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terça-feira, setembro 17, 2019

A labilidade de Boris não augura nada de bom


Olha-se e ouve-se Boris Johnson e o que se vê é a labilidade em forma de gente. Está perdido. Não sabe o que dizer, o que fazer, como comportar-se. Derrapa a cada instante.

Claro que o seu look e o seu sorriso disfarçam: à primeira vista pode parecer que tudo aquilo faz parte do 'boneco'. Mas não. Está mesmo à nora, não consegue disfarçar a instável inconsistência que vai nele. O olhar é lábil. Até a conversa é lábil. Saíu dos carris e está em roda livre. Os britânicos têm cada vez mais razão para se sentirem preocupados e envergonhados.

Tenho, contudo, ainda uma vaga esperança que algum volte-face aconteça.

Agora é o sonso do Cameron que, certamente mil vezes arrependido da burrice que fez, já quer outro referendo.



Pode, pois, acontecer que de entre os conservadores surja um movimento que tire o tapete ao Boris, forçando assim uma mudança completa de cenário. E há ainda a esperança que, do lado dos outros partidos, surja alguém com um mínimo de liderança na atitude e um mínimo de inteligência e visão que virem o jogo. Não será Corbyn, esse infeliz que nunca conseguiu sair das tábuas, nunca foi à lide.  É uma choca. Pode também acontecer que Bercow, que anda picado que nem fera acossada, consiga engendrar alguma manobra legal que, qual golpe de mágica, faça os monstros regressarem à caixa e deixe a democracia, de novo, nas mãos do povo e dos seus representantes.

A cada dia que passa mais Boris se revela um pateta alegre, um bon vivant que está bem na paródia, nos golpes mediáticos e a tanguear as chocas mas, do que se vê, um zero quando tem que mostrar a sua bravura, a meio da arena.
(NB: Vejo por aí muita gente pouco criativa a dizer mal do PAN por querer fazer touradas sem touros. Gozam com ele. Como é possível?, gozam. Pois eu respondo: é possível. Basta ver o caso do Reino Unido. Uma tourada sem touros. Chocas, palhaços, etc.: há de tudo. Menos touros. A menos que Bercow volte a entrar em cena mas, aí, não será para morrer na arena)

Ver para crer


sábado, junho 25, 2016

London is calling -
Look at you, look at you, the game is over

[A propósito do BREXIT, claro]


Big wheel



......

Estes meus dias trazem-me por sobre a actualidade do dia. Saio cedo de casa, regresso tarde e, pelo meio, não tenho um minuto meu. Bem, estou a exagerar: ontem, por acaso, tive uns cinco ou dez minutos que me souberam que nem ginjas.

Mas hoje nem um minuto.

Sessões contínuas, sem me poder distrair - porque sou eu que estou a conduzir as reuniões e as conversas - e almoço em contexto profissional.

Ouço os mails a chegarem e, de vez em quando, espreito e vejo que, desde a última vez, já tenho mais de vinte por ler e, portanto, descoroçoada, logo viro o telemóvel de costas. Olhos que não vêem, coração que não sente. Agora que cheguei a casa já os estive a ver e a responder a uns quantos.
São fases da vida. E, dentro de algum tempo, tudo terá entrado na normalidade.
De manhã, ao ir no carro, ouvi aquilo do Brexit e, meio parva, fui tentando alcançar o que tinha acontecido. Custava-me a acreditar. Contudo, até que cheguei a casa e que o meu marido me esteve a contar tudo e, agora, em que as televisões aí estão, ao rubro, naquela euforia que tão bem as caracteriza nestes momentos fúnebres, não soube ou falei de nada relacionado com o que se passava no mundo. Quase que o mundo poderia ter-se rarefeito que eu, ali, teria permanecido convencida de que tudo estava normal. Estes fenómenos, em que parece que se cria uma bolha que nos isola do mundo e em que a única coisa importante parece ser o que ali está a acontecer, são misteriosos. Para dizer a verdade, volta e meia apetece-me dizer: alto e pára o baile que quero ver as notícias, quero saber se há algo de novo na ciência, se há alguma exposição para ser inaugurada em breve. Ou melhor: caraças para isto! agora tudo calado durante uns minutos que me apetece ouvir dizer poesia. Se algum dos presentes quiser presentear-me com um gesto de delicadeza, faça favor, sou toda ouvidos. Caso contrário, tudo de bico calado que me apetece ouvir dizer Neruda. (Neruda, por exemplo: podia ser Borges. Ou outro)

Mas não dá. Ainda não os conheço o suficiente para me poder armar em maluca.

