Ontem à noite a minha filha enviou-me o vídeo no qual a Inês de Medeiros gabava a boa vista dos bairros sociais de Almada. Não percebi porque mo mandava. Sem se pronunciar sobre o que ali estava, limitou-se a dizer que as redes sociais não falavam de outra coisa. Respondi que não conseguia formar ideia sobre 29" descontextualizados. E não liguei patavina.
Para meu espanto, hoje não se falava noutra coisa, até a televisão para lá foi, meio mundo a querer armar a barraca sobre tal solo.
Algumas vezes já eu própria o referi: sorte a das pessoas que aqui vivem, a de terem uma vista destas. Claro que quem ali mora terá uma vida difícil, claro que as suas casas não são palácios. Em Almada nem em qualquer outro lugar do mundo. Mas têm uma vista extraordinária. É a mais pura das verdades. Acresce que, segundo leio, Inês de Medeiros, na intervenção da qual a intriguista mana Mortágua extraíu os 29" com os quais pretendeu apunhalar Inês de Medeiros pelas costas, garantiu que no concelho da Margem Sul não existe “um sistema de guetização”, estando o Executivo focado em lançar uma política “em sentido contrário”, com mistura de diferentes grupos sociais. Mas isso a menina Mortágua já não disse. Claro que não. Se tivesse divulgado o teor do que Inês de Medeiros defendeu, estragava o efeito da bomba que pretendeu largar.
Estas pretensas moralistas, estas intriguistas que se alimentam disto, revelam a toda a hora aquilo de que são capazes. Dantes, quando eu assistia a gestos destes, sentia o desprezo que ainda hoje sinto mas acreditava que, tal como eu, toda a gente as iria também desprezar pois, julgava eu, aquela velha máxima de que Roma não paga a traidores prevaleceria. Mas hoje já não fico tão tranquila pois o que constato é que as vilezas de que as meninas do BE são capazes colhem mais do que as ortodoxias do PCP. Se a nível legislativo não me apanham a votar nem num nem noutro, a verdade é que o PCP, sendo gente frequentemente facciosa e pouco aberta à mudança, é, na maioria, gente séria, leal, gente de carácter, gente de quem se pode dizer que what you see is what you get.
E sobre a sacanice da Joana Mortágua não digo mais nada, não me apetece. Sempre que estou perante gente que se põe em bicos de pés para exibir a sua veia populista, só me apetece virar-lhes costas, ignorá-las, votá-las ao mais absoluto desprezo, deixando-os a falar sozinhos.
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E passo a um outro tema que, se calhar, não tem nada a ver. Se calhar.
Pasmo muitas vezes com o conservadorismo de alguma gente nova. Tentando apresentar-se como moderninhas, causas fracturantes e o escambau, meninas muito avant garde, mostram muitas vezes que têm ideias quadradonas, que concebem estruturas de vida que não estão com nada, meninas que não têm noção do ridículo em que caem quando se armam em vizinhas e preparam insidiosas armadilhas a quem, de frente, fala sem premeditação. Meninas que se acham sábias, sabichonas, que gostam de dar lições. Não suporto. Cresceram velhas e o pior é que são mais velhas, mais descarnadas e cerebralmente mais esvaziadas do que muita velha carregada de anos biológicos mas com uma jovial leveza na alma e a cabecinha carregada de neurónios a bombar.
Olhem bem o conselho das Avós da Razão a uma jovem de 33 anos
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E um dia feliz para si

