza. Devia servir de vacina e ninguém votar num tipo sem um pingo de vergonha! 

Mas neste cantinho à beira-mar plantado temos outras aberrações semelhantes. 

As afirmações que o "Lentão" Amaro fez recentemente sobre a imigração confirmam que a xenofobia e a direita mais populista ocupam lugares de relevo no governo. Ter um ministro que, das duas uma, ou não tem um mínimo de conhecimento da realidade ou mente descaradamente é uma vergonha para quem os elegeu, para quem o escolheu e naturalmente para o próprio. 

Outro elemento do elenco governativo que se pauta por uma enorme falta de vergonha, basta relembrar as mentiras que foi dizendo para suportar as suas tentativas legislativas discriminatorias e com cheiro a direita saudosista é a Palma Ramalho. É preciso não ter vergonha para fazer o que tem feito mas, é preciso ser verdadeiramente desavergonhada para manter a reforma da lei laboral na agenda após 12 meses de negociação e namoro ao Ventura que no final redundaram no colossal fracasso que conhecemos. Como é possível tanta falta de razoabilidade e de vergonha!

Não procurando ser exaustivo sobre os membros do governo que fazem parte da "liga dos sem vergonha" e sendo óbvio que o PM e a ministra da saúde são sócios desde a primeira hora (como é possível a ministra ter gasto mais 21% na saúde, termos atingido o caos atual e não ser corrida?) tenho que referir mais um que está de corpo e alma na liga: é o rapaz da Educação. O Alexandre depois de torrar dinheiro em tudo o que dava chatice decidiu tentar fazer umas coisitas que não correram nada bem. Desde os números sem fundamento relativos ao número de alunos sem aulas, referidos pelo ministro até à vergonha que é o atual processo de correção dos exames, existem bastas razões para incluir este ministro em lugar de destaque na "liga dos sem vergonha".

Mas tenho que voltar à da Saúde. Com estes calores extremos, o que ouvimos à que nunca mais é ex é que alerta para o aumento da mortalidade. Mas alguém morre porque quer? O que é isto de alertar para a o aumento de mortes? Não passa pela cabeça da Ana Paula Martins que o que ela tem que fazer é dar conselhos práticos, é informar sobre medidas concretas, é fazer com que haja meios para minimizar insolações ou para acudir rapidamente a quem se sinta mal? O que mais esta senhora tem que fazer de mal para que o Luís perceba que mantê-la é caso quase de alarme social?

E é destas vergonhas que se vai fazendo uma parte da politica em Portugal. Que vergonha!

domingo, junho 21, 2026

O tempo dos broncos

 

Quando estou mais para o zen do que para a truculência, abro o computador e só me apetece falar dos meus jovens, ex-pimentinhas, agora já todos grandes e bonitos, bem dispostos, brincalhões. Aliás, tão zen que, antes de ter energia para levantar a tampa do portátil, adormeci profundamente. O meu marido bem tentou interromper-me mas a pancada era grande demais. Acordei a ver o Trump no seu primeiro mandato, em melhor forma do que agora mas já só a fazer disparates, a dar conta da cabeça dos chineses. E deve andar por aqui alguma melga porque acordei com comichão num braço.

E agora, ao ver as notícias, constato o que já todos estamos fartos de saber: salvam-se alguns, não muitos. Por exemplo, a Meloni, apesar de tudo, tem mostrado que os tem no sítio. Mas, se pensar no que se passa por cá ou no que se passa no país dito mais relevante do mundo, só posso concluir que os broncos devem ter algum mérito para conseguiem convencer os parvos e para conseguirem aguentar-se nos lugares de poder.

Para mim, um bronco é um tipo que inventa problemas, que se enrola de todas as maneiras possíveis e imaginárias para ver se os consegue resolver, depois, quando não consegue desenrailhar-se dos imbróglios que criaram, começam a culpar toda a gente, por fim já querem é safar-se da embrulhada seja de que maneira for e, depois de terem andado a dar trabalho, a gastarem e a fazer gastar dinheiro e paciênciaa toda a gente, na melhor das hipóteses, no fim, fica tudo igual ao que estava antes mas, o mais frequente, é que fique tudo pior.

Com o Montenegro temos exemplos disso por todo o lado. Por exemplo, na Saúde arranjou uma ministreca que começou por correr com um fulano que era reconhecido por toda a gente como super competente, o Fernando Araújo, que estava a tentar pôr ordem no SNS. A a partir daí foi sempre a descer. Demitiu dezenas de gestores, despeja dinheiro para cima de toda a malta que rabeia, inventa desculpas para tudo e mais alguma coisa e, no fim, ou seja, agora, depois de desequilibrar mais as contas, está tudo pior do que estava. E isto não sou eu, humilde observadora, que o digo: são todos os relatórios técnicos e independentes que o demonstram. Na Habitação tem sido o descalabro: isentou de IMI, IMT e sei lá que mais todas as compras de casa para crianças até aos 35 anos. E fez mais não sei o quê, que já lhe perdi a conta. O que sei é que o preço das casas disparou como nunca, um foguete que subiu mais rápido e mais alto que na maioria dos outros países. No Trabalho tem sido o festim a que se tem assistido. Arranjou uma Madame que empreendeu num espantalho com nome de Pacote. Ninguém lhe tinha encomendado o sermão. Foi ela e o Luís que desarrincaram tão destrambelhada ideia. Começaram por andar a fazer perder tempo a patrões e sindicalistas. Pelo meio iam insultando alguns que, por fim, se retiraram da palhaçada. Findo o circo da Concertação, levaram o espantalho, já na versão aborto, para a Assembleia. Aí, canhestros e azêmolas como só eles, resolveram montar-se a cavalo num lacrau asnento. E o País assistiu, entre o boquiaberto e o saturado, a mais um par de coices e a mais uma ferroada do lacrau que, assim, mostrou a todos que de gente desta desenvergadura nada de respeitável se pode esperar.

Nos Estados Unidos o que se vê é um fulano em decomposição, fisicamente decadente, a dormir em público, um narcisista a mandar pôr o nome em tudo o que é canto e esquina, a inventar toda a espécie de loucuras, com aldrabices que não lembram ao diabo (veja-se o que inventou agora sobre a Meloni, que a levou a desmenti-lo com todas as letras), a perseguir os mais indefesos, a tirar aos pobres para dar aos ricos, a mandar a Justiça ir atrás de quem ele não gosta e a indultar todos os criminosos que o apoiam, a ser corrompido à descarada, a tomar decisões erráticas e contra a ciência e contra o mais elementar bom senso, a destratar aliados e a bajular ditadores, a ameaçar invadir ou anexar território alheio, a raptar um presidente de um outro país e a roubar-lhes o petróleo, a ir de braço dado com Israel bombardear o Irão, matar gente indefesa, nomeadamente as crianças de uma escola, e arranjar um trinta e um do qual agora não consegue sair pelo seu próprio pé, já se prestando a sair de fininho, dando aos iranianos o que eles quiserem. Onde não havia antes problema que lhe dissesse respeito, depois de matar imensa gente, de destruir o que não devia, de gastar biliões, agora anda a ver como sair da enrascada. E, no meio disto tudo, centra-se noutros assuntos que também não eram problema para ninguém mas dos quais resolveu fazer cavalo de batalha. Por exemplo, o tema do 'lago', em frente do Memorial Lincoln. Meteu na cabeça que o Reflection Pool haveria de ser azul transparente e apregoou que de piscinas percebe ele. Gastou cerca de 14 milhões de euros, de caminho insultou os presidentes anteriores por não terem sabido manter o lago limpinho, publicou fotografias fake em que se mostrava ao banho com o JD Vance e o Mark Rubio como se equilo fosse uma piscina. Pois bem. Foi resolver um problema que não existia e aranjou um outro ainda maior. 

