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quinta-feira, setembro 08, 2022

As longas pernas da ex-Primeira Dama

 



Tem 54 anos, 2 filhos um dos quais já com 21 anos. Mede 1,75m e tem olhos azuis. 

Foi Primeira-Dama entre 2008 e 2012. Foi modelo, excelentíssima. Foi atriz. E canta. Já vendeu alguns milhões de álbuns e já recebeu vários prémios

Politicamente define-se como sendo de esquerda. O facto de ser casada com Sarkozy e de sempre o ter defendido não lhe abalou as convições políticas.

Aos 54 anos, Carla Bruni não receia mostrar-se como é: uma mulher sensual, uma mulher livre e cheia de vida.


Estas e outras fotografias foram feitas em Veneza pela fotógrafa Emmanuelle Alt

terça-feira, julho 27, 2021

Killing Kittens
O erotismo no feminino -- ou quando, na festa dos corpos, as mulheres é que dizem como é

 


Em tempos não muito remotos eu alimentava o secreto desejo de me dedicar a uma actividade profissional pouco confessável. É uma actividade legal apesar de ser socialmente pouco recomendável. 

O meu marido achava (e acha) bem e creio que me incentivará bastante nesse sentido.

Contudo, o tempo vai passando e tenho a sensação que vou perdendo o élan. Estou a ver que nem presidente da câmara nem esta outra coisa.

Tenho em mim um lado muito prático e, o mesmo tempo, talvez já por deformação profissional, muito virada para o bom negócio. Trabalhar para aquecer só aqui mas isto não é trabalhar, é distrair-me, é descansar a cabeça. Mesmo nos meus hobbies gosto de produzir. Tenho inúmeras carpetes feitas em legítimo ponto de arraiolos e réplicas de desenhos originais do séc. XVII e fi-las não apenas com o grande prazer que retiro de fazer trabalhos manuais mas também com a consciência de que estava a fazer coisas de valor. Também fiz durante anos camisolas de tricot ou mantas de crochet porque não encontrava a meu gosto por valor equivalente e sabia que não apenas estava a ter gosto em fazê-las como estava a fazer peças únicas e mais baratas do que arranjaria no mercado. Deixei de fazê-las quando as zaras desta vida (para as camisolas) e os gatos pretos (para as mantinhas) apareceram com oferta de qualidade a valor razoável, deixando as minhas peças de ser competitivas.

Por isso, para a minha actividade eventualmente por vir, tenho na minha cabeça que, antes de me entregar a ela, terei que avaliar se poderei ser bem sucedida e, também, se há quem me possa ajudar a progredir. Quando falo em ajudar, falo em termos profissionais. Não sei bem como mas admito que faria sentido ter um agente que seria remunerado em função do meu revenue

Trata-se, como deve dar para perceber, de uma actividade que me é estranha em absoluto. Nunca fiz nada, nem de perto nem de longe, nestes domínios. Mas, com a minha matriz profissional sempre a querer impor-me a atenção aos fundamentals, só avançarei depois de conhecer os caminhos a percorrer, depois de ter o know how mínimo necessário e depois de ter antecipado que o resultado será favorável. É aquilo de apenas investir depois de ter o business case sólido e bem estruturado. Ora tudo isso requer tempo e esforço, e, com o tempo a passar e eu ainda presa ao meu emprego tradicional, não sei se vou ter tempo e disponibilidade para isso.

Mas veremos. Não vale a pena antecipar.

Prezo o valor intrínseco das mulheres e acredito que não deveriam ter que disputar o seu lugar seja onde for. Não acredito na superioridade masculina (tal como não acredito na feminina) nem aceito que haja espaços que lhes estejam sonegados. 

Claro que, junto da elite intelectual, a igualdade de oportunidades ou de direitos das mulheres já não é tema. Mas a elite é isso mesmo: le beau monde. Fora desse escol, mesmo em meios cosmopolitas supostamente detentores de mentes abertas, acha-se que há um mundo natural dos homens e um mundo natural das mulheres. E, ao falar-se nisto, lá vem à baila a ideia de que o mundo natural das mulheres é primordialmente o mundo da família, da criação dos filhos, da casa. Enquanto isso, segundo essa visão, que é ainda a visão dominante, o mundo dos homens é o mundo do trabalho fora de casa, seja no trabalho, seja na política, seja no desporto ou no lazer em geral.

Salvo as elites intelectuais, em especial nas grandes cidades, o mundo do sexo ou do erotismo em geral é ainda um mundo predominantemente masculino, quer na produção e distribuição de produtos (sejam filmes, objectos ou locais de prazer) quer no que se refere ao seu consumo. 

Ora estou em crer que não há por que ser assim. As mulheres estão numericamente em maioria e são tão ou mais sensíveis ao erotismo e à ousadia do que os homens. Aliando a isso a de que são naturalmente mais disponíveis para o consumismo do que os homens, temos que há um imenso mercado por desbravar.

Ou seja, creio haver mercado para que as mulheres se afirmem assertivamente neste mercado, quer como produtoras quer como consumidoras. 

