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domingo, maio 24, 2026

Ainda não faço ideia

 

Sábado animado, a começar com uma ida ao mercado comprar peixe de mar. O meu filho gosta de fazer grelhados, ofereceu-se para tratar do assunto. Com o calor que está, se eu pedisse isso ao meu marido, mandava-me passear ou dizia que fosse eu destilar. Mas o meu filho gosta, e domina a arte do fogo. Sabe atear as brasas, sabe colocar o peixe no momento certo, sabe o momento de retirar. 

E o peixe, que era gigante, estava fresquíssimo, ainda com aquela goma de quem foi apanhado há pouco, cheio de sangue, todo ele feito de mar. Fez-me lembrar quando amanhava o peixe das pescarias do meu avô ou do meu pai, durante o período em que ele resolveu ser pescador (amador, à linha).

Mas, claro, o menino mais novo protestou, quase amuou. E o seguinte também torceu a cara. Preferem carne. Além do mais, lá na praça, pedi para não escamarem para que a pele não se pegasse à grelha, e um deles gosta de comer a pele do peixe. Um outro diz que gostou mas não sei se não estava apenas a querer simpático pois não o vi a repetir e a comer com o mesmo entusiasmo de quando é entrecosto, bolonhesa ou cozido à portuguesa. A menina gostou. E o mais velho não compareceu, foi passar o fim de semana com amigos para festejar um aniversário.

De resto, o tempo anda estranho. Depois da subida a pique das temperaturas, à tarde o céu toldou, estava até húmido. Quente mas húmido.

De manhã o meu marido viu um pássaro quase sem conseguir andar. Conseguiu que ele fosse para o lado da horta, estaria mais a salvo. Mas, quando me contou, pensei que, se calhar, deveria ter dado água ao bichinho. Com estes calores, se calhar desidratam-se. Mas ainda bem que o cão não estava por perto, senão ia haver confusão. Nem quero pensar.

Estas flutuações de tempo parece que não estão a fazer-me muito bem. A noite passada tive uma insónia. Não sei porquê. De vez em quando, talvez uma noite de quinze em quinze dias, não sei, quase não durmo. E, quando quase não durmo, levanto-me com dores musculares. 

Poderia pensar: é a idade, a p... da idade. Mas gosto de ir ao fundo do problema: o que se passa no meu organismo para, de vez em quando, o sono se desregular? E o que se passa no meu corpo para, quase sempre que mal durmo, me levantar com dores no corpo? Já fui à consulta da IA e o ChatGPT e o Gemini são unânimes pelo que já sei que devo tentar que me prescrevam algumas análises para ver se não estou para aqui com magnésio a menos ou ferro a mais. O corpo humano é uma fábrica que requer condução cuidada, cautelosa afinação de parâmetros.

Quero ver se não me deito muito tarde pois a privação de sono notoriamente destrambelha-me para aqui qualquer coisa. Depois de passar uma vida inteira a dormir pouco e a andar sempre nas horas, fresca como uma alface, agora, de vez em quando é isto, um vidrinho.

E estava há pouco a espreitar o youtube quando me apareceu o vídeo abaixo. Parecia-me a Maria João Pires e fui logo ver, com curiosidade. Afinal não é. Mas é uma mulher com piada. Quatro casamentos e nenhum deu certo. E a graça e a objectividade com que fala disso... E fala de outra coisa, essa em que me revejo. Diz que ao fim de muitos anos, organizaram um fim de semana de reencontro de colegas de escola. E que a atenção que agora dedicam umas às outras é muito diferente de quando eram miúdas em que sabiam lá se alguma passava fome ou se tinha problemas em casa. Também comigo acontece não ter a mínima ideia de quem eram aquelas pessoas, quando andávamos na escola. Talvez por ser míope, habituei-me a não me pôr a olhar para as pessoas pois parece até coisa de mau gosto. Portanto, não vejo, passo ao lado. Depois, sou despassarada, distraída, interesso-me por algumas coisas, ignoro as demais. Acresce que, nessa altura, andava sempre apaixonada ou a gerir diferentes paixões. Pouco tempo me sobrava. Tinha o meu grupo de amigas e amigos com quem andava sempre no laré e em festas e idas ao cinema e à praia, e o resto era um vasto grupo de pessoas que por ali andava. Agora tenho curiosidade, sinto simpatia.

Partilho, pois, o vídeo. Dá para escolher legendas em português. (E vejam lá se, assim de repente, não parece a Maria João Pires)

Ainda não faço ideia

Reflections of Life

Passamos grande parte da nossa vida na esperança de que um dia saberemos finalmente exatamente o que estamos a fazer. Que chegaremos a alguma resposta clara e definitiva. Mas talvez parte de ser humano seja aprender a viver com serenidade dentro da incerteza.

Há momentos em que a vida nos pede para olharmos honestamente para nós próprios, para os padrões que repetimos, as histórias que carregamos e os momentos em que nos perdemos demasiado no nosso próprio mundo. Pode ser um trabalho desconfortável, mas também pode abrir as portas a novas perspetivas, em qualquer idade.

Talvez a sabedoria não esteja em ter todas as respostas. Talvez esteja simplesmente em mantermo-nos abertos, prestar atenção e questionar qual a melhor forma de utilizar o tempo que temos. Para nós próprios, uns para os outros e para a pequena parte que cada um desempenha no todo maior.

Com Célia Beaumont. Filmado em Mossel Bay, África do Sul.


Desejo-vos um belo dia de domingo

quarta-feira, março 25, 2026

Hábitos simples, vida melhor
[Inclui uma receita de galinha com massa e não só]

 

Durante quase toda a minha vida tive a sensação de que andava sempre de um lado para o outro. Enquanto estudava na universidade, quando, chegado o fim de semana, tantas vezes tinha vontade de ficar na grande cidade, sem nada que fazer, só passear e ir ao cinema, mal chegava a tarde de sexta-feira aí estava eu a ir para casa. E só vinha na segunda de manhã. Levava e trazia roupas, livros. Sempre carregada. Depois comecei a trabalhar e ia para a escola onde dava aulas, ia para a faculdade, ia para a casa onde morava, ia para casa dos meus pais. Depois casei e praticamente mantive a mesma rotina pois, sendo tão novinha, receava que os meus pais sentissem a minha falta e ia lá todos os fins de semana. E depois mudei de emprego e tinha que apanhar vários meios de transporte para lá, para cá. Saía muito cedo, regressava muito tarde. Vieram os filhos e tinha que os levar ou a casa da avó ou à creche e ir trabalhar e o recíproco à tarde, e, ao fim de semana, ir visitar os meus pais. Depois comprámos a casa no campo e, mal chegava a sexta à noite ou o sábado de manhã, lá íamos carregados para lá, regressando no domingo à noite. Pelo meio, durante muitos anos, com frequência passávamos o sábado ou o domingo com amigos e, também durante algum tempo, íamos para a noite, os miúdos ficavam com os meus pais, e só regressávamos de madrugada. E passava o fim de semana e sentia que mal tinha descansado.

Depois, com as doenças de sogros e, depois, dos pais, todos os fins de semana tinham que esticar para haver tempo para lá ir, muitas vezes com compras que tinham que ser feitas previamente. 

E sempre foi isto, de um lado para o outro, sacos e mais sacos, o tempo escasso, mil coisas para fazer.

Pelo meio havia as deslocações em serviço, as saídas e, quando os miúdos cresceram, passámos a ir umas cinco ou seis vezes por ano para fora, muito recorrentemente a Madrid, cidade de que gostamos muito.

Mas, quando vinham as férias 'grandes', tudo o que me apetecia era ficar quieta, em casa. Mas íamos para o Algarve ou sul de Espanha, também, embora menos, para sul de França, e íamos para o campo, íamos todos os dias para a praia, e, sempre, a apetecer-me estar sossegada, a desfrutar a casa. Os caranguejos são bichos caseiros.

Estou agora a desfrutar. Mas sei que tenho que ter cuidado para não ficar eremita militante. Contudo, como várias vezes aqui o confesso, tenho finalmente a vida tranquila que, ao longo dos anos, tanto desejei. 

Acordar e abrir as janelas, ir para o terraço, olhar o céu, fazer festas ao cão, cozinhar*, jardinar, arrumar, caminhar, praticar actividade física, ler, escrever, fotografar, observar a natureza, ouvir os pássaros, respirar ao sol, conversar, saber que os meus estão bem, que têm os seus planos, que fazem o que gostam, que têm a sua vida realizada e motivação para ir atrás das suas vontades - tudo isso me acalma, me faz feliz. Foi por isto que tanto esperei.

Agora à noite, ao ver o youtube, um dos meus prazeres, apareceu-me, mais uma vez, um daqueles vídeos sobre os hábitos japoneses com que tanto me identifico. O vagar, o prazer das coisas simples, os hábitos tranquilos, a compreensão de que apenas o que é natural -- natural no sentido do contacto e respeito pela natureza -- me deixa verdadeiramente feliz.

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 * 

Gosto de cozinhar, em especial quando tenho a casa cheia. Mas, quando isso acontece, a verdade é que lamento sempre não ter um fogão e um forno maiores, pois cozinhar para muita gente é muito condicionador. Se a tachada é grande demais, por vezes não é fácil apurar, ou, se é no forno, não cabe tudo ao mesmo tempo, tem que ser por etapas, e isso complica a fluência, a sequência, que se quer ágil e ininterrupta.

Cozinhar só para nós dois permite-me fazer cozinhados feitos à nossa medida. Não tenho que pensar em pratos de que todos gostem, incluindo a malta miúda, e isso nem sempre é fácil pois uns não apreciam isto, outros não acham muita graça àquilo. Só para nós dois é simples.

Por exemplo, hoje fiz galinha com massa. E foi assim:

Num tacho, coloquei azeite, duas cebolas grandes. Dourei. Juntei uns quantos dentes de alho, duas folhas de louro fresco. Juntei, então, bocados de galinha. A galinha do campo, que tem carne mais rija, é bem mais saborosa que o frango. Envolvi e selei durante um bocado. Juntei uma cerveja mini e um pouco de sal. Ficou ali a cozinhar um bocado. Depois juntei um alho francês e salsa. Envolvi e deixei cozinhar em lume brando. 