A imagem do Trumpalgas foi gerada pelo Chatgpt
Nota: na realidade, o que os funcionários andam a despejar são garrafinhas mais pequeninas do que as que aqui se veem

O lindo laguinho azul virou verde, cheio de algas. Pior: o revestimento está a descolar-se. Nas bordas andam funcionários a despejar pequenas garrafas de água oxigenada e de lixívia e outros com camaroeiros. Virou chacota nacional. Nada que incomode os MAGA que já veem nisso uma conspiração: não só olham para as águar verdes e algacentas e as veem azuis, como acham que é tudo embuste dos democratas.

Há sempre burros ainda mais burros do que os burros que conhecemos. Os broncos atraem os broncos. Os broncos mais burros veem-se representados pelos burros que, nas redes sociais, lhes aparecem como ilustres.

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O fiasco do espelho de água de Trump ganha uma reviravolta ao estilo "Greenwatergate"

O jornal The New York Times refere que a confusão causada pelo espelho de água verde de Trump tem agora uma nova e sinistra reviravolta: um contrato de limpeza sem concurso ligado a um doador de Trump e vizinho de Mar-a-Lago.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

segunda-feira, maio 18, 2026

O admirável mundo das novas profissões

 

Até há cerca de um ano mantive-me longe das redes sociais. Geralmente era eu que procurava a informação e, quase sempre, junto dos media de referência. Claro que também consumia os vídeos do youtube (e ainda consumo) mas, enfim, há que reconhecer que nada a ver com a avalanche, não editada, que agora me chega via instagram. 

Quando a minha filha criou a conta, perguntou se os posts que eu criasse para o instagram também deveriam ir para o facebook. Segundo ela, o facebook é coisa mais de terceira idade e que ainda há muita gente que começou aí e ainda aí se mantém. Portanto, disse que sim. Mas nunca me lembro de tal. Quando abro a caixa de correio, o que não é frequente, espanto-me com dezenas e dezenas de notificações, mensagens, pedidos de amizade que estão pendentes no facebook. Se lá vou, é tanta coisa que nem me entendo. E aquilo parece-me uma barafunda, nada a ver com a arrumação do Instagram. E, aliás, sendo o meu perfil público, não vejo a lógica de eu ter que aprovar o pedido. E tudo aquilo me parece um tal caos que desisto. Provavelmente qualquer dia desisto do facebook. E os posts do instagram não apenas vão para o facebook como para uma coisa chamada Threads e aí só consigo ver de soslaio pois parece que devia criar conta específica. Mas vi que uma minha coisa qualquer tinha milhares de visualizações. Não faço ideia se o Threads também funciona com base em 'seguidores' ou 'amigos' ou se é bar aberto ou se há comentários ou não. Mas nada disso é a minha praia, não tenho paciência, não quero perder tempo a aprender coisas que me parecem redundantes. O Instagram já me chega. 

Mas vem isto a propósito das coisas que aprendo no Instagram... Coisas que eu não poderia aprender apenas lendo o Guardian, e isto só para dar um exemplo. É todo um mundo novo. Muitas vezes aparecem-me posts de pessoas desconhecidas. Quando quero ver quem são, clico no perfil e, com muita frequência, aparece-me que são criadores de conteúdos digitais. Não sei se é porque acham que é o que está a dar ou se é mesmo a sua ocupação principal, mas, do que lá se vê, não haverá mais que isso.

Mas não é só. 

Há bocado apareceu-me um que se anuncia como psicoterapeuta somático. Nunca em tal eu tinha ouvido falar. Fui ver: descreve algumas das suas habilidades para tratar pessoas. Daquela conversa toda, não me pareceu ver ali qualquer base científica, tudo aquilo me pareceu uma chachada sem ponta por onde se pegue. Posso estar simplesmente desfasada do imenso leque de profissões que agora parece que brotam como cogumelos, e esta ser uma profissão legítima, validada por alguma Ordem, sujeita a regulação. Mas esta é apenas mais uma das que me vão aparecendo. 

Há poucos dias uma outra descrevia-se como especialista em human design. Como nunca tinha ouvido falar em tal coisa fui informar-me. E tudo aquilo me tresandou a treta de uma ponta a outra. Mas, pelo que vi, organiza cursos ou retiros ou coisa do género. E parece que desenha mapas. Se calhar antes designar-se-ia astróloga e não organizaria workshops ou encontros. E eu espanto-me: quem é que vai em tal conversa? Os clientes não se importam por nada daquilo ter qualquer fundamentação científica? Há assim tanta gente a embarcar em balelas e ainda pagar por isso ou ainda bater palminhas? 

Mas depois ainda há quem que se anuncia como coach ou mentor e, se eu resolvo ir espreitar a realidade que ali subjaz, vejo grupos (geralmente de mulheres) que se riem muito, frequentemente de braços abertos, boca aberta e, muitas vezes, de língua de fora e perna no ar. Não imagino sequer o chorrilho de disparates, de vacuidades, de banha da cobra que aí se vende. 

E depois há ainda quem faça sessões online para explicar as vantagens de suplementos alimentares. E quando, na minha inocência, pergunto se quem ministra tais sessões é nutricionista ou afim, respondem-me que não, que agora na internet encontra-se tudo o que é preciso. Mas dizem-me isto não com ar envergonhado de quem foi apanhado em falso mas como se a minha pergunta é que fosse absurda.

Quando me espanto por haver tanta gente que vota em partidos que apresentam propostas não fundamentadas, não deveria. Se há tanta gente que embarca nestas parvoíces, a quem nem ocorre saber se a profissão está homologada por entidades competentes ou  se esses pseudo-especialistas têm bases académicas para fazer aconselhamentos psicológicos ou human design (esta expressão, então, é de morte), como não haverão também de ir atrás da conversa de populistas e afins...?

Não sei que mundo é este. Mas, cá para mim, metade da população é mesmo assim, abestalhada, feliz com a sua ignorância, disposta a seguir ou a pagar a todos os que lhes dizem o que eles querem ouvir (mesmo que, à vista desarmada, se perceba que é tudo uma tanga). Metade não, estou a exagerar. Acho que é para aí um quarto, são os tais 25% de pessoas que votam sempre nos partidos ou nas pessoas que não interessam para nada, que se vê, a milhas, que tudo aquilo é uma 'furada'. E não estou a pensar só no Chega, no Ventura (ou, nos States, no Trump): já pensava isso de quem vota no PCP, no Bloco, de certa forma, em parte, na IL. Propostas vagas, simpáticas, incitamento, ainda que, por vezes, mais veladamente, à divisão do mundo entre o lado bom e o lado mau, 'nós, os bons, os prejudicados, os impolutos' contra 'os outros, os maus, os corruptos, os ladrões'. Por vezes, a estes 25% de gente que vai atrás de tudo o que os vendedores de banha da cobra vendem, por razões circunstanciais há mais quem se lhes junte, uma franja flutuante que tanto vai por ali como por aqui. Agora, em todo o lado, parece que há sempre 25% de pessoas que não sei dizer se são burras, ignorantes, inseguras, fúteis, marias-vão-com-as-outras ou o quê. Mas acho que andam sempre por aí.

E, para resumir, acho que é essa camadinha que alimenta esses profissionais de meia-tigela, gente sem escrúpulos ou sem consciência ou sem noção, que se armam em líderes, em mentores, em especialistas, em psico ou experts da treta e que não passam de sacos cheios de coisa nenhuma.

Ou, então, temos que nos ir habituando: uma onda de coisas fake a passar por cima dos incautos e, se calhar, um dia, quando menos dermos por isso, já a passar por cima de todos nós.

