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sexta-feira, setembro 04, 2026

O que é a caquistocracia?


Caquistocracia (ou kakistocracia): significa o «governo dos piores», ou seja, um sistema político liderado pelas pessoas menos qualificadas, mais incompetentes ou mais inescrupulosas.

  • Etimologia: A palavra vem do grego kakistos (o pior, superlativo de mau) combinado com kratos (poder ou governo).
  • História: O termo foi criado no século XVII para descrever governos entregues a cidadãos sem capacidade ou mérito para exercer a função pública. 
  • Principal característica: Incompetência como critério - o governo escolhe ou tolera membros com base na falta de preparação, afastando e hostilizando quem demonstra verdadeira competência.
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A caquistocracia segundo o ChatGPT


Um Governo em que o primeiro-ministro está contaminado por uma infecta Spinumviva que para sempre lhe ficará colada como uma carraça, que começou a governar sobre uma mentira que soou aos portugueses como uma fraude (falando numa descida espectacular do IRS quando era afinal algo que já estava reduzido (pelo governo PS)), que tem balizado a sua actuação por meias verdades, por chutar para canto, por incumprir tudo o que tinha prometido, que se fez rodear de uma equipa de ministros fraquíssimos, que estragam tudo em que tocam (o caso da Saúde, da Educação, então, são paradigmáticos do que é a incompetência elevada a expoentes impensáveis), em que um ministro da Administração Interna (o 3º erro de casting, depois de duas senhorinhas que não atinaram) se apresenta como um polícia de tipo self-made man -- quero, posso e mando e que venha o primeiro que me impeça de fazer o que quero -- não é um exemplo de que, também em Portugal, se tem vindo a decair no sentido de uma caquistocracia? 

Os que estão no Governo não deveriam ser os melhores dos melhores? Como é possível que as coisas estejam num declínio tal?

Mesmo na Assembleia da República, como é possível ver nas bancadas um tal rebotalho? 

A bancada do Chega seria de anedota se não fosse uma tragédia. O mal que este partido tem feito à democracia é palpável, é como uma gangrena que vai alastrando.

Mesmo na bancada do PSD, que líder parlamentar é aquele? Um trauliteiro, um fala barato. Qual o critério: ser unha com carne do Montenegro? Outro vírus para a democracia.

E que porta-voz do PSD é aquele? Que credenciais tem o Bugalho? Ser outro fala-barato? Abre a boca e sai um bafo que incomoda.

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Ainda assim, há que reconhecer que nada que se pareça com a palhaçada a que se assiste nos Estados Unidos. Aí, sim, é um filme de terror, a coisa vai para além do imaginável. Não se consegue perceber como o país mais poderoso do mundo (será que o é, de facto?) está nas mãos de um narcisista maligno, demente, ignorante, estúpido até à quinta casa. Nem se percebe como admitem os americanos que a equipa executiva seja constituída por gente tão totalmente desqualificada. Ou como admitem que todas as instituições basilares da democracia estejam permanenetemente sob ataque por parte de Trump, que só descansa quando corre com os competentes e os subsitui por gente desqualificada e servil. É de fugir. 

Gostei de ouvir George Clooney descrever esta situação como uma caquistocracia. No vídeo fala de várias coisas, incluindo disso. Vale a pena ouvir.

George Clooney critica a América da era Donald Trump: "Estamos a viver uma caquistocracia neste momento"

A estrela de Hollywood George Clooney fez uma série de declarações contundentes no Festival de Veneza, onde recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra. Clooney abordou temas como a política norte-americana, o jornalismo, a inteligência artificial, Hollywood, as alterações climáticas e a propriedade dos meios de comunicação.

Clooney descreveu a situação atual nos Estados Unidos como uma "caquistocracia", termo que se refere a um governo exercido pelas pessoas menos qualificadas. Alertou ainda para o conteúdo gerado pela inteligência artificial e para os deepfakes, afirmando que podem tornar cada vez mais difícil distinguir a verdade da ficção.

O ator manifestou ainda preocupação com a concentração dos media e a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros., além de discutir as alterações climáticas e os incêndios florestais que afetaram a casa da sua família em França.


Desejo-vos uma boa sexta-feira

quarta-feira, setembro 02, 2026

O Montenegro está nas mãos da improvável sociedade Ventura & Neves? E, afinal, o Neves também é um populista, não é?
-- A palavra ao meu marido --

 

A fazer fé nas notícias que li, o Neves revelou-se na comunicação que fez esta terça-feira, qual Ventura II, um verdadeiro populista. Fez exatamente o que os populistas, nomeadamente o Ventura, fazem. Não esclareceu nada, não tocou nos factos de que é acusado, elegeu um inimigo, neste caso o Ventura, e negou, irritado e vitimizando-se, tudo. É o que faz um populista: nega tudo (vejam o discurso do Trump), elege um inimigo principal (no caso do Ventura, a imigração) e nunca responde aos factos de que é acusado dizendo que são "fake" e resultam de uma cabala. Cavalgam a onda da "vox populi" e dizem o que é mais conveniente num determinado contexto, independentemente de ser verdade ou mentira. 

O Neves aproveita a onda dos "amigos do Neves" nas redes sociais e na comunicação social e transforma-se em arauto do combate ao populismo, elegendo como inimigo principal o Ventura e uns outros tantos que, diz, organizaram uma cabala contra ele, afirmando que são tudo mentiras e que esses difamadores vão sofrer consequências. 

Relembrando uma frase em voga: se fala como um populista, se age como um populista e se parece um populista, então, o mais certo é que o Neves seja mesmo um populista. 

No entanto, deve ter-se esquecido que está no governo mais populista de que há memória, que tem um discurso populista, que aprova leis suportadas no populismo, que segue a agenda do partido do Ventura eleito inimigo principal pelo Neves. Portanto, o Neves, que anunciou que "está de pedra e cal", vai afinal também vai encetar um combate sem tréguas contra o Montenegro..?. Curioso, muito curioso! 

Aliás, o Neves, segundo li, apresentou-se  como se a sua continuação como ministro dependesse da sua própria vontade e decisão e não da vontade e decisão do Primeiro-Ministro. A ser verdade, quer isso dizer que o Primeiro-Ministro não risca nada no que a ele diz respeito? Ou, melhor perguntando: o Neves quis mostrar a toda a gente que tem o Montenegro na mão? 

Parece que o Neves também disse que os bens apreendidos aos criminosos devem ficar ao serviço de quem os apreende. Curioso. Segundo tenho ouvido, parece que não é bem isso que é suposto. 

(Não sei bem porquê mas até me veio à memória uma frase batida "ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão") 

domingo, agosto 30, 2026

Até tu, Tribunal Constitucional? Até tu ensandeceste?
(E uma nota breve sobre toda esta situação que envolve o Neves)
--- A palavra ao meu marido ---

 

O TC publicou ontem o acórdão em que considera constitucional a lei do retorno, não dando razão às questões levantadas pelo PR. Parece-me surpreendente que uma lei como esta relevância tenha sido apenas apreciada por 7 dos 13 juízes (portanto, foi aprovada por maioria) e não percebo qual a urgência da publicação do acórdão -- se fosse publicado daqui a um mês com os 13 juízes presentes haveria algum problema de ordem pública ou de não funcionamento das instituições? 

Mais espantado fiquei ao ouvir hoje os comentários de um antigo bastonário. Conclui que os juízes decidiram a constitucionalidade da lei admitindo um conjunto de pressupostos que permitiriam garantir a aplicação da lei no integral respeito da Constituição. O problema é que esses pressupostos não existem nem parecem ser exequíveis em tempo útil em Portugal. Referiu, por exemplo, a inexistência de centros de detenção e a morosidade da justiça que não vão permitir suportar as expulsões em decisões dos tribunais. Aparentemente consideraram constitucional a lei tendo como base condições de aplicação que, provavelmente, existem na Dinamarca mas não existem em Portugal. Para além da possibilidade de Portugal ser condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem no caso da expulsão de pessoas com filhos portugueses. A ser verdade o comentário que ouvi, só me resta concluir que as incongruências da justiça já atingiram o TC, o que é gravíssimo.

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Voltando mais uma vez ao Neves. Quem defende que o Neves deve ficar tem geralmente dois argumentos: é competente e correr com ele é dar força ao Ventura. 

Tenho duas notícias a dar:

Primeira: será que é mesmo competente? É que, por exemplo, a nível de droga, a PJ já apreendeu este ano mais do que no ano passado, com ele lá. 

