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terça-feira, maio 01, 2018

Diferentes e sozinhos, sob o chasco e o insulto da canalha
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O discurso do Grande Ditador






Assim, muitas vezes, o que nos parece a loucura dos outros não é mais que a nossa própria incompreensão. 

Como sabem os estudantes, como sabe quem quer que seja, se o orgulho desmedido do dr. Raul Leal não é ilegítimo hoje só para ter sido sempre legítimo amanhã? Acham excessivo, mesmo como doença , o aspecto desse orgulho? Acham sofística a demonstração de que não é louco quem diz que quer fundar uma nova religião, "o terceiro reino divino"?

Por muitos que sejam os sintomas de desequilíbrio que uma psiquiatria justa possa encontrar no dr. Raul Leal, não são tantos quantos os sintomas de loucura, de degeneração, de perversão intelectual e moral que um psiquitra eminente, o dr. Binet-Sanglé, encontrou na pessoa de Jesus Cristo, o qual, contudo, fundou uma religião, como mesmo os estudantes de Lisboa devem saber.

Os três volumes intitulados La folie de Jesus constituem, sem dúvida, um exemplo de probidade clínica e de exposição psiquiátrica. Neles podem os estudantes aprender, lendo, como se demonstra um caso de loucura. Fechados eles, porém, podem aprender, reflectindo, que é a loucura que dirige o mundo. Loucos são os heróis, loucos os santos, loucos os génios, sem os quais a humanidade é uma mera espécie animal, cadáveres adiados que procriam.

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O grande ditador

Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!


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O texto lá em cima bem como a primeira parte do título deste post são excertos de "Sobre um manifesto de estudantes" de Fernando Pessoa

O vídeo acima mostra um excerto do filme 'O grande ditador' de e com Charlie Chaplin

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As anedotas e o apelo a sério vêm já a seguir

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segunda-feira, maio 30, 2016

Sodoma divinizada


Como descrevi no post abaixo, com um sol ameno, um mar muito azul e gaivotas all over, é com prazer que me entrego à doce preguiça de existir e de ler.

O livrinho que estou a ler é dos que me sabem a doce rebuçado, talvez daqueles de Portalegre, muito bem confeccionados, bem apaladados.

Tenho estado aqui a ver se encontro um excerto que seja bem elucidativo mas acho que vou limitar-me a copiar o início e o fim justamente do texto que dá título ao livro.

Como supor que um poeta tenha um laboratório e sobretudo - para quê?
Mesmo quando faz ciência, o poeta não põe óculos - põe asas.
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Publicou o Sr. Álvaro Maia no Contemporânea um artigo bastante infeliz, criticando um do meu querido Fernando Pessoa sobre a bela individualidade de António Botto. Nesse artigo o Sr. Maia, sem argumentar, cobre o autor das Canções de insultos os mais grosseiros. E através duma pretensiosa e falsa erudição em que só se sente o vazio, não havendo na sua obrinha a mínima substância, não havendo enfim, nada, o Sr. Maia chega ao ponto, na sua bílis invejosa e despeitada perante a alheia formosura do corpo e do espírito que ele, coitado, não pode possuir, chega ao ponto, digo, de negar talento e arte ao grande poeta que é António Botto.

António Botto
Ora mais respeito pelos artistas, Sr. Maia. O senhor não tem o direito de cuspir na Arte lá porque é torto e feio. Se Deus lhe deu essa figura por alguma coisa foi e nessas condições o senhor, que se diz tão religioso, submeta-se sem revolta, sem gestos abomináveis de bílis plebeia, à vontade divina.

António Botto está já consagrado na alma de Fernando Pessoa, uma das mais altas individualidades de toda a nossa literatura, tão rica de Espíritos.

(...) não é para defender António Botto que aqui estou. (...) O que eu quero é precisamente atacá-lo nessa crítica tão insensata quanto vazia.

A propósito da bela individualidade de António Botto, o Sr. Maia ataca a luxúria e a pederastia, Obras Divinas. Incapaz de sentir os prazeres altíssimos da Carne-Espírito que o Verbo consagrou, ataca-os duma forma vil e tola. Como a Razão herética, filha da Serpente e do Anticristo, contraria o delírio da carne divinizada que é uma expressão de loucura bestialmente espiritual a negar a Razão, sacrílega anti-Loucura, anti-Vertigem, o Sr. Maia, esquecendo-se de que o racionalismo é filho dos últimos séculos de heresia e livre exame, enaltece-o encomiasticamente só para satisfazer a sua bílis contra a vertigem luxuriosa da Vida, antítese da Razão.(...)

O pederasta e luxurioso alheado das cousas divinas não é digno de censura por ser pederasta e luxurioso; é-o apenas como quaisquer outros homens  - o do lar, o comerciante honrado, o escroque por não exercer o vício misticamente.

Mas quem o pode hoje exercer no ambiente terreno, naturalista das nossas cidades e em que os nossos companheiros do vício se alheiam de Deus, sua própria essência?... Criem-se templos de Luxúria em que esta tome uma feição litúrgica e só então surgirá o verdadeiro sensualismo místico que há-de exprimir a divinização do Mundo, a divinização de Sodoma estabelecida exaltadamente pelo Verbo e pelo Espírito Santo de Deus!


[Excerto de Sodoma Divinizada - Leves reflexões teometafísicas sobre um artigo, por Raul Leal (Henoch)]

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A legenda da primeira fotografia das gaivotas é uma afirmação da autoria de João Chagas a propósito de Guerra Junqueiro que em 1904 'vai pôr o mundo científico de Paris ao corrente de trabalhos sobre rádio, feitos no seu laboratório' e faz parte do capítulo 'Cronologia, ou quase' do livro Sodoma Divinizada de Raul Leal, organização, introdução e cronologia de Aníbal Fernandes da ed. Guimarães.
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Lá em cima Bryn Terfel & Renée Fleming interpretam Là ci darem la mano (Mozart)

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E aceitem, por favor, o meu convite e desçam até ao azul do sol a sul.

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