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quinta-feira, outubro 10, 2019

MENstruação - coisa também de homens...?
[E, de passagem, um breve lamiré sobre o Montenegro a querer restaurar o cavaquismo e o passismo como forma de curar as laranjas do bicho-rio]





Já aqui falei de menstruação: de como me chegou tarde o que muito me inquietou quando era menina moça, de como uma vez fiquei com a saia branca toda manchada de sangue tendo sido um colega que, completamente encabulado, me avisou, de como ao fim de nove meses de gravidez mais uma data deles sem ela (talvez por estar a amamentar) quando apareceu me ter pregado um susto, julgando eu estar com perigosa hemorragia, tendo sido o meu marido a sossegar-me ('Não será a menstruação?').

Também já falei de quando se foi sem deixar saudades e sem que a sua ausência me tenha causado agasturas, calores, securas ou outros transtornos.


Por isso, não é disso que vou falar. Vou falar é do que se passou ao longo dos férteis anos em que sangrei.

E o que é importante é que os homens saibam que as mulheres são seres fortes e milagrosos. Quando se pensa nisso tem que se reconhecer que o que se passa no corpo das mulheres é coisa mágica.

A mim sempre me doeu muito. No dia antes de aparecer sentia um incómodo surdo e profundo no baixo frente. Depois doía mesmo. E sangrava. Sempre fui de abundâncias. Tinha que ter pensos dos muito absorventes e tinha que levar sempre uns quantos de reserva para ir mudando. Depois, como tinha pavor que passasse para a roupa, passei a usar tampão e andava sempre a mudá-los. E muitas vezes, nos primeiros dias, usava tampão e um penso fininho para o caso de o tampão não absorver tudo ou de estar nalguma reunião e não poder trocar. Aliás, agora que falo nisso, lembro-me que odiava ter reuniões prolongadas quando estava com o período pois, se estava com o tampão, sentia que estava ensopado até à quinta casa e, se estava com penso, temia que voltasse a passar para a saia.


Mas o tampão tinha outra. Quando ia para a praia ou para a piscina obviamente que tinha que ser tampão. E não tem conta as vezes que o meu marido me avisava que estava a aparecer uma ponta do fio. Um horror. Ainda agora, por vezes, quando estou deitada na praia me ocorre espreitar não vá ter uma ponta de fio a espreitar na virilha.

Não sei se isto acontece com todas as mulheres. Comigo aconteceu. E acontece. Parece que, por vezes, me lembro ainda daquela dor cava, rasgão dolente no interior do baixo frente.

E havia um outro aspecto negativo. Aquela coisa de que tanto se fala, o TPM ou SPM, síndrome ou transtorno pré-menstrual, comigo não era mito urbano, era realidade e da pesada. Para aí dois dias antes e, em especial na véspera, eu ficava prestes a explodir. Uma impaciência inexplicável tomava conta de mim. Tinha que me conter, mas conter muito, para não mostrar que uma raiva descontrolada crescia dentro de mim, muitas vezes por coisas de nada. Outras vezes, a explosão acontecia e era de uma tal violência, uma tal fúria que se auto-alimentava que, volta e meia, a coisa acabava comigo lavada em lágrimas porque a guerra tinha ido num tal crescendo que só podia acabar num esvaziamento total, incluindo o dos sacos lacrimais. Claro que no trabalho eu continha-me mas isso implicava que a coisa ia acumulando. Naqueles dias a irritação que eu sentia era uma coisa diabólica que eu tinha que tentar refrear. Mas, chegada a casa, era só aparecer o primeiro pretexto. Podia ser a porcaria mais insignificante que era como se se abrisse uma válvula. Depois, assim como vinha, assim ia. E daquela erupção, daquela lava torrencial e em brasa, nada restava. Até ao mês seguinte. Nunca me deu para tentar saber a explicação para isto pois saber ou não saber ia dar no mesmo mas deve ter a ver com um fervilhão hormonal em que diabo nenhum conseguia ter mão.

Isto vinha frequentemente a par de uma dor de cabeça do caneco. Era normal ter que tomar um ben.u.ron pois a par da raiva mal contida vinha uma tensão danada na cabeça que parecia querer explodir.


E vem isto ao caso porque li de uma campanha publicitária que brinca com a hipótese de não serem só as mulheres a passar por isto. Haveria de ter graça. Os homens terem uma parte do corpo que todos os meses se atapetava, se cobria de uma manta macia e fofa para poder acolher uma vida nova e, quando isso não acontecesse, ir tudo fora para que a caminha esteja feita de novo e limpa todos os meses. Sangue fresco, espesso, escorrendo do corpo. Dores nas entranhas. A alma em revolução. Melhor ainda se a vida pudesse mesmo ser gerada no interior do seu corpo, a barriga a crescer, um serzinho a dar cambalhotas e pontapés dentro deles. E os seios a incharem, os mamilos a repuxarem. Havia de ser giro: um drama pegado. Maricas como são, haveria de ser um fartote, sempre feitos vítimas.


Mas vejam, tem graça.

É a campanha da Thinx, uma linha de lingerie adequada àquela altura do mês.


