Mostrar mensagens com a etiqueta sapatos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sapatos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, março 12, 2026

Trump compra sapatos para os seus totós amestrados e eles têm medo de não os usar, incluindo o Mark Rubio a quem os sapatos ficam a chinelar

 

Não foram os mortos, os estropiados, os deportados, os que ficam sem casa e sem família, os que ficam desempregados, os que ficam sem apoios a nível social ou de saúde ou de alimentação e todos os demais que se incluem entre as inúmeras vítimas da crueldade e da estupidez exacerbada de Trump, e tudo isto poderia ser um filme cómico.

Já tinha visto nas redes sociais mas, como sempre que vejo coisas parvas demais, desconfio que sejam fake news e mantenho-me de bico calado. Infelizmente, nestes desgraçados tempos, a realidade anda a ultrapassar a ficção pela esquerda, pela direita, por cima e por baixo.

Quando o Guardian confirma, eu rendo-me: é mesmo verdade. Transcrevo:

Segundo os relatos, Trump presenteia os membros do gabinete e os visitantes da Casa Branca com sapatos Florsheim.

Alguns funcionários do governo queixam-se de ter de usar calçado de qualidade inferior em vez dos seus modelos de luxo favoritos.

Sentado atrás da secretária Resolute, Donald Trump fixou o olhar nos pés de JD Vance e de Marco Rubio. “Marco, JD, vocês têm uns sapatos s—xy”, disse o presidente dos EUA, consultando um catálogo e perguntando o número que calçavam. Rubio disse 11,5 e Vance 13. Trump recostou-se na cadeira e comentou: “Dá para perceber muita coisa sobre um homem pelo número do sapato.”

A história é relatada numa reportagem do jornal The Wall Street Journal que conta como responsáveis, conselheiros e aliados visitantes estão discretamente a adquirir sapatos de couro oferecidos por Trump, que lhos apresenta com o entusiasmo de um vendedor ambulante.

Reuniões do gabinete, almoços e passagens pelo Salão Oval podem transformar-se subitamente em conversas sobre calçado.

“Recebeste os sapatos?”, pergunta ele aos colegas, segundo várias pessoas familiarizadas com o ritual citadas pelo jornal. Alguns chegaram mesmo a experimentá-los no Salão Oval.

Uma funcionária da Casa Branca comentou com ironia: “Todos os rapazes os têm.” Outra acrescentou: “É hilariante, porque toda a gente tem medo de não os usar.” (...)

Donald Trump, agora com 79 anos, terá começado no ano passado a procurar algo mais confortável para usar durante os longos dias de trabalho no cargo. Depois de se decidir pelos sapatos da Florsheim, começou também a encomendar pares para outras pessoas. Segundo a Casa Branca, ele paga os sapatos do próprio bolso.

Marco Rubio e JD Vance receberam os seus Florsheim depois de uma reunião em dezembro no Salão Oval. Membros do governo como Pete Hegseth e Howard Lutnick também passaram a fazer parte do “clube”, assim como os comentadores conservadores Sean Hannity e Tucker Carlson e o senador republicano Lindsey Graham.

Diz-se que um membro do governo se queixou em privado de que o presente presidencial o obrigou a aposentar os seus sapatos preferidos da Louis Vuitton — embora poucos pareçam dispostos a arriscar ofender o chefe deixando os Florsheim por usar.

O presidente desenvolveu até um pequeno truque de salão: adivinhar o número de sapato das pessoas. Quando fica satisfeito com o palpite, instrui um assessor a fazer a encomenda. Uma semana depois, chega à Casa Branca uma caixa castanha, por vezes com uma assinatura ou uma breve nota de agradecimento de Donald Trump, relata o The Wall Street Journal.

O hábito tornou-se tão rotineiro que alguns assessores dizem que agora existe uma pequena pilha de caixas de sapatos num gabinete próximo, cada uma com o nome do destinatário. (...)


Tão ridículo, tão, tão ridículo, caraças. Não dá para acreditar

______________________________________________________________________

E são estas mesmas araras descerebradas que estão a lançar o caos e a destruir o Irão, a afundar submarinos cheios de gente, a bombardear uma escola cheia de meninas, a desestabilizar uma dúzia de países, a fazer desacreditar na viabilidade da lei e da ordem baseadas no direito internacional.

Eu sei porque é que a guerra de Trump está em desordem: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a guerra de Trump contra o Irão em tempo real, revelando um comandante-chefe que parece conduzir a guerra da mesma forma que conduz um comício: improvisando a cada instante. Do bizarro regresso da antiga ameaça de Trump de "fogo e fúria" às declarações contraditórias sobre a vitória, rendição e bombardeamento do Irão "de volta à Idade da Pedra", Wolff explica porque é que fontes internas afirmam que não há um plano, apenas improvisação. Entretanto, o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, esforça-se por explicar uma estratégia que pode nem existir, os republicanos entram em pânico com o aumento dos preços da gasolina em vésperas de eleições intercalares, e o próprio Trump parece entusiasmado com o espectáculo. À medida que a retórica se intensifica e os objectivos da guerra permanecem indefinidos, Wolff e Coles expõem o caos, as contradições e os riscos políticos por detrás de um conflito que poderá terminar amanhã ou tomar um rumo imprevisível em Washington.

Um mundo que atravessa tempos para esquecer

quinta-feira, outubro 03, 2024

Se empatia é calçar os sapatos dos outros, então, santa paciência, não sou nada empática

 

Para começar não sei se empatia é isso dos sapatos. Tenho dúvidas. Segundo o Priberam, empatia é a forma de identificação intelectual ou afectiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia ou uma coisa. E não vejo aqui qualquer referência a sapatos. 

Mas, ironias à parte, tenho que confessar que me faz impressão calçar sapatos usados por outra pessoa. Roupa, desde que limpa, não me importo. Mas mesmo assim prefiro conhecer a pessoa que a usou. Usar roupa sem saber se a pessoa que a usou era limpinha, lavadinha, isso faz-me alguma impressão. Ou seja, não sou o público ideal para as lojas de roupa usada. 

Quanto à empatia, tenho ideia que sou empática. Os assessments a que fui sujeita enquanto trabalhava (e com muito gosto o fui, pois ser analisada, escrutinada, avaliada e etc. sempre foi pratinho que me soube bem) diziam que sim, era empática, sim senhor. 

Mas, afinal, pelo menos na minha vida civil, não sei se sou assim tanto. Ou melhor: se ainda sou. 