Quando a carne já estava quase macia, juntei três cenouras aos bocadinhos, uma punhado de feijões verdes aos bocados e 2 beringelas (com casca, bem entendido) também aos bocados. Juntei mais um copo de água a ferver. Ficou a cozinhar. Quando a beringela já mal se via, juntei penne integral. Quando estava já cozinhado, juntei um pouco de vinagre de maçã e envolvi. 

Ficou a modos que caldoso, mas um caldo espesso, muito saboroso. Os legumes estavam desfeitos, a carne super macia e tudo envolvido em creme saboroso, quase como se tivesse levado natas. Mas, claro, nada de natas. A textura das beringelas desfeitas agrada-nos muito. O caldo, no fundo, é só legumes e tudo sempre cozinhado em lume branco, slow cooking.

E, ao passo que, quando trabalhávamos, jantávamos sempre às nove e tal quando não às dez, agora jantamos às oito ou mesmo um pouco antes. E é bom. Daqui a nada os dias estarão maiores e jantaremos de dia, e isso é muito agradável.

Mas adiante. Que venham os hábitos japoneses que são simples e, segundo consta, também saudáveis.

10 hábitos japoneses gratuitos para se manter jovem e energético

"Envelhecer é inevitável, mas a ferrugem não." No Japão, a longevidade é tratada como uma arte refinada — um efeito colateral natural do equilíbrio, e não uma batalha contra o tempo. Descubra 10 rituais atemporais, desde o movimento matinal do "Asa Taiso" até o propósito profundo do "Ikigai", que podem adicionar não apenas anos à sua vida, mas vida aos seus anos.

Neste vídeo, exploramos como alinhar seus ritmos diários com a natureza para alcançar clareza, mobilidade e paz. É hora de parar com a correria e começar a cultivar um estilo de vida onde a vitalidade surge da simplicidade.


Desejo-vos um dia feliz

sábado, março 14, 2026

Linha do tempo de um dia tranquilo

 

Geralmente é o meu marido que, de manhã, levanta a persiana do quarto. Levanta-se bem antes de mim, toma o pequeno-almoço, vai acordar o pobre do cão e arrasta-o até à rua, a seguir vai podar árvores, árvores e arbustos ou causar estragos que não lhe perdoo pois corta sempre demais e, quando já não sabe o que mais fazer, vai até ao quarto e pergunta-me se ainda não são horas. Isto para dizer que, quando levantou a persiana, vi que estava sol. Pensei: 'Vou mas é pôr já a roupa a lavar'. E assim fiz. Lençóis, toalhas, panos das mãos e o mais a que deitei a mão (compatível com temperaturas e cores, bem entendido), tudo para a barrela. 

Depois tomei o meu pequeno almoço. Laranja, depois um copo de kefir natural com sementes e latte dourado. A seguir um café.

Depois de estendermos a roupa, tarefa que dividimos, fomos para o ginásio. E, a propósito disso quero aqui deixar um apontamento: no outro dia, se calhar por causa duns stresses que vieram bater-me à porta (e de que já me livrei), estava com um torcicolo, acho que falei nisto aqui, o pescoço tolhido, a nuca apanhada e dorida. O meu marido pensou que eu não ia ao ginásio e, para dizer a verdade, ainda hesitei. Mas depois resolvi que ia na mesma. Não abusei muito, mas fiz o habitual, embora não tivesse puxado demais pelos ombros ou braços. Não piorei. E voltei. E pus-me boa. Sem tomar um comprimido. 

Aqui há algum tempo li um artigo científico em que se concluía que, para osteoartrites e inflamações de articulações e/ou artroses, o melhor remédio é o exercício. Não o repouso ou contenção de movimentos mas, justamente, o oposto, o exercício. Não sei se é para todas as situações, mas o que me tem parecido é que, pelo menos comigo, parece ser verdade. Em contrapartida, sinto que estar muito tempo sentada, andar pouco, fazer pouco exercício, isso é que dá cabo do corpo todo.

Bem.

Vindos do ginásio, tomámos banho, apanhámos a roupa e fomos almoçar. E não sei se foi a essa hora que ouvi a notícia que me pareceu a mais estúpida do dia. No meio das desgraças inomináveis das guerras absurdas e cruéis que estão em curso e de todas as implicações que já aí estão e as muitas mais que por aí virão, ouvi novidades da mais recente e espectacular operação da Polícia Judiciária, a Rigor Mortis: que as buscas à morgue do Hospital Santa Maria e às casas das pessoas, aparentemente, têm por base o facto de os funcionários da morgue receberem verbas entre 5 e 30 euros por cada corpo que preparam antes de os entregar às funerárias. Ouvi isto e só me apeteceu atirar um copo de água à cabeça do maluco que mobilizou investigadores da Judiciária para uma treta destas. É que não sei quem é que fica prejudicado com isto. Se os pobres coitados que têm como profissão lidar com mortos preparam minimamente os respectivos corpos e, com isso recebem uns trocos, que mal há nisso? O hospital fica prejudicado? Alguém fica prejudicado? E, mesmo que haja aqui qualquer coisa de vagamente ilícito, é caso para mobilizar tanta gente, tantos investigadores que custam caro, para uma coiseca destas? Não andariam melhor a apanhar traficantes de droga? Não andariam melhor a apanhar traficantes de armas de todo o tipo? Não andariam melhor a caçar pedófilos? Não andariam melhor a prestar atenção a bandidos que praticam violência doméstica e ameaçam as mulheres caso estas os denunciem? E a comunicação social também não tem neurónios? Que sentido dar tanto destaque uma notícia destas que nem se percebe que raio de notícia é? Não bastaria dar uma rabecada aos pobres coitados que, pelos vistos, ganham uns trocos indevidos? Era preciso tanto aparato? 

Bolas, só maluquices. Caraças.

Adiante.

Depois de almoço, estava um sol bastante jeitoso. Pensei que não era cedo nem era tarde: boa ocasião para a vitamina D. Vesti uns calçõezitos e uma tshirtezita e estendi-me numa espreguiçadeira. E senti-me abençoada por poder receber assim, em liberdade, um calorzinho tão bom. Ser reformada tem destas coisas: não ter horários nem obrigações, não ter que estar enfiada em escritórios de manhã à noite, a respirar ar condicionado e a resolver problemas e a aturar gente em contínuo, por telefone e em pessoa, sem possibilidade de pôr o pescoço de fora para curtir um raiozinho de sol.

Pois, pois. Foi mas foi sol de pouca dura. Veio uma nuvem e foi-se o verão. Logo depois estava frio. Tive que vir para dentro, mudar de farpela.

Tenho ainda a dizer que cá em casa praticamente não se comem doces: o meu marido não aprecia e eu aprecio mas, por cada 10 gramas de açúcar que ingiro, aumento 1 quilo. Além disso, não gosto de fazer sobremesas. Mas, de vez em quando, apetece-me. E o meu marido, volta e meia, diz: 'devia haver qualquer coisa que se comesse entre refeições, quando nos apetecesse, para não ser só frutos secos'. Pois bem. O Instagram tem-me trazido coisas com piada. No outro dia apareceu-me um japonês que dizia que se pode fazer um doce sem farinha e sem açúcar. 

E mostrava: esmaga-se batata doce cozida, mistura-se um ovo, leite de amêndoa e cacau em pó, bate-se e leva-se ao forno. E ficava com bom aspecto.  Então resolvi fazer. O pior é que não tinha quantidades. Tudo a olho. Não tinha leite de amêndoa mas tinha kefir. Pensei que, com o kefir, ainda deveria ficar menos doce. Então, antes de vazar a mistura para a forma, juntei algumas, poucas, tâmaras e nozes cortadas aos bocadinhos. Levei ao forno. 

E, se querem que vos diga, acho que ficou razoável. O meu marido não ficou extraordinariamente convencido e diz que com mais tâmaras talvez fique melhor pois assim parece que ficou com pouco sabor. É que, quando a gente vai comer um bolo -- e este fica macio, com um ar até a modos que apetitoso -- vai à espera de lhe saber a doce. E este doce, doce, não é. Para a próxima junto-lhe ou uma colherzita de mel ou mais tâmaras e talvez, até, algumas passas e arandos. Contudo, há pouco reparei que, apesar de lhe saber a pouco, até já comeu um bom bocado.

E depois fomos fazer uma caminhada e vi umas florzinhas amarelas muito lindas, lindas mesmo, um amarelo torrado, mais do que dourado, quase a querer alaranjar, mas tão perfeitas, tão harmoniosas, as pétalas quase translúcidas... Umas florzinhas ali, nascidas do nada. Nunca as tinha visto. Fiquei fascinada. 

A natureza é uma coisa repleta de mistérios. Tira-os da manga a toda a hora. Fotografei-as e filmei-as e depois coloquei o vídeo no instagram. Não sei se quem vê estas minhas platitudes pensa que, se não tenho nada de mais original para partilhar, mais valia estar quieta. Talvez. Mas, para mim, estas coisas não são vulgaridades, são, isso sim, verdadeiros milagres. E milagre que é milagre deve ser louvado e, se é para louvar, que o seja com testemunhas. Por isso, partilho.

O pior é que, quando estava a pôr aquilo no instagram, recebi uma chamada. Interrompi o processo, Quando acabou a chamada, carreguei na coisa de partilhar ou publicar ou lá o que é. E lá vai disto. Fui à minha vida. 

Há bocado, fiquei perplexa: vi que publiquei duas vezes. Ou seja, quando recebi a chamada, sem querer devo ter publicado. Depois dupliquei a dose. Agora quero apagar um deles e não consigo pois têm ambos visitas. Quem vê deve achar que sou maluca, publicar duas vezes a mesma coisa. 

E, pronto, vou ficar por aqui, não vou pôr-me ainda a falar do jantar nem da minha magnólia -- que está espectacular, coberta de um manto de flores belíssimas -- nem da nova bebé da família, fofa, fofinha, fofésima, uma ternurinha, por sinal minha homónima, nem do meu tio que está cada dia mais confuso, o único sobrevivente daquela geração, nem de mais nada que isto já vai para aqui um lençol que não se aguenta.

[Nota: Dei o título de 'linha do tempo de um dia tranquilo' pois agora está na moda isto da linha do tempo: por tudo e por nada, lá sai a linha do tempo à cena. E eu embirro solenemente com estas coisas que viram virais e só tenho pena que a ironia não se perceba bem sem uma expressão facial de malícia ou desdém. E aqui, a escrever, e ainda por cima num título, sem verem que isto tem ironia à mistura,  penso que, sem eu acrescentar esta nota, não perceberiam que claro que isto não é nenhuma linha do tempo, é um simples desfiar de tarefas irrelevantes ao longo de um dia normal, bom mas normal.]