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Não consegui identificar os autores das pinturas que escorrem sangue mas sei que é Anna Caterina Antonacci que aqui vem de novo mostrar o que é uma mulher em brasa

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E não venham dizer-me que estavam era à espera que eu comentasse aquilo do Montenegro. Nem pó. Com o sono com que estou, ia mesmo falar dele, ia, ia. Só se fosse para dizer que ou o tecido das gravatas que usa não é bom ou é ele que não sabe fazer o nó. Ou as duas coisas. Ou então não tem pinta para usar gravata. O nó das gravatas às vezes está razoável mas é só às vezes pois, em geral, aquele nó parece um matacão mal parido, torto, um calhau mal jeitoso. Ou então é ele que é assim. Portugal estava um miminho, os portugueses é que não, dizia o puxa-saco do Láparo. Portanto, depois da múmia sair da marquise para vir louvar a Marilú eis que agora é o joker de trazer por casa, o caralinda do passismo, a aparecer a querer ressuscitar o cavaquismo e o laparismo. Boa malha. Portanto, depois do dia de ontem e da noite quase não dormida, ia mesmo gastar a minha beleza a falar disso. Era o ias. Falo da menstruação para homens e é um pau por um olho.

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E agora só vos digo que relevante é o que os 20 filhos da mãe do post abaixo andam a fazer ao ar que respiramos.

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quinta-feira, setembro 26, 2019

A quem possa interessar





Quando queremos dizer uma coisa e os outros não o percebem, das duas uma: ou nós não comunicámos bem ou os outros não captaram bem.

Ontem escrevi um post que era, todo ele, uma alusão a alguns critérios de selecção do partido em que votar nas próximas eleições. Ironizei, metaforizei. Mas, porque me apercebi que posso não ter tido a habilidade suficiente para me fazer entender, volto ao tema.

1. Queria eu, ontem, dizer na minha: 
Se este PS provou ter competência, engenho e arte para inverter o rumo depressivo em que o País se encontrava ao tempo do PSD+CDS, se restituíu rendimentos aos portugueses, se devolveu a tranquilidade à maior parte das pessoas que deixaram de recear cortes nos ordenados ou aumentos de impostos, se reduziu drasticamente o desemprego, se reduziu o défice e a dívida pública, se provou à Europa que a austeridade não era o caminho certo e também que austeridade não é sinónimo de rigor nas contas, se conseguiu fazer pontes à esquerda abrindo o futuro aos mais desfavorecidos, se estancou a emigração dos mais jovens, se conseguiu pôr os olhos do mundo no exemplo deste nosso pequeno País, se não se antevê que haja outro partido melhor preparado para fazer mais e melhor... então porque não votar no PS?
Faz sentido que, gostando do PS, em vez de votar neles, vá votar noutro partido, correndo o risco de que, na contagem dos votos, em vez de termos o PS a poder continuar a governar, se fique perante um impasse governativo ou com o PSD a conseguir fazer novo governo em conjunto com o CDS da Cristas?
Eu acho que não, que não faz sentido correr tal risco. 

2. Queria também eu ontem dizer na minha: 
Se acho que a Catarina Martins desperdiçou a oportunidade de falar de temas importantes num debate em horário nobre com todos os candidatos, na RTP, pondo-se com quezílias irrelevantes para o futuro dos portugueses, trazendo para a discussão, à força e com deselegância, um tema de há quatro anos que não interessa nem ao Menino Jesus e com o qual pretendeu deixar ficar mal António Costa nem se sabe a propósito de quê, por que razão não haveria eu de dizê-lo com todas as letras? Porque a Catarina anda sempre ao colo da comunicação social? Porque tem um pendor populista que soa como música para os ouvidos de muito boa gente?  
Ou porque a Catarina agora meteu na cabeça que deve convencer os portugueses de que o acordo à esquerda foi gizado por ela e que tudo o que aconteceu de bom foi também obra dela, devo fazer de conta que não acho isso uma infantilidade, uma deslealdade e uma parvoíce só para não ir contra a boa imagem que a comunicação social quer construir dela?
Era o que faltava. Lamento mas eu, quando digo a minha opinião, não estou para usar meias palavras. Prefiro ser directa.

Ou seja, como disse acima, ontem travesti (ou pelo menos tentei) os argumentos que por aí vou ouvindo ou lendo sobre as eleições com o intuito de os desmontar ou demonstrar os seus riscos. O post era, pois, sobre isso. Sobre isso e sobre bolos. Não era sobre o que penso do Ronaldo, da Ana Gomes, do cão ou do canário, do chocolate negro ou dos caramelos de Badajoz, do chá ou do panaché de coca-cola. Embora, claro está, também fosse. Mas esse não era o foco.

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E porque isto das metáforas e das ironias, se não forem bem conseguidas ou bem percebidas, é  um risco, resolvi condimentar este post com imagens que parecem fotografias mas que não são. E pode parecer que, se as ponho aqui, é porque gosto muito delas e também não é o caso. Trata-se de pintura figurativa, por vezes hiper-realista, que pretende ser sensual. E eu acho que, para ser tão realista, mais valia ser fotografia. E, para ser sensual, não devia ter um ar tão bem comportadinho, tão bonitinho, tão cândido, com pudores envoltos em negligés transparentes e com folhinhos. Mas, lá está, é a minha opinião.

O pintor é Vicente Romero Redondo, um espanhol de 63 anos, que pinta que se farta e que não faço ideia em quem vota.


Quanto à habanera que escolhi para nos acompanhar, bem, aí a conversa já é outra. Ou, na volta, não. A vous de choisir. Faites vos jeux.