London’s burning

Quando saí, música com força, telefonemas familiares e combinação de uma caminhada pela noitinha, ao fresco.

E agora que já é tão tarde aqui estou, sem vontade nenhuma de falar dos caramelos dos ingleses. Palavra.

Tenho trabalhado com gente de tantas nacionalidades e nunca como com um palerma de um inglês com quem tenho lidado de perto me engalinhei tanto. Já contei: com alemães, que tanta gente abomina, eu dou-me lindamente. No entanto, para dizer a verdade, dá-me ideia que têm vindo a emburrecer (antes, parece que, para além de simpáticos, eram todos pragmáticos, simples, terra a terra, excelentes colegas de trabalho. Agora são isso tudo mas em mais quadrados, mais em burrinho, parece que incapazes de um golpe de asa). Mas pode ser coincidência.

Mas aquele palerma daquele inglês... que coisa. Muito alto, talvez até interessante (para quem aprecie o género), charmoso, armado em bom, insinuante -- mas notoriamente um farsante, falso. Bem falante como poucos, um sentido de humor fantástico, mas um oportunista. Um descarado oportunista. Claro que também pode ser coincidência e o comum dos ingleses não ser nada disto.

Até esta sexta-feira, não levei isto da saída da UE a sério, parecia-me mais uma daquelas balelas em que os galãs ingleses parecem exímios. Via isto como uma manobra eleitoral do parvalhão do Cameron. Depois achei que os ingleses não seriam tão parvos, tão copofónicos, tão estupidamente auto-convencidos que à última hora não curassem a bebedeira do fim de semana e não caíssem neles.


Packing light

Dito isto, que não se pense que não ache que a cambada de deslustrados, amorfos pedantes, burocratas de meia tigela, que inundam aqueles atapetados corredores de Bruxelas em que se cozinham os povos europeus em banho-maria -- esses deputados e funcionários que ganham fortunas para, armados em bons, passarem por cima das ansiedades e anseios dos povos -- não estavam mesmo a pedir um valente pontapé nos testículos.

Acho. Há muito que acho que o estão mesmo a pedir.

The gherkin

Mas a responsabilidade não é dessa burocrática gentinha da união europeia. Não: a responsabilidade é nossa. Votamos em listas de gente que nunca ninguém viu ou achamos muito bem que se despachem para Bruxelas os nabos que não queremos em Portugal. Aceitamos tudo. 

Outras vezes não queremos saber das eleições europeias, não votamos.

E quando descobrimos que a nossa vida está feita num oito porque aquela pandilha põe e dispõe de nós como se alguém os tivesse ungido com os divinos óleos do poder já é tarde demais: já eles criaram regras que nos ataram, algemaram, amordaçaram.

Por isso o descontentamento é óbvio, legítimo, expectável. Dos ingleses e dos franceses e dos portugueses e dos gregos, e, a bem dizer, de toda a gente.

Mas se uma família está descontente com a empresa que gere o condomínio do prédio pega na bagagem e larga o prédio? Acho que não. Acho que deve é discutir o descontentamento em assembleia de condóminos e, eventualmente, propor a mudança da empresa. Não faz sentido mudar-se do prédio, nem faz sentido esquecer as razões que os levaram a decidir lá viver.
Até porque, com essa decisão limite, a família pode dividir-se: uns podem preferir divorciar-se e permanecer naquela casa.
Enfim. Votaram, está votado.

Agora é olhar de frente o day after.