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Mas, antes de ir pregar para outra freguesia, toma lá mais esta, ó Chalamet, vê lá se percebes que meteste a pata na poça.

Jiří Kylián: Sechs Tänze

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Desejo-vos um belo sábado

sexta-feira, janeiro 02, 2026

Abrir as hostilidades lendo as mentes

 

Neste momento já não é o primeiro dia do ano e, portanto, escuso de fazer um post muito alinhado. Pensei fazer um post sobre a natureza, sobre uma extraordinária borboleta, ou sobre o que ler faz ao cérebro, e claro que só faz bem, ou sobre acontecimentos marcantes ou sobre os avisos, que se sucedem, sobre os riscos da Inteligência Artificial.

Mas o meu dia foi muito bom, mas com a primeira metade um pouco cansativa. Nestes dias, ponho o despertador para me levantar cedo e, de imediato, entro em erupção criativa a nível culinário. Só me apetece fazer coisas, um buffet completo. O meu marido entra em stress, diz que é um disparate, que eu deveria simplificar. E pergunta-me o que vou fazer. Digo que só sei quando fizer. Ele pensa que estou a desconversar mas não é. é mesmo. Faço sem antes ter pensado no que ia fazer. Pergunta-me: 'Mas nunca fizeste isso. Leste em algum sítio?'. Não. É tudo, ou quase tudo, na base do improviso. E tudo na base de muitas etapas preparativas. Tudo feito com grande prazer. Mas, como é para muita gente, a coisa complica-se. Por exemplo, fiz um lombos de salmão em papelotes com puré de batata e ovo e espinafres salteados, o peixe pincelado com uma emulsão de mostarda, sumo de lima e sal. Várias etapas: cozer as batatas (normais e doces) e os ovos, saltear os espinafres, fazer o molho, e depois dispor tudo nas folhas de papel vegetal. Muitas. A bancada de um dos lados ficou toda ocupada, até com papelotes sobrepostos. Depois tudo para o forno. Mas isto foi uma das coisas. Uma de muitas. Até fiz uma pizza. Tudo. E foi bem apreciada. Acho que nem a provei. Fiquei foi com vontade de fazer mais. Pode ser que depois conte. Hoje não.

A tarde foi tranquila, boa. Uns jogam, outros veem televisão, tudo tranquilo e animado, um ou outro com uma pancada de sono tal o reveillon, mas, enfim, a alegria do costume. 

Mas o que eu quero dizer é que hoje não estou numa de falar nem de coisas sérias, nem de coisas fofas nem de assuntos que merecem respeito. Estou é capaz de ir dormir.

Por isso, vou abreviar e vou antes partilhar um vídeo com aquele fulano que parece ter dons extraordinários. Supostamente não são dons, são habilidades. Mas é uma coisa que parece do outro do mundo de tal forma é do caraças. 

Fico super curiosa, gostava de perceber como é que uma coisa destas é possível. E, pelo que se vê, deixa estupefactas pessoas habituadas a ver e ouvir de tudo, como é o caso, por exemplo de Anderson Cooper. E é com isto, com estas cenas mentalistas, que, aqui no blog, abro as hostilidades em 2026.

O mentalista Oz Pearlman impressiona Andy e Anderson | CNN Véspera de Ano Novo 2026

"O quê?! Como isso é possível?" O mentalista Oz Pearlman aparentemente lê as mentes de Anderson e Andy ao vivo na Times Square na véspera de Ano Novo.


Desejo-vos, de novo, um bom 2026

E um dia feliz, este de hoje e todos os que se seguirem

sábado, dezembro 27, 2025

Ementa do almoço de Natal com fotografias, não da comida mas de quem a comeu

 

Ora bem, então vamos lá. Almoço de Natal com todos. Momentos de felicidade em família.

 

Entradas

Camembert derretido

Coloquei uma massa folhada redonda sobre a folha de papel vegetal em que vinha. Barrei grosseiramente com marmelada. Era o doce que tinha em casa, mas podia ser uma qualquer compota. Por cima, a meio, coloquei o camembert inteiro. Por cima, coloquei outra peça dessa folhada. Aconcheguei o queijo com a massa da cobertura. Depois, com a faca fiz golpes desde o rebordo até ao queijo, como se quisesse fazer uma franja com tirinhas de cerca de 2 cm de largura. Bati a gema de 2 ovos e pincelei toda a superfície. Salpiquei de sementes de sésamo. Tinha a ideia de fazer uma gracinha que tinha visto no Instagram que consistia em colocar um mirtilo no interior da ponta de cada franja mas, quando fui buscá-los ao frigorífico, vi que afinal eram amoras. Para o efeito não era bem a mesma coisa mas, ainda assim, usei-as. Portanto, descolei a ponta de algumas franjas e coloquei uma amora. Voltei a fechar. Depois, torci cada franja. Voltei a pincelar com ovo e a colocar mais sementes. Forno pré aquecido. Fica lá, dobre o papel vegetal, numa grelha do forno, a cerca de 170° durante uns 40 minutos. Quando está na mesa, com uma faquinha retira-se a cobertura (que se come, bem entendido). E abre-se o queijo em cima. Arranca-se cada torcidinha que se mergulha no queijo derretido.

Tiropita XXL de salmão 

Sobre o papel vegetal, coloquei uma massa folhada rectangular. Barrei com uma embalagem inteira de queijo Philadelphia de ervas. Por cima, cobri com quartos de maçã lamelada (lamelada grosseiramente e pouco fina). Usei 2 maçãs. Por cima, dispus fatias de salmão fumado (200 gr). Por cima, piquei cebolinho. E tapei com uma segunda folha de massa folhada. Uni as pontas da base e do topo a toda a volta. Pincelei com gema de ovo e salpiquei com orégãos e com sementes de sésamo. E forno com ela. Também à volta de uns 40 minutos. Nota: a maçã derrete, apenas dá um certo toque de acidez e ténue doçura.


Peixe

Prato de bacalhau, porque a tradição ainda é o que é. Ravolis com bacalhau.

Num tacho com água abundante, escaldei duas grandes postas de bom bacalhau.

Separei o bacalhau, para depois tirar pele e espinhas.

No caldo do bacalhau, cozi ravolis recheados com ricotta e espinafres. 

Entretanto, num outro tacho, refoguei duas cebolas, duas cenouras picadas, quatro ou cinco grandes dentes de alho. Ficou ali a refogar, juntando, de vez em quando, caldo de cozer bacalhau e, posteriormente, as massas. Quando as cenouras estavam cozinhadas, juntei um frasco de grão cozido, incluindo o respectivo caldo. Deixei cozinhar um pouco. Depois desliguei. 

Juntei três ovos previamente cozidos. Depois, triturei muito bem até ficar um creme caldoso e macio. Com um ramo de hortelã, agitei esse creme para assimilar o seu perfume. 

Num tabuleiro grande despejei o caldo de grão e ovo. Depois juntei os raviolis e, por cima, o bacalhau desfiado.

Carne

Arroz de forno com borrego desfiado por cima

De véspera, coloquei uma perna e uma mão de borrego em vinho branco, pimentão doce, sal, orégãos, alecrim, salsa, louro, cebolas e alho, e banha. Esfreguei bem a carne neste pré-tempero. Marinou enquanto pôde.

Passadas umas horas, coloquei tudo num panelão para dar uma boa entaladela na carne. Amaciou como devia ser. Depois passei-o para o forno. Lá ficou a assar, até a carne se despegar dos ossos e ficar com ar de se ir desfazer na boca. 

Depois, separei o molho da carne. Mais tarde desossei.

Depois fiz o arroz

Fiz assim: num panelão, refoguei em azeite com um pouco de banha, duas cebolas grandes, uns quantos dentes de alho, louro, salsa. Depois, juntei dois bons nacos de bom bacon, pouco gordo, bem fumado, um bom paio inteiro (ao qual tirei a pele) cortado aos bocados, meio chouriço de carne de boa qualidade, picado. Deixei cozinhar. Juntei o arroz e deixei que absorvesse os sabores. Cheirava bem na cozinha que nem vos digo... 

Depois juntei um pouco de vinho branco e mexi-o bem para evaporar um bocado. Como fiz 3 copos de arroz basmati, precisava de 6 copos de caldo. Usei o caldo da canja e o molho que sobrou de assar o borrego diluído em água. Não tenho referido mas, obviamente, vou sempre rectificando o tempero, nomeadamente o sal. Quando vi que estava quase no ponto, verti para um grande tabuleiro. Foi arroz a mais, não coube todo.  Cobri com o borrego desossado. Foi ao forno para terminar.

Pie ou lá o que for

Na véspera, porque precisava do caldo de galinha para o arroz, fiz canja de galinha. Água abundante, 2 cebolas grandes, 2 cenouras grandes e carne e miúdos de galinha. Depois separei o caldo e desossei os bocados da galinha 

Também tinha estufado os miúdos do borrego em vinho branco. Separei um pouco.

Misturei os bocados da galinha e dos miúdos, as cebolas e as cenouras e dei uma trituradela básica, pouco apurada. Depois juntei as claras que sobraram ao ter separado as gemas para pincelar as cenas acima referidas, salsa picada e o sumo de uma lima (limão também estaria bem). Ao lume, liguei tudo bem. Depois deixei arrefecer um pouco.

Numa tarteira de silicone, coloquei uma peça de massa quebrada, usando o papel vegetal para depois ser mais fácil desenformar. Piquei a massa com um garfo. Despejei, então o recheio, já só apenas morno. Cobri com outra folha de massa quebrada e uni a massa de cima e a de baixo. Cortei um pouco a de cima, porque sobrava. Pincelei com ovo. E forno com ela. E lá ficou até parecer bem. Talvez também uns 40 minutos, mas não garanto.

Acompanhamento 

Tomate cherry

Num tabuleiro coloco azeite, alho picado, alecrim e orégãos. Junto os tomatinhos (lavados, claro). Misturo tudo. Vai ao forno até que fiquem assadinhos, sumarentos.

