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domingo, fevereiro 22, 2026

Pathos

 

Há qualquer coisa de dramático, quase borderline, nas exibições de Ilia Malinin. Dizem que desafia as leis da física, e eu acredito. Tenho visto imagens em slow motion dos seus saltos e das posições em que o seu corpo se coloca e, na realidade, não sei sob que eixos se move nem que tração ou rotação imprime aos seus movimentos para não se despenhar nem sair a voar para uma qualquer outra órbita. 

Mas há uma outra dimensão. Se Alysa Liu dança e rodopia em plena alegria, já Ilia parece entregar-se a uma dimensão na qual as emoções o ferem e o transportam para um ambiente de piedade pelos que morreram, para a compaixão para com os que sofrem. Numa das suas interpretações foi a sua voz, grave, profunda, em palavras ditas sobre a música, que o acompanhou. E havia qualquer coisa de iminentemente trágico nos seus voos, como se a física não suportasse tanta emoção.

Nesse dia a força da emoção levou-o ao desequilíbrio: caiu duas vezes, pareceu finalizar a sua actuação em desequilíbrio e, tal o desalento, não conteve o choro. E quase tive vontade de chorar com ele.

Mesmo quem não aprecie muito a beleza da patinagem artística poderá maravilhar-se com as imagens que abaixo partilho: é vê-las sob a lente das leis da física.

Ilia Malinin oferece uma performance emocionante e de cortar a respiração! 🥺 | Jogos Olímpicos de Inverno de 2026


sábado, fevereiro 21, 2026

Bom dia, alegria!

 

Não imagino sequer o que se sente quando se deixa o corpo ir e se vai como se em voo, quando se atira o corpo para as alturas, quando se deixa cair o corpo e se rodopia sobre ele. Não imagino.

Quando era miúda, aprendi a andar em patins sobre rodas e gostava de andar, gostava de fazer as curvas, gostava de ganhar velocidade. Mas o gosto era temperado pelo receio de perder o controlo. Sempre tive a necessidade de controlar o corpo. Nunca me embriaguei, nunca me droguei, nunca fui hipnotizada. Gosto de saber que posso fazer o que quero. Fazer coisas impensadas, involuntárias, isso nem pensar. 

Ainda não há muito uma amiga recordou quando ia a minha casa e andávamos de patins lá na rua. Ríamo-nos que nem umas perdidas com as quedas que ela e outra davam, mal conseguiam levantar-se de tanto que nos ríamos.

Mas não é a mesma coisa, claro que não, nem pouco mais ou menos. Não tem sequer comparação. Aqui, no que abaixo se vê, há ginástica, há anos de treino exaustivo, há uma experiência que, à medida que foi sendo adquirido, trouxe confiança. E há um domínio absoluto pelo corpo -- embora pareça que o corpo tem vontade própria. E há perfeição. 

Mas, para além da técnica e da arte, há a alegria. A alegria muda tudo. Uma pessoa alegre traz alegria à vida dos outros. A perfeição parece espontânea, quase parece uma brincadeira. Uma folia.

Alysa Liu, ouro. Consideraram que é a maior, a melhor. E eu acrescento: a mais alegre. 

20 anos. 1,58m. Um condensado de músculos, de força, de equilíbrio, de coragem, de leveza, de alegria.

 A INCRÍVEL interpretação de Alysa Liu garante o ouro para os EUA! 🥇 | Jogos Olímpicos de Inverno de 2026

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Se eu confiaria desta maneira no meu parceiro...? Ná, não me parece...
Aliás, sendo sincera: é que nem pensar...

 

Vamos admitir que subia a um escadote e que, por qualquer motivo, por exemplo por se partirem os degraus, tinha que me atirar lá de cima, uma altura digamos que equivalente a uns cinco degraus. Admitamos ainda que, vendo-me com medo de cair mal e de ainda me partir toda, o meu marido se oferecia para me amparar no ar, que me atirasse para os braços dele. Estou mesmo a ver-me cheia de medo... Com o medo que tenho das alturas ainda mais o drama se agravaria, qualquer metro de altura me parece um precipício... Mas, sobretudo, imaginava que ele não teria força, que, às tantas, com o impacto caía para trás e eu por cima dele. Ou que não se sincronizava e não me agarrava a tempo, caindo eu desamparada, de borco, no chão.

E se isto é uma coisa de uma distância baixa, imagine-se se alguma vez -- caso ele fosse o super homem e tivesse força para pegar em mim em peso, e atirar-me ao ar --, eu confiaria que ele estaria lá, no ponto exacto, e com força para me agarrar. Não, nem pensar. Confio nele mas não, nunca, jamais, a ponto de arriscar a minha vida acreditando que ele me salvaria em pleno voo. Ná, nunca fiando. As probabilidades de falha seriam mais que muitas. 

Claro que treinando muito, muito, muitas vezes, no fim talvez a coisa corresse bem. Mas... e até lá... até estarmos coordenados...quantas quedas, quantos ossos partidos? 

Por isso, vejo esta extraordinária exibição com admiração pela elegância e destreza do casal, mas, sobretudo, pela confiança incondicional que demonstram um no outro, em especial ela nele. Só por isso já merecem mil medalhas de ouro.

Riku Miura & Ryuichi Kihara STUNNING performance wins gold for Japan 🇯🇵 | Winter Olympics 2026


domingo, agosto 11, 2024

Pica-olhos, pica-miolos, e etc.
Cenas da silly season

 

Creio que este calor anda a deixar os insectos desgovernados. O número de abelhas  que temos apanhado dentro de casa não tem explicação. Umas mortas, quando cá chegamos, outras vivas, enquanto cá estamos. Não sei se entram pela chaminé ou quê. Geralmente tentamos encaminhá-las para a rua mas já tivemos que matar algumas não fossem elas picar-nos.