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Desejo-vo suma boa semana, a começar já por esta segunda-feira

quinta-feira, abril 30, 2026

Será o Montenegro o Orbán cá do burgo? E o Andrézito é um brincalhão do caraças? E o MP não se interna voluntariamente Rilhafoles?
-- A palavra ao meu marido --

 

Talvez alguns tenham ficado surpreendidos com o apoio objetivo dado por Montenegro a uma repescagem de Putin. Para mim não é surpresa. O Montenegro faz parte da direita com pendor populista que em grande parte está ao lado do Putin e o quer ver regressar, com alguma pompa e circunstância, aos palcos internacionais. Depois do Trump fazer todos os possíveis para dar protagonismo ao Putin, eis senão quando vem o Montenegro, antes de haver concertação europeia nesse sentido, apoiar o Trump e antecipar-se à maioria dos nossos parceiros europeus, seguindo as pisadas do tipo responsável pela enormíssima e perigosíssima crise em que o mundo está mergulhado. Será que temos um novo Orbán na Europa? O PM português? Ainda não chegou aos extremos do húngaro mas segue os passos do Trump, revela-se defensor da re-inclusão de Putin nas plataformas decisórias, já aprovou com a extrema direita as leis da nacionalidade e da imigração, já revelou enorme falta de respeito pela verdade e pelas instituições e já atacou bastas vezes a comunicação social. De facto, isto é apenas a cereja em cima do bolo. Para além de seguirmos a política de bar aberto relativamente à utilização das Lajes pelos americanos, ainda temos o Montenegro a defender que o Putin volte a ser considerado na cena internacional.

Parece que o Andrézito definiu hoje a linha vermelha para aprovar o pacote laboral. Embora se possa admitir, atendendo à habitual coerência do rapaz, que a linha vermelha hoje definida amanhã muda de cor, dizer que só aprova o pacote se a idade da reforma descer é de mestre. Esta não lembrava ao mais pintado. O Montenegro até deve ter batido três vezes com a cabeça na parede para ver se alucinava de vez. Não há nada tão reconfortante como ter o Andrézito como parceiro, não é Luís?

Hoje o tribunal, por unanimidade, decidiu absolver o Rui Pinto considerando que o julgamento era inválido e inconstitucional e que o MP tinha violado as garantias de defesa do réu. Será possível que o MP ainda desça mais fundo? Os procuradores deviam ser internados em Rilhafoles e punidos por incompetência e desbaratamento do erário público. O PGR devia demitir-se, emigrar e ir pentear macacos para o meio da selva. Ou melhor ainda: fazia um trio com os dois acima referidos e iam contar osgas para a Conchichina. Isso é que era!

quarta-feira, janeiro 21, 2026

Anne Applebaum dixit

 

Gosto imenso de a ouvir e ler. É uma voz ponderada que fala de forma desajectivada, com uma racionalidade que se percebe vir do estudo e da compreensão exaustiva dos factos.

Para quem não a conhece, transcrevo a sua biografia do site da Bertrand: 

Anne Applebaum é historiadora e jornalista. Escreve sobre a Europa Oriental e a Rússia desde 1989, quando cobriu o colapso do comunismo na Polónia para a revista The Economist. Foi colunista do The Washington Post e editora-adjunta da revista The Spectator. É redatora da revista The Atlantic e senior fellow no Agora Institute da Universidade Johns Hopkins.

É autora de vários livros publicados pela Bertrand Editora, incluindo Gulag: Uma História, que ganhou o Prémio Pulitzer de não-ficção em 2004; A Cortina de Ferro, sobre a sovietização da Europa Oriental após a Segunda Guerra Mundial, distinguido com o Prémio Cundhill de Literatura Histórica de 2013; e Fome Vermelha, sobre a fome ucraniana de 1932-33, que fornece o pano de fundo para o conflito russo-ucraniano. Em 2020, publicou O Crepúsculo da Democracia, que analisava o carácter apelativo da autocracia para os intelectuais e políticos ocidentais.

Nestes dias em que a demência narcísica, compulsiva e descarada de Trump está ao rubro, é interessante ouvir o que ela pensa do que ela pensa ser a sua ausência de estratégia, o seu comportamento infantil, a sua eventual doença do foro mental.

Resta a questão: como se lida com isto? As forças militares mais poderosas do mundo e os códigos nucleares estão nas mãos de um doido varrido -- e ninguém parece saber como actuar.

A Ucrânia está debaixo de fogo russo, as pessoas congelando em casas sem aquecimento, e Trump, em vez de condenar Putin, convida-o para o absurdo e fantasmagórico Conselho da Paz onde ele (ele, Trump) será o presidente vitalício. Ninguém ousaria inventar um roteiro mais tresloucado para um filme tragicómico.

Vivemos tempos extraordinários, estamos a assistir a um momento crítico, subversivo, perigoso e surreal da história do mundo.

Trump Has ‘No Strategy’ On Greenland | Anne Applebaum

“Já ultrapassámos a fase da estratégia, e agora temos de falar da obsessão de um homem, talvez até da loucura.”

As ameaças de Donald Trump à Gronelândia reflectem “a obsessão de um homem” em vez de uma estratégia coerente de política externa, e correm o risco de desviar as atenções da intensificação da guerra da Rússia na Ucrânia, afirma a jornalista e historiadora norte-americana Anne Applebaum, vencedora do Prémio Pulitzer.

Anne Applebaum falou com John Pienaar no programa Times Radio Drive.

terça-feira, janeiro 20, 2026

Eleições
-- A palavra ao meu marido --

 

Depois da derrota humilhante deste domingo, Montenegro, demonstrando que é um democrata de pacotilha, não aconselhou o voto em Seguro na segunda volta. 

Dirão que, depois do erro que cometeu ao apoiar Marques Mendes -- que ampliou ao envolver tudo o que era ministro menos mal visto na campanha -- e da percentagem que o Marques Mendes obteve, não tinha saídas airosas. 

Eu repito o que já aqui escrevi. A democracia do Montenegro e de alguns dos atuais dirigentes do PSD, dos quais o Hugo Soares é o expoente máximo e a eminência parda (ou talvez pior que isso), não é assente em valores humanistas e de ética democrática. Não existem para eles linhas vermelhas relativamente ao populismo, à demagogia e à mentira. Confirma-se que  Montenegro escolheu o seu caminho, e esse caminho, ao que parece, passará pelas ideias e pela agenda do Ventura. 

Depois de apoucar e responsabilizar o PS, muitas vezes sem qualquer razão, por todos os males do mundo, a posição que tomou relativamente à segunda volta vai reforçar objetivamente o Ventura, porque, depois da lavagem ao cérebro que levaram, muitos militantes do PSD vão votar no Ventura apenas para não votarem em alguém do PS. 

Assim, o Montenegro vai trilhando, passo a passo, o seu caminho. E esse caminho tem um fim pré-anunciado. 

Nestas eleições percebeu-se claramente quem defende os valores da democracia ou quem se está marimbando para estes valores e tem com objetivo único caçar votos. 

Vamos ver como corre a segunda volta.

segunda-feira, janeiro 19, 2026

No rescaldo da 1ª volta

 

Votei no Almirante, mas a preocupação que me levou a votar nele não foi partilhada pela maioria dos votantes pelo que, com pena minha, os portugueses não o levaram à 2ª volta.

E, em coerência com o que sempre disse, passando o Seguro e o Ventura, não hesito nem por um segundo: o meu voto vai, incondicionalmente, para o Seguro. 

Tenho muitas dúvidas na firmeza, na criatividade, no punch de Seguro como Presidente da República: não sei se é pessoa para fazer frente a Montenegro quando isso for preciso e tenho muitas dúvidas de que tenha capacidade, energia e autoridade para se impor como deve ser caso um dia venhamos a ter a infelicidade de Ventura chegar a 1º ministro. Mas as coisas são o que são. Step by step. O cenário agora é Seguro contra Ventura para Presidente da República. Portanto, sem hesitar, o meu voto só pode ser um: em Seguro.

Há uma linha vermelha muito clara: de um lado está a democracia, de outro está a anti-democracia, o populismo. Estarei sempre do lado da democracia, e estarei sempre com absoluta firmeza e convicção.

Portanto, tentando abstrair-me de que vejo o Tó Zé Seguro como o Menino da Lágrima com pose de Rainha de Inglaterra, vou concentrar-me nos seus aspectos positivos: é democrata, é humanista, é civilizado, supostamente é um homem sério -- e isso, para já, é o mais relevante. 

