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quarta-feira, janeiro 15, 2025

Alexandra Leitão para Lisboa: mais um tiro no pé de Pedro Nuno Santos?

 

Quando escolho um Presidente da Câmara para nele votar, tento adivinhar se a pessoa tem pedalada para a exigência da função, se é uma pessoa de acção, se é pragmática, se é pessoa com sentido prático para resolver os mil problemas do dia a dia, se é pessoa com mão firme, se é pessoa com sensibilidade e bom senso. E etc.

A mulher de um presidente de Câmara dizia-me uma vez que é uma ocupação deveras ingrata pois a pessoa pode fazer inúmeras coisas boas, estruturais, a pensar no futuro, e todo irrepreensível, mas se uma pedra estiver solta na calçada as pessoas não pensam em todo o bem que ele fez e vão acusá-lo de não ter mandado arranjar a pedra que se soltou no passeio. Acredito que sim.

Não é qualquer um que consegue, ao mesmo tempo, ver ao longe, ver ao perto, ter atenção a quem quer espetar-lhe uma faca nas costas, ser empático, não se deslumbrar com elogios, não se ir abaixo com críticas, e, no meio da barafunda, sem muita conversa fiada e muito foco, seguir em frente e fazer o que tem que ser feito.

Se eu tivesse que escolher um candidato a Presidente da Câmara de Lisboa, assim de repente, sem ter pensado no assunto, não sei quem escolheria. Talvez um João Galamba desse um belíssimo Presidente da Câmara de Lisboa. Acho que sim, que daria. Ou o ex-ministro Siza Vieira. Ou a Mariana Vieira da Silva. Seria seguramente muito boa. Por exemplo. Mas não sei, não pensei no assunto. Mas uma coisa eu sei: sei que não escolheria Alexandra Leitão. 

E também sei que, se fosse eu a mandar, a escolher a candidata à Presidente, e quisesse comunicar a minha decisão, jamais usaria o argumento que Pedro Nuno Santos usou. Jamais. Caraças... jamais.

E se Alexandra Leitão é a 2ª pessoa mais importante do PS, então, na volta, é isso: na volta está tudo explicado.

quinta-feira, outubro 17, 2024

Mariana Vieira da Silva no NOW -- clareza, assertividade, lucidez, boa atitude, perspicácia

 

Um dia os militantes do PS irão perceber que esta mulher tem tudo para ser uma grande líder. Nessa altura, os portugueses perceberão que dificilmente haverá melhor primeiro-ministro.

Nota: André Coelho Lima também com uma postura muito correcta. E Pedro Mourinho, um bom moderador. 

PS: E atenção ao elevado nível de cativações (parece que o maior de sempre) no OE do Sarmento Pança, o mesmo menino que antes tão crítico era das ditas. E atenção à discrepância de valores e de previsões entre o que os espertos da AD apresentaram no programa eleitoral e o que agora apresentam a Bruxelas. Um dia vai ficar bem claro os vendedores de banha da cobra e os tangas que são.

Debate a ver todas as 4ªas feiras, a seguir às 21h (não sei exactamente a que hora), no Now. 

quinta-feira, outubro 10, 2024

Aleluia. Finalmente Pedro Nuno Santos, numa entrevista que não foi 'um passeio no parque', diz que vai analisar a proposta de OE 25 e depois logo vê se o PS aprova ou não aprova. Aleluia.

 

É que uma coisa era haver um entendimento tacitamente aceite entre a AD e o PS (como houve no tempo da geringonça, entre o PS, o PCP e o BE) e o Orçamento resultava do alinhamento de algumas linhas de convergência, e outra, bem diferente, é a que se verificou, com o PSD (apesar da raquítica maioria que não lhe dá para nada) a andar para aí a cantar de galo, desafiador, rufia, sarrafeiro, armado em todo-poderoso, fazendo o orçamento sozinho, agora querer à viva força que o PS o aprove.

Claro que Pedro Nuno Santos não esteve bem ao reduzir o tema da aprovação a duas linhas vermelhas, dois aspectos específicos. Entre mil tópicos, reduziu o tema a dois. A partir daí ou o Governo ajoelhava e rezava ou a coisa tinha tudo para infectar. 