Por exemplo:

  • A minha capacidade para me identificar com os tontos do Governo que se papagueiam uns aos outros, mesmo que seja para papaguearem disparates e nulidades, é limitada. 
  • A minha capacidade para achar graça à humilhação a que a Joana Marques gosta de infligir às suas vítimas, em particular quando o faz em público, expondo o humilhado à multidão enquanto goza com ele, é muito, muito limitada. 
  • A minha capacidade para perceber o ponto de vista da Ana Moura que, numa cerimónia (que pode ser questionada pelo seu valor, pelo seu préstimo, pela sua credibilidade mas que, para todos os efeitos, é uma cerimónia -- em que quem lá vai deve respeitar o dress code), se apresentou em trajes menores, zero de confecção, zero de côuture, zero de bom gosto, com os seios e os próprios mamilos à vista, é muito limitada. 
  • Identicamente a minha capacidade para tolerar o desbocamento torrencial da fonte de Belém também se esgotou. Desde há muito.
  • E a minha capacidade para aturar a histeria presidencial, da AD, das televisões e de tutti quanti que querem à viva força obrigar o PS a enfiar o Orçamento pela goela abaixo, seja o que for que ele contemple, é deveras limitada. Deveras.
  • E, agora, até o FMI vem dizer que o IRS Jovem é a ideia mais burra que alguma burra algum dia pariu. Face a isso, o Montenegro vai tirar o tapete ao Sarmento? Não, senhor. Em vez disso vai fazer de conta que está a fazer a vontade ao PS, através de uma proposta irrecusável. E eu, perante isto, aqui confirmo: a minha capacidade para aparar chico-espertices destas já foi ultrapassada há algum tempo.

Por isso, em dias como o de hoje, um dia cinzento, uma persistente chuvinha molha-tolos, interrogo-me: seria eu capaz de calçar os sapatos do Montenegro, da Senhorinha da Administração Interna, da baderneira-mor da Saúde, do Lentão que até dá dó, do inteligente Sarmento, do Dissolvente... e por aí vai...? Ou seria eu capaz de calçar sapatinhos como os que aqui mostro?










Resposta à pergunta lá de cima: Não, não creio.

(Mais sapatinhos aqui)

_____________________________________________________________

E não vale a pena virem aqui dizer que este post é disparatado. Eu sei que é. Mas vou falar ajuizadamente a que propósito? Ah pois é, bebé. 

Portanto, passo já para a secção musical.

In Hell I´ll Be in Good Company 

(metal cover by Leo Moracchioli)


Dias felizes para todos

sexta-feira, janeiro 12, 2024

Choninhas e baldas. E etc.

 

Volta e meia, em cima de tudo o resto há as coisas que se estragam. Ontem houve uma coisa que se partiu e que tem que ser arranjada. Onde pensávamos que resolveriam o assunto, disseram que não e deram o contacto de um homem.

Hoje, estava a chegar do hospital, atrasada pois estive lá mais tempo do que esperava e o trânsito também estava pior do que desejável, apareceu o dito. O meu marido ficou no jardim a suster a fera que ficou desaustinada e eu entrei com o expert.

Caraças. Se há coisa para a qual eu não tenho paciência é para nhonhinhas, nheco-nhecos. Mediu e remediu, apontou e tornou a apontar, pediu-me para eu segurar a lanterna, pediu para eu espreitar a ver se via não sei o quê, deu exemplos para validar as suas teorias, queria mostrar-me vídeos para justificar o que dizia. Eu já só queria que o homem se calasse. E ele não se calava. Depois estava demasiado perfumado. Não suporto homens demasiadamente perfumados. 

Às tantas o meu marido ligou-me. Não percebia o que se passava. Eu poderia ter dito as medidas por telefone mas o homem disse que um milímetro a mais ou um milímetro a menos poderiam ser a morte do artista pelo que tinha que ser mesmo ele a vir tirar as medidas. Mas, julgava eu, era coisa para uns cinco minutos no máximo. Qual quê? Não cronometrei mas mais de meia hora foi. Espreitava para dentro daquilo, oferecia-se para fazer uma limpeza às entranhas da coisa, mas tudo em slow motion, tudo com longas pausas entre palavras. Um desespero. Pessoas assim levam-me à loucura. Já só me apetecia correr com o homem de qualquer maneira. Que choninhas do caraças, senhores.

Acabei por me pôr a andar e ele, que remédio, a andar e a falar atrás de mim, depois saí porta fora e ele a querer atrasar o passo. É que, no meio disto, dizia que não ia conseguia fazer um orçamento exacto pois se alguns parafusos se partissem ao retirar, tinha que pôr parafusos novos, ou se os parafusos novos não fossem exactamente iguais, poderia ter que fazer furação nova. Por isso, não sabia. E eu, impaciente de todo: 'Faça assim. Diga o valor aproximado e diga quanto pode ser mais, no máximo, caso surjam esses imprevistos'. Ele olhou-me como se não percebesse, como se eu estivesse a dizer uma coisa impossível. E queria voltar a colocar dúvidas e entraves a um orçamento exacto. 

Eu já só pensava que nem pensar voltaria a ter um tal patarata em casa. Ah, às tantas, ao mexer, ao desmontar para ver se tirava as medidas exactas, deixou cair um pouco de pó. Ficou aflito, pediu uma vassourinha e uma pázinha. E eu que ele deixasse, que eu já limpava, que não se importasse. Mas gente assim não desiste. Viu os apetrechos da lareira e pôs-se a varrer e a limpar.

Lá fora, ao frio, às escuras, o meu marido e o cão. Claro que poderia ter ele entrado e deixado o cão na rua. Mas a perspectiva de ir aturar um empata daqueles era ainda pior do que ficar à seca na rua.

Lá vim, então, a andar, abrindo o portão, o homem ainda a querer explicar cenas, a justificar e a sustentar teorias sobre as cenas. Creio que o interrompi e lhe disse: 'Está bem. Mande o orçamento que conseguir. Obrigada.' e bye bye. Há com cada um.

Também há uma fuga de água num dos tanques da caldeira. Há uns dois meses. Veio cá um que disse o que era e que ia mandar um orçamento. Até hoje. No princípio do mês passado, estava noutro país, não sei se de férias se em trabalho. Depois no fim do ano estava a banhos, de férias, num país africano. Depois que não sei o quê. Até que finalmente era hoje. Sim, sim. É o veio. Tipo mais baldas nunca vi. Sempre altas conversas, grandes desculpas e grandes promessas. Um bocas. Caraças.

Só espero que apareçam mais uma catrefada de imigrantes que venham compensar a falta de mão de obra que há em todos os sectores. 

Tirando isso, só se for o que a funcionária do hospital que estava a ocupar-se da minha mãe conversou comigo. Uma simpatia. Não sei como já estava a falar-me da sua ansiedade, dos seus ataques de pânico, de como gostava de não ser tão magra, já estava a fazer-me confidências. Qualquer dia pergunto se me permitem que filme e publique. Depoimentos avulsos sobre a vida de pessoas desconhecidas.

De manhã também liguei para uma amiga da minha mãe que lhe tinha ligado. Não sei como, passado um bocado, já estava a falar-me das suas maleitas, do que faz, do que não faz, das doenças prevalentes na sua família, em como todas as da sua geração estão a ir desta para melhor. Isto dito sem dramas, entre sorrisos.

Também tenho mais histórias do balneário da piscina mas ficam para outro dia.