Segunda: o que dá força ao Ventura é a inacção do Montenegro (será que existe alguma razão desconhecida para que tal aconteça?). Mantendo o Neves, Montenegro dá argumentos ao Ventura para ir todos  os dias às televisões falar de lamaçal e dizer outras alarveirices semelhantes. Se o Neves fosse demitido, estes argumentos acabavam. 

Ser democrata e de esquerda não é ter dois pesos e duas medidas --  é respeitar a ética republicana e ser integro. Critiquei fortemente o Montenegro pela falta de ética e pelas "habilidades" que vem fazendo. O Neves não é diferente, poderá até ser pior!

quinta-feira, julho 02, 2026

O Leitão, o Ventura, a Ramalho e o Alexandre ou a "liga dos sem vergonha", sem esquecer, bem entendido, a Dona Ana Paula e o chefe deles todos, o Luís
-- E, finalmente, eis que o senhor meu marido se dignou, de novo, a dizer de sua justiça --

 

Ouvir um tipo que é jurista e deputado dizer que o governo não deve cumprir uma ordem do tribunal é assustador e chocante. Assustador porque percebemos que a extrema direita se sente com poder suficiente para fazer este tipo de afirmações, chocante porque apesar desta e de outras afirmações semelhantes ou piores, muita gente vota neles. O Ventura é o Trump cá do burgo. Populista, demagogo, xenófobo e autocrata -- e podem ver pelo que tem acontecido no EUA e no Mundo o desastre que é eleger um tipo com esta natureza. Devia servir de vacina e ninguém votar num tipo sem um pingo de vergonha! 

Mas neste cantinho à beira-mar plantado temos outras aberrações semelhantes. 

As afirmações que o "Lentão" Amaro fez recentemente sobre a imigração confirmam que a xenofobia e a direita mais populista ocupam lugares de relevo no governo. Ter um ministro que, das duas uma, ou não tem um mínimo de conhecimento da realidade ou mente descaradamente é uma vergonha para quem os elegeu, para quem o escolheu e naturalmente para o próprio. 

Outro elemento do elenco governativo que se pauta por uma enorme falta de vergonha, basta relembrar as mentiras que foi dizendo para suportar as suas tentativas legislativas discriminatorias e com cheiro a direita saudosista é a Palma Ramalho. É preciso não ter vergonha para fazer o que tem feito mas, é preciso ser verdadeiramente desavergonhada para manter a reforma da lei laboral na agenda após 12 meses de negociação e namoro ao Ventura que no final redundaram no colossal fracasso que conhecemos. Como é possível tanta falta de razoabilidade e de vergonha!

Não procurando ser exaustivo sobre os membros do governo que fazem parte da "liga dos sem vergonha" e sendo óbvio que o PM e a ministra da saúde são sócios desde a primeira hora (como é possível a ministra ter gasto mais 21% na saúde, termos atingido o caos atual e não ser corrida?) tenho que referir mais um que está de corpo e alma na liga: é o rapaz da Educação. O Alexandre depois de torrar dinheiro em tudo o que dava chatice decidiu tentar fazer umas coisitas que não correram nada bem. Desde os números sem fundamento relativos ao número de alunos sem aulas, referidos pelo ministro até à vergonha que é o atual processo de correção dos exames, existem bastas razões para incluir este ministro em lugar de destaque na "liga dos sem vergonha".

Mas tenho que voltar à da Saúde. Com estes calores extremos, o que ouvimos à que nunca mais é ex é que alerta para o aumento da mortalidade. Mas alguém morre porque quer? O que é isto de alertar para a o aumento de mortes? Não passa pela cabeça da Ana Paula Martins que o que ela tem que fazer é dar conselhos práticos, é informar sobre medidas concretas, é fazer com que haja meios para minimizar insolações ou para acudir rapidamente a quem se sinta mal? O que mais esta senhora tem que fazer de mal para que o Luís perceba que mantê-la é caso quase de alarme social?

E é destas vergonhas que se vai fazendo uma parte da politica em Portugal. Que vergonha!

sábado, junho 20, 2026

Finalmente, caraças! Finalmente vão enterrar o aborto!

 

Confesso que ontem, perante tanto levantar de taça, ainda admiti que me tivesse enganado e que o Ventura fizesse respiração boca a boca ao aborto a ver se, com isso, retirava louros sabe-se lá de onde, provavelmente dos fundilhos dos babacas que vão na conversa dele, nomeadamente os dois pândegos Montenegro & Hugo Soares. Tudo o que era comentador, resfolegou e dançou em cima do feito. No entanto, no meu íntimo duvidei. O Ventura não é apenas uma physalia physalis, é mais que isso: associa às malfeitorias da caravela-portuguesa as do lacrau. 

E hoje confirmou-se. Para ele não há linhas vermelhas, contornos perimétricos ou constrangimentos de qualquer espécie: funciona em geometria variável. A ausência de carácter consubstancia-se numa total labilidade. Vale tudo. Não há ética, moral, consciência, arrependimento ou outros empecilhos. Nada. Para ele tudo são oportunidades. Desta feita, enquanto se ouviam os aplausos das bancadas e das galerias, Ventura juntou o punho erguido às lágrimas do líder da CGTP. Ventura é agora o protector dos assalariados. Depois de grande parte do eleitorado do PCP já ter migrado para o Chega, Ventura quer mais: quer comandar as hostes que marcham na rua reclamando melhores condições para o proletariado. 

E, com esta retirada de tapete, deixou a Madame Palma Ramalho sem poder continuar com a amamentação e com os outros cuidados que pretendia prestar ao aborto a que, carinhosamente, tem dado colo com o beneplácito do pai Montenegro e do padrinho Hugo Soares. E depois de, ao longo de um ano, ter andado a entreter as mesas da Concertação Social, as bancadas da Assembleia da República e os balcões televisivos onde se serve comentário a copo, agora põe o seu sorriso picassiano e diz que quem ficou a perder foram os portugueses -- não ela, que ela nem é de cá.

Ainda apanhei o Montenegro, com aquele seu sorrisinho de quem provou e não gostou, a dizer que ficou surpreendido. E eu, mais uma vez, concluí: não é inteligente quem comete o mesmo erro vezes sem conta e, de cada vez, mostra surpresa. Continua a querer amancebar-se com o Ventura quando já devia ter aprendido que, sempre que anda em encontros com ele, sai de lá sempre com um andar novo. Apetecer-me-ia aqui usar algumas metáforas mais criativas, e há várias que me ocorrem, mormente as de carácter clínico, mas, como não sei quais os prazeres secretos dos envolvidos, não me arrisco. Vai que até gostam e me anulam o efeito caricatural...

Portanto, no rescaldo da ópera bufa, parece que finalmente o aborto vai ser enterrado. Segundo o Montenegro parece que as exéquias não serão definitivos pois já ameaçou, numa próxima oportunidade, proceder à exumação do infeliz aborto. Mas não sei. Às vezes parece que adivinho coisas e, se agora a minha intuição também vier a estar certa, pode ser que não venha a ter essa oportunidade. Avizinham-se tempos difíceis para o PSD e para ele, em particular. Por isso, como até ao lavar dos cestos é vindima, pode ser que a Madame Palma Ramalha vá dar banho ao cão mais cedo do que lhe apetece e que o próprio Luís possa ir dedicar-se à Spinumviva num futuro mais próximo do que almeja.

E que assim seja.

quinta-feira, junho 18, 2026

O que é que leva o Luís a continuar por aí com o aborto ao colo?

 

Tem estado muito calor e, quando levamos o cão a dar o seu passeio, vai contrariado. Ao contrário do que é costume, arrasta-se, encosta-se aos muros para aproveitar a sombra e, mal faz as ncessidades, dá meia volta, quer regressar a casa, e só a custo o levamos a andar mais um pouco. Percebe-se. Não está fácil.

Há algumas casas em obras. Pintam-se pareces, limpam-se telhados, alargam-se janelas. Os homens das obras deixam os portões abertos e aí o cão já quer entrar, é muito cusco. Também sou, mas disfarço.

Com o calor que está, as pessoas que às vezes eu via a cuidar do jardim estão recolhidas, não as tenho visto. Compreendo-as. Também pouco tenho feito.

Sabemos que é a casa de estrangeiros quando, à noite, por lá passamos e reparamos que não baixam estores ou fecham portadas (que, na maior parte das vezes, nem existem), nem têm cortinados. Da rua, vê-se completamente a casa. Isso não os incomoda. Ao fim de alguns anos, continua a causar-me alguma admiração. De fora, parece o enário de um filme ou, outras vezes, uma pintura de Hopper.