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Post scriptum, que é como quem diz PS

Gostei de ver a Joacine Katar Moreira com o Ricardo Araújo Pereira na TVI -- que, reconheça-se, se aguentou como um valente.

Com uma gaguez por vezes avassaladora, para além de bonita e com uns olhos muito expressivos,  Joacine tem uma alegria, uma descontração, um sentido de humor que, às tantas, depois de um primeiro embate em que quase pasmei com aqueles arranques em falso ou quase sofri por a palavra não lhe sair, acabei a admirá-la. Assim é que é. Uma lição para quem padece de complexos de inferioridade, geralmente infundados. 

quinta-feira, novembro 30, 2017

Aristóteles talvez explique o que se passou com Joshua Bell





Não é novidade, tenho-vos contado. Não gosto de decorar. Decorar = Fixar = Marrar. Não gosto. Nunca gostei. Enquanto estudei era o meu calcanhar de aquiles. Tudo o que fosse de decorar era um castigo. Não dava. Não que não tenha boa memória. Acho que, de certa forma, até a tenho. Mas selectiva que só ela. É o que ela quer. Nunca tive motivação para a forçar. Era assim. Continuo igual. Gosto de descobrir. Não gosto de mal-habituar o cérebro. Tudo há-de ser degustado como numa primeira vez.

E já nem sei se é causa ou consequência: se não me lembro porque a memória é de má qualidade ou se é por ser de qualidade de me deslumbrar de forma quase infantil que a memória já se acomodou a ficar a leste. Nunca consigo lembrar-me de citações, de títulos de livros ou canções, nunca nada em que possa mostrar que sei alguma coisa. Mas, se calhar, porque nunca me esforcei. 


A verdade é que espreito paredes e gestos, paisagens e pássaros, rostos e poemas como se nunca antes tivesse visto coisa que se parecesse. O meu marido agasta-se, não quer que eu esteja sempre a parar ou a abrandar para ver ou fotografar porque acha que já o fiz mil vezes antes. Mas eu acho que é sempre novo. Porque a luz é diferente, porque a envolvente é outra. Por mil motivos. Ele acha que é por mil maluquices. Não discuto. Não sei explicar. Só sei que é assim.

Sei de pessoas que perderam a capacidade de se deslumbrar porque se lembram de tudo o que conheceram antes e já nada lhes parece novo ou à altura do que aconteceu nos primórdios, nomeadamente na Grécia Antiga. Eu sou o oposto: laboriosamente cultivo a ignorância. Nem shazam nem bases de dados de coisa alguma, nem nada. Ler e ouvir às cegas, como se tivesse nascido naquele instante e nada mais esperasse do que conhecer o mundo.


Mas, claro, isto sou eu a dizer. O cérebro, apesar do meu esforço, regista e classifica algumas coisas e, portanto, volta e meia dou por mim desatenta em relação ao que a minha cabeça, por si, decreta ser déjà vu.

Portanto, não tenha dúvidas de que ignoro mais de metade do que me é dado conhecer: por cegueira, desatenção ou preguiça.

Arte, música, palavras. Quantas vezes passei por situações que, se atenta, me vergaria de admiração e que, por desatenção, as ignorei? Mil vezes. Mil vezes por dia.


Mas, pensando bem, a responsabilidade não é só minha. Sempre me questionei sobre isto, sobre a nossa incapacidade para abarcarmos toda a realidade ao nosso alcance e para a processarmos de forma abrangente. E agora fiquei a saber que, para que o click se dê e para que a coisa nos agarre tem que haver um misto de logos, ethos e pathos.


Fosse eu uma rapariga esperta e desenvolveria o tema. Mas não sou. Portanto, limitada que sou, cedo o passo a quem melhor o possa explicar.

O que Aristóteles e Joshua Belle nos podem ensinar sobre a persuasão



E, agora, abaixo, Joshua Bell, o conhecido violinista,  explicando o que se passou. A coisa não é de agora mas é interessante e intemporal: depois de encher salas de espectáculos com devotos que iam para o ouvir tocar (a ele e ao seu fantástico Stradivarius avaliado em milhões), em que ninguém discutia os 100 dólares por bilhete, aceitou fazer a experiência de ir tocar para o metro em Washington, D.C. Tocou durante 45 minutos as mesmas músicas que tinha tocado uns dias antes, incluindo Bach. Contudo, ninguém parou e apenas algumas pessoas lá deixaram umas moedas. Desprezo absoluto.


Tempos depois repetiu a experiência mas, desta vez, tendo anunciado que ali ia tocar. A estação encheu. Foi o delírio.

Joshua Bell na Estação de Metro de Union Station em Washington, DC



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O mesmo aconteceu com obras de Banksy vendidas no Central Park há um bom par de anos. Vendidas a preço de uva mijona. Obras que normalmente são vendidas por cerca de 20.000 estiveram à venda por $60. Pois bem. Ninguém quis saber. Pouco se vendeu. Provavelmente, outra vez, a aquela 'cena' do Aristóteles.
[Sempre os gregos, caraças...]


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Imoral da deshistória: por involuntários preconceitos, limitações intelectuais, deformações a nível de percepção ou por falta da conjugação certa das circunstâncias, mais de metade do que seriam opções válidas de interesse são, por nós, descartadas sem que, sequer, disso nos apercebamos.

E mais não digo.

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Fotografias feitas in heaven
Lá em cima é Je crois entendre encore de Bizet interpretado por Joshua Bell. 