E há um fenómeno: agora, enquanto ando na rua, sou cercada por pequenos insectos que querem entrar-me pelos olhos. Uma coisa diabólica. Não sei se é porque está um calor danado e o único líquido que eles detectam é o das lágrimas ou se é por uma qualquer outra razão ainda mais estúpida. O que sei é que por umas ou por outras, durante as horas de calor, que são todas, mal se consegue andar na rua.

Há um lado bom. É que, para a linha, o risco não são apenas os excessos do Natal, do Ano Novo, da concentração de caranguejos ou da concentração de leões: são também os da época dos figos. Se calhar tenho um fundo de adicted pois mal me apanho ao pé de uma figueira, mal começo, vão de seguida, uma chatice para parar. Assim, fechada em casa, sempre como menos, só quando lá vou ao lusco-fusco.

E hoje tenho um outro fenómeno a reportar. No outro dia trouxe uns calções e uma blusinha plissada, bastante decotada à frente e atrás. Para não vir com o soutien de fora, vesti antes a parte de cima de um biquini. Sempre fica mais composto.

Hoje, íamos ao supermercado, que é da blusa?

Corri tudo. Os calções no sítio deles. A blusa desaparecida. Fiquei mesmo naquela: e agora como é que posso ir ao supermecado? Tenho cá roupa mas nada capaz para a circunstância. 

Resolvi ir à gaveta dos salvados. O meu marido sempre a querer que deite tudo fora. E eu sempre a achar que pode surgir a situação em que tenha que repescar alguma coisa. Foi hoje. Descobri uma tshirt justinha de quando tinha corpinho de teenager. Pensei: deve ficar coisa jeitosa, sem soutien, curta e justa. Pois, para minha satisfação, não estava tão justa assim, disfarçou. Lá fui. 

Todo o caminho o meu marido gozou comigo. Acha que sou despistada, que sou como a outra que tirava a roupa em qualquer lugar, e então não se calava: onde é que terá ido parar a blusa?

Quando cheguei, resolvi que havia de solucionar o enigma. Virei tudo. Em algum lugar ela havia de estar. Já punha até a hipótese do pobre do cão ter pegado nela e, sabe-se lá, tê-la levado para algum esconderijo.

Concentrei-me. Quais os lugares mais prováveis? Nada. Quais os mais improváveis? Nada.

Até que, finalmente, lá a descobri. Filha da mãe. Quem é vivo sempre aparece. 

Fui dar com ela, caída, escorregada, atrás do sofá da sala, junto à parede. Lembrei-me, então. Na noite em que chegámos, ao estar aqui a escrever, deu-me o calor e tirei-a. Devo ter posto lá para trás, nas costas. E nunca mais de tal me lembrei.

Tirando isso, posso adiantar que comprei sardinhas, vivinhas da costa, amanhã para o almoço. Adoro sardinhas. E comprei um pão de Rio Maior que não tem nada a ver com o que costumo comprar. Bem cozidinho, côdea estaladiça, uma delícia. Vai ser uma maravilha ensopá-lo no molho que as sardinhas deitam.

E pronto, é isto. Deixem só ainda que comente uma coisa. Há aquela outra tóxica, a Rosário Palma Ramalho que difamou a Ana Jorge, que ainda não fez nada que visse mas que já desfez que foi uma graça, uma daquelas que, por onde passa, espalha anticorpos mais depressa do que a última variante covid. Há, não há? Pois fiquei a saber que é irmã da Margarida Rebelo Pinto, a escritora pimba que tem a mania que é fresca e fofa. Portanto, estão a ver, não estão? Um mal nunca vem só.

Só falta virem dizer-me que a Ana Paula Martins (a tal que não deve tardar a saltar) é irmã da Parrachita. Por acaso até não me admirava, têm tudo a ver.

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E muitos parabéns ao Iuri Leitão e ao Rui Oliveira. Emocionei-me ao vê-los durante o hino. Que alegria tão pura a deles, que garra ao cantarem, que amizade entre eles. Que tenham muita sorte em toda a sua vida.

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quarta-feira, agosto 07, 2024

JO 2024 -- the very best

 

Não tenho seguido com atenção tudo o que tem dado. Ando sempre noutra. Mas, porque às vezes parece que há um qualquer ser oculto que me bafeja e me coloca no trilho do mau caminho, vi a prova em que um homem do outro mundo ganhou, um deus a atravessar as águas e, no fim, a sair delas, vitorioso, glorioso, e vi-o a subir ao pódio, emocionado, lindinho de fazer qualquer uma (ou um) cair para o lado.

Mede quase dois metros e tem uns olhos verdes que, uma vez mais, são para tirar qualquer uma (ou um) do sério.

Fui conferir a idade só para garantir que o rapaz não tem idade para ser meu neto. Ufff... Não. Já tem 23. Portanto, já tem boa idade para aqui figurar como o melhor dos melhores destes JO que se têm destacado em muitas coisas. 

Deviam fazer dele uma estátua. É lindo, lindo.

Thomas Ceccon








Queria aqui colocar um vídeo com a sua prova de costas ou com a sua conferência de imprensa (ao falar, obviamente em italiano, consegue a proeza de ficar ainda mais sexy) mas não estou a conseguir inserir vídeos. Portanto, aqui fica estático, bom para ser contemplado.

