Os bancos, tal como acontece com as demais empresas, são regularmente auditados. Os auditores têm a obrigação de analisar minuciosamente as contas e fazer recomendações. Para além disso, os bancos em Portugal, por via da crise financeira, foram obrigados a efectuar testes de toda a espécie e feitio -- devido à brilhante intervenção da troika, Portugal foi obrigado à vigilância continuada sobre os bancos, obrigando-os a reforçar capitais para corresponderem aos rácios mínimos.
Acresce que existe uma coisa que se chama Banco de Portugal, braço armado do BCE e regulador das entidades bancárias neste rectângulo tuga de tão brandos costumes.Contudo, apesar de tanta vigilância e de tantas entidades (principescamente pagas e premiadas), mais um melro foi à vida. Desta vez foi o Banif. E, portanto, durante todos os anos em que o Banif alegremente se descapitalizava, decorriam auditorias e vigilâncias e análises por parte do Governo e do Banco de Portugal. E durante todo esse tempo, o Governo e o Banco de Portugal asseguravam que estava tudo bem.
Ora bem, sabemos agora que foi deliberadamente e com conivências várias que esta situação foi encoberta -- para forjar um sucesso que não existiu, para maquilhar uma saída que se apregoou como limpa, quiçá para ajudar nas eleições.
Nada disto seria espectacular (porque que no anterior governo existiam mentirosos compulsivos e que no Banco de Portugal ou andam a dormir ou andavam com o Passos Coelho, a Albuquerque e o Cavaco ao colo, já nós estamos fartos de saber) se não estivesse em jogo o dinheiro dos contribuintes e se isso não tivesse efeito nos fundos disponíveis para a economia real.
Passos Coelho e Maria Albuquerque agora já não estão em funções em que possam continuar a fazer estragos. Resta-lhes, enquanto responsáveis pelo que se passou, prestar contas -- e a sua actuação deve ser cuidadosamente analisada.
Mas com Carlos Costa a situação é mais bicuda: ele ainda está em funções. Continuamos, pois, em risco de que continue distraído, sem perceber o que se passa, a manipular ou a esconder mais alguma informação relevante. Desde que está em funções no BdP a sua actuação tem sido um desastre. E não é um desastre qualquer: é um desastre que já vai em vários mil milhões de euros. Não sei se é competente, se é inteligente, se é sério - pode ser isso tudo e não ter jeito. Ou não ter sorte. Não sei.
Sei apenas que os resultados do seu desempenho têm sido desastrosos. Uma pessoa que exerça funções de tal responsabilidade não pode sistematicamente mostrar que é uma nulidade. Manter-se em funções uma pessoa assim é um risco para o País.
Não podendo ser demitido pelo Governo, não sei como podemos ver-nos livres de tal encosto mas alguma maneira há-de haver.
Contudo, se Carlos Costa tivesse um pingo de vergonha ou soubesse o que é dignidade profissional, saía pelo seu próprio pé.
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Sei que, no FMI, parece que não há uma cadeia de comando: enquanto uns publicam estudos num sentido, outros implementam soluções em sentido oposto; enquanto uns reconhecem que austeridade a mais é contraproducente, outros carregam na dose.
E Christine Lagarde -- ou porque nunca recupera do jet leg ou do excesso de solário -- tão depressa aponta num sentido, como no contrário.
É outra que me desiludiu e que cedo revelou que, apesar de parecer ter testosterona que a levaria a ombrear a nível testicular com muito tubarão, padece do irremediável mal das cabecinhas de vento.
Agora, uma vez mais, os técnicos do FMI vêm fazer um mea culpa em relação aos programas de ajustamento impostos aos países intervencionados: FMI assume que Portugal devia ter reestruturado a dívida.
Transcrevo uma parte:
O Fundo Monetário Internacional (FMI) assumiu ontem que países como Portugal teriam beneficiado de uma reestruturação da dívida pública, feita de forma significativa, logo no arranque dos seus programas de ajustamento. A conclusão foi assumida por Vivek Arora, director do Departamento de Análise Estratégica e Política do FMI, numa conferência de imprensa sobre um relatório técnico de avaliação aos programas de ajustamento da crise.
“Não temos um ponto de vista específico sobre Portugal, mas temos uma visão geral: se os países têm um rácio de dívida elevado ou se a sustentabilidade da sua dívida não pode ser assumida categoricamente, então a reestruturação da dívida à cabeça é uma solução desejável”, explicou Vivik Arora, quando questionado sobre o caso português.
Poderia perguntar-se aos capachos do anterior governo português e aos seus papagaios avençados que por aí andaram, pelas televisões, rádios e jornais, a pregar que este era o remédio certo (leia-se: sugar a economia, massacrar o povo, vender ao desbarato empresas, casas, terrenos, forçar a emigração, e etc) se, agora que uns tiram o cavalinho da chuva, outros assumem o erro, e as porcarias escondidas debaixo dos tapetes começam a aparecer, ainda acham que fizeram um trabalhinho asseado.
Poderia perguntar-se se achássemos que vale a pena. Mas não vale. Embora o mais elementar sentido de decoro aconselhasse que se mantivessem calados, que emigrassem para bem longe, que abrissem um buraco no chão e lá enfiassem a cabeça até a gente se esquecer deles, não senhor. Por aí andam a espalhar patacoadas, a revelarem que, para além de mentalmente indigentes, são ainda descarados e recidivamente mentirosos.
Ligo a televisão e lá anda um rapazolas qualquer do PSD e aquele oleoso do CDS a mostrarem o pior que a política partidária tem dado ao País: gente inculta, impreparada, incompetente, incapaz de relacionar as causas com os efeitos. Ou, se não é isso, é gente com falta de vergonha, falta de respeito, que quer fazer dos outros parvos.
Esta gente não percebe que o País já não os leva a sério? Esta gente não fica de bico calado porquê?!?!
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As ilustrações provêm do saudosíssimo blog We have Kaos in the garden.
O fantástico penteado da fotografia que abre o post é obra do cabeleireiro Guido Palau.
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Tenho um outro post, mais pessoal, praticamente pronto mas tenho que ajeitar as imagens e agora já não consigo, tenho muito sono que estes dias não me andam nada fáceis. Vou tentar finalizá-lo logo de manhãzinha ou à hora de almoço.
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De qualquer forma, vou já desejando que tenham, meus Caros Leitores, uma terça-feira muito feliz.
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