Na reacção aos resultados, Ventura, eufórico, ufano, já mostrou ao que vem: vem para a lama. Tentará enlamear Seguro e o que o rodeia. Voltaram as mentiras, os insultos, o apelo ao medo, voltou ao 'nós' contra 'eles', voltou ao 'nós, os puros, os portugueses de primeira', contra ' eles, os socialistas, os corruptos'. O discurso xenófobo, racista, divisionista, radical, não inclusivo, trumpista esteve ali bem presente. 

E eu só espero que quem votou no Almirante, no Marques Mendes ou em Cotrim rejeite isso e saiba posicionar-se a favor do País, da seriedade, da honestidade intelectual, do civismo, da democracia, da bondade e, mesmo que o seu coração penda mais para a direita e para o conservadorismo, dê primazia à decência e aos verdadeiros valores democráticos.

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Sobre Cotrim Figueiredo não tenho muito a dizer, a não ser que fiquei com a ideia de que ficou com vontade de fazer qualquer coisa com os votos que recebeu. Não sei o quê pois tenho para mim que os últimos dias o queimaram. Tendo uma conversa genericamente arejada, espalhou-se ao comprido ao dar a entender que poderia votar em Ventura (contra Seguro) e ao mostrar não ter estaleca para aguentar embates. Depois da notícia sobre o assédio e de ter visto o pasmo de muita gente com a sua não rejeição do voto em Ventura, foi-se completamente abaixo, mostrou-se arrasado, atirou em todos os sentidos de uma forma pouco estruturada. Com isso, mostrou não ter fibra para o cargo para que estava a candidatar-se.

Tirando este aspecto, há que registar o falhanço brutal da candidatura de Marques Mendes e do posicionamento de Montenegro, um falhanço em toda a linha. Com as suas opções e o seu apoio muito activo à candidatura fraquíssima de Marques Mendes, Montenegro derrapou à força toda, e derrapou para debaixo da pata de Ventura. Com isto, Ventura, o grande oportunista, o demagogo que funciona just-in-time, já veio apresentar-se como o líder da direita. Tempos agitados, estes próximos. Com um governo minoritário, com falhanços sucessivos e muito graves em áreas críticas como as da Saúde, da Habitação e da Segurança, Montenegro vai passar a caminhar no fio da navalha, sobre brasas. 

Outra candidatura cujo falhanço é também de registar é a de António Filipe, ou seja, do PCP. Claro que também a votação de Catarina Martins foi um desastre e, por acaso, tenho pena pois fez uma bela campanha. Mas o Bloco é um desastre pelo que desastre por desastre pouco adianta. A de Jorge Pinto, que, nos debates, mostrou estar muito bem preparado, foi outro disparate. Ao baralhar-se todo com o apoio ao Seguro, esvaziou completamente o seu eleitorado. Agora António Filipe, político experiente, esteve a fazer o quê? Qual a lógica do PCP? Mostrar à evidência que já não vale nada? Sendo um partido com um historial que merece respeito, qual a lógica de andarem a exibir uns desgraçados 1,6%? Não percebo. E, no discurso da noite eleitoral, aparecem com a mesma estafada conversa de que os portugueses podem continuar a contar com eles... Mas contar com eles para quê? Não percebem que já não riscam para coisa nenhuma? Não percebem que poucos mais votos tiveram que o Manuel João Vieira...? Caraças. Que pena que me dão. 

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Desejo-vos uma boa semana

sexta-feira, janeiro 16, 2026

Um mundo de doidos...
Porque é que o fato de treino usado por Nicolás Maduro fez disparar as vendas da Nike?

 

De repente, parece que há cada vez mais coisas que não fazem sentido. 

Bem, se calhar não foi de repente, se calhar tudo isto era fácil de antever. Vamos fechando os olhos a isto, depois àquilo, depois fartamo-nos de ser tão cépticos e vamos dando o benefício da dúvida, vamos olhando para o lado, fazendo de conta que não vemos, temos mais que fazer... até que um dia damos por nós e estamos metidos num molho de brócolos, o mundo que conhecíamos de pantanas.

No outro dia ouvi uma pessoa dizer que Trump está a destruir em meia dúzia de meses o que a civilização levou para cima de um século a conseguir.

Li o artigo cujo título está lá em cima, a encabeçar este post. Revejo-me nele. Por isso, permito-me transcrever a maior parte dele. 

Nicolás Maduro com calças de fato de treino da Nike no porta-aviões USS Iwo Jima, após a sua captura. Fotografia publicada a 3 de janeiro pelo presidente Donald Trump nas redes sociais. @realDonaldTrump


A foto de Maduro em fato de treino, publicada por Donald Trump e relativa à sua detenção, tornou-se viral, e a peça em questão tornou-se muito desejada. Hilariante? Chocante? Apavorante?

Não sei quanto a vocês, mas nos últimos meses tenho-me sentido como se estivesse a viver num mundo irreal, numa série distópica da Netflix ou num programa de burlesco a solo. O mundo tornou-se confuso, insano; as redes sociais inundam-nos com imagens de um presidente americano a dançar ao som de YMCA, a fazer caretas e a dobrar sketches que provocam tanto risos como consternação. O líder do país mais poderoso do mundo aparece diariamente nos nossos ecrãs através de imagens que são reais ou geradas por inteligência artificial — é difícil de distinguir. Até onde vai este show do Trump?

Um fato de treino cinzento que se tornou viral

Esta surpreendente extravagância invadiu recentemente o mundo da moda. A última alucinação? Ou melhor, o maior espanto? A história de um simples fato de treino cinzento que, através de um "Trumpismo", esgotou após uma fotografia partilhada pelo próprio Donald Trump na sua rede social Truth Social para ilustrar a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Um breve resumo para aqueles que possam ter adormecido e ainda estejam meio adormecidos desde 3 de janeiro. Nesse dia, o presidente norte-americano publicou uma fotografia de Maduro, algemado, vendado e de auscultadores a bordo do navio de guerra USS Iwo Jima. O homem que seria julgado nos Estados Unidos por conspiração narcoterrorista vestia um fato de treino cinzento da Nike, composto por um casaco e calças da linha Nike Tech Fleece.

Alguns especialistas em canais de televisão protestaram de imediato, condenando a humilhação máxima: certamente que as autoridades americanas poderiam pelo menos ter deixado o ex-presidente venezuelano vestir-se e não se expor ao mundo com um velho fato de treino cinzento fechado. Claramente, não compreenderam o mundo moderno. Porque apenas algumas horas depois da exibição, este momento altamente geopolítico já tinha migrado para outra arena: o mundo da moda. A 4 de janeiro, a imagem espalhou-se como fogo em plataformas para adultos como o TikTok e o Instagram, gerando uma infinidade de memes, fotomontagens e paródias irónicas. Maduro de fato de treino, a nova estrela do TikTok?

Frenesi Comercial

A história podia ter terminado aí. Mas da histeria mediática ao digital e, depois, ao comercial, tudo aconteceu em termos de cliques. Após a explosão de pesquisas no Google por "Nike Tech" e "Nike Tech Fleece", como evidenciado pelos dados do Google Trends, o casaco e as calças desportivas Nike de Maduro esgotaram-se como água em poucos minutos. Vários tamanhos, especialmente os maiores, desapareceram quase instantaneamente do stock online. O preço das ações da Nike também acompanhou este frenesim. As suas ações na Bolsa de Nova Iorque saltaram de 63,33 dólares no fecho do dia 2 de janeiro para quase 65 dólares por volta das 17h00 do dia 5 de janeiro. Será que Trump se vai gabar em breve de ter provocado, graças à sua espetacular intervenção na Venezuela, uma escassez global de ações da Nike? É fácil imaginá-lo a dar alguns passos de dança em frente à câmara enquanto canta "Just Do It" (o famoso slogan da Nike).

(...)

Mas será que não conseguimos encontrar algo mais inspirador para o nosso guarda-roupa atual do que um fato de treino cinzento e sem graça usado por um ditador bigodudo e fotografado por um presidente caricato?