Por ser assunto que me interessa, fico especialmente agradada quando percebo que actividades que se situam nesses ambientes são lideradas por mulheres e que, imagine-se, estão a bombar. 

É o caso das Killing Kittens

The KK Group’s brands empower women from the bedroom to the boardroom. We create experiences—both online and offline—that inspire the next generation of independent women.

Killing Kittens was founded in 2005 by Emma Sayle in response to demand from young, independent single girls and couples who needed something more. The world’s most exclusive, decadent and hedonistic parties were created, fully focused on the pursuit of female pleasure. Girls remain at the forefront…in control, knowing what they want whilst also empowering adventurous couples the world over.

Since 2005, Killing Kittens has evolved and expanded beyond organising parties. An online community of over 100,000 women, gentlemen and couples has been formed – chatting, flirting and socialising all over the world.

Durante o confinamento, as Killing Kittens viraram-se para as festas virtuais mas, agora que (um bocado incompreensivelmente) a liberdade já foi decretada lá por terras de Sua Majestade, as festas esgotaram. Tal como aos tempos de guerra se sucedem tempos de farra, celebração com libertinagem à mistura, parece que o mesmo vai acontecer depois da era covid. Enquanto em casa muitos casais vêem a sua relação corroída e as separações disparam, os corpos parece estarem ansiosos por partir à aventura, à descoberta de novas sensações, de novos parceiros, de novas experiências.  

Festas de mulheres, nos quais os homens são os convidados das mulheres. Aposto que é o paraíso para eles. Estarem numa festa de mulheres desinibidas, serem voyeurs e jouets, creio ser o sonho de grande parte dos homens. E para elas, sentirem-se livres, poderosas, terem a primeira e a última palavra, poderem pôr e dispor dos homens, é também porem o pé naquilo que deve ser o paraíso.

Não sei se sou suficientemente ousada para participar numa festa destas mas gostaria muito de lá fazer uma reportagem: fotografar, fazer perguntas, mergulhar na devassidão e liberdade daquele ambiente.

Enquanto isso não acontece vou mas é ver se mantenho viva a chama da minha segunda vocação para ver se, daqui por algum tempo, me dedico de corpo e alma ao que, se calhar, é aquilo para que nasci.


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Carla Bruni interpreta, uma vez mais, a Femme Fatale.
Encontrei as fotografias que usei ao longo do texto na net relacionadas com as Killing Kittens.
Também encontrei estes dois vídeos.




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Desejo-vos um dia feliz
Enjoy.

quinta-feira, abril 29, 2021

Abaixo os soutiens, abaixo os saltos altos! E que vivam os rabos-de-cavalo

 



Já aqui aflorei: o confinamento alterou alguns dos meus hábitos. Hoje de manhã, quando estava a tomar o pequeno almoço, já vestida e pronta para sair a seguir, dei-me conta de que me tinha esquecido do soutien. Foi coisa que me caiu em desuso durante o confinamento. E, no entanto, os que uso são confortáveis.

Agora são confortáveis.

Contudo, durante anos usei soutiens que não me eram confortáveis. Usava o número que achava que era o meu, recusando-me à racionalidade. Como sempre, privilegiava a estética e nem me ocorria que deveria dar atenção ao conforto. Já o contei: ia a Madrid uma meia dúzia de vezes por ano e, sempre que ia, não passava sem ir à Calle Serrano, nomeadamente a um belíssima loja de lingerie. Perdia-me com belos balconies, soutien.gorges e por aí vai. Rendas elegantíssimas, cores suavíssimas ou estonteantíssimas. Escolhia tendo por único critério a beleza.

Quando chegava ao fim do dia, ao despir-me, frequentemente tinha um vinco à volta. O meu marido dizia que não sabia como é que eu aguentava e eu dizia que nem sentia. E era verdade. Mas um dia, estando a passear à noite no Algarve, uma vez mais deixei-me tentar pela lingerie. O meu marido disse: porque não experimentas um número maior? Achei que não ia ficar bem mas resolvi pedir à simpática empregada se me podia ajudar a encontrar o tamanho ideal. Ela mediu-me em várias dimensões e em várias frentes de batalha. No fim, disse qual o tamanho em número e letra para se ajustar à largura de costas e à dimensão do seio, ou seja, à copa ideal. Tudo diferente do que eu costumava usar. Aliás, nem nunca me teria ocorrido aquela combinação. Foi buscar-me um modelo com aquelas características e, ao provar, foi uma epifania. Vi-me ao espelho e estava ajustado na perfeição. E um conforto total. Foi como se mil anjos me rodeassem, tal o bem estar. Saí do provador como se me tivessem libertado de cilícios que, de tão habituada, já nem me dava conta de que poderia viver sem eles.

Desde aí, são desse tamanho de costas e copa que uso. Olho para os anteriores modelos, belíssimos, como peças de museu. Os que agora uso são também bonitos mas, como não voltei à loja da Serrano, daquelas obras de arte nunca mais voltei a encontrar. Mas isto para dizer que os que agora uso já não me causam incómodo.

