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domingo, janeiro 25, 2026

Dá-lhe um nome. E isso viverá para sempre

 

Começo a perceber que se calhar a matriz da minha natureza se ajusta bem à cultura japonesa. 

O meu avô paterno tinha ares orientais e, à medida que foi envelhecendo, mais oriental foi parecendo. E era uma pessoa admiravelmente serena. Nunca o vi alterado. A minha avó era o oposto dele, uma pessoa geralmente ansiosa, preocupava-se com tudo, aborrecia-se facilmente, implicava com alguma frequência com ele. Ele encarava a maneira de ser dela com uma absoluta tranquilidade. 

Embora trabalhasse numa empresa, os seus momentos livres eram passados ou na sua horta ou à pesca. A minha avó aborrecia-se com ele porque trazia terra nos sapatos ou porque trazia muito peixe para ela amanhar. Ele não se importava. Acho que até sorria. Se estava em casa, sentava-se a ler. Sempre calmo. Eu adorava-o. Quando estava em casa desses meus avós, era atrás dele que eu gostava de andar. E ele gostava da minha curiosidade, das minhas perguntas. Chamava-me a atenção para as florezinhas dos morangueiros, depois para o olhinho vermelho que despontava, depois o frutinho já formado. E, quando estava madurinho, apanhava-os, passava-os por água e dava-mo. Ao longo de dias eu observava o devir da natureza.

O meu tio, irmão do meu pai, herdou esses traços orientais. O meu pai sempre foi mais parecido com a mãe. E eu, segundo dizem, fisicamente, tenho muito do meu pai. Portanto, enquanto a minha prima também tem alguns traços orientais, eu nada. Mas, se calhar, na minha apetência para a contemplação das nuances da beleza que se podem encontrar na natureza haja um pouco dessa veia.

Ainda ontem, a meio da tarde, parecia que havia uma aberta, fomos caminhar para uma zona de arvoredo que há não muito longe daqui. O meu marido foi contrariado, olhava o céu carregado e sentia o vento a acelerar e dizia que não estava tempo para nos metermos no meio do arvoredo. Mas eu queria ver as poças de água, gosto de ver as árvores reflectidas na água, e gosto de ver a água tingida pelas cores ocre da terra. Lá fomos. Afinal havia mais que poças, havia quase um lago. Lindo. Umas cores transcendentalmente lindas, variadas, uns reflexos maravilhosos. Tentei fotografar, filmar. Só que desatou a chover com uma força enorme e o vento e a chuva faziam um rugido um bocado assustador. Claro que nos viemos logo embora, até porque havia muitos bocados de árvores caídas e porque o nosso cão estava um pinto, assustado com o trovejar. 

Mas vim maravilhada, uma daquelas sensações em que nos sentimos transportados para espaços de beleza, em que nos sentimos imersos num mundo limpo, despoluído, absolutamente natural, benéfico, puro, imaculado.

Se digo estas coisas, o meu marido diz: 'És maluca. Debaixo de um temporal e, em vez de te despachares, ainda queres parar para tirar fotografias.'. Reconheço o ponto de vista dele mas não consigo de deixar de pensar que todos os dias as coisas são diferentes, os verdes nunca são os mesmos, os reflexos nunca são iguais, e que quero testemunhar isso, quero captar isso.

Mais de 16 milhões de cores, aprendi hoje. Imagine-se. Na prática, uma infinidade. 

O vídeo que aqui partilho (legendado) é mais um daqueles que me encantam do princípio ao fim. O nome dos momentos, o nome das cores, a forma como mudam de umas para outras, o efeito que tem um tecido transparente arejando sobre outra superfície. Tudo isso me parece transcendente de tão simples e perfeito e efémero que é.

Mesmo que pensem que 'não são destas coisas' -- e que o vosso pensamento esteja mais virado para as preocupações da actualidade, como as fantochadas do Ventura ou como a situação cada vez mais complexa nos Estados Unidos, a violência a alastrar nas ruas, a revolta e o desespero de muitos que os leva a enfrentar as perigosas milícias do ICE, ou com os receios de que comece a desenhar-se uma nova crise financeira com a retaliação de alguns países face à estupidez e à prepotência desbragada de Trump que está a traduzir-se na venda de títulos de dívida americana ou de fundos ou, até, a quererem a devolução do ouro --, mesmo assim sugiro que tentem ver o vídeo. Acho-o não apenas muito belo como nos mostra como o mundo pode ser tão mais rico se estivermos despertos e disponíveis para aprofundar e diversificar a visão das coisas. 

