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segunda-feira, março 02, 2026

Um sistema intrinsecamente corrupto

 

Quando os aviões cruzam os céus para despejar bombas, quando os mísseis atravessam países, quando pessoas começam a reduzir-se à condição de corpos -- e quando as televisões nos encharcam as mentes com imagens e com explicações e mil comentários -- chego a esta hora e mais depressa me apetece falar dos meus meninos, todos os dias mais crescidos, do que de toda a instabilidade que grassa pelo mundo.

Tempos houve, e não foram longínquos, em que os países faziam as pazes, em que os muros caíam, em que as guerras, fossem guerras de bombas e botas no terreno ou guerras frias, pareciam coisa do passado. Infelizmente voltámos a esses tempos sombrios. E é um pavor.

Como chegámos até aqui?

Talvez a explicação esteja na ausência de saúde moral de parte dos regimes que, em vez de cultivarem a paz, parece que, no seu âmago, se atolam na lama.

Diz David Rothkopf que a assinatura de Trump e, na realidade, a assinatura destes tempos é a 'história' que se conta através dos ficheiros Epstein. 

E, embora já aqui tenha falado dele algumas vezes pois gosto imenso de ouvi-lo, recordo que David Rothkopf é uma pessoa particularmente bem informada, daquelas pessoas de quem se pode dizer que bebe do fino. O seu currículo é impressionante e a quantidade de pessoas que conhece e conheceu de perto, a rede de informações que facilmente cruza, e a forma simples, quase humilde, mas sempre perspicaz e sólida, tornam-no, a meus olhos, uma pessoa cujas opiniões interessam.

Aqui, no vídeo que abaixo partilho, está de novo à conversa com Joanna Coles que garante sempre conversas interessantes, leves qb e com um toque de boa disposição. A conversa decorreu no momento em que Clinton, com quem David Rothkopf trabalhou, estava a depor no Congresso. Por isso, a novidade do ataque ao Irão ainda não tinha ocorrido.

A conversa é longa mas tem interesse do princípio ao fim. 

Para quem duvida das ligações de Epstein à Rússia ou à Mossad, para quem duvida da longa mão de Putin na governação Trump, para quem ainda pensa que tudo gira à volta de sexo com menores de idade, para quem ainda não percebeu o esquema da troca de favores e da pirâmide da influência, para quem ainda não percebeu como o esquema de financiamento privado que existe nos Estados Unidos com políticos e universidades a terem que arranjar financiamento para as suas actividades leva, quase inevitavelmente, à venalidade -- aqui fala-se de tudo isso.

Porque é que Epstein é o crime que define Trump: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast

David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que o escândalo Epstein é a crise que define Donald Trump, ligando o poder global, a desigualdade de rendimentos, a corrupção e a impunidade. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, explica como Epstein envolveu uma rede de elites como Bill Clinton, Príncipe André, Peter Mandelson e magnatas de Wall Street, ao mesmo tempo que levanta questões mais profundas sobre obstrução à justiça, desaparecimento de provas e envolvimentos dos serviços de informação. Discutem também como figuras-chave encobriram ativamente irregularidades para se protegerem a si e aos seus aliados, mostrando um mundo onde o privilégio protege o crime e a verdade completa pode nunca vir ao de cima.

00:00 - Porque é que os arquivos de Epstein podem remodelar a política americana
05h05 - Clinton, Trump e a política de desvio de atenções
10h00 - Mortes, silêncio e o medo em torno do círculo íntimo de Epstein
15h00 - A Rússia, as agências de informação e a armadilha de Epstein
20h05 - Kompromat, o poder e como as elites são comprometidas
25h00 - O príncipe André, as elites globais e a troca de acesso por influência
30h00 - O "escândalo característico" de Trump e a cultura da impunidade
35:05 - Comunicação social, desinformação e obstrução à justiça
40h00 - O que revela o caso Epstein sobre a corrupção nos Estados Unidos
45:05 - Porque é que este escândalo ainda importa e o que vem a seguir

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Desejo-vos uma boa semana 

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Tal como a nuvem radioactiva de Chernobyl, assim a mancha Epstein vai alastrando de país em país

 

Que havia sexo e traficância de menores é mais do que certo e sabido. Cenas de torturas com crianças ou de procriação forçada com roubo de bebés parece que também, embora as pessoas façam por não olhar de perto, tão horríveis parecem ser as revelações. Mas começam a desenhar-se também ligações ao negócio das armas. E parece também claro que havia lavagem de dinheiro -- dinheiro russo, com certeza, mas não se sabe se mais. E que era agente duplo, Mossad e CIA, também já se afirma como se não houvesse muitas dúvidas. Parece que há passaportes com outros nomes e já há congressistas a pedir informação à CIA. Mas suspeita-se também de ligações aos serviços secretos ingleses. Também se detectam ligações a Putin. Aliás, era coisa que ele gostava de descrever, aquela vez em que se encontrou com Putin, um verdadeiro filme, com escalas, destinos misteriosos.

À medida que se investigam os ficheiros mais e mais dúvidas vão surgindo (e, note-se, os que estão disponíveis são os ficheiros mais 'pacíficos' e estão amplamente rasurados, com grande parte ocultada, e serão metade do que há, sendo que há outros tantos retidos, por razões que o Departamento de Justiça ainda não explicou cabalmente). Quantos países estão comprometidos ao mais alto nível com segredos de estado divulgados? Quem, em cada país, fazia parte da rede?

