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terça-feira, maio 23, 2023

Acho que o melhor antídoto contra o veneno do Cavaco, contra o intragável sorrisinho do pupilo Montenegro e contra a mediocridade dos deputados que gostam de se armar em pides na CPI da TAP seria pô-los em sessões com a Rossy de Palma

 

Ver o Cavaco, mal ressuscitado, a sair à cena para se mostrar ainda pior do que quando estava vivo*, ainda mais ressabiado, com a boca muito aberta e muito seca, a mostrar que ainda não conseguiu curar-se do mau feitio, só me faz pensar que aquele ali não tem cura e que está cada vez pior -- e que pouco mais há a dizer sobre isso. Não merece. Não vale a pena. Não aproveita a ninguém. Há pessoas que envelhecem mal. Imagine-se o quão mal quando a base de partida já é má, má, má de si.

Em vez de comentarmos as azias dele, penso que o melhor antídoto seria armarmos-lhe uma armadilha em que ele se visse sozinho com a extraordinária Rossy de Palma. Até lá podíamos deixar também a sua Dona Maria. A Rossy haveria de ir ao rubro com o bafiento e ressabiado casal. O que ela haveria de inventar para os tirar do sério. Se os chornalecas** lá pusessem câmaras e fizessem directos, digo-vos: o país parava. Acho que nos iríamos rebolar a rir.

Também me parece que se deveria enviar a mesma Rossy de Palma à CPI da TAP. Uma vez que cabe lá tudo o que é cão e gato mesmo que nada tenha a ver com a TAP e já se atingiu um tal grau de ridículo, seria mesmo interessante vê-la no lugar onde se têm sentado as vítimas dos deputados e apreciarmos como, perante ela, se comportariam as fracas figuras que têm andado a exibir a sua absoluta e irremediável mediocridade. Aposto que ela os deixaria em fanicos e as audiências iriam bombar. 

 Só para se perceber a pinta da menina e se imaginar nas cenas que acima referi, ei-la aqui a mostrar o que tem na malinha de mão.

Inside Rossy de Palma's Christian Louboutin Bag | In The Bag


(*) Metaforicamente falando, claro

(**) Há pouco vi uma garota armada em jornalista a fazer uma entrevista. Fazia boquinhas, sentenciava que o governo tem feito muitos erros, mostrava que estava a salivar por sangue. Se eu lá estivesse, pedia-lhe que fundamentasse o que estava a dizer e enunciasse os erros a que se referia. Sempre queria ver as baboseiras que dali iriam sair. Uma miudagem, uns papagaios, gentinha que não sabe do que fala, gentinha que mastiga o que outros mastigaram. Não há nenhuma entidade que zele pela qualidade e pela isenção e objectividade dos jornalistas? Que raio de miséria é esta em que a nossa comunicação social está atascada?

quarta-feira, junho 27, 2018

Já aprendi com a Rossy a melhor forma de me perfumar. Oh la la...


Sou perfumeira, isso já toda a gente que por aqui me acompanha está fartíssima de saber. 
Tenho, como creio que toda a gente, rituais. Nem será bem rituais. Talvez mais hábitos. Arranjo-me sempre pela mesma sequência. Xixi, copo de água morna com sumo de um limão, banho, pequeno almoço, lavar os dentes, maquilhagem, perfume, vestir, brincos, relógio, anel, colar, pulseira (sendo que, se uma das peças é mais chamativa, as demais são muito discretas), despentear, calçar, agarrar no telemóvel, na carteira, nas chaves, nos óculos escuros, fechar a porta. E ala moça que se faz tarde. 
Se, porque estou ultra apressada, sem querer salto alguma das etapas, logo que dou pelo lapso, por muito atrasada que esteja, volto atrás e corrijo. Ou seja, sair sem me perfumar é coisa que não existe. Tal como sair sem brincos. Tal como sair sem sapatos.
O perfume varia consoante a agenda do dia ou a toilette. Como é sabido, gira muito em torno de Chanel. Mas tem dias em que a lealdade abre brechas. Por exemplo, porque hoje fui com uma blusa escura que acho um espectáculo, toda ela um jogo de rendas e transparências, achei que deveria caprichar nos acessórios, embora no género discreto, ouro branco para disfarçar o escândalo da blusinha. E achei que o conjunto pedia um Hermès, a saber o Eau de Néroli Doré. Não me perguntem qual o racional. Não saberia responder. Sou uma intuitiva. Em assuntos destes, a lógica não consegue acompanhar ou explicar a vontade. 
No outro dia, quando fui fazer os exames que a ginecologista prescreveu, fui muito à fresca, calças brancas, blusinha florida. E lembro-me disto pelo que a técnica que estava a espalmar-me os seios entre as placas me disse: 'Ah, que perfume tão bom o seu... ah que agradável... posso perguntar-lhe qual é...'?. Naquela posição desconfortável, de calças e saltos altos mas em tronco nu, com os seios comprimidos e doridos -- e sempre com algum receio --a minha cabeça não estava nem aí, tive que pensar. Estava para dizer 'Nada de especial, por acaso, CK One Summer' mas, felizmente, tive o discernimento de dizer apenas CK One Summer. A que propósito ia eu desvalorizar uma coisa pela qual a jovem estava a mostrar tanto apreço. 
Mas a forma como me perfume também é sempre a mesma. Um esguichinho atrás da orelha esquerda, depois da direita. Outro no pulso esquerdo, outro no direito. Um entre os seios, outro na dobra do braço esquerdo, outro na do direito. Por vezes, também consoante as circunstâncias, dou um soprinho geral, de longe, frasco afastado, a rasar a blusa, por fora. Outras vezes, não é por fora, é por dentro. Afasto-a do corpo e, ao de leve, uma suave aragem pelo lado de dentro. 

Quando saio de casa, pode estar marcante mas qualquer sombra de excesso dilui-se durante o percurso e, quando chego, já o perfume está cosido ao corpo, subtil. Pelo menos, assim o penso.
Lembro-me do meu filho, quando era pequeno, não querer que eu o abraçasse de manhã, quando me despedia dele na escola. Por um lado, achava que isso o diminuía perante os amigos, dizia que as outras mães não davam tantos beijinhos aos filhos mas, por outro, temia que eu o contagiasse com o cheiro do perfume. Tinha pavor de que isso acontecesse.
Bem, mas isto tudo para dizer que hoje, finalmente, vi a forma correcta de uma mulher se perfumar. E parece-me que deve ser eficaz. Aliás, parece-me mesmo uma grande, grande ideia. Estou capaz de amanhã ir comprar este perfume da Jean Paul Gaultier a ver se traz este aplicador. 

(Não esquecer de activar o som)


Uma nota apenas: acho os brincos dela grandes demais, especialmente quando conjugados com o aparato do colar. Tirando isso parece-me tudo bastante bem, especialmente no que se refere à forma de espalhar o perfume. Só lamento é que a lição seja tão curtinha.