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quarta-feira, julho 06, 2016

Vai Bruno Alves! Mostra-lhes como é que é!



Até que enfim que entra em campo. Já não era sem tempo. Agora é andar para a frente, que para a frente é que é caminho.


(Para já é só isto. Daqui a nada já cá volto)


domingo, junho 19, 2016

O que é que está a faltar a Portugal no Euro 2016?
Com vossa licença: em minha opinião, está a faltar testosterona!





Não percebo nada, eu sei. Ainda há bocado me vi aflita para que alguém me explicasse porque é que o golo não tinha valido, não me parecia nada que fosse fora de jogo. Acham que já explicaram vezes de mais. Mas pronto, lá vi na repetição enquanto ouvia a explicação e percebi. Mas, mesmo sendo uma naba nas regras daquilo, há coisa que eu sei reconhecer. Sei reconhecer quando há homens em campo.

Muito bem, eu sei que há futebol feminino mas eu disso também não sei nada. Futebol para mim é brincadeira de homens. 

E sei bem como os homens, os mesmo homens, se entregam à luta como se da vitória dependesse a vida deles.

Quando lá na empresa se organizavam torneios de futebol, eu via como alguns se transfiguravam, viravam umas feras, aquilo era matar ou morrer.

E lembro-me dos jogos de futebol nos quais o  meu pai, os meus tios, os primos do meu pai e da minha mãe, amigos e colegas, jogavam em torneios que organizavam entre empresas, e sei como se partiam todos como se aquilo fosse a sério. O meu pai partiu uma perna e ainda lá tem placas e parafusos, partiu um dedo, outra vez, na sequência de uma cabeçada, ficou amnésico, nem me reconhecia. E vibravam todos com aquilo, de uma forma limite, valia tudo para marcar golos, para vencer, era uma adrenalina inacreditável.

Ora isso não é compaginável com esgares de maria-amélia, com risinhos aturdidos, como se lhes tivessem pregado alguma partida, como se lhe tivessem escondido o apara-lápis, como se daí a nada fossem amuar ou fazer uma birrinha. A homens que estejam ali para se rasgarem todos para conseguirem o melhor resultado, não lhes ocorrerá fazer daqueles risinhos como se estivessem a ser injustiçadinhos ou sei lá o quê.

Talvez tenha havido pouca sorte, sei lá, acredito que sim, aquilo do penalti deve ter sido mesmo um mau momento. Mas houve falta de killing instinct, de bravura viril. Isso, santa paciência, mas faltou.

Estava a queixar-me que até o guarda-redes anda com uma luva de cada cor, um sapato de cada cor, só frescuras de menina pirosa que gosta de ganchinhos às cores. Ofensa cá em casa, que não, disparate, que o Rui Patrício não é maricas. Mas eu não estou a falar de orientações sexuais, quero cá saber dos gostos de cada um, eu gosto é de ver virilidade nos jogadores, não pintainhos vestidos de verde alface, com sapatinhos e luvinhas às cores. Ou trejeitinhos afectados ou risinhos de diva. Não gosto.


Estive até ao fim à espera que o Fernando Santos percebesse isso e mandasse entrar o Bruno Alves. Mas não, deve estar de castigo. Não há pachorra. A ver se não se sentia logo a diferença. A ele corre-lhe nas veias aquela febre que também corria a Zidane em que, às vezes, de forma involuntária o corpo pede uma agressividade sem razão. Deslizes que não se podem defender mas que eu, fazer o quê?, perdoo. 


E hoje, em campo, o tempo a correr e nem uma concretização, era de sangue guerreiro que ali se precisava.

Mas, claro, isto digo eu que de futebol não percebo mais do que isto que acabei de dizer. Seja como for, para quem não souber bem de que raça é que eu estou a falar, mostro alguns exemplares.

Figo: um portento, um homem feito e um senhor

Pirlo: um guerreiro, e, claro e não por acaso, um homem com muita pinta

Zidane: talvez uma pantera, não sei,
mas sei que, ainda por cima e não por acaso, um dos homens mais sexy do mundo

Bruno Alves: sarrafeiro, talvez, mas também um comboio
e, seguramente e também não por acaso, um homem também muito sexy

E pronto. É o que tenho a dizer e acho que era bom que o seleccionador me desse ouvidos.

Claro que sobre isto nenhum dos comentadores que se amontoam, em cachos, nos balcões das televisões fala. Divagam, enumeram lugares comuns, dizem tretas -- nível exibicional, graus de expectativas e trololó -- e não passam disso. Em testosterona ainda nenhum falou. Ou seja, ir ao cerne da questão cá para mim só mesmo aqui eu, a pobre coitada da UJMzinha que não percebe patavina de futebol.

____

A banda sonora do Braveheart tem a ver com a espécie ilustrada nas quatro últimas fotografias.

..

terça-feira, janeiro 19, 2016

A beleza num homem. E mulheres bonitas que gostam de homens feios.


Pronto. No post abaixo já falei da menina das unhas grandes que mereceu séria reprimenda do comentador-candidato e da pimpolha de olho gordo que diz que ela é que quer ser presidente da Junta. E falei também do presidente das cagarras que diz que tem mais que fazer do que gastar o seu santo latim com as eleições. E, portanto, com esse post que poderão ler a seguir, já fiz a minha boa acção do dia.