Um orçamento contempla decisões em todas as áreas da governação e nem todas podem ser pacíficas. O Governo pode ter posto no OE toda a espécie de cavaladas. Veja-se qual a ideia do Governo para a RTP, uma canalhice pura e dura. E quantas mais medidas do género podem estar subjacentes ao orçamento?

Por isso, ou o Orçamento, no seu todo, tinha sido mais ou menos alinhavado entre a AD e o PS, ou a única decisão inteligente, em meu entender, seria esperar para ver: analisar cuidadosamente todas as medidas, todas as contas, e, então, com perfeito conhecimento de causa, tomar uma decisão.

O comentador Marcel e o seu amigo Mendes, a Madame Avillez, as comentadeiras a granel que, quais térmitas, saem de debaixo dos balcões para corroerem a opinião pública, podem não gostar. Azarinho. Já a comentadeira, mini-fonte-de-belém, Ângela Silva tinha escrito 'Despachem o Orçamento que Marcelo quer despachar o Almirante'. E agora, com esta decisão do Pedro Nuno Santos, ainda não sabem como é que isto vai acabar e isso maça-os. 

Claro que o desaventureiro Ventura, que num dia veste a pele de baderneiro, noutro de taberneiro e, nos intervalos, ensaia o papel de estadista, prepara-se para se mostrar muito responsável. Estará a AD bem entregue se o OE passar com os votos do Ventura...

Enfim, está a cegadinha armada. Mas outra coisa não seria de esperar com a mais do que anémica vitória obtida pela AD e pela falta de noção de Montenegro que gosta de se armar em campeão, esquecendo-se que tem uma maioria menos do que relativa e não mais do que absoluta.

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Para quem goste de ouvir pessoas inteligentes, sugiro que se veja Mariana Vieira da Silva no NOW. 

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De qualquer forma, penso que a sugestão que fiz no post abaixo se mantém válida. Ponha-se essa maltosa a dançar em vez de nos maçarem com conversa fiada:

Russell Bruner - Eccentric Dance


segunda-feira, abril 15, 2024

Acho que daria uma excelente Primeira-Ministra

 

E não é em particular por esta entrevista: é por tudo, sobretudo pelo irrepreensível desempenho enquanto Ministra do Governo de António Costa.


Mariana Vieira da Silva foi "A Quarta da Manhã"


A ex-ministra da Presidência e atual deputada do PS, Mariana Vieira da Silva, foi A Quarta da Manhã e passou uma hora com a Ana, a Joana e a Inês. Para além do seu espaço de comentário e de algumas perguntas rápidas, houve ainda tempo para falar do seu percurso na política com As Três da Manhã.

quarta-feira, abril 26, 2023

As televisões, as rádios e os jornais podem fazer o favor de parar de dar palco ao Ventura, ao Chega e aos grunhos que odeiam a democracia?

 


Estive ocupada todo o dia e ainda não ouvi os discursos do 25 de Abril nem sei em que consistiram as comemorações oficiais. Mas vi imagens tristes de uns grunhos (em que gente acéfala ou ainda mais grunha que eles votou e que, por isso, agora estão na Assembleia da República). E ouvi o Santos Silva a dar-lhes uma merecida desanda. E vi o Lula a mostrar que já virou muitos frangos e já viu muitos destes arruaceiros armados em espertos.

Vi também imagens do chefe dos grunhos, o grunho-mor, cá fora a falar para as televisões.

E pensei aquilo que penso sempre que vejo estes atrasos de vida: mais do que a opinião livremente formada a partir do conhecimento dos programas eleitorais é a televisão que decide eleições, colocando a jeito, em destaque, aqueles em que o eleitorado mais influenciável vai votar.

E as televisões bem como as rádios andam sempre atrás do Ventura, dão-lhe palco de forma ininterrupta. Sabem que ele tem sem sempre bocas, tem sempre alguém para denegrir, tem acusações ou insidiosas insinuações para fazer, tem sempre pedras para atirar, tem sempre um vómito prestes a sair-lhe da boca. E a comunicação social aposta nisso, acredita que é isso que dá shares. E o drama é que dá shares e dá votos.

