Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, junho 30, 2018

Marcelo, o tomba Trumps


Trump é conhecido essencialmente por ser parvo. De entre as inúmeras coisas parvas que faz contam-se os seus estúpidos apertos de mão. Arma-se em dominador ou em fortalhaço ou sei lá em quê. Nem dá para perceber o que vai naquela cabeça parva para fazer aquilo. Sempre que apanha algum presidente pela frente é o que se sabe: um festival.


Ora o ciclo interrompeu-se com o nosso papa-selfies, o nosso omnipresente Presidente. Chegou e deu um tal valente chega pr'a cá no pato cor de laranja que este, apanhado desprevenido, até saltou. O momento tornou-se viral e já colocam o nosso Marcelo no pedestal que até agora estava vazio aguardando pelo primeiro que não fosse refundido pelo trauliteiro-mor.

O vídeo abaixo mostra como o trambiqueiro foi puxando e repuxando os outros presidentes, na tentaviva de os rebaixar. E termina com o único que inverteu a coisa -- o nosso ubíquo super-homem, mal saíu do carro, antes que o outro calmeirão da boquinha de boneca e maozinhas de menina se posicionasse, agarrou-lhe na mão, puxou-o e, deste modo, pô-lo no sítio.


O momento da conversa pública, nos célebres cadeirões, foi também deliciosa. Depois de deseducadamente falar de assuntos que nada tinham a ver com a visita, Trump dignou-se, finalmente, passar ao protocolo mas, coitado, com quem ele se foi meter.


Portanto, conhecendo nós, e de ginjeira, o dito Prof. Marcelo, não admira que o pato Donald rapidamente se tenha visto ultrapassado pelo nosso Presidente. Com aquele seu desconcertante à-vontade, Marcelo, como se estivesse em casa, falou, falou, trouxe-lhe cumprimentos de Putin, e patati patata, deixando o egocêntrico Donald sem perceber o que estava ali a passar-se. Ver a cara incrédula de Trump, o biquinho quase tremendo de perplexidade, as manitas já enervadas por lhe aparecer ali um espanhol ou lá o que era a falar pelos cotovelos, de tudo e mais alguma coisa, e a dar-lhe lições nem ele percebeu de quê, é um festim para os olhos tugas de quem assiste à cena.

E aquele dedinho no rabo do Trump, quando este, armado em espertinho, sugeriu que Ronaldo ganharia a Marcelo se fossem ambos a votos, foi hilário, foi, na verdade, a cereja em cima do bolo: Portugal não é os Estados Unidos. Muito bom. Muito bom. Hip-hip-hurra, alecui-alecuá.


Concluindo: com aquela valente bacalhauzada dada em antecipação  e com o toque rectal bem aplicado no caceteiro presidente dos Estados Unidos, o nosso ubíquo Marcelo subiu noventa e três degraus na consideração dos portugueses. E nem precisou de se armar em beijoqueiro como o Macron ou em salta pocinhas alarilado como o outro que anda sempre com a lagrimita no canto do olho. Não, Marcelo levou-se a ele próprio e fez a festa. Efe-erre-á, xiripitatá-tatá.

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E queiram, agora, aceitar o meu mais humilde convite e descer até ao post que se segue. Isto, claro, se estiverem numa de conhecer a mais fina flor da aristocracia devidamente aperaltada -- a par da minha confissão de baixura intelectual. Baixura, claro, devida ao adiantado da hora (porque, quando estou acordada é sempre a bombar; e, a dormir, então, sou uma ás dos QI's). Bla-bla-bli, bla-bla-blu, a-e-i-o-u, cucu-cucu-cucu.

Um post em forma de assim



Se falo de futebol, recebo mails a dizer que me deixe disso, que já não se aguenta tanto futebol. Quando falava do Bruno, recebia mails a desaconselhar-me tão imprópria companhia (ainda que apenas mental). Se escrevo sobre boas maneiras, logo se queixam que ando mundana e me enviam poemas a ver se me estimulam a veia poética.

E eu, cheia de canseira e calor e com a cabeça, à hora a que escrevo, já a mover-se a pedal, concordo. Mas concordo devagarinho, em ponto morto. Penso que deveria subir uns degraus na craveira intelectual das minhas ideias. Penso. Mas penso ao de leve, penso entre a névoa lenta da moleza mental que, a esta hora, me tolhe a ideologia. Gostava de conseguir trazer aqui coisa da boa, bife do lombo, filete de peixe branco e filosófico, sem espinha, sem pele, a saber ler em grego antigo. Mas não dá. Nem step rasinho eu consigo fazer, fará trepar pela intelectualidade acima. Não dá. Não consigo trazer temáticas fantásticas nem, tão pouco, simples banalidades políticas mesmo que com o sarro dos partidos agarrados às virilhas (às virilhas das politiquices, atenção, não às minhas que eu cá não tenho sarro nenhum, caraças -- posso ser arruivada e ladininha mas cotão e rolinhos de pêlo nas entrelinhas eu não tenho e a raposinho eu também não cheiro, não).


