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segunda-feira, março 17, 2025

O que pensa o Montenegro depois de, semanalmente, se ver demolido no 'Isto é gozar com quem trabalha'?
Não percebe que virou motivo de chacota nacional? Não percebe que está a enterrar o PSD? Não percebe que está a dar argumentos ao Chega? Não percebe que está a fazer mal à democracia e ao País?
Pergunto.

 

Numa situação destas, qualquer pessoa de bem, decente, com dois dedos de testa, apresentaria a demissão.

Não é o caso do pintas do Montenegro, sempre de sorrisinho pimpão: por aí anda como se não fosse nada com ele.

E a carneirada laranja acompanha-o, papagueando disparates atrás de disparates. Parece que não percebem o que está a acontecer.

Que impressão que isto me faz. 

sábado, março 15, 2025

Alguém consegue explicar porque é que ao grande Rangel deu a pica no day after?
Ao Rangel e, pelos vistos, ao Montenegro e, provavelmente, a todo o ex-Governo

 

Depois de a malta do Governo andar a baldar-se a reuniões europeias da maior relevância -- como as realizadas recentemente sobre o rearmamento da Europa ou sobre a guerra da Ucrânia (fosse para Montenegro ir jogar golf com o amigo Violas ou por outras razões lá deles) --, eis que, depois o mesmo ir abaixo, o Rangel resolveu armar-se em não sei o quê e apresentar-se em Kiev. Nem sei o que me faz lembrar. Vê-lo por ali a fazer não se sabe bem o quê só me constrange. É como se um noivo, depois de a noiva o ter rejeitado no dia do casamento, a seguir, todo lampeiro, se apresentasse para ir gozar a lua de mel. Figuras tristes.

É como a malta do Governo ter frequentado um curso sobre Transparência no dia a seguir ao governo ter caído por não merecer a confiança do Parlamento (por, justamente, o Montenegro ser tudo menos transparente ou confiável).

Falta de noção. Cenas muito macacas.

E, que nem de propósito, depois de eu, ontem, a propósito das dúvidas que, há uns meses, se levantaram sobre benefícios fiscais potencialmente indevidos por parte do Montenegro (quando fez aquela sua casa à beira da praia, com seis andares, seis casas de banho, elevador interior), ter referido a falta de transparência dele quando, num daqueles números em que é exímio, se tinha apresentado com um dossier cheio de papéis, hoje leio que, na realidade, não forneceu as facturas à PJ... Um artista. 

Muito transparente, de facto.

E li e ouvi também que a Câmara de Lisboa travou vistoria às obras nas casas de Montenegro em Lisboa, aparentemente feitas sem licenciamento (quando são obras que mexem com a estrutura do edifício ao abrir um buraco na placa de divisão entre pisos). Tudo situações muito transparentes...

[Não costumo ser cusca mas ainda hoje, ao ouvir comentar que ele deve ter uma grande fortuna para ter feito aquela casa exorbitante em Espinho e pouco depois ter comprado a pronto dois apartamentos no centro de Lisboa, fiquei curiosa sobre a sua declaração patrimonial]

O que é bizarro é vê-lo por aí, todo pimpão, com aquele sorrisinho cínico, como se os portugueses todos não olhassem para ele como o chico-esperto, o flausino, o habilidoso.

O trumpismo é uma virose que atravessa fronteiras e que contagia as pessoas mais vulneráveis, mais permeáveis à falta de vergonha.

sexta-feira, março 14, 2025

Sobre o beco ético

 

Marcelo não queria eleições, claro. Vai acabar coroado de dissoluções e de ingovernabilidades. Mas não pensou nisso quando dissolveu a Assembleia quando havia uma maioria absoluta. Tivesse ele aceitado Centeno como Primeiro-Ministro e não estaríamos onde estamos.

Mas, enfim, leite derramado.

Também achou uma burrice sem tamanho (burrice ou cavalice, como se queira chamar) o Mentenegro ter avançado com a Moção de Confiança. Mas não foi ele que andou com o Mentenegro ao colo até o pôr lá? Claro que depois percebeu que tinha feito mal, que o Luís não é flor que se cheire. Mas tarde demais.