Mas, durante o confinamento, desabituei-me. Parece que são peças inúteis. A vantagem dos soutiens parece-me hoje, sobretudo, a de poderem ser uma protecção contra episódios não controlados como a gente ter frio e estar a usar uma blusa fina. Tirando isso, só se for também a questão da blusa ter alguma transparência.

Mas, portanto, lá tive que ir ao quarto despir-me para colocar o soutien,

Outra são os ténis. Cada vez me apetece mais andar de ténis. Ao ver que, mesmo em cerimónias de tapete encarnado já há quem os use, ainda mais vontade tenho de um dia destes aparecer a preceito e com ténis. Ponho-me a pensar nos inconvenientes e, para dizer a verdade, parecem-me suportáveis. Qual o pior que me pode acontecer? Olharem com espanto? Cortarem nas costas? Bah, quero lá saber. Não sei é se os que tenho fazem toilette. Tenho uns em verde-seco-azeitona que farão pendant com os verde-seco que tantas vezes uso. Mas os azuis são práticos demais. Os azuis escuros estão velhos demais. Os turquesas, demasiado informais. A minha mãe diz que gosta de ver os vídeos de uma brasileira que faz aconselhamento de looks e que ela diz que ténis em sociedade só se forem brancos. Por acaso, gosto de ténis brancos mas tenho ideia que só num look mais casual. Tenho que experimentar. Agora nem tenho nenhuns brancos. Tinha uns com um vivo cor-de-rosa mas eram mesmo de verão e já estavam tão gastos que os deitei fora.

E, nesta de mudança de hábitos por via do confinamento, há outra coisa em que já comecei a ousar mas, por enquanto apenas em videoconferências: estar de rabo-de-cavalo. Gosto imenso de estar com o cabelo apanhado mas, para o trabalho ou em situações menos informais, sempre usei o cabelo caído. Quanto muito, parcialmente apanhado. Agora mesmo rabo de cavalo, não. Pois bem. Agora, volta e meia, quero lá saber. Usei e senti-me bem.

Resta saber é se, levantando-se isto do teletrabalho obrigatório e voltando-se à rotina diária de casa-trabalho-casa, vou voltar não apenas a conseguir estar o dia inteiro num gabinete numa torre de vidro como a estar de soutien, saltos altos e cabelo caído.

Com tanto abaixo-assinado completamente estúpido e fútil, porque será que ainda ninguém se lembrou de lançar uma petição a proibir a existência de qualquer femme fatale ou outras personagens da era pré-covid?

Eu assinava já por baixo.

#Free the lusitano nipple. 

#Free the feet. 

#Free the ponytail

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A Kate Moss está aqui apenas porque há imagens dela para ilustrar qualquer situação e a Femme Fatale da Carla Bruni está porque a sua voz de veludo condiz com algum pensamento subjacente por parte de quem, aí desse lado, está a ler esta conversa.

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E um dia feliz

Saúde. Alegria. Liberdade aos mamilos.


sexta-feira, dezembro 04, 2020

Conto de Natal: o lobo e a gatinha

 


A gatinha anda por aí. Branquinha e cor de mel. Silenciosa. Apanha sol, desliza por entre as flores, disfarça-se por entre as sombras, oculta-se em plena luz. Existe e isso chega-lhe. Quando se espreguiça sabe que é feliz e essa é a felicidade maior, a que não precisa de ser procurada. Por vezes brinca. Brinca às escondidas, a gatinha. Foge, espreita, vigia, tem vontade de se aproximar mas também tem vontade de fugir, e hesita. Hesita, hesita. Esconde-se. Brinca. Não diz nada. À gatinha nunca ninguém ouve uma queixa, não é disso. É mais de virar as costas e dar um bye. Mas fica de longe, a espreitar. A esperar. A querer aproximar-se. 

Escuta, confunde-se com o silêncio. E espreita. Observa. Talvez pense. Ou talvez não. Não é de pensar, é mais de sentir.

Mas, na sua inocência de gatinha feliz, ela sabe que o mundo não é bem assim, não é só o muro em que se deita ao sol, os carreiros por onde se esgueira entre as árvores, os pássaros que por ali andam. Não, não. Ela sabe que há perigos.


Muitas vezes pensa que, se fosse de pensar, pensaria no que faria se o perigo acontecesse. Ocorre-lhe que não sabe. Não sabe pensar nem sabe o que pensaria se pensasse. Por isso não se defende. Nem se atormenta. Se fosse outra a sua natureza talvez se amedrontasse com pensamentos envoltos em medo: Ai... Se surgir um lobo... o que farei? Assustar-me-ei? Morrerei de aflição? Esconder-me-ei? Desafiarei o lobo? Ou esperarei que ele se decida e só então verei? 

E o lobo? O que faria o lobo? Assustar-se-ia com a doçura da gatinha? Teria coragem de atacar quem parece nada temer?

Talvez o lobo tivesse vontade de chamar a gatinha. Mas não sabe o seu nome. Se quiser chamá-la, talvez se limite a fazer bschhh, bschhhh, bschhh. De que outra forme a chamaria? Apenas com o bater do seu coração? Talvez o lobo pense que, se tivesse dois corações, assim a gatinha o ouvisse. Assim, não ouve. Então, entre respirações, talvez ensaie o tal chamamento: bschhhh, bschhh. 