Portanto, aqui chegada, apenas tenho a dizer que nada da actualidade me faz ficar com os dedos a fervilhar de coceirinha boa, daquela que só passa quando as letrinhas desatam a correr da ponta dos dedos para fora, aos saltitinhos sobre as teclas, inventando palalavrinhas que se enfiam umas nas outras, brincalhôtas, maganôtas, sem saberem umas das outras, cada uma, safadinha, a desafiar a do lado.

Trago, pois, aqui, nada. Nadica de nadica.

Às vezes, depois desta confissão de inutilidade, adormeço e, quando acordo, sinto que uma nuvem doce pousou em mim e que os chacras das ideias se alinharam,  pedindo para ser escritas, todas elas feita prosa, madames senhoras de si, nariz empinado, vontade própria, madamas. 

Não sei como vai ser hoje. Gostariam os meus Leitores que eu, ao acordar, confessasse coisas de mim? Ou que inventasse amores secretos? Ou que sonhasse sonhos bons, impúdicos, loucos?

O que queriam que eu aqui dispusesse? Poemas, epístolas, flores, canteiros de flores? Canteiros de morangos? 

Ou que falasse da última fantasia do Santana Lopes?

Digam que eu falo. Eu, generala refundida depois daquele ex-cândalo das armas de Tamancos, falo e refalo.


Pronto. Pois não sei que mais vos diga. Não vos ouço. Estão aí caladinhos, feitos sonsos. Eu aqui sem conversa e vocês todos renhonhós, de bico calado, sem me darem uma mão. Ora bolas.

Na volta, ainda vou buscar uns excertos de um mail que recebi para aqui enunciar mais umas quantas coisas da gente fina. E não me falem de mundanidades, ok? Sou bicho do mato, camponesa que gosta de uma boa poda, mas também gosto de me apresentar à mesa de mãos lavadas e bem comportada, ora essa. Acho que essas matérias são tão ou mais importantes do que saber declinar em latim, declamar em grego ou andar à roda feita sufi tresmalhada. Tudo uma questão de perspectiva.

Mas está bem. Eu sei. Para estar nisto mais vale estar calalada, certo? Ok. Vou calalar-me.


Já agora: 


Até já

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Os aristocratas das imagens acima são da autoria de Markus Pilgrim

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sexta-feira, junho 29, 2018

Boas maneiras à mesa




Não serei a Paula Bobone nem, tão pouco, candidata a sua discípula. Nem tenho a mania das etiquetas nem sou muito convencional. Contudo, tenho que reconhecer, apesar de todas as minhas limitações, há coisas que tenho para mim que são regras a seguir quando estamos à mesa. Geralmente decorrem não de manias mas de tradições que, em dada altura, fizeram sentido ou que, vendo bem as coisas, ainda o fazem.

Por exemplo:

1 -  Acho que é compreensível que mandem as boas práticas que, quando a sopa está quase no fim, não se incline o prato na nossa direcção mas no sentido oposto. É que, a haver algum deslize, não há risco de nos sujarmos.

2 - Também me parece óbvio que se segurem os copos de pé alto pelo pé e não de mão à volta do recipente em si. Não apenas é uma questão de elegância como, sobretudo, uma questão de temperatura. Os vinhos devem ser servidos à temperatura certa (mais coisa menos coisa) e uma mão à sua volta causará troca de temperaturas.

3 - Claro que também nunca se junta gelo ao vinho. Vinho é vinho, não é refresco.

4 - E não se deve encher o copo de vinho até quase a cima. O vinho deve poder respirar e, quem o vai beber, não deve correr o risco de enfiar o nariz na bebida mas, sim, deve poder aspirar o aroma que dele se liberta.

5 - Também mandam as boas práticas que, numa refeição que não as habituais em casa, no fim, não se dobre o guardanapo direitinho. Isso é quando vamos voltar àquela mesa na próxima refeição, usando o mesmo guardanapo. Caso contrário, deve ser deixado, naturalmente, não esparramado mas displicentemente colocado ao lado do prato. Não se pretende que pareça pronto para voltar a ser usado, mas o contrário.

6 - A menos que estejam poucas pessoas à mesa e todas cheguem facilmente ao centro, não se devem colocar as terrinas, as travessas da comida ou a fruta ou as sobremesas em cima da mesa mas sim num aparador ou mesa lateral. Os convivas levantar-se-ão e servir-se-ão levando o seu prato para a mesa. Se, pelo contrário, se puser a comida em cima da mesa, a toda a hora os que comem estarão com braços a cruzarem-se e descruzarem-se e todos a atrapalharem a refeição uns dos outros.

7 - Se surgir uma espinha na boca, não é preciso fazer muita ginástica: pode, com a ponta dos dedos, discretamente retirá-la, apondo-a na beira do prato (e, de preferência, limpando, de seguida, discretamente, os dedos). Idem com os caroços de azeitona. São coisas que acontecem e não vale a pena fazer de conta que não.