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sábado, setembro 09, 2017

Pega de caras ao mar.
[5º de 6 posts]






Eh mar lindo... Eh mar lindo... Eh-eh-eh!

Nem de cernelha, nem à rabadilha. De caras. Pegar o mar pelos cornos. Uma lide taco a taco. A mulher enfrenta o mar. Venha ele.

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sexta-feira, junho 16, 2017

Em dia de calorão, o que hei-de vestir amanhã...?
[Isso e mais uma ou outra coisita]


Só para dizer que se hoje já esteve um calorão, amanhã nem sei. Já estive a ver o que haveria de vestir que me deixasse arejada e já descobri. Este aqui abaixo parece-me bem. Ponho-me ao lado do ar condicionado e deixo que o ar flua.


Só isto. Com este calor nem consigo ter inspiração para mais nada.

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Bem. Melhor não, melhor juntar mais qualquer coisa para não correr o risco de me pedirem a devolução do dinheiro do bilhete de entrada aqui neste espectáculo.

Junto um poema de Maria Teresa Horta, justamente intitulado 'Fogo': E que ela me desculpe por trazer as palavras dela ao seio de um post tão prosaico e destituído. 


Este é o meu labor
de fogo
nesta avidez insensata

de existir

entre a lírica
e o corpo
pela fundura do poço

a navalha da paixão
a rosa do alvoroço.

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E, já agora, a propósito de calor e paixão, mais uma coisita

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És de luz e também
rosto
de redondilha e paixão

imagética
do corpo
no prazer e no suposto

ou rasura e harmonia
de perdimento o oposto

Elegia e fogo posto

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E, depois do 'Fogo posto', termino como comecei: com um vestido. E com uma dúvida. Não sei se aquele vestido lá em cima não será um bocado arejado demais. Estou capaz de levar, antes, este aqui em baixo. É mais discreto, talvez mais adequado ao trabalho em ambiente de escritório. Tenho é que ainda ir fazer-lhe uma bainha que, assim comprido, é capaz de me fazer calor nas pernas.


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Então, até já.

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PS

É verdade. Sobre aquilo da Agência do Medicamento acho mal que seja em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Braga, em Faro, em Évora, em Beja, em Viana do Castelo e do Alentejo, etc, etc, etc.

Já volto para dizer para onde vai o meu voto. E atenção que o meu voto é quente. Só voto em hipóteses ganhadoras. Follow me.

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domingo, julho 03, 2016

O fogo, a ardência, o sangue, o vinho bem tinto, a carne viva, o vermelho, carmim, encarnado, rouge, red.
Estas são as minhas cores preferidas
Faça também o teste baseado na teoria Lüscher da cor e descubra os traços dominantes da sua personalidade


O meu Barnett e eu



Se vejo o mar em azul-sedutor ou em azul quase verde-atraente ou mesmo em azul quase chumbo, sombra e suspeita -- eu gosto.

Se o céu está azul e limpo, ou luminoso e tranquilo -- eu gosto. Ou, ao anoitecer, quando se transforma em azul quase submarino -- eu gosto.

Mas, se tenho que escolher uma cor, não é o azul que tantas vezes procuro que escolho. Eu escolho o fogo, a ardência, o sangue, o vinho bem tinto, a carne viva, o vermelho, carmim, encarnado, rouge, red.

Há pouco estive a ver o rio envolto em dourado, o casario suavíssimo, as serras banhadas pela luz do ocaso. A janela estava cheia de céu e rio. Lindíssimo. Entrava uma aragem fresca, que condizia com a brandura desta paz dulcíssima que se sente na minha sala. E, no entanto, se tivesse que escolher a cor desse instante, sem pensar, eu escolheria o fogo que se escondia por detrás do horizonte.

Antes, in heaven, eu tinha estado entre as portadas da sala a espreitar o calor ardente da tarde, aspirando o ar quente e docemente perfumado das flores do loendro.



Macias as pétalas, quase húmidas de doçura, um rosa forte que é encarnado temperado com pingos de branco, talvez um leve pingo de azul sentimental.
(Que saudades sinto de pintar, se temperar as cores, de misturar brilhos, caprichos)
Desta flor olorosa se desprende um perfume que atrai os pássaros, que prende os corações, que inspira poetas. A luz pousa nas flores, enche-as de reflexos luminosos e eu, na sombra da sala, entre os cortinados, espreito a luz e o calor e, quando reparo, é sobre os vermelhos que o meu olhar também pousa.

Quando começa a entardecer, como uma gata encalorada, vagueio pelo exterior, junto à sombra, procurando a frescura que transpira das grossas paredes.

A buganvília está florida. Não é de vermelho-puro: é fúcsia, as pétalas quase de papel, discreta não fora a cor coquette. Trepa pela parede, toda ela tão feminina, vestida de folhas verde e amarelo, pétalas chamativas.

[Tantas flores que vi e, no entanto, ao fotografar foram estes os tons que predominantemente escolhi. E se por lá há arbustos cobertos de flores brancas... Porquê?]


Já de manhã, na praia, tinha andado em busca dos pólens que, quais pós das estrelas, salpicam as pétalas que são sedas suaves das flores que tingem de cores vibrantes as dunas. Magentas, fúcsias, pinks. As dunas ardendo ao sol e brilhando em tons gritantemente coloridos.