A gatinha fará de conta que não ouve. Gosta de fazer que não percebe, gosta de se fingir desinteressada. 

Talvez o lobo se deite, silencioso, disfarçando o tremor que lhe nasce da ansiedade, talvez em surdina balbucie bchhh, bschhh, bschhh. Os olhos luzindo na noite, a respiração ofegante, o lobo quer mas não quer, quer mas não quer. 

Que faria ele se estivesse perto da gatinha? Não sabe. Não sabe lidar com gatinhas despreocupadas, felizes. Receia que a gatinha quebre o seu coração em dois. Ficaria, então, com dois corações mas incompletos, despedaçados.

Recuará, certamente, o lobo. Hesitará. Os lobos são seres literários, uivam em silêncio na calada da noite, são seres solitários, preferem viver nos sonhos, nas páginas dos livros, preferem a companhia das palavras. São seres dúplices. Atravessam os caminhos frios e sombrios em que não há vivalma, escondem-se onde ninguém os pode ver, vivem em grutas, são vultos, confundem-se com vultos, desdobram-se em vultos. São obscuras emanações da noite. Desconhecem a voluptuosidade do sol sobre a pele, desconhecem a alegria de pouco mais saber do que viver sem pensar.

Mas o lobo é também um ser atento e cultivado, sabe que é natal. E, então, armado em bonzinho, anda um pouco mais, rasteja por entre as ervas húmidas da noite, o bafo morno transformado em fumo, quase deslizando por entre as silenciosas sombras da madrugada, põe o peito a descoberto para que melhor ela lhe arranque o coração, mostra as patas cheias de cicatrizes, quer que a gatinha saiba que já foi ao fim da noite. Depois aproxima-se ainda mais e sussurra: rom-rom... rom-rom... rom-rom...

Quanto à gatinha não vou nem dizer qual a reacção. O conto é de natal mas convém que tenha algum suspense, pelo menos para poder ter continuação.


Miaaaauuuuuuuuuuuuuu.....................................

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E um dia feliz para todos, sejam vocês gatas, gatos, lobos ou lobas.

sábado, novembro 02, 2019

O problema dos homens.
-- Conselhos de uma mulher fatal a homens que não atinam --





Para escrever um post a sério sobre o tema eu deveria pensar um pouco antes de escrever. Ou, então, fazer uma lista, depois sistematizar ideias, eliminar as irrelevantes, hierarquizar as relevantes. Mas isso seria pedir-me demais e eu, como é sabido, poupo-me.

Portanto, vai em estado bruto e talvez possam fazer o favor de relevar se for notório que a explanação sobre o tema teria merecido edição.


E o tema tem a ver com o facto de que, volta e meia, ouço ou leio por aí umas coisas sobre o problema das mulheres. Escrito por homens, claro. E não há uma única vez em que eu ache que o que esses homens dizem é acertado ou que revela que, quem o diz, percebe alguma coisa de mulheres.

Assim, tomo a liberdade de deixar aqui uns brevíssimos apontamentos para ajudar os homens que por aí andam à nora sem conseguirem atinar, sem conseguirem seduzir e manter seduzida uma mulher. 

Não vai por ordem de importância, vai à medida do que me for lembrando. Leiam, por favor, meus Caros, como conselhos a seguir quando estiverem perante uma mulher que queiram impressionar. E leiam este perante em lato sensu: não precisa ser presencial, pode ser virtual. E estou, obviamente, a admitir que gostariam de seduzir uma mulher interessante, daquelas que dão luta, não uma totó que vai em qualquer cantiga.

Então, com vossa licença, aqui vai.

Regra de ouro: um homem não deve pôr-se com teorias sobre mulheres. Se o fizer, estará automaticamente a demonstrar que é daqueles que atira ao lado. É que não há teorias sobre mulheres. Há chalaças, há parvoíces, há graçolas, há tentativas ingénuas por parte de aprendizes mal sucedidos. Teorias não há. Por isso, o que devem fazer é confessar a sua profunda ignorância sobre as mulheres. E devem interiorizar isto de forma muito profunda para que se perceba que o que dizem é autêntico. 

Outra regra, também de ouro: faça a mulher o que fizer, não devem, em circunstância alguma, mostrar que acham que é um déjà-vu, não devem sequer deixar transparecer que pensam que é típico. Nunca. Cada mulher é única. Cada reacção de uma mulher é única. Não há termo de comparação, não há semelhança possível com qualquer outra reacção, com qualquer outra mulher. Portanto, se o homem for inteligente, deve manter-se atento porque está perante terreno desconhecido e não há previsibilidade possível.

Regra certamente também de ouro: de modo algum pode o homem mostrar que está com medo da mulher. E que não se pense que claro que não mostram porque a verdade é que mostram. Podem achar que a mulher não percebe esse medo mas claro que percebe. O que mais se nota num homem que está perante uma mulher que gostaria de seduzir é que está a tactear, que está a medir o efeito do que se está a passar, que procura sinais de aceitação. Ora isso pode ser-lhe fatal. Uma mulher -- e claro que falo por mim -- não tem paciência para homens que avançam com pezinhos de lã, com medo de pisar algum ovo, mostrando que recuarão ao primeiro sinal de desaprovação. As mulheres, cada uma à sua maneira, apreciam a ousadia, a insolência, a coragem.

