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quinta-feira, fevereiro 24, 2022

A guerra excita bué o José Rodrigues dos Santos

 

A televisão está posicionada na RTP 1 e, antes de passar a uma reportagem em que uma voz masculina sotacada relata o que se passa lá pelas terras frias e enquanto Putin, agora vestido*, faz valer as suas razões, José Rodrigues dos Santos, de pé, quase salta de entusiasmo. Estando ele de perfil, verifico que, de facto, lhe falta metade da cabeça. Não tem a parte redonda de trás: cai a pique a partir do alto. Não sei se isso justifica este comportamento histriónico de cada vez que ouve os tambores a rufarem mas acho que deveria ser caso de estudo.

É que nem consegue disfarçar: aponta para o quadro em que se projectam fotografias que só ele percebe, gesticula, faz inflexões na voz, agita as mãos. Felizmente não se baba, senão seria ainda mais bizarro.

Entretanto, apareceu o Guterres a pronunciar-se sobre a situação e como estava a escrever só retive que ainda não melhorou o sotaque, continua a perecer um mexicano que aprendeu americano com alguns gringos guerrilheiros ou traficantes.

E agora aparece o trio de repórteres: o tal senhor que fala português com acentuado sotaque russo e que, para se agasalhar e ficar ainda mais giro, usa um gorro de pele de orelhas. Chama-se Evgueni Mouravitch e está mesmo fofinho, com narizinho encarnado e aquele gorrinho. Está também a Cândida Pinto que, mal lhe cheira a guerra, salta para a boca de cena. Sempre tranquila, deveria ensinar o José Rodrigues dos Santos a ter maneiras. Está bem penteadinha e bem arranjadinha e parece que não está com frio. Em Kiev a temperatura não deve estar má de todo. E agora o João Ricardo de Vasconcelos, em Washington, onde se vê que também não está frio. Também está calmo.

Neste momento está o ministro Cravinho a ser entrevistado. O ministro está tranquilo. Tem sempre aquelas olheiras que denunciam que ou tem insónias ou passa as noites na borga. Seja como for, acho que é um homem com pinta. E resiste bem às investidas do José Rodrigues dos Santos, não está nem aí para os delírios adolescentes do escritor de best sellers.

Portanto, num excitex descontrolado, só mesmo o José Rodrigues dos Santos. Um destes dias ainda ejacula em plena emissão. 


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* Estranho ver o Putin tão vestido porque me habituei a vê-lo armado em Rambo. É que -- e não é por nada -- acho que fica melhor em tronco nu, a exibir o físico, do que vestido e armado em maluco.





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E um dia feliz
Ânimo. Boa sorte. Bons encontros.

quarta-feira, fevereiro 03, 2021

A vacina da prima, os jornalistas que só praticam a má-língua e o grande João de Deus, aka João Vuvu

 

Do que me tenho esforçado por não ouvir pouco consigo concluir. Não sei de que estamos a falar. Por cada lote, entre os que faltam e os que não aparecem, sobram umas quantas vacinas que, para não serem deitadas para o lixo, são aplicadas aos braços que estão mais à mão? Se for isso, é mau? 

  • E de quantas vacinas, nestas circunstâncias, ao todo, face ao total aplicado, estamos a falar? Cagagésimos percentuais? Ou lots and lots
  • Ou não é isso, trata-se é de uns quantos chicos-espertos que usam o seu petit poder para distribuir vacinas pela família e amigos? Quantos? Uma dúzia de chicos espertos em mil que se portam bem? Ou quinhentos?

Pergunto.

E peço desculpa pelas perguntas. Se calhar, isso já é sabido e eu é que estou por fora. 

Além disso, sorry mas tenho outra coisa: gosto de pôr os dramas em perspectiva. Se estamos a falar de insignificâncias que apenas espelham algumas margens da sociedade, que não é perfeita, estou fora. Por muito que as beatas e os orelhudos de Auschwitz se insurjam, não são estes fogachos indignativos que vão tornar o mundo perfeito.

Não alinho, mas nem um bocadinho, nesta sanha persecutória, """jornalistas""" e """jornalistas""" por este país afora, armados em inquisidores de meia-tigela, a ver quantas vacinas descongeladas, em vez de irem para o lixo, foram para o braço da padeira da rua. 

Claro que se não foi bem assim e umas quantas vacinas foram parar ao braço da cunhada e da empregada doméstica em vez de irem para o braço de duas idosas do lar, aí talvez já seja crime. Mas apure-se a verdade dos factos, avalie-se  dimensão do crime e deixe-se que a Justiça funcione. 

Mas poupem-nos. Não se aguenta mais tanta miséria jornalística. Procuram ou inventam motivos para exercitarem a sua língua peçonhenta, para empolarem a tragédia, para apelarem ao choradinho, para pintarem um quadro de nepotismo generalizado, para desencadearem a justiça popular, para abrirem a porta ao populismo. Não tenho um mínimo de pachorra.

Esta cambada que mais não faz do que encher o espaço público de maledicência, criando rebanhos ululantes de maledicentes, enoja-me. Olhem, faço minhas as palavras de um dos meus ídolos. 

E como me apetece fugir a sete pés das notícias -- e não encontro alternativa válida na televisão e como tive um dia de trabalho que durou até não há muito e estou cansada demais para ir procurar melhor alternativa -- permitam que partilhe convosco uns vídeos que me apareceram quando estava à procura do último, vídeos aqui reincidentes e sempre bem vindos. Ganda João Vuvu, João de Deus, João César Monteiro. 

Há pouco, ali em cima, ia dizer de um dos meus falecidos ídolos. Mas resolvi retirar o falecido. Enquanto houver quem se lembre dele e dos seus filmes e vá ao youtube procurar os seus vídeos ele estará vivo.

[Red Alert: quem padeça de ouvidos sensíveis deve abster-se de ouvir os vídeos abaixo. Talvez seja prudente retirar o som ou, pura e simplesmente, desistir porque daqui hoje não sai mais nada]


 





E, quanto aos pseudo-jornalistas que espalham maledicência de forma continuada, é isto mesmo: 

Quero que as más línguas se f...! Paragraph. E assim sucessivamente.


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Resposta a um comentário de há dias: claro que bebemos vinho. Como não? Que pergunta vem lá a ser essa? 

E obrigada ao poeta anal: os seus poemas vão fundo.

E obrigada ao Francisco, uma riqueza de simpatia, sempre com sol nas suas sorridentes palavras.

E ao Amofinado, ao Luís, ao Paulo, ao aamgvieira, à Pôr do Sol, ao Pedro e ao José a quem também devo resposta a comentários ou mails. 