Enquanto escrevo, olho à minha volta. Esta sala é grande. Um dia achei que a parede do fundo, onde estão os sofás em cor quente, precisava de estar pintada de cor de sangue. O assunto foi polémico. Deu muita luta. Mas aqui está ela, uma parede em cor de sangue bem forte. Linda. Sobre ela um quadro que pintei, todo ele cores de fogo, chamas petulantes, céus de perdição, um corpo nu de mulher atravessando uma noite quente.

Gosto de ver casas claras, de móveis claros, sofás claros. E, no entanto, onde vivo não há neutralidade. As cores impõem a sua presença. Há vibração, intensidade, calor. Confesso: não suportaria viver numa casa escura, preciso de viver entre cores quentes.

O encarnado e todas as suas derivações, a chama, a intensidade, a vibração plena de vida -- essas são as cores que correm dentro de mim.

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E vem esta conversa a propósito de um teste que mão amiga, sabendo da minha gulodice por testes de toda a espécie e feitio, me fez chegar.

This Scientific Color Test Will Reveal Your True Personality Traits


Reza assim: Este teste é inspirado pela conhecida teoria Lüscher da cor, que teoriza acerca de os traços de personalidade de uma pessoa poderem ser identificados a partir das suas escolhas de cores


Fiz o teste, claro está. O resultado não me espantou.

Red

Based on this test, you were mostly drawn to the color red. Like a fire, you burn with passion and desire. 

Your dominant personality trait is your ardency. You are dynamic, powerful, strong, sexy, and exciting. 

Because you're so intense, you can be very aggressive. 

You are a determined and highly competitive person who invests 100% in everything you do.

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Roll the Dice de Charles Bukowski

(lido por Tom O'Bedlam)

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Lá em cima, uma vez mais a Habanera da Carmen de Bizet 
numa fantástica interpretação de Anna Caterina Antonacci (The Royal Opera)



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Convido-vos, agora, a irem de visita até ao meu outro blog, o Ginjal e Lisboa onde hoje vou pela mão de Fernando Pinto Amaral.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.


sexta-feira, janeiro 22, 2016

Sopa de peixe à alentejana, reguengos tinto e queijo -- na companhia da Carmen e com flores sobre a mesa. Ah, o amor é um pássaro rebelde.


Se, por acaso, leram o post abaixo, já viram a principal razão de eu ter chegado a casa a lindas horas: fui buscar um quadro que tinha posto a emoldurar já que, por ser um óleo sobre uma tela muito alta e não haver molduras feitas que lhe servissem, teve que ser feito à medida. Escolhemos uma moldura dupla: por dentro há uma com filet dourado e base preta que faz o efeito de passe-partout e, por fora, uma outra em talha. O outro quadro, uma aguarela, que também mostro no post seguinte, deu para ser emoldurado com uma daquelas molduras já feitas que há no Leroy Merlin (por menos de 30 euros) e que são bem bonitas. 

Mas, então, dizia eu, fui buscar o quadro ao fim do dia. Não tinha saído cedo, depois apanhei um trânsito infernal (Lisboa ao fim do dia e com chuva é para esquecer; o que vale é que ponho os telefonemas em dia e posso estar a falar à vontade: com a minha filha, com a minha mãe) e, para ajudar à festa, quando cheguei à loja, a moldura ainda não estava feita.
[Mas, antes de ir ao que interessa, façamo-nos acompanhar a preceito. 
Que entre, pois, a Anna Caterina que, por aqui, é sempre bem vinda e que, com ela, traga a Carmen, que, assim, a festa estará garantida. 
E deixem que, entretanto, vá já pondo flores sobre a mesa]




Entretanto, tinha-me auto-incumbido de ir ao supermercado para comprar a comida para o jantar. Portanto, cheguei a casa já passava bem das nove. E, se estou a relatar coisa que não interessa nem ao menino jesus, é porque -- talvez por me ter sentado aqui tão tarde, e isto depois de um dia de trabalho -- estou sem grande cabeça e me apetece contar-vos o que fiz para o jantar: uma refeição rápida, saudável, económica e boa. Trouxe os ingredientes praticamente todos do supermercado.


Mal cheguei a casa, a grande velocidade, descalcei-me, mudei de roupa, lavei as mãos e, ala moço que se faz tarde, para a cozinha.

Numa panela, deitei azeite, duas cebolas cortadas aos bocados e uns cinco dentes de alho e fritei tudo ligeiramente. A seguir juntei cinco tomates maduros, também cortados aos pedaços (uso dos de rama porque parece que são os únicos que cheiram e sabem a tomate). Envolvi-os na cebola e no azeite e deixei que amolecessem. Juntei água, talvez uns três copos, não me lembro, e três batatas médias, descascadas, também aos bocados. Juntei sal, deixei que levantasse fervura. Depois baixei a temperatura. Nessa altura, desse caldo, retirei um bocado para um tacho e juntei uma posta grande e alta de cherne que tinha comprado congelada. Antes de a pôr no tacho, escamei-a, já que (do supermercado para casa, com a passagem pela loja das molduras) tinha mais ou menos descongelado. Juntei-a então ao caldo, mais duas folhas de louro e quatro ovos (descascados). Depois de levantar fervura, baixei.