[Claro que este post, se fosse escrito por um homem sobre uma atleta, seria machista. Assim, se calhar é feminista. E ser feminista é bom por várias razões e também por mais esta.]

sexta-feira, fevereiro 11, 2022

O que Kamila faz ao som do Bolero

 


Sei que sou lida por gente nova. Há pouco, para escrever isto, fui confirmar. Segundo as estatísticas do Blogger, 75% dos meus Leitores terão menos de 44 anos. Já agora, a maioria (cerca de 55%) são homens.

Mas, para o efeito do que vou dizer, o sexo tanto faz. A idade é que sim, faz a difereça. É que imagino que estes meus Leitores não façam nem ideia de quem é a Bo nem do sururu que por aí houve aquando do afamado 10, muito menos da cena do Bolero e de mais não sei o quê.

Para dizer a verdade nunca vi o dito filme. Sou visceralmente avessa a tudo o que é falado por toda a gente. Falava-se com ar de coisa tal como se falava da cena da manteiga do Último Tango ou da cadeira da Sylvia Kristel. Estava-se naturalmente no dealbar dos novos tempos e havia muito boa gente que se escandalizava com pouco.

Mas, imaginando que nada de transcendente teve lugar, pelo menos de forma explícita, o certo é que ficou a ideia de que algo de especial aconteceu ali ao som do Bolero. 

A propósito disso, do que pode acontecer ao som do Bolero, tenho que aqui abrir um parêntesis para inserir aquela expressão que, sabe-se lá porquê, viralizou: quem nunca...?

Mas isso agora não interessa para nada. O que interessa é que o Bolero é, na realidade, desafiador para a imaginação (de quem a tem), apela aos movimentos cadenciados e tem um timing muito ajustado a quem goste de se esmerar.

Não admira pois que inspire bailados que nos envolvem e nos transportam para momentos de sedução e intimidade. 

Sylvie Guillem, por exemplo, é extraordinária na interpretação do Bolero. Rodeada de admiradores, ela seduz um por um, cativando-os, prendendo-os aos seus movimentos sensuais.

Em tempos, eu gostava de ver a patinagem artística no gelo, especialmente nos Jogos Olímpicos ou campeonatos mundiais. Agora nunca sei quando e onde dá pelo que perco tudo. Mas soube que uma jovem de 15 anos, Kamila Valieva, talentosa, virtuosa, certamente inocente em relação a malícias e subentendidos, dançou primorosamente o Bolero, fez um salto quadruplo nunca antes visto e encantou todos quantos a viram.

Fui ver e, na realidade, ela desafia as leis da física. Não se percebe como consegue girar a tal velocidade, elevando-se no ar, rodopiando, girando e caindo de pé para continuar a deslizar. E sempre com uma leveza e graciosidade encantadoras. 

Numa das vezes cai mas, de imediato, se levanta e prossegue como se nada tivesse acontecido. E prossegue magistralmente. Contudo, no fim, faz beicinho, está triste, sente que não foi perfeita. Uma menina.

O pior são agora as suspeitas. Dizem que testou positivo a uma certa substância. Li que se trata de um medicamento que previne os ataques de angina (se bem percebo, a chamada angina de peito). Não me perguntem porque é que ela, a serem verdadeiras as suspeitas, tomará isso nem como é que um medicamento para uma questão cardíaca pode funcionar como um estimulante ou coisa que o valha. Nem sei quem é que, no caso de uma criança de 15 anos, decide o que ela toma ou deixa de tomar. Diria que seriam os pais. Mas os pais autorizariam uma filha, uma criança, a tomar medicamentos que a podem prejudicar quer a nível desportivo quer, sobretudo, a nível físico? E já nem falo no aspecto psicológico. 

E, pensando bem -- se isto do simbolismo vale alguma coisa --, se a minha filha, aos 15 anos, participasse nos Jogos Olímpicos, a mim não me agradaria que dançasse o Bolero. Com tantos milhares de hipóteses de músicas por que raio de carga de água logo haveria de dançar o Bolero...? Claro que o Bolero é o Bolero é o Bolero e é independente do que se pode fazer ao ouvi-lo mas, sabendo que a coreografia teria forçosamente alguma conotação sexual, eu acharia que se poderia muito bem esperar pelos 18 anos da miúda.

Mas, enfim, isto é uma idosa a falar. Acho que estou assim, a modos que mal disposta, por pensar que uma jovem tão fantástica -- com umas pernas esguias desta boa maneira, com uns braços que giram em volta do corpo, com uma capacidade de elevação e uma elegância tão superlativas, com uma vida tão promissora pela frente -- pode ver manchada a sua reputação e comprometida a sua carreira por lhe darem a tomar medicamentos proibidos.

Desejo que tudo não passe de um equívoco. 

Isto no dia em que soubemos que, por cá, um puto de 18 anos se preparava para causar um desgraça na escola. Soube na rádio, quando estava no carro à vinda para casa, à noite, e nem queria acreditar.

Nestas ocasiões as televisões são inundadas de espertos. Ainda não se sabe de nada e já eles sabem de tudo. Ouvi que se tratará de um puto tímido, introvertido e que consumia muitos videojogos de violência. Não vale a pena tecer considerações antes de haver certezas. O que sei, independentemente deste caso, é que deixar os putos entregues às PlayStations, a brincarem às guerras, aos ataques e a essas cenas virtuais que parecem verdadeiras e em que o seu cérebro, dúctil, se habitua às mortes e às múltiplas vidas que se podem comprar e em que as mortes não causam dor é daqueles erros que mais cedo ou mais tarde se pagam caros.

Mas, enfim, não me apetece escrever mais. Más notícias que envolvem crianças ou adolescentes deixam-me sem vontade de escrever.

