Não sendo eu dada a metafísicas nem a parábolas do género quem é que apareceu primeiro, o ovo ou a galinha, devo dizer que, apesar disso, gosto da origem do mundo. Não acho que contenha pêlo púbico de escândalo. E acho graça que tenha sido um homem, Jean Désiré Gustave Courbet de seu nome, a olhar para o ventre e o sexo de uma mulher e a lembrar-se de dizer que é ali que o mundo tem origem. Qual big bang, qual obra de um deus hiperactivo: não senhor, é da boca do corpo da mulher que nasce o mundo.
Quem daqui me conhece, sabe que, do meio de todas as minhas contradições, resulta que não sou daquelas feministas que endeusam as mulheres e demonizam os homens. Valorizar as mulheres à custa da desvalorização dos homens não é a minha praia. Muito menos suporto o machismo. Acho que o machismo puro é prova de insegurança masculina, é coisa de homem a caricaturar-se para disfarçar inseguranças ocultas. Gozar com um machista é a melhor forma de o desarmar. Experimente uma mulher virar-se para um homem que promete muito e, olhando-o de alto a baixo, dizer com ar duvidoso: 'Jura...?'. Baqueia no acto.
Gosto de igualdade. Sei que em relações de domínio, pode acontecer que uma mulher não consiga afirmar-se como igual do homem. Mas o mesmo acontece com uma mulher debaixo de outra mulher ou de um homem debaixo de uma mulher. Quem está por baixo, só às vezes é que pode tanto como quem está por cima. Claro que aqui poderia abrir um parêntesis para dissertar. Mas é daquelas coisas: filosofia numa hora destas...? Ná. Filosofia só quando contemplo o sunset, não quando as estrelas tombam do céu.
E gosto do corpo das mulheres que é coisa feita para ser amada com sabedoria e arte tal como gosto do corpo dos homens que é coisa feita para ser devidamente apreciada, quando não degustada.
Por isso, comecei por achar que a doida da Mireille Suzanne Francette Porte, aka Orlan, estava a ser um bocadinho tendenciosa ao achar que a guerra tem origem no sexo masculino. Mas depois, pensando um pouco melhor, ocorreu-me que os senhores da guerra são homens (La Palice não diria melhor), que as guerras têm geralmente origem em burrices, coisa de testosterona a embebedar os neurónios. Pensei em várias guerras e percebi que é coisa de pirraças, de basófias, macacadas de gente metida a besta, ou seja, coisa tipicamente masculina. E os homens que me perdoem pois tenho até carinho pela raça. Mas é um facto: é raça dada a burrices inenarráveis.
Ocorreu-me agora que o PAN ou a PETA não querem que a gente metaforize com animais. Burrice é coisa que, a partir de agora ofende os burros. Portanto, deleto as burrices e, não podendo substituir por cavalices ou macacadas, direi que a raça masculina é dada a palhaçadas. Também sem ofensa para os palhaços.
Mas, pronto, aqui fica a obra: 'A origem da guerra'. Não sei se foi ela que fotografou o guerreiro ou se apenas o pôs entre lençóis para fazer pendant com a senhora lá mais acima. Não interessa, teve a ideia.
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Para quem perceba a língua, aqui fica a explicação da autora.
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E é isto. Queiram agora seguir o conselho contido no post abaixo.
Não se aplica a carecas --- embora, pensando bem, porque não...?