A filosofia japonesa da cor e da imperfeição

Em português, o céu ao amanhecer pode ser simplesmente chamado de "azul" que se transforma em "laranja". No Japão, esta transição fugaz tem inúmeros nomes.

Porque é que o Japão deu mais de mil nomes às cores do silêncio? Neste vídeo, exploramos a profunda filosofia por detrás das cores tradicionais japonesas. Da estética proibida do período Edo ao antigo "algoritmo" de sobreposição de seda, descubra como o Japão não criou apenas cores — captou momentos antes de desaparecerem.

Aprofundamos em:

As Coordenadas da Memória: Porque é que nomes como "Moegi" (Amarelo Broto) funcionam como cápsulas do tempo.

48 Sombras de Castanho e 100 Sombras de Grey: A história da rebelião contra as proibições de luxo no século XVII.

Kasane (Sobreposição): O sistema ótico de mistura de luz, muito antes do design digital.

A Beleza do Desbotamento: Porque é que o Índigo (Azul Japão) se torna mais valioso com o tempo.

"Dá-lhe um nome. E ele viverá para sempre."


Desejo-vos um belo dia de domingo

segunda-feira, fevereiro 21, 2022

20 coisas que eu sempre

 



1 - Eu sempre gostei de canja, de iscas, de peixe cozido, de sopa de tomate, de peixe frito com arroz de tomate, de ovos mexidos de tomatada, de choco cozido com tinta, de cozido à portuguesa, de arroz doce, de tortas de azeitão e de mil outras coisas. Ou seja, reformulando, eu sempre fui um bom garfo.

2 - Eu sempre gostei de praia embora cada vez mais só goste de praia para lá caminhar e para olhar o mar, não para ficar deitada numa toalha.

3 - Eu sempre gostei de ler e sempre gostei de escrever

4 - Eu sempre acreditei mais na minha intuição do que na minha capacidade de racionalização (por isso acho um certo desperdício de tempo planear com muito detalhe algumas das minhas coisas -- prefiro esperar que no momento, consoante as circunstâncias, me ocorra espontaneamente como melhor agir)

5 - Eu sempre gostei de fazer trabalhos manuais (tricot, crochet, tapetes de arraiolos, varrer, lavar a louça, passar a ferro, cozinhar, etc)

6 - Eu sempre fui mais de descobrir e experimentar coisas novas do que de me ater a rotinas. E sempre gostei mais de produzir do que de manter.

7 - Eu sempre gostei de conviver com pessoas inteligentes mesmo que não concorde com elas

8 - Eu sempre gostei de rir e de estar com pessoas com sentido de humor

9 - Eu sempre gostei de namorar

10 - Eu sempre gostei de homens interessantes, em especial se forem bonitos

11 - Eu sempre gostei de passear, em especial de carro

12 - Eu sempre gostei de casas e de as decorar. E de estar em casa.

13 - Eu sempre apreciei os momentos só meus de sossego, silêncio e total liberdade de movimentos

14 - Eu sempre tive aversão a gente chata, maledicente, egocêntrica, engraxadora, muito faladora, parva, burra, beata, apertadinha ou que não se enxerga

15 - Eu sempre me interessei por política e sempre achei que acima de tudo tem que estar a liberdade, a democracia, o conhecimento, o desenvolvimento e a perspectiva humanista.

16 - Eu sempre fui destemida (embora seja uma maricas do pior que há em questões de saúde ou de risco, seja de que natureza for, com a família mais chegada)

17 - Eu sempre gostei de mandar embora aquilo de que mais goste seja de formar equipas, lançar-lhes desafios, delegar responsabilidades para as quais não estejam habituados, ajudá-los a superarem-se

18 - Eu sempre tive muita dificuldade em acatar ordens de quem não sabe o que faz ou tem vistas curtas ou pensa mais nos seus próprios interesses do que nos interesses da organização

19 - Eu sempre me esqueci dos aniversários de toda a gente (excepto da família mais próxima - marido, filhos, nora e genro, netos, pais)

20 - Eu sempre acho que vamos sair desta (seja qual for 'esta' -- excepto se for a morte mas, até aqui, por vezes acho que é o descanso que a pessoa merecia ou a melhor maneira de se evitar sofrimentos maiores) tal como sempre acho que não há mal que sempre dure.