No ginásio, quando vou mais cedo, cruzo-me com uma população que não vejo quando vou à minha hora mais tardia. Não só há muito mais gente como, sobretudo, gente muito mais nova. Muitos. Pasmo com o que fazem. Levam aquilo muito a sério. Têm corpos musculados, eles e elas, esforçam-se imenso, põem uma carga que torna as máquinas, para mim, inamovíveis. E há uma senhora francesa, essa não tão jovem, talvez já uns quarenta e picos, muito simpática. Sorri na minha direcção e cumprimenta-me com afabilidade. Há também umas brasileiras que falam com muita graça e que parecem competir quanto à graça e bom corte dos seus fatos.

Hoje, quando saímos do ginásio e íamos para casa, vimos uma jovem, também estrangeira, com dois copos de café na mão. Cumprimentou-nos, muito sorridente. Fiquei intrigada: quem é que vem comprar dois copos de café e os leva, a pé, para casa? E percebemos que não ia para nenhuma casa ali ao pé pois, quando nós virámos para o nosso destino, ela continuou. É certo que estava muito calor mas não é possível que o café chegasse a casa dela em condições. 

E, como é bom de se imaginar, continuo sem ver noticiários ou comentários. Mas hoje, quando íamos -- outra vez!!!! -- para o veterinário, ao ligar a rádio, apareceu o tema da legislação laboral e o entendimento ou meio entendimeto do Montenegro com o Chega. Exclamei: 'Lá anda este com o aborto às costas'. O meu marido olhou para mim muito admirado, acho qu epensou que eu estava a chamar aborto ao Ventura.

Mas não. A questão, mesmo, é que só consigo ver a Legislação Laboral como um aborto. Por ali andou a balões de oxigénio a ver se vingava na Concertação Social, e não vingou. Agora por aí anda, na Assembleia, com o Montenegro a toque de caixa do Ventura, uma coisa desonrosa. Só o facto do Ventura ligar isto a uma pretensa descida da idade da reforma (para 60 anos, imagine-se!), deveria levar o Montenegro a virar-lhe as costas e não voltar a dirigir-lhe a palavra. Mas não, como tem esperança que o outro consiga reanimar o aborto, apara-lhe todas as jogadas. Tipos mais infelizes, estes dois.

Com tanto tema grave na actualidade, tanto, tanto, tanto, andam a perder tempo e a desonrar a política, com um aborto destes.

Até me lembrei, e não vem nada a propósito da Lei Laboral, do dia em que fui visitar uns nossos amigos na sequência dela ter tido um aborto espontâneo. Deve ser muito tiste para qualquer mulher mas, para ela, que andava há já algum tempo a tentar engravidar, talvez ainda fosse mais. Estava de facto abalada. Às tantas, como era normal o meu marido ir ao frigorífico buscar uma cerveja ou sei lá porquê, avisou: 'Se forem ao frigorífico não se espantem, o feto está lá.'. Não sei se imaginam o meu sobressalto. O meu horror. Não sei se deixei que uma interjeição se soltasse, presumo que sim. Caraças, no mínimo. Acho que o meu marido soltou um palavrão. Mas, para ela, ter o feto no frigorífico era normal. Como é médica, a par do desgosto, estava a vontade de examinar o serzinho em formação e perceber porque é que não tinha vingado. Então, com a maior das naturalidades, descrevia como a coisa se tinha dado, como, ao expeli-lo, tinha conseguido apanhar o feto ensanguentado e o tinha guardado para, logo que voltasse ao trabalho (nós estávamos lá em casa dela no fim de semana e, portanto, devia estar à espera da segunda-feira), o levasse (não sei para onde, mas presumo que para o hospital onde trabalhava) para ser examinado. Escusado será dizer que nesse tarde ninguém tocou no frigorífico. Perguntámos ao marido: 'Não te faz impressão?'. Meio sem acção respondeu: 'Claro que faz. Nada disto é normal.'. Pois.

Assim o Montenegro. Também põe o aborto no frigorífico e, de vez em quando, vai buscá-lo para ver se alguém lhe pega. Não pega. 

Não há pachorra para tanto imprestável.

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Desejo-vos uma boa quinta-feira

quinta-feira, maio 28, 2026

Klee
-- Por todas as razões e por mais uma: para fugir dos deslaçamentos verbais do Láparo. Chiça! --

 

Nunca devo ter sido muito normal. Por exemplo, lembro-me de ser ainda pequena quando vi pela primeira vez a imagem de uma pintura de Paul Klee. Nunca tinha visto nada assim. As pinturas que conhecia eram figurativas, quando muito impressionistas. Por cima do sofá da nossa sala havia uma pintura de razoáveis dimensões com uns barcos. As cores, os traços, a mancha, tudo puxava mais para o impressionista, e eu gostava muito mais do que das pinturas de flores ou afins que havia noutras paredes. Havia também umas gravuras antigas, bonitas, tenho ideia que de casas antigas, bairros, não sei, desfoca-se-me a memória, mas sei que eram absolutamente fiéis aos objectos retratados.

Imagem gerada pelo ChatGPT para responder ao meu pedido:
uma pintura que evoque o Senecio de Paul Klee

Por isso, quando vi Senecio, a tal pintura de Paul Klee, fiquei fascinada. E não larguei a minha mãe, queria ter uma reprodução, poderia ser um poster, poderia ser um cartão, qualquer coisa. Não sei o que é que os meus pais acharam dessa minha pancada. Provavelmente pensaram que não faziam a mínima ideia onde arranjar tal coisa* e que eu acabaria por me esquecer. Mas não me esqueci. Parecia-me que não conseguiria viver longe daquela imagem. E, não sei como, mas a verdade é que alguém arranjou a imagem. E a meu pedido a minha mãe emoldurou-a. Existiu lá em casa quase desde que tenho memória.

Não sei se alguma vez alguém me perguntou o que é que eu via ali. O que sei é que, se o tivessem feito, não saberia explicar. Sei hoje que é a cabeça de um homem senil. Mas o nome da pintura não muda nada. Poderia chamar-se Retrato de um Jovem Perplexo. Tanto faria. O que sei é que me identifico com aquela imagem, com aquele olhar, com aquelas cores, com a inexplicação daquele rosto.

Muitos anos depois, mantendo-me fiel a esse amor, não descansei enquanto não encomendei numa cerâmica um pequeno painel de azulejos com a reprodução daquela pintura para a ter in heaven. 

Como sempre na arte, posso olhar para uma coisa muito bonita, muito perfeita, e seguir adiante. Nada me diz. E posso ver uns 'rabiscos', uma sobreposição de cores, e ficar fascinada, agarrada. Para mim a arte não é, não pode ser, a reprodução da realidade. Tem que ser a invenção da realidade ou uma outra visão da realidade. E tem que me emocionar, tenho que querer ficar a olhar, de preferência sem ser capaz de dizer o que estou a ver.

No entanto, apesar de nada do que eu saiba da vida de Paul Klee ou das suas obras me fará gostar mais ou menos da sua pintura, a verdade é que fiquei curiosa quando vi o vídeo que abaixo partilho.

A Vida e a Arte de Paul Klee: História da Arte Explicada

Paul Klee passou os primeiros trinta anos da sua vida convencido de que não tinha aptidão para as cores, ou mesmo para a vida de artista.

Nascido perto de Berna, numa família de músicos, estudou em Munique, no seio do modernismo alemão, e encontrou o seu caminho no círculo de Wassily Kandinsky, Franz Marc e Der Blaue Reiter — um dos movimentos artísticos mais influentes da sua época. No entanto, apesar de toda esta companhia estimulante, mantinha-se inseguro quanto à sua própria voz. Depois, em 1914, uma viagem ao Norte de África mudou tudo.

Foram precisas décadas, mas a partir desse momento a visão singular de Klee floresceu com uma intensidade notável. Violinista talentoso, para além de pintor, trouxe a sensibilidade de um músico para o ritmo e a composição para a sua arte, produzindo obras que resistem à categorização fácil, inspirando-se em elementos do Expressionismo, Surrealismo, Cubismo e abstração, mas permanecendo inteiramente originais.

