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segunda-feira, janeiro 26, 2026

Um mercado de coisas impossíveis


Quando não havia El Corte Inglês em Portugal, sempre que eu ia a Espanha tentava dar uma volta por esse 'mercado. Ou pelos Preciados. Tal como, em Paris, gostava de ir às Galerias Lafayette ou ao Printemps. Sobretudo, gostava do piso de baixo e, aí, em especial, gostava da zona dos chapéus. 

Gostava de me pôr a experimentar chapéus. Quanto mais arrojados e espectaculares melhor. Gostava deles coloridos, com véus, com plumas, com flores. Gostava de me ver com eles. Ficava sempre tentada a trazer alguns. Se ia com o meu marido, só para eu me despachar -- pois achava um absurdo eu perder tempo a experimentar chapéus, se era para não trazer algum -- dizia: 'Esse é bom, vá, traz esse.', fosse qual fosse. Mas eu não trazia pois não teria onde usá-lo. 

Houve uma altura que usei, de feltro, discretos, elegantes, mas, ainda assim, era sempre olhada com alguma curiosidade. A moda dos chapéus, nos tempos recentes, nunca pegou em Portugal.

Mesmo que pense: 'Se gosto tanto de chapéus, o que me impede de os usar?', há sempre o lado prático das coisas. Ia onde com um chapéu artístico: ao supermercado? Ao shopping? Almoçar ou jantar fora? Ao museu? Ver uma exposição? Onde...? Não faria sentido, seria a única nesses preparos, seria como se estivesse deslocada no tempo e no espaço, uma carnavalesca deslocada.

Agora, quando está frio, quando vamos fazer as nossas caminhadas, uso um de que gosto muito, um modelo muito engraçado num veludinho macio, castanho escuro. Ainda hoje o meu marido se riu a olhar para mim, disse que eu parecia 'de leste' com aquele chapéu. Mas aqui não há problema: com este tempo somos praticamente os únicos malucos a andar na rua e, além do mais, este frio justifica-o bem.

Mas este meu gosto não é só com chapéus: mesmo com as roupas, existe em mim uma certa contradição: por um lado, sou atraída por roupas divertidas, com um certo toque de exuberância e graça, mas, por outro, não gosto de me sentir a doida fugida do manicómio. Por isso, tenho uma certa pena que a moda comum, do dia a dia, não ouse, não desafie convenções, não resulte da criatividade individual em que cada um possa misturar peças irreverentes, engraçadas. 

Há tempo, partilhei um vídeo no qual uma actriz britânica que admiro bastante lia um poema. Essa actriz é bastante heterodoxa, audaciosa, usa vestidos com decotes ousados e rendas à vista, casacos de veludo com golas de pele e enfeites insólitos, chapéus nunca vistos, toda ela quase vitoriana. E achei graça à reacção de uma amiga minha: 'É parecida contigo, muito o teu género, não é?'. Fiquei surpreendida, não me tinha ocorrido tal. Olho para mim como sendo muito mais convencional. Mas nunca nos vemos como os outros nos veem. 

Ao ver o vídeo abaixo, todo ele feito de pessoas e coisas realmente inexistentes, não posso deixar de pensar que ali, naquele mercado, eu estaria em casa. Tudo ali me agrada: as maquilhagens, os penteados, as toilettes, as bijuterias, os excessos e as graciosidades, os chapéus, as batatas e cebolas e frutas à mistura com coelhos e galinhas e todos os objectos que se vendem naquele mercado, as pessoas e os bichos que o frequentem, a graciosidade, a alegria, o toque festivo da pequena loucura.

A Inteligência Artificial tem este lado agradável: permite imaginar mundos alegres, bem humorados, leves, felizes. E a canção, composta também com recurso a IA, é também dançante, ou melhor, flutuante (e uma ameaça para os compositores, para os músicos...).

A propósito do Market Of Impossible Things, a palavra à autora,  © 2026 Kelly Boesch:

Com todas as cenas horríveis que vemos nas redes sociais, quero tentar dar às pessoas alguns minutos para se afastarem desses pensamentos e sentimentos, para que possam imaginar um lugar cheio de bondade e alegria... e um pouco de estranheza. Escrevo sobre isso sempre, mas acho que é importante manter a esperança, sermos fortes e mantermo-nos unidos. Esta obra chama-se "Mercado de Coisas Impossíveis". Mais um conto de fadas para adultos :-)

Faço muitos vídeos sobre mercados. Adoro explorar feiras de rua, observar as pessoas e imaginar histórias sobre as suas vidas. Criei estas imagens usando um bonito código de referência ao estilo #Midjourney. A animação foi feita com #VEO3 e #Pika. O VEO não anima as crianças, por isso usei o Pika para estas imagens. O novo lançamento deles é ótimo. Letra escrita por mim, Kelly Boesch. Música criada sob a minha direção criativa com a ajuda de Suno.