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Desejo-vos um dia bom

quinta-feira, janeiro 30, 2020

E para a devolução da Joacine e das obras de arte não vai nada, nada, nada? Nada.
E para o Abel que gosta de nazis e que chama agiota de judeus ao Aristides também não vai nada, nada, nada? Nada.
E para as notícias todas que para aí andam também não vai nada, nada, nada? Nada.

Eu hoje é mais Rosalia, juro que. E Tim Bernardes, recomeçar.
E Espanca pela voz de Marília



Ouço as notícias e, frequentemente, acho que é espuma e/ou treta. Repetem-se uns aos outros, vão atrás da conversa uns dos outros. Não param para pensar. Não acrescentam, não esclarecem, não raciocinam, não estimulam o pensamento de quem os ouve.

Ainda por cima, os jornalistas portugueses têm agora uma mania que detesto: para que a notícia chame a atenção, histrionizam a locução. Parece que estão a fazer grandes revelações, parece que há drama no ar. Outras vezes há suspense na voz, parece que nem a gente imagina o que está para aí vir. Só falta acabarem a notícia com um cúmplice: 'Se é que me estão a entender...'. Outras vezes fazem cara de e voz de maus e há censura e repreensão por detrás do que estão a noticiar, só falta acabarem a notícia a cuspir para o chão.  

Tenho ideia que tudo começou com o José Rodrigues dos Santos. Empolgava-se todo. Gostou de se ver, os outros acharam que toda a gente gostava de o ver. Passaram em ensaiar ao espelho até ficarem parecidos com ele. Virou moda.


E vão carregando na dose. Ele mesmo vai evoluindo no sentido da total teatralização. Volta e meia está de pé, agitado, aponta para o ecrã onde tudo se passa, abre as mãos, faz pausas logo seguidas de empolamentos, e a gente teme que venha aí um míssil, que a guerra desta vez seja ali, em cima da cabeça dele. No fim, remata com um piscar de olho como que a dizer: 'Lá vos enganei outra vez, seus totós. Certo...?'   

Virou um estilo. De uma forma ou de outra, todos querem seguir-lhes as pisadas. A Cristina Esteves, por exemplo, está quase lá. Só lhe falta que em vez de lhe tremelicar a beicinha, lhe pisque a vista.

Na TSF é o mesmo. De cada vez que é hora certa ou meia hora, em vez de sair um cuco, sai uma voz ansiosa, aflita, anunciando grande bernarda.

Cansa-me isso.

O excesso de emoção e, ainda por cima, emoção a despropósito, cansa-me. As notícias querem-se rigorosas, neutras, fundamentadas, ditas sem estados de alma. Nada de fogo de artifício, nada de cheerleaders a anunciar a gripe das galinhas, das cobras, dos morcegos, e a Joacine e o André Ventura e se a mandamos de volta e se isso é por ela não ser loura ou por gaguejar ou por ser diva, e o Livre e as obras de arte de volta para a terra delas e mais uma chusma de comentadores e, pelo meio, a futura candidata a presidente-justiceira, gémea separada à nascença da amiga Júlia, a espumar ajustes de contas pelas ventas seja contra submarinos, lavandarias & orelhas, Isabéis e família, e, uma vez mais, mil comentadores, mil papagaiadas, mil estalinhos de carnaval, e mais a Joana Amaral Dias e mais meia dúzia de senhoras a manifestarem-se à porta não sei de onde a quererem canonizar o Rui Pinto, esse grande herói...  e patati-patatá, patati-patatá.


Portanto, embora esteja aqui com mais uma atravessada para dizer (e que tem a ver com as razões que me levam a pensar que é bom para o Rui Pinto, esse grande artista dos discos piratas, que se mantenha preso), fecho a porta das minhas ideias, corro as cortinas, e, ansiando por estar na boa e esquecer a onda de resíduos com que a comunicação social tenta submergir-nos, desloco-me até ao cantinho das novidades e das antiguidades e ponho-me a ouvir música. Ao menos isso. A música é uma coisa boa. A pintura também. E a fotografia. E a poesia. A arte em geral. Faz bem, lava-nos as células, deixa-nos limpinhos e prontos para só gostar de coisas boas.


Que entrem, pois, a Rosalia e o Tim Bernardes que Laurence Kubski já entrou trazendo as suas fotografias.






E as palavras ditas. Gosto de ouvir palavras ditas, em especial quanto bem ditas.
Benditas palavras.



Chego ao fim e tenho consciência que nada disto tem muita coesão entre si mas é assim a vida, cheia de desencontros, de encontros inexplicáveis, de acasos, de traços de luz que vêm de longe para se cruzar para logo se desencontrarem. Música, palavras, imagens, coisas que aparecem porque sim, instantes bons, hiatos, coisas de nada.

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terça-feira, maio 31, 2016

António Araújo e José Rodrigues dos Santos
- fascismo, marxismo, O Pavilhão Púrpura, pancada na cabeça e faz de conta que é literatura


Ao dar uma circulada pelos blogs, passei pelo Malomil. Aí, José Rodrigues dos Santos, com o seu cérebro de plástico na mão, parece perplexo talvez porque António Araújo, autor do dito blog, escreve sobre a sua mais recente obrícula no Público. António Araújo deu ao artigo o título Fascismo é quando um homem quiser.


Comecei a ler, mas o texto era dose: tinha amuse bouche, entrada, sopa, prato de peixe, prato de carne, doce, fruta, café e digestivo e, portanto, estando eu a ver se faço dieta, dei uma atravessada um tudo nada rápida pelo texto, gabando a paciência de António Araújo.

É certo que António Araújo, ex-assessor cultural do ex-Cavaco, só pode mesmo ter uma resiliência notável. Senão como perceber que tenha aguentado tantos anos em vão a tentar enfiar alguma cultura na empedernida cabeça do seu ex-presidente?


Para além disso e para além de ser Jurista e Historiador (conforme comprovo no Público), é pessoa de uma prolixidade ímpar. Tenho-o também por pessoa com algum pendor obsessivo pois, volta e meia, se lhe dá para embicar com alguma pobre alma, desencanta dúzias e dúzias de fotografias para ver se avacalha a imagem do coitado (como recentemente fez com Boaventura de Sousa Santos lá no Malomil).
Não gosto do verbo avacalhar mas estou com falta de imaginação. Também me lembrei de ajavardar mas não me parece melhor. Abardinar não sei se existe. Enlamear parece-me excessivo. Bem, se me ocorrer melhor já cá volto para edulcorar a coisa. Para já, fica assim.
Outra vez, lá no seu Malomil, num assomo de completa maluqueira, escreveu um tratado a propósito da capa da revista do Expresso na qual se via Fernando Medina com um smartphone. Não consegui ler tudo, achei que aquilo, mesmo para alguém com uma grande pancada na cabeça, já era delírio a mais e, portanto, preferi não testemunhar tal exercício de tresleitura a propósito de uma simples fotografia.