Alguma vez se vai saber?

E ele? O que, de facto, lhe aconteceu? Foi assassinado ou retirado da cadeia? É que parece que já ninguém acredita na tese do suicídio.

Há até quem também já compare o fácies de Ghislaine Maxwell e o da mulher que foi ao Congresso (não) prestar declarações e conclua que não são a mesma pessoa, e que, a ser verdade, a amiga de Epstein já estará fora, provavelmente indultada, provavelmente posta a bom recato.

Tudo o que antes pareceria uma tresloucada teoria da conspiração agora parece apenas uma pálida amostra do que ainda há para saber.

O irmão do Rei foi chamado a depor e o seu biógrafo diz que o mais provável é que se pire pois já lhe ofereceram 'casa' num país árabe onde tem muitos amigos. A futura rainha norueguesa já pediu desculpa e os concidadãos olham para tudo o que se sabe com suspeição. Bill Gates cancelou a sua intervenção na maior web summit face às suas ligações, maiores do que se supunha, ao íman Epstein. E os casos sucedem-se. 

Por todo o mundo. Só nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça iniste em assobiar para o lado. E Trump, esse folião demente, até já se gaba de que foi ilibado.

Les Wexner foi chamado a testemunhar no Congresso. Apresentou-se como vítima: diz que foi roubado por Epstein, centenas de milhões. Uma história mirabolante, de cabo a raso. Aliás, cada uma das ligações a Epstein daria, de per se, uma história de loucos. Veja-se esta. Como é que um multimilionário como Wexner passa a gestão da sua fortuna para um tipo que não tinha conhecimentos nem académicos nem práticos? Não tinha nenhuma licenciatura, tinha enganado o colégio em que tinha dado aulas como se fosse formado em matemática, daí tinha passado para analista financeiro de uma empresa de gestão de fundos em que cometeu uma fraude e foi despedido, depois dali, por ser desonesto, foi contratado para uma empresa fraudulenta pois, tratando-se de uma empresa que funcionava com base em esquemas, nada como um tipo esquemático, para aldrabar as contas... Dizem que Wexner se terá envolvido sexualmente com Epstein e que, a partir daí, ficou na mão dele. Se isso justifica que lhe tenha passado para a mão centenas de milhões de dólares, não se sabe. 

Na verdade, não se sabe se alguma vez se vai saber alguma coisa.

Dizem que foi por ter passado a ser também multimilionário que Epstein viu abrirem-se-lhe todas as portas da alta finança. E daí passou para a academia, para os negócios, para a política. Ou isso ou estaria formatado para ser um agente kompromat de alto gabarito. Ou isso ou tudo o resto que se possa dizer.

Tudo bizarro. E volto ao mesmo: como tinha ele tempo para tudo isto? Como tinha ele cabeça para tudo isto? Sozinho...?

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Dois vídeos, entre muitos outros possíveis, sobre o assunto e sobre os tempos presentes

Arquivos Epstein: mensagens de texto entre Epstein e Bannon desencadeiam guerra civil entre apoiantes de Trump, Wexner presta depoimento

As mensagens de texto recentemente divulgadas de Steve Bannon com Jeffrey Epstein provocam reações negativas entre os apoiantes de Trump, enquanto Les Wexner, antigo proprietário da Victoria’s Secret e figura-chave na ascensão de Jeffrey Epstein à riqueza extrema, presta declarações à Comissão de Supervisão da Câmara.

0:00 Imagens recentemente divulgadas mostram Steve Bannon a entrevistar Jeffrey Epstein
1:39 Troca de mensagens entre Bannon e Epstein
3:41 Como reagirá Trump à controvérsia em torno de Bannon?
4h31 O bilionário Les Wexner presta depoimento ao Congresso sobre as suas ligações a Epstein

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Trump deixa escapar o que o incomoda: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para analisar porque é que a irritação pública de Donald Trump pode revelar mais do que qualquer fuga de documentos. À medida que os arquivos de Epstein desencadeiam uma onda de manchetes, Wolff defende que a verdadeira história não é o que foi descoberto recentemente, mas como a ampla divulgação dispersou a atenção, desviando-a de Trump para um número crescente de figuras periféricas — uma dinâmica na qual, segundo ele, Trump se apoiou repetidamente para sobreviver a crises passadas. Baseando-se nos encontros de Wolff com Jeffrey Epstein e na sua apresentação de Steve Bannon à órbita de Epstein após a saída de Bannon da Casa Branca, a conversa traça a forma como o ressentimento, a rivalidade e a obsessão com Trump uniram estes homens, mesmo enquanto Trump se apresenta agora como vítima de uma conspiração que envolve jornalistas e antigos adversários.
00h00 - Trump furioso no Air Force One
03h37 - O círculo de influência de Epstein alarga-se
06h54 - O comportamento de Epstein e as suas estranhas contradições
10h03 - A alegação de "exoneração" de Trump é examinada
11h32 - Melania questiona e evita a imprensa
14h58 - Porque é que o processo incomoda Trump?
18:21 - As ligações de Steve Bannon a Epstein
22h02 - O debate sobre a culpa por associação intensifica-se
25h44 - O medo de Trump sobre o que pode vir ao de cima
29h31 - Por dentro do padrão de ressentimento pessoal de Trump
33:05 - Estratégia mediática e indignação seletiva
36:42 - A política da distração e da negação
40h11 - Como Trump reescreve narrativas em tempo real
44h18 - O que este episódio revela sobre a mentalidade de Trump