Enquanto isto cozinhava (e o meu marido só a perguntar, lá de dentro, se demorava muito), fui pendurar os quadros, depois, a correr, fui buscar a máquina para os fotografar para vos mostrar. Depois fui lavar a cara, a seguir fui escolher a roupa para vestir esta sexta-feira, ainda atendi uma chamada do meu filho e, de seguida, regressei à cozinha.


Desliguei o fogão. Com a varinha mágica desfiz bem o que estava na panela (batatas, cebolas, alhos, tomates). Ficou um caldo cremoso, espesso, macio, encarnado e cheiroso.

Coloquei num prato a posta de peixe que estava no tachinho, retirei-lhe as espinhas e parti aos bocados. Juntei à panela da sopa o peixe, os ovos escalfados, o caldo e envolvi tudo.

Entretanto, o meu marido
(que, àquela hora, quase dez da noite, já estava esgalgado, tal a fome -- esgalgado e arreliado porque, dizia, não descansavas se não fosses buscar o quadro, não era? Não podíamos ir buscar no fim-de-semana? Tinha que ser hoje à noite?! E logo hoje que chegaste tarde e que tinhas dito que ias ao supermercado e ainda fazer o jantar...? Mas tinha que ser, não era...?
tinha torrado umas fatias de pão.


E, então, sentámo-nos à mesa, comemos uma bela sopa de peixe e tomate à alentejana, com ovos escalfados, tudo sobre umas fatias de pão torrado (eu pouco pão, que ando a ver se recupero a linha depois dos doces do natal). Acompanhámos com tinto de Reguengos. Íamos comendo, bebendo, conversando. A seguir, rematámos com um queijo (eu deitei um fio de mel sobre o meu - na esperança de que, por ser um fio muito discreto, não me engorde) e, para finalizar, eu ainda tinha uma surpresa: um dulcíssimo dióspiro que ele, que não os come mas sabe que eu tenho uma perdição por eles, sempre atencioso, tinha ido comprar a uns indianos que há aqui perto de casa e que estão abertos todos os dias, a todas as horas.

No fim disto tudo, ainda sobrou sopa suficiente para o jantar de amanhã.

Moral da história: é uma refeição rápida, nutritiva, saudável e económica - como vos referi lá acima.
E eu, enquanto jantava, tinha dito: 'comer isto faz uma pessoa sentir-se feliz, não achas?'. Mas, mal acabei de o dizer, pensei: 'vai encolher os ombros e dizer que sou maluca... e, de facto, que coisa parva de se dizer'. Mas não, para minha admiração, comendo de gosto, disse: 'Talvez'. E eu ainda mais feliz fiquei.
 
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As fotografias são da autoria de Ashraful Arefin.

O acompanhamento musical, claro está, é Carmen de Bizet - Habanera (área também conhecida como 'L'amour est un oiseau rebelle'), numa interpretação de  Anna Caterina Antonacci, The Royal Opera.
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E, caso queiram ver as duas pinturas que trouxe de Vila Nova de Cerveira e saber porque as trouxe, desçam, por favor, até ao post já aqui abaixo.

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terça-feira, março 18, 2014

Depois de uma relação não consumada com António José Seguro, Passos Coelho parte esta terça feira para ver se dá a volta à Merkel. Há uns dias já lá esteve o seu discípulo, o alemão arraçado de polaca Bruno Maçães, para explicar aos alemães que têm muito que aprender com Portugal.


Bem. Ora deixem cá ver. No post a seguir a este, ensino uma certa pessoa - e a quem mais achar útil - como tratar do torcicolo de uma senhora (atenção, convém certificar-se que é mesmo uma senhora, não vá o diabo tecê-las). 

No post ainda mais abaixo tenho uma massagem especial para homens. 

Ou seja, depois deste, os posts não são para almas sensíveis - e não digam que não avisei.

Mas isso é depois. Aqui, agora, a conversa fia fino.

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Que entre o Toreador



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Passos Coelho, esse castigador, resolveu convidar o TotóZero para uma sessão a dois. Convidou por carta, todo ele armado em convencional. Deve ter passado o fim de semana a sonhar com a noiva, longas tranças, debruçada à janela do Rato. No intervalo destes arroubos, Passos vai roubando velhinhas e viúvas, pisando doentes e sacando o pão da boca das criancinhas mais desfavorecidas. Depois, volta e meia dá-lhe para isto, para o romantismo.

Imagino-os esta segunda feira, durante o encontro. O putativo barítono todo fanfarrão, fácies hirto, sorrisinho irritante, todo ele moralista, armado em bom, preparado para usar a sua posição dominante. E, à sua frente, o Totó, carinha de piu piu, muito agastado, a começar cada frase por 'eu peço desculpa...'.

Li agora nos jornais online que a coisa não resultou. Três horas andaram os dois à volta da mesa mas não pintou. Não houve clima. E, se não pintou, muito menos rolou. Não sei a qual dos dois atribuir a disfunção que fez falhar o acto. O mais certo é que tenham falhado os dois. O Tozé cheio de nódoas negras pelo corpo todo, tantos biqueiros tem levado de todo o lado, o Láparo habituado a agir à bruta, sem cuidado nenhum. Não funcionou, pois. Insanável, diz o Totó.


Era expectável.

Depois desta nega, o Láparo segue esta terça feira para a Alemanha onde vai ver, junto da matrafona Merkel, o que é que ela o deixa fazer. Aí passa-lhe toda a farronca. Ele sabe que, se lhe apetecer mijar fora do penico, a Merkel vira Gonzaga e aplica-lhe o bónus mesmo sem massagem prévia nem óleo.