Agora, a propósito de um livrinho que aqui tenho --  Teresa Rita Lopes: Pessoa do meu Desassossego --  e vendo fotografias dela, linda, e do menos bonito António José Saraiva, e tendo estado antes a ler um artigo que Leitor, a quem agradeço, me enviou sobre assunto que me interessa (a beleza é um conceito objectivo?), resolvi alinhar no espírito marcelista e fazer de conta que isto que se está a passar no país é uma casting para um reality show e não uma eleição para a Presidência da República e, portanto, vou falar de tudo menos de política.

Dizia eu que, vendo o livro -- ela com um sorridente rosto bem desenhado, uns olhos claros e luminosos, um corpo jeitoso, e ele sem grande graça, feições acentuadas, só pêlo e cabelo, nariz pronunciado e assimétrico -- fez-me logo lembrar de um casal nosso amigo que, entretanto, tamanhas eram as guerras conjugais, acabou por se separar.

Vou mudar os nomes para evitar chatices mas tudo o resto é verdade: digamos que ela, médica conceituada, se chama Bia, e que ele, director de uma multinacional, se chama Zé.
...

Mas, já agora, se não se importam, vamos com música que vamos melhor. Vamos com a banda sonora de um belo filme, um filme que, ainda por cima, tem dois homens muito bonitos, sendo qu,e dos dois, um faz o meu género e o outro nem por isso. Mas aproximem-se, por favor. 

Closer

......

Continuando.

Agora imaginem-na a ela, à minha amiga: uma mulher bonita, feições perfeitas, corpo elegante, alta, toda ela vistosa e giraça, uma voz requebrada, diria que insinuante: o protótipo da mulher interessante.

E imaginem-no agora a ele: feiinho, carão comprido e assimétrico, mal jeitoso, moreno mas escuro demais (ou então, é por ser tão felpudo que a cor negra do cabelo e do pêlo o escurecem ainda mais), da mesma altura que ela, o que a obrigava a andar de sapatos rasos, ou, então, mais baixo -- quando ela se marimbava e se montava em cima de saltos altos.

Ele um paz de alma, bem disposto e bem humorado, tranquilo, um verdadeiro pachola.

Ela uma stressada, uma ansiosa e, imagine-se, uma ciumenta -- mas ponham ciumenta nisso.

Uma vez mandei-lhe, a ela, um amigo meu que estava precisado de consultar um médico da especialidade dela. Avisei-o: olha que ela é um bocado doida, boa gente, acho que boa médica, inteligente, mas olha, pirada mesmo. No outro dia, aparece-me ele, todo babado: mas olha lá, disseste que ela era uma maluca...? Só tu mesmo para a descreveres assim. Ela o que é é uma brasa, um mulherão, uma mulher interessantíssima. Aí lembrei-me que ele tinha razão mas que eu nem me tinha lembrado disso pois, na minha cabeça, era a doideira dela que sobressaía. 

Pois bem, e de onde vinha a crise permanente em que aquela interessante mulher vivia? Dos ciúmes. Desconfiava dele e de todas as mulheres que se cruzavam com ele, das colegas, de toda a gente. Felizmente nunca embirrou para o meu lado. Quando eu lhe perguntava se não tinha olhos na cara, nem me percebia. Eu explicava-lhe: quanto muito, era caso para ele ter ciúmes, não tu. Não vês que ele não tem gracinha nenhuma? Quem é que olha para ele, ó mulher...? Atina.

Ofendia-se. Que não, que ele era um homem de mão cheia. Eu ria-me, dizia: o amor é mesmo ceguinho, caraças. Mas ela, em voz alta, para que ele a ouvisse, dizia-me que preferia ser casada com um homem feio pois, assim, nenhuma mulher queria saber dele. 
Ao contrário de mim que andava com um pedaço de mau caminho ao lado, que fazia as mulheres ficarem todas a olhar para ele. Eu explicava-lhe: não tinha ciúmes, que olhassem à vontade, que achava compreensível,  mas que olhar não tira pedaço e, assim sendo, com os pedacinhos todos no sítio, tanto me fazia que olhassem para o meu marido como deixassem de olhar.
Geralmente ao fim de semana acabavam cá em casa. Ela não sabia cozinhar e, para além de tudo, andavam sempre de candeias às avessas. Então, iam de tarde para a praia ou para a casa de fim de semana, ela devia estar a moer-lhe a paciência horas a fio, discutiam, odiavam-se e, para evitarem estar no trânsito quase a esganarem-se um ao outro (com a filha pequena a presenciar), vinham asilar cá em casa. O meu marido passava-se. Eu, quando pensava no que havia de ser o jantar, já contava que eles me aparecessem. O meu marido dizia que, a tratá-los daquela maneira, então é que nunca mais deixavam de aparecer, que eu lhes desse conservas. Claro que não ia fazer isso. A verdade é ele não tinha paciência nenhuma para os ter cá aos fins de semana à noite, a discutirem um com o outro ou sem se falarem. Eu não me importava, gostava deles. De facto, também tinha pena dela.

O motivo das zaragatas era sempre ao mesmo: ciúmes doidos dela, uma coisa sem explicação.

O meu marido não disfarçava a impaciência, não descansava enquanto não os via pelas costas (apesar de ser bastante amigo dele, colega de curso). Ela, vendo-o assim, dizia-me: olha lá, ele devia ver isso, anda sempre ansioso. Eu tentava que ele não a ouvisse, senão dizia-lhe directamente que ela era doida varrida.

Por vezes estávamos com outro casal amigo e, aí, o outro dizia abertamente, Olha lá, ó Zé, mas como é que consegues aturar uma maluca destas? Manda-a passear, pá.