_______________________________________________________

Os fantásticos sapatos são apenas algumas das modas de gosto duvidoso que podem ser vistas em 30 Questionable Fashion Choices That Have Been Shared On This Instagram Page

______________________________________

Um dia bom

Saúde. Boa sorte. Boa onda. Paz.

quarta-feira, agosto 29, 2018

Ei-los, os meus flamingos algarvios


No outro dia falei da minha fantástica aquisição, nascida da mais pura e justificável necessidade: umas havaianas porretas com flaminguinhos pink instalados sobre caminhas de riscado preto e branco nas quais assentam agora os meus pés, entre os quais um com um artístico hematoma.


E até já

quarta-feira, julho 11, 2018

Sapatos decorativos e sapatos utilitários.
Há para todos os (des)gostos.



Já contei. Quando era pequenina queria muito ter uns sapatos encarnados. E tive-os. Sempre que íamos comprar sapatos, eu queria uns sapatinhos encarnados. Depois, na adolescência, mudei de gosto. Mal voltei a mim, os sapatos encarnados regressaram à cena. Agora tenho sapatos de várias cores: azuis escuros, azuis claros, cor de rosa, amarelos, beige, branco, cinzento, cor de mel e, claro, encarnados.

Mas, seja qual a cor, gosto muito de sapatos. 


A minha filha nunca foi muito dada a sapatos, era mais blusinhas e de preferência brancas, ou vestidos, ou calças, frequentemente fluidas, ou casacos de bom corte. Sapatos o qb e sempre clássicos e discretos. Em muitas coisas sai ao pai. Noutras sai a mim. Por exemplo, é incorrigivelmente noctívaga. Passo a vida a dizer-lhe que se deite cedo. Mas não tenho tido sorte nos conselhos que lhe dou.


O meu filho, então, nem se fala. Era capaz de andar o inverno inteiro com uns sapatos e o verão com outros e enquanto durassem não queria comprar outros. Minimalista. Anti-consumista.


Quem me herdou a veia, nos sapatos como em muitas outras coisas, foi a minha bonequinha mais linda. Maluca por sapatos. Lembro-me de quando o meu filho foi, com ela, ter connosco ao Colombo à hora de almoço. Teria uns três anos. Entrámos numa das grandes lojas e, como se fosse crescida, tirou uma blusa de mulher para a mãe e avançou decidida para a secção de crianças, escolhendo e combinando peças. E, para nosso espanto, pegou nuns sapatos, sentou-se no chão e começou a prová-los para os trazer.


E eu, se vou a uma loja de crianças, tenho que me conter para não trazer vestidos, blusas e quanto mais fashion melhor para ela e, claro, uns sapatinhos. Coisas para rapaz não são tão apelativas.


Mas se gosto de sapatos de cor, para poder conjugar com a cor da toilette, gosto de modelos clássicos, que me pareçam elegantes. Nada de macacadas, aplicações fatelas ou pechisbeques. Nunca por nunca me daria para calçar botas com fivelas douradas ou de brilhantes, berloques ou feitios bizarros.


Imagine-se a perplexidade com que vi sapatos como os que aqui vos mostro. Caraças, não lembram ao diabo. Não dá para acreditar. Como é que há gente tão suficientemente maluca que consegue aparecer em público com coisas como aqui estou a mostrar? 


Você, meu Caro Leitor ou minha Cara Leitora, consegue imaginar-se nestes lindos preparos? 

Bolas. Alguns são mesmo de pesadelo. Saltos enfeitados com dentinhos....? Susto. Nojo... Grrrrrr... Sapatos com cabelos...? Nojento. Sapatos que parecem cascos...? É preciso ser-se uma grandessíssima cavalgadura para uma coisa dessas.

No entanto, vi uns que me parecem um achado. Explico. Tenho uma coisa com carteiras. Se as uso grandes, encho-as até pesarem toneladas e me darem cabo do ombro. Se são pequenas como a que uso agora, encho-as até não as conseguir fechar.

Nesta agora, horrivelmente cheia como um ovo, tdos os dias, quando saio de casa, faço uma ginástica dos diabos para lá conseguir enfiar o molho das chaves. E o telemóvel tem que andar na mão já que na carteira não cabe nem mais um ínfimo gancho de cabelo. Porcaria de carteireca. Anda pesada, bojuda, horrível e tudo tranca tudo.

E quando vou no carro e quero jogar a mão para de lá tirar um baton? Está bem, está... Nem a minha mão lá cabe... Tenho que despejá-la no banco ao lado e tentar que algum dos vários batons que lá habita dê as caras. Complicado, isto.

Ora os saltos destes sapatos aqui abaixo são um verdadeiro armazém. Cabe lá tudo. Acho um espanto. Baton, rímel, caneta, bolsinha de moedas e tudo o que se queira. Muito bom. Claro que não será prático, enquanto a pessoa conduz, aviar-se de apetrechos mas, antes de começar a conduzir, pode tirar-se de lá o que é preciso para nos podermos arranjar enquanto conduzimos.


Um achado.
........................................................................

Mais aqui.

sábado, março 17, 2018

Objectos de desejo






Gosto de sapatos mas não sou maluca por eles. Lembro-me de, em pequena, querer ter uns sapatinhos encarnados. Naquela altura não havia a variedade de tudo que há hoje. Lembro-me de ir pela mão da minha mãe, de sapataria em sapataria, procurando uns sapatinhos assim. Encontrámo-los e encheram-me de felicidade.Tenho fotografias com eles. Um orgulho bom.


Ao longo da minha vida tive vários sapatos encarnados. Agora tenho dois pares de saltos altos em camurça, uns simples, corte princesa, em encarnado rubro, e uns outros, em cor de tijolo escuro, com um franzido em cima. Tenho uns outros quase rasos, uma espécie de sabrina com uma ligeiríssima cunha. Esses são também de carmurça mas debruados a preto, um filet milimétrico de verniz preto, que lhes dá uma certa graça. Mas esses são muito baixos, não me dão tanto jeito. A verdade é que, de cada vez que vejo uns sapatos encarnados, tenho que me forçar a resistir à tentação. 

Esse gene dos sapatos deve ser forte porque passou para a minha menininha mais linda. Ela é que nem eu mas, em tudo, mais que eu: toda ela coquette e toda ela apaixonada  por toilettes e sapatinhos. 

Será futilidade isto que existe dentro de nós e que vem do nascimento, será. Mas não sei se há ser humano cujas células sejam todas fechadas, hirsutas, só profundidade, destituídas de leveza. Talvez haja. Mas há-de ser gente chata, chata, chata de meter dó. Digo eu. 


Também gosto de jóias, de pérolas, de ouro e brilhantes, de esmeraldas, de safiras, de rubis. E tanto mais quanto as há, lindas, em parecenças, a meia dúzia de euros cada. Gosto muito e ainda mais destas quanto não tenho que ter receio de as perder como quando são jóias de milhares. É um facto: não consigo andar desprovida de adornos. Por exemplo, não consigo sair de casa sem brincos. 

E gosto de objectos que sejam belos. Pode até ser uma pequena peça de cerâmica com gravura de Lalique, pode ser uma ampulheta com uma figura esbelta, uma bola de vidro transparente com uma gota atrevida lá dentro, pode até ser uma caneta com as flores do imperador. 