Bom, mas dizia eu que o bom do António Araújo lhe deu desta vez para gastar o seu provecto latim com um assunto que, em meu entender e às cegas, não mereceria sequer um parágrafo. Deu-lhe, imagine-se, para desmontar as balelas do José Rodrigues dos Santos no seu O Pavilhão Púrpura:
O texto de José Rodrigues dos Santos representa um lamentável exemplo de como uma amálgama confusa de referências e factos históricos pode conduzir a conclusões erradas (...)
Já o contei aqui uma vez. A única coisa que comprei do dito histriónico apresentador de programas alarachados de televisão foi um livro de entrevistas que o dito fez a escritores. Ingenuamente pensei que não tinha muito que enganar. Mas oh oh, se tinha. Eu deveria era ter ido devolver o livro: que coisa mal escrita, mal pontuada... Intragável.

Portanto, que o prosápias dos santos, a quem nitidamente falta metade da cabeça (capaz de ser, justamente, porque acha que o cérebro é para usar na palma da mão), lhe dê para encher páginas e páginas de tretas é lá com ele e com as mariazinhas que gostam do género. Agora que um senhor doutor jurista e historiador se ponha ao mesmo nível e se ponha a rebater as balhelhices do outro é que me parece incompreensível.

Alguém, em seu pleno juízo, liga alguma importância às rocambolescas deduções que uma criatura quem nem um gráfico sabe ler e que nem uma entrevista sabe fazer? José Rodrigues dos Santos sabe alguma coisa de marxismo, fascismo, codex, sexo de Cristo ou como dar banho ao cão para que alguém se ponha a ler o que ele diz e depois a rebatê-lo...?


E, portanto, com vossa licença, deixem que confesse: depois de ler o texto de António Araújo sobre as teorias de cão de caça do José Rodrigues dos Santos só me ocorre dizer que tão maluco deve ser um como o outro.

E, no fim de tudo, só retiro mesmo, mesmo, uma conclusão: que o António Araújo está melhor agora do que quando andava a ver se conseguia fazer alguma coisa do Cavaco. Via-o nas fotografias muito penteadinho, muito enjoadinho, muito cinzentinho, Aliás, nem sei se não estou a fazer confusão. Olho para o antes e para o depois e não me parece o mesmo. Este agora, colorido, bronzeado, mais despenteado, com ar mais desempoeirado, parece-me outro.

Seja como for, o António Araújo que vejo agora com ar malandreco na fotografia do Público mostra que está a caminho da regeneração. Só falta fazer uma cura qualquer para ver se deixa de andar a perder tempo com nulidades.

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O oposto: um exemplo de contenção e pontaria, reduzindo tudo ao título do post, é este delicioso post do Valupi no Aspirina B:


Sócrates, não mates o procurador, pá


Delicioso.

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E já cá volto para mostrar graffitis, casais e outras coisas. Até já.
Isto se conseguir que o computador desenvolva, o que, digo já, me está a parecer muito difícil. Esta coisa de eu não querer perder tempo a limpar o disco está a tornar-me a vida complicada...

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sexta-feira, outubro 09, 2015

As orelhas homossexuais de José Rodrigues dos Santos, o rejuvenescimento vaginal da Cristina Ferreira e o saudoso Malaquias


No post abaixo disse o que tinha a dizer sobre este episódio José Rodrigues dos Santos & Alexandre Quintanilha e confesso que não disse muita coisa porque o tema não me inspira por aí além. 


Provavelmente enganou-se mesmo, sei lá. Diz que não sabia sequer que Quintanilha é homossexual o que revela que, como jornalista, anda muito mal informado. Ou seja, provavelmente o problema dele é bem mais profundo do que o de se armar em engraçadinho. 

Como refiro no post abaixo, do pouco que lhe conheço, o que posso atestar é que nem vírgulas sabe colocar. Nem vírgulas nem nada: escreve mesmo muito mal. E sobre isso nunca vi ninguém indignar-se. Pois bem, nesse post, já que como jornalista deixa um bocado a desejar, sugeri que ele passasse a fazer programas de entretenimento com a Cristina Ferreira e que ambos divulgassem o rejuvenescimento vaginal que a estridente apresentadora anda a badalar, começando ele por usá-lo nele próprio, nomeadamente nos miolos que costuma usar na mão. 



Eis senão quando a Leitora Rosa Pinto, num comentário, numa de caridade, sugeriu que usasse ele o produto nas orelhas. E isso, ó Rosa, francamente, já me parece arriscado. Vai que o homem põe o produto nas orelhas e que o respectivo orifício e seus rebordos ficam mesmo rejuvenescidos. Já viu o risco? Imagine se ele se cruzava com o Malaquias, quando o saudoso ainda era vivo...? Ai, nem quero pensar. Ou, a ser verdade aquilo dos homens pequeninos, vai que ele entrevista o Marques Mendes num daqueles dias em que o catraio está num excitex. Já viu bem?

...

Dito isto, presumo que toda a gente saiba quem foi o Malaquias mas, a quem não saiba, eu conto.


Um funcionário de uma agência funerária está a trabalhar de noite para examinar corpos antes de eles serem sepultados ou cremados.

Examina um corpo, identificado como Malaquias, que está para ser cremado, e descobre que o defunto tem o maior pénis que ele já vira na vida.

Desculpe Sr. Malaquias - pensa o funcionário - mas não posso mandá-lo para o crematório com essa coisa enorme. Ela tem que ser conservada para a posteridade.

Com um bisturi, remove o pénis do morto, guarda-o num frasco e vai para casa. 

A primeira pessoa a quem ele mostra a 'monstruosidade' é à sua mulher:

- Tenho algo inacreditável para te mostrar, querida. Nem vais acreditar!

Com cuidado, abre o enorme frasco. 

Ao ver o conteúdo, a mulher grita, estarrecida:

- Oh, meu Deus, o Malaquias morreu !!! 



 [Moral desta simples e instrutiva história:  Nunca leve trabalho para casa]

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Ai que gaffe que eu cometi. Fui agora à procura do dito programa da Cristina Ferreira e do Goucha e, afinal, aquilo do rejuvenescimento vaginal não é um produto, afinal é uma cirurgia. Bolas, bolas, bolas. Até me encolhi ao ver aquelas imagens. Ai que até dói. Não ponho aqui o vídeo porque é tudo tão estranho que não quero cá daquilo. 