Penso que ele a aturou durante tantos anos por causa da filha, receava que ela não fosse boa mãe. E ela não queria separar-se dele nem à lei da bala, uma paixão doida. Mas ele também gostava dela.

Ainda hoje estou para perceber como era possível tal disparate sendo ambos pessoas inteligentes.

Separaram-se, claro, e, durante uns tempos ainda nos íamos encontrando, sobretudo com ele. Conhecemos-lhe não sei quantas namoradas. Íamos lá a casa, percebíamos que já tinham juntado os trapinhos, a coisa parecia séria. Na vez seguinte, já era outra. Intrigada com a saída que uma criatura daquelas tinha, chegava a pensar: na volta a Bia tinha razão, na volta, com este ar de santinho, de porreirão, este Zé ainda nos saíu um valente mulherengo. Não sei, nunca percebi. Ela também foi arranjando namorados. Uma vez estava a almoçar num restaurante, ouvi nas minhas costas uma voz familiar. Para não me virar à descarada, para me certificar, apurei o ouvido. Era uma conversa de engate, uma conversa de treta, mesmo um bocado chunga. Tinha a certeza que era ela mas, dada a situação, não quis que ela me visse, achei que poderia sentir-se envergonhada. Quando estava perto da porta olhei de soslaio mas ela estava tão entretida que não me viu. Continuava bonita, talvez até mais bonita, uma mulher deveras interessante, bem vestida, com muita pinta. Era, então, directora num dos grandes hospitais de Lisboa (não é aquela de que no outro dia falei, do S. José, esta é outra). Em frente dela estava um homem mais velho, baixo, mal jeitoso, feio, nem sei se não teria um capachinho. Pensei, aterrada: Mas como é que é possível? Deve ser tara. Gira daquela boa maneira e numa conversa daquelas com um horroroso e parvalhão daqueles?

Nunca percebi, essa é que é a verdade.

Claro que é o que não falta: mulheres interessantes que gostam de homens feios, sem piadinha nenhuma.

Assim de repente, estou a lembrar-me de um dos casos mais castiços: o de Sartre. Feio todos os dias, tinha as mulheres que quisesse. Parece que se entusiasmavam com o poder de argumentação dele, com a argúcia e acutilância do seu raciocínio.

Um que é outro caso é o Sean Penn. Não é que seja feio mas não é nada que se compare com as mulheres que caem de amores por ele: Madonna, Robin Wright, Charlize Theron (cujas fotografias mostrei lá mais para cima).

Outro, pouco engraçadinho mas que tem tido umas mulheres lindas é o Salman Rushdie. Veja-se a bela Padma Lakshmi. 

Ou Sarkozy e Carla Bruni.

Pois eu, lamento, não sou dessas. Sempre gostei de homens bonitos. Se é mal enfronhadinho, se é pãozinho sem sal, se tem ar de quem não tem punch, se a gente olha para ele e só vê fealdade, se é mais baixo que eu, se tem umas mãos pequeninas, pois, então, paciência e boa viagem. 
Falo assim como se ainda estivesse numa de casting, escolhendo de entre quem se apresenta a concurso. Claro que não. Mas ainda tenho olhinhos na cara e ainda sei apreciar o que me agrada.
E, para mim, a coisa é simples e vai de encontro ao que li nos artigos da Nature, em que David Deutsch disserta sobre o que é a beleza. Diz ele que, na base de tudo, estão razões que têm a ver com a atracção sexual e, isso, claro, por questões de reprodução. A espécie apura-se no sentido de saber identificar os bons reprodutores. Perpetuar a espécie parece ser, afinal, a razão disto tudo. Pois eu, primitiva que sou, ainda afino por esse diapasão: bonito e interessante, para mim, é o homem que eu acho que tem uma boa pegada (na feliz expressão dos brasileiros) e que, pelo rosto, pela forma como olha, pelo corpo, pelas mãos (as mãos são importantes), pela forma como anda, pela forma como se senta, pelo sentido de humor, pela inteligência, pelo bom feitio, pelo bom carácter, por tudo isso (e de que aqui já falei várias vezes nas minhas várias Receitas de Homem), identifico como sendo um potencial bom parceiro, ou seja, elegível. 
E leia-se: bom parceiro ou elegível mesmo que não seja para mim. Acho o Bruno Alves, o Zidane ou o Clive Owen homens bonitos, interessantes e que devem fazer feliz qualquer mulher -- e digo-o, como é mais do que óbvio (e fica até ridículo referi-lo), desinteressadamente. 
Até me dá vontade de rir escrever isto. 
Lembro-me sempre do meu filho se ter escandalizado comigo quando me ouviu dizer que acho o Bruno Alves um giraço de se lhe tirar o chapéu, alguém que me fazia querer ver os jogos de futebol: oh mãe, deves estar a gozar, um sarrafeiro daqueles..! Pois. Mas a verdade é que talvez também por isso. Sempre fui mais de bad boys do que de copinhos de leite. Fazer o quê? 
(Deve ser aquilo da propagação da espécie: um sarrafeiro sempre deve defender melhor a fêmea e as crias --- e eu aqui devia encaixar uns smiles para se perceber que estou no gozo mas não o faço, embirro com smilezinhos)



E já nem sei a que ponto queria eu chegar com esta conversa toda pelo que agora nem me ocorre qual a moral da história.
 .....

E portanto, assim sendo e nada mais tendo a declarar a não ser que estou com sono, fico-me por aqui.
....