Que me desculpem os sisudos, as bem comportadas, os inofensivos e os amuados, os arrumadinhos por vocação, os que sabem a hierarquia académica dos valores, mas a beleza é fundamental e beleza que seja simples, espontânea, sem definições ou regras. E, para nos enlevar com um prazer inocente e bom, deve ser consumida em sãs misturas -- sapatos com colares com flores com conchas com um raio de luz com uma palavra secreta. Por exemplo.


Escrevo enquanto ouço a chuva a cair. Som tão bom. Da minha janela hoje não avisto gaivotas. Acolheram-se, não gostam de voar à chuva. Uma gaivota voando na janela, contra o rio em dia de invernia seria o apontamento de voo e leveza que traria aquele subtil toque de beleza de que os dias de chuva precisam. Mas, não havendo, há a música que estou a ouvir, as imagens que estou a escolher e é também igualmente bom. E estão vocês aí desse lado e isso, então, é mesmo, mesmo bom. Sentem como é bom?

.............................................



..............................................................................................



.................................................................................

Um belo dia a todos.

----------------------------------------------------------

E aos que acabaram de aqui chegar e que não são dados a estas conversetas de tipo lero-lero, pois, então, recomendo que desçam que, abaixo, a conversa é muito outra.

...............................................................

terça-feira, janeiro 30, 2018

Três acidentes de percurso e quatro manas olharapas




Se me recordo de tudo o que aqui já recordei fico a pensar que, na volta, sou um cromo (cromo no feminino, bem entendido). No entanto, se me vir ao espelho, acho-me normal. E, dizendo isto, não sei qual a imagem que melhor me representa. Não quero induzir os meus leitores em erro nem vender gato por lebre mas, na verdade, não sei bem como me caracterizar. Maluca, excêntrica, normal - ou talvez um misto, de tudo um pouco.

Portanto, ficamos assim (que não interessa aprofundar muito mais até porque muito mais abaixo apenas há núsculo, tendões, ossos, vísceras, coisecas nessa base -- ou seja, miudezas sem nada de especial).

Isto porque, no meio de tudo o que já fiz, disparate que até ferve, há alguns que podem parecer coisa de cabeça no ar. E, na volta, é isso mesmo.

Conto. Tinha uns sapatos em bordeaux escuro, salto bem alto, corte clássico; e tinha outros, num tom parecido, a pele numa textura um pouco diferente, com um corte mais elegante e salto igualmente alto.

Um dia, estava eu a falar no corredor com um colega, já depois de duas reuniões, calha olhar para os pés, pensativa, e... caneco!, um sapato de cada nação. Quando me viu estupefacta a olhar para os pés desatou a rir. 'Não acredito...', gemi eu. Consolou-me: 'Deixe, ninguém vai dar por nada.'. Ai não... Fui ao gabinete, peguei nas chaves do carro e aí vai ela, direitinha a casa a trocar um dos sapatos pelo par do outro.

Moral da história?

Um desatino. Volta e meia vou no carro, no pára-arranca, e dá-me uma daquelas dúvidas assassinas: 'Será que não venho com sapatos trocados?'. Tento espreitar e não consigo: os pés estão lá em baixo, fora do meu ângulo de visão. A minha vontade é ligar os quatro piscas, situação de emergência, encostar para sair e inspeccionar bem a coisa. Mas não sou maluca a esse ponto e, portanto, lá vou toda a viagem a pensar no que me espera. O que vale é que, mal me distraio, me esqueço porque, quando digo 'toda a viagem' não é bem 'toda a viagem', é só enquanto os meus neurónios não partem para outra.

Mas a quem nunca aconteceu, posso afiançar: é traumatizante.

Claro que nada tão angustiante como deve ser a de um homem que esteja em público e verifique que tem a braguilha aberta -- e fique na aflição de ter que escolher entre dar o flanco e atirar-se impudicamene ao fecho das calças ou fazer-se de lelé, fingir que não está a dar por nada, e continuar airosamente de cueca ao léu.


Já contei a cena do meu colega que passou por uma cena do além e de que ainda hoje, sempre que me lembro, me desato a rir. Estavamos quatro sentados em volta de uma pequena mesa. Ele enorme, de pernas abertas, afastado da mesa. Chega-se uma ilustre desconhecida, segreda-lhe qualquer coisa bem no ouvido e deixa-lhe um papelinho.
Ah... não conto mais, não quero ser repetitiva. (Que cena mais hilária, aquela...).
Todos: 'O que é que diz o papel...?'. 'Diz lá, pá. O que é que diz o papel?'. E ele nada, mudo a olhar para o papel.
Pronto. Calo-me já. Não vou estar a contar as mesmas coisas.
Bem.

Há coisas piores. Há sempre coisas piores. Pode ser fraco consolo mas ajuda: há coisas piores, pode ser um mantra para uma hora difícil.

A deste escultor aqui abaixo que deixou cair a obra e a esborrachou toda deve tê-lo deixado mais desconfortável do que eu fiquei com um sapato de cada nação ou que o outro com a braguilha wide open.


.......................

Claro que podia ainda falar daquele acidente no prestígio do País: a última macacada da Santa Mana Joana que, em vez de apadrinhar a investigação em coisas sérias, como para tal lhe falta o engenho e a arte, resolve derivar para a palhaçada e pôr-se a brincar às telenovelas mexicanas, agora envolvendo como suspeitos dois perigosos bilhetes da bola. Mas para esse peditório eu já dei e, de facto, na verdade só gabo a resiliência e o estoicismo de Centeno. Havia de ser comigo. Acho que até ia buscar, como assessora comunicacional, a minha cunhada que, quando está inspirada é mais apimentada que as peixeiras do Bolhão. A ver se não haveríamos de abater, com a pontaria da nossa língua afiada, muito comentador descerebrado e muito ex-paf que por aí ande perdido já a questionar se o prestígio do governo não está abalado. Tristeza, caraças. Por episódios como este, se conclui que há ainda um longo caminho a percorrer para sermos, de facto, gente grande.
.........................

Mas pronto, para não me despedir só com acidentes, acabo com uma obra de arte. Melhor: com quatro obras de arte. Da imaginação de Alexandra Dillon saíram quatro manas olharapas com franjas artísticas a embelezar os sofisticados penteados.


Contudo, note-se que, quais ovelha Dolly ou macaquinhos Zhong Zhong e Hua Hua, há manas olharapas aos montes, todas almas gémeas, clones quase perfeitos


🙊🙊🙊🙊🙊🙊🙊🙊🙊

E queiram continuar a descer que, já a seguir, temos Porto à moda dos bifes. Sempre bom. Seja qual a receita, é sempre bom já que a matéria prima é do melhor que há.

🙊🙊🙊🙊🙊🙊🙊🙊🙊


sexta-feira, setembro 23, 2016

Pode estar na moda mas, sei lá, parece que não fazem o meu género.
(Mas, atenção, do vídeo e dos manos gosto)
E uns pequenos apontamentos diarísticos.




Ora sim senhor. Aqui um pequeno desabafo, se me permitem.