Votos de uma boa semana.

Dias felizes

segunda-feira, julho 15, 2024

Dias felizes

 

Devo dizer que tenho vivido dias felizes. Com os que me são mais queridos juntos, todos bem dispostos, a conversa a fluir de gosto, todos em volta da mesa, com a casa cheia, com a maluqueira nocturna que me fez rir de gosto, com o madrugar bem mais cedo do que me é habitual, com a alegria de todos... sinceramente, a nível pessoal, não posso querer mais. 

De vez em quando lembro-me do que disseram e dou por mim a rir sozinha. 

Todos têm a sua vida pessoal e profissional (ou escolar), certamente todos terão, de quando em vez, os seus contratempos e preocupações. Mas, como por magia, quando nos encontramos todos, parece que os problemas perdem relevância e a ninguém lembra falar de maçadas.

Estou boa do meu pé. Quase boa. A nível visual está praticamente normal. Claro que, quando olham, ficam um bocado enjoados pois acham-no esquisito. O dedão (e arredores) está a perder a pele. Mas a mim isso não me incomoda nada. Também ainda tem umas manchinhas escuras mas nada de mais. Também já mexo razoavelmente o dedo. Dói-me ainda um pouco mas já não me tira o sono e, na maior parte do tempo, nem me lembro de tal coisa. E da tendinite do ombro que me causou rigidez também já estou quase a cem por cento. Vou eu fazendo uns exercícios e a coisa está a ir ao sítio. Só aqui é que me ponho a falar nisso. Quando estou com a minha turma nem me lembro das chatices que tive nem do que ainda sobra delas. 

Claro que, no meu íntimo, sinto saudades da minha mãe e faz-me muita impressão que tenha sido uma presença tão constante na minha vida e que, como que por artes mágicas, em pouco tempo, se tenha despido de matéria. Era alguém tão presente e agora é apenas memória. E já passaram quase seis meses. Por vezes, parece-me impossível. E no outro dia o meu pai faria anos e, no entanto, ao mesmo tempo, parece que já não existe há imenso tempo, quase como se já não pertencesse à minha vida actual. E não pertence. Mas a verdade é que pertenceu até 2020. 

O tempo tem o seu lado cruel, a vida tem o seu lado de traiçoeira. 

Mas forço-me a manter estes pensamentos no lado adormecido da minha mente. E consigo que isso coexista com a minha alegria em estar viva e rodeada por aqueles que tanto amo.

E depois há as pequenas coisas. Infra-mínimas. Mas que me dão prazer, me motivam, me animam.

Por exemplo: estava com o cabelo comprido que geralmente apanhava em rabo-de-cavalo, muitas vezes dando-lhe uma reviravolta ao alto, para cima. Mas andava com vontade de o transformar. Então hoje, há bocado, fiz assim: estando apanhado num rabo de cavalo alto, como é costume, meti-lhe a tesoura e lá vai disto. Ou seja, agora, depois de cortado, dá para o apanhar na mesma, à tangente mas dá, e, curiosamente, ficou com um escadeado bem curioso. Saiu um monte de cabelo, ficou muito mais leve, e acho que não ficou mau de todo. Ainda lhe dei mais umas duas ou três tesouradas à frente para fazer um degradé mais harmonioso. Já não vou à cabeleireira há anos e fico com pena pois gostava dela e espero que as restantes clientes sejam mais fiéis do que eu. Mas isto de ter a liberdade de fazer coisas assim, na base do 'lá vai disto', faz-me sentir muito bem.

A outra coisa pertence à mesma categoria, a das frioleiras: andava com vontade de usar vestidos compridos mas nada me agradava pois não sou bem o género de intelectual de esquerda daquelas que usam saias compridas, largas e desengraçadas, nem sou exactamente o estilo hippie. Não estava a ver-me como uma maria-pendona. Mas também não queria usar vestidos que parecessem de noite, muito menos de baile de finalistas. Portanto, mantinha-me no classicismo das calças, dos vestidos pelo joelho, e, numa versão mais estival, calções brancos com blusinhas coloridas. Mas finalmente dei o salto. Encontrei o género de que gosto. A minha filha ofereceu-me um, que me assenta de uma forma superconfortável e com o qual gosto mesmo de me ver. E eu comprei os outros. E sinto-me tão bem... Há um que ainda não estreei mas sobre o qual estou com uma boa expectativa: cai como seda, suave, muito leve, é justo em cima mas alarga um pouco para baixo, é super decotado à frente e atrás, de alcinhas finas, e é em cor de coral com pavões gigantes de alto a baixo naqueles tons verdes e azulões. E, para conjugar, tenho um brinco, um único, com uma pena nos mesmos tons. Penso que vai ser exótico e isso agrada-me.