Relembro que, para quem prefira alta política, a crónica de mais uma jornada da campanha eleitoral pode ser lida já a seguir.

sexta-feira, junho 27, 2014

Portugal está fora do campeonato de 2014. Out. Desta vez a copa parece não ter passado de um devaneio pueril, digo eu que percebo pouco disto. Para se ganhar é preciso ter garra, ganas. E orgulho a sério.


Hoje de tarde, lá no trabalho, penso que à semelhança do que deve ter acontecido um pouco por todo o país, uma vez mais uma sala foi preparada para quem quisesse assistir ao jogo. Mais uma vez não me senti motivada. Contudo, às tantas, achei que tinha que me deixar de feelings e lá fui. Estive uns 4 ou 5 minutos. Não. Qualquer coisa naquela equipa me parece desfocada, parece que não têm aquela cola que leva um grupo a ser uma equipa que avança como que obedecendo a um só comando. Fracos, desencontrados, pouco engrenados uns nos outros.

Regressei ao gabinete, pus coisas em dia, tratei de uns agendamentos pendentes. Quando, passado um bom bocado, por lá passei, alguém me disse que estava 1 a 1, os dois golos do Gana. Ao princípio nem percebi se era piada. Mas não. Em resumo: estava naquela coisinha pouca da qual não saem vitórias que se vejam.


Saí mais cedo, pensando que deveria sair enquanto durava o jogo para evitar o trânsito. Quando saí das catacumbas do estacionamento, pensei, deixa-me mas é pôr no relato não vá haver algum golo e eu perder o momento. Qual não é o meu espanto quando, ao ligar, ouço o locutor da TSF em crescendo a relatar uma jogada - e golo do Ronaldo. Depois desatou a cantar, um exagero. Improvisava versos enquanto cantava. Não sei se costuma fazer isso ou se ficou tomado por uma estranha euforia. É que, de facto, face à anemia do resultado e face à não verificação da miraculosa conjugação de factores que conduziria ao apuramento, aquele golo era apenas um apimentar da tristeza da derrota que é a eliminação logo nesta primeira fase. Mas, enfim, se calhar tanto esperou este golo que, quando ele aconteceu, se passou e, em vez de gritar simplesmente Gooooolooooo!, desatou naquela cantoria.

Depois aproveitei para ligar à minha mãe. Quando regressei à rádio, estava o jogo a acabar. Mal acabou, liguei à minha filha. Som de choro. Diz-me a minha filha, Dá para acreditar nisto? É surreal... Está a chorar porque queria que o Ronaldo marcasse mais golos.

Explicou que o nosso rapazinho anda desde o início do campeonato a querer ver o Rinaldo (como ele diz, já aqui vos contei) a marcar golos. Debalde.

Quando a minha filha os foi buscar à escola, ouviu que o Ronaldo tinha acabado de marcar um golo e contou-lhe, tendo ele ficado decepcionado por não ter visto. Ela, para o consolar, disse que ainda chegariam a casa a tempo de se ver o resto do jogo e podia ser que ele marcasse mais algum. Azar. Nem mais um. A criança à espera e nada.

Como parece que deu em maluco da bola, teve um desgosto desgraçado por não ver o Ronaldo marcar golos. Além disso, o irmão deve ter-lhe explicado que Portugal foi eliminado e que, portanto, o dito cujo já não vai ter mais hipóteses de lá meter golos.

Pedi para falar com ele, para ver se o consolava, mas nem me deixou falar, apareceu-me ao telefone, num pranto, que não tinha visto o Rinaldo marcar golos, que queria ver 3 e que não tinha visto. E, tendo desabafado, foi carpir para outro lado. Sugeri à minha filha que, para o consolar, lhe mostrasse aquele vídeo do youtube que mostra os melhores momentos do CR7. Ela começou por achar bem mas depois hesitou, era o que mais faltava é que o puto, 3 anos acabados de fazer, se tornasse maluco da bola e com uma idolatria disparatada por um jogador.

Quando acabei este telefonema, outra vez a rádio. 

Estava o Bruno Alves a dizer ao repórter que o apuramento da equipa portuguesa dependia de outras selecções e que o futebol é assim mesmo e mais não sei o quê e rematou dizendo que tinha muito orgulho no que tinha feito e em ser português. 


Pensei que mais valia que estivesse calado. Se foram jogar a achar que dependiam de outros, então está tudo explicado. Quem vai à luta, deve ir a contar apenas consigo mesmo (estando atento aos outros, claro, mas contanto sobretudo com a sua própria força, inteligência, espírito de equipa). Bruno Alves, depois de Portugal ter sido humilhantemente eliminado, pode ter orgulho, é coisa lá dele e ainda bem que tem orgulho em ser português - mas orgulho na participação portuguesa?

Desliguei.

Não sei de futebol para poder opinar. Só me parece que não é normal tantos jogadores lesionados, comportamentos tão díspares, tanta falta de élan, e tanta gente a dizer que não se demite.

Deve ser moda nova: façam a porcaria que fizerem, ninguém se demite e ainda dizem que se sentem orgulhosos do que andam a fazer. É o Passos, é o Seguro, é o Paulo Bento, é o preparador da Selecção. Eu, que sou desapegada, parecer-me-ia mais lógico que dissessem, Não correu bem, as pessoas estão descontentes, vamos sair para dar a vez a quem possa tentar fazer melhor. Mas não. Façam a porcaria que fizerem, ficam agarrados aos lugares: de derrota em derrota até à derrota final e sempre todos contentinhos.


Não há pachorra. 

Entretanto cheguei a casa. Depois fiquei a pensar: afinal devo ter apanhado trânsito mas vinha tão ocupada que nem dei bem por isso.