* Ao escrever aquilo lá em cima, de que imagino que os meus pais tenham ficado sem saber onde arranjar uma reprodução daquela pintura, em específico, do Paul Klee, penso que isto deve ser difícil de entender por quem é de uma outra geração. Agora arranja-se tudo. Ainda no outro dia andávamos a pensar onde arranjar um candeeiro que nos agradasse, vi na Amazon e havia vários, encomendei, perfeito. E o meu marido queria uma máquina para o jardim -- mais uma! --, procurámos na Worten, encomendámos ao fim do dia e, na manhã seguinte, estavam a entregar. Sabe-se tudo, descobre-se tudo, arranja-se tudo nem que seja do outro lado do mundo. Agora... há mil anos... sem marketplaces, sem internetes, está bem, está. Havia livrarias, isso sim. Que me lembro eram as únicas janelas abertas para o mundo. Isso e, de certa forma, também as lojas que vendiam discos. Por isso, na volta, a minha mãe comprou algum livro de arte e arrancou a página que continha a imagem do Senecio. Mas agora que falo nisto, tenho ideia que na livraria onde mais íamos, também vendiam algumas reproduções, gravuras, coisas assim. Mas posso estar enganada. Sei é que arranjaram. E foi bom pois, desde cedo, tive a companhia de imagens que ajudaram a desconstruir o que a sociedade tentava construir dentro da minha cabeça.

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Nota: Ando mais para este género de temas do que para sujar as mãos a escrever sobre os deslaçamentos verbais do Láparo. Bem pode ele chamar prostituto ao Montenegro, ainda por cima, prostituto sem carácter, que isso, a mim, não me inspira. Bem podem todas as comentadeiras do burgo saltar, assanhadas, para os balcões em que se serve comentário a copo, que eu me mantenho na minha. Estão os três bem uns para os outros. Melhor, os quatro. Portanto, se a conversa desceu ao nível do bordel, pois que lhes faça muito bom proveito. (Ah... não sabeis quem é o quarto? E refiro-me não ao quarto de dormir mas ao quarto personagem... Ora pensai. Láparo, Ventura, Mentenegro e... Hugo Soares. Uma quadrilha do caneco. Quadrilha no sentido de serem quatro, claro. Se calhar, mais vale dizer quarteto. É isso, um quarteto do caraças, benza-os o belzebu).

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Desejo-vos um dia feliz

quinta-feira, abril 30, 2026

Será o Montenegro o Orbán cá do burgo? E o Andrézito é um brincalhão do caraças? E o MP não se interna voluntariamente Rilhafoles?
-- A palavra ao meu marido --

 

Talvez alguns tenham ficado surpreendidos com o apoio objetivo dado por Montenegro a uma repescagem de Putin. Para mim não é surpresa. O Montenegro faz parte da direita com pendor populista que em grande parte está ao lado do Putin e o quer ver regressar, com alguma pompa e circunstância, aos palcos internacionais. Depois do Trump fazer todos os possíveis para dar protagonismo ao Putin, eis senão quando vem o Montenegro, antes de haver concertação europeia nesse sentido, apoiar o Trump e antecipar-se à maioria dos nossos parceiros europeus, seguindo as pisadas do tipo responsável pela enormíssima e perigosíssima crise em que o mundo está mergulhado. Será que temos um novo Orbán na Europa? O PM português? Ainda não chegou aos extremos do húngaro mas segue os passos do Trump, revela-se defensor da re-inclusão de Putin nas plataformas decisórias, já aprovou com a extrema direita as leis da nacionalidade e da imigração, já revelou enorme falta de respeito pela verdade e pelas instituições e já atacou bastas vezes a comunicação social. De facto, isto é apenas a cereja em cima do bolo. Para além de seguirmos a política de bar aberto relativamente à utilização das Lajes pelos americanos, ainda temos o Montenegro a defender que o Putin volte a ser considerado na cena internacional.

Parece que o Andrézito definiu hoje a linha vermelha para aprovar o pacote laboral. Embora se possa admitir, atendendo à habitual coerência do rapaz, que a linha vermelha hoje definida amanhã muda de cor, dizer que só aprova o pacote se a idade da reforma descer é de mestre. Esta não lembrava ao mais pintado. O Montenegro até deve ter batido três vezes com a cabeça na parede para ver se alucinava de vez. Não há nada tão reconfortante como ter o Andrézito como parceiro, não é Luís?

Hoje o tribunal, por unanimidade, decidiu absolver o Rui Pinto considerando que o julgamento era inválido e inconstitucional e que o MP tinha violado as garantias de defesa do réu. Será possível que o MP ainda desça mais fundo? Os procuradores deviam ser internados em Rilhafoles e punidos por incompetência e desbaratamento do erário público. O PGR devia demitir-se, emigrar e ir pentear macacos para o meio da selva. Ou melhor ainda: fazia um trio com os dois acima referidos e iam contar osgas para a Conchichina. Isso é que era!

quinta-feira, abril 02, 2026

Se o Montenegro não obedece ao Cavaco porque há-de ser o José Luís Carneiro bem comportado?
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Tirou-se o Cavaco do seu sossego para escrever um artigo em que, para além de afirmar as costumadas cavaquices, se lembrou de avisar o seu pupilo Luís Montenegro de que o Andrezito e respetivo séquito não são de confiança. Vai o pupilo, numa primeira pronúncia, refere "que o artigo cai que nem uma luva" no seu governo e, em segundas núpcias, zas catrapas, esquece o tutor, entra de braço dado na AR com o Andrezito e aprovam a segunda versão da lei da nacionalidade. 

Esta questão não estava na ordem do dia, não tinha nenhuma urgência e só apareceu porque o Montenegro quer ser mais Andrezito que o dito cujo. 

Veremos se passa no TC. 

Acho que nos podemos questionar sobre se o Luís se portou bem. Não, o Luís não se portou bem, não seguiu as instruções do tutor, foi mau aluno e ainda corre o risco de ficar de castigo. 

E o PSD foi responsável ao aprovar uma lei estruturante apenas com o apoio da extrema direita? Parece-me que não. 

Este tipo de leis deve resultar de um amplo consenso e refletir as várias sensibilidades da nossa sociedade. É com este objetivo que deve agir um partido responsável. Mas até hoje, o PSD, num espírito revanchista, muito comum na direita de antanho, tem aprovado legislação que reflete apenas a visão da direita menos esclarecida e menos moderna. 

Agora até querem que a rapaziada não conheça a história da Blimunda e dos que construíram o convento de Mafra. Mais bafiento é difícil, e menos responsável também. 

Sendo assim, porque é que os comentadores mais ou menos encartados e, naturalmente, os rapazes e raparigas da direita que inundam o espaço mediático exigem que o PS seja um partido responsável e aprove tudo o que o governo lhe põe à frente, sobretudo o orçamento, mas não exigem uma posição responsável ao PSD, que se paute por respeitar o PS e o eleitorado socialista? 

Será que toda esta malta tem uma agenda escondida? 

Rapidamente vai chegar a pressão para que o José Luís Carneiro seja responsável e sirva de muleta ao Montenegro quando o Andrezito lhe der uma nega. Quanto a mim, ser responsável é tomar as decisões correctas nos momentos certos, doa a quem doer. Espero que o PS não se deixe enlear no canto da responsabilidade e aja corretamente quando for necessário, sem olhar à"imperiosa" necessidade de dar a mão ao governo quando o Andrezito se chateia. Os portugueses compreenderão!

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Nota: não fiquei nada orgulhoso de ser português quando soube que o governo tinha mais uma vez servido de capacho à administração Trump no que diz respeito à utilização das Lajes. Se o Trump soubesse quem era o Montenegro, diria que o Luís era mais um que lhe tinha beijado o ass. Que vergonha!

terça-feira, março 31, 2026

Os enormes equívocos das políticas do Montenegro ou a enorme componente ideológica da politica do governo
-- A palavra ao meu marido --

 

É certo e sabido que as políticas do governo não são suportadas em factos nem em  informações fidedignas. Vão a reboque do Andrézito ou são motivadas por opções ideológicas que em muitos casos são estupidamente próximas das opções da direita revanchista e retrógrada. 

Vamos a factos. 

Lei da Imigração aprovada com o Chega cujo defensor mais intransigente foi o "Lentão" Amaro de parceria com o Luís. Os imigrantes davam cabo do País, viviam de subsídios e eram os responsáveis pelos piores crimes. 