8 - Claro que em circunstância alguma se põe a faca na boca. E escuso de explicar porquê.

9 - Comer uma asinha de frango ou uma perninha de perdiz claro que se pode comer à mão. Com discrição e não com alarvidade, bem entendido. Mas claro que sim.

10 - E hoje pode parecer coisa marialva ou de dondoca -- mas eu que não sou (ou não me acho) uma tiazona, não abdico -- mas é o homem que serve as bebidas à mulher e não o inverso. Se há coisa que, juro, me faz muita impressão é ver algumas mulheres muito solícitas a acharem que mostram uma grande delicadeza pondo vinho no copo do vizinho do lado. Nunca. Não me perguntem porquê, à luz da igualdade de género, mas eu tenho para mim que é daquelas coisas que ponho ao nível de os homens fazerem a barba e as mulheres não ou as mulheres depilarem as axilas e (quase tdos) os homens não. Coisas que são assim porque sim. Bebo vinho se um homem me servir. Gosto de ser servida. No vinho (e noutras coisas também).

11 - E, claro!, é a comida que vai à boca e não o contrário. Ou seja, a pessoa não deve debruçar-se sobre o prato mas, sim, deve levar o garfo à boca, mantendo o corpo direito. Não deve a pessoa manter-se hirta à mesa como se tivesse engolido o garfo. Pode estar descontraída.

Mas estar descontraído não é sinónimo de fazer da mesa um apoio para o corpo descansar.

12 - Uma regra que não sigo e que acho que, nos dias de hoje, é para esquecer é a de que não se deve repetir o queijo. Supostamente, quem se enche de queijo é porque prefere o queijo aos acepipes que os donos da casa com tanto gosto prepararam ou mandaram preparar. Mas que se lixe: queijo é bom e convém não exagerar no cumprimento à risca. É como não ser 'bem' cortar a salada com faca. Supostamente, para ajudar, só o pão. Mas isso pode ter feito sentido com talheres impróprios, de ferro que, oxidados e em presença do vinagre do tempero, enferrujariam de vez num instante. Com talheres de aço, não há risco de a alface se sentir molestada e muito menos de a faca ficar inflamada. Portanto, se dá mais jeito usar a faca com a salada, que se use. Contudo, se a folha da alface estiver muito grande, acho mais razoável dobrá-la antes de a levar à boca do que estraçalhá-la e a verdade é que, frequentemente, apenas uso o garfo para comer a salada. Poderia usar pão se não estivesse a esforçar-me para o evitar. Assim, só quando não resisto a molhar o pão no molho da salada, que adoro.

13 - As flores ou quaisquer outros elementos decorativos sobre a mesa não devem cortar a visibilidade de quem está em frente: ou devem ser baixas ou, em alternativa, estar altas, por exemplo, colocadas em floreira ou jarra de pé alto e estreito. Os enfeites são para embelezar, não para atrapalhar.


14 - Quanto à ordem dos copos e talheres, é simples: de fora para dentro pela ordem de utilização. Mas nada como ver o esquema:


15 - Em refeições à mesa, especialmente se houver alguém a servir, quem abre as hostilidades é a dona da casa. Ninguém se deve atirar ao prato enquanto a anfitriã (ou, se fora de casa, a mulher mais velha) não começar a comer.
Em refeições volantes isto não se aplica. Não faria sentido. E, nos casos em que há muita gente a servir-se em side board, então também se releva a etiqueta de esperar pela dona da casa.
16 - Quando não há uma multidão a auto-servir-se mas um número comportável e  (para aí até umas 12 ou 15 pessoas razoavelmente despachadas e disciplinadas) é simpático esperar que todos se tenham servido e sentado para se começar a refeição e, sendo assim, será delicado esperar que a dona da casa comece. 

17 - Regra de ouro: não se limpam os pratos à mesa nem se passam restos de uns pratos para outros, à mesa. Isso faz-se na cozinha. Quando se levantam os pratos, levantam-se assim mesmo, sobrepondo-os tal como estiverem, com ou sem restos. Quanto muito, retiram-se os talheres.

18 - Finalmente: é preciso saber retirar-se. Nunca por nunca se deve ficar eternamente sentado à mesa, nos copos, com conversa mole, obrigando a refeição a prolongar-se para além dos limites suportáveis pela paciência alheia.

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Para quem se entenda com o francês, aqui ficam três vídeos que ilustram algumas das regras de etiqueta à mesa







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E claro está que isto a que por aqui têm vindo a existir não é outra coisa senão eu a precisar de férias e já com os neurónios em modalidade light. Bem pode o mundo pôr-se a fazer flic-flacs à rectaguarda, com mortais encarpados à rectaguarda em pleno espaço sideral que a mim só me dá para coisas deste calibre. Pior que isto só se me puser a falar de dietas de verão ou de cremes anti-celulite para podermos ir para a praia com o corpinho todo photoshopado. Mas, pelo caminho que este blog está a levar, não será de espantar se um dia destes a coisa descambar de vez para aí.