Agora, na comunicação ao País, tentou alertar o País para que se o Parlamento tinha mostrado que não confiava no Primeiro-Ministro, não era colocando o Luís outra vez na berlinda que o problema ficaria resolvido. Como muito bem disse, quando se perde a confiança e quando o que paira é uma dúvida ética, nada a fazer. A mácula está e estará lá.

As notícias sucedem-se, todos os dias um jornal traz uma notícia nova e a conclusão vai sempre desembocar no beco ético a que Marcelo se referiu: Mentenegro é o típico videirinho, pequeno chico-esperto, daqueles que pensa que sabe como fazer para passar por entre os pingos da chuva, que sabe como usar as meias palavras  para que, quando vierem dizer que mentiu, ele  dizer que os outros é que não perceberam bem. 

Vai acabar mal, claro que vai. E não estou a rogar praga nem a fazer futurologia. Estou apenas a ser racional. Trabalhei parte da minha vida em modelos, frequentemente modelos previsionais, modelos que tinham por base estatísticas e probabilidades. Quando a informação chega até mim, mentalmente estabeleço correlações, vejo padrões, analiso desvios... percebo onde é que a coisa vai dar.

Um indício é coisa pouca. Da mesma forma que com dois pontos se traça uma recta, dois indícios já são qualquer coisa, já desenham uma linha de pensamento ou de actuação. E se com três pontos já se traça um plano, com três indícios o esquema começa a perceber-se. A partir de quatro pontos passamos para outras dimensões e o mesmo se passa com quatro ou mais indícios.

E depois há outra coisa: o que é verdadeiro, explica-se facilmente. Quando há mil explicações e quase todas, para parecerem muitas, já não são senão palha, a gente começa a perceber que alguma coisa está a querer ser ocultada. Se eu quiser mostrar as obras que fiz na minha casa, dou uma explicação clara e concreta. Se eu quiser ocultar, apareço com um dossier enorme cheio de papéis que, obviamente, numa conferência de imprensa vai ler. Só uma auditoria experiente, capacitada para perceber de construção e de contabilidade e de legislação consegue entender. Da mesma forma, se eu quiser explicar o que faz uma empresa minha, chego lá e explico: fazemos isto e aquilo, temos x clientes que são estes e estes, o que fazemos para cada um é isto e aquilo, facturamos tanto e tanto, a nossa estrutura de custos é esta, as contas de exploração e o balanço são estes. Tudo simples e clarinho. Mas, se eu quiser lançar a confusão, vou dizer que tenho um terreno com não sei quantos metros quadrados, com duas oliveiras e mais outro que se situa em Rabal e que tem isto e aquilo. E se eu quiser falar da minha idoneidade e da minha moral, vou para a frente das câmaras e sozinha, sem uma corte atrás, explico tudo direitinho, não vou dizer que montei uma empresa com uma estrutura, quando toda a gente sabe que uma empresa que faz consultoria jurídica não se monta com uma educadora de infância e dois filhos adolescentes, mesmo que um deles tenha jeito para a informática. E se eu fizer obras em casa, furando a placa, para transformar dois andares num duplex, não vou dizer que fiz o que tinha que ser feito, quando afinal parece que disse que eram obras interiores que não careciam de licença e não disse que ia mexer na estrutura do edifício. E falam os jornais também nas contas dos dinheiros que não batem certo e depois ninguém percebe ao certo se há para ali dinheiro não declarado ou o quê.

E se eu quisesse que não subsistissem dúvidas, pedia à Autoridade Tributária (ou porventura, também a outro qualquer organismo) que auditasse as contas da empresa. Pois se Mentenegro diz que nunca tirou de lá dinheiro nenhum, seria interessante que se comprovasse que não é de lá que sai o pagamento da água, da luz, das comunicações, dos combustíveis, da limpeza da casa, dos restaurantes, de viagens, um 'ordenado' da mulher, se calhar também um 'ordenado' para um ou para os dois filhos, quiçá uma 'renda' da casa, e sabe-se lá que mais. Se eu não tivesse nada a esconder, teria imediatamente fornecido a contas descriminadas da empresa.