  • A parte dos crimes o atual MAI encarregou-se de a desmentir quando era diretor da PJ. 
  • Quanto ao resto foi desmentido pelo relatório do Banco de Portugal de Março, a saber: 
    1. os imigrantes passam muito menos tempo a receber subsídios que os nacionais e os que mais subsídios recebem são russos, ucranianos, moldavos e brasileiro (azar não são asiáticos!), 
    2. os imigrantes contribuem com 4,1 mil milhões de euros para a segurança social sendo o saldo líquido positivo de 3,2 mil milhões, 
    3. os imigrantes são responsáveis por 5% do PIB e, se não estivessem a trabalhar em Portugal, o valor médio dos impostos dos nacionais teria de passar de 35% para 43%. 
Foi nisto que resultou a política de "bar aberto" que o Chega de braço dado com o governo tanto criticaram e que os comentadores também apoucaram e apoucam. Eu diria que ainda bem que ofereceram as bebidas, pode ter havido algumas bebedeiras, o que era inevitável, mas no cômputo geral foi muito positivo e não se percebe a urgência da lei da imigração a não ser por opções políticas e apropriação da agenda do Andrézito. 

Outra palhaçada é a Lei da Nacionalidade. Só o Chega e o anquilosado CDS tinham este assunto na agenda. O Luís e seus muchachos viram uma oportunidade para se juntarem à extrema direita,  desviarem as atenções da inoperacionalidade do governo e cavalgaram a onda e cá vai disto. Felizmente a lei aprovada na AR foi chumbada pelo Constitucional. Os dados mais recentes, que deveriam servir de base a estas opções políticas e são pura e simplesmente obliterados (estúpida palavra que Trump tornou omnipresente) referem que apenas 7% dos pedidos de nacionalidade são de naturais do Paquistão, do Nepal e de países vizinhos. Ao contrário do que apregoava o Andrezito e o governo, apenas 2.700 cidadãos destes países pediram a nacionalidade portuguesa. "Ganda" problema não é Luís, "Lentão" e quejandos? É deveras preocupante: sendo tantos, ainda vão dar cabo dos outros dez milhões. É o governo a cobrir-se de ridículo com este tipo de opções. 

Outra política também reveladora da inteligência de quem governa foram as medidas destinadas á Habitação. Como resultado das políticas do governo, os preços das casas aumentaram como nunca se tinha visto e 28% dos contratos celebrados por jovens demonstram  representar um taxa de esforço entre 40 e 50% o que está manifestamente acima do recomendado, senão mesmo no limiar do risco de incumprimento. Com o panorama atual, com se vão safar estes jovens com as taxas de juro a aumentarem, a inflação a crescer e provavelmente o valor da casa a diminuir? Acreditaram na política do governo e vão ficar tramados durante alguns, senão muitos anos. Não me parece que vão ser motivo de preocupação para o Luís, o problema vai ser deles. 

No capítulo da Defesa, em que impera outro crânio, parece que o governo autorizou a montagem do drone MQ-9 nos Açores. Veremos se não se trata de mais uma opção política completamente errada que nos pode trazer problemas futuros de segurança.

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Nota: este fim de semana foi o congresso do PS e tudo o que é analista e comentador encartado aproveitou para bater "no ceguinho". O costume, mas, de facto, faltou alguma chama e apresentação de propostas mobilizadoras e diferenciadoras. Parece-me que o José Luís Carneiro é inteligente e honesto, conhece os dossiers, acredita na solidariedade social e tem uma ambição legítima de governar e melhorar Portugal. Como não tem um grande carisma, tem que fazer um esforço de afirmação, com uma agenda própria e diferenciadora, não se focando tanto na cooperação com o governo, mas, antes,  apresentando-se como verdadeira opção ao governo. Espero que consiga ser uma opção segura e credível para os portugueses.

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E queiram, caso estejam para aí virados, continuar a descer. As últimas de Trump são cada vez mais perturbadoras. Já se referem a ele como um presidente delirante e acho que é isso, um doido varrido.

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Salve Seguro

 

Era o que faltava se agora aparecesse aqui aos saltos. Sabendo-se o que penso sobre as características da pessoa e sabendo-se que não votei nele na 1ª volta, só se fosse uma mariazinha desmiolada é que agora aqui me mostraria armada em cheerleader, a dançar, a fazer piruetas e a atirar balões ao ar.

Contudo, votei nele agora e votei com toda a convicção e votei desejando que tivesse uma votação que tirasse o tapete ao execrável Ventura.

Portanto, em coerência, aqui estou a declarar-me satisfeita com o resultado, inequivocamente satisfeita, certa de que os resultados que obteve legitimarão sobejamente a sua afirmação como Presidente da República.

Contudo, tenho que dizer que fiquei um bocado apreensiva com o número de votos que o Ventura obteve. Custa-me a perceber que haja tantos votantes que se revejam na hipocrisia, na mentira, na velhacaria, no incitamento ao ódio e à exclusão que Ventura protagoniza. E não apenas me custa a perceber como me parece preocupante. Não podemos estar orgulhosos nem viver descansados sabendo que existem em Portugal mais de 1.700.000 pessoas que se identificam com o que de pior pode existir numa sociedade. 

É certo que mais do dobro disso é gente que defende a democracia e o humanismo. Mas, numas legislativas, com esses quase 3.500.000 divididos por vários partidos e os 1.730.000 concentrados num único partido, há o risco sério de que um dia venhamos a ter uma pessoa maldosa, falsa e perigosa como primeiro-ministro.

Este tema deveria merecer uma séria reflexão por parte dos partidos democráticos.

Deveria também merecer reflexão a atitude de Montenegro ao longo da legislatura: ao vergar-se, com frequência, na direcção do Chega, o que tem conseguido é validar e reforçar as causas do Chega. Com essa atitude apenas está a fazer declinar o PSD e a engrossar as bases do Chega.

E deveria também merecer reflexão por parte da Comunicação Social, que continua a andar com o Ventura ao colo, esperando-o antes da missa, depois da missa, a carregar garrafinhas de água, com um gatinho ao colo, seguindo-o e entrevistando-o por tudo e por nada. Talvez fosse oportuno perceberem que dois terços dos votantes não querem, não gostam, não podem com o Ventura.

Enfim.

Tempos difíceis para o próximo Presidente da República, portanto. Tempos difíceis a nível interno e a nível externo. Fico tranquila por ser Seguro -- e não Ventura -- a ocupar o Palácio de Belém. E espero, francamente, que Seguro se aguente. Duvido que brilhe pois, pela sua personalidade, não me parece que a sua presidência venha a ser exultante, vibrante. Mas a gente vai-se habituando a tudo e, às tantas, resigna-se a não ter um PR brilhante. E, de resto, estou aberta a que venha a ser surpreendida. Tomara que Seguro se revele um lutador, um inspirador, uma mão firme e, ao mesmo tempo, habilidosa. Se isso acontecer, cá estarei para aplaudir e agradecer.

Seja como for, gostei do seu discurso de vitória. Esteve bem.  É certo que não estava à espera que trouxesse para ali temas estruturais, visionários. Por isso, talvez porque temia um discurso redondinho, acabei por gostar. Esteve bem. 

E tem uma família simpática. Parece gente de bem, uma família normal, pessoas agradáveis. A felicidade e o orgulho estavam espelhados nos seus rostos, e gostei de ver isso, em particular a candura da filha, tão contente que estava.

Portanto, resumindo, foi uma boa noite eleitoral.

Parece que está a enviar um beijinho, não parece?
(mas de todas as fotografias que tirei à televisão esta foi a melhor)

Desejo que Seguro tenha saúde e sorte e que o seu desempenho, enquanto PR, seja exemplar e o melhor possível para Portugal, que não nos envergonhe, que nos represente, a todos, de forma decente e abnegada, que saiba puxar pelo melhor de nós, que saiba olhar para o futuro e consiga fazer a interpretação correcta das ansiedades e das ambições dos portugueses, de todos os portugueses, que não ceda ao facilitismo nem receie o murro na mesa se algum dia o tiver que dar.

terça-feira, janeiro 20, 2026

Eleições
-- A palavra ao meu marido --

 

Depois da derrota humilhante deste domingo, Montenegro, demonstrando que é um democrata de pacotilha, não aconselhou o voto em Seguro na segunda volta. 

Dirão que, depois do erro que cometeu ao apoiar Marques Mendes -- que ampliou ao envolver tudo o que era ministro menos mal visto na campanha -- e da percentagem que o Marques Mendes obteve, não tinha saídas airosas. 

Eu repito o que já aqui escrevi. A democracia do Montenegro e de alguns dos atuais dirigentes do PSD, dos quais o Hugo Soares é o expoente máximo e a eminência parda (ou talvez pior que isso), não é assente em valores humanistas e de ética democrática. Não existem para eles linhas vermelhas relativamente ao populismo, à demagogia e à mentira. Confirma-se que  Montenegro escolheu o seu caminho, e esse caminho, ao que parece, passará pelas ideias e pela agenda do Ventura. 