Mas pronto, o Rodrigues dos Santos podia, na mesma, usar a técnica nas orelhinhas, tirar o material a mais. Claro, o risco manter-se-ia até porque aquela senhora doutora, habituada que está a desbastar, desbastar e, no fim, deixar umas vagininhas todas bem feitinhas, na volta, distraía-se e deixava o Orelhas com duas passarinhas, uma de cada lado da cabeça. Um risco, um risco.


Pedir para demitir o José Rodrigues dos Santos por ser homofóbico? Ou por dizer piadas secas? Ou por ter a mania que é bom? Eu...? Não, lamento. Não costumo meter-me nestas campanhas que têm a ver com animais.


E dizer mais o quê? 

Comprei um único livro do dito. Volta e meia alguns colegas meus falam-me dos livros dele conferindo se eu já li como se, por toda a gente comprar, toda a gente tivesse que comprar. Ora eu funciono ao contrário. Leio os jornais de trás para a frente, pego nas revistas e folheio-as de trás para a frente. Sou caranguejo, não sei se estão a ver. E, portanto, se um livro já foi lido por toda a gente eu passo-lhe ao lado. 

Mas uma vez caí na esparrela. Era um livro de entrevistas a escritores e pensei que se haveriam de salvar as respostas dos escritores. Errado. Nem isso. Animal que é animal sabe lá onde pôr as vírgulas? Uma lástima. Tão mal escrito estava que me passou a curiosidade sobre o que diziam os escritores, vejam só.


Tirando isso, acho que está tudo certo. Aliás, acho que certo, certo mesmo, era ele fazer um programa a meias com a Cristina Ferreira para divulgarem o rejuvenescedor vaginal de que o Leitor P. Rufino falou num comentário ali mais abaixo. Mais: até acho que é um produto que ele bem poderia usar nele próprio: se o produto rejuvenesce vaginas, talvez lhe faça também bem aos miolos. Já que nem os usa dentro da cabeça, ao menos que se passeie com eles pela mão todos reluzentes e lubrificados a ver se engana alguém.

E é isto.
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Não, não é isto. Afinal enganei-me. Esclarecimento aqui.

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E agora é que é.

desejo-vos, meus Caros leitores, uma bela sexta-feira.
Paz e amor para todos.

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terça-feira, abril 08, 2014

José Sócrates dá baile ao papagaio pouco inteligente que teima em entrevistá-lo na RTP 1 enquanto, na TVI, Marcelo se queixa das colonoscopias sem sedação com que Passos Coelho tem andado a fustigar a população - e eu pergunto: porque não trocar ao domingo à noite o José Rodrigues dos Santos com a Judite de Sousa? Só para ver no que dava.


Há papagaios bem ensinados, há os que aprendem coisas a metro, há os que gostam é de espanejar e dar nas vistas, há de todo o tipo.

O que os papagaios deveriam ter presente é que, embora falem imitando outros, não são outros: são apenas papagaios. E, assim sendo, aconselharia a mais elementar prudência que medissem bem com quem se metem.

É que podem imitar um gato, um porco, um galo, podem cantar os parabéns a você... mas não sei se conseguem sair por cima se se forem meter com um animal feroz.

Vejamos um papagaio de um tipo mais evoluído: Einstein the Parrot, com quem o The Pseudo-Writer poderia ter umas sessões de coaching caso, armado em fera, persista em atirar-se à jugular do comentador. É que, assim como assim, já que não vai conseguir fazer sangue, ao menos sempre pode entreter-nos fazendo umas habilidadezitas.


E mais: talvez o papagaio Einstein o ensine que não se diz ter a haver mas sim ter a ver




Já em relação a Judite de Sousa, agora que anda mais cheiinha, toda bem maquilhada, toda gira e de bela perna ao léu, sugeria que fosse fazer uma cura de sono para acalmar os nervos que apanha à segunda feira, sempre que atura o chato do Medina. Hoje, então, antes do meu marido ter tido um ataque de fúria com o Vítor Bento que estava à desgarrada com o Medina, vi-a mesmo em palpos de aranha para pôr alguma ordem na mesa. Coitada. Deve sair dali com a cabeça feita em água. Ficava umas duas semanitas a banhos com o seu gato e deixava o terreno para uma certa experiência.

Eu punha o Bruno Nogueira a fazer a primeira parte do programa do Professor, tipo peão de brega. E isto na esperança de que entretanto tivesse adquirido maior perícia e desenvolvido alguma capacidade de réplica face ao que abaixo vos mostro.

E a seguir avançava então o papagaio orelhudo. Sempre queria ver se chegava carregado de folhas de arquivo e se desatava a fazer barulho e a arreganhar o dente armado em tigrão. 'Tenho aqui uns papéis a dizer que se encontrou com o outro num quarto de hotel'. 'Pois olhe que não é o que se lia na imprensa por altura da vichyssoise'. A ver se, de cada vez que o Marcelo abrisse a boca, o interrompia com uma treta tirada de um papel qualquer. 




Ou então o Marcelo a entrevistar o Sócrates - também teria graça. Com o pequeno Marques Mendes a apanhar bolas.

Ou o papagaio Einstein a entrevistar o Láparo. De cada vez que o Láparo respondesse, o Einstein desatava a rir-se à porco.

Mas, enfim, isto já é o meu olho para o negócio a pensar em fazer subir as shares se fosse eu a mandar num canal televisivo.

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terça-feira, março 25, 2014

José Rodrigues dos Santos no espaço de "opinião de José Sócrates", ou quando o moderador resolveu armar-se em protagonista (não em jornalista) no espaço destinado ao convidado: esclarecimento junto de alguns dos Leitores do Um Jeito Manso que comentaram o post abaixo e que, ao que me parece, não o compreenderam.


Tem graça isto. Sócrates divide as águas, disso não haja dúvidas. Ontem escrevi um texto sobre o que se passou na RTP (o ataque à má fila que José Rodrigues dos Santos lhe desferiu), e as visitas ao UJM não param e os comentários agitam-se.





Os ânimos exaltam-se de cada vez que o tema Sócrates vem à baila e há pessoas que perdem a tramontana. Odeiam o homem e, muito sinceramente, não percebo porquê. Não sei o que tem ele que esfrangalha tão facilmente a racionalidade de alguns (a menos que a dita racionalidade já seja, de si, escassa).

Tenho a dizer-vos, meus Caros, que não sou das áreas da metafísica, do jornalismo, ou de outras áreas dadas à efabulação. Não. A minha formação académica anda pelas áreas das ciências exactas e toda a minha (longa) vida profissional gira à volta de áreas exactas, números, resultados, gestão. 