E mostraria também, com o consentimento dos clientes, qual o trabalho efectivamente prestado. Seria interessante saber que trabalho é que a Solverde e demais clientes (como a gasolineira que pagou 230.000 € quando tem 12.000€ de lucro e, pelas contas do ano seguinte, parece que não beneficiou nada de tal trabalho) contratam para ser feito pela Inês Patrícia. Seria interessante não numa de voyeurismo mas, sim, para esclarecer tão bizarro mistério. 

Há um acumular de dúvidas que mancham a credibilidade de Mentenegro. Vota-se em alguém em quem se confia. 

Um político a sério, perante estas dúvidas, demitir-se-ia e tentaria provar, fora de cargos de poder, que é inocente e impoluto. Não arrastaria o governo, o partido e o País.

A dimensão de um homem (ou de uma mulher) vê-se, sobretudo, na forma como enfrenta os desafios: se é com verticalidade, de peito feito, com grandeza.

Mentenegro escondendo-se atrás da mulher e dos filhos, depois atrás do Governo, a seguir atrás do PSD, mostra ser um pequeno homem, alguém que não deveria estar na política.

O outro, que é gozado por todo o lado, roubava malas no aeroporto. depois continuou a dizer-se inocente e a manter-se no Parlamento. Este, a ser verdade tudo o que tem sido noticiado e não desmentido, joga num tabuleiro diferente, porventura mais rentável e um pouco, apenas um pouco, mais sofisticado. 

Só espero que a campanha que vai ser feita, em que mentem, mentem descaradamente, se gabam do que herdaram do Governo do PS (do excedente orçamental e dos projectos e trabalhos em curso, muitos dos quais interrompidos com a interrupção do Governo socialista), em que se vitimizam, seja desmascarada. Julgo que o mais eficaz será através do humor, através de memes que circulem nas redes sociais, que estejam nas ruas. 

 A política deve ser deixada para quem a executa com grandeza, com verdade, com honestidade, com verticalidade, com carácter. E não é o caso desta gente do actual PSD. 

quinta-feira, março 13, 2025

Fui ao ginásio e dei no duro, fui a uma bela Biblioteca, vi uma exposição de pintura, passeei à beira mar, fotografei garças e barcos, apanhei chuva, apeteceu-me lanchar mas contive-me, cheguei a casa já tarde mas ainda fui fazer sopa.
E agora vou imaginar que sou eu que estou aqui a dançar o tango e, para que não pensem que me esqueci do tema do momento, transcrevo um texto imperdível de Rui Bebiano no seu magnífico 'A Terceira Noite'

 

E, antes disso, ainda acrescento que já peso menos dois quilos e picos, ou seja, já estou na média para a minha idade e altura, mas que a balança inteligente e sobredotada (comunica-me os resultados por telemóvel, faz gráficos e diz-me em que ponto da escala me situo em relação a cada indicador) diz que ainda tenho alguma gordura corporal a mais. Não é muito, creio que uns 4 ou 5% a mais (tenho o telemóvel a carregar noutro sítio, não me apetece levantar-me para ir ver o valor certo), mas não quero. Só que ver-me livre dela não está a ser pêra doce. O ChatGPT diz que tenho que fazer mais exercício ou consumir menos calorias. La Palice não diria melhor. Só que é uma dor de alma não poder comer o queijinho pelo qual me pelo, tenho que me limitar a um esquálido quadradinho de chocolate preto sem pingo de açúcar. E a fruta, que eu se fosse eu comeria às carradas, agora está mesmo limitada a 3 míseras peças por dia. 

E o pior é que sei que, mesmo quando estiver no ponto, para assim me manter, terei que me manter assim, à míngua. Ora eu sou tudo menos vocacionada para me forçar a provações.

Enfim.

Bora mas é tangar.

No es por ti - Grupo Corpo (Lecuona)


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E agora é mal empregado colocar aqui um texto tão objectivo, tão exacto, como o que vou tomar a liberdade de transcrever na íntegra. Mas as coisas são o que são. O autor é Rui Bebiano, de que já antes aqui fiz referência, e escreve no blog A Terceira Noite que eu sigo religiosamente.