Abaixo as estrias e as socias-estrias e vivam os barrigudos!


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E viva a vida
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quinta-feira, junho 28, 2018

Digam-me que estou a ver bem...





Por mais estranho que possa parecer, houve um tempo em que não havia internet. Nem televisões privadas ou por cabo. E, até a um dado momento, o pouco que havia era a preto e branco. Uma coisa cinzenta, meio triste.

Não sei como, mas conseguíamos viver e, até, mantermo-nos razoavelemente informados.

Claro que muitos dos meus Leitores não puseram o pé nesses tempos longínguos, tempos verdadeiramente vcc (velhos como o cara...ças) pelo que isto pode parecer uma realidade paralela, quase ficcional.

Mas aconteceu. Estive lá. Posso testemunhar.


Nesses anos em que sobrevivíamos nas faldas de um monte que ainda desconhecíamos e que, anos e anos decorridos, ainda estamos a começar a subir, eu assinava revistas. National Geographic, por exemplo. Ou a Photo, o magazine francês de fotografia. Tenho, in heaven, uma estante cheia de Photo's. Adorávamos aquela revista. Conhecíamos os grandes fotógrafos, outros mundos. Sempre gostei de espreitar as janelas que se abrem para o mundo e se, a dada altura, o pude fazer através do windows, até lá o mundo chegava-me por correio, em papel. Ou tínhamos que ir lá: para o vermos, tínhamos que nos deslocar pelo mundo.


Na Photo eu gostava não apenas dos editais, das obras de arte de muitos fotógrafos mas, também, das reportagens. Algumas, sempre fantásticas, respeitavam aos metros. Gente curiosa que viajava nos metropolitanos de todo o mundo. Dava ideia que os seres bizarros procuravam os labirintos subterrâneos por onde passavam, fechados em carruagens que mais me pareciam redomas de lata, muitas vezes quase apinhados: drogados, travestis, rufias, starlettes, mães e seus filhotes, dondocas com cãezinhos de estimação, artistas rebeldes, velhos para quem já ninguém olhava.

As revistas ainda lá estão mas tudo aquilo deixou de ser novidade e as imagens à velocidade da movimentação dos dedos sobre um teclado chegam-nos a todo o instante.


Em mais um dia esgotante, deixo-me ficar por aqui a descansar a mente e a vaguear pela rede, essa gigante teia que a todos toca e prende. E a net trouxe-me uma colecção de extraordinárias fotografias captadas nos metropolitanos do mundo dito civilizado que o Bored Panda compilou e que me fizeram recuar até a esses tempos longínquos em que eu, uma dinossaura sobrevivente ou a uma descendente em linha primeiro grau da Lucy, cheguei a viver. Hoje, olhando em retrospectiva, penso que, se calhar -- e permitam-me a falta de originalidade da expressão -- vivi-os para contá-los. 
Um passageiro pavão que não faz espécie a ninguém


Um bebé-boneco-macaco talvez menos estranho do que o dono


A alimentar uma galinha cor-de-rosa num carrinho de bebés, tudo em pink


Uma pantera negra a caminho do baile


Um cãozinho a fazer upa-la-la num cavalinho

Jesus, em pessoa, a ler no metro

Um maluco a cavalo num extintor em funcionamento
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E fico-me por aqui mas no Bored Panda há muitas mais.

A quem gosta de perceber quem tem pela frente ou quem se esconde atrás de uns gatafunhos, permito-me convidar a descer até ao post seguinte onde opino, ao de leve, sobre algumas assinaturas.

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O que diz uma assinatura?


Uma assinatura provocadora, irreverente, diferente, ascendente, solar, bem disposta.
Pablo Picasso, uma pessoa ímpar.


Quando estudei grafologia no Centro Nacional de Cultura com o Mestre Alberto Vaz da Silva aprendi a 'ler' o que dizem as assinaturas. Mas não são apenas as assinaturas em si que falam dos seus autores mas, sim, como se comparam com o texto, onde se localizam na página, etc. Contudo, mesmo não tendo aprendido a teoria e a prática da coisa, se prestarmos atenção, qualquer pessoa pode verificar que grande parte das assinaturas fala por si.

Uma assinatura que é uma coisa em forma de assim, a bold, agressiva, esquinada, toda ela a impôr um forte 'quero, posso e mando', um impostor

De vez em quando, alguém que muito bem conhece este meu interesse, sem me dizer de quem é, mostra-me uma assinatura e pergunta: 'O que tem a dizer-me desta pessoa?'  E eu disparo: um infantilóide ou alguém que não é de fiar ou um farsante de primeira ou uma pessoa séria ou uma pessoa solar. Geralmente ele confirma: também me parece.

Uma assinatura que, a bem dizer, não é nada: um faz de conta, uma tentativa de qualquer coisa mas hesitante, meio espalhafatosa, meio parva

Mas, diga-se, geralmente, só me sinto à vontade para responder assim às cegas, descontextualizando a assinatura do resto, quando não sei de quem é pois, se souber, receando deixar-me influenciar pelo que já conheço da pessoa, prefiro abster-me.

