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sexta-feira, novembro 23, 2012

Luis Fernando Verissimo está internado em estado grave. Pelas suas deliciosas, inteligentes e bem humoradas crónicas e por toda a sua escrita e música, e pelo homem que é, daqui lhe desejo as rápidas melhoras






Formei-me em letras e na bebida busco esquecer. Mas só bebo nos fins de semana. De segunda a sexta feira trabalho numa editora, onde uma das minhas funções é examinar os originais que chegam pelo correio, entram pelas janelas, caem do teto, brotam do chão ou são atirados na minha mesa pelo Marcito, dono da editora, com a frase 'Vê se isto presta'. 
(...)

Nas segundas feiras estou sempre de ressaca, e os originais que chegam vão direto das minhas mãos trémulas para o lixo. E nas segundas feiras as minhas cartas de rejeição são ferozes. Recomendo ao autor que não apenas nunca mais nos mande originais como nunca mais escreva uma linha, uma palavra, um recibo. Se Guerra e Paz caísse na minha mesa numa segunda feira , eu mandaria seu autor plantar cebolas.
(...)

Certa vez recomendei a uma mulher chamada Corina que se ocupasse de afazeres domésticos e poupasse o mundo da sua óbvia demência, a de pensar que era poeta. Um dia ela entrou na minha sala brandindo o livro rejeitado que publicara por outra editora e o atirou na minha cabeça. Quando me perguntam a origem da pequena cicatriz que tenho sobre o olho esquerdo, respondo:

- Poesia.

Corina já publicou vários livros de poemas e pensamentos com grande sucesso. Sempre me manda o convite para seus lançamentos e sessões de autógrafos. Soube que sua última obra é uma compilação de toda a sua poesia e prosa, com quatrocentas páginas. Capa dura. Vivo aterrorizado com a ideia de que ainda levarei esse tijolo na cabeça.
(...)

Mesmo as minhas cartas de rejeição mais violentas, minhas diatribes de segunda feira, terminam com um P.S. amável. Instrução de Marcito.


[Excerto do início do romance Os Espiões de Luís Fernando Veríssimo]

*

Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar: duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu às quintas. 

Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em São Paulo. 

Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha. 

Nós sempre andamos de mãos dadas... Se eu soltar, ela vai às compras! 

Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico. Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar". Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica. 

Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la. 

Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha. Ela perguntou: "O que tem na TV?". E eu disse: "Poeira".


[Excerto de Texto Humorístico de Luís Fernando Veríssimo]

*

Luís Fernando tem 76 anos, é escritor. As suas crónicas no Expresso eram sempre uma graça, uma graça inteligente, tive imensa pena quando terminaram. É filho de Erico Veríssimo, escritor. Luís Fernando é também músico, toca saxofone.


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Luis Fernando Verissimo está internado em estado grave desde a tarde de quarta-feira no hospital Moinhos de Vento, em sua Porto Alegre natal. Às 18h desta quinta-feira, a equipe médica responsável pelo escritor e colunista do GLOBO, de 76 anos, realizou uma coletiva de imprensa. Segundo o superintendente médico da instituição, Nilton Brandão, Verissimo apresentou melhoras ao longo do dia, mas seu estado de saúde ainda requer cuidados e ele segue no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). No momento, está sendo pesquisada a origem de sua infecção.

De acordo com informações do Zero Hora, o primeiro sintoma, uma forte indisposição, foi sentido pelo escritor na última sexta-feira. Na semana passada, Verissimo havia participado de um evento literário em Araxá (MG) e passou alguns dias no Rio de Janeiro.

(Excerto da notícia publicada n' O Globo)


Tomara que Luis Fernando Verissimo se ponha rapidamente bom. Daqui lhe envio o meu voto de francas melhoras.

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A primeira música é de Gabriel o Pensador e chama-se Linhas Tortas.

Convido-vos ainda a visitarem-me no meu Ginjal e Lisboa. Hoje as minhas palavras olham os veleiros que regressam vazios e sem destino, para se juntarem às palavras de Ruy Belo. A música é um lamento e, claro, é ainda Henry Purcell.

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E já é outra vez sexta feira. O tempo corre de uma maneira...

Tenham, meus Caros Leitores, um belo dia.