Tenho já nem sei quantos mails dirigidos à ujm para ler e responder, tenho artigos que me têm enviado e que gostava de conseguir ler, nestes últimos minutos tenho estado a ouvir o telemóvel a dar sinal, estou a receber mails de trabalho como se não houvesse amanhã (e isto quando já é amanhã) e estou cheia de sono e a pensar que devia ir pregar para outra freguesia porque daqui a nada tenho que estar a postos.

E acabo de ler no meu horóscopo para este mês que as grandes alterações que venho defendendo há que tempos quer a nível quer a nível profissional vão acontecer simultaneamente, ultrapassando as minhas mais loucas perspectivas. E que eu mantenha a cabeça no lugar para poder aceitar propostas tão inesperadas quanto emocionantes.

E eu que estou a meio de um mês que se está a revelar louco, tão irreais são as situações que atravesso -- que nunca esperaria viver nem nos meus mais loucos sonhos -- penso que isto dos horóscopos tem graça.

A última vez que ali o li, para aí em Junho ou Julho, nem sei bem, dizia que me iam surgir situações inesperadas e que eu me preparasse para me ver perante desafios novos ou convites ou lá o que era. E, caraças, aconteceram mesmo e eu enfiei-me de cabeça, atirei-me para a piscina, e agora aqui estou, sem ter para onde me virar porque tudo me cai em cima ao mesmo tempo e me vejo em situações em que há uns dois ou três meses nem ousaria supor que pudessem acontecer.

É bom mas, caraças, é de loucos, inimaginável, tudo em excesso e tudo ao mesmo tempo.

Portanto, onde o tempo ou a cabeça para responder a mails com a atenção que merecem ou ler artigos grandes ou que, pela sua natureza, requereriam disponbilidade? 

Por exemplo. Pelo natal recebi um mail de um ex-colega, dirijindo-se-me como sempre se me dirige, Minha muito Estimada Amiga, desejando-me o que se deseja nessas ocasiões e aproveitando para me contar as ideias que tinha em mente. E eu respondi com agrado por sabê-lo sempre tão criativo e motivado. Pois bem, recebi há dias um mail dele contando-me que o seu projecto estava a andar, uma coisa extraordinária e que tem o suporte da universidade e investidores e etc. e envia-me o documento do projecto pois, diz ele, sabe que vou gostar de conhecer. E tem razão -- mas eu nesta vida... Quero conhecer, claro que sim, já espreitei e é uma coisa do além, quero ler com cuidado para lhe responder também com cuidado -- e, à noite, aqui chegada, penso que devia deixar o blog e ir ler o documento. Mas porque escrever me descansa e, a esta hora, preciso de descansar, opto pelo blog. Mas fica a pesar-me a consciência.

Ontem recebi outro mail de um que em tempos foi meu chefe, uma pessoa adorável, e envia-me um filme dizendo que espera que eu goste. Mas o filme é tão grande... O mesmo problema.

Sobrancelhas descoloridas
Em vez de me pôr aqui diligentemente a ler tudo isto que me enviam, ponho-me a circular pela bela vida, a preguiçar lendo horóscopos e outras frioleiras.

Espreito os outros blogues, gosto sempre de ver em que pensam ou a que dão atenção as pessoas que gosto de seguir. Tão coerentes. Tirando um ou outro que são capazes de me surpreender, há, na maioria, uma coerência sustentada que os leva a serem capazes de, dia após dia, se manterem no mesmo registo. Tão diferentes de mim.

Quando vejo que a maioria dos blogues se encaixa em categorias penso que deveria ser impossível encaixar o Um Jeito Manso onde quer que fosse. Mesmo se escrevo sobre impostos, apetece-me desalinhar aquilo tudo metendo-lhe fotografias a despropósito pelo meio.

O que pensarão desta bagunça os meus leitores? Em média recebo mais de mil visitas por dia e, portanto, devo ter leitores de toda a espécie e feitio. Alguns devem achar que isto não tem ponta por onde se lhe pegue. E o mais certo é que tenham razão.

Mas pronto, não era em nada disto que eu ia falar.

by Gucci
Ia falar do que tinha visto na Vogue Paris sobre as últimas apresentações, as novas tendências, o que estava a fazer furor.

E eu... old fashioned, eu que gosto de ser tratada com beija-mão, 'Minha muito Estimada Amiga' e outras delicodoces gentilezas, olho para aquelas sapatolas lá em cima, todas esporeadas, homens tatuados na cara, cheios de anéis e adereços dourados, mulheres com lábios decorados com cristais de rocha, rostos que parecem desenterrados e vestimentas e penteados que parece que saíram de uma revista de moda das que a minha avó trazia de casa de uma amiga que papava toda a espécie de revistas... e fico a pensar que ainda bem que isto da moda é doença passageira.



Bolas. Não é que não seja bonito... mas consegue-se comer alguma coisa com uma boca destas?
E haverá algum homem que se arrisque a beijar uns lábios destes?

____________

E, por hoje, é isto. A quem queira ver uma deliciosa entrevista (vão ver... para verem o entrevistador a perguntar à Hillary como será se, por acaso, ela ficar grávida...) e uns pequenos apontamentos meus, sugiro que faça o favor de descer até ao post seguinte.

____________

sexta-feira, março 18, 2016

Sapatos encarnados


Agora que já falei da Dilma, do Lula, da Suzane e da Sandra, dita Sandrão e de outros perigosos amores, permitam que fale de sapatos vermelhos.


Num comentário a um post mais abaixo, o Leitor P. Rufino escreveu:  Sapatos de salto alto vermelhos...Nunca! Não entendo como uma mulher se pode julgar elegante usando-os. E eu, que tantas vezes concordo com ele, desta vez não posso estar em mais completo desacordo.

Mas, se me quiserem acompanhar, vamos em passo de dança: tango, mais propriamente. Te he visto pasar (com sapatos vermelhos, por supuesto):


Quando eu era pequena, coisa de três ou quatro anos, comecei a querer ter voto na matéria no que a escolha de sapatos se referia. E a opção era sempre a mesma: sapatos encarnados. Na altura, a oferta era escassa: sandália inglesa ou sapatinhos fechados e, claro, tudo nas cores naturais das peles ou, quanto muito, pretos ou azuis escuros. Nada às cores. A minha mãe conta que corria todas as sapatarias da cidade à procura de sapatinhos encarnados. De todos os outros eu não gostava, não queria. E, muitas vezes, depois de muito calcorrear as ruas comigo pela mão, acabava por descobri-los. 
Até estou aqui tentada a mostrar: estou sentada numa banqueta de fotógrafo, vestido com golinha de renda, cabelos levemente ondulados, pelos ombros, franja cobrindo a testa, mãos juntas no regaço, sorrindo (estou sempre a rir nas fotografias), os pés cruzados em baixo, meias curtas também de rendinha e, claro, sapatinhos encarnados, de camurça.
Depois disso, muitos outros.

Aliás, tirando talvez quando era adolescente, tenho ideia de que sempre tive sapatos encarnados. Geralmente de camurça.

Presentemente tenho três pares de sapatos encarnados. Não é que os tenha comprado ao mesmo tempo: não, claro. Só que, como estrago pouco os sapatos, vão-se juntando pares de várias gerações.