12 de Março de 2025

De forma simplificada, são dois os motivos principais que levaram à rejeição da moção de confiança e à próxima saída de Luís Montenegro do cargo de primeiro-ministro. O primeiro, mais invocado, tem a ver com práticas profissionais que colidem com o dever de exclusividade de quem detém cargos de responsabilidade no governo, por motivos acrescidos quem dele seja a figura principal. O segundo motivo, menos mencionado apesar de também importantíssimo, prende-se com o facto de a empresa envolvida, a Spinumviva, ser apenas familiar, não tendo sequer sede própria e corpos gerentes, dedicando-se basicamente ao tráfico de influências realizado sob a capa de «aconselhamento» em negócios privados.

Nada disto deveria ter acontecido, e, a ser revelado como foi, deveria ter conduzido de imediato à apresentação da demissão do cargo que LM ocupa. Todavia, não só tal não foi feito, como depois da triste novela pública vivida ao longo destes dias, o mesmo LM declarou pretender apresentar-se de novo a eleições e afirmou nada ter feito que «qualquer português não fizesse». Se assim acontecer, o PSD irá arrastar o país para uma situação de impunidade legal e ética premiada. Sabemos que em países como os Estados Unidos da América de Trump isto está a tornar-se trivial, mas, caramba, nós ainda vivemos no democrático país de Abril. Por isso de modo algum pode acontecer.

Nem mais. É isso mesmo. 

quarta-feira, março 12, 2025

O Mentenegro queria uma Comissão de Inquérito nini.
Ahahahahahahahaha

 

Quando a minha filha era pequenina, talvez ano e picos ou dois, quando uma coisa era pequena e nós, naquela forma que os adultos têm de usar diminutivos quando falam com crianças, dizíamos que a coisa era pequenina, ela reduzia a palavra e dizia que era nini. Uma vez, estava a chuviscar, uma chuvinha miudinha daquela de que se diz que é molha-tolos, e ela disse que estava uma 'chuva nini'.

Hoje, ao ver as cenas patéticas, ridículas, na verdade até absurdas, por parte do PSD a tentar, por todos os meios, impedir o escrutínio e propondo, em vez de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, uma conversinha de pé de orelha entre o Montenegro e o Pedro Nuno Santos ou uma Comissãozinha a jacto, de 15 dias, só me apeteceu dizer que vá brincar às CPIs ninis lá para a terra dele.

Haja paciência.

Ou melhor. Já não há paciência.

Montenegro já era.

Alô, alô Hugo Soares! Diz que 'o povo percebeu tudo'. Ah percebeu, percebeu... oh se percebeu... Percebeu que o Montenegro meteu o PSD no bolso e, com isso, arrastou a Assembleia e o País para uma crise

 

Continuem nesta senda e vão ver o que os 'Portugueses' -- com que tanto enchem a boca -- pensam. Já que não têm cabeça para perceber por vocês, esperem pelas eleições.

PSD: tudo patético. Agora o que me fez confusão foi o silêncio do Rangel

 

Não vi tudo, longe disso, mas, do que vi, estranhei não aparecerem nomes com algum peso a sair a terreiro a defender o Mentenegro.

Por exemplo, o Rangélico, sempre tão frenético, esteve tão caladinho porquê?

Todos aterrados com a linda proeza que o Mentenegro armou, é certo. Mas ele, sempre tão palrador, não conseguiu soltar um pio...?

terça-feira, março 11, 2025

Sei muito bem o que é o RGPD (Regulamento Geral de Protecção de Dados). Deu trabalho antes de entrar em vigor, em 2018. Depois disso, salvo uma ou outra questãozeca pontual, é como se nem existisse. Uma empresa gastar 54.000 € por ano com outra empresa -- quando tem equipa jurídica interna -- é a modos que um mistério.