Depois de apoucar e responsabilizar o PS, muitas vezes sem qualquer razão, por todos os males do mundo, a posição que tomou relativamente à segunda volta vai reforçar objetivamente o Ventura, porque, depois da lavagem ao cérebro que levaram, muitos militantes do PSD vão votar no Ventura apenas para não votarem em alguém do PS. 

Assim, o Montenegro vai trilhando, passo a passo, o seu caminho. E esse caminho tem um fim pré-anunciado. 

Nestas eleições percebeu-se claramente quem defende os valores da democracia ou quem se está marimbando para estes valores e tem com objetivo único caçar votos. 

Vamos ver como corre a segunda volta.

segunda-feira, janeiro 19, 2026

No rescaldo da 1ª volta

 

Votei no Almirante, mas a preocupação que me levou a votar nele não foi partilhada pela maioria dos votantes pelo que, com pena minha, os portugueses não o levaram à 2ª volta.

E, em coerência com o que sempre disse, passando o Seguro e o Ventura, não hesito nem por um segundo: o meu voto vai, incondicionalmente, para o Seguro. 

Tenho muitas dúvidas na firmeza, na criatividade, no punch de Seguro como Presidente da República: não sei se é pessoa para fazer frente a Montenegro quando isso for preciso e tenho muitas dúvidas de que tenha capacidade, energia e autoridade para se impor como deve ser caso um dia venhamos a ter a infelicidade de Ventura chegar a 1º ministro. Mas as coisas são o que são. Step by step. O cenário agora é Seguro contra Ventura para Presidente da República. Portanto, sem hesitar, o meu voto só pode ser um: em Seguro.

Há uma linha vermelha muito clara: de um lado está a democracia, de outro está a anti-democracia, o populismo. Estarei sempre do lado da democracia, e estarei sempre com absoluta firmeza e convicção.

Portanto, tentando abstrair-me de que vejo o Tó Zé Seguro como o Menino da Lágrima com pose de Rainha de Inglaterra, vou concentrar-me nos seus aspectos positivos: é democrata, é humanista, é civilizado, supostamente é um homem sério -- e isso, para já, é o mais relevante. 

Na reacção aos resultados, Ventura, eufórico, ufano, já mostrou ao que vem: vem para a lama. Tentará enlamear Seguro e o que o rodeia. Voltaram as mentiras, os insultos, o apelo ao medo, voltou ao 'nós' contra 'eles', voltou ao 'nós, os puros, os portugueses de primeira', contra ' eles, os socialistas, os corruptos'. O discurso xenófobo, racista, divisionista, radical, não inclusivo, trumpista esteve ali bem presente. 

E eu só espero que quem votou no Almirante, no Marques Mendes ou em Cotrim rejeite isso e saiba posicionar-se a favor do País, da seriedade, da honestidade intelectual, do civismo, da democracia, da bondade e, mesmo que o seu coração penda mais para a direita e para o conservadorismo, dê primazia à decência e aos verdadeiros valores democráticos.

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Sobre Cotrim Figueiredo não tenho muito a dizer, a não ser que fiquei com a ideia de que ficou com vontade de fazer qualquer coisa com os votos que recebeu. Não sei o quê pois tenho para mim que os últimos dias o queimaram. Tendo uma conversa genericamente arejada, espalhou-se ao comprido ao dar a entender que poderia votar em Ventura (contra Seguro) e ao mostrar não ter estaleca para aguentar embates. Depois da notícia sobre o assédio e de ter visto o pasmo de muita gente com a sua não rejeição do voto em Ventura, foi-se completamente abaixo, mostrou-se arrasado, atirou em todos os sentidos de uma forma pouco estruturada. Com isso, mostrou não ter fibra para o cargo para que estava a candidatar-se.

Tirando este aspecto, há que registar o falhanço brutal da candidatura de Marques Mendes e do posicionamento de Montenegro, um falhanço em toda a linha. Com as suas opções e o seu apoio muito activo à candidatura fraquíssima de Marques Mendes, Montenegro derrapou à força toda, e derrapou para debaixo da pata de Ventura. Com isto, Ventura, o grande oportunista, o demagogo que funciona just-in-time, já veio apresentar-se como o líder da direita. Tempos agitados, estes próximos. Com um governo minoritário, com falhanços sucessivos e muito graves em áreas críticas como as da Saúde, da Habitação e da Segurança, Montenegro vai passar a caminhar no fio da navalha, sobre brasas. 

Outra candidatura cujo falhanço é também de registar é a de António Filipe, ou seja, do PCP. Claro que também a votação de Catarina Martins foi um desastre e, por acaso, tenho pena pois fez uma bela campanha. Mas o Bloco é um desastre pelo que desastre por desastre pouco adianta. A de Jorge Pinto, que, nos debates, mostrou estar muito bem preparado, foi outro disparate. Ao baralhar-se todo com o apoio ao Seguro, esvaziou completamente o seu eleitorado. Agora António Filipe, político experiente, esteve a fazer o quê? Qual a lógica do PCP? Mostrar à evidência que já não vale nada? Sendo um partido com um historial que merece respeito, qual a lógica de andarem a exibir uns desgraçados 1,6%? Não percebo. E, no discurso da noite eleitoral, aparecem com a mesma estafada conversa de que os portugueses podem continuar a contar com eles... Mas contar com eles para quê? Não percebem que já não riscam para coisa nenhuma? Não percebem que poucos mais votos tiveram que o Manuel João Vieira...? Caraças. Que pena que me dão. 

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Desejo-vos uma boa semana

quarta-feira, janeiro 07, 2026

Notas sobre o grande debate

 

O grande perdedor da noite: zero em termos de conteúdo, zero do sentido de não ter qualquer conteúdo, zero em termos de ideias, e não é uma pontuação subjectiva, não, é mesmo que não tem uma única ideia.  E, ao descontrolar-se, mostrou que tem zero de compostura. Muito mau. E depois a palavra ordinarice, que soltou ao dirigir-se a Gouveia e Melo, soou ali muito mal; penso que é palavra que lhe ficará colada. Refiro-me, é claro, a Marques Mendes. Se houvesse a pouca sorte de chegar à 2ª volta com o Ventura, acho que nem assim votarei em Marques Mendes.

Confirmação: é igualmente um zero em termos de conteúdo e um zero em termos de ideias. Em termos de compostura, já se porta como se já fosse PR. Mas um PR daqueles que não acrescenta ponta de corno. Peço desculpa pela expressão, mas a criatura tira-me do sério. Se já encarnou uma bafienta personagem, imagine-se se tivermos a pouca sorte de ele lá chegar. Um horror. Se for à 2ª volta com o Ventura, com muito desconforto e até muitas e severas dúvidas, votarei nele, nele Seguro. Mas ficarei arreliada até à segunda casa. Que burrice a do Pedro Nuno ter falado no nome da criatura. Há quem o gabe por ter estado 12 anos sem dizer nada, como se isso fosse uma virtude. Não é, é apenas a sua idiossincrasia: não tem nem nunca teve nada para dizer.

Almirante: na realidade ainda não adquiriu a tarimba que nestas coisas dá um certo jeito. E tem algumas saídas um bocado fora da mãe, dá ideia que vai muito ensaiado e muito ensinado e isso retira-lhe alguma naturalidade e, mesmo, algum discernimento. Contudo, continuo a achar que talvez seja a melhor opção.

Ventura: tenho que reconhecer que, no debate, não esteve mal de todo. E não é burro nenhum. Percebe-se que atraia o voto de tanta gente. O pior é que, para além de não ser sério, isto é, intelectualmente honesto, e de jogar no bota abaixo, e de ter valores opostos aos meus, não é confiável. Portanto, é para esquecer.

Cotrim: o ganhador da noite. Esteve muito bem. De todos, foi quem melhor revelou ter ideias e, ao mesmo tempo, ter atitude. Está a subir nas sondagens e isso percebe-se. Acredito que, se por acaso lá chegasse, seria um presidente digno. Acredito também que saberia ser razoavelmente isento face às suas ideias políticas. Provavelmente seria a minha segunda opção.

Antonio Filipe: respeitável e cordato como sempre. Mas não acrescenta, é sempre mais do mesmo. Contudo, calma, em termos de conteúdo e de atitude, 10 a 0 a Marques Mendes e a Seguro. O pior mesmo é o quadro mental em que se move. Mas, quando o vejo, penso sempre que é uma fofésima criatura, uma simpatia.

Catarina: esteve bem no debate e tem feito uma campanha muito capaz. Mas.

Jorge Pinto: esteve bem mas, infelizmente, aquela coisa de não se perceber se está numa de desistir, baralhou tudo.