E toda a vida usei brincos discretos. Poderiam ser coloridos e adaptados às toilettes mas nada de exuberâncias. Contudo, andava com vontade de ter brincos ousados, coloridos, incomuns. E descobri-os. Estou mesmo feliz com eles. A ver se amanhã os fotografo para vos mostrar pois acho-os especiais e, sobretudo, os pais da criadora comoveram-me e apetece-me transmitir-lhes o meu carinho.

E ainda mais uma: chapéus. Adoro chapéus. Mas sempre me fiquei por modelos que me parecessem elegantes mas discretos. Provavelmente as pessoas discretas já os achariam algo destacados mas, para mim, estavam aquém do meu gosto intrínseco. Pois vi um que imediatamente chamou a minha atenção. A minha filha, ao vê-lo na loja, disse que todo ele é, em si, um statement. De facto. E não fujo a isso. Mas, ainda assim, receei que fosse demasiado aparatoso. Contudo, acabei por não resistir. Acho-o um espectáculo e sinto-me mesmo feliz quando o ponho. (Não é este. Este aqui ao lado é um que encontrei via google)

Quando era adolescente gostava de modelos originais e de me maquilhar e os meus pais zangavam-se, não queriam que eu desse nas vistas, diziam que não tinha idade para isso. Depois, pela minha profissão, tinha a noção de que não deveria mostrar-me a tender para o radical ou para a desalinhada (até porque era acusada disso). Agora já não tenho que provar nada a ninguém nem tenho que recear as opiniões alheias. Não que me preocupasse com isso mas, enfim, vivia o meu dia a dia integrada numa realidade em que as fugas à regra tendiam a ser mais ou menos vistas como perigosas excentricidades.

Claro que para coroar o bolo só mesmo uma cerejinha a enfeitá-lo: durante a semana fomos, por duas vezes, almoçar a um restaurante veggie. Não me tornei e acho que não me tornarei veggie mas a verdade é que gostámos imenso. Comemos agora muito menos carne, preocupamo-nos cada vez mais com uma alimentação equilibrada e saudável. E o meu filho ofereceu-me um conjunto de alimentos biológicos, saudáveis, e isso agrada-me e atrai-me bastante.

Portanto, apesar de não estar a ir para nova, a verdade é que me sinto cada vez mais disponível para procurar e acolher novidades e para me libertar das poucas peias que já tinha.

E viva a vida.

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Mercedes Sosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gal Costa - Volver a los 17


Uma semana feliz

domingo, junho 23, 2024

Quem é que enfia o chapéu, quem é...?

 

Sei que há temas relevantes que deveriam ser abordados 

(por exemplo: 

a pose majestática de Madame Gago montada nos seus sumptuosos casacos que mostra à saciedade que se está a caguar para dar explicações à malta sobre o regabofe que por lá grassa, 

ou a trupe de investigadores que entram aos cinquenta de cada vez para vasculharem facturas em Oeiras, como se não houvesse auditoria às contas, e como se o custo deles não superasse em muito o custo dos almoços, 

ou as calhandreiras do Ministério Público que andam anos e anos e anos a bisbilhotar a vida das pessoas como se o dinheiro dos nossos impostos não tivesse destino mais decente, 

ou os justiceiros de trazer por casa, gente a fazer-se passar por inspectores da Pide, que gostam de humilhar e atormentar a cabeça aos pobres coitados que se veem atirados para as luzes da ribalta, inquiridos em frente às câmaras para saciar a insaciável fome de espectáculo dos populistas e dos cobardes que, sob pretexto de serem deputados, ali estão a gastar inutilmente o dinheiro dos nossos impostos, etc, etc). 

Assuntos não faltam.

Só que eu ando mais numa de apanhar orégãos, de os dispor à sombra a ver se secam, limpinhos, cheirosinhos, continuo numa de varrer e deixar os caminhos em volta da casa arranjadinhos, voltei a pôr água na banheira que era das crianças quando eram bebés para que os esquilinhos tenham o que beber, depois a ver futebol em família (com o sector masculino a não querer que eu fale ou puxe pela equipa ou bata palmas ou sofra em voz alta pois dizem que os desestabilizo), a conversar ou a rir com eles. 

Por isso, neste registo peace and love, não consigo posicionar-me para falar de coisas que me desagradam. Toda eu estou longe de MPs, PGRs, Venturas e Comissões tóxicas ou outros deputados que, não sendo populistas ou sabujos não são capazes de bater o pé e não aceitar que a sua presença quase normalize as poucas vergonhas que ali se passam, populismos, ignorâncias, invejosices, ingerências indevidas, ou leviandades, conversas incongruentes e tontas (como as do Sarmento, por exemplo). Longe, longe. 

Por isso, agora ao fim do dia, ao passar os olhos pelas notícias, não me apeteceu falar sobre nada do que para ali vi. 