 

Antes de 2018 as empresas focaram-se a fundo nos processos em que se 'mexe' em dados pessoais. Todos os processos tiveram que ser 'mapeados', tudo teve que ficar documentado. Como as empresas continuavam a trabalhar, contrataram-se empresas externas para entrevistar pessoas, para documentar, para avaliar da necessidade de usar dados pessoais (de clientes, de fornecedores, de colaboradores ou potenciais colaboradores, etc). 

Devo dizer que fui responsável pelo tema, a um nível 'macro', digamos assim, em várias empresas.

A partir do momento em que o RGPD entrou em vigor, em 2018, com tudo conforme -- o regulamento da empresa exposto nos respectivos sites, os formulários referindo que a aceitação de algumas condições teriam implícita a aceitação das regras, etc,, etc. -- o tema deixou de dar trabalho e chatices.

Agora, caso surja algum novo processo, o que em empresas já estabilizadas pouco acontece, segue-se o guião estabelecido e garante-se a conformidade. Contudo, vamos supor que há alguma queixa, alguma denúncia, de que há algum uso indevido de dados pessoais -- aí, geralmente, nas empresas há um DPO (Data Protection Officer) que avalia a situação e, em caso de dúvidas, o departamento Jurídico avalia melhor. Só em casos bicudos se pede parecer ou apoio externo.

Ora, se bem percebo, a Spinumviva recebe cerca de 11.000 €/mês (divididos por 4 avenças) por serviços relacionados com os dados pessoais que, na prática, não percebo ao certo o que são.

Montenegro, fazendo o que lhe é habitual, entra em pormenores que servem para empatar, para atirar areia para os olhos, descrevendo as funções de um DPO ou a lista de tarefas que aparecem descritas em termos de RGPD. Até o RGPD entrar em vigor, todos nós andámos às voltas com aquelas descrições. A partir de 2018 percebeu-se que a montanha tinha parido um rato. Portanto, é mais do que certo que na Spinumviva ninguém faz, mensalmente, nada do que ele para ali desfia.

Nota: Isto não quer dizer que o RGPD não valha nada. Vale. Por exemplo, o Facebook, se pegar em dados dos seus utilizadores e os vender a outras empresas, deve avaliar bem se nas cláusulas que as pessoas aceitaram (mesmo que as não tenham lido) está explícita a autorização para isso. Caso contrário, estará a usar indevidamente dados pessoais e deverá ser multada. Identicamente, se uma autarquia vender ou 'ceder' dados dos munícipes (morada, números de telefone, consumos, etc), sem autorização destes, a uma qualquer empresa, estará igualmente a infringir o RGPD. As grandes sanções que a violação do RGPD pode desencadear têm como fundamento situações gravosas deste tipo. 

Agora uma empresa normal, bem gerida, com os processos bem montados e documentados, em que ninguém usa dados pessoais de ninguém para usos indevidos, nem se lembra, e bem, do RGPD.

NOta: No título falei dos 54.000€ a título de exemplo (é a verba que, segundo as notícias, a Solverde paga à Spinumviva).

segunda-feira, março 10, 2025

Quando Paulo Portas fala em nome dos portugueses baseia-se em quê? Fez uma sondagem só para ele?
A que propósito enche a boca para dizer: 'Os portugueses não percebem' ou 'Os portugueses não querem'?
Ele, que nunca conseguiu nada enquanto líder partidário, sabe lá interpretar o sentir ou o pensar dos portugueses...

 

E depois, tendo engolido a cartilha da equipa de comunicação de Montenegro, o forever irrevogável Portas põe nas mãos do PS a decisão de não haver crise. E a entrevistadora, a simpática Andreia Vale, esquecendo-se de ser jornalista, não foi capaz de lhe dizer que está equivocado pois quem tem nas mãos essa decisão é o Montenegro que foi quem entregou uma Moção de Confiança, fadada à rejeição. Ele que a retire.

Só palhaçadas. 

Sinto falta de políticos sérios, cultos, eticamente irrepreensíveis, corajosos, com visão. 

Tirando alguns, poucos, que se encontram mais ou menos retirados, certamente fartos da cambada que por aí anda a trocar tintas, a vender banha da cobra e a poluir o espaço mediático, só se veem alguns decentes que parece que não conseguem falar suficientemente alto para se fazerem ouvir sobre o permanente ruído da marabunta.