Uma assinatura sem disfarces, simples, aberta, humilde mas não subserviente. Gandhi.

O que vos mostro aqui são as assinaturas de algumas pessoas que todos conhecemos. Cada um que ajuíze por si mas arrisco-me a dizer o que, sem rede, me ocorre. Mas, note-se, não é uma análise como deve ser, são meros palpites. 


No artigo de onde as retirei dizia que a mais estranha (que confundia quem a via) era a Angelina Jolie. Confirmo que é estranha. Dir-se-ia que uma pessoa emocionalmente escorreita e segura do seu valor não faria uma assinatura tão desacertada.


Uma que sempre me surpreendeu foi a de Marilyn Monroe. Pela imagem que mais se lhe colou à pele, eu seria levada a esperar uma assinatura com letras quase infantis, desenhadas para querer parecer 'adulta' ou com alguma hesitação ou pontinhos ou qualquer coisa que denotasse alguma insegurança interior, disfarçando através de uma manobra de diversão. Mas, pelo contrário, é toda ela um statement, afirmativa, forte, revelando um forte querer e uma assunção de si própria. E... no entanto... como sabemos, qualquer coisa nela se perdeu, se quebrou.


Ainda no outro dia falei de Johnny Depp. A assinatura mostra bem a disparidade que existe entre as suas personas. Muita coisa e nenhuma. Alguma leviandade. E no sentido descendente.


Uma assinatura que revela um esteta, um elegante depurado, um criativo com gosto de se lançar em altos voos. David Bowie, um ser notoriamente alado.


A assinatura de uma pessoa que se quer afirmar por si, apenas por si, por si em ponto grande -- mas com um nó a prender-lhe a vontade. Amy Winehouse.


A sinistra assinatura de Der Füher. Uma lâmina sempre a meio, um sentido mais do que descendente, quase a enterrar, uma maldade pequenina aplicada com muita força. Hitler, o bandido-mor.

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Bem. Não vou continuar senão isto fica um lençol imperdoável. Mas isto da grafologia é um tema que me entusiasma. Curiosamente, como creio que já aqui o confessei, não consigo analisar nem a minha assinatura nem a minha escrita. Nada. Não consigo. Nem quero.

quarta-feira, junho 27, 2018

Se tivesse uma casa destas até era capaz de ir aprender a tocar piano





Pois muito bem, sim senhores. Agora que já partilhei convosco a forma correcta de uma mulher se perfumar, a qual inclui a ultilização de um esbelto aplicador humano, posso passar para assuntos mais sérios.

Por exemplo.


Hoje fui confirmar se já tinha jogado o euromilhões e tão desejando que ando que voltei a jogar no totoloto. Imagine-se. O ponto a que desço quando quero deveras uma coisa. Só falta mesmo humilhar-me numa estação de serviço, pedindo, entredentes, uma raspadinha.

Mas é por nobres motivos. Juro. Se soubessem a ideia que anda aqui a roer-me a consciência. Uma loucura. Só que eu até tremo quando tenho vontade de loucuras.

Mas de coisas secretas eu não falo aqui.

Na volta, quem aqui me lê acha que me conhece muito bem. Conhece, conhece... Não quero desiludir ninguém mas a verdade é que nem pouco mais ou menos O que eu faço durante a maior parte do meu tempo útil nunca falo aqui. Isto só para dar um exemplo. E, no entanto, aquela lá de que nunca aqui viram um lampejo que fosse sou também eu.
E as coisas sigilosíssimas que me ocorrem? Zero. Nunca falo delas. São coisas cá muito minhas. Muitas nunca vêem a luz do dia. Outras vêem mas são inconfessáveis.
E há aquelas ideias peregrinas, sonhos aventureiros, loucos. Se algum dia os concretizar pode ser que conte. Mas, ainda assim, duvido. Aqui é apenas uma camada da minha realidade e nem sei definir qual. A mais profunda? A mais superficial? Não faço ideia.
E a minha vocação secreta à qual talvez um dia me dedique? Ui. Nunca aqui falei dela. Falei, sim, que a tenho. A seguir a ter escrito os meus filhos fizeram-me um interrogatório cerrado. E eu moita. Outra eu que, a existir, terá outra identidade.
Coisas assim. 
As senhoras que, nos outros dias, me vasculharam a alma perguntaram-me: 'Outras identidades? Duplicidade?'. Expliquei: 'Não. Multiplicidades. Inteira enquanto estou. No trabalho estou toda. Saio do trabalho, dispo a pele, deixo de ser. Estou com os meus, outra, inteira, não existe mais nada.' Não lhes falei mas digo agora aqui: 'No blog, inteira, aqui, sem mais nada. Mesmo que fale de outras coisas, é apenas escrita, nada mais que palavras'

Mas, portanto, dizia eu. Euromilhões. Euromilhões ou totomilhões, não faço questão da origem. Tantas coisas boas que eu poderia fazer com eles. Distribuir. Garantir um futuro bom aos meus.