E esta comunicação social tem também esta característica: alimenta-se e alimenta a maledicência. Haja alguém a dizer mal de alguém e aí estão eles a pôr-lhes um microfone à frente das beiças e uma câmara apontada às trombas para lhes alimentar o ego. E, com um microfone e uma câmara a gravar-lhes as perfídias, esta malta sente-se importante. Vão aparecer na televisão a dizer mal, a deitar abaixo. Sentem-se os maiores. Bolsam ainda com mais entusiasmo. 

E a nossa comunicação social vive disto.

E, com esta informação, a comunicação social estimula o rebanho de grunhos que não sabe do que fala nem tem uma ideia sobre como fazer melhor mas que sabe enlamear os governantes, os deputados honestos, os políticos em geral. É uma cambada que só sabe dizer mal, uma cambada que vive de tentar minar a confiança  nas instituições democráticas.

É para estes que o Ventura fala, para os burros que gostam de deitar abaixo, que gostam de intriga, de injúria, de insultos. 

E é de toda esta tropa fandanga que a comunicação social se alimenta.

Se durante um ou dois meses de seguida a comunicação social não desse palco ao Ventura, ele cairia a pique nas sondagens. Porque o Ventura é um saco que lá dentro só tem ar e porcaria. Propostas construtivas zero. Tirem-no do ar e todo o bluff Ventura e Chega se esvaziará num ápice.

Marcelo faria bem em reunir as estações de rádio e televisão e os jornais e pô-los a discutir o seu papelinho (ou 'papelão, na expressão de Lula) no fomento do populismo e na ascenção de um partido de broncos, mal educados, populistas despudorados. E que eles pusessem a mão na consciência. E que decidam: ou vão continuar a alimentar a serpente que pode minar a saúde da democracia ou vão procurar informação e entretenimento com cabeça, com ética, com amor ao país e deixam de propagandear o Ventura e o Chega.

E, para já, é o que me apetece dizer.

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Entretanto estou a ver na RTP 3 (num programa que se chama Tudo é Economia) uma grande intervenção da ministra Mariana Vieira da Silva -- uma inteligente, lúcida, sóbria e competentíssima governante. Uma lufada de ar fresco. 

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A imagem lá em cima é Red Carnation As In A Stage da autoria de Eversofine

O Vitorino está aqui porque não quero pôr o vídeo com um dos meus netos a cantar a Queda do Império com uma voz e uma musicalidade que me emocionam 

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Um dia bom

Saúde. Paz.

Viva a democracia e viva o meu País

quinta-feira, agosto 25, 2022

O algoritmo de Patrícia Gaspar, a Serra da Estrela que vai ficar melhor segundo Mariana Vieira da Silva e, já agora, a ciência dos incêndios florestais

 

Com os fins de semana passados no campo, com a família toda de férias, com o trabalho a continuar, tentando retomar o hábito da leitura e estando em fase de dar início a uma nova actividade, ando como que em suspenso sobre a realidade. Pouca televisão tenho visto e o interesse que 'as gordas' me despertam é muito relativo.

Entretanto. hoje a temperatura baixou um pouco e disseram-me uns familiares que, de tarde, entre Coimbra e o Porto, apanharam alguma chuva. Menos mal. Nada do que é preciso mas, pelo menos, não agravou a triste situação de seca prolongada.

Claro que a situação dos incêndios melhorou. Mas houve dias em que se olhava para o mapa dos fogos e havia chamas por todo o lado.

No meio desta situação dramática, em que parte do país arde, duas coisas parece terem provocado uma excitação colectiva, pelo menos junto da oposição mas, estou em crer, também junto das redes sociais: a Secretária de Estado Patrícia Gaspar ter revelado que, de acordo com os algoritmos, seria expectável que a superfície ardida fosse maior em cerca de 30% e a afirmação de Mariana Vieira da Silva sobre as melhorias que espera que ocorram depois do plano que o Governo tem para a recuperação da Serra da Estrela.

Quando leio algumas reacções, geralmente por parte de gente muito burra que fala como se fosse muito inteligente, fico irritada. 

Explico porquê.