Caraças.

Vou fazer zapping (vou em busca do 'Isto é gozar com quem trabalha'). Eu ainda consigo fazer algum esforço para ouvir o Portas e demais aves papagaias que por aí andam a papagaiar, mas o meu marido fica furioso, não está para ser aturar quem atenta contra a inteligência alheia.

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E transcrevo um comentário, pertinente, e que já aqui tinha sido deixado há dias:

Volto a uma pergunta anterior: porque razão o site da Assembleia da República deixou de publicar os registos de interesses?

É ir ao site, escolher o nome de um deputado. Vê-se quantas legislaturas fez, as comissões a que pertence, a biografia, e no cantinho direito está lá uma ligação para os registos de interesses. Se tiver feito várias legislaturas vemos em que sociedades tinha quotas ou lá o que eles entendem que deve ser publicado. Abre-se para esta legislatura e zero. Porquê?

Aqui fica a dica. Alguém sabe responder?

domingo, março 09, 2025

Uma palavrinha e um conselho aos desesperados do PSD a propósito da longa manus e do alter ego de Luís Montenegro

 

As televisões têm estado encharcadas de papagaios e começámos a perceber que os inteligentes da equipa de comunicação do PSD pariram um aborto mas, sem perceberem que o nado-morto infelizmente não tinha pernas para andar, puseram os ministros e os caceteiros com ele ao colo. 

(Imagem mais triste. Não vou aprofundá-la muito mais.)

Mas, ainda assim, deu para perceber que a ideia peregrina é atirar o enrolo criado pelo Montenegro para cima do PS. 

Como o PSD é assim -- um saco de gatos que, quando toca a reunir e a defender os lugares a que se alaparam, unem-se a sério e papagueiam a cartilha que lhes distribuem -- nem querem saber da triste figura que andam a fazer e repetem as parvoíces que os da comunicação engendraram.

Mas eu, que estou de fora, daqui lhes envio a verdade-verdadinha que a malta do lado de cá, os votantes, apreenderam:

1 - O PS deixou passar o programa de Governo

2 - O PS safou a macacada em que o PSD se envolveu ao não conseguir, sequer, eleger o Presidente da Assembleia da República

3 - O PS deixou passar o OE 2025

4 - O PS não deixou passar a Moção de Censura que o Chega apresentou, salvando o Governo

5 - O PS não deixou passar a Moção de Censura que o PCP apresentou, salvando o Governo

6 - O PS avisou profilaticamente que não deixaria passar uma Moção de Confiança, avisando que era sensato que o Governo não fosse por aí

7 - Tendo o PSD provocadoramente -- ou numa tentativa patética de evitar uma Comissão de Inquérito -- apresentado uma Moção de Confiança, o PS veio publicamente sugerir ao Governo que retirasse a Moção

Portanto -- branco é galinha o pôs -- o PS não pode ser, de forma alguma, responsabilizado pela crise que Montenegro está a provocar. Clarinho como água.

Se Montenegro e demais tropa fandanga insistirem nessa narrativa patranheira estarão apenas a demonstrar ao País aquilo que já todos sabemos: para além de tudo, padecem de uma grande desonestidade intelectual.

E a desonestidade intelectual em cima de todas as notícias que têm vindo a lume -- e não desmentidas -- que dão conta de esquemas e mais esquemas (sendo que o escrutínio de alguns  eventualmente poderá vir a passar para a alçada do MP), é coisa que costuma indispor severamente os eleitores.

Recomendo a leitura do inequívoco texto O caso Montenegro (7): A empresa "avatar", de Vital Moreira, cuja leitura integral recomendo e onde se lê, por exemplo: 

- não tendo nenhuma autonomia em relação ao seu fundador, a Spinumviva não era mais do que uma metamorfose na apresentação externa daquele, um "avatar" do advogado Luís Montenegro, para continuar a sua atividade profissional e beneficiar do seus proventos.