Regra não menos de ouro: homem que seja homem e que queira agradar a uma mulher jamais deverá pôr-se em bicos de pés, jamais se porá a falar de si próprio como se isso fosse motivo de algum interesse. Aliás, homem que é homem se quer despertar interesse numa mulher não pode falar muito. Nem pensar em pôr-se com teorias, evocação de memórias ou relato de sucessos ou fracassos. Nada disso. Pelo contrário, deve ouvir, deve pressentir, deve genuinamente mostrar interesse no que a mulher estiver na disposição de revelar.

E uma outra regra, tão de ouro como as demais: a erudição (verdadeira ou pseudo) servida a granel, o desfiar de referências -- os filmes, os livros, as músicas, os lugares, os vinhos, os charutos, as lojas ou as marcas, etc. --, mesmo que envoltas num estudado spleen ou enunciadas com ar blasé, são uma charopada e aguentam-se uma ou duas vezes. À terceira, o homem já entrou em derrapagem e os patins serão inevitáveis.

E para acabar -- e não porque não haja mais a dizer mas, apenas, porque muito ensinamento cansa a inteligência dos homens -- mais uma regra de ouro: homem que só sabe falar a sério, achando que tudo o que diz é importante, homem que não sabe passar uma rasteira a uma mulher, deixando-a a rir, divertida com o inesperado e bem doseado humor, homem que não sabe ser cavalheiro, simpático, mostrando ser capaz de um igualmente bem doseado toque de genuína meiguice, não é homem que mereça que uma mulher se deixe seduzir por ele.

Etc.

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E um conselho suplementar, um plus: é bom que saiba um poema ou, pelo menos, uma linha de um poema para, no momento certo, quase em silêncio, sem exibicionismos, coisa mesmo vinda da alma, tentar um golpe de sorte. E, repare, eu disse tentar. É que, nisto, não há nada garantido e esse é um outro conselho: é indispensável que saiba que nunca, mas nunca, pode tomar alguma coisa por garantido. 

[Ou seja, o homem tem que ser capaz de se manter em permanente estado de graciosa e elegante ignorância, sempre disposto a surpreender-se, sempre disposto a olhar para uma mulher como se ela fosse a primeira, a única mulher]

I carry your heart

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E, note-se, não estou apenas a dar bons conselhos para que homens que falam, falam, falam mas que não conseguem seduzir mulher que se veja acabem a noivar e a casar: não, são conselhos úteis para qualquer situação, para trazerem sal, pimenta, saúde e alegria à vida.

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Ilustrações de Coby Whitmore ao som de Femme Fatale na voz sensual de Carla Bruni 
(que me levou a inscrever a palavra fatal no título, como se se aplicasse a mim o que claramente não se aplica já que sou é muito santinha)

😘

quarta-feira, março 16, 2016

Dos Passadiços do Paiva a Lisboa, num dia longo, longo, quase tão longo como este post quilométrico


Tenho que começar que referir que, por me ter posto a responder aos comentários, já estou atrasada e, portanto, a partir daqui vai ter que ser sempre a abrir. Esta terça-feira saí cedo de casa e regressei por volta das 9 da noite: um dia dos valentes, quase sem interrupções. E agora que já jantei (felizmente, ontem à noite tinha deixado já a sopa feita e o peixe pronto), já estive a escolher a roupa para amanhã já que ainda de madrugada tenho que me pôr a caminho -- porque centenas de quilómetros me separam do local onde vou passar parte do dia -- e não consigo às cinco e tal da manhã estar a ensaiar toilettes. Ou seja, esta quarta-feira vai ser outro dia dos jeitosos e, por isto tudo, que ninguém me leve a mal se hoje não conseguir dizer nada de jeito ou se, para me poupar, o post de hoje for mais imagens do que paleio. 

Agora estava a escolher música para me acompanhar enquanto escrevo e andei por Mozart, por Schumann, por Vivaldi e nada me estava a agradar, queria uma coisa mais básica, uma coisa levezinha, lenta, uma voz calma, (apetece-me sossego) e, vá lá saber porquê, apeteceu-me ouvir You belong to me na voz sussurrada da Carla Bruni. Não tem a ver com isto mas, então, fazer o quê se é isto que agora me apetece ouvir?


Há bocado estava numa sala atapetada, móveis do melhor que há, numa sala toda envidraçada que dava para uma das colinas de Lisboa. E, com os meus interlocutores à minha frente, fui observando, por trás deles, a evolução da luz sobre o belo casario de Lisboa.