Apeteceu-me foi pôr-me a ver chapéus. Adoro chapéus. Tomara que um dia ainda possa ir a um sítio onde um chapéu lindão como estes do Royal Ascot 2024 não fique descabido. 










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Desejo-vos um belo dia de domingo

sexta-feira, maio 12, 2023

O ranking das melhores canções da Eurovisão. E a Mimicat. E uns chapéus que fico doida de vontade de ter

 

The Guardian classificou as canções que ganharam o Festival da Eurovisão, apresentando-as a todas por ordem crescente da cotação que lhes foi atribuída. All 69 Eurovision song contest winners – ranked!

Consideraram que a melhor de todas, até ver, foi o Waterloo dos Abba. Figura, pois, em nº 1.

Estive a percorrer a lista, sobretudo pela curiosidade em ver em que lugar tinham colocado o nosso Salvador. 

Em 16º.  

Não é mau de todo. 16º em 69. 

Mas sou pouco dada a rankings em temas desta natureza pois aquilo que pode ser fantasticamente cotado para uns pode a mim dizer-me muito pouco.

Fiz um exercício. 

Para cada uma da lista tentei recordar-me dela. E o resultado foi desastroso a todos os níveis. Não sei, até, se não conclua que já estou com aquele sintoma de demência que se traduz em a pessoa lembrar-se de coisas muito remotas e não se lembrar das mais recentes. Abaixo coloquei aquelas de que me lembro, isto é, que consigo cantar agora mesmo. Tudo coisas VCC (Velhas Como o Cara... ças)

Do Waterloo lembro-me, claro. Mas, hoje tal como naquela altura, não me mobiliza. E acho que me lembro pelo muito que tem sido cantado, recantado, visto e revisto. Porque não tenho ideia de os ter visto ganhar a Eurovisão.

Estou longe de ser uma melómana. Longe, longe. Portanto, creio que critérios musicais, da minha parte, não devem ser sequer para aqui chamados.

Não sei dizer porque me lembro de umas e não de outras. Não sei se é porque não vi o Festival e, de facto, não posso lembrar-me do que não conheci, se é porque, lá está, não percebo nada de música, se é porque, na realidade, só prestei atenção à Eurovisão na minha tenra tenra idade ou porque é aquilo da demência. 

Aliás, aliás, pensando agora no assunto, não vi a Eurovisão durante anos e anos. Não sou especialmente fã de Pop e aquilo é tudo muito na base da pop, tudo muito borbulhante, saltitoco, colorido, quase tudo igual de uns para outros, de anos para anos. Só me reconciliei quando um colega me perguntou se eu tinha visto o apuramento e eu não tinha visto e ele me falou numa canção muito bonita do Salvador que eu conhecia de ter visto nos jardins de Oeiras e fazer a primeira parte da Melody Gardot. Por isso, vi o festival nesse ano, para o ver a ele.

Mas depois, por cá, a coisa voltou a descambar. Têm ganho umas criaturas esquisitas, como se o critério fosse esse, o de serem esquisitos. Nem lhes sei o nome nem registei nada do que fizeram.

Mas este ano, acho que, por cá, para o efeito que é, algumas canções tiveram piada. E acho graça à Mimicat. Tem carisma. E o Ai coração tem energia, é dançável, é cantável. 

No outro dia não vi a eliminatória. Não sabia que ia dar. Mas, depois, quando soube, pus para trás de propósito para vê-la. E acho que, ali no meio, esteve muito bem. Na final, gostava que ficasse bem posicionada e ainda mais gostaria se ganhasse. 


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A vida tem mil faces e algumas são assim, feitas de coisas efémeras como estes festivais cheios de extraordinários jogos de luzes, público na maior animação, apresentadoras com vestidos bonitos e muito à vontade. 

Tenho andado com muito que fazer, o tempo anda-me curto para tudo e mais alguma coisa. Por vezes não consigo agradecer os comentários, tenho mails para responder há meses (Por exemplo: não está esquecida, Lurdes! Só que quero responder com tempo e o tempo anda sempre a fugir. Mas, juro, não está esquecida!)

E hoje não vi noticiários, não vi jornais, não vi nada. Não posso falar de comissões que exemplificam bem o que são sucessões infinitas, não posso falar de computadores com assuntos que, se apanhados por quem não deve, podem ser usados contra o País, não posso falar de chornalecas metidos a besta. 


Hoje só estou com cabeça para chapéus e, vá lá, para eurovisões. E, portanto, aqui abaixo as canções da Eurovisão de que me lembro e que sei cantar. O número que aparece é a classificação no ranking do Guardian. Pelas razões que acima arrolei, pulo o Waterloo e vou direita para a Nº 2, uma boa de cantar. Ao contrário do Guardian que vai das menores classificações até à 1ª, aqui vou ao contrário, às arrecuas.