Salada 

Junto alface com bolinhas de mozzarella. Tempero com azeite e sumo de limão.

Sobremesas

A minha nora trouxe farófias que fez, óptimas. Trouxe também rabanadas que fez com a mãe, e tarte de amêndoa. A minha filha fez bolo com cobertura de chocolate. Tudo bom demais.

Claro que tinha também fruta - laranja e dióspiros, às rodelas, e uvas pretas, brancas e rosé.

Vinho

O meu marido abriu um rosé. Andamos numa de rosé. Perfumado, leve, fresco. Mesmo bom. Não sei qual mas tenho ideia que o escolheu com cuidado. 

domingo, novembro 23, 2025

Demasiado perto do fogo para sobreviver

 

Está frio e, nesta season, acendemos pela primeira vez a lareira. De manhã fomos comprar lenha. Temos muita, muita mesma, nossa, mas essencialmente pinheiro. Ora o meu marido queixa-se da lenha de pinheiro, que faz muito fumo, que suja muito e mais não sei o quê. Por isso, trouxemos uma carga de azinho e sobro e, creio, alguns ramos de oliveira.

Gosto dos cheiros destes grandes armazéns de lenha. São intensos, telúricos.

E, portanto, jantámos na mesa junto à lareira. Um quentinho mesmo bom. 

A lareira dá para esse lado e dá para o lado oposto, onde estão os sofás. O cão que de desinteligente não tem nada, hoje em vez de dormir no poiso habitual no piso de cima, hoje foi repimpar-se no sofá em frente à lareira. 

Provavelmente os mais puristas dirão que os cães não devem escolher o sítio onde querem dormir mas nós somos assim, liberais. Só não o deixamos ir para a parte da casa onde está o quarto. E quando cá dorme o pessoal também não o deixamos ir para a zona dos quartos que lhes estão destinados. Tirando isso, ele é gente como nós. Claro que temos a certeza que o seu instinto de sobrevivência o manterá afastado o qb para não se queimar ou aquecer de mais. 

No verão estende-se no chão do corredor, que é de pedra, ou, lá em cima, no chão que, embora seja de madeira, é fresco. Quando vem o fresco, sobre para uma almofada de tipo colchão que está num banco entre pilares. Quando vem o frio, procura o conforto dos sofás. Mas isola-se, ou seja, não vem deitar-se ao nosso lado nem tão pouco na sala em que estejamos. É discreto.

Entretanto, imagine-se, não sei se será por ver enfeites de natal, bombons, presentes, bolos, camisolas e pijamas e luzes e luzinhas natalícias por tudo o que é sítio, já começámos a pensar no que poderá ser a ementa de natal. Ando com vontade de, uns dias destes, experimentar fazer duas receitas de bacalhau, que nunca fiz, para avaliar se os esquisitinhos que torcem o nariz ao bacalhau (em especial, os miúdos) aprovarão. Também vi um arroz de forno com borrego ou cabrito desfiado que também me pareceu bem. E devia prendar-me e começar a experimentar fazer sobremesas mas, mal penso nisso, recuo logo. A nível de doces quilo de que eu mais gosto não é consensual e não me apetece fazer coisas  que não acho graça e que, ainda por cima, que podem não ficar bem ou não agradar. 

Ah, e tenho ainda mais uma coisa a dizer. Quando viemos para esta casa, dei roupa e deitei fora muita coisa (deitei for, não, coloquei naqueles contentores da roupa) e, contra a opinião do meu marido, guardei algumas que já não me serviam mas de que eu gostava. Por ele, tudo isso, devia ir de asa sem dó nem compaixão. Eu, como tinha a esperança de voltar a caber dentro dela, guardei. E tive razão: agora que já peso menos de 60 kg, muita coisa voltou a servir-me que é um mimo. Uma alegria para mim. Se ainda conseguir reduzir mais um ou dois quilos, então, seria ouro sobre azul. Mas não sei se consigo. É precisa uma disciplina do caraças. Lambona como sou, sempre com fome, tenho que manter-me determinada em permanência... e isso não é fácil. Mas, então, descobri uma camisola que tricotei e de que gostava bastante. Inventava modelos, dava-me imenso gozo. Deveriam os meus filhos ainda ser pequenos, presumo que pré-Zara ou quando só a havia no Porto e, portanto, não tão à mão. Portanto, há quanto tempo isso foi... Pois está-me praticamente boa. Lá está... se perdesse os tais dois quilitos melhor ainda ficaria. Mas, enfim, já não está mal. Lavei-a, pu-la ao sol, e está quase como nova... Fiquei mesmo contente.

E é isto.

A despropósito, mas a propósito daquilo que escrevi lá em cima, demasiado perto do fogo para sobreviver, partilho um vídeo bastante interessante. Em tempos próximo de Trump, Anthony Scaramucci cedo percebeu que o melhor que tinha a fazer era pôr-se ao fresco e, desde então, não se cansa de alertar para os riscos de estar próximo do doido mais varrido de que há memória (o agora estar completamente in love pelo Mandani é de uma pessoa bater dez vezes com a cabeça na parede a ver se está acordada ou a ter sonhos fantasiosos)

daqui

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Trump Is Too Close To The Fire To Survive | The Daily Beast Podcast Clips

@therealanthonyscaramucci conversa com Joanna Coles sobre o que pode estar nos arquivos de Epstein e o que lhes acontecerá a seguir, incluindo a probabilidade de censuras graves. Além disso, os dois falam sobre as perspetivas para o futuro de Trump e do movimento MAGA, e se JD Vance teria a capacidade de manter o MAGA vivo após a saída de Trump.


Desejo-vos um belo dia de domingo

sexta-feira, setembro 19, 2025

Receita de almôndegas à italiana (e de tostas de almôndegas) com um ou outro toque a la UJM

 

Ando para partilhar a receita das almôndegas mas têm-se metido outros assuntos. Mas, como o prometido é devido, aqui vai.

Devo ter feito cento e tal, e não foram daquelas bolinhas tipo berlinde do ikea. Usei, no conjunto cerca de dois quilos de carne, dividida entre porco, vaca e peito de frango. No talho, escolhi uns pedaços bons, sem gordura, e pedi para picar em conjunto duas vezes. A ideia é que ficasse uma mistura homogénea e o frango amacia a mistura.

Almôndegas à italiana

Comecei por colocar três pãezinhos individuais de molho em leite, talvez meio litro ou quase. Depois de amolecido desfiz com as mãos. Piquei uma cebola grande, uns três ou quatro dentes de alho, um ramo de salsa, seis ovos inteiros, cerca de meio quilo de queijo ralado (usei mozzarella, edam, gouda, cheddar e um italiano de que agora me passou o nome). Temperei com sal. Com as mãos misturei tudo muito bem. Depois, com as mãos, fiz bolinhas que fui colocando num tabuleiro grande, separadas umas das outras. Por cima da primeira camada, coloquei papel vegetal e, por cima, mais uma série delas. Fiz o mesmo com outro tabuleiro. Depois foram para o frigorífico, para as bolinhas enrijarem e não se desfazerem quando fossem confeccionadas.

Nesse ínterim, virei-me para ao molho. Num panelão com azeite no fundo, cortei três cebolas grandes, uns dentes de alho, dois alhos franceses e salsa. Deixei que a cebola alourasse e que tudo estivesse devidamente amolecido. Nessa altura, coloquei uma lata das grandes de tomate pelado e mais uns quatro ou cinco tomates maduros. Juntei cinco cenouras grandonas aos bocados. Temperei com sal. Deixei que fervesse e depois baixei o lume, tapando a panela.

Entretanto, teria decorrido mais de meia hora e tirei as bolas de carne do frigorífico. Tinha, entretanto ao lume, uma frigideira gigante (em termos de diâmetro) com azeite, dentes de alho, folhas de louro e alecrim. Quando estava quente, juntei uma leva de bolinhas que fui virando com cuidado, para selarem em todos os lados. Claro que tive que fazer várias levas delas e a meio ia substituindo os alhos para não esturricarem. Uma canseira, não via a hora de dar a volta a tanta almôndega. À medida que iam ficando seladas, douradas, não as pus logo na panela, ficaram estacionadas noutros tabuleiros.

Essa operação acabada, virei-me para o molho. Juntei uma colher de sopa de açúcar pois apesar da cenoura já cortar alguma acidez, achei que aquele pouquinho de açúcar garantiria que o tomate não se imporia mais do que a conta. Triturei, então, a tomatada que estava na panela até ficar um creme bem homogéneo. Nessa altura, coloquei as almôndegas uma a uma, com cuidadinho. Não as atirei, não fossem desmanchar-se. Ficaram todas mergulhadinhas no molho. Deixei que levantasse fervura e depois baixei. Ficou ao lume cerca de uma hora. 

Entretanto, noutro tacho grande fiz tagliatelle fresco. Não tem nada de mais, é só cozer em água com um pouco de sal. Mas refiro-o porque, no fim, antes de escorrer a água, retirei umas três (ou quatro? -- não me lembro bem) conchas dessa mesma água para misturar no tacho das almôndegas. O molho fica mais cremoso, com uma textura mais interessante e uniformiza melhor o sabor entre as almôndegas e o molho.

No final, deitei um pouco de vinagre de maçã na panela das almôndegas e mexi ao de leve. Acho que torna a comida mais leve e traz benefícios à digestão, é saudável. E realça os sabores, acho eu. E, para perfumar, coloquei umas folhas de manjericão.

Portanto, ao almoço foi isso: massa fresca com almôndegas. Antes disso, tinha servido salada de alface com bolinhas de mozzarella fresca.

Para sobremesa, fruta.

Acontece que, para além do almoço, ao fim do tarde, houve lanche ajantarado.

Então, para 'entrada', cortei melão aos bocados e, por cima de cada um, coloquei salmão fumado, que prendi com um palito. Pelo meio, espalhei bagos de uva branca sem grainha. Fica uma mistura fresca, agradável.

A seguir, voltaram as almôndegas (que já tinha feito em quantidade avantajada, a prever que à tarde poderia dar jeito usá-las)

Tostas de almôndegas

Abri pães individuais (bolinhas da baviera e bolinhas de rio maior) ao meio, ao alto, digamos assim, ou seja, separei cada pão em duas metades. Retirei o miolo a cada um. Sobre cada parte, coloquei uma ou duas almôndegas, ou uma e meia, consoante o tamanho das ditas e mais umas colheradas de molho. Tapei cada uma com uma fatia de queijo (numas usei fatias de queijo flamengo dos Açores e noutras fatias de mozzarella). Polvilhei com orégãos e levei-as, numa grelha, sobre papel vegetal, ao forno previamente aquecido, com calor por cima e por baixo. Claro que o queijo derreteu e que o paozinho tostou. Ficaram mesmo boas.