- a Spinumviva é uma ficção de sociedade comercial, sendo verdadeiramente uma longa manus ou um alter ego de Montenegro.

- Esta extraordinária declaração de Luís Montenegro, de que «não fez nem mais nem menos do que faz qualquer português» é uma confissão implícita. Na verdade, como escrevi no início deste "caso", aquilo que muitos profissionais liberais fazem - que é criar empresas pessoais/familiares para prestarem os seus serviços em nome delas, serem pagos através delas e beneficiarem de redução de impostos e da imputação de despesas pessoais - podia ser feito pelo advogado Luís Montenegro, mas não podia ser continuado pelo PM, sob pena de violação da exclusividade a que está obrigado e de conflito de interesses, entre o interesse público que lhe cabe de prosseguir e os interesses económicos dos clientes que lhe pagam as generosas avenças.  Ao contrário do que defende Montenegro, o PM não pode fazer o que "qualquer português" pode fazer, quanto mais não seja por uma questão de ética política, que neste caso foi manifestamente posta na gaveta.

Aqui chegados, eu poderia elencar todas as irresponsabilidades, incompetências e descaramentos em que o Governo Montenegro tem sido pródigo. Poderia até dizer que se cair, não se perde nada. Mas não é isso que agora está em causa. 

O que está agora em cima da mesa é que, fruto das trapalhadas do Montenegro (repito: do Montenegro, exclusivamente do Montenegro) e da impossibilidade de as defender, este está a atirar o País para uma crise que, muito provavelmente, nos vai atirar para novas eleições.

Ora, face ao desespero em que vejo as hostes do PSD, o que sugiro é o seguinte:

Hipótese A

a) O Montenegro, se é homenzinho (reparem que não falo em homem, não peço tanto, falo apenas em homenzinho), deve apresentar uma Moção de Confiança interna (isto é, no PSD), de votação anónima

b) Mais do que certamente, essa moção será chumbada. A malta do PSD por vezes parece que não tem os alqueires bem medidos (muito sinceramente, com todo o respeito, (sic), deixem que diga que, ao quererem atirar as culpas da cagada em que o Montenegro se deixou afogar para cima do PS, parecem completamente parvos), mas não são burros de todo. Por isso, devem estar furibundos, sentindo-se fornicados de todo com o caldinho do Montenegro e só por pudor não correm com ele a pontapé. 

c) Com o tapete tirado pelo PSD, Montenegro terá forçosamente que se demitir.  

d) Com o Montenegro de volta a Espinho, Marcelo poderá perguntar ao PSD se quer apresentar algum nome para Primeiro-Ministro. Havendo um, talvez a legislatura consiga arrastar-se por mais algum tempo

Hipótese B

Em alternativa, Marcelo, se resolver lembrar-se que ainda está em funções, pode chamar o Montenegro e dizer-lhe que já chega, que antes que se descubram mais cegadas, é melhor que desampare a loja, que vá enrolar clientes para Espinho. E pode chamar o que ainda se mantiver de pé do PSD e perguntar-lhes se há lá alguém que se aproveite para Primeiro Ministro.

Claro que os timings são curtos, que não somos como os ingleses que num dia votam e no dia seguinte os vencedores já estão a tomar posse, tudo na base de atar e pôr ao fumeiro. Mas, ainda assim, em querendo, alguma corda aos sapatos talvez se pudesse dar

Errata: Lá em cima, na alínea b da Hipótese 1, enganei-me a escrever uma palavra. Como sou uma pessoa bem comportada, aqui está como deve ser: caguada. Assim já não estou a dizer nomes feios.

sábado, março 01, 2025

Marcelo sente-se enrodilhado, sem saber o que fazer no CASO Montenegro?
-- Depois de o ter levado ao colo até S. Bento, agora não sabe como livrar-se dele?
Uma dupla cujo final político é triste

 

Note-se: até ver, com o que se sabe, o caso Montenegro é político. Falta de ética, violação do princípio de não conflito de interesses, encobrimento, aparentemente não respeitar a obrigatoriedade de não receber rendimentos de outras fontes que não a de ser Primeiro-Ministro. Embora já se fale no possível interesse do Ministério Público em fazer umas certas averiguações. Mas não é essa vertente que, para já, aqui me traz.