Nota: Para que não fiquem a pensar que ando em infracção, informo que o carro tem bluetooth, pelo que posso telefonar à vontade.  


terça-feira, junho 17, 2014

4-0, quatro baldes de água fria em cima de umas quantas nulidades. Alemanha 4 - Portugal 0, uma derrota humilhante. Não sei se é porque a Selecção mais parece a malta de um Reality Show, sempre com as câmaras em cima, sempre a dizerem parvoíces e com risinhos parvos, se é porque tinha mesmo que ser assim. Mas que isto não está a começar nada bem, lá isso não está.


Quem por aqui passa sabe que não sou de futebóis. Não tenho sapiência que me permita concentração para 90 minutos de jogo. Mas, nestes campeonatos importantes, costuma descer em mim um sentimento de patriotismo que me leva a ficar empolgada com os jogos, a torcer, a sofrer pela nossa selecção. 

Lá no sítio onde trabalho foi decidido que, quem quisesse, poderia ver o jogo numa televisão colocada num local apetrechado para isso. Havia latas de coca-cola e amendoins torrados nas mesas, um ambiente preparado para a ocasião com um cachecol de Portugal aberto em cima de uma grande mesa, tudo pronto para se viver o evento em ambiente futebólico.

Em condições normais, às 5 em ponto eu lá estaria, empolgada, bem disposta. Como não percebo muito da coisa, quando vejo estes jogos, volta e meia entusiasmo-me ou assusto-me um bocado à toa e, portanto, passo estes jogos numa excitação. Os jogos da selecção quando vividos assim em conjunto, no meio de muita gente, são sempre uma festa e eu gosto de participar nisso.

No entanto, e não me perguntem porquê, desta vez não fui. Estranhando, foram lá ao gabinete desafiar-me mas, eu não estava nem um pouco in the mood, não fui. Como se soubesse que iria à toa. Depois estranhei não ouvir barulho, gritos. Nada. Mas nem quis ir confirmar. Ao intervalo fui espreitar, estava o pessoal a sair, desalentado, a ir à casa de banho, uns a irem fumar à rua, tudo de braços caídos. Pensei, 'em condições normais eu acharia que ainda havia 45 minutos para reverter a situação, iria animar as hostes, e incentivar a equipa como se eles me pudessem ouvir'. Mas desta vez não senti isso. Era como se intuísse que o jogo seria uma droga que eu não iria gostar de experimentar (e, relembro, a intuição não tem a ver com artes mágicas, é apenas um short cut que a inteligência segue a partir de marcadores). 

Podia até fechar os olhos aos resultados e ir apenas para ver o Bruno Alves, esse pedaço de mau caminho. Mas nem isso.

pepe antes de ser expulso

O momento em que Pepe, qual troglodita,
dá uma cabeçada num jogador alemão que estava sentado.
O brasileiro Pepe foi expulso e muito bem expulso.
Ninguém deu aulas de bom comportamento
a este arruaceiro infantilóide?



Agora, já aqui em casa, vi uma pequena parte, a parte em que um tal Pepe, portando-se como um idiota, foi dar uma cabeçada num sujeito que estava sentado no relvado. Uma vergonha.


Nada do que se passa desta vez com a Selecção me entusiasma. As reportagens consecutivas, os jogadores a dizerem palermices, sempre na risota, desconcentrados, os comentadores a toda a hora que me enjoam, o culto de imagem do Ronaldo com reportagens permanentes para se saber se já está bom da perna, se vai ou não jogar, depois as mensagens dele no facebook... tudo me parece imaturo, pacóvio.


Profissionalismo não é bem esta comoção colectiva em torno da perna de um jogador messiânico nem helicópteros a filmarem autocarros e os jogadores a terem que se apresentar em conferências de imprensa todos os dias para dizerem banalidades enquanto se coçam.



PS: Os meus dois rapazinhos irmãos vibram com futebol e viram, já em casa, todos expectantes, o final da segunda parte. Quando o jogo acabou, ficaram completamente desiludidos, em especial o ex-bebé que desatou a chorar porque o Rinaldo não tinha marcado golo. A minha filha contou-me que nem queria acreditar, nem percebia o que se tinha passado. Nem sabe de onde lhe vem este entusiasmo pelo Rinaldo, se é coisa do irmão e se o irmão apanhou o vírus na escola, se quê.


PS2: Lembrei-me agora de uma coisa. Querem lá ver que o Láparo é mediúnico e por isso é que não quis ir assistir ao jogo? Ou temeu ouvir uma brutal vaia ali mesmo ao lado da sua patroa Merkel? Ou será que mandou o Lombinha para o substituir e foi o Lombinha que azarou a coisa? É sabido, desde o tempo dos briefings, que onde o Lombinha põe os pés é tiro e queda, nunca falha.

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Vou só acabar de traduzir o tal artigo da NSA e já volto.

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terça-feira, fevereiro 04, 2014

Os Leitores perguntam e eu respondo. 1ª pergunta: 'Às vezes não se farta de si própria?'; 2ª pergunta: 'Acha mesmo que o príncipe Andrea é mesmo muito bonito?'. As respostas vêm já a seguir.


Bom, depois de, nos posts abaixo, já ter falado do perigo que são as mulheres ciumentas (as mais infalíveis investigadoras à superfície da terra) e de ter falado da mais recente perigosa, a Michelle Obama (o Barack que se cuide), e depois de ter apresentado uma série de sinónimos a la Lídia, agora vou falar de uma outra coisa.