Com vossa licença:

2. France Gall - Poupée De Cire, Poupée De Son (1965)


16. Salvador Sobral – Amar Pelos Dois (Portugal, 2017)



22. Massiel " La, la, la" ( 1968 )


43. Sandie Shaw – Puppet on a String (UK, 1967)


49. Gigliola Cinquetti – No Ho L’età (Italy, 1964)

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Os chapéus lindos e tentadores são de Maor Zabar

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Um dia bom
Saúde. Boa sorte. Bons momentos. Paz.

sexta-feira, setembro 09, 2022

Isabel gostava de chapéus e de se divertir

 


Não tinha proximidade de qualquer espécie nem tenho conhecimentos para falar. Apenas posso dizer que era uma presença que os meios de comunicação social nos tornavam próxima, uma mulher discreta e simpática que, ao longo de décadas tem ilustrado uma realidade carregada de símbolos, um misto de tradição e sonho, conto de príncipes e princesas, castelos, coroas, joias reais, sorrisos, banquetes, desfiles.

Neste caso com a graça adicional de encabeçar uma família fértil em escândalos, histórias de amores e desamores, traições, adultérios, mortes trágicas, amizades perigosas -- tudo nas capas dos jornais a alimentar a fantasia popular. E ela sempre ali, assistindo a tudo, conseguindo gerir com elegância e silêncios os dramas, as intrigas, as fugas de informação, as revoltas, a contestação.

Sou republicana. Zero de monarquias. Mas reconheço a simpatia tutelar que emanava de Elizabeth II.

E reconheço que achava muita graça às suas coloridas toilettes, aos seus alegres chapéus, à forma como mostrava o seu fino sentido de humor. E comovi-me quando a vi sozinha, na igreja, num luto carregado e triste, quando o marido morreu. Uma idosa que tinha perdido o amor da sua vida.

Escrever qualquer coisa aqui no dia em que morre a Rainha não é fácil. Não falar? Deixar passar o dia? Falar? Falar o quê? 

Prefiro, pois, limitar-me a partilhar imagens que a mostram bem disposta com os seus arrojados chapéus e uns vídeos no qual ela se ri, brinca, dança, mostra o seu sentido de humor. 


Queen Elizabeth II funny moments









E boa sorte a Carlos e a Camila, os senhores que se seguem. Um casal de bacanos.


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Um dia bom
Saúde. Alegria. Paz.

quarta-feira, junho 15, 2022

Crises, chapéus, árvores

 


Tive um dia assaz complicado. E a complicação começou bem cedo. A meio do dia pensei: Não estou para aturar isto. Depois pensei: tenho que ser consequente. Mas não me deram tempo para equacionar cenários de retirada. E agora, depois da meia-noite, o que posso dizer é que não fui consequente. Daqui a nada começa o dia e ainda antes de começar já eu estarei enredada em pareceres jurídicos, crises, resoluções contratuais e outros petiscos que tais. 

Mas, como dizia, a procissão começou ao raiar d'alba. Aliás, estava a ter um pesadelo quando fui acordada pelo telefone. Em condições normais teria ficado possuída por ter sido acordada quase de madrugada. Assim, salvou-me do pesadelo. 

Já não é a primeira vez que tenho este pesadelo. Sonhei que estava com várias crianças cá em casa, um dos quais ainda bebé, e que eu mal dava conta de tomar conta de tantos. E que tinha pedido à minha mãe para se ocupar do bebé. E, à noite, tinha reparado que o bebé estava invulgarmente magrinho e sem força. E eu tinha perguntado à minha mãe se tinha dado de comer ao bebé e ela, toda chorosa, tinha confessado que, no meio da barafunda, se tinha esquecido. Desde manhã que o bebé estava sem comer. O meu desespero não se imagina. Tinha pegado no bebé, toda eu numa aflição, tinha preparado leite e uma papa e o bebé estava tão fraco que mal conseguia comer. E eu numa angústia, agarrando-o, eu chorando, pedindo-lhe desculpa, implorando que comesse, que ficasse bom.

Não sei de onde veio este sonho. Se calhar foi que na véspera eu estava a ver se os meninos estavam bem, se não queriam mais, e a minha filha gozou, disse qualquer coisa como que eu só estava bem quando os via a comer, que se pudesse lhes dava de comer à boca, nem sei se não falou em alimentar toda a gente à sonda. Qualquer coisa nesta base. Respondi que é coisa de caranguejo. Os caranguejos gostam de receber, gostam de cozinhar, de alimentar os outros. Nessa altura o mais velho olhou-me consternado: 'Acreditas em signos...? Uma pessoa inteligente... Agora decepcionaste-me, Tá...' Disse-lhe que acredito um bocadinho, que sei que não faz qualquer sentido, que é uma coisa muito sem jeito mas que a descrição dos caranguejos encaixa muito em mim. Gozaram comigo. E eu não consegui rebater os seus argumentos nem dizer nada em minha defesa. Há coisas que não se explicam.