Kamila Valieva Lands Historic Quadruple Jump At Only 15 Years Old | 2022 Winter Olympics



Já agora: Sylvie Guillem - Bolero


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Desejo-vos uma bela e happy friday
Alegria. Saúde. Ar puro e paz de espírito.

sábado, agosto 07, 2021

Nestes Jogos Olímpicos, a propósito do desempenho masculino, volto àquilo do sexo bem aviado

 

Aviso: se calhar este post é politicamente pouco correcto. Podia disfarçar e, em minha defesa, dizer que isto não é de mim, que é da silly season. Mas, está bem, está, me engana que eu gosto.

Este post é o que é porque sim, sem mais explicações. Mas, ainda assim, tenho que informar que:

  • Este post não fala do Medina e do Trocos, nem sobre a indigência de o Trocos andar a copiar os cartazes do Medina nem sobre o nonsense de andar a agourar pouca sorte aos lisboetas prometendo-lhes sangue, suor e lágrimas.  

  • Também não fala da opinião de Marcelo, Professor em Infecciologia, sobre a vacina para crianças, ao antecipar-se aos estudos dos especialistas, mostrando que lhe está na massa do sangue opinar sobre tudo nem que seja na base da fezada. 

  • Nem fala das garantias que Vieira apresentou para poder ir à rua, antes tão poderoso, todos a lamberem-lhe o rabo, e agora, sozinho, a fazer contas para ver se o super-alex o deixa pôr o pé fora de casa.  

  • Também não fala na minha incompreensão sobre a marcha, um desporto que me parece quase maluqueira dos Monty Python, uma coisa que mais parece uma cena de passos amalucados a fingirem que querem mas não querem correr, agarrem-me se não eu corro.  

  • Também não fala das dietas de verão nem dos cuidados de saúde a ter em tempos de sol.  

  • E, obviamente, muito menos este post fala da pressão que dizem que os desesperados  e os brincalhões andam a fazer sobre o Rangel -- essa águia, esse leão, essa fera, esse macaco de rabo pelado, esse gato, esse galaroz, esse falcão, esse potro, esse ursinho peludo, essa coisa fofa -- para que dispute a liderança do PSD ao mangas-de-alpaca.  

  • Ná. Este post não fala de nada desses temas interessantes e politicamente aceitáveis.

Tenho a impressão que se fosse um homem a fazer um post assim, como este, toda a gente lhe cairia em cima a pés juntos. Chamá-lo-iam de machista para baixo. Para baixo ou para cima. Por isso, não sei se, ao fazer eu este post, terei direito a ser chamada de feminista. Se tiver, também está certo. Não ligo a rótulos: que ponham os que quiserem. 

A questão é que, nestes inícios de Agosto, abro os onlines e há uma coisa que me salta à vista. E isto sendo eu míope, faria se não fosse.

No outro dia estava a escrever que o título era só para chamar a atenção para a biografia e a pensar que está bem, abelha, engana quem quiseres, ó Ujota Emezinha, que a mim não me enganas tu. Se fosse sincera, o que teria escrito é que 'o título, na componente do sexo bem aviado, claro que tem a ver com a justa medalha atribuída ao Pichardo'. 

Ó Pichardo
Que a lavas no rio
Com um pé em cada margem
Salta este desafio
Carregadinho de vantagem
[Amofinado]

Talvez até acrescentasse 'curioso nome, este' ou, ainda, 'Pichardo -- what's in a name'. Mas, pronto, nesse dia contive-me. O tema era o de louvar a biografia do Cardoso Pires bem como o biógrafo e o biografado, não ia pôr-me a ser parva.

Ora hoje, já imbuída no indecente espírito do fim de semana, deixo-me de coisas e olho para o que está bem à vista. Bom... 'bem à vista' é uma maneira de dizer que também não exageremos. Aliás, aquela moda de se querer que as raparigas usem roupa bem curta e bem reveladora nos desportos de praia deveria estender-se aos homens, seja em que desporto for. Não uns bem comportados calções de lycra mas uns shorts bem shortinhos. Em tom nude, para quase parecer que o 'bem à vista' não é completamente uma metáfora.

Agora acho que, assim como assim, deveria haver um protocolo, alguma homogeneidade. É que isto de uns usarem tshirt por cima, outros a esconderem não se percebe bem onde, uns a guinarem para a direita, outros para a esquerda, é algo desestabilizador. A gente quer apreciar os dotes desportivos e, mesmo sem querer, põe-se a apreciar os dons ocultos ou, como soe dizer-se, as soft skills. Bem, não sei se tão soft assim (and, of course, the pun is intended)


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Bem, para me redimir, vou aqui ouvir uns meninos a cantarem um belo canto gregoriano. Ouço isto e fico logo santificada. Claro que melhor seria se, em vez de estarem de vestidinho até aos pés, também estivessem com uma reveladora lycrazinha. Mas, enfim, quem nos garante que o não estão? Quiçá, mesmo, sem qualquer underware. Quem é que diz que isso é exclusivo da Sharon Stone? 


Ámen!

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Desejo-vos um dia feliz.
Saúde. Risota. Afecto.

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A pedido de quem, em comentário abaixo, sugeriu que aqui tivesse o CR7 a ombrear com os supra olímpicos, aqui está ele


E o que, neste caso, posso dizer é que isto não me parece normal
(mas, neste caso, acho que o 'artista' é que deve ter um grande pénis dentro da cabeça para lhe dar para um empolamento destes)

segunda-feira, agosto 02, 2021

Ela era a melhor e, no entanto, por ter vergonha do seu corpo, desistiu.
Katelyn Ohashi - não há muito um 10 absoluto

 


Quando começaram os Jogos Olímpicos fui ver se Katelyn Ohashi lá estava. Não estava. Fiquei muito admirada. O que lhe teria acontecido?