André Pestana: é o sindicalista do STOP e foi isso que revelou no debate.

Humberto Correia: de vez em quando aparecem pessoas assim, não se percebe bem o que pretendem, mas vê-se que é bem intencionado e, de resto, é um direito que felizmente a malta tem, meter-se em alhadas destas.

Manuel João: de certa forma, alguma desilusão. Estava à espera que fosse mais polémico, mais irreverente. Mostrou ser um peixe fora de água. Com tantos candidatos armados em políticos a sério, o Manuel João não encontrou o seu palco, e teve alguma dificuldade em ser fluente. Mas a felicidade é uma coisa importante, é mesmo, e até me parece bem que esteja na Constituição. Se isto tudo não for para a malta ser feliz, então é para quem? 

Carlos Daniel: fantástico. Um grande moderador. O melhor de todos. Cinco estrelas. Das grandes.

quarta-feira, dezembro 31, 2025

Montenegro & Ventura - a dupla de circunstância ou o controlo de fronteiras
-- Na despedida de 2025, de novo a palavra ao meu marido --

 

Conforme planeado (ironia, claro!) e em linha com a política seguida, o governo, superiormente "governado" pelo Luís, decidiu, pelo menos nos próximos três meses, deixar de utilizar o sistema informático de controlo de entradas de extra comunitários. A EU não gostou. Pudera! E eu não percebi. 

O que me surpreende é que, a ao contrário do que faria há dois ou três anos, o Luís não ande por aí a gritar aos quatro ventos contra esta medida, que o "Lentão" num ataque de histeria não se insurja contra esta decisão, que o Hugo Soares não vocifere com a má-criação habitual, acrescentando uma boa dúzia de palavrões, contra esta desorientação e que last but not least a D. MAI não seja despedida com justa causa. 

Mas ainda é mais surpreendente que o Andrézito não fale agora de política de "portas escancaradas" e de "bar aberto", que não contrate mais dez seguranças para garantir que não é violado por um extra comunitário e que, no mínimo, não tenha um, senão, dois fanicos. Aposto que ainda vem dizer que os "bandidos" vão respeitar a decisão e não vão ousar pôr cá os pés. Será que existe um plano de cessar fogo secreto entre o Luís e o Andrézito que foi mediado pelo Trump e relativamente ao qual este último ainda vai dizer que foi mais uma guerra com que acabou? É pena é que quem vota ainda não tenha verdadeiramente topado esta malta que nos governa. Haja dó para tanta incompetência e desfaçatez!

terça-feira, dezembro 23, 2025

No Almirante, claro

 

Como já referi muitas vezes, nenhum dos candidatos se apresentou, à partida, como meu inequívoco preferido. Aliás, quase todos apareceram como, de caras, não merecedores do meu voto. Portanto, será, para mim, uma votação por exclusão de partes.

Claro que, em primeiro lugar, me preocupo com a primeira volta. E, aqui, claro que não dá para vacilar. O pior, na segunda volta, seria ter que escolher entre um escroque e uma nulidade. Portanto, em Janeiro, na 1ª votação, vou votar naquele que, à partida, do que lhes conheço, me oferece mais garantias de não fazer porcaria.

E chamo a atenção do que a seguir vou dizer pode vir a ter que ser engolido caso aquele em que votarei não passe à segunda volta. Aí, posso ter, de novo, que ir por exclusão de partes.

Mas, concentrando-me na primeira volta:

  • Não votarei em Seguro pois, para mim, o Menino da Lágrima é uma espécie de amiba, uma rolha, um zero.
  • Não votarei em Marques Mendes, esse facilitador, esse chico-esperto, esse videirinho, essa perfeita nulidade.
  • Não votarei em Cotrim. É bonito, é charmoso, é civilizado, veste-se bem, sabe estar. Aprecio a sua boa pinta e seu sentido de humor. Mas não. Para presidente da República, obrigada mas não.
  • Não votarei no Jorge Pinto porque, embora goste da sua atitude e partilhe muitas ideias, me parece que lhe falta vivência para um lugar que requer mundo, experiência, reconhecimento.
  • Não votarei em Catarina Martins embora lhe reconheça boa cabeça, uma visão humanista e moderna. Mas ainda a colo muito ao Bloco, e o Bloco, como se tem visto, para além de traições, inconsequências e descaminhos, agora, na prática desembocou em coisa nenhuma.
  • Não votarei no Antônio Filipe, que é um fofo, pois é PCP da cabeça aos pés e a incapacidade que todos eles têm de renegar utopias comprovadamente falhadas, ao mesmo tempo que não conseguem compreender o que é o novo mundo, coloca-o naquele infeliz caminho descendente que conduz à total irrelevância.
  • Obviamente não votarei em Ventura. E nem vou dizer porquê pois a eleição não é para animador de uma taberna.
  • Sobra o Almirante e, como é evidente, é nele que votarei na primeira volta. E na segunda, claro, se, como desejo, lá chegar.

Intuo que será um bom PR. Gouveia e Melo não é um totó, não é uma galinha descerebrada, não é um medricas, não é um chico-esperto, não é uma vizinha, não é um choramingas, não acredita em amanhãs que cantam, tem maneiras, é educado, não é fofoqueiro nem intriguista, parece-me inteligente, optimista, positivo, e, forçosamente, pelas funções que já desempenhou, razoavelmente culto e bem informado. Acresce que, na situação de instabilidade política interna e, talvez até ainda mais, geo-estratégica a nível global, parece-me o único com estaleca para enfrentar situações potencialmente sensíveis.

Portanto, Almirante, conte com o meu humilde voto. 

quarta-feira, dezembro 17, 2025

Luís André Montenegro Ventura
-- A palavra ao meu marido --

 

O governo do Luís "levou" a semana passada com uma greve geral (que só um rapaz com a argúcia e a agilidade cognitiva do "Lentão" Amaro conseguia considerar "inexpressiva") e ontem "apanhou" com o chumbo da lei da nacionalidade pelo TC. 

Hoje vi o Luís, com a arrogância que o caracteriza, voltar as costas aos jornalistas desvalorizando uma manifestação contra a proposta para uma nova lei do trabalho. Pelo meio, disse à rapaziada do governo para se "borrifar" para a CGTP relativamente à discussão da lei do trabalho; mas, hoje, num acto próprio da quadra que atravessamos, lá se dignou falar com os "gajos" a pedido dos últimos. 

É comum os comentadores encartados dizerem e redizerem que o Luís quer é conquistar votos ao Chega. A minha opinião é diferente. O Luís e o governo que formou são marcadamente de direita e têm, de facto, em muitas matérias, um pensamento semelhante ao do Chega. O que os diferencia é que o Luís e "sus muchachos" -- e "muchachas", já agora -- têm, ainda, pudor em verbalizar tudo o que lhes vai na cabeça e qual é a sua verdadeira agenda. 

Recordo-me de, quando o governo foi formado, o Pacheco Pereira dizer para estarmos atentos porque havia ministros que eram marcadamente da direita bastante conservadora. A prática tem-no demonstrado. E o Luís, que vai derivando cada vez mais para a direita, ainda conseguirá ultrapassar o Andrézito no desprezo pela Constituição, na afronta aos imigrantes, na desconsideração por tudo o que não é de direita conservadora e na arrogância perante a contestação e a comunicação social. O problema para o Luís é que, sendo cada vez mais parecido com o Andrézito, corre um sério risco de ser cilindrado pelo Andrézito. Como diz o povo, uma desgraça nunca vem só.

Nota 1: A ideologia do governo, que, na política que promove, o leva a privilegiar a população com maiores rendimentos está bem expressa nas estúpidas declarações que hoje foram feitas pelo ministro da educação. Afirmar que a degradação das equipamentos usados pelos estudantes resulta de serem utilizados por estudantes pobres, e relacionar a degradação do SNS e dos hospitais com o facto de serem maioritariamente utilizados pela população com menos recursos é digno de um qualquer Trump doméstico. Mas é também revelador dos preconceitos de classe do ministro. Com estas credenciais bem se percebe quais são as opções do ministro em termos de projetos para a educação. Certamente não será privilegiar os alunos com menos recursos. Bem podem o Anselmo Crespo e o Rui Calafate (e provavelmente outros, só ouvi estes dois) tentar "limpar" o ministro afirmando que está a fazer um bom trabalho porque conseguiu acalmar os professores. Pudera, deu aos professores tudo o que queriam -- não haveriam de estar mais calmos...? 