Sobre o algoritmo: 

  • Mal fora que, perante a avassaladora progressão de sinais de que as alterações climáticas já cá estão e vieram para ficar, com consequências muito complicadas, ninguém tivesse criado modelos de previsão e análise de impactos. Mal fora. O que se espera é que geógrafos, biólogos, zoólogos, matemáticos et al se juntem em equipas de trabalho e criem algoritmos que apoiem os decisores. Com medições localizadas e linhas de tendência para temperaturas, para níveis de humidade no ar, no terreno, na vegetação, índices de florestação, homogeneidade das culturas, com indicadores reais e previstos para a velocidade do vento, etc., não será difícil prever a extensão e velocidade de propagação dos incêndios caso se verifique a pouca sorte de haver a primeira chama, a infeliz faísca, a inoportuna brasa.

O facto de Patrícia Gaspar falar nisto apenas me tranquiliza. Não estou tranquila quanto ao desastre das alterações climáticas nem quanto à dificuldade de aceder a alguns locais em que os fogos avançam imparáveis. Estou tranquila é com o facto de haver algoritmos para modelizar esta triste e perigosa realidade e termos governantes que valorizam os bons algoritmos como ferramenta de apoio à decisão.

Sobre a afirmação de Mariana Vieira da Silva:

  • Mal fora que, perante a destruição a que se assistiu na Serra da Estrela, havendo a oportunidade de mitigar os riscos e melhorar as condições de prevenção e combate aos incêndios, tal não fosse aproveitado. Introduzir espécies vegetais mais resistentes, florestar de forma racional, criar caminhos, adoptar a sério a prática dos rebanhos sapadores, ter postos de vigia melhor localizados e preparados, ter sistemas de detecção e ataque primário mais rápidos e mais eficazes -- é o que se espera. E fico mais tranquila ao ouvir a ministra dizer que a Serra da Estrela vai ficar melhor preparada para resistir a esta tendência de haver cada vez fogos florestais mais difíceis de controlar.

Por isso, penso que só gente mentecapta ou com a mente deformada pela prática da maledicência pode achar que a afirmação de Patrícia Gaspar conflitua com a de Mariana Vieira da Silva ou que alguma delas se 'espalhou' ao dizer o que disse.

Há algum tempo, recebi um mail de alguém que dizia que eu, quando falo de gente burra, pareço arrogante. Lamento que isso aconteça pois a mim própria não me vejo como arrogante. Contudo, claro, a forma como me vejo de pouco servirá se for diferente como  maioria das outras pessoas me vir. Gosto de pensar que sou humilde, que estou sempre disposta a aprender e a ouvir os argumentos dos outros. Mas há um mas, reconheço. Quando falo nos outros com quem estou sempre disposta a aprender excluo os burros, aqueles ignorantes inconscientes da sua ignorância que juntam ao seu desconhecimento das coisas de que falam o vício da maledicência.

Patrícia Gaspar e Mariana Vieira da Silva são duas pessoas competentes, preparadas para as funções que exercem, inteligentes, fortes, abnegadas na forma como se dedicam ao que fazem. Temos sorte em ter pessoas assim no nosso Governo.


Acresce que só gente com palas de lado e por cima dos olhos é que pensa que o problema dos incêndios florestais é um problema português com causas atribuíveis ao governo português. Melhor fora que assim fosse. Mas não é. É um problema que atravessa várias regiões do mundo e que, infelizmente, já entrou naquele loop em que as coisas são ao mesmo tempo causa e consequência.

Recomendo a visualização do vídeo abaixo. Tudo está muito bem explicado.

The climate science behind wildfires: why are they getting worse?

We are in an emergency. Wildfires are raging across the world as scorching temperatures and dry conditions fuel the blazes that have cost lives and destroyed livelihoods.

The combination of extreme heat, changes in our ecosystem and prolonged drought have in many regions led to the worst fires in almost a decade, and come after the IPCC handed down a damning landmark report on the climate crisis.

But technically, there are fewer wildfires than in the past – the problem now is that they are worse than ever and we are running out of time to act, as the Guardian's global environment editor, Jonathan Watts, explains

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Um dia bom

Saúde. Paz.