1. O láparo está a querer ressuscitar mas parece manter parte do corpo e a cabeça do lado de lá. Agora está a desenterrar o tema do aborto. Já aqui o referi e volto a referir: deve estar muito em voga nas redes sociais a expressão 'não escolho o livro pela capa' pois passo a vida a ouvir dizê-la, e sempre a quem tem cara de nunca ter escolhido ou lido um livro em toda a vida. Mas agora vou usá-la mas de pernas para o ar: eu escolho às vezes um livro pela capa e, neste caso, de cada vez que ele abre a boca, só de olhar para aquela cara de láparo skinhead, fico logo a pensar que lá vem mais um aborto. Lamento dizê-lo mas, neste caso, o meu conselho ao láparo é que ele se deixe ficar lá para onde foi quando zarpou. O outro mundo ficava-lhe muito bem.
2. Depois de se baldar aos compromissos com a Selecção e meter-se no avião privado para ir à sua vidinha, depois de ter emitido um comunicado mais do que vergonhoso em que assume que é ele e a sua inseparável equipa que escrevem os comunicados para o treinador ler, comunicado esse em que se auto-compara a Pelé e a Maradona, depois de se exibir com o cachecol da Arábia Saudita, país a que afirma pertencer, eis que se sabe que a punição que lhe foi aplicada pela sua deserção dos compromissos da Selecção é de apenas 30 dias de suspensão e de uns ridículos 255 euros. Do outro mundo. Não sou aficcionada pelo que não sei com são os invertebrados que tomam estas decisões, e, francamente, prefiro não conhecer. Imagino-os gelatinosos, informes, peganhentos, a feder a unto. E só espero que, se a diva Cris resolver aparecer em mais algum jogo da Selecção, o pessoal que estiver nas bancadas tenha a coluna vertebral inteira e se levante para o assobiar e patear até que a princesa perceba que não é bem vinda. Que vá para a Arábia Saudita. Haja vergonha na cara.
3. O Governo resolveu que vai ficar com apenas meio IRS no ordenado/pensão de novembro e meio no subsídio de Natal. Isto quer dizer que, ao todo, cobra menos um mês integral de IRS em 2026. Como todos os fiscalistas alertam e a aritmética demonstra, está a dar um alívio maior do que o que seria devido pela aplicação das tabelas de retenção ajustadas à parca redução de IRS anunciada. O intuito é não apenas parecer que está a fazer umas flores (o Mentenegro é especialista em fazer de conta) como a injectar liquidez na economia para espevitar o consumo e dar um boost no PIB (por via do consumo). Injectar liquidez na economia não é mau e fazê-lo numa altura de pagamento de IMI e de Natal até poderia ser uma ideia simpática. Mas deveriam ser transparentes, intelectualmente honestos. Deveriam dizer: a redução de IRS que vão sentir em novembro e no subsídio de Natal não vem toda o ajuste das taxas, é sobretudo um adiantamento que vamos fazer -- mas, atenção, a menos que tenham muitas despesas para absorver esta espécie de 'borla', grande parte deste dinheirinho terá que ser devolvido para o ano, quando for feito o acerto do IRS. Não ser explicado com clareza é, a meu ver, apenas do outro mundo.
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Mas para que não se pense que vejo tudo pelo prisma da negatividade, encerro a faena com uma música e um vídeo que são verdadeiramente do outro mundo. De um outro mundo.
“Eu vejo-te” | Ngiyakubona | Canção do Coro Zulu para Pertencer |
Desejo-vos uma boa terça-feira