As casas acompanham o declive da colina, e as paredes e os telhados vão-se sucedendo como numa aguarela de Carlos Botelho. Aos poucos foi entardecendo, a luz esvaía-se, as luzes foram-se acendendo e, por fim, era de noite, só as luzes. Parecia um cenário em mutação. E eu ia-me lembrando de que um dia antes eu via umas outras colinas à minha frente mas não colinas, serras verdes, diluindo-se no azul e nas brumas. Enquanto ouvia as discussões ou participava nelas pensei que não sei se sou a mesma quando mudo de geografia. Parece-se que o meu mundo de vez em quando sai da rota habitual e entra numa outra onde continuo a viver normalmente mas numa outra vida. Depois mudo de órbita e volto a entrar no mundo anterior, sempre normal mas outra.

Um bocado estranho, isto. O que me vale é que não sou dada a grandes divagações senão ficava a magicar nisto, ia à procura de filosofias onde pudesse encaixar esta 'cena' ou desatava a folhear livros a ver se descobria uma certa página onde um qualquer maluco tivesse passado por uma experiência paranormal do mesmo género. Como sou esta simplória que aqui têm, deixo esses arroubos para gente erudita e fico-me pelos meus pensamentos mal alinhavados.

E, portanto, vou mas é deixar-me disto e vou ao que aqui me traz hoje. Ou melhor, ao que está pendente desde ontem: os Passadiços do Paiva. As fotografias são demais, eu sei mas passem por elas a correr se vos chatear. A questão é que, com a pressa com que estou, é-me mais fácil ir colocando do que pôr-me a olhar a ver qual deixo e qual não deixo.

Pois bem. Manhã cedo, eis-nos a caminho. Uma das entradas é na Praia Fluvial do Areinho e foi por lá que nos fizemos à escalada. Talvez se tivéssemos entrado pelo Espiunca a coisa fosse mais branda. Mas não faz mal, ficámos a saber que somos uns atletas -- e isso, como diz o outro, 'não é mau; não é mau'


A água é límpida e fresca. Mas, embora apeteça ficar já por aqui, iniciamos a expedição. Primeiro vai-se por uma estradinha de terra batida mais ou menos ao longo do rio.


Encontrámos grupos, jovens, e um ou outro casal mais como nós. Ou seja, que ninguém ache que isto não é para i: é para toda a gente (desde que tenha boas pernas e bom coração).

Depois começa o passadiço. É um corredor de madeira, com tábuas laterais também em madeira. O perfume aqui é doce, muito agradável: é o cheiro da madeira macia, é o cheiro dos pinheiros, dos eucaliptos, da urze. Tão bom, tão bom.

O passadiço vai-nos levando ao longo do rio e começa a subir.


Por onde vamos andando, a paisagem vai variando. Ora mais escarpada, ora mais florestada, ora campos verdes onde ovelhas meditam, tranquilas na sua sã existência.


Uma nascente canta e salta, a água transparente, e elas felpudas, brancas e tranquilas, sem entusiasmos como o meu.


À medida que vamos caminhando, começamos a reparar no que nos espera. Como uma fita que mal se vê, o passadiço desliza ao longo da encosta, subindo, subindo. Cherchez le passadiço na fotografia aqui abaixo.


À medida que a subida começa a apertar, penso que espero bem que aquilo esteja bem preso à rocha. Acho que deve estar porque não abana, parece bem preso, mas, de qualquer forma, fotografei para mostrar ao meu filho. Digo que isto deve ser uma obra de engenharia complicada e o meu marido diz que coisas destas se fazem desde sempre. E, de facto, isto faz-me lembrar as escadas de madeira para os templos budistas. Ou se não for para os templos budistas é para uma coisa qualquer do género.


Já estamos cá em cima, o rio já lá bem em baixo, uma paisagem linda que só vista, o sol a aquecer, as pernas já a sentirem-se. Fotografei aquele passeante aqui abaixo para se ter uma melhor perspectiva do que se vê.


E há troços em que quase parece que estamos suspensos sobre as águas mas já quase mal se ouve o bater nas pedras pois já começamos a estar perto do céu.


E há varandins onde apetece ficar sem pensar, sem dizer nada, só ouvir, sentir os cheiros, não pensar. Penso: num dia de frio e neblina deve ser bom aqui estar -- trazendo um termo, beber um chá, sentada num degrau e contemplar o que é esta terra que habitamos.

Mas está sol e calor e eu limito-me a beber água e a continuar a subir.


E subimos e subimos e continuamos a subir, mais degraus do que o Bom Jesus ou esses santuários que foram postos lá bem em cima para testar a fé dos crentes.  Parece que estamos a subir para uma casa na árvore. O coração começa a bater mais apressadamente. Não se sabe se é paixão pela beleza da paisagem se é de tanto e tanto e tanto degrau.


E subimos e subimos, o rio cada vez mais estreito lá em baixo, um fio de azul no meio do verde e nós a subir, a subir.


E a ponte de pedra lá em baixo já parece um arquinho e vêem-se zonas de verde transparente e há fundões e perigos e parece que somos pássaros e que podemos voar


Os pássaros cantam, estonteados, tanto oxigénio deixa-os libertos de peias, o perfume das árvores e dos arbustos é intenso e o rio é azul quando as águas correm e branco quando saltam sobre as pedras.