Mas o dia foi todo recheado de problemas. Pior ainda porque há gente que não aguenta as contrariedades e rapidamente entra em pânico. E há os que, estando em pânico, se entregam imediatamente, declaram rendição num ápice. Ou seja, ainda nem o outro lado esboçou qualquer reivindicação e já eles abriram as pernas (pardon my french). Depois há os que, ao panicarem, bloqueiam, deixam de pensar, ficam em estado de estupor catatónico. Estes, nos casos piores, ficam burros de todo. E há os piores, os que ficam a mil, stressados, agressivos, implicantes, conflituosos. Hoje calhou-me de tudo. E o pior foi quando um incauto, nesse estado de pânico, resolveu destravar-se e tentar vir espetar-se contra mim. Não garanto que não lhe tenha levantado a voz, irritada. Por dentro, só pensava: não há paciência.

E, neste registo, fui andando até perto das oito da noite. 

Como estão longínquos os sonhos inocentes que alimentava nos meus trintas e quarentas de que aos cinquentas me retiraria ou me atiraria à gestão autárquica. Já nessa altura vivia com demasiada intensidade, imaginando que não me aguentaria assim para além dos cinquenta. Não sei que idade tinha, talvez trintas e tais, fiz um PPR para se vencer por volta dos cinquenta. Ilusões, ilusões. Ainda cá ando, devorada por problemas. Passo a vida a pedir -- ou melhor, a implorar -- que não me tragam problemas, que me tragam soluções. Mas qual quê. Todo o santo dia: 'temos aqui um problema'. A falta de mão-de-obra é total e generalizada e isso desespera quem não consegue ter equipas completas. 

O momento melhor foi quando, ao fim do dia, fui regar com mangueira. O jardim tem rega automática mas os vasos à frente, no terraço de trás e no terraço e nas escadas de lado têm que ser regados à mão. Agora, para não dar cabo dos ombros a transportar regadores de 10 litros de água, uso a mangueira. Já temos mais um ponto de água, onde pusemos uma mangueira, e no outro ponto há uma mangueira grande. Ando descalça a regar e, para não ficar toda molhada, vesti um fato de banho. Esta de ficar molhada tem uma explicação: uma das mangueiras tem um furo a meio e esguincha que é uma frescura, fica tudo molhado à volta. Afinal já estava um bocado frio, uma aragem um bocado húmida. Seja como for, soube-me bem andar à fresca, descalça, os pés no chão molhado.

O meu jardim está bonito, frondoso, as árvores verdejantes, compostas. Mesmo nos dias de muito calor, quando se chega da rua e se entra, sente-se logo a frescura, parece que se entra num outro clima. 

No outro dia, in heaven, a minha mãe dizia para a minha filha, referindo-se a mim: 'quis plantar árvores de metro a metro, não descansou enquanto não encheu tudo de árvores, agora está assim, uma mata'. Confirmei. Não terá sido de metro a metro mas era assim que, antes, quando o terreno era apenas mato rasteiro e pedras, eu imaginava un petit bois, o meu pequeno bosque, um lugar fresco, onde pudéssemos passear à sombra das árvores plantadas por nós. 

Aqui nesta casa também me agrada a ideia de ter árvores generosas, com boa sombra para acolher os nossos corpos quentes. O meu marido olha para as copas que se alargam e os ramos que tombam, verdadeiras cortinas arrendadas em verde, e tem vontade de desbastar. Não. Não quero. As árvores são fêmeas que acolhem nos seus braços os pássaros e quem queira acolher-se à sua beira. 


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As fotografias mostram os belos chapéus do Royal Ascot (love, love, love) e vieram ao som de Sarah Vaughan que interpreta Speak Low
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Desejo-vos uma boa quarta-feira
Beleza. Elegância. Harmonia. Paz.

segunda-feira, junho 21, 2021

Chapéus há muitos...!
(E não é preciso ser palerma para gostar deles)

 



Com esta coisa da covid lembrava-me lá eu de uma coisa tão distante e tão excêntrica como o desfile de chapéus em Ascot...? Não quero saber de cavalos ou de corridas... mas de chapéus... como não gostar da criatividade, irreverência e graça daqueles chapéus? Para mim -- que nunca lá fui e que não garanto que não seja palerma -- Ascot não é a Golegã da realeza nem o Le Mans da cavalagem: para mim, Ascot e á feira dos chapéus. 

Mas eis que, no outro dia, à noite, a minha filha me envia uma série de fotografias de beldades exibindo gloriosos chapéus. Pois, lá está. Junho é tempo de elegâncias e não há corona que anule a vontade das beldades trazerem as suas obras de arte à cabeça.