Não me parece caso para perder a cabeça e desatar a panicar com a reacção dos mercados mas também não me parece que possamos ignorar que uma bomba foi detonada no seio da Europa. Com a imaturidade do Cameron ao fazer uma campanha com base na promessa de levar por diante um referendo a propósito de uma situação tão complexa de referendar, pode ter-se aberto a caixa de pandora. Falta uma liderança capaz nesta Europa. Talvez António Costa ou o Matteo Renzi tivessem o carisma e a determinação para agarrar nas rédeas desta desgovernada União - mas o poder está tão disseminado e tudo funciona de forma tão difusa e incaracterística que, na verdade, admito que a perplexidade vá ser aproveitada pelas marines le pens desta vida, perigosamente contagiando as cabecinhas que acham que sair de uma união europeia é coisa para se fazer lampeiramente, cantando e rindo.

Urban warfare
_____


E não me apetece agora dizer mais do que isto. Não tenho sapiência para rapar de acontecimentos históricos e fazer paralelismos para, de seguida, puxar lustro à sapiência e dizer que, se soubessem mais de história, não haveria por aí tanto comentadeiro a metro a opinar sobre o sucedido. Mas não é só não ter sapiência: é que, na verdade, acho que é frouxo querer explicar tudo, tudo, tudo o que se passa na actualidade com base no que já se passou no passado. Primeiro, se dá o conforto de encontrar um padrão (o que é útil a quem precisa de compartimentar os acontecimentos segundo padrões conhecidos), a verdade é que, daí, não dá para prever o futuro, o que torna o exercício a modos que fútil. Segundo: sendo o contexto e as circunstâncias tão díspares, dificilmente a evocação histórica tem qualquer utilidade prática. É como se, caso me caísse agora um dente, me aparecesse pela frente um desses convencidos a dizer, com ar superior: qual o espanto? então não se lembra que aos cinco anos também lhe caíram vários?

Pois. Grande notícia. E daí? Concluo o quê? Que me vai voltar a nascer um dente no lugar do que caíu?

Ora abóbora.

Portanto, não digo mais nada. Quem se deita com crianças acorda mijado -- sempre ouvi dizer. E é no que dá pôr à frente dos destinos dos países e das instituições gentinha desqualificada, gente imatura, impreparada.


Pode ser que agora, face às ondas de choque, o sobressalto seja grande e as pessoas percebam com quem se estão a meter (populistas, xenófobos, atrasados mentais, bebedolas) e, de alguma forma, ainda revertam ou atrasem a decisão de modo a que um novo referendo volte a confirmá-los na União europeia.

Tirando isso, nada.

E, meus Caros, só não acabo isto com um palavrão porque sou uma menina fina. Contudo, digo de outra maneira: até que atinem, eu quero é que os ingleses se reproduzam. E não é porque queira que ainda haja mais da raça deles, é só para estarem entretidos uns com os outros e não chatearem.

Atenção ao dedinho da menina: isso mesmo.
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Mas que não seja por isso. Se eu, no que para aqui estive a escrever, não dei uma para a caixa, tenho aqui o link para um texto a preceito. Nem todas as evocações históricas são pura basófia, há interpretações ou análises que fazem sentido, que vão mais fundo, ao que pode muito bem ser a raiz da questão. Enviado por um Leitor que bebe do fino, que sabe do que fala e com quem sempre aprendo, um texto que agradeço e que os Leitores certamente também apreciarão:


Brexit as Nostalgia for Empire 


The Zong Massacre of 1781
The run up to the EU referendum has shown Britain for what it is. Woodwork: the washed-up bracken of the British Empire, and the ugly flotsam of its legacy of racism.

(...)

If what we want is to live in a more equitable society, it is dangerous to begin by voting for an outcome which has been driven by racism. A nostalgia for empire is no starting point for emancipatory struggle based on solidarity with the oppressed.


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As duas últimas fotografias, a preto e branco, foram feitas em Londres por Britt van der Meijden. As primeiras, condimentadas com uma pitada de humor, respeitam também a Londres e são da autoria de
James Popsys. A última imagem, a gravura, consta do artigo acima referido.

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E é chegada a hora da poesia. Se alguém aí tiver uma poesia para me dizer, só a mim, agradeço. Enquanto a não ouço, vou ouvir esta


"When we Two Parted" de Lord Byron (lido por Tom O'Bedlam)


...