Quando aconteceu isto de Simone Biles ter desistido, afirmando-se atormentada e sem vontade anímica para se atirar para o ar pois receava que o corpo agisse descomandado face à mente, voltei a tentar saber de Katelyn. 

Sendo jovem e superlativamente brilhante, alguma coisa deveria ter acontecido. Lesão? Paixão ou ocupação incompatível com a carreira desportiva? Algum drama pessoal?

Várias vezes aqui presente no Um Jeito Manso, não conseguia perceber porque é que a menina voadora, divertida e de borracha tinha ficado de fora.

Fui ver algumas das suas brilhantes actuações para me certificar de que hoje a minha opinião ainda seria equivalente à de quando a tinha visto há uns dois anos. 

E é.

Enquanto Simone Biles é uma máquina programada para a perfeição, um corpo pequeno e poderoso que executa os mais arriscados movimentos com mestria e coragem, parece até que com um certo sentimento de dever, Katelyn é de outra cepa, mais intuitiva e brincalhona. Tudo nela é alegria e desafio, arrojo e prazer.

Mas eis que fico a saber que também ela foi vencida pela insegurança, pela falta de autoestima. Gozavam com ela: era a sua baixa estatura, era o seu corpo com curvas generosas, era bicho não destinado a altos voos, pássaro anafado, insucesso anunciado. 

Poder-se-ia pensar que uma pessoa com o talento dela faria ouvidos de mercador a quem não via o seu valor, prendendo-se, antes, a preconceitos. Mas não. Katelyn, afinal, foi mais outro ser que revelou ser humano. Katelyn é de borracha, não de ferro. 

Habituamo-nos a ver estas jovens que avançam destemidamente para os aparelhos, que se elevam dando saltos pelos ares como se confiantes no poder impulsionador das suas asas, e não nos ocorre a pressão a que estão sujeitas e que pode desprogramá-las. Nem nos ocorre a inconsciência do risco que correm, pondo em causa a sua integridade física para se superarem aos olhos de quem delas exige tudo. Sobretudo, não nos ocorre que, se alguma coisa falha, por milimétrica que seja a falha, a queda pode ser fatal. Ou, se não fatal, pelo menos muito dolorosa, porventura incapacitante.

A pressão a que estas ginastas são sujeitas é permanente, brutal e, de facto, não estou certa de que o espírito olímpico seja isto. 

O que aconteceu a Kerri Strug em 1996 é exemplo da superação que se espera (que se exige) aos desportistas de eleição: aguentou a dor até conseguir o salto perfeito que lhe valeu a medalha de ouro. 

Mas faz isso sentido? Faz sentido que se exija a dor, física e mental?

Não estou certa disso.

Até não há muito, quem mostrava as suas falhas anímicas era alvo de troça. Miolo mole. Cabeça fraca. Maricas. Fracote. Por isso, quem sofria -- dor física ou dor de alma -- sofria para dentro, nada revelando. Deuses em forma de máquina, corpos amestrados para serem mais do que corpos humanos, corpos habituados ao esforço supremo e à dor. A elegância e a leveza que revelam é, sobretudo, uma construção. Uma longa e dolorosa construção.

As ginastas, e agora apenas falo delas, sorriem, avançam determinadas, saltam, praticam, correm e, ao mesmo tempo, estão disponíveis para entrevistas, palestras e sessões fotográficas. Se têm dúvidas ou dores, prudentemente disfarçam-nas.

Até ao dia em que não aguentam mais. E aí todos nós ficamos espantados. Não tínhamos dado por nada, só víamos a perfeição, os sorrisos abertos, a destreza. Não víamos a insegurança, as dúvidas ou as dores que sentiam.

Aconteceu com muitos desportistas de alta competição, desde o nosso Mamede até ao fabuloso Phelps. Os JO do Japão vão ser os jogos em que Simone falou dos problemas que tem por a mente não conseguir comandar o corpo e ter atingido um ponto de saturação, levando-a à desistência.

Mas, como podemos ver abaixo, algo de idêntico tinha acontecido a Katelyn Ohashi. É pena.  


Pode ser que com estes casos a virem a público, aos poucos volte a ser possível que os desportistas sejam também seres humanos. 

E os humanos, nós todos, se formos espertos, poremos a mão na consciência. Pode ser que se aprenda alguma coisa com isto. Mas não sei, não...


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Desejo-vos uma bela semana a começar já por esta segunda-feira.
Estamos em Agosto e desejo que, para todos os que aí estão desse lado, seja um querido mês.

quinta-feira, julho 29, 2021

Simone Biles, nos braços de um anjo

 


Como é bom de ver, de desporto pouco sei e da pressão que os desportistas de alta competição sofrem ainda menos.

O que sei é que nunca tive qualquer vontade que os meus filhos levassem demasiado a sério qualquer desporto que praticassem. 

A filha de uns amigos nossos, praticamente da idade da minha filha, fazia já não me lembro se ginástica artística se natação. Tenho ideia que praticava ambos os desportos mas posso estar a confundir. O que sei é que um deles lhe consumia várias horas por dia, todos os dias. E que havia provas e que lá andavam eles atrás da miúda.

Tenho também um ex-colega, competentíssimo e afamadíssimo, inclusivamente muito ligado a grandes casos mediáticos, que reduziu à mínima expressão a sua actividade para poder acompanhar o filho que, praticando um certo desporto, se foi dedicando cada vez mais, obrigando os pais a terem staff permanente, nomeadamente um treinador, uma psicóloga e, a tempo parcial, uma nutricionista e um fisioterapeuta. Ele passou a viver para alimentar a dedicação do filho, um adolescente, a esta actividade desportiva.