Lamentava-se a minha filha que nem tão cedo deveremos ter casamentos que peçam chapéus. Fazia contas ao seu filho, o mais velho, imaginando que será o primeiro a proporcionar-nos uma festa à maneira. Dizia ela que ele lhe sai, gostando de ambientes a preceito pelo que imagina que nesse dia vamos todas poder apresentar-nos de chapéu. Espero bem que sim. Mas ainda deve faltar algum tempo...

Pensei, então,  que qualquer dia, a propósito aí de um qualquer nosso acontecimento, podemos convencionar que todas as mulheres se apresentarão aqui de chapéus. Temos é que esperar que esta chaga da pandemia nos dê tréguas. Mas, isto abrindo, vamos pensar nisso. 

Até lá, meninas da família, para vossa inspiração, aqui estão alguns dos belos exemplares avistados este ano em Ascot. Há para todos os gostos, idades e estados de espírito. 


Ascot 2021

















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E até já.

sexta-feira, maio 07, 2021

Para não falar de Flo, mostro o local de trabalho de Maitê e a casa que agora é de Zezé mas que já foi de Clarice

 


É daquelas semanas em que o facto de chegar a sexta-feira não me deixa especialmente entusiasmada. É uma semana que está a passar depressa demais. Nem sei bem como fui de segunda a sexta sem me dar conta. O teletrabalho tem disto. Trabalho de sol a sol, sem interrupções e sem o break que as viagens de carro sempre estabeleciam. É um contínuo que quase me deixa sem referências.

Ainda assim, para as minhas funções em concreto, é bem melhor este regime do que trabalhar presencialmente. Nem quero pensar que posso ser pressionada para voltar a encaixar-me no 'velho e relho' normal. Há quem ainda não tenha conseguido assimilar que o teletrabalho é possível, é vantajoso. Tem é que ser equilibrado e tem que haver condições para isso. Imagino o sufoco de quem está a trabalhar com a família em volta, sem privacidade, sem sossego. Mas para quem tenha condições e para quem tenha funções compatíveis, é do melhor que há. Claro que há que condimentar com reuniões remotas assíduas para que o vínculo não se perca e com uma ida ou outra aos locais onde estão outros colegas.

Tirando isso. 

Continuo a quase não ver notícias. Os media portugueses têm orgasmos com qualquer espuma que assome aos dias. Não me assiste. Podem os desastres e os desvarios estar debaixo dos narizes dos mamíferos que ninguém escoiceia. Mas basta que uma qualquer desgraça salte para a ribalta que logo a carneirada se atira ao mar, uns a seguir aos outros, replicando os balidos dos que saltam. Indignações a la minute, fogachos que não duram o tempo de um ai. Não me assiste. 

Comentários ainda menos. Gente que opina a metro e que por aí anda a espalhar opiniões sobre tudo e sobre nada há anos é coisa que ainda menos me assiste. Ruminam, ad nauseam, o bolo alimentar uns dos outros. É pitéu que é para quem gosta. Não é o meu caso.

Portanto, aqui chegada à minha salinha, ponho-me a ouvir música, a deslizar o olhar sobre o que me parece ter alguma graça, ponho-me a ver vídeos de jardinagem, decoração, leitura de cartas ou poemas. Ou danças. Ou os textos dos bloggers aqui do lado. Ou coisas assim. 

E depois, quando me apetece escrever, não tenho nada para dizer. Escrevo porque sim, porque gosto. Quando vou dar o título, fico sem saber. A MP não está nem aí, vai só o texto e faz ela bem. Mas ser assim é para quem pode. Eu ainda não estou nesse ponto: tenho esta coisa de dar nome, de enfeitar, de arranjar banda sonora. Não sei se é infantilidade se é pirosice. Mas sou assim. Talvez um dia, quando crescer, consiga apresentar-me de forma despojada, só as palavras, só eu tal como vim ao mundo. 

E depois há outra coisa. Li uma coisa que me deixou intrigada, um daqueles casos que me perturbam, inquieta por perceber que há pessoas que parecem feitas de outra matéria, uma matéria que é o avesso da matéria a que mais estamos habituados. É o caso de uma mulher que parece normal mas que já fez de um tudo, tanto que já esteve presa, tanto que nem ela própria deve ser capaz de se explicar. E eu vinha aqui para falar disso. Mas depois fugi. Talvez amanhã ou outro dia. Hoje não consigo passar as mãos por uma coisa tão incompreensível.

Por isso, fico-me por estes dois vídeos que vi de gosto. Os brasileiros têm este jeitinho gostoso de rolar as palavras com uma graça que envolve em folguedo e vida gostosa qualquer assunto de que falem. Se falam das suas próprias casas, então, o ninho dá-lhes um carinho que ainda mais adoça a língua que é também a minha.