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

Sejam felizes, está bem?

...

quarta-feira, setembro 23, 2015

1. Alô, alô Ricardo Araújo Pereira! E que tal fazer um filminho com Passos Coelho, o novo homem-bolha?
2. O governo chumba-se a si próprio, diz Alexandre Abreu - e diz muito bem
3. David Cameron e o porco que ele tomou por lover-boy
4. Passos Coelho debate com Passos Coelho (novo vídeo do grande Luís Vargas)


1. Passos, o homem-bolha

1.1. Os factos


É alérgico a pessoas (e as pessoas alérgicas a ele) e não diz uma que se aproveite. Dentro da bolha, não apenas está a salvo do contacto humano como não precisa de falar e, a bem dizer, até pode arranjar um boneco que diga umas coisas à toa para fazer as vezes dele.


Leio que é deliberadamente que Passos e Portas não aparecem nos cartazes, nem nos que já aí estão afixados nem nos próximos. Esperam, pois, que as pessoas se esqueçam que foram eles que estiveram aos comandos da (des)governação do País nos últimos 4 anos. 


Vejo também que, onde quer que vá, Passos Coelho vai rodeado de seguranças, apoiantes e jornalistas pois, fora deste escudo protector, são mais os insultos e queixas do que palavras simpáticas.


Leio que, por onde passa, montam-lhe quase uma cápsula protectora para que as televisões não o voltem a apanhar a ser confrontado com a ira dos lesados do BES, com novas senhoras cor de rosa ou com gente a chamar-lhe gatuno.

No entanto, quer ele quer o seu vice-irrevogável, são animais de palco: onde quer que os vejamos, riem, fazem de conta que não é nada com eles, que não são de cá, viram-se contra o PS como se o governo em funções fosse do PS e não deles, inventam feitos despropositados*, desbocadamente acusam o PS de ser o que eles próprios são.

Com estes PàFs vale tudo. Desconhecem conceitos como os da vergonha, ética ou moral. Para eles vale tudo.

Mas agora digam-me, meus Caros Leitores:

  • Pode o País eleger para Primeiro Ministro e para seu Vice duas criaturas que os portugueses já não podem ver nem pintados? 
  • Pode o País ser governado por duas criaturas que são um mau exemplo? 
  • Que fazem de tudo para governar como se o país fosse terra de ninguém, sem Constituição? 
  • Que envergonham os portugueses? 
Um não paga a segurança social, mente com quantos dentes tem, outro não tem palavra, vende a sua honra por um cargo no governo. 
E isto só para falar de algumas das mais gritantes que eles fizeram.
  • Pode o País eleger duas criaturas que só vão à rua desde que protegidas e bem protegidas? 
  • É isto que Portugal espera dos seus governantes?

Não, não pode ser, nem pensar, jamais, em tempo algum, só se fossemos um país de totós, seria de gargalhada, etc, etc, etc..  NÃO!



Por isso, bem pode Cavaco andar com uma mão por baixo, outra por cima e meia dúzia de lado amparando estes dois incompetentes, bem pode a comunicação social enxamear as televisões de avençados pafientos e o Expresso manipular a informação com despudor a mando do seu balsemão-patrão, que eu, sim Senhor, ó Leitor Nuno, continuo a achar que os portugueses vão mandar o Láparo e o seu Vice-Irrevogável para ajudantes de campo do ex-Cavaco e de sua Senhora, a Dona Cavaca. Ou isso ou vão dizer-lhes para irem dar banho ao cão. Ou para irem cantar para outra freguesia. Ou para fazer cinquenta travessias no deserto. Qualquer coisa. Mas longe da nossa vista. Acredito.

E, se vir a coisa mal parada, faço uma promessa: se os PàFs ganharem, deixo crescer a barba.

(Já está a ver, Nuno, que estou à vontade)


1.2. O Vídeo do Homem-Bolha e sugestões ao RAP


Bem, mas aqui está o filme do Homem-Bolha para ver se o RAP se inspira e, já que o Láparo em pessoa não lhe dá a honra de uma visita, pois que no Isto é tudo muito bonito, mas..., apareça o homem-bolha a falar por ele.