Tenho uns bem altos em encarnado vivo; outros com salto alto mas não tanto como os primeiros e numa camurça já vintage, com um franzido em cima que, depois, quase acaba numa espécie de pequeno folho no peito do pé, num encarnado que é mais bordeaux do que vermelho; e uns terceiros em camurça num encarnado vivo, debruados com um filet brilhante preto; esses têm uma sola preta de cunha de tamanho intermédio e prestam-se a um vestuário mais prático.

Claro que o uso de sapatos encarnados requer atenção ao vestuário e aos adereços. Se não houver cuidado, facilmente a mulher, ao andar na rua, poderá dar a ideia de que anda a fazer o trottoir.

Exemplifico com o que, por vezes, uso.

Por exemplo, posso usar calças justas de seda preta, uma blusa de decote em bico, branca com riscas fininhas verticais pretas, e conjugar esse conjunto com os sapatos altos encarnados. Usarei, então, um baton encarnado e um anel com pedra da mesma cor. 

Ou posso usar uma saia e meias pretas, uma blusa de seda bordeaux com bolinhas pretas e, aí, conjugar com os sapatos vintage no mesmo tom.

Ou, num registo mais informal, usar umas calças direitas, justas, pretas, com uma blusa preta com decote, um colar comprido encarnado, uns brincos da mesma cor, e conjugar com os sapatos encarnados debruados a preto, de cunha. Ou calças brancas, blusa branca com bolinhas encarnadas, brincos de bolinha pequena encarnada, e esses mesmos sapatos

E não acho que qualquer dos conjuntos fique excessivo ou deselegante. Aliás, gosto mesmo.

Não uso com muita frequência pois coisas mais vibrantes (digamos assim), para que não se tornem vulgares, não apenas têm que ser conjugadas com alguma sobriedade como a sua utilização não deve ser banalizada.

E embora no meu local de trabalho, que me lembre, nunca tenha visto nenhuma das outras mulheres com sapatos altos encarnados, não me sinto exótica ou despropositada quando os uso. Ou, se os outros acham isso, eu não dou por tal. E não dou porque, a bem da verdade, me estou nas tintas para o que pensem ou deixem de achar. Quando me arranjo, faço-o para ficar a meu gosto. E só não digo que isto dos sapatos encarnados é coisa que, provavelmente, está no meu DNA porque dizer isso, sim, é uma daquelas coisas que, de tanto ser dita, já se vulgarizou.

Mas, diga-se em abono da verdade que, porque gosto de andar com sapatos de cor, identicamente tenho sapatos amarelos, azuis claros, cor-de-rosa, verde seco, brancos, etc -- só que estes não existem em trilogia, tenho apenas um par de cada. Mas, claro, com nenhuns me agrada tanto como sobre os belos sapatos altos encarnados.
(E que ninguém, se faz favor, me deixe cá comentários a dizer que eu escrever isto é coisa de nova-rica porque não é, é é de coquette ou girly, o que quiserem).
___

E, se ainda não estiveram por lá, queiram, por favor, descer até ao forrobodó do Brasil. Casos de polícia, de justiça, de amores e desamores: há de tudo.

____

terça-feira, outubro 20, 2015

Mademoiselle Privé, um deleite para os olhos desta menina aqui que, adorando Chanel e batendo-lhe o coração à esquerda, se calhar merece mesmo o rótulo de esquerda caviar. Paciência.


Joguei há bocado no Euromilhões e, como vi que o Totoloto vai com jackpot, também joguei nele. Só faço apostas simples porque as probabilidades de sair qualquer coisa são tão ínfimas que tanto faz. Mas jogo porque, ínfimas ou não, só sai a quem joga e tenho cá para mim que um dia destes me vai sair. Com isto não estou a fazer publicidade aos Jogos da Santa Casa, estou, simplesmente, a confessar que me apetecia mesmo que me saísse uma rodada abastada de euros. Teria muitos destinos para os milhões, muitos -- tantos, tantos -- mas, entre eles, um seria o da roupinha Chanel. Gosto de tudo, tailleurs, vestidinhos, casaquinhos, tudo.

Enquanto não me sai, contento-me em ver os vídeos e a usar umas gotas de Chanel Nº5. 

Hoje, por acaso, usei uns sapatos de salto alto de camurça cor de rosa (porque usei uma camisa cor de rosa, com umas calças em preto) com a ponta em verniz preto e os saltos idem. Não são Chanel mas são tão bonitos que quase poderiam ser pois são o modelo clássico. Tenho outros em cinzento e preto, do mesmo género. Um dia os sapatos vão estragar-se e eu vou ficar desolada porque sapatos Chanel alike por um preço acessível não caem do céu todos os dias.

E, enquanto escrevo, penso que muitos dos meus Leitores devem franzir o nariz: toda gauche e depois toda maluca pela Chanel...? Pior: e a gostar de ostras fresquinhas, a saber a mar...? Ná... Não pode ser. Gauche que é gauche, se gosta dessas ignomínias, esconde essas fraquezas a sete chaves. 

Pois é, terão razão. Sou fraca. E imperfeita. Bué. Mas, ainda que mal pergunte, quem é que disse que uma pessoa que goste de modelitos couture, sapatos de salto alto e que gosta de se perfumar com o Nº5  tem que sentir afinidades políticas com o germânico Maçães, com o virgulado Duarte Marques e demais PàFs? Ora, era mesmo o que mais faltava.

Adiante. O vídeo abaixo ilustra bem o que é isso do charme discreto da burguesia, aquele mundo etéreo em que tudo parece flutuar envolto em elegância e suaves fragrâncias. 

Disclaimer: não é esse mundo que me atrai. Ia dizer que eu é mais bolos mas não, não estaria a ser verdadeira: eu é mais só, mesmo, as toilettezitas

Abertura da exposição Mademoiselle Privé na Saatchi Gallery



....

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.



quinta-feira, junho 25, 2015

Como se eu fosse a árvore e tu fosses um espelho -- [Uma história levezinha entre o poético e o erótico]


Depois de um dia de trabalho, a mulher foi a um debate seguido de concerto. São normais estes convites. O local não podia ser mais agradável. Um edifício apalaçado com um grande jardim mesmo no meio de Lisboa. 

No entanto, tinha estado com uma certa dor de cabeça. Tinha acordado de madrugada, tinha ficado com calor apesar da janela estar aberta. E as muitas reuniões do dia, umas complicadas, tinham ficado a desfilar na sua mente. Isso e outras coisas. Muita vida a decorrer em muito pouco tempo, muitas camadas de vida, umas visíveis, outras ocultas, muita canseira, muito livro para ler, muitas viagens por cumprir, e saudades, e incompreensões e preocupações, e, em cima de tudo, muito sono para pôr em dia; e logo, a meio da noite, o sono haveria de se evaporar.

Finalmente, já de manhã. adormeceu. Passado um bocado tocou o despertador e, obrigada a levantar-se de imediato, não conseguiu ter um despertar progressivo e, logo ali, a cabeça mostrou desconforto.

E foi em crescendo, ao longo do dia. Desabituada de comprimidos, foi esperando que passasse por si. Mas não passou.