Mas mais. Coisas mesmo boas. Um exemplo para os meus para que nunca esquecessem que há os outros. Deixar-lhes responsabilidades sobre os outros.

Nada somos sem os outros. E disto a gente nunca se pode esquecer. 


Mas, depois, o lado caseiro dos caranguejos. Sempre a ideia de casa. Sonho muitas vezes com casas. Gosto muito de sonhar com casas. Casas com compartimentos que nascem uns dos outros, casas amplas com esconderijos, casas com espaços inesperados lá dentro. Sonho com casas que vou descobrindo enquanto o sonho dura.

E, mesmo quando acordada, gosto de ver casas. 


Por exemplo.

Agora que estou aqui a preguiçar, ouvindo música boa, sentindo a aragem fresca da ventoinha, fui dar a uma casa muito linda. Tão linda. Gostava de poder ter uma casa assim. Tem espaço, tem livros, tem arte, tem cor, tem luz.

No outro dia disse ao meu marido: se me saísse o euromilhões comprava um terreno grande e fazíamos uma casa grande para podermos morar juntos. O meu marido deu um salto. Nem pensar, estás maluca, havia de ser bonito. Não sei se expliquei: talvez não uma casa única mas com três alas. Ou três casas ligadas por um pátio. Mas reconheço que talvez as coisas, para correrem sempre bem, precisem que cada um tenha o seu espaço de liberdade. Talvez melhor uma casa linda como esta e umas alas para quando lá quisessem ficar, onde pudessem estar no convívio uns com os outros. Eles gostam tanto de estar uns com os outros. E eu gosto tanto que eles gostem tanto uns dos outros. 


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A casa cujas fotografias se podem aqui ver está à venda. É na Alemanha e pertence a Karl Lagerfeld. Vejo na Harper's Bazaar: You Can Now Buy Karl Lagerfeld's Stunning German Villa for $11.65 Million e só tenho pena que não me fique em caminho. Claro que tem muita relva para aparar, muito pó para limpar, muito chão para varrer -- mas isso até me parecem qualidades. O pior mesmo é não ser para o meu bico porque os ditos euro ou toto ou raspadinho-milhões ainda cá não cantam. Isso é que é uma pena. E, sim, é verdade, para não fazer o papelão dos novos-ricos que enfeitam a sala com um piano que ninguém lá em casa sabe para que serve, eu até ia aprender a tocar. Cada sonata...

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Enquanto isso, vou mas é descer e pôr mais um bocadinho de perfume. Bora daí também.

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Já aprendi com a Rossy a melhor forma de me perfumar. Oh la la...


Sou perfumeira, isso já toda a gente que por aqui me acompanha está fartíssima de saber. 
Tenho, como creio que toda a gente, rituais. Nem será bem rituais. Talvez mais hábitos. Arranjo-me sempre pela mesma sequência. Xixi, copo de água morna com sumo de um limão, banho, pequeno almoço, lavar os dentes, maquilhagem, perfume, vestir, brincos, relógio, anel, colar, pulseira (sendo que, se uma das peças é mais chamativa, as demais são muito discretas), despentear, calçar, agarrar no telemóvel, na carteira, nas chaves, nos óculos escuros, fechar a porta. E ala moça que se faz tarde. 
Se, porque estou ultra apressada, sem querer salto alguma das etapas, logo que dou pelo lapso, por muito atrasada que esteja, volto atrás e corrijo. Ou seja, sair sem me perfumar é coisa que não existe. Tal como sair sem brincos. Tal como sair sem sapatos.
O perfume varia consoante a agenda do dia ou a toilette. Como é sabido, gira muito em torno de Chanel. Mas tem dias em que a lealdade abre brechas. Por exemplo, porque hoje fui com uma blusa escura que acho um espectáculo, toda ela um jogo de rendas e transparências, achei que deveria caprichar nos acessórios, embora no género discreto, ouro branco para disfarçar o escândalo da blusinha. E achei que o conjunto pedia um Hermès, a saber o Eau de Néroli Doré. Não me perguntem qual o racional. Não saberia responder. Sou uma intuitiva. Em assuntos destes, a lógica não consegue acompanhar ou explicar a vontade. 
No outro dia, quando fui fazer os exames que a ginecologista prescreveu, fui muito à fresca, calças brancas, blusinha florida. E lembro-me disto pelo que a técnica que estava a espalmar-me os seios entre as placas me disse: 'Ah, que perfume tão bom o seu... ah que agradável... posso perguntar-lhe qual é...'?. Naquela posição desconfortável, de calças e saltos altos mas em tronco nu, com os seios comprimidos e doridos -- e sempre com algum receio --a minha cabeça não estava nem aí, tive que pensar. Estava para dizer 'Nada de especial, por acaso, CK One Summer' mas, felizmente, tive o discernimento de dizer apenas CK One Summer. A que propósito ia eu desvalorizar uma coisa pela qual a jovem estava a mostrar tanto apreço. 
Mas a forma como me perfume também é sempre a mesma. Um esguichinho atrás da orelha esquerda, depois da direita. Outro no pulso esquerdo, outro no direito. Um entre os seios, outro na dobra do braço esquerdo, outro na do direito. Por vezes, também consoante as circunstâncias, dou um soprinho geral, de longe, frasco afastado, a rasar a blusa, por fora. Outras vezes, não é por fora, é por dentro. Afasto-a do corpo e, ao de leve, uma suave aragem pelo lado de dentro. 