Já agora a FENPROP, sempre tão crítica de outros ministros e tão "defensora" da qualidade da educação, não tem nada a dizer? É por estas e por outras que eu não tenho nenhum tipo de consideração por este governo. 

Nota 2: Face às longas filas de espera no controlo de passaportes no aeroporto, a ministra da Administração Interna saiu-se com uma espectacular, que vão pensar num plano de contingência para o período de Natal. Será que ainda ninguém a informou que no período de Natal já nós estamos...? Agora é que vai pensar num plano de contingência...? Continuamos, nesta área, com ministrinhas que não fazem a mínima de coisa alguma.

Nota 3: O que terá acontecido durante a reunião da ministra Palma Ramalho com a UGT para, depois de uma greve geral, o secretário-geral vir da reunião a cantar hossanas e hinos de amor? Ou a ministra o pôs a ele a fazer o pino num dedo ou ele a pôs a ela a fazer um flic-flac à rectaguarda. É assunto a seguir.

terça-feira, dezembro 02, 2025

E assim se faz Portugal
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Segundo o Expresso, o dono da herdade onde eram, e provavelmente são, escravizados imigrantes gabava-se de ter na mão quinze GNR, dois PSP e uma Procuradora do MP. Pelos vistos, o patrão fazia as coisas às claras, não tinha medo, tinha as "autoridades" na mão. E a coisa parece funcionar. Terá sido por mero acaso, quiçá, por manifesta falta de tempo, que a Procuradora se esqueceu de transcrever nos autos conversas esclarecedoras dos atos praticados pelos arguidos? Será que o sr. juiz não poderia ter dado algumas horas, talvez um ou dois dias, para a procuradora ir para casa e, sossegadamente, juntar ao processo a transcrição dos autos? Recordo-me que já houve detidos que estiveram uma semana presos antes de serem interrogados pelo juiz de instrução.

Será que estes actos não eram públicos e notórios e, com base nisso, o juiz não poderia ter decretado uma medida diferente para os arguidos? Será que nenhuma autoridade local conhecia esta situação ou consideraria normal que a GNR e a PSP destacassem guardas para vigiar trabalhadores como nas colónias penais dos anos 30 do século passado? Ou será que, como tudo isto se passa num meio relativamente pequeno onde a malta se conhece e o patrão é sempre patrão, estas coisas são tratadas com pesos e medidas próprias -- mas impróprias de uma sociedade democrática, justa e evoluída? 

Eu diria que é este tipo de corrupção, este fechar de olhos, que mina a sociedade portuguesa. 

E o Andrézito, sempre tão disponível para cavalgar ondas mediáticas, não diz nada? Então isto não é corrupção, Andrézito? Ou será que está calado que nem um rato porque quem pratica estes actos segue a cartilha do Andrézito, é aficionado dos tik tok do Andrézito e faz faz parte da sua base eleitoral? Aposto que sim!

A propósito qual a razão para ainda não ser público o nome do dono da herdade ou dos donos das herdades onde estes casos aconteceram e acontecem? Também gostava de conhecer o nome da relapsa Procuradora acima referida, não que esteja a supor que poderá tratar-se da senhora que o dito anónimo patrão se gaba de ter na mão mas já agora seria interessante desfazer possíveis dúvidas. 

segunda-feira, dezembro 01, 2025

Vamos de mal a pior
-- A palavra ao meu marido --

 

Esta semana tivemos conhecimento de crimes absolutamente abjetos, que demonstram a falta de humanidade e de escrúpulos de quem os praticou. Como se não fossem suficientemente horríveis ainda soubemos na sexta-feira que se levantam fortes suspeitas da actuação de guardas prisionais sobre um recluso, com consequências terríveis. Quando nos entram pela casa dentro notícias de que quem se supõe que cumpre as leis, nomeadamente polícias, bombeiros e guardas prisionais, afinal as viola, demonstrando a maior  desumanidade, ficamos enojados e pensamos que, caso se prove a respectiva culpa, têm que ser exemplarmente punidos. 

É difícil admitir que são acontecimentos fortuitos e não um sinal dos tempos. O Governo, seguindo a cartilha do Chega, não se pronuncia sobre casos que põem em causa os nossos valores e a coesão da nossa sociedade. Quando vemos que os GNR alegadamente envolvidos na escravização dos imigrantes no Alentejo ficaram com a pena menos gravosa após o primeiro interrogatório porque a procuradora não transcreveu as conversas telefónicas ou  que o PGR quer fazer um despacho à medida do Montenegro e do caso Spinunviva para evitar escrutínios, percebemos que se estão a criar condições para que o apuramento da verdade e responsabilização dos culpados não aconteça. Aliás, num caso idêntico que ocorreu recentemente, os responsáveis pela exploração desumana de imigrantes foram absolvidos por falta de provas. 

E, relativamente à escravização dos imigrantes, também deveria ser investigado como é possível que os donos das herdades não soubessem, que as hierarquias não suspeitassem e que a população local não se tivesse apercebido. Será que são votantes do Chega que, embalados pelas cantigas fascizantes do Ventura, acham que isto é o novo normal e que os imigrantes devem ser explorados sem qualquer pingo de humanidade?

A mentira continuada e sem escrúpulos dos populistas propagadas nas redes sociais, populistas que não têm quaisquer escrúpulos e utilizam todos os meios para atingir os seus fins, estão a dar ou já deram cabo da nossa sociedade e dos valores das democracias liberais. 

A democracia não se soube defender destes perigos que põem em causa tudo o que de bom e positivo foi construído nas últimas dezenas de anos. Como é possível que a geração Z, que só acede à informação através das redes sociais, seja cada vez mais reacionária, até na forma como trata as mulheres, e pense que  antigamente se vivia melhor do que se vive hoje? 

É possível porque a geração Z e outras gerações sofrem todos os dias uma lavagem ao cérebro quando acedem às redes, não tendo a democracia sabido defender-se destes perigos porque foi mais democrática do que era exigível e, em vez de se defender, abriu as portas à extrema direita racista, populista e xenófoba. 

Qual a razão de as escolas, nas aulas -- por exemplo, de cidadania -- não apresentarem factos, sem ideologias, relativamente aos tempos da antes do 25 de Abril e de hoje? Comparação da taxa de alfabetização, do acesso à saúde, do acesso à educação, da percentagem de casas com água canalizada e com casa de banho, da taxa de pobreza, ... . 

Existem exemplos mais do que suficientes para qualquer jovem com um mínimo de inteligência perceber que hoje estamos centenas de vezes melhor do que antes do 25 de Abril. 

Maldito algoritmo! Será que algum dia se conseguirá combater eficazmente este flagelo? 

Urge, para bem de todos nós!

sábado, novembro 29, 2025

Em dia de debate entre a combativa Catarina Martins e o velhaco Ventura Martins, prefiro falar nos invisíveis que constroem e mantêm o mundo.

 

Isto há coisas do caraças. Reparto-me entre dois computadores, um com uns problemas, outro com outros, e, para ajudar à festa, também entre o telemóvel.

Comecei a escrever o post num computador e, depois, mudei para outro. Escrevi sobre o debate, comparei a combatividade da Catarina com a do Totózé Seguro, mostrei o meu descontentamento pela pulverização dos candidatos de esquerda, insurgi-me contra a conversa miserável do Ventura, sempre a armar peixeirada e a apelar ao que de pior a população tem. A propósito dos imigrantes, falei da minha família, uns por cá e a maioria perdida pelo mundo.

Enfim, pintei a manta. Um post longo e com uma componente pessoal. 

E publiquei.

Passado um bocado, distraidamente, voltei a pegar neste computador. Não me apercebi que tinha apenas uma coisa de nada e, automaticamente, antes de fechar o computador, fechei as janelas abertas e devo ter feito um save no post na sua versão embrionária.

Só há minutos me dei conta que anulei tudo o que tinha escrito e republicado o post, na sua forma de desinteressante girino. Fiquei passada. Caraças. Mas passa das duas da manhã, não vou pôr-me para aqui a tentar relembrar-me de tudo o que tinha escrito. Agora que fiquei f da vida, fiquei. Nunca me tinha acontecido uma destas. Que estupidez a minha. Desmiolada, cabeça no ar. Caraças. Agora nem se percebe a que propósito vem este vídeo. Mas vejam-no, por favor. É muito interessante. E desculpem lá isto.

Almoço no topo de um arranha-céus: a história por detrás da foto de 1932 | 100 fotos | TIME

Não sabemos os seus nomes, nem o fotógrafo que os imortalizou, mas estes homens a almoçar a 240 metros de altura mostram o espírito audaz por detrás da expansão vertical de Manhattan..