Pelos frutos os conhecemos, disse o apóstolo e por isso me guio. Mas não analiso resultados independentemente do contexto. Invoco de novo a minha formação (académica e pós-académica) e toda a minha (longa) vida profissional para vos dizer que sei bem identificar as variáveis, as restrições, as relações de contexto, as tendências, as causas e as consequências, etc, etc.

Olho para as peças que mostram o desempenho de uma organização e interpreto-as e interpreto-as não em ambiente asséptico mas inseridas no contexto. E analiso-as com racionalidade, não com emoção, muito menos com paixão.

Tenho também experiência em negociação. Digo-vos: não é qualquer um que consegue dar-me a volta. Diz de mim quem me conhece bem: como adversária ela é temível.

Por isso, quando defendo Sócrates não o faço por paixão, por pancada, por pulsão irracional. Não. Louvo-o no que acho que é de louvar, critico-o quando é de criticar. Várias vezes o fiz durante a sua governação. Por exemplo, quando aumentou os ordenados dos funcionários públicos em 2009, muito o critiquei. Não havia, na altura, razões nem condições para o fazer. Também, quando aceitou cumprir cegamente alguns regulamentos europeus (made in Alemanha) nas obras do Parque Escolar, critiquei-o. Não o critiquei por melhorar as escolas, por gerar emprego local e não só, não o critiquei por apoiar a arquitectura nacional, a engenharia nacional, as empresas locais, etc. Critiquei-o, sim, por, obedecendo a regulamentos europeus, ter aceitado importar equipamento térmico inadequado para o País, fazendo o frete aos alemães - coisa de pormenor, no entanto, face à dimensão dos aspectos positivos. 

Mas elogiei-o quando o vi (e vi mesmo - read my lips) a apoiar a reindustrialização do País, quando o vi a puxar pelo ensino e pela investigação, quando o vi a tentar vender os produtos do país por esse mundo fora, quando o vi, in extremis, a lutar por uma economia que ameaçava parar. Cada um dos processos não terá sido isento de erros. Mas isenção de erros é coisa que não existe em lado nenhum. Há é que fazer o balanço e identificar a linha de rumo e, não tenho dúvidas, caminhava-se, então, no bom sentido.

Analiso os resultados da governação Sócrates e separo os exercícios, não observando da mesma maneira o período 2005-2008 e o seguinte, em que estava em minoria, dependente da aprovação de uma maioria hostil, e pior, com o País a sofrer as vicissitudes de um mundo ocidental em crise e de uma UE a mandar, primeiro, avançar uma política expansionista (como forma de evitar a retracção decorrente da crise financeira internacional) e, logo a seguir, a mandar retroceder a todo o vapor.

Sei distinguir as boas decisões e as menos boas, fruto de algum voluntarismo inflaccionado por se sentir acossado face a uma maioria hostil.

Sócrates é um lutador e quer o bem do País. Sócrates ama Portugal e os Portugueses e disso eu não tenho dúvidas. Sócrates quer que Portugal seja um País desenvolvido, com gente instruída, capaz de encarar o futuro com orgulho. Disso não tenho dúvida. E nisso estou do seu lado.

Sei também que Sócrates, sabendo que a economia flui em função da confiança, lutou até ao último pingo das suas forças para escamotear o estado periclitante em que a crise internacional e a maioria hostil estavam a deixar o País - pois sabia que, quando baqueasse, os mercados fariam ajoelhar o País e que uma intervenção externa seria inevitável. Contra isso lutou até ao limite do razoável. Não considero que escamotear a situação do País para tentar evitar o que já se adivinhava como irremediável seja uma mentira mas sim uma forma (extrema) de lutar.

Acho que Sócrates, se não estivesse em minoria (com um Parlamento cheio de hienas ansiosas por avançar para a carniça - e refiro-me a um Passos Coelho impreparado e perigoso, a um Portas, ambicioso e bailarino e que, curiosamente, contavam com o apoio de um Louçã a querer afirmar o BE e de um Jerónimo sempre do contra), teria lutado de outra forma e Portugal não estaria como está hoje. 

Uma vez que tinha o apoio da UE e da própria Merkel, teria conseguido aguentar a pressão dos abutres até que a Europa e o BCE erguessem o escudo protector.

Mas, quando ganhou as segundas eleições sem a maioria absoluta, cometeu um erro, Sócrates. Aceitou formar governo sozinho. Deveria saber que Cavaco não é flor que se cheire e deveria ter percebido que hienas como Passos Coelho e Portas não tardariam a atirar-se ao pescoço do País.

E isto é o que eu penso de Sócrates e do período em que foi Primeiro-Ministro.

**

Quanto ao que José Rodrigues dos Santos fez ontem na RTP, volto a dizer que acho que foi deselegante, mal educado, inconveniente. Repito: aquilo é um espaço destinado à opinião de Sócrates. A que propósito desatou a fazer-lhe uma entrevista relativa ao passado?





Aqui há algum tempo, fui convidada para ir dar uma aula livre mas sobre um determinado tema a uma universidade.

Quem me convidou acompanhou-me ao anfiteatro, apresentou-me e deu-me a palavra. No final, deixei espaço para perguntas e respostas e a pessoa que me tinha convidado, para desbloquear a normal inibição, colocou-me a primeira pergunta. Imagine-se se essa pessoa, ao invés, ao apanhar-me ali no palco, perante um anfiteatro pejado de alunos e de alguns professores, resolvia começar a fazer-me perguntas a ver se me apanhava em falso, ali à frente daquela gente que se tinha juntado para ouvir a minha opinião sobre um determinado tema. 

Era só o que me faltava. Eu aceder a ir ali e, sem mais nem ontem, quando dava por mim estava a ser interrogada por alguém que parecia querer ver-me ali estendida ao comprido. Das duas uma: ou perguntava a essa pessoa se estava com os copos ou se estava a gozar comigo. E, se a pessoa persistisse, levantava-me e ia-me embora. Claro.

Uma coisa bem diferente seria se me tivessem convidado para ser entrevistada sobre um determinado tema. Se aceitasse, sabia ao que ia, sabia que, quem vai à guerra, dá e leva, sabia ao que me estava a sujeitar.

Se José Rodrigues dos Santos queria fazer uma entrevista sobre a governação de José Sócrates deveria convidá-lo para isso - e estou certa que Sócrates ia de boa vontade. Não o apanhava à má fila, como fez neste domingo.


Rodrigues dos Santos não fez jornalismo, não deve ter sido isto que aprendeu na BBC, não foi acutilante, não foi a Oriana Fallacci dos pobrezinhos: foi simplesmente despropositado e malcriado. Quis o protagonismo para si como, de resto, sempre quer.