Nunca percebi esta opção. Pensava sempre que ou o rapaz era egoísta até à décima casa, não se importando por ter o pai reduzido a seu agente, ou era uma vítima da ambição ou exigência do pai.

Lembro-me do meu colega dizer que havia muito trabalho a fazer diariamente, nomeadamente a gestão de patrocínios que, legitimamente, queriam ver resultados, queriam contrapartidas, com quem era necessário aturadas questões discussões jurídicas. E quando eu o questionava por quase viver em função do filho ele relatava-me peripécias e casos em que, se não fosse ele a agir como intermediário, era pressão e perturbação que caía em cima do rapaz, correndo o risco de, segundo ele, lhe fritar os miolos.

Estou a falar de um jovem pertencente a uma família estruturada, sem dificuldades financeiras ou outras e com uma estrutura de apoio que amortecia quaisquer pressões exteriores.

Quando, ao entrar na idade adulta, se percebeu que a carreira do jovem, sendo boa, jamais o levaria aos primeiros lugares, desistiu da carreira e hoje pratica essa actividade apenas por lazer, ou melhor, apenas por desporto.

Imagine-se isto numa outra dimensão, num contexto muito mais profissional e mais mediático, mas com uma jovem que, em menina, a par dos seus irmãos, esteve a cargo de uma mãe com problemas de álcool e drogas, várias vezes presa, sem possibilidade de lhes proporcionar estabilidade ou, até, a alimentação suficiente. Simone Biles viveu consecutivos dias de fome e de medo. Acabaria por ser criada pelos avós. Já adolescente viria a sofrer agressões sexuais por parte do médico que acompanhava as atletas americanas e, segundo tem referido, disso guardou um trauma para o resto da vida, ainda receando que a toquem mesmo que em actos meramente clínicos.

Simone Biles é mais baixa, muito mais elástica e forte do que a maioria das mulheres da sua idade. O que ela faz com o seu corpo desafia as leis da gravidade. Parece levada nos braços de um anjo. 

Horas e horas e horas de treino, horas e horas e horas de exercício, de busca da perfeição. Com as câmaras sempre em cima, escrutinada em permanência, Simone, tal como os desportistas de alta competição, está sujeita a uma pressão esmagadora. Ela tem que ser a melhor, a superlativa, a ganhadora de medalhas, a perfeita, o exemplo, a mais resiliente, a mais inspiradora. Se, por acaso, tiver dias de desconforto, dias de hesitação, dias de dor física ou de dúvida terá que escondê-los e ultrapassá-los para que ninguém suspeite de que não é Simone Biles. 

As suas articulações, os seus músculos, os seus ossos e a sua força anímica têm que estar sempre no máximo para que, nunca, nada falhe, Nos treinos, Simone corre, salta, eleva-se no ar, rodopia no chão e no ar, contorce-se, aterra e eleva-se e voa. Horas e horas, dias e dias. E, pelo meio, entrevistas, sessões fotográficas.

Na sua cabeça, os seus demónios: a recordação do medo, da angústia e da fome dos tempos em que a mãe se perdia dos filhos, a par da repulsa e da vontade de esconder a memória do toque abusivo de Larry Nassar, devassando o seu corpo inocente.

Enquanto corre para saltar e rodopiar, esses diabos rodeiam Simone. E rodeiam estes e rodeiam os outros, os diabos menores, os diabos avençados pelos mercados, pelos investidores, que alertam: se não continuas a ser a melhor, retiramos-te o tapete, cuidado...

Ao elevar-se para saltar, agora nos Jogos Olímpicos, Simone perdeu momentaneamente a consciência de si, deixou de saber onde estava e, em vez das duas voltas e meia no ar, apenas deu volta e meia. Ao aterrar, vacilou, estremeceu. Nela, super-mulher, perfeita, isto é estranho. Em qualquer outra pessoa, em mim, em si, se nos conseguíssemos elevar no ar meio metro e, ao mesmo tempo, darmos meia volta, certamente ficaríamos sem saber de que planeta seríamos e cairíamos desamparados, estatelados, partidos, no chão. Para nós, não para Simone -- que costuma saltar, voar, encarpar-se, rodopiar, tudo como se fosse um boneco de molas -- que cai sempre de pé, aprumada, elegante e segura.


Nessa altura, quando, no ar, o corpo tentou evadir-se da mente, percebeu que, a continuar, poderia enlouquecer ou cair desamparada, magoando seriamente o seu corpo.

Parou e, corajosamente, explicou o que se passava.

O mundo pasmou com a surpreendente retirada de Simone e com a inesperada confissão. Simone é humana, afinal.

Não sei bem que mundo é este nosso em que se pretende que os bons sejam muito bons, bons demais, excelsamente bons e em que se desprezam aqueles a quem os deuses deixam de levar nos braços. Mas sei que Simone Biles, a gigante, fez mais pelo verdadeiro sentido desportivo e pela necessidade de acarinharmos a humanidade daqueles que admiramos do que mil discussões estéreis e mil palavras cheias de lágrimas de crocodilo. 

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Fotografias de Simone Biles, algumas da autoria de Annie Leibovitz. 

Sarah McLachlan interpreta In the arms of an angel

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Uma bela quinta-feira

sábado, agosto 27, 2016

Traído pelo pénis
- ou quando a frustração e a dor são causadas por um motivo de bom tamanho


Há aquele que foi traído por uma alga que se prendeu ao barco, há o outro que por um cagajésimo de segundo não chegou lá e mais o que falhou por uma unha negra. Nada de verdadeiramente excitante. Dir-se-á: é a vida.