[Transcrição quase integral de Pourquoi le jogging porté par Nicolás Maduro a-t-il fait exploser les ventes de Nike ?, de Marion Dupuis, no Madame le Figaro]

quarta-feira, dezembro 31, 2025

O Montenegro, o PGR e as Presidenciais
-- A palavra ao meu marido --

 

Num País em que o PM apresenta como exemplo para a populaça um jogador de futebol (boa Luís! viva o populismo!) que foi capaz de ir bajular o Trump, que trabalha para um "patrão" que não sabe o que é democracia, que promove um país em que as liberdades e os direitos individuais são uma miragem e ao qual nunca se viu a mais pequena defesa de causas relevantes. 

Num País onde o PR promulga a concessão dos casinos do grupo que pagava ao PM porque o PM estava de férias quando a decisão foi tomada (boa Marcelo, então estando o Luís de férias tinha lá alguma hipótese de influenciar a decisão... nunca!). 

Num País em que o governo campeão do controlo de fronteiras suspende a utilização de sistema informático que permite um controlo eficiente das fronteiras durante três meses (boa "Lentão", boa D. MAI, o sistema só serve para "chatear... Isto é que é trabalhar como deve ser, não há dúvidas!). 

Num País em que o MP, mais uma vez, se veio meter na campanha eleitoral só para lançar lama para cima de um dos candidatos e, assim, proteger outro,  "Maques" Mendes de seu nome (boa Amadeu, é claro que o que fizeram agora ao Almirante não tem nenhuma semelhança com o que aconteceu com o caso da averiguação ao Pedro Nuno Santos quando a Spinumviva começava a ser difícil de conter e é claro também que o MP não é dominado pelo PSD e que é pura coincidência aparecerem casos semelhantes aos que incomodam a rapaziada do PSD contra malta de outros quadrantes políticos -- "honi soit qui mal y pense"). 

Num País em que o candidato mais lobista de que há memória se finge de virgem ofendida e a propósito do Conselho de Estado nos quer fazer de parvos (boa 'Maques", a malta sabe que pautas a tua atuação pela transparência). 

... Neste País, ainda parece haver alguém que sabe o que diz e que se percebe que conhece bem e tem ideias definidas sobre problemas que nos afetam cada vez mais, nomeadamente, a nível internacional. 

Ouvi ontem a entrevista do Gouveia e Melo no NOW, e gostei bastante. Tem um registo completamente diferente de outros profissionais da politica cujos expoentes máximos no caso das presidenciais são o Andrézito e o Mendes, e percebe-se que do ponto de vista da politica internacional, da Europa e da geopolítica mundial tem conhecimentos que poderão ser muito úteis a um PR nos tempos que se avizinham. Dá 10 a 0 (zero) a qualquer dos outros candidatos. Também sobre os maiores problemas do País defendeu posições que me parecem adequadas. 

Por estas e por outras é possível que o Gouveia e Melo seja o candidato em quem deveremos votar.

domingo, dezembro 21, 2025

À medida que nos aproximamos de um novo ano, quero acreditar que não há mal que sempre dure

 

Os dias andam cinzentos, quase deprimentes. Mas, ao caminhar no campo, vejo como as terras estão cobertas de verde, lindas - é o lado bom que geralmente está sempre presente. 

Dos meus amigos chegam-me notícias boas e outras nem por isso, e nem sempre encontro palavras sinceras para transmitir optimismo. A vida não é uma fita colorida e glamorosa que se vai desenrolando. Por vezes é quebradiça, por vezes tem que ser remendada, por vezes perde a cor, por vezes rompe-se. Mas também há períodos em que as pequenas imperfeições são irrelevantes e em que predomina a harmonia, a felicidade das pequenas coisas.

A nível geral, a questão da paz (ou a ausência dela) é matricial na vida de qualquer povo. Quando se vive sabendo que aqui e ali e, por vezes, bem à porta do nosso espaço comum, há guerra e ameaças latentes de que o mal vai continuar à solta, não podemos ignorar que está em perigo o mundo tranquilo e seguro que desejamos para os nossos. De uma forma ou de outra, isso influencia a nossa vida, nem que seja pela imprevisibilidade que isso provoca na gestão das contas públicas (das quais todos dependemos) ou nas decisões de investimentos a médio e longo prazo. 

E falo desta forma por, felizmente, estar longe dos cenários de guerra. Para quem lá vive, cada dia é uma roleta russa (no pun intended) e tenho uma admiração sem limites por quem sobrevive sem saber por quanto tempo, ou se os seus filhos, pais, irmãos, amigos, estarão vivos no dia seguinte.

E depois há o cancro do populismo que suga para o buraco negro da desinformação, da ignorância, da anulação da esperança em melhores dias todos os broncos, todos os ressabiados, todos os trogloditas 

A segunda vitória de Trump mostra bem a fragilidade da democracia e o tremendo de risco que é o facto de cerca de metade da população ser estúpida. E essa evidência dá força aos estúpidos de todo o mundo. Veja-se a ascensão de Ventura.

Contudo, não nos esqueçamos: não há mal que sempre dure.

Trump está em decomposição e isso pode precipitar o seu fim. Não se sabe o que virá a seguir, mas tenhamos esperança. Pode ser que se mostre de tal forma grotesco que até os seus mais boçais adeptos batam com a cabeça nas paredes, percebendo a porcaria que fizeram ao votarem nele.

Convido-vos a ver e ouvir o sempre interessante podcast The Daily Beast. Está legendado. Muito do que se passa nos Estados Unidos, com consequências em todo o mundo, deveria ser visto tendo em atenção o que se passa dentro da cabeça de Trump.

Assessores de Trump estão secretamente a preparar-se para a sua queda 

| Dentro da mente de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para abordar a questão que Washington se recusa a enfrentar: o que acontece quando o declínio cognitivo de um presidente é visível, mas sistematicamente racionalizado por aqueles que o rodeiam? Wolff descreve como o círculo íntimo de Trump encobre comportamentos alarmantes como "simplesmente a forma de ser de Trump", mesmo quando os eleitores reconhecem sinais de alerta familiares nas suas próprias famílias. Explica ainda a importância da longa relação de Susie Wiles com Marco Rubio e porque é que a sua influência ainda se manifesta na postura disciplinada e profissional de Trump à medida que este se vai deteriorando. À medida que a grandiosidade de Trump se intensifica — dos discursos inflamados à difamação das instituições nacionais —, Coles questiona porque é que ninguém está disposto a tomar as rédeas do poder e o que significa este silêncio para o país.


Desejo-vos um bom dia de domingo

quarta-feira, dezembro 17, 2025

Luís André Montenegro Ventura
-- A palavra ao meu marido --

 

O governo do Luís "levou" a semana passada com uma greve geral (que só um rapaz com a argúcia e a agilidade cognitiva do "Lentão" Amaro conseguia considerar "inexpressiva") e ontem "apanhou" com o chumbo da lei da nacionalidade pelo TC. 

Hoje vi o Luís, com a arrogância que o caracteriza, voltar as costas aos jornalistas desvalorizando uma manifestação contra a proposta para uma nova lei do trabalho. Pelo meio, disse à rapaziada do governo para se "borrifar" para a CGTP relativamente à discussão da lei do trabalho; mas, hoje, num acto próprio da quadra que atravessamos, lá se dignou falar com os "gajos" a pedido dos últimos. 

É comum os comentadores encartados dizerem e redizerem que o Luís quer é conquistar votos ao Chega. A minha opinião é diferente. O Luís e o governo que formou são marcadamente de direita e têm, de facto, em muitas matérias, um pensamento semelhante ao do Chega. O que os diferencia é que o Luís e "sus muchachos" -- e "muchachas", já agora -- têm, ainda, pudor em verbalizar tudo o que lhes vai na cabeça e qual é a sua verdadeira agenda. 

Recordo-me de, quando o governo foi formado, o Pacheco Pereira dizer para estarmos atentos porque havia ministros que eram marcadamente da direita bastante conservadora. A prática tem-no demonstrado. E o Luís, que vai derivando cada vez mais para a direita, ainda conseguirá ultrapassar o Andrézito no desprezo pela Constituição, na afronta aos imigrantes, na desconsideração por tudo o que não é de direita conservadora e na arrogância perante a contestação e a comunicação social. O problema para o Luís é que, sendo cada vez mais parecido com o Andrézito, corre um sério risco de ser cilindrado pelo Andrézito. Como diz o povo, uma desgraça nunca vem só.