Num comentário lá mais para baixo, uma Leitora cujo nick me causa brotoeja e que portanto aqui trato por JV (tal como ela me sugeriu), escreveu:

Não tenho comentado nada porque estou assoberbada de trabalho e sono e acho que o meu paleio também é um pouco limitado: a minha conversa é sempre a mesma! Às vezes não se farta de si própria?

Acha mesmo que o princípe Andrea é mesmo muito bonito? Segundo as conceções dominantes, ele é de facto muito belo, mas tem cara de quem, precisamente, se acha bonito. Nunca gostei muito desse género, sou mais Don Draper, sério e charmoso.


As perguntas talvez fossem retóricas mas eu, como hoje estou para o paleio, vou responder. Ora, então, vejamos: 


1. Às vezes não se farta de si própria?


Por acaso não é muito frequente. Tenho uma razoável auto-estima.
No outro dia estive a ver os signos e, por ser caranguejo, isto da  auto-estima e da auto-motivação bate certo.
E tento fazer tudo (ou quase tudo) o que gosto. Se de dia me maço um bocado, desforro-me aqui à noite. Ou vice-versa. Ou arranjo maneira de descomprimir, passeando, indo às compras, mandando vir com alguém.

No outro dia estava mesmo um bocado farta (mas isto de dizer um bocado é porque é mesmo um bocado, é coisa que dura no máximo umas horas). Cheguei a casa, pus-me em frente do espelho e estava mesmo farta, até do meu visual. Peguei na tesoura e foi um ver se te avias, um desbaste que só visto. Mudei completamente de look. Depois pus-me debaixo do chuveiro e, quando me voltei a ver ao espelho, estava tão outra que nem me lembrei de que, minutos antes, estava farta. Só agora é que me voltei a lembrar disso.

Isto dito assim, deve dar a ideia de que sou completamente fútil. Ora não é bem assim. Sou mas só um bocadinho.

E, para o comprovar, faço notar que nem sempre a coisa se resolve com auto corte de cabelo e chuveirada. Acontece por vezes que, em vez disso, pegue num livro e arranje maneira de me alienar. Tenho o meu lado (secreto) de intelectual.


2ª Acha mesmo que o príncipe Andrea é mesmo muito bonito?


Acho-o lindo, perfeito. Tal como referi, faz-me lembrar o rapazinho de Morte em Veneza, aquela beleza andrógina que por vezes desperta sentimentos ambíguos.

No entanto, como mulher, confesso: a beleza de Andrea deixa-me indiferente.

Já antes aqui o disse algumas vezes. O género que eu prefiro é outro. Sou mais dada a sarrafeiros (como o meu filho um dia, escandalizado ao ouvir-me exprimir a minha opinião, chamou a um dos que vou agora referir). Gosto de bad boys. Homens imperfeitos. A perfeição nos homens maça-me. Aliás maça-me a perfeição nos homens e em quase tudo nesta vida. Mas nos homens ainda mais. Gosto de homens desalinhados, que a gente perceba que não se ensaiam nada para se portarem mal. Mas que saibam sorrir com travessura, que saibam ser meiguinhos (mesmo que só em privado), e - muito importante! - que tenham carradas de sentido de humor. 


O Don Draper é um giraço, lá isso é, mas não sei se não será demasiado bem comportado, certinho, ambicioso, talvez um bocado convencido, não sei. 

Mas que se note: se tivesse que ser, não tinha problema nenhum.


Mas o meu género é mais como o Zidane ou como o Bruno Alves, isto para me ficar pelo mundo do futebol.




Acho-os com muita pinta, raçudos, têm punch, devem ter uma boa pegada (no sentido brasileiro do termo, do verbo pegar), e gosto da cara e do físico deles, gosto de homens que pareçam ter algum sangue árabe. 





Ou seja, resumindo: como mulher, o meu género é o anti-Andrea.

Mas, de qualquer maneira, reconheço que ele é uma gracinha, especialmente quando se despenteia e anda mal vestido. E com barba ruiva, desportivo, e todo querido no seu papel de pai, começa a densificar e a ficar mais interessante. Mas, enfim, é o que é.



Espero ter respondido cabalmente às duas perguntas...


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Relembro: Por aí abaixo há mais um pouco de tudo. Hoje estou estafada demais para me estar a maçar com Medinas Carreiras, Poiares Maduro, Palermas a metro e outros Papagaios que por aí andam. Tenho mais que fazer.

Se vocês, meus Caros Leitores, estiverem como eu, terão pano para mangas nos dois posts seguintes.


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E há ainda o Ginjal e Lisboa. Hoje, por lá há Inquietação com o Camané e os Dead Combo sobre uma maravilhosa animação. As minhas palavras e uma fotografia estão a condizer com o ambiente. Deve ser porque me inquietei por lá que, a seguir, vim para aqui jardinar.

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Bem, e com tanta escritura já passa outra vez das duas da manhã. Santa paciência comigo mesma: ando a ver se me domestico para ir cedo para a cama e, afinal, é sempre esta pouca vergonha.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça feira!

sexta-feira, junho 28, 2013

Andrea Pirlo, jogador de futebol no Juventus, considerado um dos melhores jogadores italianos de todos os tempos, produtor de vinhos, conhecido por 'o arquitecto': um homem com muita pinta, um verdadeiro sexy man, essa é que é essa. [E era para vos falar da minha tia mas não consigo; a ver se fica para amanhã]


Como expliquei abaixo, estive em jejum a ver se acabava o jogo de futebol Itália-Espanha.Vá lá saber-se porquê, aqui em casa os jogos de futebol têm que ser vistos com concentração, não se aprecia jantar enquanto se vê o jogo.