Por isso, quando vai ao beija mão à madrinha, o Láparo vai de fininho. Piu, piu, aqui quem pia agora sou eu.

Além do mais, já fez saber que aquela do Bruninho no outro dia foi coisa à toa: o catraio estava com os copos, estava a querer impressionar umas polacas, não sei o que passou pela cabeça, é disfuncional, o gaiato, quando se vê rodeado de louras, solta-se, torna-se inconveniente, arma-se em bom sem tento nenhum na língua, terá ele mandado dizer.

Transcrevo a notícia de 11 de Março para os que não sabem do que é que estou a falar: 

"Todos sabemos a força do setor industrial alemão" (...) mas o setor dos serviços "não é competitivo do mesmo modo", afirmou Bruno Maçães no encerramento do II Fórum Luso-Alemão, que decorreu esta segunda-feira e hoje na capital alemã.


"Parece-me claro que, sobretudo no setor dos serviços, há muitas reformas que a Alemanha precisa de fazer", defendeu, em declarações à Lusa.

(...)

"Um setor de serviços mais aberto e competitivo teria mais investimento, mais empresas novas, o que levaria os trabalhadores menos qualificados do setor industrial a mover-se para o setor dos serviços. O setor industrial alemão subiria na cadeia de valor (...)


Quando leram estas palavras, imagino os ideólogos do regime, os iluminados Poiazita Madura e Lombinha dos ex-Briefings, a nem quererem acreditar. A questionarem-se: 'Mas what the hell...? Estaria com os copos ou teria inalado substâncias alucinogéneas? Raios partam o Brunocas! Aquilo viu-se rodeado de louras e resolveu armar-se em super herói". 

Depois a irem logo a correr, avisar o Láparo que terá mandado falar com o Machete, para ver se ele amaciava a Merkel e o seu cão de guarda, o das finanças.

A ver como corre esta terça feira a delegação dos indigentes. Lá deve ir o Láparo mais a pinókia e o porta-moedas, sabujos, servis, de gatas e às arrecuas. Não sei se vão levar o vice-irrevogável mas tanto faz.

A Merkel, aperreada com o que se está a passar a leste, a ser acusada de falta de sensibilidade e que será dela a culpa se a 3ª guerra mundial eclodir, deve estar bem a marimbar-se para este bando de pobrezinhos, ó atraso de vida.


Isto é tudo uma palhaçada, é o que é. Não dá para se levar a sério rábulas tão mal paridas com tão fracos personagens, pois não?

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As imagens provêm, como é bom de ver, do blogue We Have Kaos in the Garden

Lá em cima é Ludovic Tézier a interpretar o 'Toreador ' da ópera Carmen de Bizet

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E, assim sendo, sigam por favor para bingo. Desçam um pouco mais e encontrarão um endireita à altura da minha assistente Martina Hill e, a seguir, uma massagem com bónus no final.

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Hoje vinha imbuída das melhores intenções, até vinha a pensar numa daquelas em full white, silêncio e palavras brancas. A sério. Não parece mas é verdade. Mas, vá lá eu saber porquê, uma driving force qualquer puxou-me para isto. E agora estou cheia de sono. As últimas semanas deram cabo de mim. Ando cheia de sono, nem sei o que é isto. Ainda só é uma da manhã e já estou a escrever de olhos meio fechados. E amanhã tenho que sair de casa mais cedo do que é costume e, só de pensar nisso, mais sono ainda me dá.

Por isso, despeço-me já (e desculpem, uma vez mais, não responder aos comentários).
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia e desculpem lá qualquer coisinha.


sábado, novembro 24, 2012

A sedução no feminino - aula prática nº 1, iniciação. Uma espécie de avant première de uma possível história para a Vogue España Dezembro 2012 (Mario Testino fotografa Kate Moss e José Mari Manzanares)




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Que fadiga. Olhas-me a medo, aproximas-te sem convicção. Que tibieza, meu amigo. Não percebeste ainda? Que falta de perspicácia.


Terei, portanto, que te olhar de forma a que percebas o que quero.

Já vi que tu, por ti, não arriscas, que te intimido, que temes, como o diabo da cruz, um não vindo da minha boca. 

Vou, portanto, mudar de estratégia e, reconheço, é sem sacrifício que o faço. 

A partir deste momento não vou ser discreta, não tenho paciência para disfarçar, não vou ser alusiva, não vou perder tempo. E, se ainda pensas que aqui o matador és tu, então, desde já te digo, que não podias estar mais enganado.

Passemos pois a coisas concretas. Caso não percebas nem tenhas coragem para vir verificar, informo: lingerie, zero. Uma bela lingerie é sexy, dá gosto ver, dá vontade de tirar, isso tudo, eu sei. Mas, neste momento, é um plus que me parece dispensável.

Vou mostrar-te quem é que, aqui, desafia, quem é que provoca, quem é que domina, quem é que derruba. Vou mostrar. Não vou ter qualquer dificuldade e, no fim, verás, cairás a meus pés sem que uma gota de sangue seja derramada.