PS: No fim ainda deu para levarem umas quantas para casa...

Claro que no meio da trabalheira nem me ocorreu fotografar. Mas foi pena, em particular o prato do meu neto mais velho, uma coisa apocalíptica. Quando vi tal exagero, até recomendei que não pusesse tanto logo de início não fosse não estarem as almondegas boas e não gostar. Respondeu que não fazia mal pois estava cheio de fome e, mesmo que não gostasse, comeria na mesma. Mas gostou e comeu tudo e tenho ideia que ainda repetiu. O irmão mais novo também não lhe ficou muito atrás mas esse até tinha uma justificação maior, vinha de um jogo de futebol bem difícil, tinha que repor energias... Jogadores de futebol é assim. E são os quatro rapazes. Portanto, não apenas estão a crescer como têm sempre muita energia para repor. Escusado será dizer que gente com bom apetite é uma alegria para mim. Felizmente são todos. Portanto, cozinhar para bons garfos é uma felicidade redobrada. E ter toda a gente à volta da mesa, a comer, a conversar, a rir, é o melhor de tudo (apesar de nesse dia estar com o torcicolo bem assanhado e, de tarde, até me ter dado, durante um bocado, uma certa pancada de sono inerente ao relaxante muscular que tinha tomado...)

sábado, junho 07, 2025

O meu dolce fare niente, o meu pequeno almoço, a overdose biográfica de Herberto Helder servida por João Pedro George e etc.

 

A minha cabeça parece que entrou em férias. O corpo já tinha dado sinais que era o que queria mas a cabeça teimava em meter-se em trabalhos. Mas agora, para além de festejar a ausência de horários, apetece-me não ter maçadas de qualquer espécie. 

Claro que elas aparecem e não há como não enfrentá-las: uma coisa que se avaria e que custa a encontrar quem a arranje, um outro estore elétrico que não funciona, agora este problema da infecção na perna do nosso amicão, afazeres que aguardam que alguém se ocupe deles. Isso acontece independentemente da nossa vontade e, se não formos nós a resolvê-los, não haverá quem mais o faça. Mas depois havia aquilo em que eu sempre fui pródiga: arranjava sempre ocupações com objectivos apertados que me obrigavam a uma disciplina que se sobrepunha à minha vontade (ou necessidade) de descansar.

Agora não. Agora sabe-me bem, cada vez melhor, poder passar a tarde a ler, ao sol ou à sombra, a fotografar, a olhar para a copa das árvores. 

Claro que antes disso fiz uma máquina de roupa, estendi-a, fui ao ginásio, estive a varrer o terraço, a regar os vasos, fiz o almoço, recebi e estive à conversa com uma pessoa que cá veio a casa, etc. Mas, a seguir, por mim está feito! e deixo-me levar pelo prazer de estar na boa, sem mais nada que fazer. Claro também que a seguir aparece o meu marido a dizer que está na hora de irmos fazer a nossa caminhada da tarde e vou e sabe-me lindamente e, uma vez regressada, vou fazer o jantar e depois vamos fazer o tratamento ao nosso fofo, que reage mal e o meu marido tem que o agarrar com força para ele não se virar, e depois vamos todos fazer um passeio nocturno, passeio mais curto, coisa para não mais que meia-hora e que também me soube bem. 

Ou seja, não é que não faça nada. Faço. Mas, pelo meio, permito-me estar descansada sem sentir que estou a ser improdutiva. Quase desde que me conheço que tinha a pancada de fazer coisas que se vissem, que fossem úteis, que ficassem. Agora não. Estou uma ou duas ou três horas na boa e não me sinto mal por isso.

O meu marido também está muito diferente. Está um jardineiro exímio. Anda sempre com a máquina da relva ou com o corta-sebes ou com a roçadora. Antes não tinha o mínimo dos mínimos de apetência para a jardinagem. Zero, zero. Agora, nem tenho que lhe pedir. Pelo contrário, tenho é que pedir que não corte tanto. 

E, como se isso não bastasse, hoje, quando entrei em casa vinda de estar a ler, cheirou-me a bolo. Pasmei. Tinha feito um daqueles simples que se fazem numa tigela, no micro-ondas. Diz que pediu ao chatgpt a receita de um bolo saudável, rápido e simples, que se fizesse no microondas. Fez de alperce com iogurte grego, ovo, mel, uma colher de azeite e flocos de aveia. Estava bom mas com pouco sabor, talvez por estar pouco doce. Então pôs-lhe uma colher de compota por cima, levou-o mais uns segundos ao microondas. Ficou melhor. Depois fez um que improvisou, com cacau em pó, mas deixou-o cozer de mais, ficou rijo, uma bolacha dura. Mas sou de boa boca, como de tudo de bom gosto. Só que não quero alargar-me nos doces. Como nunca faço doces, a cozinha nunca cheira a bolos. Por isso, gostei imenso de sentir aquele cheirinho. O mais parecido que faço são papas de aveia . E ficam boas. O meu marido agora, ao pequeno-almoço, para além de comer uma banana, come uma taça dessas papas.

Já contei como faço mas agora introduzo uma pequena variante: num tachinho ponho água a ferver com uma pitada de sal, um pouco de canela, casca de laranja (ou de limão) e agora tenho juntado também umas três ou quatro tâmaras. E, claro, flocos finos de aveia. Vou mexendo. Quando começa a fazer bolhinhas, mexo bem e deixo estar ali em ebulição controlada durante uns dois ou três minutos. E já está. Solidifica com uma textura de que gostamos. A aveia é muito saudável. Não faço com leite nem ponho açúcar. 

Eu, ao pequeno almoço, como uma laranja e depois preparo um copo de kefir ao qual junto uma colher de sopa cheia dessas papas de aveia, um pouco de mistura de sementes e um pouco de pó de latte dourado que compro no Celeiro (curcuma, gengibre, pimenta, noz moscada). Mexo tudo bem. Adoro. Começo sempre o dia com o prazer de ter um pequeno almoço que me sabe mesmo bem. Remato com café expresso, longo, sem açúcar. O cheirinho bom do café e o prazer de o beber ajudam a que o dia seja inaugurado a preceito. Agora só bebo esse café por dia. 

Quanto à leitura: continuo (e continuarei, nem que seja intercaladamente) com a biografia do Herberto Helder. É daqueles que leio saltando frases de quando em quando. É uma overdose. É como se ele tivesse juntado referências, opiniões, recordações de outras pessoas, documentos, recortes de jornais relacionados, correlacionados e nem por isso e, no fim, tivesse vertido tudo para o livro, tudo, sem edição. Mas ouvi que, no original, era quase o dobro. Uma loucura, portanto. Mas, o que mais me chateia nem é isso: o que mais me incomoda é quando ele, o João Pedro George, volta e meia se pôe a inventar pensamentos para o Herberto Helder, admitindo que é provável que, naquelas circunstâncias, ele tenha pensado aquilo. Ora isso parece-me não apenas estulto como desnecessário, até descabido.

Bem. Isto está uma bela mescla de assuntos... É que estou a ver notícias enquanto escrevo. A macacada entre Trump e Musk é daquelas que há de dar filmes, séries, paródias, dramas, tratados de política, de psicologia, sei lá. Como só me dá para ligar o computador às quinhentas e me ponho a escrever às tantas, já perdida de sono, chego aqui e já me falta o pedal para desarrincar todo o muito que haveria a dizer. A ver se um dia destes tenho a pachorra suficiente para escrever o no blog a meio da tarde para me pronunciar sobre esta desconformidade. Entretanto, partilho um vídeo:

Donald And Elon Attend Couples Therapy


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Os meus limões andam a cair, estão pesados, maduros. Não apenas os aproveito para temperos e etc. como para servirem de modelos fotográficos. As rosas, já se sabe, estão sempre disponíveis para serem amadas, adoram pôr-se a jeito para uma sessão fotográfica
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Olhem, é isto.

Desejo-vos um belo sábado

segunda-feira, maio 26, 2025

Em dia de final da Taça, bolonhesa encarnada para os sportinguistas.
Isto depois de, na véspera, sandwiches de feijoada para os benfiquistas
[Receitas incluídas]

 


No sábado fiz feijoada para o almoço. Deve haver mil maneiras de a fazer mas eu faço uma versão soft. Assim: num tacho, refogo ao de leve uma mega cebola. Depois junto um repolho (será que o nome correcto é couve-lombarda?), uns dentes de sal, salsa e coentros, uma folha de louro, um pouco de água, um little bit de sal e deixo cozer. Quero que a couve fique bem cozinhada para ser bem digerida. Quando está macia, junto carne de porco e vaca picadas. Deixo cozinhar um pouco. Juntei uma rodela de chouriço de carne apenas para dar alguma graça. Juntei depois um frasco de feijão encarnado cozido, com o caldo, e deixei que cozinhasse tudo junto durante uns minutos. Ficou bem saborosa. Pelo menos, nós gostámos.

Depois, quando estava quase tudo pronto, lembrei-me que parece que costuma haver arroz a acompanhar. Fiz simples, juntando apenas um pouco de salsa e coentros e uma folha de louro. 

O pessoal tinha dito que não viriam no sábado mas, ao princípio da tarde, a ala benfiquista disse que passaria por cá daí a pouco. 

Quando os mais novos disseram que estavam com fome, à falta de um lanche previamente estruturado, servi bolinhas de Rio Maior com feijoada. Antes aqueci levemente o pão; depois coloquei umas colheradas de feijoada, que ainda estava morna, em cada bolinha. Gostaram. E eu fiquei contente por terem gostado.


Este domingo, a ala benfiquista foi assistir ao jogo no Jamor. Mas a ala sportinguista, tirando o menino mais crescido que ficou a ver o jogo com amigos, veio cá ver o futebol com o sportinguista-mor.

Fiz bolonhesa que é coisa que sempre agrada. Embora banal, como também há mil maneiras de a fazer, conto como eu faço a minha.