Contudo, como a coisa foi para prolongamento, lá se abriu uma condescendente excepção.

Ou seja, jantei enquanto decorria a primeira parte do prolongamento (ou a segunda? ou as duas?). Como a coisa também não se desenvencilhou por ali, voltámos à sala enquanto decorriam os penaltis.

E o que me ficou da parte do jogo que vi?

Andrea Pirlo.



Andrea Pirlo
 nascido em 1979,
joga no Juventus
e é considerado um dos melhores jogadores italianos de sempre




Todo suadão, em esforço, todo ele entregue à luta - chamou-me a atenção. 

A cara não me era estranha. 'Quem é aquele?'. Resposta: 'Já no outro dia perguntaste a mesma coisa. Pirlo. Produz vinhos'.

Bem me queria parecer que não era a primeira vez que o via. Não faço a mínima ideia de quando foi mas é verdade, sou pessoa de gostos constantes. E de fidelidades, como se vê.

Fui agora conferir o seu CV na wikipedia não vá acontecer-me como quando disse que achava o Bruno Alves o máximo. O meu filho olhou-me com ar de censura e perplexidade 'O Bruno Alves?! O maior sarrafeiro!'. Não sabia que o Bruno Alves era um sarrafeiro mas devo confessar que isso ainda o elevou mais (secretamente, claro...) aos meus olhos. E se ele se elevava bem, senhores.



Bruno Alves,
um sarrafeiro com muita pinta e que sempre achei que tinha ar de boa pessoa



E tinha um ar aciganado. E agigantava-se, e ia à luta. Um bravo. Praticamente só via os jogos da selecção para o ver a ele. Agora foi não sei para onde, nunca mais o vi. Os jogos da selecção perderam graça.

Adiante.

Volto ao Andrea. O Andrea tem atitude de senhor. Muita pinta. Estilo. Carisma. 



Andrea Pirlo, pinta dentro e - pelos vistos - fora do campo
(das quatro linhas, diriam os entendidos)


É assim que eu lhes tiro a pinta: basta-me vê-los um bocadinho em campo para perceber se têm presença, se fazem a diferença. Carisma. Já com aquele francês foi a mesma coisa. Como é que ele se chama? Aquele argelino? Já sei, o Zidane. Uma energia e uma focalização extraordinárias. 



Zinedine Zidane: francês mas com sangue argelino

(e a diferença que isso faz...)


Uma pantera em acção. O que eu torcia pela França por causa dele... Depois soube que, num inquérito internacional, as mulheres o elegeram como o homem mais sexy do mundo. Claro. Acho que também jogava bem futebol. Melhor ainda (para ele).

Uma vez desatinou, deu uma cabeçada noutro. Foi um escândalo. Mas eu gostei de ver. Quer dizer: percebo que o desporto não é isso, e tal. Mas aquilo não foi uma questão de desporto, aquilo foi um acesso agudo de testosterona. Desculpei-o, claro está.

Este Andrea também tem um estilo, um garbo... Uma masculinidade, não sei. Muita pinta.



Andrea Pirlo e Deborah Roversi, sua mulher

(havia de ser solteiro com uma pinta destas?)


Li na wikipedia que diziam que ele descende dos Sinti, ciganos. Ele diz que não. Mas tem ar disso. Lá está: gosto dos homens assim, aciganados, ou com uma certa pinta árabe, ar perigoso.

E pronto, não sei dizer mais nada sobre o tema. E, de qualquer forma, é prudente não dizer mesmo mais nada. (O que é que vocês agora vão ficar a pensar de mim...?)

O meu marido é que costuma dizer que as mulheres quando chegam a uma certa idade, ficam malucas. Não desminto mas, para ser sincera, acho que sempre fui assim.

STOP.

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[PS: Se quiserem seguir para bingo é descerem um pouco mais, até ao post a seguir a este]

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Era para vos contar hoje da minha alegria pela minha tia que hoje me disse por telefone que agora estava muito boa, uma boazona

[Mas estou verdadeiramente cheia de sono (tenho-me deitado sempre às 2 e tal e, como me levanto cedo, tenho dormido umas escassíssimas horas; além disso, este calor ainda me espapaça mais; e ando cheia, cheia de trabalho; estou aqui a escrever isto e a ouvir os mails a chegarem ali no meu smartphone e a resistir para não os ir ler e pôr-me a trabalhar).] 

A ver se fica para amanhã pois gosto muito desta minha tia e o que ela tem passado não é coisa pouca. Mas haviam de ouvi-la ou vê-la: sempre animada. Conheci-a quando ela ainda nem namorava o meu tio, já já vão milhares de anos, e era uma jovem alegre e namoradeira. Depois de tantas agruras que tem vivido, continua a mesma jovem, pronta para uma vida longa, cheia de alegria. Até eu, que sou como sou, me impressiono com a força animíca desta minha tia.

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Convido-vos ainda a irem dar uma espreitadela ao meu Ginjal. Hoje estreia-se por lá um novo Poeta, Nuno Costa Santos e, de mão dada com ele, escrevi um pequeno texto. Escrevi, não: escreveu-se ele sozinho pois estava de olhos quase fechados, já mais a dormir que acordada, nem sei bem como é que a coisa se passou. A seguir há uma música em festa: Gustavo Dudamel dirige a Orquestra Juvenil Simón Bolívar.