Nota 1: A ideologia do governo, que, na política que promove, o leva a privilegiar a população com maiores rendimentos está bem expressa nas estúpidas declarações que hoje foram feitas pelo ministro da educação. Afirmar que a degradação das equipamentos usados pelos estudantes resulta de serem utilizados por estudantes pobres, e relacionar a degradação do SNS e dos hospitais com o facto de serem maioritariamente utilizados pela população com menos recursos é digno de um qualquer Trump doméstico. Mas é também revelador dos preconceitos de classe do ministro. Com estas credenciais bem se percebe quais são as opções do ministro em termos de projetos para a educação. Certamente não será privilegiar os alunos com menos recursos. Bem podem o Anselmo Crespo e o Rui Calafate (e provavelmente outros, só ouvi estes dois) tentar "limpar" o ministro afirmando que está a fazer um bom trabalho porque conseguiu acalmar os professores. Pudera, deu aos professores tudo o que queriam -- não haveriam de estar mais calmos...? 

Já agora a FENPROP, sempre tão crítica de outros ministros e tão "defensora" da qualidade da educação, não tem nada a dizer? É por estas e por outras que eu não tenho nenhum tipo de consideração por este governo. 

Nota 2: Face às longas filas de espera no controlo de passaportes no aeroporto, a ministra da Administração Interna saiu-se com uma espectacular, que vão pensar num plano de contingência para o período de Natal. Será que ainda ninguém a informou que no período de Natal já nós estamos...? Agora é que vai pensar num plano de contingência...? Continuamos, nesta área, com ministrinhas que não fazem a mínima de coisa alguma.

Nota 3: O que terá acontecido durante a reunião da ministra Palma Ramalho com a UGT para, depois de uma greve geral, o secretário-geral vir da reunião a cantar hossanas e hinos de amor? Ou a ministra o pôs a ele a fazer o pino num dedo ou ele a pôs a ela a fazer um flic-flac à rectaguarda. É assunto a seguir.

terça-feira, dezembro 02, 2025

E assim se faz Portugal
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Segundo o Expresso, o dono da herdade onde eram, e provavelmente são, escravizados imigrantes gabava-se de ter na mão quinze GNR, dois PSP e uma Procuradora do MP. Pelos vistos, o patrão fazia as coisas às claras, não tinha medo, tinha as "autoridades" na mão. E a coisa parece funcionar. Terá sido por mero acaso, quiçá, por manifesta falta de tempo, que a Procuradora se esqueceu de transcrever nos autos conversas esclarecedoras dos atos praticados pelos arguidos? Será que o sr. juiz não poderia ter dado algumas horas, talvez um ou dois dias, para a procuradora ir para casa e, sossegadamente, juntar ao processo a transcrição dos autos? Recordo-me que já houve detidos que estiveram uma semana presos antes de serem interrogados pelo juiz de instrução.

Será que estes actos não eram públicos e notórios e, com base nisso, o juiz não poderia ter decretado uma medida diferente para os arguidos? Será que nenhuma autoridade local conhecia esta situação ou consideraria normal que a GNR e a PSP destacassem guardas para vigiar trabalhadores como nas colónias penais dos anos 30 do século passado? Ou será que, como tudo isto se passa num meio relativamente pequeno onde a malta se conhece e o patrão é sempre patrão, estas coisas são tratadas com pesos e medidas próprias -- mas impróprias de uma sociedade democrática, justa e evoluída? 

Eu diria que é este tipo de corrupção, este fechar de olhos, que mina a sociedade portuguesa. 

E o Andrézito, sempre tão disponível para cavalgar ondas mediáticas, não diz nada? Então isto não é corrupção, Andrézito? Ou será que está calado que nem um rato porque quem pratica estes actos segue a cartilha do Andrézito, é aficionado dos tik tok do Andrézito e faz faz parte da sua base eleitoral? Aposto que sim!

A propósito qual a razão para ainda não ser público o nome do dono da herdade ou dos donos das herdades onde estes casos aconteceram e acontecem? Também gostava de conhecer o nome da relapsa Procuradora acima referida, não que esteja a supor que poderá tratar-se da senhora que o dito anónimo patrão se gaba de ter na mão mas já agora seria interessante desfazer possíveis dúvidas. 

sábado, novembro 29, 2025

Em dia de debate entre a combativa Catarina Martins e o velhaco Ventura Martins, prefiro falar nos invisíveis que constroem e mantêm o mundo.

 

Isto há coisas do caraças. Reparto-me entre dois computadores, um com uns problemas, outro com outros, e, para ajudar à festa, também entre o telemóvel.

Comecei a escrever o post num computador e, depois, mudei para outro. Escrevi sobre o debate, comparei a combatividade da Catarina com a do Totózé Seguro, mostrei o meu descontentamento pela pulverização dos candidatos de esquerda, insurgi-me contra a conversa miserável do Ventura, sempre a armar peixeirada e a apelar ao que de pior a população tem. A propósito dos imigrantes, falei da minha família, uns por cá e a maioria perdida pelo mundo.

Enfim, pintei a manta. Um post longo e com uma componente pessoal. 

E publiquei.

Passado um bocado, distraidamente, voltei a pegar neste computador. Não me apercebi que tinha apenas uma coisa de nada e, automaticamente, antes de fechar o computador, fechei as janelas abertas e devo ter feito um save no post na sua versão embrionária.

Só há minutos me dei conta que anulei tudo o que tinha escrito e republicado o post, na sua forma de desinteressante girino. Fiquei passada. Caraças. Mas passa das duas da manhã, não vou pôr-me para aqui a tentar relembrar-me de tudo o que tinha escrito. Agora que fiquei f da vida, fiquei. Nunca me tinha acontecido uma destas. Que estupidez a minha. Desmiolada, cabeça no ar. Caraças. Agora nem se percebe a que propósito vem este vídeo. Mas vejam-no, por favor. É muito interessante. E desculpem lá isto.

Almoço no topo de um arranha-céus: a história por detrás da foto de 1932 | 100 fotos | TIME

Não sabemos os seus nomes, nem o fotógrafo que os imortalizou, mas estes homens a almoçar a 240 metros de altura mostram o espírito audaz por detrás da expansão vertical de Manhattan..

quinta-feira, novembro 27, 2025

Já chega de tanta malta bafienta
-- A palavra ao meu marido --

 

Após uma comemoração mais do que pífia do 25 de Novembro (de facto verificou-se um "enormíssimo" entusiasmo das pessoas com a comemoração) e da tentativa da rapaziada que tem saudades do 24 de Abril e dos que não perdem uma oportunidade de lhes fazer as vontades de tentarem reescrever a História, eis senão quando hoje foi noticiado que o juiz Carlos Alexandre vai presidir à comissão (?) que vai tentar combater a fraude na saúde. Para além de ser redundante e de ser uma tentativa de atirar poeira para os olhos da opinião pública, a criação desta comissão é passar um atestado de menoridade aos organismos que combatem o crime. 

Ao nomearem este juiz fazem mais uma cedência ao populismo e piscam os olhos ao MP que é cada vez mais criticado pela forma despudorada como actua, pelos critérios que aplica, pela morosidade nos processos e, até, pelo desrespeito da lei. 

De facto, nada melhor que a nomeação de um juiz que "veio de baixo", odeia e persegue os "ricos" e que sempre fez o que o MP pretendia para fazer à populaça que se deixou enredar nas teias dos populistas. 

Poder-se-ia pensar que teria sido a ministra, que tem reconhecidas incapacidades de discernimento, que teria feito ou sugerido a nomeação. Não me parece. Eu diria que esta nomeação vem diretamente do PM e do seu inner circle. Nada melhor que estar sempre, sempre, a tentar ultrapassar o Andrézito pela direita, fazendo, assim, com que o populismo de extrema direita ganhe cada vez mais força. 