Numa frigideira grande, ponho azeite, muitos dentes de alho, folhas de louro, um ramo de alecrim, e quando os alhos estão alourados, junto a carne picada (do mesmo lote do lote que usei para a feijoada, isto é, carne de porco e carne de vaca que, no talho, peço para picarem e misturar) e um pouco de sal. Deixo estar sempre no máximo e vou mexendo e virando a carne para fritar, isto é, para não cozer. Depois desligo.

Antes disso, num tacho coloco azeite, duas cebolas grandes aos bocados. Depois de refogar um pouco, juntei quatro tomates chucha bem maduros, cinco cenouras grandes aos bocados, um bom ramo de salsa e um pouco de sal. Tapo e deixo cozinhar até a cenoura estar cozida. 
Depois, com a varinha mágica, trituro até ficar um molho de tomate bem macio. Não fica nada ácido pois a o doce da cenoura corta a acidez. Fica, isso sim, um shot de vitamínico.

Num tacho grande, coloco água a ferver com sal e massa fresca, agora não me lembro o nome, é daquelas fitas largas com ovo. Pouca gordura, pouco sal. Coze durante uns cinco a sete minutos. Desligo. Escorro a água. Uma parte da água, pouca, junto ao tacho do tomate. Uma parte, ainda menos, junto à carne. A água de cozer a massa engrossa os molhos, dá-lhes uma boa textura. O resto da água foi fora. Mas ainda ficou uma parte do tacho. Temperei com azeite e salpiquei com orégãos.

Volto, então, ao tacho do molho de tomate. Com a varinha mágica, trituro até ficar um molho de tomate bem macio. Não fica nada ácido pois a o doce da cenoura corta a acidez. Fica, isso sim, um shot de vitamínico.

Servimo-nos em separado: a massa, depois a carne e, por cima ou ao lado, conchas de molho de tomate. Há queijo ralado para polvilhar.


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À tarde, cá em casa, claro que os sportinguistas começaram por sofrer para, por fim, deliraram. No Jamor, claro que os benfiquistas se entusiasmaram e depois sofreram. 

Como é bom de ver, nos poucos minutos que aqui estive, como sempre não consegui concentrar-me e estava para ser penalti e eu nem isso percebi. Gosto de ver as emoções de quem vibra e consigo colocar-me no lugar deles. Mas mais do que isso só consigo mesmo quando são jogos da Selecção em campeonatos importantes, como no Europeu ou no Mundial.

O meu marido, com tudo isto, nem assimilou o que comeu. Depois de ter almoçado e jantado bem, há bocado, ao ver um anúncio às bolachas Oreo, disse que estava cheio de fome e que até bolachas oreo marchavam se as tivesse, que parece que lhe apetecia qualquer coisa doce. Ele que nunca come bolachas e que poucos doces come... Antes de ir para a cama, ouvi-o na cozinha. Deve ter ido comer qualquer coisa, não faço ideia de quê. Não há bolachas nem bolos. 

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Os painéis de azulejos não têm a ver com o texto. Têm apenas a ver com o meu gosto por azulejos.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

quarta-feira, maio 14, 2025

Sobre este dia 13 de Maio

 

Depois de um dia de galdeirice, apetecer-me-ia reportar essa actividade. Mas, noblesse oblige, face à indisposição do Ventura, não me parece que haja clima para grandes bordejos. 

Direi apenas que o almoço foi composto de petiscos em versão comida de autor e que, de cada vez que vinha o prato, eu pensava: 'já foste'. Coisinhas pequeninas cuidadosamente dispostas, circundadas por nano-caules ou nano-folhinhas, tudo em versão lilliput. Muito bem confeccionado, tudo saboroso e bonito. 

Curiosamente, saí de lá bem, confortada, e, mais curiosamente ainda, cheguei à hora de jantar sem fome.

Enquanto lá estávamos -- numa mesa junto ao vidro que dá para a rua --, fui à casa de banho. Contou-me o meu marido quando voltei que, nesse ínterim, tinha passado uma conceituada jornalista, conhecida pela sua pretensa sabedoria e pela sua conhecida animosidade, diria até mau feitio, contra alguns ódios de estimação. O meu marido estava um pouco desconfortável com o que viu, disse que a senhora, a andar, quase parece meio trôpega (embora não tenha idade para isso), que tem uma figura um pouco embaraçosa, nada a ver com a pose algo superior com que se apresenta ao balcão do comentário televisivo. Cada um é como é e ninguém tem nada a ver com isso nem tem que alvitrar palpites sobre o tema. Mas, na verdade, já não é a primeira nem a segunda nem a terceira vez que, vendo ao vivo os temíveis jornalistas ou comentadores televisivos, penso: 'coitados... na verdade não metem medo a ninguém...'. É a televisão que é a arma temível, não as (por vezes) fracas figuras que por lá peroram.

Não há muito, íamos no passeio atrás de um que tem a mania que pode demolir políticos, em especial se forem mais à esquerda. Escreve e fala sempre assanhadamente como se tivesse na manga segredos e podres capazes de atirar os seus alvos para a sargeta. Ia ao telefone, a trocar informações com alguma fonte. E eu, que tenho um ladozinho um bocado infantil, ao vê-lo com ar de totó, só pensava: agora era tão fácil passar-lhe uma rasteira... e lá ia o temível jornalista com os cornos ao chão. Mas, claro, a minha mente policia-me e impede-me de concretizar essas inocentes diabruras. Aliás, acérrima polícia de costumes que também é, até me impede de verbalizar expressões mais vernaculares. Fica tudo dentro da minha cabeça.

Posso também acrescentar que, de regresso a casa, passámos pelo supermercado. Havia choquinhos na bancada do peixe e não resisti a trazê-los para os cozer com tinta. O meu marido perguntou se não ficariam bons assados no forno. Não me pareceu, eram miúdos demais. 

Lavo-os bem. Por acaso estavam carregados de areia, lavei e lavei e lavei. Não arranjo, cozo-os com todas as suas vísceras e tentáculos. Cozo-os só em água, não muita. Nem sal ponho pois eles mesmos se encarregam de salgar a água. A água fica negra, claro. Quando estão macios, junto batata doce cor de laranja e roxa, com casca, cortadas às fatias grossas. Ficam tingidas e saborosas. Depois é que arranjo e tempero.

Só que, depois de ter colocado as batatas, ligou a minha filha, ligou o meu filho, e as chamadas foram mais longas. Quando vim ter com o meu marido à sala, deu-me o cheiro. Sempre acabou por ter chocos assados. 

Felizmente, no tacho, coloco-os sempre com a prancha calcária para baixo. Por isso, o que foi à vida foi a membrana fina. Essa desapareceu, derretida no fundo do tacho. Depois as placas dos chocos ficaram castanhas, de queimadas que ficaram. Daí para cima ficou tudo bom, mas quase desfeito. Claro que o pior foi lavar o tacho. Tudo queimado, tudo negro, um cheiro a choco assado que nem vos digo nada. Caraças.

Mas estavam bons, embora quase tudo transformado em puré.

Também vi, depois, nas mensagens de um grupo de amigos, que um esteve doente e que ainda estará com um problema resultante da cirurgia, supostamente um mal menor. E fiquei como sempre fico quando sei de algum problema com os meus amigos, em especial os de longa data: parece que a modos que tolhida, talvez assustada. Tendo a pensar que eu e os que conheço de há séculos somos eternos, eternamente jovens, eternamente alegres, eternamente saudáveis. Quando constato que, de vez em quando, alguém adoece, fico triste, preocupada, com vontade de fazer ou dizer qualquer coisa para que se sintam animados, esperançosos, com optimismo, motivados para ultrapassar as dificuldades. Mas muitas vezes não digo nada com receio de que, ao transmitir uma mensagem de ânimo, deixe transparecer a minha preocupação. Mal comparado, foi o que aconteceu quando a minha mãe estava no hospital, muito mal, e, estando eu a querer animá-la, vejo aparecer um padre no quarto. Fiquei em pânico, com medo que ela percebesse que a morte estava a rondar. Lembro-me que enxotei o padre o mais educadamente que consegui mas numa aflição, receando que ele quisesse dar-lhe a extrema unção. E, de facto, no pouco que ele conseguiu dizer, houve lá umas palavras que me deixaram em transe, furiosa. Salvo erro, dirigindo-se a não sei que entidade, deus ou nossa senhora, não faço ideia, disse: 'recebe esta nossa irmã...'. Não sei se a minha mãe se apercebeu de alguma coisa mas eu fiquei traumatizada com isso. Mas, verdade seja dita, nem sei o que é que dá mais conforto a quem se sente menos bem, com incómodo físico, com receio do que por aí possa vir -- se é que tentem animá-los, tentem transmitir esperança e força, ou se é que lhes digam que se compreende o susto e o medo. Não sei. E acho que deveria saber pois posso agir desaquadamente numa altura em que alguém, estando mais vulnerável, precisaria do apoio devido.

Depois vi as imagens do André Ventura e também fiquei um bocado impressionada. Ainda por cima é bem mais novo do que eu julgava. Politicamente não posso estar mais distante dele. Tudo me separa do populismo. Mas se, a nível político, gostava que ele se estampasse nas eleições, a nível pessoal, não quero o seu mal. Se ele tem pais, imagino o medo que sentiram ao ver o filho agarrado ao peito e ao pescoço e a desfalecer. E depois o Chega é ele. Se ele se retirar de cena, nem que seja por uns dias, não há Chega para ninguém. E a ele, que de burro não tem nada, isso também deve preocupar. No seu íntimo, o seu sonho deve ser arranjar maneira de ainda chegar à liderança do PSD, um partido minimamente respeitável e não aquele aglomerado de gente desqualificada que é o Chega.

Mas, enfim, espero que melhore. 

E agora vou espreitar o instagram (@veramulanver) antes de me ir deitar. Aquilo é, verdadeiramente, um infinito caudal de cenas, uma janela de onde se vê o mundo (ou parte dele), uma imparável torrente de imagens e palavras efémeras. 

A minha filha no outro dia disse-me que deixar corações ou mensagens nas outras pessoas é importante para alcançar algum engagement -- e espero não estar a distorcer o que ela disse pois há ali uma lógica e uma semântica que ainda não domino bem. Acontece que, salvo raríssimas excepções, nunca me lembro de tal coisa. Aliás, sempre achei essa coisa dos likes uma puerilidade, uma fixação. As pessoas estarem a contar likes ou seguidores parece-me uma coisa tonta, um sinal de carência afectiva -- nem sei. Mas, na verdade, contra factos não há argumentos e tonta devo ser eu por estar tão fora destes tempos em que as redes sociais quase parece que tendem a substituir-se ao mundo real. 