Ris? Ris...?! Que sarcasmo encoberto é esse? Não dizes mas pensas, que convencida. Ah, ris de novo, ris porque adivinhei o que pensas. Não era difícil. E respondo-te: sou convencida, sim, tenho razão para o ser. Ris, ris agora ainda mais. Vais mostrar que não me vai ser assim tão fácil, é nisso que pensas, que me vais dificultar a vida, que me vais fazer provar a humilhação da incerteza, que me vais fazer sentir a vergonha da rejeição. Continuas a rir. Mas não rias porque não vais resistir. Veremos. Se quiseres, apostamos. Se me resistires, podes fotografar-me e fazer das fotografias o que quiseres. É isso, fotografa-me. Em contrapartida, se não me resistires, como troféu, faço de ti o que muito bem me apetecer.

Ris? Pensas que não tens nada a perder e que me vais dar uma lição. Gozas, conheço essa cara. Vais dobrar-me a espinha, fazer-me lamber o chão que pisas, é isso que pensas, não é? 

Pensamentos de matador – tão fáceis de adivinhar.




O meu vestido é vermelho, vermelho bem vivo, cor de sangue fresco. E brilha. Nele me envolvo. Seda e folhos, uma capa de toureio. Decote generoso, claro. Saltos altos, claro. E, não te esqueças, nada por baixo.

Deito-me e olho-te, as pernas bem à vista e, se fosses inteligente, já te começavas a aproximar. É macia e perfumada a minha pele. O cabelo está apanhado, quero ser só pele, nada a distrair, nem o cabelo. Os meus lábios estão vermelhos e, se um beijo lhes tirar a cor, logo eles se incendiarão.

Então, toreador? Resistes, ainda?

Seja. És difícil, tu. Gostas da faena. O que te excita nem é tanto a sorte final mas a faena em si, é isso, não é? Seja, seja.

Então deixa que mude de traje. Não tenho traje de luces mas não interessa. Escolho algum manto que me cubra com elegância e me descubra com descaramento. 

Olha. Vê. Gostas?





Anda à minha volta, volteia, rodeia-me, desvenda-me. Que salero o teu, toreador, que salero. 

Mas desvias os olhos mal eu respondo ao teu desafio. Isto é uma brincadeira para ti? É? O que tenho eu que fazer para que deixes de estar em guarda? Não te vou ferir, não tenhas medo, não vou cornear-te à traição. Não tenhas medo, olha para mim, faz com que a minha pele se arrepie só de sentir o desejo no teu olhar. Olha.

Ris. Mas desvias o olhar. Finges que não é medo. É o quê, então? 

Porque te defendes? Eu deixo que o manto deslize pela minha pele, deixo que os meus seios se mostrem, deixo que os meus olhos mostrem o meu desejo, e tu desvias os olhos? Receias o quê, toreador?

Aproxima-te. Sem medo. Olha como eu me aquieto, aqui, à tua espera. Anda.

Toma a minha capa. Deita-a ao chão, que seja a nossa cama.

Mas... o que fazes? Revolteias, giras sobre ela, volteias, andas em minha volta, tentas confundir-me, tentas que a minha vontade se entorpeça. Uma chicuelina perfeita, reconheço. És bom, toreador. És bom.

Mas julgarás tu que, com isso, vou desistir? Não, toreador, uma mulher que tem o corpo em chamas como eu tenho o meu, não se aquieta assim tão facilmente.

Olha como eu agora me deito, olha para mim, olha. Tirei os sapatos, abandono-me. Pousa na minha pele o teu olhar. Pousa. Deixa-o ficar assim pousado. Que o teu olhar se detenha e o teu corpo se incendeie.

Ah, finalmente. O que sentes, agora, toreador?




Finges, finges que acreditas que me dominaste, finges que acreditas que eu estou por terra e tu aí, vencedor. 

Não me importo. Gosto de te ver assim. 

Olhas-me agora, superior, dominador, belo, um belo corpo de homem e um olhar como eu gosto, húmido, fixo. Gosto. Mas gostarei ainda mais se desapertares a camisa. Gosto de ver esse corpo liso, moreno. Deixa-te ficar agora assim que eu finjo que estou vencida. E estou, não oferecerei qualquer resistência. Vem.

E, vais ver, quando desferires o golpe final, tal como te disse, não haverá uma gota de sangue. E não saberás se és tu que enterras a espada, se sou eu que te trespasso o coração. 

E que interessará isso? Ganhámos os dois, tu tens as fotografias e eu tenho-te a ti.

Meu matador, meu amor.


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As fotografias aparecerão na Vogue espanhola de Dezembro de 2012 e, uma vez mais, temos Mario Testino a fotografar a sua musa, Kate Moss.

O acompanhamento musical dispensa apresentações mas, ainda assim, aqui vai: Carmen de Bizet, aqui interpretado pela vibrante e sensual Anna Caterina Antonacci.


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E, por hoje, é isto.
Que o vosso fim de semana seja bom, emocionante. 
Ou, então, que seja bom, calmo. 
Ou, melhor ainda, que seja bom, emocionante e, a seguir, bom, calmo.


Passe o cursor ao de leve, por favor, sobre a imagem

(Peace and love, my friends. And enjoy!)

sexta-feira, novembro 04, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Tomaz Alcaide


Completa-se hoje o último dia de Árias e Duetos no meu Ginjal e Lisboa e completa-se em beleza. O nosso Tomaz Alcaide interpreta Bizet e há uma conjugação perfeita de harmonias.


Então, saudosa já, convido-vos a virem comigo até ali à minha outra casa. Vamos ouvi-lo em I pescatori di perle porque é um momento de grande beleza. Venha.