Mas volto a dizer: em boa hora o fez. Sócrates não se irritou, não se desnorteou. Manteve a calma, manteve a cabeça no lugar, respondeu a tudo e respondeu bem. José Rodrigues dos Santos, de facto, deu a oportunidade de que Sócrates gosta para o combate político, para afirmar as suas convicções.


Espero agora ter sido mais clara para que os Leitores não venham tresler o que eu escrevi, tirando conclusões de pernas para o ar.

Mas, meus Caros, caso queiram, contem comigo para isto. Não viro costas a uma boa divergência. 


*

NB: A quem aterrou agora aqui, lembro que, descendo um pouco mais, encontrará o texto da polémica, o que ontem escrevi e que já recebeu (até à hora em que escrevo) para cima de 2.700 visitas.


segunda-feira, março 24, 2014

José Rodrigues dos Santos atira-se a Sócrates como um cão raivoso. Num inusitado ataque cerrado, trazendo afirmações de arquivo para ver se entalava Sócrates, parecia estar a fazer um despropositado ajuste de contas: em vez de o deixar fazer o habitual comentário semanal, atacou-o de uma forma traiçoeira. Mas eis que, em vez de entalar Sócrates, lhe proporciona uma inesperada oportunidade de defesa. Só faltou ao Animal Feroz dizer ao Orelhas: 'make my day...'. Veja o vídeo.


Juro. Eu estava a ver e não estava a acreditar. É como se eu convidasse uma pessoa para vir a minha casa lanchar, para trocarmos uns dedos de conversa e, sem aviso prévio, na presença de outros convidados, lhe desferisse um pérfido ataque. 

José Sócrates, na RTP 1, como habitualmente preparado para tecer o seu comentário sobre a actualidade, viu-se de repente, em directo, sem aviso prévio, a ser alvo de um ataque cerrado. Como se estivesse num violento debate com um líder da oposição, Sócrates viu-se confrontado com acusações atrás de acusações. José Rodrigues dos Santos parecia estar possuído. Carregado de papéis com frases de arquivo, tentou apanhar Sócrates em armadilhas, confrontando-o com afirmações proferidas em anos anteriores ou com medidas tomadas enquanto era primeiro-ministro. Tentava, na dele, demonstrar contradições. A isenção ou neutralidade de quem deve moderar um comentário político foram atiradas às malvas. José Rodrigues dos Santos parecia ter virado um mastim mas dos rafeiros, dos que não conhecem regras mínimas de convivência. 


José Rodrigues dos Santos armado em cão raivoso com Sócrates
Ao abusador José Rodrigues dos Santos
saíu-lhe o tiro pela culatra:
Sócrates não é bichinho meigo
que se deixe apanhar com facilidade
Sócrates parecia nem estar a acreditar no que lhe estava a acontecer e até deixou sair um 'não vim preparado para isto'.

Mas Sócrates é um animal político e um animal feroz. Se se sente atacado, vira um infalível predador. Tem sangue quente, sabe o que disse, sabe o que fez, sabe o que quer e para onde se deve ir, tem energia para dar e vender, tem a mais o que o Totózero tem a menos, e, por isso, nem por um instante se assustou, se atrapalhou. Teve resposta pronta para tudo e devo dizer que acho que se saíu muito bem.

Diria mesmo que, no fim, só lhe faltou soprar o cano do revólver e pedir ao putativo escritor que lhe proporcione mais oportunidades destas.

E uma coisa posso eu dizer: se, por um lado, José Rodrigues dos Santos mostrou a raça de que é feito, uma raça desleal, deselegante e mal-educada, por outro, proporcionou um inesperado momento de televisão, deixando que ficassem bem claras as grandes diferenças entre quem defende uma austeridade cega e mortífera (Passos & Portas) e quem defende rigor orçamental a par de crescimento e de respeito pelas pessoas (Sócrates - e, vá lá, concedo, Seguro).

Não sei se Rodrigues dos Santos tinha as costas quentes para uma actuação destas, tão violenta e mal educada, e se é moda agora na RTP destratarem os convidados, tentarem apunhalar os comentadores. Nunca tive grande impressão deste sujeito mas hoje ficou bem claro que é mesmo de má raça; resta saber se agiu em conivência com as estruturas da RTP ou se foi apenas uma coisa má que lhe deu..

Mas revelou fraca inteligência: deveria saber que Sócrates não é um pateta qualquer que se deixe apanhar na primeira ratoeira.

Sócrates pode não ser Deus na terra, pode não ter vocação para pastorinho, pode não ser o sobrinho bem comportado que qualquer tia beata deseje, pode ser teimoso, obstinado, por vezes irascível, pode isso tudo. Mas sabe o que quer, deseja o bem do país e dos portugueses, é um lutador, e tem resiliência e coragem para dar e vender. Mil vezes o tentaram derrubar e mil vezes ele se levantou.

Não ia ser um orelhas qualquer que o ia intimidar ou apanhar numa curva.

E a questão não está nas perguntas que José Rodrigues dos Santos fez ou deixou de fazer: está no facto de Sócrates não estar ali para ser entrevistado. Se José Rodrigues dos Santos queria tirar a limpo tudo o que Sócrates fez ou disse desde que nasceu deveria convidá-lo para uma entrevista e não apanhá-lo à traição e à má fé num espaço dedicado a outra coisa (isto é, ao comentário à actualidade). 


É que, apesar de muita gente querer o contrário, não vale tudo.


[Continua aqui].


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O vídeo intitulado 'miserável julgamento de José Rodrigues dos Santos no comentário de José Sócrates' que se encontrava disponível no Youtube já o não está dado que a RTP o mandou retirar, alegando direitos de autor.


Encontrei um outro vídeo mas aquilo é uma justaposição absurda, frases que se repetem desconexamente (há gente estranha que se entretém a fazer coisas esquisitas).

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Sobre este mesmo assunto, poderão também ler o comentário, também em cima do acontecimento, no DN.


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Para lerem excertos de três artigos do Expresso que merecem uma leitura atenta (Pedro Santos Guerreiro, Maria Filomena Mónica e uma entrevista a José Félix Ribeiro) e, de passagem, para ouvirem um bom som, desçam, por favor, até ao post seguinte. Como um insignificante bónus, poderão ver, uma vez mais, a primavera em toda a sua graciosidade e força in heaven.


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Muito gostaria ainda de vos convidar a irem até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, onde hoje tenho Eduardo Tornaghi dizendo, com a sua voz quente, o poema O Fotógrafo do grande Manoel de Barros. Muito bom.

