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quinta-feira, agosto 31, 2023

De penalti ou devagarinho?
[E, sobre os potenciais candidatos a Presidente da República, nada]

 

Sabe-me muito bem estar de férias sabendo que não vão acabar. Os meus colegas acreditavam que ia custar-me muito deixar de trabalhar. Diziam que não conseguiam ver-me 'aposentada', que isso era coisa que não encaixava na minha maneira de ser.

Pelo contrário, sempre me vi muito bem sem ter que aturar aquela pressão diária, sem ter reuniões, deslocações, visitas, apresentações, problemas para resolver, sem ter que andar a toque de caixa, com a agenda saturada, com telefonemas em contínuo, com mails a chover em permanência.

É muito bom ter pela frente uma página em branco e poder preenchê-la com o que me apetecer. Trabalhei ininterruptamente desde os vinte acabados de fazer até há poucos meses. Interrompi apenas quando tive os meus filhos, tendo trabalhado até às vésperas dos partos, e quando fiz a artroscopia aos joelhos e não podia andar. De resto, nunca estive de baixa. Férias, desde há muito que não conseguia gozá-las todas. Trabalhei de gosto, com empenho, com energia, com tudo o que tinha. Dei-me por inteiro e de livre vontade. Mas fi-lo sabendo que, quando chegasse a hora, fecharia a porta e fechada ficaria.

Animava-me a vontade de começar uma vida nova. O meu dia a dia continua a ser de trabalho e faço-o com a mesma vontade e energia, motivação e crença, com que, quando trabalhava, me entregava a novos projectos. 

Estive a ouvir, com muito interesse, a entrevista na RTP 3 a João Luís Barreto Guimarães. Quando ouço pessoas assim, que sabem usar a palavra para construir poesia ou prosa, fico sempre um pouco espantada. Passado bastante tempo sabem o que escreveram, sabem porque usaram uma ou outra palavra, dizem que releram, refizeram, recompuseram. São aplicados, estudiosos da sua obra, têm explicação para o que fizeram. Quase todos são assim. E são bem sucedidos.

Se calhar, por ser o oposto, nunca serei bem sucedida.

Ao ler a biografia de Nelson Rodrigues, fantástico livro de Ruy Castro, leio que ele escreveu uma das suas peças mais conhecidas, elogiadas e bem sucedidas em poucos dias. Sentava-se a escrever e era de rajada. Sem revisão. De penalti.

E partia para outra.

Senti-me um pouco animada pois eu a escrever sou assim. Escrevo de seguida, muito rapidamente. Por acaso, depois, no fim, revejo e revejo umas três ou quatro ou cinco vezes, mas é na lógica das gralhas ou do acerto da pontuação. E, uma vez escrito, está feito, não leio mais. É assunto arrumado.

Não sou de escrever poesia. Não é o meu registo. No entanto, há para aí uns dois meses, deu-me para isso. Escrevi. De seguida. Não sei a que ritmo. Não sei se foi um ou dois poemas por dia ou mais. Uma coisa muito estranha. Não sei explicar.

Agora, ou ouvir o João Luís Barreto Guimarães falar da sua poesia e de como lima, apara, cose, tritura, borda, penteia, escova, corta e etc., os seus poemas, resolvi abrir o ficheiro com esses meus poemas. É que fiquei curiosa. Iria encontrar erros, falhas, aberrações? Li três poemas e não consegui ler mais. É como se me atingissem em cheio. Senti-me comovida, quase como se me atirassem contra uma parede, quase sem espaço para respirar. Não sei porquê. Para já é como se não tivesse sido eu a escrever. Já não me lembrava mas, lendo, relembrei-me. As palavras são minhas, sim, recordo tê-las escrito. Mas é como se não tivesse sido exactamente eu a escrever. Se alguém que saiba ler poesia os lesse talvez eu ficasse com vontade de chorar. 

É muito estranho, bem sei.

Claro que, face a esta minha reacção, não me ocorreu reparar se estavam harmoniosos, limpos, devidamente aperaltados para verem a luz do dia. Fechei o ficheiro e não li mais. 

Escrevo estas coisas com absoluta franqueza e temo que me achem um pouco louca. Se calhar sou. Se calhar não um pouco... mas completamente. Mas sou eu e eu sou assim. 