(Ó Ricardo, e até podia ir buscar aquele isento comentador da SIC, o catraio Mendes, para fazer de anãozinho - ver ali aos 58 segundos do vídeo, para ver se o nosso querido coisecas tem altura que chegue).
E nada contra os pequeninos, juro, até os acho amorosos. Só me maçam os pequeninos armados em conselheiros de estado, que contratualizam vistos gold no intervalo dos biscates na televisão e assim.

(Olhe, olhe, ó Ricardo!, e também podia ir buscar aquela ministra que dá mau nome às louras - a das inventonas, a que armou um granel dos grandes nos tribunais, a que ia derretendo os processos todos naquela bronca (ainda não resolvida,a do Citius), -- para fazer de moçoila gaseada que anda de mangueira na mão a fazer números sexy em cima do carro)

Vá lá, RAP, faça lá isso.



Coisa esperta, este homem-bolha do vídeo. Mas, apesar de tudo, ligeiramente mais esperto que o Láparo.

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1.3. Em contrapartida, António Costa


Em contrapartida, vejo António Costa na rua, a andar à vontade, sem medo, entre abraços, risos, toda a gente fala com ele, há afabilidade e alegria no ar.





E explicou - e bem - aquilo da Segurança Social e só espero que os pafientos percebam que não vale mais a pena continuarem a chover no molhado, que aquela furdunço que armaram já foi chão que deu uvas.

António Costa pode não ser um santo (espero bem que não seja, que de santinhos está o inferno cheio) mas é, de certeza, mais inteligente, mais sério, mais patriota, mais decente, mais respeitador, mais humanista, melhor defensor dos interesses dos portugueses que esta cambada dos pafiosos que só não nos trataram na base da chicotada para que nos vergássemos aos interesses dos chineses, angolanos, brasileiros ou quem calhe porque, em 4 anos, não tiveram ocasião de chegar a essa fase. Era deixá-los mais 4 anos e a ver o que eles seriam capazes de fazer. Foge! 

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1.4. Diz Nicolau Santos sobre Passos Coelho


* Sobre os feitos que, pela boca dos cabecilhas dos PàFs,  saem à cena sejam ou não verdadeiros, transcrevo o que diz Nicolau Santos:

Pedro Passos Coelho enganou-se. 
Afinal a 15 de outubro não há um pagamento antecipado do empréstimo da troika mas sim o pagamento de uma emissão obrigacionista a dez anos. Mas à noite insistiu em atribuir as culpas, nos dois casos, aos socialistas

Poder-se-ia dizer: o homem é maluco. Um homem normal, inteligente, bem formado, não actuaria assim. Mas este actua. 

Xô! Caraças: xô!

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2. O governo chumba-se a si próprio, diz Alexandre Abreu no Ladrões de Bicicletas





O Alexandre Abreu podia ser apenas um homem bonito.
Se os olheiros da Dolce & Gabanna o vissem chamavam-lhe um figo: ia direitinho para modelo da marca. Que belos fatos eles lhe vestiriam, que belas poses eles o poriam a fazer. Tem uns olhos lindos  e um sorriso florentinamente inocente (ou quase). 
Mas ele não é apenas bonito: é também inteligente, focado, rigoroso, sistemático.

Ler o que escreve é um prazer. O seu último texto no blog acima referido deveria ser decorado e, a toda a hora, debitado  pela oposição em peso.

Transcrevo apenas a introdução mas aconselho a sua leitura integral pois, ponto a ponto, o economista que tem uns belos blue eyes desmonta o embuste que é o sucesso que os PàFs andam por aí, pelas feiras, a ver se vendem aos distraídos.


À luz da sua própria avaliação, o governo PSD-CDS deixa um “triste legado” que “vai marcar inexoravelmente as nossas vidas e as dos nossos filhos”.


Em maio de 2011, a poucas semanas das últimas eleições legislativas, Álvaro Santos Pereira procedeu no blogue Desmitos a uma avaliação do desempenho do anterior governo PS à luz de oito critérios – oito indicadores económicos, analisados em sucessão a fim de proporcionar uma perspectiva abrangente da situação da economia portuguesa.