Mas há um que poderá gabar-se de o ter de tal forma aparatoso que até o impediu de saltar, quase elevando a fasquia para peripécias nunca vistas.

Na altura doeu-lhe, e pelo esgar não deve ter sido mole, não, mas para o resto da vida poderá gabar-se de ter sido o primeiro a ter o pénis ensarilhado na barra ou lá como aquilo se chama.

Não sei o nome do atleta mas tenho as imagens que testemunham o épico momento.

Aviso: 
as imagens do vídeo que se segue não devem ser vista por cavalheiros sensíveis
(pois se até a mim me doeu fará a portadores de empata-saltos mais sensíveis)

Passou-se nos Jogos Olímpicos Rio 2016 com um atleta japonês na prova de salto 

-- e parece que estamos a falar de 5,3 metros


[refiro-me ao salto, não ao tamanho do pénis - apesar deste parecer ultrapassar as dimensões regulamentares para a modalidade em causa]


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Eu conto: cheguei ao computador já bem depois da meia-noite depois de um dia exorbitante. Trazia em mente falar de um assunto que me desperta muito interesse mas sobre o qual queria ler ou ouvir mais antes de escrever. Só que, na senda do conhecimento, fui desviada pelo algoritmo do google para uma miríade de proezas olímpicas, a começar por esta acima referida. Depois, quando consegui chegar à ciência, adormeci. Agora são duas da matina e já não dá para me atirar para fora de órbita. Veremos se amanhã tenho sossego para tratar desta pendência ao dealbar do dia.

Senão, talvez depois da praia que, certamente, estará vigiada por eficientes nadadores-salvadores.


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Portanto, até já. No espaço.

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domingo, agosto 14, 2016

Polémicas nos JO Rio 2016 - e não tem a ver com a água ficar verde, ou com as centenas de milhares de camisinhas que estão saindo, nem sequer com a gordinha atleta mexicana, não.
Tem mesmo só a ver com alguns percalços nas provas de natação



No outro dia todo o mundo se intrigava com aquilo da água de uma das piscinas ter virado verde. Muito sol, pouco PH, muita alga? Depois de muita especulação, veio a explicação.


Também tem sido notícia a quantidade astronómica de preservativos que se tem consumido na Aldeia Olímpica. 450.000 ao todo, 350.000 masculinos e 100.000 femininos. Feitas as contas, dá cerca de 40 por cada atleta para 19 dias de estadia. A malta é jovem, bla bla bla. Parece que o site de encontros Tinder é outro hit.  Dizem que se vêem casalinhos a fazer sexo ao ar livre, na relva, nos recantos dos edifícios e parece que já teve briga feia pela disputa de quarto livre para uma intimidade mais a preceito.


Quem também tem dado que falar é a ginasta mexicana. Gorda! Pode uma badocha destas ombrear com as peso plumas que voam pelos ares? Pois bem. Não só pode como mostrou que leveza não é sinónimo de falta de peso. Alexa Moreno, uma mulher que notoriamente se alimenta bem, enfrenta as humilhações a que se vê estupidamente submetida e salta e dobra-se e eleva-se como uma talentosa pluma carnuda.

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Mas o que hoje me traz aqui é mesmo a malta da Porta dos Fundos com o seu número de Natação.


Mesmo sem conhecer o esporte ou as regras, todo mundo sabe dizer quando uma competição acaba, não tem mistério. Mas nem sempre é possível chegar num acordo sobre quando ela inicia.


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sábado, agosto 13, 2016

Simone Biles, a baixinha grande atleta que desafia as leis da física e que já é a maior ginasta artística de sempre
-- de menina abandonada pela mãe, filha de pai desconhecido, a criança perfilhada pelos avós, e, desde sempre uma saltitona elástica e feliz


Simone Biles que, quando salta, desafia as leis da gravidade



No outro dia, enquanto estava aqui a escrever, estava de olho nas provas de ginástica no Rio. Umas chinesinhas minúsculas, umas russas espantosas e umas americanas que saltavam como se não fossem deste mundo. Uma delas, pequenina e musculada, parecia possuída por uma alma de borracha, toda ela elástica, um pequeno pássaro negro, um gazela alada, nem sei. Eu estava estupefacta. No dia seguinte fartei-me de falar nisso, estava perplexa com o que tinha visto. Não sabia nomes nem antecedentes.

No dia seguinte voltei a vê-la nas provas e, intrigada, fui procurar no youtube. Uma miúda com uma segurança e uma perfeição desarmantes. Depois de ter escrito aquilo de ontem sobre a arte e a pornografia estive a vê-la e só não escrevi nada porque já era muito tarde e já estava cheia de sono.

Hoje li que ganhou tudo o que havia para ganhar e que esta adolescente, dos EUA, é "só" mais uma obra perfeita (a melhor de todas?) do casal Karolyi, os treinadores que já tinham dado ao mundo a lendária Nadia Comaneci.



Os exercícios no tapete de Simone Biles são qualquer coisa de inacreditável. Provavelemente toda a gente já o viu e não dou nenhuma novidade mas quero que fique aqui no Um Jeito Manso, pro memória:


Simone Biles - Floor Exercise - 2016 P&G Gymnastics Championships – Sr. Women Day 1



O vídeo aqui abaixo mostra-a de perto e mostra o amor dos avós que a perfilharam, a ela e à irmã, para que formassem uma família 'normal'. O vídeo foi feito antes dos Jogos Olímpicos mas a convicção da absoluta superioridade da baixinha (19 anos; 1,45m) era já uma certeza que pairava no ar.