Tenha calma, Luís, que não será o primeiro que irá de vitória em vitória até à derrota final. 

25 de Abril sempre!

quarta-feira, novembro 26, 2025

André Ventura e Marques Mendes: um pseudo-debate nulo em que Clara de Sousa se esqueceu de ser moderadora

 

André Ventura fez a peixeirada do costume. Não se aproveitou pitada no que respeita a ideias e iniciativas concretas para o próximo exercício do futuro presidente da República. 

E confirmou o seu carácter arruaceiro, mal formado, insultuoso, desrespeitador, enlameador. Tenho pena que haja tantos portugueses que se revejam numa pessoa assim. Há uns anos eu pensava que um trauliteiro com tão mau carácter jamais teria lugar na Assembleia da República. Afinal não apenas é lá que está como, apesar de todas as suas continuadas infâmias, foi a partir de lá (com o apoio permanente da Comunicação Social) que reforçou a sua bancada. 

Onde quer que esteja, André Ventura faz aquilo que sabe fazer: lança atoardas, acusa, abusa, arma confusão, ocupa o tempo e o espaço com a baderna que arma. Não vai além disso.

Teve pela frente Luís Marques Mendes, uma nulidadezinha em forma de politicamente correctezinho, sempre armado em independente quando obviamente é psd dos pés à cabeça, o eterno conselheirozito, homem de mão do partido. É certo que é bem educado, é civilizado, acredito que saiba estar à mesa, é simpático. Mas nunca vi que acrescente o que quer que seja em relação ao que for. Saiu-se com uma como se fosse uma grande tirada: que irá convocar um Conselho de Estado para debater o tema da corrupção. Ora abóbora. Que grande iniciativa! Se para todo um mandato de vários anos o que se lembrou de engendrar foi convocar um Conselho de Estado para baterem bolas sobre a corrupção, vou ali e já venho.

Quanto à Clara de Sousa: nada fez, como se nem sequer ali estivesse. Moderar o debate: zero.

Depois os comentadores. Todos. Em todos os canais. Um disparate. Dá ideia que estão à espera que haja sangue, frases de efeito, bocas, boquinhas e bocarras, e é isso que analisam. E dão pontos. Parece que não têm noção de que o que seria suposto que acontecesse seria que os candidatos explicitassem ideias concretas, inovadoras, inspiradoras. Se nada fazem disso, então, nada há a dizer a não ser que o debate foi uma porcaria e a prestação dos candidatos uma nulidade.

quarta-feira, novembro 19, 2025

Rep. Marjorie Taylor Greene -- será possível que afinal existam mesmo milagres...?

 

Marjorie Taylor Greene foi até há pouco tempo uma das MAGAs mais ferrenha. Era uma nacionalista cristã, ultra conservadora, ultra populista, da ala mais direita e radical, beligerante, trumpista até à raiz dos cabelos. E, claro, também apoiante de Putin. 

Incitava à violência para alimentar o 'nós contra eles' tão enraizado na doutrina trumpista, apoiava e divulgava teorias da conspiração contra os democratas que não se ensaiava de comparar aos nazis, apoiava os movimentos de supremacia branca -- ou seja, era a encarnação feminina do que de pior o MAGA tem.

Era. Verbo ser no passado.

Contudo, o contacto mais de perto com a realidade das vítimas de abuso por parte de Epstein e dos amigos a quem ele cedia as miúdas bem como  suspeição que algumas movimentações israelitas em torno dos congressistas e senadores americanos bem como da entourage de Charlie Kirk começaram a toldar-lhe a visão binária que mostrava ter e, para espanto de toda a gente, desatou a expressar em público as dúvidas que tinha, os incómodos que os conselhos para que se mantivesse calada lhe estavam a causar. De repente, parecia que tinha sido virada do avesso.

Nos últimos dias o seu apelo mais veemente a que se divulgassem todos os ficheiros Epstein bem como  retratação face ao seu anterior comportamento agressivo e à beligerância da ala mais radical dos republicanos, com referências directas a Trump, levaram a que ele passasse a referir-se a ela como Marjorie Traitor Brown, retirando-lhe o apoio e levando a que ela se visse ameaçada de várias maneiras, inclusivamente de morte.

Contudo, mostrou-se corajosa e não apenas respondeu à letra como divulgou todas as ameaças, mantendo o que tinha dito, colocando-se ao lado das vítimas e prometendo lutar para que todos os pedófilos que abusaram delas, fossem eles quem fossem, fossem condenados.

O discurso que fez para justificar o seu voto foi a prova de que algo se passou dentro dela pois até chamou traidor a Trump acusando-o de trabalhar para outros países e para si próprio. E, influente como era dentro do movimento MAGA pode ser que isto acorde a consciência dos devotos de Trump que, até aqui tudo lhe têm aparado.

Não sou de acreditar em milagres. Os únicos em que acredito são os da natureza: a perfeição das flores, a majestade das árvores, a sobriedade das rochas, a força ou a suavidade do mar, os tesouros que se escondem no interior da terra e nas profundezas do mar. Ou, até, a graça dos cogumelos que sem já formados de dentro da terra. Ou a delicadeza do canto dos pássaros. Ou o amor dos cães por nós. Enfim. Tudo isso. Se me puser a enumerar tudo o que me ocorre fico aqui a escrever até amanhã.

Agora acreditar que uma pessoa pode mudar tão radicalmente como Marjorie Taylor Greene mudou...? É difícil. Mas, pelo menos aparentemente, é o que está a acontecer.

E agora que o Congresso e o Senado já votaram a favor e que parece que Trump também vai libertar os malditos ficheiros, começam a correr insistentes rumores de que todos foram já devidamente expurgados todos os nomes republicanos envolvidos. Já corre inclusivamente o nome da empresa contratada para limpar os ficheiros.

Trump diz agora que o tema Epstein é um tema que envolve apenas os democratas e já deu ordens para a Justiça ir atrás deles. A corrupção moral de Trump e da seita que o rodeia é assustadora.

Entretanto, começaram a ser divulgadas gravações de conversas de Epstein e não sei como é que Trump e os seus ainda defensores vão lidar com as discrepâncias entre isso e os ficheiros aparentemente 'limpos'. E ouvi uma gravação da vítima mais conhecida, Virginia Giuffre, entretanto morta por suicídio, na qual ela diz coisas tão surpreendentes e estranhas que me abstenho aqui de referir pois receio que seja alguma montagem. Contudo, tudo o que se sabe de forma comprovada já é bárbaro e louco demais, uma malfadada história que se desenrola em torno de um enredo que nenhum mente humana normal se lembraria de inventar.

Partilho vídeos que atestam a nova versão de Marjorie Taylor Greene bem como, por fim, um vídeo tocante que penso que ilustra a dimensão do mal que tantos 'ricos, poderosos', tarados e criminosos levaram a cabo.

BREAKING: Marjorie Taylor Greene Unleashes On 'Coverup Of Rich, Powerful Elites' Before Epstein Vote

During debate on the House floor, Rep. Marjorie Taylor Greene (R-GA) demanded support for the release of the Epstein files. 



‘They Are Not Victims — They Are Survivors’: Marjorie Taylor Greene (MTG) Tears Up Defending Epstein Victims

 DRM News broadcasts the bipartisan press conference led by Rep. Marjorie Taylor Greene (R-GA) and Rep. Ro Khanna (D-CA) introducing the Epstein Files Transparency Act to mandate the declassification and public release of all Jeffrey Epstein-related documents

Marjorie Taylor Greene Blasts Trump as 'Traitor,' Praises Epstein Survivors in Emotional Speech for Full File Release"

"‘They Are Not Victims — They Are Survivors’: MTG Tears Up Defending Epstein Victims, Demands Complete Disclosure of Names"

"Rep. Marjorie Taylor Greene: ‘I Was Called a Traitor’ for Standing with Epstein Survivors – Vows ‘Real Fight’ Is After Today’s Vote"


Brother of Epstein Survivor Virginia Roberts Shares Emotional Story, Demands Justice 

Sky Roberts delivers a heartfelt speech in the U.S. Congress, sharing the harrowing story of his sister, Virginia Roberts, and her abuse by Jeffrey Epstein and Ghislaine Maxwell. He calls for justice, accountability, and immediate action to protect survivors and future generations. His moving words honor Virginia’s legacy and demand Congress act decisively. For more details, watch our story and subscribe to DRM News.