Santos Pereira concluiu essa análise ao legado do governo PS afirmando que estávamos perante, “de longe, os piores indicadores económicos desde 1892” e apelando a que os portugueses não esquecessem esses factos no dia das eleições. Poucas semanas depois, tomava posse um novo governo de coligação PSD-CDS, sustentado por uma maioria absoluta parlamentar. O Ministro da Economia desse governo era o próprio Álvaro Santos Pereira, certamente determinado a inverter a catastrófica situação que tão exaustivamente diagnosticara.

Quatro anos depois, é da mais elementar justiça que avaliemos os resultados alcançados por este governo à luz dos indicadores que o seu próprio Ministro da Economia original considerou mais apropriados para aferir o desempenho governativo. Quais eram os desequilíbrios então identificados? E qual o desempenho do governo PSD-CDS à luz desses mesmos critérios? Quando actualizamos os gráficos de Santos Pereira, trazendo-os até ao presente, verificamos que os resultados são esclarecedores.

(ler o artigo todo; também foi publicado no Expresso)

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3. David Cameron: sexo, pias virtudes e cabeças de porco




A propósito dos santinhos, era para falar do Cameron mas agora, aqui, não vem a propósito. 

Ainda se o post fosse só sobre o Láparo, o novo Homem-bolha, ainda fazia sentido, são ambos conservadores, ambos muito certinhos, muito apertadinhos
Mas, assim, depois de ter falado de coisas sérias, até o Alexandre Abreu me deserdava se eu o misturasse com tão bizarras criaturas. Não pode ser.  
Por isso, só mesmo um brevíssimo apontamento, para quem não está ao corrente dos gostos sexuais do exemplar Primeiro Ministro britânico:
Segundo relata um amigo do peito, nos tempos de esbórnia, Dave (como agora lhe conheço certas intimidades, acho que já posso tratá-lo por Dave) não se pôs, qual Edite Estrela na imaginação do Herman há uns anos, ou seja, qual leitão, todo nu de maçã na boca, num tabuleiro de ir à mesa - mas, ao invés, praticou um curioso número com um porco morto (ou melhor: com a cabeça do porco).  
Diria eu que a coisa desentusiasmaria qualquer homem normal mas, para ele, pelos vistos, foi gratificante. 
(Há gostos para tudo, ó caraças, que esta não lembraria nem ao Maçães, esse nosso intrépito animal sexual.)
Claro está que o Dave teve sorte porque, se fosse na China - em que, volta e meia, declaram o óbito e, umas horas ou dias depois, o morto começa a bater à porta da urna porque, afinal, a notícia da morte foi precipitada - ainda se arriscaria a que o porco, envergonhado, fechasse a boca e ai!... bye bye, valentia.
.....

STOP

Bem, fico-me por aqui neste tema porque hoje estou que não me recomendo. Se continuo, ainda vou desenterrar gostos excêntricos de outras proeminentes figuras do nosso espaço político e ainda se armava aqui no Um Jeito Manso uma verdadeira hórgia, como dizia o outro. É que podia não haver cabeça de porco mas teríamos animais para uma verdadeira cena em grupo; um cherne, um c-rato, um láparo, um cão com pulgas, uma galinha, um lombinha, um bando de papagaios, sei lá - uma verdadeira desbunda.

....

4. Passos Coelho debate com Passos Coelho - mais um vídeo do grande Luís Vargas


O Passos Coelho de 2015 em debate com o de 2011.




Brilhante!
...

 Usei outra vez duas imagens do Kaos. 
I love, love, love Kaos in the Garden.

(Atenção: a 2ª imagem, a última ceia a la PaF, não é obra do Kaos, é obra mesmo dos pafiosos)

....

Pronto. calo-me já. 
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela e divertida quarta-feira.

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segunda-feira, maio 28, 2012

Tal como o Prof. Marcelo na TVI, fazer o balanço de 1 ano de Governo? Falar de Passos Coelho, Miguel Relvas, Álvaro, Vítor Gaspar? Ou falar do ex-espião que tinha tudo escrito no telemóvel e deixou que lho tirassem...? - Ná... Prefiro o Manuel Marques, os Gato Fedorento, o Agente 86 e, até, o David Cameron chamando Muttering Idiot a Ed Balls!