Para já, tenho 251 seguidores, e, tal como ficava estupefacta por tantas pessoas descobrirem o meu blog, agora também fico admirada quando pessoas que não faço ideia quem sejam se tornam minhas seguidoras. Sinto-me agradecida. Comecei a ter conta de instagram em Fevereiro e não faço ideia se 251 seguidores é um número que não envergonha ou se é tão pouco que até dá pena. Mas, seja como for, é o meu ritmo. Não quero nem sei nem me apetece andar à pesca de seguidores. 

Também acontece que, acho eu, tudo o que ponho no Instagram vai também para o Facebook. Mas eu nunca vou ao Facebook, esqueço-me, parece que não me entendo com aquilo, parece-me antiquado, não sei. Mas, volta e meia, reparo que tenho mails a dizer que tenho notificações. Vou ver e são pessoas a quererem ser minhas amigas no Facebook. Mas, como aquilo é público, acho que não tenho que fazer nada. Se querem ser minhas amigas ou seguidoras, pois muito bem, que sejam. O pior é se eu tenho que as puxar ou dar algum ok e estou a deixá-las penduradas. Tenho que me informar. Não quero parecer desagradável ou que pensem que estou armada em coquette.

E é isto.

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Dias felizes

segunda-feira, maio 05, 2025

Nem vale muito a pena falar nisto de ser Dia da Mãe. Todos os dias o são. Soa a banalidade mas é o que é.
Mas foi um feliz dia de domingo, lá isso foi.



Este domingo foi como devem ser todos os domingos: felizes. 

Entre nós dois decidimos o que seria a ementa e, como sempre, há um lado meu que puxa para a complicação. O resultado final parece simples mas a confecção é demorada. O que o meu marido fez, em contrapartida, é fácil e rápido. Com isto estive quase em contínuo das onze da manhã até às cinco da tarde a cozinhar, a preparar. Faço com gosto. 

Já agora, para não parecer que estou a fazer caixinha, digo o que fiz.

  • Canja (com carne desfiada, massinha de letrinhas e ovo)
  • Salada (com couve roxa, alface, maçã, bolinhas de mozarella)
  • Ovos recheados (foi o que o meu marido fez. Cozeu ovos, depois abriu ao meio, retirou a gema, misturou crème fraiche, sumo de limão e pickle e noutros, à gema misturou queijo cottage, filetes de salmão e sumo de limão. Com isso, voltou a encher a cavidade dos ovos)
  • Tortellini de ricotta e espinafre e de beringela e mozarela. Depois de temperado com azeite e vinagre balsâmico,  por cima, salmão fumado.
  • Cenoura à algarvia
  • Bola de carnes, segundo a minha receita mas não fiz só com frango do campo, juntei também rojões de porco, chouriço de carne e farinheira. Ficou enorme pelo que, no fim, levaram um bocado para as respectivas casas. 
  • Frutas diversas
  • Pasteis de nata (trazidos)

Depois, antes que chegassem, fui mudar de roupa, soltar o cabelo, pôr uma sombrazinha. E caí na asneira de pôr um puffzinho de perfume. O meu marido embirrou logo. Fui para a rua para arejar, a ver se não se dava muito por ela. Afinal a minha filha também se queixou. Portanto, fui mudar outra vez de roupa.

E, estando cá todos, depois de alguma convivência, passou-se à parte do repasto que é sempre uma festa, com muita conversa, muito apetite e boa disposição. Um dos meninos tinha vindo de ser apanha-bolas num jogo de futebol e ainda vinha com a pica toda. Outro tinha tido jogo de manhã. Outro tinha tido jogo no sábado à tarde. E o apanha-bolas tinha tido dois jogos no sábado de manhã. O mais novo, treino na sexta ao fim do dia. Portanto, como é bom de ver, o tema futebol está sempre muito presente. E sabem tudo o que há a saber: pontos, posições, opções do treinador, e não sei dizer mais o quê pois, quando o tema aprofunda, eu desligo.

A menina, também já mais alta que eu, não está nem aí para o futebol e trazia uns cadernos ou umas folhas ou uns moldes, uma coisa que, segundo ela, fui eu que lhe dei. Já não me lembro, já deve ter sido há bastante tempo. 

Fofos, mais lindos.

Quando se foram, eu e o meu marido fomos fazer uma pequena caminhada com o nosso cão. Ao regressarmos a casa, ele dirigiu-se imediatamente para o seu canto e foi dormir. Ele, o cão, claro.

Quanto ao meu marido, pôs-se a ver o Sporting, segundo disse o jogo era decisivo (aliás, dois dos meninos já me tinham dito isso) e eu fui para outro lado ver o debate... E, tiro e queda, ao fim de um bocado, adormeci. Depois lá consegui ir arrebitando -- intermitentemente -- mas sempre a querer deslizar para os braços do morfeu. 

Por isso, não será sério pôr-me aqui a tecer considerações sobre o desempenho dos debatentes. Do que vi melhor, gostei da frontalidade e das boas ideias do Rui Tavares e pareceu-me que o Raimundo estava invulgarmente claro e a dizer algumas acertadas. Da Mortágua não me lembro. Da Inês do PAN, do que vi, pareceu-me bem, sempre muito eficaz, sempre focada, mas se quiser aqui referir um tema apontado por ela, lamento, só me lembro da forma, não do conteúdo. Sinceramente não estou a lembrar-me da prestação do Pedro Nuno Santos nem do Montenegro. Do Rocha também nada me ficou. E, numa das vezes em que acordei, estava o Carlos Daniel à nora com o Ventura, que não se calava nem por mais uma.

Por isso, lamentavelmente perdi o único debate conjunto na televisão -- mas também não sei se me teria sido muito útil. Tudo muito chato. Falta na nossa política nacional gente com garra, gente ousada, verdadeiros líderes, gente que aponte ao longe e se atravesse por essas ideias, gente em quem a gente aposte e acredite de olhos fechados. Talvez por isso, o meu corpo aproveite para desligar o interruptor quando eles estão a falar.

Portanto, o que tenho a dizer é que já aqui temos uma nova semana. Parece que ainda não é desta que vamos ter bom tempo mas, se não estiver muito frio e muita chuva, se não houver vendaval, trovoada e granizo já me darei por contente. Espero que sejam dias felizes para todos.

segunda-feira, março 24, 2025

Lanche ajantarado

 

A modalidade nos últimos fins de semana tem sido o lanche ajantarado. Em época de testes, assim conseguem aproveitar melhor o tempo de estudo. Chegando por volta das quatro e tal ou cinco, dá para conviver, depois lanchamos, conversamos, e, quando vão, já não precisam de ir jantar, quando muito petiscam ou ceiam. E eu gosto desta versão pois, como gosto de improvisar e variar, posso fazer várias coisas, sempre na expectativa de que possam ter por onde escolher.

De cada vez, tenho uma ideia. Penso no que uns gostam e avanço por aí, sei que outros nem por isso e evito ou arranjo alternativa. Claro que tenho sempre aquelas velhas dúvidas quanto às quantidades. Pelo sim pelo não, faço a mais, pensando que é bom que sobre pois, se quiserem, podem levar marmita para o dia seguinte.

Para este domingo o meu marido disse que podíamos fazer bifanas e eu lembrei-me de fazer uma quiche de frango assado, uma quiche de camarão e uma tortilha de salmão. E para sobremesa resolvi fazer uma coisa que vi no instagram, com aveia e tangerina.

Fui ao supermercado e, como sempre, não levei lista. Penso sempre que não vale a pena, pois, à medida que for passando nos corredores, vou-me lembrando do que preciso. 

No entanto, quando já estava perto da caixa com o carrinho a transbordar e de tal forma pesado que mal o conseguia manobrar, vi que me tinha esquecido da massa quebrada para as quiches. Claro que poderia fazer em casa mas, no meio da azáfama que são as minhas culinárias, seria inútil perder tempo com uma coisa que se se compra feita e que é boa. Lá fui. 

E lá voltei para a caixa.

Mal cheguei a casa, vi que me tinha esquecido de comprar frango assado. Gaita. E nem cru o tinha. Ou seja, quiche de frango assado já era. Fiquei passada. Apostava tanto naquela quichezinha...

Como trouxe costeletas para o almoço -- e em quantidade generosa, já a contar que sobrassem para o almoço desta segunda --, pensei que teria que ser quiche de costeletas. Quem não tem cão, caça com gato. E assim foi, desossei e parti em bocadinhos quatro costeletas fritas de cebolada, juntei a cebola, juntei uma boa quantidade de espinafres que tinha amolecido por cima das costeletas (depois destas já estarem fritas), e com o leite, os ovos e queijo ralado por cima bem com bacon aos minicubos, fez-se.

A quiche de gambas fiz com crème fraiche, ovos e um pouco de ketchup. Para evitar gordices, não usei natas nas quiches. Tinha fritado os camarões ainda com casca, com louro e alho. Depois o meu marido descascou-os e tirou a tripinha, abrindo-os ao meio longitudinalmente. Eram grandes. O caldo da fritura foi misturado com o resto. Como tinha 'planchado' uns lombos de salmão, também com alho, cebola, louro, e receando que os camarões, apesar de muitos e grandes, se perdessem na quiche (dado que têm uma textura muito leve, praticamente neutra), lasquei ainda um lombo de salmão dos que tinha feito para a tortilha. Penso que estava boa (não comi pois sou alérgica a marisco de casca encarnada). Mas, de facto, o meu filho disse que a textura dos camarões perdia-se na quiche, mais valia que se tivessem comido por si só.

Para a tortilha, estufei, com um pouco de azeite, legumes variados (cenoura ralada, alho francês, couve lombarda, micro bocadinhos de pimento, cebola, salsa, batatas aos cubos). Quando estava cozinhado, lasquei os lombos de salmão, juntei seis ovos, envolvi tudo. Aqueci uma frigideira muito grande e, quando o azeite estava quente, deitei tudo lá para dentro. Depois foi aquela cena de rodar a frigideira para não se pegar, depois de tostado virar com um prato grande, voltar a colocar, rodar, etc, e mais uma vez.