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E, assim sendo, por aqui me fico por agora. Estava a preparar-me para vos falar de uma bailarina muito cá de casa, a versátil e talentosa Sylvie Guillem. Mas, quase no fim, fiz uma inflexão para escrever sobre o ataque do Rodrigues dos Santos ao Sócrates e agora já é tarde, estou com sono. Fica para amanhã, já que está quase pronto.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana, a começar já por esta segunda feira. 
Saúde e e bons momentos de felicidade é o que vos desejo.

domingo, outubro 13, 2013

"Barómetro Literário" do Expresso. O PSI 20 dos escritores portugueses segundo os críticos literários do Actual, Clara Ferreira Alves, o dito José Mário Silva, Pedro Mexia, Luísa Mellid-Franco e Ana Cristina Leonardo. Muito bem. Gostei. E belas ilustrações de Gonçalo Viana. Estão de parabéns.






Depois de ter já aqui algumas vezes desfiado o meu desagrado pelos fretes que as revistas e suplementos literários fazem às editoras ou ao público mainstream (que consome tudo o que é vendido com roupagens propagandísticas bem engendradas), eis que hoje o Expresso me surpreende agradavelmente.

Por causa das doze páginas que o Viegas deu ao Valter não comprei este mês a Revista Ler tal como não compro Jornais de Letras ou o que quer que seja que estenda passadeira vermelha a artistas que se convencem que são escritores mas que, hélas, não passam nem por lá perto.


No outro dia fiquei passada com o José Mário Silva no Actual, todo ele a enroupar aquele fulano que gosta de andar nu e assim deveria ser mostrado. Quando um crítico literário louva os Valtinhos desta vida, eu, a partir daí, deixo de considerar a sua opinião e, por arrastamento, descreio dos jornais ou revistas que contratam críticos de gosto tão duvidoso. Não é por nada mas como é que, a partir daí, posso fiar-me no que dizem?

Claro que, em relação ao Expresso, não posso ser tão purista pois, não tendo eu tempo para ler jornais diários, tenho que me desforrar ao fim de semana e, além do Actual, gosto de ler todo o resto (excepto o que se refere a desporto).


Posso achar que o Ricardo Costa gosta de se armar em profeta - e de, a partir daí, se ver na necessidade de provar que tem ou vai ter razão ou de justificar porque é que não a teve - e que, pior ainda que isso, tem pouco sentido crítico, não é intuitivo, se um palerma qualquer diz uma parvoíce qualquer, ele não duvida. Posso também achar que é de gosto muito duvidoso ter lá uma criatura como o Henrique Raposo, que é vulgar e de um reaccionarismo primário, ou um Daniel Bessa que defende uma coisa e o seu contrário, tudo sempre fora de tempo e dando palpites sempre ao lado, ou um Henrique Monteiro que escreve banalidades com ar proficiente, demonstrando que é tão influenciável que até chateia - mas, enfim, tem também uma Clara Ferreira Alves, agora um Pde José Tolentino Mendonça, um Nicolau Santos, um João Garcia, um Fernando Madrinha, um Pedro Adão e Silva e outros cujas opiniões gosto de ler, mesmo que nem sempre concorde com o que escrevem.


Por isso, reportando-me agora apenas à crítica literária, não é uma andorinha como o José Mário Silva que estraga a primavera e, portanto, de forma fiel, lá continuo todos os sábados a ler o Expresso.


Mas, dizia eu, esta semana surpreenderam-me e redimiram-se. Com um trabalho como o de hoje o Expresso fez um favor aos seus leitores.

A ideia do Expresso foi dar oportunidade aos críticos literários residentes de, no que à literatura portuguesa diz respeito,  separarem o trigo do joio, indicando quais, em sua opinião, são os escritores mais sobrevalorizados e quais os mais subvalorizados. 


E, ao fazê-lo, revelaram a sua própria qualidade de críticos literários. 

Os leitores do Actual do Expresso agradecem esta separação de águas.

Não apenas é interessante confrontarmos a nossa opinião pessoal com a deles como ficamos a perceber melhor quais os seus referenciais.



Clara Ferreira Alves coloca Alexandre O'Neill e 'Subvalorizar "novíssimos"' no grupo dos que deveriam merecer mais atenção. 


E, de forma clara, aponta o dedo aos jogos de interesse que proliferam nos pequenos meios literários que sobrevalorizam uns, impedindo a valorização de outros que a mereceriam. 



Refere explicitamente que a LER é um produto de lobby, o de Francisco José Viegas com o seu index de inimigos e desagrados


Concordo com ela.


Por outro lado, coloca Miguel Torga e Valter Hugo Mãe no grupo dos que são sobrevalorizados. Sobre Miguel Torga não sou tão justiceira como ela mas, sobre o segundo, faço minhas as suas palavras: é um dos exemplos mais cómicos do cabotinismo literário lusitano.


Com José Mário Silva não me identifico, excepto talvez no que se refere a Carlos de Oliveira que acha que é subvalorizado face ao que vale. Não me revendo nas suas restantes opções, passo à frente.



Pedro Mexia deixa-me curiosa com as suas escolhas sobre os que acha que mereceriam melhor reconhecimento: Rui Knopfli e Teresa Veiga. Conheço mal o primeiro, não tenho, pois, ideias formada sobre ele, e não conheço Teresa Veiga. Tenho um único livro dela e acho que ainda não li. Tenho que ir averiguar. Prezo a opinião de Pedro Mexia (apenas uma vez achei que estava a fazer um frete mas percebi depois que, a ele, a amizade por vezes tolda-lhe a isenção e, enfim, sendo isso raro e sendo por uma boa causa, por aquela vez passou).


Quanto aos que acha que valem menos do que o valor que lhes é atribuído, acho que Pedro Mexia foi um cavalheiro: sobre Luis Sttau Monteiro cingiu-se à peça 'Felizmente há luar' e, ao referir Florbela Espanca, falou da sua vida complexa e tempestuosa que despertou uma atenção tal que ajudou a sobrevalorizar a sua obra. Concordo.


Luísa Mellid-Franco escolhe Fernando Campos e Pedro A. Vieira como os mereceriam mais atenção mas não posso opinar: não conheço a obra de um e outro. 


Nos que considera sobrevalorizados coloca António Lobo Antunes (com excepção para os três primeiros livros). Eu juntaria às excepções os livros de Crónicas. Os restantes livros são como diz Luísa Mellid-Franco: circulares, déjà vu. Junta J. Rodrigues Santos como um dos que não merece a fama que tem. 