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E fico por aqui antes que caia aqui em cima do teclado e vocês, quando abrirem o Um Jeito Manso, dêem de caras comigo em carne e osso a dormir dentro do vosso computador. Imaginem o susto que apanhavam. 

Tenham, meus Caros Leitores, uma bela sexta feira! 
Posso sugerir-vos que apreciem muito bem cada pequeno instante da vossa vida?

domingo, junho 24, 2012

Eu e o futebol. Jogadores a destacar no Euro 2012 (para além de Cristiano Ronaldo, no que se refere a marcar golos): Bruno Alves na Selecção Portuguesa e Samaras na Selecção Grega e, a propósito, lembrança de Zinédine Zidane. E, em adenda, duas proezas, uma a cargo de Passos Coelho e outra de Paulo Portas.


Música, por favor

Sérgio Godinho - Espectáculo



Bem, agora que já é conhecido o adversário de Portugal nas meias-finais, acho que devo falar no Euro-2012 a fim de tecer considerações importantíssimas sobre a temática e a fim de publicar os meus votos para os resultados. Qual saudoso polvo Paul, poderia também dizer que talvez ganhemos o próximo jogo por um golo a nosso favor e também por um o seguinte, mas deixo isso para bichos mais videntes (ou visionários?) que eu.



A minha relação com o futebol é digna de ser relatada agora, no dealbar da silly season

Não consegui ainda entender quando é que um jogador está fora de jogo, nem quando é que o que fazem dá direito a livre ou a coisas do género. Se pergunto dizem-me, desdenhosos: 'Esquece, desiste. Nunca vais conseguir perceber' e eu desisto porque o interesse na matéria esmorece facilmente.

Mas, quando a nossa Selecção participa em campeonatos como este, fico interessada durante os jogos em que participa. Fico interessada é uma forma generalista de falar porque, verdade, verdadinha, o que acontece é que me distraio permanentemente e, por isso, tenho sempre outra actividade entre mãos. Mas, mal na sala se ouve uma respiração agitada, gritos, impropérios, ou se, pela toada dos comentadores, percebo que há risco ou golo em perspectiva, então desperto e empolgo-me e, se Portugal mete golo, fico toda contente.

Tirando isso, durante os outros jogos, dou uma espreitadela displicente a ver se há algum motivo de interesse.

Já agora: na nossa selecção também há mas vocês, se lêem com atenção o que aqui escrevo, já devem ter percebido que me refiro ao Bruno Alves. 



Bruno Alves em campo - uma presença que se impõe 


Em tempos, se a França jogava eu prestava atenção ao que se passava em campo: passava-se o Zidane. 



Zinédine Zidane, que entretanto já completou 40 anos


Eu achava-o (e agora ainda o acho mais!) um homem interessantíssimo. Por essas alturas foi feito um inquérito internacional e ele aparecia como o homem mais sexy do mundo. Pois claro. Nestas coisas, os meus gostos alinham pelo gostos das maiorias.

Pois este ano descobri outro que, na actualidade, é capaz de destronar o Bruno Alves. Trata-se do Giórgos Samarás (e só não me arrisco a escrever aqui o nome em grego com receio de trocar as mãos e ainda me sair alguma inconveniência), é grego e é um rapaz de 27 anos e 1,89 m de altura. 



Samaras - dá gosto vê-lo em acção. Pena que já não jogue mais no Euro 2012 .


Marcou o golo da  Grécia contra a Alemanha e mostrou uma raça cheia de graça. Ainda não destrona o Zidane porque lhe falta aquela sagesse que adquirirá com o tempo, já que ainda é muito novinho, mas eu acho que tem potencial, tem, tem. 

E sobre este campeonato não me ocorre mais nada a não ser que era bom que batêssemos a Espanha e que  a seguir fossemos mostrar à Merkel que, afinal, em Portugal não somos todos uns lambe-botas (podia usar outra palavra que não botas mas não sou uma mulher do norte, pelo que só estou habituada a usar linguagem de salão). Ou seja, reformulando: gostava que ganhássemos o Euro 2012, claro, e teria um saborzinho gourmet se a vitória fosse contra a Alemanha.

+ + +

Adenda: enquanto escrevo estou a ver o telejornal e acabo de ouvir duas coisas fantásticas. 

A primeira foi Passos Coelho já a admitir mais medidas de austeridade - mas não é a isso que me referia pois ele não sabe fazer mais nada senão aumentar impostos ou cortar ordenados pelo que, tendo implementado medidas que deram para o torto é natural que, esperto como é, opte por voltar a fazer o mesmo. Não: o meu espanto foi ele ter usado a palavra quaisquer, usando-a correctamente como plural de qualquer. Fiquei espantada. 



Paulo Portas e Passos Coelho - os líderes dos dois partidos do Governo,  ou seja,
os dois principais responsáveis pela Governação e pelo estado da Nação



A segunda foi ter ouvido alguém a falar um espanhol perfeito, cheio de eloquência, até usando inflexões guturais como um genuíno espanhol ou um mexicano - dizendo que se quisessem vir para Portugal com os bolsos cheios ganhariam logo um visto permanente ou coisa do género e gabando-se de estar sob tutoria como se fosse uma coisa boa, a mesma que fez os anfitriões tirarem o pé da lama - parecendo-me ser a voz de Paulo Portas. Olhei e era mesmo. Acho que estava na Colômbia. Então não é bom estarmos aqui a mando da troika, hombre? Por supuesto! 

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E é isto.
Tenham, meus Caros, um domingo muito bom!