Portanto, pouco antes da hora de sair da empresa para atravessar a cidade em direcção ao local do evento, hesitou. Pensou que devia era ir para casa, meter-se debaixo do chuveiro, comer um pêssego e um iogurte, atirar-se para o sofá e adormecer. Mas o programa e o local eram aliciantes. Foi à copa, preparou uma infusão. Sentou-se a bebê-la devagar. Sentiu que talvez estivesse a melhorar.

Foi à casa de banho, viu-se ao espelho, avaliou-se. As olheiras estavam fundas mas nada de dramático. Foi, então, ao gabinete, desligou o computador, avisou que ia sair mais cedo. Entrou de novo na casa de banho, passou uma sombra nos olhos, nos lábios um gloss em tom nude, passou o pente ao de leve pelo cabelo de modo a mantê-lo com ar despenteado. Despiu a blusa, ficou apenas com o top. Desceu à garagem, dirigiu-se ao carro, trocou de sapatos, os de salto alto normal por outros mais elegantes, mais altos.



E arrancou.

Na rua, deixou-se ir com a janela do carro aberta. O ar fresco da tarde sabia-lhe bem. Ajeitou o retrovisor e viu-se ao espelho. De repente, lembrou-se de uma coisa. Que esquecimento. Na estação de serviço mais à frente parou. Tinha uma fita preta, larga, na carteira. Apanhou o cabelo ao de leve com uns ganchos quase invisíveis e prendeu-o melhor com a fita a que deu um nó de lado, as pontas curtas espetadas, quase um turbante. Riu. Será que já não tinha idade para isto? Riu de gosto. Pensou: que se lixe. Arrancou, prego a fundo, a janela aberta.




Na rádio, a Callas interpretava o O mio babbino caro. Perfeito.

Quando saíu do carro, vestiu o blaser. Atravessou a rua. A sala estava cheia. Sentou-se numa das filas de trás. Debatiam a futuro da Europa, falaram da Grécia, uns a favor de uma valente lição a ver se aqueles malandros aprendem, outros que o problema é político e que é melhor não abrir a caixa de pandora. Tretas. O drama grego já a servir de entretenimento de fim de dia a gestores, empresários, advogados, jornalistas. Olhou em volta. Não viu jeito de estarem ali académicos, artistas, gente desempoeirada. Tudo executivos e a fauna que os rodeia. Uma maçada.

Levantou-se, então, e foi espreitar as salas em volta. A dor de cabeça tinha desaparecido. Sentia-se, de repente, aliviada, a cabeça leve. E toda ela se sentiu leve, livre.

Começou, então, a ouvir a música. Era chegado o momento musical. Então parou. A mesma música. Espreitou. Uma jovem cantava o que tinha vindo a ouvir no carro.

Em silêncio foi avançando pelas salas. Esculturas, pinturas, belos cadeirões revestidos a tapeçaria, pesados cortinados, um conforto requintado, uma decoração que preservado a riqueza de outros tempos.

De repente, sentiu-se observada. Um homem estava junto a uma janela mas, em vez de olhar para fora, olhava-a a ela. Sobressaltou-se. Colocou a mão no peito, como se querendo acalmar o coração. Disse: 'Assustou-me...'. Ele disse apenas: 'Não fiz nada'. Ela desculpou-se 'Sou eu, sou assustadiça e também não pensei que estivesse aqui alguém'. Ele disse: 'Se quiser, vou-me embora'. Ela sorriu, 'Que ideia'.

Então ele disse 'Estava a ver o jardim, daqui vê-se um recanto, a esta hora está bonito'. Ela aproximou-se, 'Que bonito, que paz'. Da outra sala chegava o canto, a luz que vinha da rua era uma luz coada, o jardim lá fora estava envolto em dourado: um momento perfeito. A mulher ficou ao lado do homem. Em silêncio. Depois, quando ela se virou para se afastar, o homem começou a dizer qualquer coisa em voz baixa, uma toada. Ela parou, pôs-se a ouvir. Aos poucos a sua pele foi ficando arrepiada. O homem, olhando o jardim, dizia

paraíso de espaços múltiplos
e velozes,
entranhado em mim como se eu fosse a árvore
e tu fosses um espelho que a árvore despedaçasse pela sua força
e no espelho eu, como uma imagem, fosse despedaçado,
brilhando.

A mulher ficou parada a olhar para ele. No fim, como ela o olhasse, em suspenso, ele disse: 'Herberto'. Ela quis sorrir mas estava quase emocionada, e surpreendida. 'E sabe de cor?'. Ele encolheu os ombros, 'Sei algumas coisas'.

Então ela aproximou-se e com ar zangado disse: 'Fez mal'. Ele admirou-se: 'Fiz...?'. Ela confirmou 'Muito mal'.

Sério, ele tentou perceber: 'E posso perguntar o que fiz eu de tão mau assim?'. Ela fez um ar ainda mais zangado, 'Não se faça de inocente. Fez mal e vou ter que o castigar'. Ele sorriu ao de leve, 'Assim? Castigo directo? Sem acusação? Sem culpa formada?'. Ela zangou-se ainda mais: 'Ora, não brinque com coisas sérias; acha que podia dizer um poema destes, num fim de dia destes, com uma música de fundo destas, a olhar pela janela para um jardim destes, e nada lhe acontecer...? Não brinque comigo...!'.

Então tirou a fita do cabelo, apeteceu-lhe sentir os cabelos soltos sobre o rosto. Encostou o homem à janela. Depois ainda ensaiou puxá-lo a si pela gravata mas, vendo o ar assustado dele, desistiu. Resolveu, então, tratá-lo bem. Chegou-se, encostou o seu corpo ao corpo do homem, sentiu que ele estava expectante, sem saber o que fazer. Ela não se importou com o espanto dele. Roçou o seu rosto pelo rosto dele, sentiu o corpo dele no seu, sentiu o calor que vinha do corpo dele, o perfume dele, deixou que ele sentisse o seu.

Depois afastou-se, virou-lhe as costas. Abriu a portada de vidro e foi para a varanda. Ele foi atrás e, cavalheiro, colheu uma rosa branca de um grande vaso; num gesto tímido, ofereceu-lhe.




Ela disse, 'Não pense que é por me oferecer uma rosa branca que está absolvido'. Ele olhou-a, 'Eu? Não penso nada. Deixei de pensar'.

Sedutora, ela brincava com a rosa, mas não abrandou, 'Quê...? Está a querer passar por inimputável...? Não... Vai ter que pagar, não pense...'. Ele disse: 'Grande foi, então, o meu pecado'. Ela assentiu, ar de caso, ' Foi. Foi mesmo. Vai ter muito que rezar'.




Depois afastou-se e virou-se para trás como que querendo, de novo, puxá-lo pela gravata, como se fosse uma trela. O homem hesitou. Ela largou-o. Ele ficou parado.

Ela avançou, entrou noutra sala, escondeu-se. Pouco depois, ouviu-o a entrar. Procurava-a e ela escondida. Quando ele saíu para outra sala, ela foi atrás dele. Via-o procurando por ela. Perseguiu-o. Ele inquieto e ela atrás, predadora.