Custa-me ver António Lobo Antunes ao pé do gnomo no jardim, parece-me que, apesar de tudo não há comparação. Mas, enfim, embora guardando as devidas distâncias, concordo que o primeiro é sobrevalorizado no que toca aos romances a partir dos três primeiros e concordo que o segundo não pode ser considerado escritor.





Finalmente Ana Cristina Leonardo. Gostei das suas escolhas. Nos que considera que deveriam ser melhor divulgados, refere Teresa Veiga, tal como Pedro Mexia o fez. E junta Ferreira de Castro, o que me agradou muito. Li a obra inteira de Ferreira de Castro ainda era menina e moça e acho que foi com ele que conheci a vida dos que, vivendo em condições difíceis, conservam a dignidade, dos que têm a sabedoria da vida em tempos de neve, nas serras, entre pedras, mãos calejadas, aventuras e sobrevivência a par de uma vida dura. E a Selva, que tenho em luxuosa edição, capa de pele e ilustrações de Júlio Pomar, que me ensinou o que é natureza humana quando a sobrevivência tem lugar na solidão de uma natureza cuja vida rebenta por todo o lado, a toda a hora. Gostei muito que Ana Cristina Leonardo se tivesse lembrado de Ferreira de Castro.



Como concordo com as duas estrelas de pechispeque que a falta de exigência vigente confunde com estrelas de verdade: José Luís Peixoto e Valter Hugo Mãe. Sobre o primeiro gostei, salvo erro, do Nenhum Olhar e gosto de um ou outro poema. Mas de todos os outros penso que são puro pastiche, lugares comuns, kitch, coisa armada nem sei em quê, uma repetição saturante. Sobre o segundo, o homem do sexo lavável (vá lá, ao menos é limpinho), faço minhas todas as palavras de ACL (nomeadamente quando diz que, se toda a literatura é fake, convém que não se note logo).

Ana Cristina Leonardo é uma arretada do caraças (e agora falo também da sua vertente pessoal, que conheço através do seu Meditação na Pastelaria). Tirando as vezes em que se atira, sem dó nem piedade, à jugular do colega de profissão, Eduardo Pitta - faz-me impressão aquele destratamento impiedoso para com um colega; acho que poderia ser crítica sem ser tão cruel ou, se sente mesmo necessidade de o mutilar, então que o fizesse em privado - geralmente estou de acordo com ela e até acho piada à forma desabrida e destemida como dá o peito às balas. Acho que conserva aquele despudor e aquela irreverência próprios das adolescentes difíceis - e isso tem graça.



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Como referi no título da mensagem, está também de parabéns o ilustrador Gonçalo Viana. Belo trabalho. 


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A música é Sou tua numa interpretação de Marta Dias com António Chainho. Gosto muito da voz de Marta Dias. Escolhi-a porque queria uma música portuguesa pouco conhecida e interpretada por alguém que não fosse maisntream - e foi logo dela que me lembrei


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E, por agora, por aqui me fico. Tenham, meus Caros Leitores, um belo domingo.

sábado, setembro 28, 2013

José Rodrigues dos Santos e o seu último livro, 'O Homem de Constantinopla', sobre Gulbenkian: 'o Gnomo no Jardim' ou o balde de água fria deitado em grande estilo por Clara Ferreira Alves no Actual do Expresso deste sábado


Actual do Expresso

Gnomo no jardim e, ainda por cima, a cavalo num coelho
(isto dos coelhos é praga que não nos larga, credo -
claro que não tenho nada contra os coelhos de boa índole)


A propósito de gnomos, nomeadamente dos gnomos no jardim da literatura, a semana passada mostrei o meu desagrado pelas quatro páginas concedidas pelo Expresso ao novo livro de Valter Hugo Mãe. Os meios de comunicação social em peso a divulgarem uma coisa que não passa de um produto comercial de fraca qualidade, imprensa que deveria pautar-se pela exigência a dar honras de capa a um chorrilho de banalidades travestida de pseudo-literatura - tudo isso me arrelia imenso. Claro que tratando-se de produtos de consumo, consome quem quer mas a verdade é que toda a gente sabe que o mainstream se faz de conjugações mediáticas e, aos poucos, a exigência e a qualidade vão ficando pelo caminho. Um dia o campo estará minado por erva daninha - e é sabido como a erva daninha impede as outras espécies de vingarem. Estas coisas fazem com que eu me insurja. Num mundo perfeito toda a gente deveria estar sequiosa de obras de qualidade e, em contrapartida, ficar indiferente perante tentativas de aprendizes mal sucedidos.

Mas, enfim, esta semana o Actual do Expresso surpreendeu-me e eu aqui estou para mostrar o meu agrado. Chapeau.



Clara Ferreira Alves vai refinando na pontaria e na acutilância
(e, finalmente, parece ter acertado num look que a favorece bastante:
fica com um ar moderno, interessante, valoriza a sua maneira de ser)

Clara Ferreira Alves, alguém que sabe de crítica literária e mantém uma notável isenção (pelo menos, assim parece), dedica 3 páginas a José Rodrigues dos Santos (J.R.S.). 


Um texto fantástico a que deu o título assassino de O Gnomo no Jardim, título que airosamente assenta sobre a fotografia do ligeirinho e bem-sucedido artista (que vende livros às pazadas enquanto tanto bom escritor não sai do limbo da obscuridade). 






Transcrevo:


Também é verdade que certa crítica literária convencional, que em Portugal labora no equívoco dos compadres, na pressão dos pares e na cumplicidade com os autores, condena ao ostracismo autores populares. 

Não toca em J.R.S. nem com pinças. 

E é verdade que o que muitas vezes é considerado literatura não passa de uma redação de pomposidades e pretensiosismos, literatices embrulhadas numa sintaxe irregular e falsamente pós-moderna. 


E Clara Ferreira Alves termina o seu brilhante artigo referindo que a matéria prima usada na construção do livro - a aventureira e riquíssima vida de Gulbenkian - é da melhor. O pior é mesmo o que José Rodrigues dos Santos fez com ela. Volto a transcrever:

É como se JRS tivesse uma mansão construída com boa carpintaria e bons materiais e, ao acabá-la e decorá-la, não hesitasse em colocar dois leões de pedra na portaria e um gnomo no jardim. Como ele diria em tom conversador, o gnomo lixa tudo.

Com artigos como este de Clara Ferreira Alves, tal como com o de Valdemar Cruz sobre António Ramos Rosa a quem chama, 'O poeta cansado', faço, uma vez mais, as minhas pazes com o Expresso.


Os amores são assim mesmo, cheio de arrufos, briguinhas, estardalhaços... e de reconciliações. Por estas e por outras é que me mantenho fiel ao Expresso desde sempre.

*

Já volto.