E fritei as bifanas de porco. Tinha comprado vinte e tal bifanas. Quando estava a fritar, pensei que era um exagero. Depois do resto, ninguém comeria tanta bifana. O meu marido também achou demais mas disse que fritasse, o que sobrasse eles levariam.

Foi tudo para a mesa bem como uma taça de salada de alface. E o meu marido levou a frigideira com as bifanas para a mesa, disse que cada um faria as que entendesse. Aqueci um monte de bolinhas de Rio Maior que também foram para a mesa bem como mostarda e ketchup. 

Resultado: sobrou um pouco de tortilha, pouco, uma fatia pequena de quiche de camarão e duas míseras bifanas. Fiquei zonza. Quando tinha acabado de fazer aquilo tudo, juraria que tinha sido um daqueles exageros de que sempre me acusam. Mas não. Para a próxima tem que ser mais. E nem sei se o mais novo não é o que come mais. Como dizia a minha avó, 'benza-o Deus'. Dá gosto vê-lo comer. E aprecia. E dá opinião. Até o 'doce' ele comeu de gosto. Meu rico menino.

E o que comem vê-se: estão todos a ficar enormes. Não imaginam como fico pequena ao lado deles quase todos. Um deles, o que está quase a fazer catorze anos, quando passou junto ao muro de lado  -- para ir com o primo e o tio para ajudarem o avô que não tinha conseguido desencarcerar sozinho um dos troncos grandes que se quebraram na noite de vendaval  -- perguntou-me: 'O muro sempre foi assim tão pequeno?'. E não estava a fazer-se engraçado. Não. Estava mesmo intrigado. É que antes ele era bem mais pequeno que o muro. Agora está quase da mesma altura. Uma coisa impressionante.

Mas falta falar do doce. Aí é que não acharam muita graça. Lá está: não gosto de fazer doces, não tenho mão. Fiz uma papa de aveia com leite, com quatro ovos, casca de duas tangerinas e, lá dentro, não me lembro se quatro ou cinco tangerinas (sem caroço). Ainda dois paus de canela e açúcar mascavado. Como geralmente nunca ponho açúcar em nada, tenho sempre receio que, ao pôr, fique doce demais. Por isso não pus muito. Provei e pareceu-me bom. Depois de estar bem cozido, grossinho, e etc, retirei os paus de canela e a casca das tangerinas e triturei bem tudo o resto, até ficar bem cremoso. Quando fui pôr no maior tabuleiro que tenho, quase deitava por fora. Fiz uma quantidade exagerada. Voltei a colocar os paus de canela e polvilhei. Quando provaram, estranharam pois acharam que eu me tinha esquecido do açúcar. Uns juntaram mais açúcar e já toleraram. Acharam que parecia papa de pequeno-almoço. 

Também tinha feito um tabuleiro de frutas. Disponho em riscas. Uvas brancas. Mirtilos. Gomos de tangerina. Morangos. Papaia aos cubos. Acho que fica bonito. Tiram à mão e servem-se. Voa num instante. 

Como sobrou imensa 'papa' (não sei como me saiu tamanha quantidade...) levaram  para comerem à noite, à ceia, ou, então, ao pequeno-almoço. Lá proteica e saudável é. 

Ficou um bocado para o meu marido que disse que gostou.

E é isto. 

Sobre o resultado das eleições na Madeira não falo. Indispõe-me. Há coisas que custam a perceber. Também me poupei à conversa do Portas. Vi o Louçã no Isto é Gozar com quem trabalha. Foi desenterrado pela Mortágua. E, para meu espanto, constatei que elege como inimigo o PS. Uma coisa surreal. Grande parte do tempo a cascar no PS -- isto em vez de cascar no Chega. Gente com astigmatismo político, caraças.

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Uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

Dias felizes

domingo, fevereiro 16, 2025

MasterChef

 

Se há programa gostoso de ver é o MasterChef. Conseguimos acompanhar os movimentos, os tempos, as delicadezas, os cuidados, os termos da arte que é cozinhar. 

Corrijo: da arte e da técnica. Não basta intuição, embora seja indispensável. A técnica é importantíssima. Vejo com fascínio, surpreendida com passos que dão, com premissas, com volteios que a mim nunca me ocorreriam.

Desde pequena que gosto de cozinhar. 

Um dos meus brinquedos de estimação era um pequeno fogareiro de barro que me tinham comprado na Feira e tachinhos. Era eu bem pequena e já ali fazia 'comidinhas'. Uma vez, teríamos uns nove anos, juntámo-nos vários miúdos do bairro e, com o acordo das nossas mães, fomos sozinhos ao mercado para sermos nós, nesse dia, a fazer o nosso almoço. Uma festa. Sentíamo-nos independentes, felizes da vida. Comprámos carapauzinhos para fritar e tomate e cebola e salsa para fazermos arroz de tomate. Quando chegámos, obviamente não deixaram que fritássemos, nós, o peixe. Fritou-os a mãe de uma das minhas amigas. Mas fui eu que, com a ajuda de todos, fiz o arroz de tomate. Parece que ainda me lembro do cheirinho, do sabor, do maravilhoso sentimento de superação e realização.

Quando andava no liceu e tinha aulas apenas de manhã, como a minha mãe só chegava a casa ao fim da tarde, tal como o meu pai, frequentemente era eu que fazia o jantar. Fazia estufados, guisados, apurava o tempero. Quando os meus pais diziam que chegavam ao portão e já sentiam o cheirinho da minha comidinha caseira.

E continuo assim, amadora, intuitiva. Não tenho muita paciência para os requintes das técnicas minuciosas. Mas gosto de ver. Uma mistura de química, de biologia, de física, de estética. E de alma.

Ver os concorrentes do MasterChef a evoluírem, a apresentarem pratos complexos, criativos, bonitos, certamente saborosos, é um prazer.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

sexta-feira, janeiro 24, 2025

Por acaso, o dia até não foi mau de todo

 

E eu achar isto dá bem a dimensão, bem pequenina, das minhas expectativas.

Enfim.

Desde que, no verão de 2021, a clínica em que tinha feito um ECG de rotina se assustou com o que viu e  accionou o protocolo dos enfartes agudos de miocárdio, chamando o INEM que -- tendo visto os exames e tendo-me feito não sei o quê mais (eu estava baralhada de todo com o que estava a acontecer e acho que nem dei bem pelos exames que me fizeram) --, me puseram numa ambulância a caminho de um hospital onde uma equipa me esperava para me conduzir à sala de reanimação, que sou vigiada por um cardiologista. Primeiro mais amiúde, agora de ano a ano.

Por isso, há dias fiz análises e hoje fui fazer um exame de cardiologia. Não posso dizer que vá completamente descansada pois o que aconteceu naquele dia vacinou-me. Geralmente com tensão arterial normal, a atirar para o baixa, e sem razões de queixa, naquele dia fui fazer o ECG como sempre o fiz: na maior, totalmente descontraída. Aliás, de tal forma que, ao princípio, nem percebi bem qual a razão das reservas da técnica que estava a fazer o exame nem exactamente o que se passou depois. Mas passei essa noite no hospital e tive depois que fazer exames atrás de exames. Portanto, aprendi a não ser tão ligeirinha.

Mas, de qualquer forma, não vou extraordinariamente preocupada. E, de tal forma que, tendo-me posto deitada de lado na marquesa (de tronco nu -- mas isso não vem ao caso), com o braço do lado sobre o qual estava deitada dobrado sob a cabeça, e tudo na penumbra enquanto o médico ia avaliando o estado da tubagem, das válvulas e do motor, o ritmo a que o sangue é bombeado, e etc, por duas ou três vezes tive que me espertar pois senti que estava mesmo quase a adormecer. E não teria jeito nenhum.

Mas, tirando ali uma observação a propósito de um certo mas leve desalinhamento, parece que so far so good. Trouxe logo o relatório e isso também foi agradável.

Portanto, foi bom.

Dali fui ao supermercado e, para além das coisecas que lá me tinham levado, passei pela banca do peixe e vi uns belos chocos frescos. Não resisti. Não é do mais aconselhável para o jantar mas, enfim, muito mau também não será, e, além disso, jantámos por volta das oito da noite, dá tempo a fazer a digestão antes de ir para a cama. E os chocos estavam mesmo bons. Fresquinhos, quase a saberem a mar, os interiores carregadinhos e saborosos, a tinta bastante activa mas gomosa. Temperei com cebola fresca às rodelas fininhas, salsa, vinagre de sidra e azeite. Acompanhei com batata e batata doce cozidas com casca, cenoura e feijão verde. Soube-nos mesmo bem.

Fui ainda ao Celeiro. Trouxe as cápsulas de Omega 3 que tinha ido comprar e, gulosa como sou, aproveitei para trazer uma fatia de torta de cenoura. Quando estava a pagar, reparei que as duas empregadas da caixa estavam enlevadas a olharem para a mulher jovem, pequenina, magrita, elegante, que estava à minha frente. Pareceu-me reconhecer vagamente a dita mas sem saber quem. Quando saiu, as duas empregadas olharam uma para a outra, sorriram, disseram uma à outra que tinham logo visto quem era. E estavam como se lhes tivesse saído o euromilhões, como se tivessem visto uma diva em carne e osso.

Quando ia no carro, ocorreu-me um nome. Googlei. Era ela. A mulher de um jovem também muito conhecido. Ela não sei se é apenas influencer e mulher dele ou se faz mais alguma coisa. 

Mas o embevecimento daquelas duas senhoras da caixa pareceu-me comovente -- e estou a falar a sério. É que tudo isto é bem a ilustração dos tempos que correm

Dali ainda fomos fazer uma caminhada para um parque. Andar na natureza é sempre um bálsamo. 

Além disso o dia não esteve escuro nem pingão como nos dias antes e isso também é bom.

E agora vou ver a telenovela Promessa que tenho gostado de ver e que tem desempenhos fantásticos, soberbos, de vários actores.

A seguir irei esforçar-me por não adormecer (hoje ainda eu estava a dormir e já o telefone me tocava pelo que estou com o sono em falta). Quero ver o Eixo do Mal pois sempre quero ver o que se vai dizer depois de uma semana tão cheia de espectáculos de tipo revisteiro, rocambolesco ou grotesco.