O professor Marcelo Rebelo de Sousa hoje, na TVI, com a Judite de Sousa, fez o balanço do 1º ano de Governo. Não me tinha dado conta que já lá ia 1 ano mas se calhar é verdade. 

Pensei fazer também aqui um balanço mas é tudo tão mau que não me apetece gastar o meu tempo e sacrificar a vossa paciência com coisas de tão fraca qualidade.

Em vez disso, vou antes aconselhar-vos um vídeo que o blogue Aventar publicou em Outubro de 2011. Fala por si e vale a pena ser visto. Chama-se Pedro Passos Coelho - Best of 2010-2011. Vendo-o assim, em versão compacta, fica mais patente a sinceridade, a firmeza no cumprimento de propósitos e promessas,   enfim, a confiabilidade da figura. 

Adiante. Poderia aqui abrir uma excepção para vos falar de Miguel Relvas. Há quem ache que, com isto que se vai sabendo aos poucos, ele está a fritar o Governo em lume brando, que está a dar ainda mais cabo da já tão depauperada imagem do Governo, há quem defenda que deveria sair já do Governo. Pois eu acho que não, que está lá muito bem. Aliás, acho mesmo que deve lá continuar por mais algum tempo. As revelações não vão parar e sabe-se lá o que mais se vai saber. E talvez também haja outras coisas que se vão sabendo e o Professor Marcelo hoje já as aflorou. Portanto, é deixá-lo lá estar. Por um lado, enquanto estiver, paralisado como está, não vai provocar dano ao país e, quanto mais tempo lá estiver, mais claro vai ficar o material de que são feitos alguns dos amigos ou correligionários de Passos Coelho.

Bem, podia também abrir outra excepção, agora para vos falar do coisinho. Mas prefiro antes os Gato Fedorento. Ora vejam este debate sobre o coiso para perceberem quem são os gurus de Álvaro Santos Pereira:



Podia também falar daquele olheirento que não acerta uma e que nunca percebe porque é que não acertou. Mas também aqui prefiro o Manuel Marques:




No entanto, neste caso, pensando bem, não sei qual é a versão mais doida, se é a do fantástico Manuel Marques se é daquele rapaz que o imita, aquele cujo nome artístico parece que é Gato Gaspar. Ora vejam o GG em acção:




Podia também agora falar aqui um pouco de espiões mas não conheço nenhum a sério, só artistas, só anedotas. Por isso, mostro aqui aquele que eu prefiro (...e claro que não é o big bear Jorge Silva Carvalho):


Get Smart com os agentes 86 e 99

***

Portanto, desisto. Passo à frente e vou em busca de momentos de diversão noutro sítio. Mostro-vos outra figura curiosa, o primeiro ministro inglês, que tem fama de ter mau feitio, de ser indelicado, de partir a louça no Parlamento. Quando vejo estas imagens, todos em cima uns dos outros, acho uma coisa mesmo bizarra. E a forma como falam... parece uma representação cómica, uma divertida peça de teatro. Estes têm mesmo graça a sério, vê-se que estão ali para se divertirem como deve ser.

Vejam por favor a mais recente tirada de David Cameron...



E esta outra, anterior... Ri-se ele, riem os outros (afinal que é isso de fleuma inglesa...? Não senhor, aquilo ali é mesmo BritCom e da boa):





E mais não mostro que vocês já devem estar a pensar que têm mais que fazer do que estar para aqui a ver tesourinhos deprimentes e coisas cómicas. Se calhar hoje estão virados para coisas a sério e a mim só me está a dar para isto. Ficamos assim, portanto.

***

Assim sendo, resta-me convidar-vos a irem até ali ao lado, ao meu Ginjal e Lisboa, que por lá hoje falo a sério. Hoje falo de amor, o que é, o que não  é, como se usa para não fazer mal, etc. Deu-me para isto ao ler Nuno Júdice. E a música, meus senhores, é da boa. Abro hoje a semana Händel. 

***

Tenham, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda feira. Divirtam-se!