E estamos alto, muito alto, e agora chegamos a uma estradinha cá em cima, nós já no céu, cansados, alegres como os pássaros, e o cansaço passa logo, as pernas já estão outra vez mais leves e a beleza é tanta, tanta, que penso que não sei como vou passar sem ela.


E então entramos noutro troço, diferente, a água cor de esmeralda, o rio estreita-se, há desníveis, pequenas rochas no leito e a água irrequieta, feita espuma, e as rochas da encosta por vezes cobertas de amarelo, e tudo tão eterno.


Os matizes do verde, do azul profundo, as rochas brancas, o canto dos pássaros. Como transmitir tudo isto a quem não tem a possibilidade de aqui vir?


O passadiço começa descer para junto ao rio que aqui é verde, requintado.  

E aqui o meu marido começa a dizer que o melhor é voltarmos para trás senão não vamos ter pernas para fazer o percurso inverso. O passadiço inteiro são 8 quilómetros e, na ponta, há táxis para levar as pessoas de volta ao carro mas resolvemos não nos estafarmos para lá da conta.


Esqueci-me de dizer que, pelo caminho passámos pela Garganta do Paiva, de onde a água jorra branca e fragorosa,


E há uma varanda de onde se vê esse jorro de água e de onde a vista é maravilhosa; e há escadas e mais escadas e há árvores que dão sombra e eu fotografo e fotografo, encantada com tanta, tanta beleza.


E depois regressamos e a descer já não há memória do cansaço, só há uma leveza de alma. E espero que tenha ficado dentro de mim uma reserva de beleza que me ajude a atravessar outros dias, dias mais cinzentos onde a minha vista não alcança lonjuras e onde não há pássaros que cantam com uma alegria que vem do princípio dos tempos.

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Não vou conseguir rever o que escrevi pois estou com sono e daqui a nada tenho que estar a pé. Se as vírgulas estiverem a levantar voo ou as palavras se tiverem perdido entre as margens do Paiva, relevem, por favor.
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Quem queira testemunhar o deslumbramento que senti quando cheguei à Serra da Freita e vi aquelas belas vistas e me cruzei com animais em plena liberdade, a minha visita à Serra da Freita e seus lugares mágicos, às Igrejas, Santas e Freiras  da Vila e, finalmente, à bela vila de Arouca, é só seguir os links.

E, se o fizerem, espero que fiquem com vontade de lá ir. porque eu já estou com vontade de lá voltar.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

sábado, setembro 12, 2015

Dona Cavaca ponha os olhos na Carla Bruni: veja como ela mudou de profissão e se está a sair tão bem


No post abaixo tenho Cate Blanchett, bela, divertida e glamorosa. 

Aqui, agora, continuo com uma outra mulher que quase poderia ser definida da mesma forma. 

Já foi Primeira Dama e continua descomplexada e bem disposta como sempre foi. Falo de Carla Gilberta Bruni Tedeschi, mais conhecida como Carla Bruni, nascida em Turim e actualmente com 47 anos.


O vídeo, que parece destinar-se a incentivar a vontade de mudar de vida, não é senão publicidade preparatória para abrir caminho a um novo modelo de automóveis Ford. A questão é que parece que Carla Bruni não consegue ser completamente credível e tem sido motivo de brincadeiras e chacotas de toda a espécie na internet. 

No entanto, presumo que os publicitários agradeçam já que o vídeo tem sido visto e revisto e isso é o que lhes importa a eles. Foi colocado há cerca de 2 dias e já vai com mais de 321.000 visitas.

Não me admiraria nada que a Dona Cavaca, a nossa quase Presidenta, inspirada na Dona Sarkozy, nos aparecesse, um dia destes, a fazer uma publicidade maluca a cereais para facilitar o trânsito intestinal, a moldes para cuecas ou a uma outra coisa qualquer.


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E sigam, por favor, para Cate Blanchett, essa mulher cheia de classe e de charme.

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PS: Estou aqui roidinha de todo por não ter visto a banhada que, pelos vistos, Catarina Martins deu no irresponsável do Passos Coelho. Porque é que o debate entre aqueles dois não foi em canal aberto para eu me ter divertido? Assim tenho que me ficar pelo que vou lendo por aqui e por ali.


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quinta-feira, dezembro 18, 2014

Valérie, a mulher abandonada que escreveu 'Obrigada por este momento' (o livro que Hollande não queria que ela escrevesse)


No post abaixo já festejei. Andava sem saber que era feito do meu Lombinha dos Briefings e não é que acabei de o ver? Está na mesma, benza-o Deus.

Mais abaixo ainda, fiz-me eco de anedotas, safadices, brejeirices e terapices de casal

Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, a  conversa é outra.


L'amour - pela voz de uma ex-Primeira Dama

Carla Bruni, a antecessora



Tenho andado a ler o livro de Valérie Trierweiler, a ex-companheira do galã Hollande que, como é sabido, a trocou pela actriz Julie Gayet.


Andava curiosa por conhecer Valérie, 49 anos, esta mulher com quem a França nunca estabeleceu uma relação empática pois sempre a viu como uma arrivista, aquela que se intrometeu entre François Hollande e Ségolène Royale, a mãe dos seus quatro filhos.