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E queiram descer um pouco mais caso queiram conhecer a minha opinião sobre o debate Marques Mendes - António Filipe

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quarta-feira, outubro 29, 2025

Olhemos para o Montenegro como para Frei Tomás


Explicação prévia

Esta tarde choveram cães e gatos, granizo e toda a espécie de actos de deus (como se diz em gíria jurídica). Isto incluiu uma trovoada violentíssim que colocou o cão a tremer, encostado a mim, e que deitou a eletricidade abaixo.

Tinha deixado o computador em cima de uma mesinha junto a uma porta/janela. Acabámos de almoçar antes que a casa viesse abaixo tamanha a carga de relâmpagos e trovões.

Quando regressei à sala, chovia copiosamente. Provavelmente as telhas entupidas com caruma. Não sei. Só sei que a água caía em cima do computador... Sequei e fiz o que podia (sem secador e sem poder usar qualquer coisa que o secasse, pois a luz custou a vir), agora parte do teclado não funciona. Na prática, não posso usar o computador.

Portanto estou a fazer isto no telemóvel, com as limitações que isso tem.

Explico também que o meu marido escreveu o texto abaixo nessa altura, ou seja sem ter visto o arranca-rabos que o execrável taberneiro desencadeou na AR e antes da votação. Quando vínhamos no carro ao fim do dia, ouvíamos a pouca vergonha que o cavernícola Ventura provocou. Ao ouvir as estúpidas bacoradas, disse que, à noite, acrescentaria uns pontos ao texto. Só que se meteu isto e aquilo e, entretanto, adormeceu. Portanto, o texto segue como ele o escreveu.

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Ontem o Luís, na AR, encheu-se de brios e explicou ao Ventura que a ditadura é corruptiva e geradora de corrupção, ao contrário do que acontece com a democracia. Esteve bem neste particular. Tenho para mim que só se atirou ao André porque sabe que a direção do PS é gente de palavra e, no seguimento da decisão que tomou, vai mesmo abster-se na votação do orçamento na generalidade. Precisasse o Luís do André para o orçamento passar e meteria a viola no saco para não o "chatear". Temos visto que o Luís só chateia mesmo o André quando não prevê grandes consequências do ato. 

A triste "cena"  da burka é elucidativa e vir dizer que aprova a lei por questões de segurança é ridículo. Será que alguém já viu mais do que uma pessoa com burka em Portugal? Um dos problemas do Luís é que, dizendo de vez em quando coisas acertadas sobre a democracia, a forma como entende a prática e a ética democráticas quando os seus atos estão a ser julgados está nos antípodas do que apregoa. Para ele, a democracia é porreira desde que, por exemplo, não implique o escrutínio dos  atos do PM Luís Montenegro. Para ele, a ditadura é um problemazito quando se trata de ser mais papista que o papa e trazer para a ordem do dia assuntos que são bandeiras do André numa tentativa de caçar votos aos apaniguados do taberneiro, independentemente dos assuntos serem mais relevantes em regimes autocraticos do que em democracias maduras. 

Na verdade, entre aquilo que o Luís diz e aquilo que o Luís faz há uma enorme diferença que, manifestamente, não abona a favor do Luís. É o Luís que temos. Não me parece que seja o Luís que merecemos. 

domingo, outubro 19, 2025

Chega -- ou como a comunicação social portuguesa deu um megafone ao populismo
-- Uma reportagem da Al Jazeera --

 

Há aquilo da atracção pelo abismo. Penso que isso é o que está na base da vertigem: mais do que o receio de escorregar e cair é o receio de não resistir à atracção pela queda. Quando tenho pesadelos, é frequente passar por situações em que vou num sítio alto, escarpado, numa estrada estreitinha em que de um lado é o abismo e parecer-me que, dê lá por onde der, a queda será inevitável. É uma sensação horrível. Lembro-me de ser pequena e de descer por uma escada muito estreita, esculpida na rocha, para irmos para uma praia que apenas tinha esse acesso. Os meus pais gostavam de ter a praia só para eles e, de facto, estando lá em baixo, era maravilhoso, parte do paraíso parecia feita só para nós: lagoinhas nos buracos das rochas, limos, algas, lapas, mexilhões, pequenos caranguejos, aquele odor a maresia, tudo do outro mundo. O sol rodava e podíamos procurar a sombra, havia sempre um rochedo que nos dava o desejado abrigo. Mas, quando se aproximava a hora de subir, já eu ficava outra vez nervosa. Sabia que quando chegasse a meio da escada e olhasse para baixo, sentiria um formigueiro na planta dos pés, aquele desamparo, aquela antevisão de que os meus pés poderiam soltar-se, de que eu iria voar sem apelo nem agravo até onde o abismo me sugasse. Nunca aconteceu mas esse medo nunca me abandonou.

Essa mesma atracção pelo abismo parece ter a comunicação social portuguesa. É impossível que os responsáveis da informação dos diferentes canais não saibam que ao promoverem o Ventura da forma como o fazem de há vários anos para cá estão a levá-lo ao colo até ao poleiro a partir do qual ele pode fazer estragos. Sabem que estão a levar o país até àquela zona de sombra onde todos os perigos estão à espreita. E, no entanto, não resistem à tentação de lhe dar todo o palco que ele quer.

Há mérito nele, não o nego: consegue arranjar sempre motivos para ter coisas para dizer. Ou é candidato disto ou daquilo, ou quer lançar o repto ou quer responder ao repto, ou quer criticar ou quer ameaçar ou quer defender-se. Quer sempre qualquer coisa. E sempre que ele o quer, e ele quer sempre, há uma câmara e um microfone ao seu dispor. Um dia inventou um chilique e as televisões foram atrás da ambulância, outro dia diz que vai ao Entroncamento e uma jornalista enfia-se no carro com ele e outros vão em carros que filmam o seu carro. Haja o que houver, aí está ele a ocupar tempo da antena, a invectivar, a insultar, a vitimizar-se. Tudo anedotas, tudo absurdos. Interesse jornalístico de tudo isto: zero. E, no entanto, porque sabem que ele, qual concorrente histriónico do BB, dá canal, não o largam. Mais do que defender a democracia e honrar a liberdade, o que os canais querem (todos os canais!) é aumentar audiências. Custe isso o que custar.

O vídeo abaixo mostra uma peça da Al Jazeera English sobre o assunto, e ali está tudo: o percurso do Ventura, desde o tempo em que comentaca crimes e futebóis até aos dias de hoje em que parece o emplastro das televisões, sempre presente. Só que não está calado, está a poluir o espaço público e a atrair os ignorantes, os incultos, os broncos, os ressabiados, os tontos, a gente má, os saudosistas dos tempos do breu, os invejosos, os criminosos, os tarados. E porque toda essa gente gosta de ser ver representada por um da mesma laia e é isso que as televisões mostram, aí está ele, cada vez mais perto de fazer estrago a sério.

Chega: How Portugal's media gave populism a megaphone | The Listening Post

O partido de extrema-direita português, Chega, já esteve à margem da política nacional, mas agora faz parte do mainstream.

O líder do partido, André Ventura, tornou-se uma das figuras políticas mais reconhecidas do país. A sua ascensão foi impulsionada pela sua experiência na televisão e pela sua persona mediática cuidadosamente elaborada. O antigo comentador de futebol tornou-se um showman político.

E ele foi amplificado pelos grandes meios de comunicação do país, que procuram audiência em vez de responsabilização.

Colaboradores:

  • Miguel Carvalho - Jornalista
  • Inês Narciso - Investigadora de Desinformação, Iscte-Iul
  • Anabela Neves - Jornalista, CNN Portugal

 

Desejo-vos um belo dia de domingo