O apartamento de Maitê Proença


Zezé Motta abre as portas de seu apartamento histórico, onde morou Clarice Lispector


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Os chapéus são obra de Ruslan Baginskiy e Carole King interpreta (You Make Me Feel Like) A Natural Woman 

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Desejo-vos uma sexta-feira completamente friday

quarta-feira, julho 11, 2018

Oh pá, esse não!
Eu a achar que gostava de todos mas... caraças... deste não...!


E podem vir dizer que é preconceito ou que o mal não é dele, é dela. Pois não sei. Ela não ajuda, concedo, e nem imagino que outro em cima dela poderia causar outra impressão. Mas a verdade é que também não imagino outra a quem ele assente bem.

Portanto, está chumbado. E ela também. Ou melhor, ela com ele em cima duplamente chumbada. 

Faz-me lembrar aquelas mulheres que, quando vão a um casamento, querem armar-se em finas e aperaltam-se de maneira tão deslocada, com vestidos dois números abaixo e chapelinhos tola abaixo, que mais ficam a parecer umas marias cachuchas. 

Aqui Theresa May vinha a sair de uma reunião com a sua equipa de ministros (equipa refeita) em Downing Street e, como se pode imaginar, aquela reunião deve ter sido um belo fartote. 

Brexit com ela.


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PS: Ninguém acertou na adivinha. Que desilusão. Como é que é possível?

Ainda vou pensar se revelo a resposta. Acho que não merecem.

quarta-feira, junho 20, 2018

Nem sei se são eles que são ousados ou se são elas que os usam de forma ousada





Para que saibam. estou a pé desde muito cedo. Noite, noite. Quando estava a sair, estava o sol, provocantemente encarnado, a erguer-se do seu leito de água, deixando no rio um reflexo luxuoso. Se eu fosse outra, levantar-me-ia todos os dias a esta hora para assistir a tão deslumbrante visão. Se não estivesse com os segundos contados, tê-lo-ia fotografado com a minha mini-mini-máquina. Assim, só tenho a minha palavra. 


Depois disso já fui e vim, uns seiscentos quilómetros a correrem sob os meus pés, mais reuniões e calor. E ainda tenho que ir ver um trabalho para uma reunião amanhã, depois de outra reunião que começa ao rebentar do dia. Portanto, o dia começa bem e assim irá até ao fim, tal como todos os abençoados dias desta semana magana.


Portanto, estou assim como talvez consigam imaginar. Sem vontade de ainda ir trabalhar a estas lindas horas, com preguiça e a inventar pretextos para aqui estar. Enquanto isso, estou a ouvir a Norah Jones, que, sinceramente, não suporto grande movimentação -- e, feita cabeça de vento, a deliciar-me com chapéus. Quem por aqui me acompanha sabe que I love, love, love chapéus e só tenho pena de não conseguir ocasiões para poder apresentar-me com altas produções como as que aqui vos mostro








Quando Portugal ainda não tinha sido tocado pela febre das grandes superfícies comerciais, se calhava ir a uma cidade mais 'avançada' (e antes ia com assaz frequência), não resistia a dar uma circulada no Printemps, nos grandes armazéns Lafayette, no Selfridge ou, mesmo, no El Corte Ingles. Queria trazer sempre coisas para os meus filhos e ali encontrava sempre. Tinham roupinhas lindas da Mothercare quando por cá não havia nada que se comparasse. Agora até estou a lembrar-me de uma vez que trouxe coisas fantásticas de Londres para a minha filha. Perdi a cabeça. Pois, conservadora como era e na idade em que as miúdas querem andar iguais umas às outras, para meu super desgosto e absoluta incompreensão, odiou aquilo tudo e acho que nunca vestiu nada. O meu filho não ligava patavina e vestia o que calhava. Mas, para rapaz, as coisas eram sempre mais normais.


Onde eu inevitavelmente encalhava, quando ia a esses grandes arnazéns, era nos chapéus. Caraças, que loucura. Adorava. Se o meu marido estava comigo, ficava desatinado, já queria que eu trouxesse um qualquer e saísse dali para fora. Mas eu não estava ali para comprar mas sim para me ver com eles. Experimentava os mais espampanantes, a grandes capelines, os discretos com púdica rede.

E, quando chega esta altura, não podendo estar em pessoa naquele sagrado lugar onde todas as ousadias são bem aceites, desloco-me até às fotografias dos mais espectaculares chapéus do mundo, os de Ascot.

E este ano, depois de muito escolher, optaria por este aqui abaixo. Mas, lá está, nem sei dizer se seria por achá-lo o mais lindo de todos ou, apenas, por achar que ficaria lindamente com uma expressão desafiadora como a desta lady que tão bem o sabe usar. Até porque, para quem o não saiba, uma expressão humilde atrofia qualquer chapéu.


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E agora vou trabalhar e a ver se ainda cá volto com um tema muito escaldante

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