Valérie sempre teve um sorriso que parecia forçado, sempre mostrou uma pose altiva e sempre apareceu aos olhos da opinião pública como uma mulher possessiva (a ponto de a tratarem por Rottweiler) que se tinha colado a um político com ar de homenzinho vulgar que, como por milagre, ascendeu a presidente de França.

Tendo conseguido chegar até ao Palácio Presidencial, Valérie não chegou a aquecer o lugar. Nem dois anos tinham decorrido e já a traição de Hollande com Julie aparecia exposta na capa dos tablóides - ainda por cima, uma coisa ridícula, o Hollande à porta da amante, de capacete para não ser reconhecido. A imprensa do mundo inteiro acompanhou a cena em tempo real: os comprimidos tomados por Valérie, o internamento por esgotamento nervoso, as crises de choro e fúria. 


E, pouco depois, ouviu-se falar do livro, Obrigada por este momento. Parecia daquelas mulherzinhas que, traídas e de cabeça perdida, tudo fazem para dar cabo da vida ao ex e à nova consorte.

Li, na altura, que ela fazia revelações que o deitavam por terra, mostrando-o como uma criaturinha egocêntrica, parva, fútil, mentirosa.

Balançando entre achar que o livro não devia ser coisa que se aproveitasse pois não devia passar de uma vingançazita vulgar, e uma cusquice difícil de controlar, quando vi o livro à venda, folheei-o para ver se me convencia a deixar lá ficá-lo. Mas não. Trouxe-o mesmo.

O livro não está extraordinariamente bem escrito, o que me causa admiração. Valérie tem estudos e é jornalista e, ultimamente, para evitar constrangimentos, tinha deixado de escrever sobre política, área na qual era especializada, para passar a escrever sobre livros. Seria, pois, de esperar uma prosa mais escorreita. Mas também não é horrorosa, note-se. Bem pior é a escrita de José Rodrigues dos Santos, por exemplo.

Mas, para além da forma como escreve, há a linha condutora da narrativa que é um bocado caótica. Ela vai escrevendo à medida que as coisas lhe vão vindo à memória e, portanto, o livro não é sequencial e vê-se que é escrito com a emoção à flor da pele e sem grandes cuidados de revisão e edição.

Ainda assim é um livro que prende, tanto mais que fala sobre factos recentes, fala de um presidente em funções e fala dela própria, revelando-se de uma forma muito genuína.

Quando acabar de ler, contar-vos-ei. Para já, entre muitas outras coisas, fiquei a saber que Valérie provém de uma família extremamente pobre, mas mesmo muito pobre, e que, extraordinariamente, conseguiu sair do círculo de pobreza que geralmente aprisiona os muito pobres e conseguiu estudar, ganhar o gosto por ler, e evoluir, sempre trabalhando, muitas vezes sofrendo. Impressionou-me o episódio que contou relativo ao dia, um primeiro dia de aulas, em que, tendo verificado que os sapatos tinham deixado de lhe caber, teve que levar calçados uns sapatos largos do irmão e que, nos intervalos, ficou sentada, com a mala em cima dos pés, envergonhada, a chorar.

Fiquei também a saber que, a pedido de Hollande, tinha deixado o seu trabalho na televisão, ficando apenas com o trabalho no Paris Match (ou seja, tinha renunciado a dois terços do seu rendimento) e que, ao ser posta fora da vida do presidente, receou pela sua autonomia financeira, tendo este lavado as mãos. Pôs-se então a escrever o livro não tanto para ganhar dinheiro mas como catarse. Pensou que ia vender bem mas nada do que se tem vindo a verificar, nunca imaginou que fosse o best-seller internacional que está a ser. Imagino que fique rica com os proventos deste livro e fico contente por isso. A lembrança dos tempos de extrema pobreza estão ainda muito presentes na memória de Valérie.

Hoje, ao fim do dia, fui a uma feira de livros e, por acaso, dei com um pequeno livro sobre Ségolène Royale.


Lê-lo-ei a seguir. Não que queira compará-las tanto mais que, justamente, essa comparação atormentou a relação entre Valérie e Hollande, mas, depois do que estou a ler, fico também curiosa em relação a essa outra mulher que igualmente se enfeitiçou por aquela figurinha por quem eu não daria um chavo.

Entretanto, descobri uma entrevista muito recente, com menos de um mês, à BBC, na qual Valérie Trierweiller fala abertamente pela crise pela qual passou. Achei interessante e, por isso, aqui a partilho convosco. Imagino que não tarde esteja de volta à televisão pois tem uma presença forte e, por ela e pelos filhos, tomara que isso aconteça.



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NB: Muito gostaria ainda de poder escrever sobre o importante passo no sentido da normalização de relações entre os EUA e Cuba mas já não dá, o tempo não estica. Mas aqui deixo nota da minha alegria.
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Relembro: sobre o Lombinha e o chefe e o regabofe da televisão e sobre cantadas, disputas e outras cenas que requerem uma boa terapia de casal é favor descer até aos dois posts seguintes.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira.
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