Até que viu um outro homem, mais jovem. Disse, então, em voz alta para o diseur, que apanhou um susto: 'Então está com medo...? Anda a fugir de mim...?'. O homem disse 'Não, andava era à sua procura'. Ela disse, 'Não se arme em simpático, não pense que escapa ao seu castigo'. 

Ele riu, 'Pronto, rendo-me, faça o que quiser'. Ela disse, implacável, 'Ah pois faço... E sabe qual vai ser o seu castigo?'. Ele sorriu 'Não faço ideia'.

Ela empurrou-o para a sala onde estava o homem mais jovem e disse 'Vai ensinar-lhe um poema para ele também me dizer, quero que me digam poemas, ora à vez, ora em coro, baixinho, quase num sussurro. Quem disser melhor, ganha um presente'. O mais jovem, muito admirado, disse, 'Não sei se vou ser capaz'. Ela riu-se, ficava amoroso com aquele ar atrapalhado, o aprendiz. Ela tranquilizou-o 'Será, será. Cuidarei que o mestre seja paciente. E temos a noite toda para o ensinar'. E, maliciosa, olhou o diseur. Este corou. Ela sorriu e fechou-se lá dentro, com eles.



....

O poema é um excerto retirado de Photomaton & Vox de Herberto Helder.

"O mio babbino caro" da ópera Gianni Schicchi (1918), de Giacomo Puccini é interpretado por Maria Callas em Paris, Junho de 1963.

O vídeo, muito recente, é The AristoCrazy Collection, da campanha Outono/Inverno 2015 relativa aos elegantésimos sapatos de Giuseppe Zanotti.

____

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira.

(E não é que escrever esta historinha infantil me fez passar a dor de cabeça...? 
A sério. Passou mesmo. 
Ora aí está: quando tiverem uma dor de cabeça, nada de aspirina ou ben-u-ron: 
basta escrever uma história infantil. Boa. Já tenho matéria para um paper científico)

...

quarta-feira, agosto 20, 2014

Revistas femininas e horóscopos







Dantes, quando eu começava de férias e íamos com os miúdos para qualquer lado, a primeira coisa que eu fazia mal chegava ao hotel era ir à procura da tabacaria e comprar uma revista daquelas ditas femininas. Não me perguntem porquê. Era como se, estando de férias, me apetecesse fazer tudo ao contrário do que fazia em tempo de trabalho. Depois, em três tempos estava a revista lida e fim de história. Ficava a vontade de excentricidades (excentricidade por me permitir ser perdulária dessa forma) satisfeita até ao ano seguinte.

Depois, quando ia ao cabeleireiro, tirava a barriga de misérias. Aí lia de tudo, desde a Hola, à Caras, à Nova Gente, tudo a que conseguisse deitar a mão enquanto lá estava.

Entretanto, deixei de ir ao cabeleireiro. Deixei de ter paciência para desperdiçar o meu precioso tempo com idas ao cabeleireiro ao fim de semana e corto o cabelo a mim própria e, no que diz respeito a pentear, quanto mais despenteada melhor me sinto e, portanto, despenteada por despenteada, despenteio-me em casa que sempre é mais rápido e me sai mais barato.

Por isso, agora, revistas femininas só aquilo a que consigo deitar o olho enquanto estou na fila da caixa do supermercado.

Mas quem parece que herdou os meus velhos hábitos é a minha filha. Apareceu com a Vogue e ontem, no supermercado, deitou a mão à Lux Woman. 

Nada que ler mas anúncios engraçados, razoáveis produções de moda, apontamentos fotográficos com alguma piada. Uns sapatos Dolce and Gabbana de perder a cabeça, um verdadeiro ovo de colombo: na aparência, de longe, saltos altos finíssimos mas, afinal, estão dentro de outros transparentes mais largos, um salto que é um verdadeiro jardim de inverno. Que problemas resolveriam na calçada lisboeta e que bom andar devem proporcionar. E que beleza, senhores, flores preciosas all over.

Quanto custará uma obra de arte destas? Certamente para cima de uma fortuna. O jeito que me daria se as minhas finanças levassem um incremento dos valentes.


Tirando estas frioleiras, só os horóscopos.


Sou toda da lógica, dos números, vocês sabem: é essa a minha formação académica e a minha vivência profissional. Mas depois tenho umas derivas. Em tempos quis perceber se há alguma coisa racional que sustente a astrologia. Li e li. Pois bem: nada. Contudo há uma coisa daquelas em que se diz que contra factos não há argumentos. Quem se interessa pela coisa são os estatísticos. Estudos com séries longas e amostras muito representativas encontraram coincidências a níveis vários entre pessoas do mesmo signo. Sou capaz de ter o livro para aí mas agora não dá para ir à procura, meio mundo já está a dormir. Quem diz estatística, diz probabilidades e os estudiosos uma vez mais encontraram coincidências em eventos ocorridos ou formas de os abordar entre pessoas dos mesmos signos. Explicação científica? Nenhuma. Mas que encontraram, encontraram. E eu, nestas coisas, acho que talvez um dia a ciência descubra.


Não me puxa para o esoterismo ou para a parapsicologia, isso nada, zero, mas não fecho a porta a explicações futuras.

E assim sendo, o que li para mim, caranguejo dos quatro costados, foi:


Da Lux Woman

As suas finanças poderão registar um aumento, com a entrada de Vénus na área financeira. A Lua Nova de Virgem, a 25 de Agosto, poderá trazer-lhe novas oportunidades para viajar. Mantenha sempre em mente a sua casa e a sua família. Obrigatório: Reavaliar os seus objectivos. Data memorável: 21 de Agosto.


Da Vogue

Durante este mês os seus sentimentos vão estar voltados para o lar e para a família. A nostalgia que sentir ao rever aqueles velhos álbuns de fotografias vai ajudá-la a arrumar as memórias do passado. Pode também este mês encontrar aquela casa com que sempre sonhou. Siga a sua intuição, as suas reflexões e percepções pois neste tempo estará sintonizada com a ordem do Universo, que a ajuda a contactar com os seus sentimentos.


Gosto. Há coisas que batem certo:

Poderá trazer-lhe novas oportunidades para viajar - espero que sim, dentro de dias conto fazê-lo; ainda não sei para onde mas para algum lugar será.

Mantenha sempre em mente a sua casa e a sua família. Durante este mês os seus sentimentos vão estar voltados para o lar e para a família. - não é só este mês, é sempre, mas este está mesmo muito intenso.

Siga a sua intuição, as suas reflexões e percepções pois neste tempo estará sintonizada com a ordem do Universo, que a ajuda a contactar com os seus sentimentos. - também é sempre mas, especialmente quando estou aqui, in heaven, fundo-me com a natureza e sinto-me parte ínfima mas privilegiada do vasto universo


E há outras que seria bom que também batessem certo:

As suas finanças poderão registar um aumento - daria muito jeito. Comprava sapatinhos floridos para mim e para todas as meninas da família.


_


A música é Voodoo Child (Jimi Hendrix) na interpretação de Angelique Kidjo


__