E, por hoje, é isto. Não vou comentar sobre os putativos candidatos a PR que por aí andam a bandear-se contra um cenário pintado de cor de laranja. Não me assiste. Deu-lhes a coisa antes de tempo. Além disso, nenhum faz o meu género. Portanto, passo.

Espero é que se pense no que importa e não em tretas que só servem para encher as agendas mediáticas.

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Desejo-vos um dia feliz

Saúde. Boa sorte. Paz.

sexta-feira, junho 30, 2023

O Presidente Marcelo não vê a Grande Entrevista?

 

Conforme referi no post anterior sobre a felicidade, segue-se um texto da autoria do meu marido.


Vejo com alguma frequência a "Grande Entrevista" com Vítor Gonçalves na RTP3. O entrevistador prepara as entrevistas com cuidado, a maioria das vezes deixa os entrevistados falarem sem os interromper e os entrevistados são geralmente personalidades interessantes.

Vi as entrevistas do Ministro da Economia, do novo CEO da Delta, da Joana Vasconcelos e, ontem, do Governador do Banco de Portugal. 

Certamente que o sr. Presidente Marcelo teria aprendido algumas coisas com estes quatro entrevistados se as tivesse visto. 

Sobre economia teria aprendido que, afinal, há sectores industriais em Portugal em forte progressão, que afinal os salários médios têm aumentado, que existem politicas económicas suportadas no PRR e com objetivos definidos. 

Com o CEO da Delta aprenderia que o bom senso, o ouvir os outros. o criar grupos coesos com objetivos comuns deve fazer parte da ética do dia a dia de quem dirige e deve ser exemplo para a sua "equipa". 

Com a Joana Vasconcelos podia aprender que para se ser reconhecido e respeitado em muitos Países de vários Continentes não resulta de estar sempre nos media a dizer não importa o quê. 

Finalmente, com o Governador do Banco de Portugal poderia ter aprendido que afinal os salários disponíveis para os 20% mais pobres da população entre 2019 e 2022 cresceram 21% e que nos mesmo período a percentagem de crescimento do salário dos 20% mais ricos foi significativamente menor (6%). Também devia saber que, julgo, no mesmo período o número de empregos criados com salários bastante superiores ao salário médio foi praticamente o triplo (122 mil) dos salários criados no turismo cujo valor é bastante inferior ao salário médio, e que, felizmente, o incumprimento relativamente aos bancos não disparou, situando-se o crédito mal parado próximo da média europeia.

Teria feito bem ao Sr. Presidente assistir a estes programas e atentar na forma de estar destes quatro entrevistados, naturalmente, cada um com as suas ideias mas todos eles sensatos e merecedores do nosso respeito. O Sr. Presidente também poderia retirar das entrevistas assuntos importantes que vale a pena divulgar para que tenhamos orgulho naquilo que fazemos bem e seria um contributo para que os media revelassem este sucessos em vez de nos massacrarem com os dizeres sem relevância de muitos dos nossos políticos (incluindo o Sr. Presidente).

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Duas pequenas notas


1. Nos media somos matraqueados com a crise. Sugiro que investiguem se existe um grupo de pessoas que migra de festival para festival, de concerto para concerto, de arraial para arraial, de jogo de futebol para jogo de futebol, de restaurante para restaurante. Como está tudo sempre cheio/esgotado ou são sempre os mesmos que passam por lá ou então a crise não será tão abrangente como nos querem fazer crer.

Isto já para não falar no que as agências de turismo dizem que nunca se viajou tanto, para tão longe, para destinos tão caros.  

2. Ouvi hoje o noticiário das 20:00 da TSF. Falaram do incidente no aeroporto do Porto em que foi dada autorização para aterrar a um avião numa pista em que um outro avião se preparava para levantar. Podia ter sido uma tragédia. Pasme-se: o relevo que a Senhora que estava a ler as notícias deu não foi ao potencial acidente. Salientou, isso sim, que as conversas com os controladores são gravadas e, assim, se poderia esclarecer as causas do incidente. Até neste tipo de notícias a comunicação social toma  a nuvem por Juno. É triste e trágico!