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terça-feira, janeiro 20, 2026

O Deus em que acredito

 

Em boa hora, em comentário abaixo que muito agradeço, uma mão generosa deixou-me o link para o vídeo que aqui partilho. Adorei. Revejo-me em cada palavra dita.

Transcrevo o texto que acompanha o vídeo, e, a seguir, porque cada palavra tem um significado que muito prezo, transcrevo a fala integral de Deus.

O Deus de Espinoza

Sempre que perguntavam a Einstein se ele acreditava em Deus, o grande físico respondia: "sim, no Deus de Espinoza".

Saiba o que diz o Deus do filósofo Baruch de Espinoza, pela voz de Javier Jiménez Lopez, um reconhecido músico barranquilero e grande intelectual. 

Baruch Spinoza, ou Espinoza ou Espinosa, nasceu no ano de 1632, em Amsterdan, foi um dos grandes racionalistas e filósofos do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. De família judia portuguesa (daí a confusão de formas na escrita do sobrenome),  o grande filósofo holandes faleceu em 1677, em Haia.


Fala de Deus:
Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é
que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo
construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há
algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu
amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver
comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem
me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te
enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te
culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês
que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da
eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são
artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em
ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única
coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de
alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho,
nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há
pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um
conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste
comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero
que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas
tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu
seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o
jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te
ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que
precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que
estou, batendo em ti.

quarta-feira, julho 12, 2023

Quem foi temperar o choro e acabou salgando o pranto?

 

Quem por aqui me acompanha saberá que o meu lado racional não me permite acreditar na existência de entidades divinas, muito menos se antropomórficas, que zelam e punem, tantas vezes sem critério e sem justiça.

Contudo, considero-me uma pessoa não isenta de espiritualidade. E rendo-me à minha absoluta insignificância perante a inexplicável harmonia da natureza, perante a improvável conjugação de infinitos acasos que, incompreensivelmente, mantêm o mundo a funcionar garantindo a existência da vida. E vergo-me, humilde, perante a indecifrável beleza de tudo, incluindo a beleza antes inexistente e que nasce da criatividade dos que têm a dom da arte nas suas múltiplas formas. E, por tudo isso, sinto imensa admiração.

Se existe alguma coisa de omnipresente, intangível, e que está acima de todos e de tudo, aquilo que me parece minimamente concebível é que seja esse misterioso acaso que (des)regula, aleatório, arbitrário, indiferente, os acontecimentos, sejam eles quais forem e que, apesar de tudo, faz com que o mundo continue a existir, quase como que por milagre.

E se há coisa que me custa perceber e aceitar é que, em nome de uma divindade, seja ele o deus da igreja católica seja qualquer outro deus, se ergam catedrais luxuosas em que agentes dessas religiões se paramentem, tantas vezes também luxuosamente, para espalhar medos ou ameaças com base nos quais tantas vezes se incita à intolerância (e, tantas vezes, ao ódio), para espalhar restrições não baseadas na ciência ou para usar o poder do segredo para actuarem abusivamente sobre gente indefesa.

Algumas das pessoas inteligentes que conheço e que acreditam em deus justificam a sua crença pela redução ao absurdo: se não acreditassem, então qual o sentido da vida?

Parece-me um argumento factualmente fraco mas percebo que há quem precise de sentir o amparo de acreditar que há 'alguém' sempre pronto a zelar por eles ou à sua espera quando a fronteira entre a vida e a morte for franqueada. E, portanto, tudo bem, cada um é como é.

Dito isto, achei graça ao vídeo que mostra Ariano Suassuna a falar sobre Deus e, por isso, permitam-me que o partilhe.

Gostei, sobretudo, dos versos de Leandro Gomes de Barros que ele cita:

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

Dias felizes

Saúde. Serenidade. Paz.