Quando saio de casa, pode estar marcante mas qualquer sombra de excesso dilui-se durante o percurso e, quando chego, já o perfume está cosido ao corpo, subtil. Pelo menos, assim o penso.
Lembro-me do meu filho, quando era pequeno, não querer que eu o abraçasse de manhã, quando me despedia dele na escola. Por um lado, achava que isso o diminuía perante os amigos, dizia que as outras mães não davam tantos beijinhos aos filhos mas, por outro, temia que eu o contagiasse com o cheiro do perfume. Tinha pavor de que isso acontecesse.
Bem, mas isto tudo para dizer que hoje, finalmente, vi a forma correcta de uma mulher se perfumar. E parece-me que deve ser eficaz. Aliás, parece-me mesmo uma grande, grande ideia. Estou capaz de amanhã ir comprar este perfume da Jean Paul Gaultier a ver se traz este aplicador. 

(Não esquecer de activar o som)


Uma nota apenas: acho os brincos dela grandes demais, especialmente quando conjugados com o aparato do colar. Tirando isso parece-me tudo bastante bem, especialmente no que se refere à forma de espalhar o perfume. Só lamento é que a lição seja tão curtinha.

terça-feira, junho 26, 2018

Ilusões




Isto para dizer que, agora que já tentei não dormir a sesta e que não consigo discernimento para acabar a noite com o Miguel Carapau, a comer cebola crua com sal em cima de broa, pus-me a fazer zapping mas nada do que para aqui passa me assiste.

O meu marido, depois de, em vão, ter desesperado a ver se conseguia ser canalizador, acabou por desistir e agora adormeceu mas não sem antes me pedir que telefone a ver se alguém sabe de um a sério que venha compor o que ele descompôs debaixo do lava-louça. Amanhã de manhã vou ter que lavar a fruta e a louça do pequeno-almoço no lavatório da casa de banho.

Adiante que, se ele ler isto, ainda fica com o ego ferido por eu estar aqui a pôr em causa os seus extraordinários dotes de bom bricoleur.

O dia, na parte da manhã, foi dose de cavalo e, na parte de tarde, foi passado a aturar os ditos mas do tipo 'mulas', éguas' e 'burras' de ambos os sexos. O calor e o apetite pelo verão não me fazem lá muito bem à cabeça. Ainda se pudesse ter aqui um jardim a precisar de rega para despejar água em cima de mim, ainda ia que não ia. Agora assim...


Estava aqui a ouvir um barulho muito suspeito e pensei que a televisão estivesse a preparar-se para levantar voo. Intrigada, desliguei-a e o barulho continuou. Olhei. Na SIC, um homem acaba de dar uma valente bofetada a uma mulher. Assim vamos: a violência é banalizada de todas as maneiras possíveis e imaginárias nas telenovelas portuguesas. Agridem-se, roubam-se, matam-se. Não consigo ver, é canalhagem a mais para o meu gosto de brandos costumes feito. 

Fui à janela ver o que se passa. Como estou cheia de calor fui como a mademoiselle abaixo mas dispensei o lençol pelas costas. A casa dela deve ser mais fresca que a minha. Olha, afinal é um carro do lixo que estranhamente veio hoje a horas pouco madrugadoras mas faz tal barulho que não me admira que daqui a nada levante voo e me apareça aqui à janela. 

Pronto foi-se embora e a sala voltou a ficar silenciosa. Isto é o que dá estar de janelas abertas. Tenho aqui ao meu lado uma ventoinha que faz um ventinho bom mas também é um bocado barulhenta. Vou ligar e fechar a janela porque não percebo o que é isto. Dá ideia que chegou outro camião. Na volta estão a sugar o prédio pelas bases. Que coisa estranha, esta. Um chinfrim de garrafas, agora. Se calhar isto acontece frequentemente mas, estando habitualmente com os vidros das janelas fechadas à noite, não se ouve.


Pronto. Adiante que este tema não é lá muito histórico-filosófico e eu acho que os meus Leitores são mais dados a isso do que a divagações vadias. Ou a isso ou a metafísica arraçada de semântica ou de pornografia travestida de poesia ou a geografia urbanística ou a farmacologia pré quelque chose ou a engenharia financeira ou jornalística ou a advocacia diversa ou a turismo ou a antiguidades ou a whatever. Coisas sérias, portanto, não a maluqueiras encartadas como as que ultimamente por aqui estou numa de plantar sem parar.