Se o tema fosse criminal, eu diria, como sempre digo, que o Montenegro seria inocente até prova em contrário. Os julgamentos fazem-se nos tribunais e não na rua.

Mas o tema a que me refiro é de confiança, respeito, dignidade, moral, ética. E aí, sim, a avaliação de um governante em exercício é feita, em primeiro lugar, na rua. Claro que, também, na Assembleia da República (mas, a primeira aproximação veio pela mão do Chega e chegou prematuramente, quando ainda não se sabia da missa a metade, pelo que a moção de censura foi chumbada).

Claro que há também a questão da (in)competência e, aí, a menos que se trate de casos deveras graves que requeiram a intervenção da Assembleia da República e do Presidente da República, a avaliação deve ser feita nas urnas, no tempo devido.

Mas, volto a dizer, não estou a falar nem da competência nem de questões criminais. Estou a falar da questão da 'percepção', tão cara ao Montenegro. E aí há que ajuizar qual a percepção que a 'malta', em geral, tem da sua idoneidade, da sua credibilidade, da sua honorabilidade. Se a malta em geral, de forma unânime (só o ouvi o Núncio a defendê-lo e isso não conta -- e, ainda assim, foi uma defesa mais abstracta do que dele), o vê como um chico-esperto, um videirinho que pensa que pode disfarçar as coisas que faz com conversa da treta, areia para os olhos ('um terreno com duas oliveiras', por exemplo), com habilidades jurídicas (ainda por cima mal feitas, nulas), então que condições tem Montenegro para se manter como Primeiro-Ministro?

Já antes tinha ouvido o Lobo Xavier dar-lhe um par de machadadas fatais. Mas este sábado vi o Miguel Morgado, um ferrenho militante e quase acéfalo defensor de tudo o que vem do PSD, enterrar de vez o Montenegro. O que ele disse deixou-me estupefacta. Se o Miguel Morgado se refere a Montenegro como um político medíocre ou diz que é impossível um primeiro-ministro pedir escusa seja do que for, não sei quem vai apoiá-lo caso ele queira manter-se em funções.

É uma chatice haver uma crise política numa altura destas. Claro que é. Ninguém a quer. Mas mais 'chato' é ter um primeiro-ministro sem credibilidade, em quem os portugueses não confiam.

sábado, dezembro 21, 2024

Alô, alô Presidente Marcelo Rebelo de Sousa! Vai permitir que o Mentenegro e tutti quanti do mesmo calibre continuem a envergonhar os portugueses, a semear um clima de desconfiança e a enlamear a boa imagem de Portugal?

 

Ontem, pelo que devem ter percebido, não vi televisão nem li notícias. 

Pois bem, eis que hoje, ao conectar-me ao mundo, sou surpreendida com uma imagem infame: não sei quantas pessoas, uma rua inteira, de mãos contra a parede. 

Nojo.

Inaceitável.

Uma vergonha.

Acho bem que a polícia ande na rua a impedir o tráfico e o consumo de droga a céu aberto. Acho que isso deveria ser constante. Constante, repito. Mas de forma discreta. E a par com a garantia de que há lugares para que os consumidores de drogas pesadas possam ser encaminhados para salas de chuto e, desejavelmente, tratados e acompanhados.

De resto, todo o policiamento, seja pelo tráfico de droga, seja pelo furto ou ou por outras práticas indevidas deve ser proporcional às necessidades, discreto, digno, humano. 

O que as imagens demonstram é o oposto de tudo isso. O que as imagens mostram é inaceitável, é uma violência, é um ultraje.

Por ter autorizado e defendido o que se passou, Montenegro devia ser demitido de imediato. É um perigo para o País. Nas mãos desta criatura -- que parece ser excessivamente propensa a fazer coisas estúpidas, socialmente não aceites e humanamente intoleráveis --, este não é o Portugal bom, ameno, feliz, tolerante, inclusivo que conhecemos e amamos. 

Presidente Marcelo, ponho cobro a isto de imediato.