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Simone Biles, a campeã olímpica e ginasta absoluta, vencedora all around, Rio 2016, em pleno voo, reinventanto o significado da palavra magia ou da palavra perfeição ou do que quiserem

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quarta-feira, agosto 10, 2016

Dick Fosbury, o criativo saltador


Escreveu o Leitor P. Rufino em comentário ao post abaixo:

Permita-me que mencione aqui também o atleta norte-americano, Dick Fosbury, Dick Fosbury, que naqueles jogos olímpicos de 1968 revolucionou o salto em altura inventando um novo estilo, ou técnica, ao saltar de costas. O seu salto foi, então, de 2,24m, o que constituiu um novo record olímpico. E hoje esse estilo, ou técnica veio para ficar, tornando o salto de tesoura ultrapassado.

Consegue uma imagem ou filme dele?

Sim, senhor, cá está:


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Momentos de glória e emoção
- Memórias de outros Jogos Olímpicos


Em 1960, em Roma, não sendo favorito de ninguém, um etíope corre descalço. Desperta as atenções não pela forma como corre mas por correr descalço. Contudo, isso não o impediu de vencer os 42 kms. Ganhou a medalha de ouro da maratona.

Mais surpreendentemente ainda, 4 anos depois, em Tóquio, viria a ganhar outra vez a maratona. Desta vez já correu calçado.

Abebe Bikila, o corredor descalço | Roma 1960


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Quando ao espírito olímpico se juntou o espírito da revolta contra a descriminação racial, dois americanos, tendo subido ao pódio por terem obtido o 1º e o 3º lugares, quando o hino começou a tocar, para surpresa geral, ergueram bem alto o seu punho enluvado e, desta forma corajosa, mostraram ao mundo a força do Black Power. Sofreram as consequências mas o seu gesto jamais se apagará da memória colectiva de quem, mais do que medalhas, valoriza os gestos de coragem e orgulho.

Foi no México em 1968 que Smith e Carlos fizeram história e abriram caminho a muitos outros.

Tommie Smith e John Carlos e o seu orgulhoso e militante Black Power | México 1968




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Para verem como sou uma idosa criatura: consigo lembrar-me lindamente do espanto que sentia ao ver aquela menina flexível como um brinquedo, perfeita nos movimentos, leve, segura. Saltava e flectia-se e tinha uma rijeza no corpo como eu nunca tinha visto. E com uma carinha de menina pequena que intrigava. Como era possível uma criança tão novinha ter já uma tal atitude? Nadia Comaneci tinha, então, 14 anos e fazia ginástica desde os 6 anos..


Nadia Comaneci - O primeiro 10 perfeito | Montreal 1976




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Em 1992, em Barcelona, o britânico Derek Redmond, a 150 metros de acabar as meias-finais dos 400 metros, setiu uma dor terrível numa perna. Não querendo desistir do que tinha sido o sonho de uma vida, começou quase a arrastar a perna a ver se atingia a meta. Eis senão quando um homem rompe a segurança e entra na pista para o apoiar até ao fim. Era o seu pai e o momento foi comovente.

Derek Redmond - o atleta que não desistiu | 1992 Barcelona




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Em 2008 um atleta grande, irreverente e veloz como uma pantera voadora ganha a medalha de ouro em 3 provas batendo 3 records. A sua descontração e o seu gesto de lançar uma flecha ao alto tornam-se as suas imagens de marca.

Usain Bolt o veloz flecheiro | Pequim 2008



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Em 2010, Joannie Rochette participa nos Jogos Olímpicos em Vancouver e faz a sua prova de patinagem no gelo na perfeição. No final rompe em lágrimas. Poucas horas depois de ter chegado à Aldeia Olímpica a sua mãe tinha morrido de ataque cardíac. Joannie conseguiu manter-se inteira até concluir a sua prova mas por pouco não desaba em plena pista. Um momento muito comovente.

Joannie Rochette despede-se da mãe | Vancouver 2010




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Daqui por uns dias logo selecciono um best of  Rio 2016


Para já fico-me pela Garota de Ipanema abrindo os Jogos Olímpicos deste ano

Gisele Bündchen desfila na Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016



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Post inspirado no artigo da Elle En images : les dix moments les plus émouvants des JO

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Enquanto escrevo, estou a ver na televisão, horrorizada, o pavor dos incêndios. As imagens do Funchal em chamas são perversamente belas. Os jornais não vão desperdiçar a oportunidade de terem capas tão impactantes e todos os canais vão explorar o medo, a angústia e a beleza das imagens das chamas. Não deveriam. Não deveriam ser divulgadas estas notícias e, sobretudo, estas imagens pois têm um efeito de perigosa tentação para os pirómanos. 


Imagino o horror das pessoas, o medo, vendo a força devastadora do fogo. Tomara que consigam controlar os demónios que andam à solta nas nossas florestas e terras.


E tomara que os nossos valorosos bombeiros tenham energia para resistirem a tão duras batalhas. Como os admiro. Como são credores de todo o nosso apoio e reconhecimento.

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sábado, agosto 06, 2016

Jogos Olímpicos 2016 - o Rio de Janeiro continua lindo
Boa Sorte!


São anos de comprometimento com uma rotina rígida que inclui acordar cedo, preparar refeições balanceadas, abrir mão da própria vida pessoal e amorosa, além de todo o dinheiro gasto com equipamentos e transporte pros treinos, pra chegar na Olimpíada que fica a dois quarteirões da minha casa e eu não poder dar um beijo no meu próprio filho??? Mãe de atleta só tem uma, querido.

Boa sorte


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