A propósito: dantes, há mil anos, eu achava o Carlos Queirós giro e o meu marido achava-o parvo. Eu pensava que ele dizia isso por ter ciúmes. Ele dizia que ciúmes o tanas, que o outro é que era mesmo parvo. Com os anos, fui achando que o Queirós foi ficando com os olhos encovados e o que perdia em graça ganhava em estupidez. Hoje, finalmente, dei o braço a  torcer: estúpido todos os dias. O meu marido disse: há muitos anos que digo isso.

Não sei se é do calor ou se é que estou a ficar velha do Restelo mas a verdade é que cada vez mais constato que há malucos, parvos, estúpidos e atrasados mentais a pulular por aí em cargos em que apenas devia estar gente boa da cabeça. Mas é que é por todo o lado. Parece que dantes não era tanto. Eu eu não dava tanto por eles. Não sei. Parece que se multiplicam.

Aquela conversa do Carlos Queirós, no fim do jogo, é coisa de gente boa da cabeça? Fiquei incomodada. Há gente simplesmente parva mas há outra que abusa.

Mas é que não é só no futebol: é na política, é nas empresas, é all over. Uma cambadilha sinistra alapada a lugares onde pode exercer o seu pequeno e nauseabundo poder. Não há pachorra.


Desisto. Hoje não consigo falar de nada. Tretas e mais tretas. Ou então é do sono. Ou do calor.

Olho à minha volta e vejo livros por todo o lado. Devia pôr o móvel pequeno que está na zona larga do corredor que dá acesso a esta sala no hall que dá acesso aos quartos para, no lugar dele, pôr uma estante um pouco mais larga e alta. Mas o meu marido não quer, recusa-se a ir ao IKEA e nem quer pensar em chegar a casa com caixas e pôr-se com montagens. Também não quer pôr o móvel no hall dos quartos, diz que quer movimentar-se sem ter que se desviar de nada. Portanto, temos aqui um círculo que precisa de se transformar num quadrado. Coisa bicuda, esta. Qualquer dia os livros tomam conta desta casa. Se ao menos os personagens saíssem das páginas e viessem fazer uma farrinha aqui ao pé de mim, andar às cavalitas uns dos outros, apanhar gatinhos a fingir em cima dos móveis, brincadeirinhas gozudas e cabeludas assim. 


E lá em baixo continua o camião, o mesmo ou outro -- já nem sei, o que sei é que rugem como um aeroplano. Na volta estão a testar se a minha rua serve para o famigerado novo aeroporto: qual Ota, qual Montijo. Aqui mesmo, debaixo da minha janela. Pois que seja. Há tantos anos que, a propósito de fazerem um novo aeroporto, por aí andam nessa coisa de mastigar sem engolir que acho que é de se topar qualquer parada. Antes isso que andar o pessoal já todo ao estalo no saturado e a rebentar pelas costuras aeroporto da Portela.

Bem. 

Esta minha conversa é silly talk. Silly talk na silly season. Os meus Leitores não merecem isto. Mas fazer o quê? Deitar-me em pelota à sombra da bananeira a ver se algum marmanjão aparece para me fazer companhia?


Ah, só mais uma coisa. Ainda não comentei. Sabem?

Os insectos estão a desaparecer do Reino Unido e de muitos outros lugares e isso pode causar uma catástrofe de dimensões incalculáveis.

E outra: o Facebook está a vender espaço político e, com isso, caminha(mos) a passos largos para a total subversão da democracia.

E uma ou outra coiseca. Tudo minudências sem importância.

E nem falo dos barcos cheios de imigrantes que ninguém quer ou das crianças, aos montes, lá na fronteira da propriedade gerida pelo Trump, enjauladas num calvário burocrático para voltarem aos pais.

Ou de outras frioleiras que tais.

A questão é que o calor derrete-me os miolos e o que fica a funcionar não dá para tanto. Que se ocupem disso as mulas, as éguas, as burras -- de todos os sexos -- que tomam conta deste mundo.


Eu, pelo lado qu eme toca, vou continuar aqui, nesta minha vidinha toda recheada de ilusões. Por exemplo, para ver se durmo mais fresca, vou sonhar que vou para a beira de um lago, que vou toda nuazinha, que vou olhar para vocês com uma carinha laroca a fazer de conta que qual é o mal? Nunca viram uma barriguinha branca e umas maminhas mais branquinhas ainda?

E, quando sair do banho, para não arrefecer, vou vestir um impermeável a dizer I really don't care. Do u?



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As imagens, com excepção da fotografia da Melania Trump feita quando foi visitar os miúdos retidos na fronteira (obra do maridinho), mostram o trabalho do brasileiro Gabriel Nardelli Araújo para  o Canvas Project, no qual ele mistura personagens de pinturas clássicas com fotografias do ambiente actual, retocando-as com photoshop.