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Estes 20 sempres vêm na sequência dos 20 nuncas de ontem. De notar que foi o que ia vindo à cabeça à medida que ia escrevendo. Se puxasse mais pela cabeça talvez aparecessem mais 20 de cada e, se calhar, com mais propriedade do que estes. Mas, não faz mal, fica para a próxima. 
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As fotografias foram feitas este domingo na praia e fazem-se acompanhar de Sofiane Pamart que interpreta Medellín 

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Desejo-vos uma boa semana a começar por esta segunda-feira
Saúde. Boa sorte. Boa disposição. 

terça-feira, dezembro 14, 2021

Very Peri

 



De sombra nos olhos em violeta eu gosto. Mas talvez a cor de violeta com que às vezes sombreio as minhas pálpebras não seja exactamente veri peri. Dizem os entendidos que, quando se ousa com o very peri, tem que se ousar em grande, a bold, uma mancha compacta. Eu, que não sigo tutoriais e gosto de ir de improviso, arrisco na suavidade. Acho que contrasta bem com a cor dos meus olhos, assim, ao de levezinho. No entanto, segundo agora me informo, uma passagem de cor na base da aguarela arrisca a que se fique como umas olheiras mal dormidas. Se calhar. Mas não quero saber. 

Era smoky violet. Agora terá que passar a ser sfumato very peri. 

Acontece que ultimamente não tenho encontrado a minha sombra violeta. A minha menina mais linda, que, tal como eu, se pela por maquilhagens e adereços, mal cá chega vai buscar a caixinha e a cestinha com os pós e cremes e cores e usa e faz de tudo e, portanto, volta e meia há coisas que caem ou que mudam de sítio. Um dia que volte à loja a ver se trago outra.

Parece que verniz para as unhas também fará sentido em very peri. Aí já não sei. Aí ainda não me libertei. Mantenho-me convencional: ou rouge-rouge ou, mais provavelmente nude. Mas é uma questão de me autodesafiar até porque, quando saio da minha zona de conforto, é quando verdadeiramente chego à minha praia.

E, depois, há o cabelo. Leio que umas nuances, umas luzes em very peri, trazem movimento e uma graça especial a qualquer espírito. Mas não sei. Não me imagino assim tão ousada. Pode ser que na Tiger ou na Claire's encontre uma fantasia, daquela espécie de cabelo irisado que, a baixo custo, possa servir para eu tentar que o meu espírito se anime na maior transgressão.

Também gosto de blusinhas em very peri embora pouco disso tenha. Talvez uma túnica em transparências, talvez, talvez me ficasse lindamente. Mas é cor que nunca se encontra muito no vestuário. Se calhar agora vai haver mais e, se assim for, terei que quebrar a minha abstinência consumista. 

Para mim é uma cor que é a um tempo luminosa e misteriosa, uma mistura de luz e calor e de sombra e profundidade. Está-lhe nos genes: encarnado e azul em osmose total. 

É uma cor que pede um esguichinho de perfume no regaço, na curva do pescoço, na zona mais íntima do pulso. Perfume de violeta, perfume dos que mais aprecio -- desde que não seja doce ou meloso. Uma nota suave de violeta com um quelque chose de cítrico e de mistério, dão fragâncias que embelezam a alma de quem as usa.

Naturalmente também haverá carteiras -- e vejo já uma, Chanel -- e cintos, luvas, sapatos, écharpes e tudo isso será naturalmente uma beleza. No entanto, como nestas coisas aposto na discrição (discrição, discrição, discrição -- depois de fazer cópias de dez palavras por linha, já aprendi, Mr. Plúvio), ficar-me-ei pelas écharpes. 

Love, love, love écharpes. A mesma coisa: se alguém descobrir uma écharpe linda, suave, elegante, toda ela subtileza, toda ela um poema que me afague a nuca, que se me deslize e toda ela esvoace pelo peito, cá estarei para a receber no maior agradecimento.

A nível de decoração tenho que ser do contra: not for me, pelo menos na onda que agora surfo. Ando na neutralidade, na claridade, na evidência.

Gosto das flores de alfazema mas a essas não creio que se aplique a irreverência very peri. A lavanda é mais soft, mais fresca, não tem segredos nem liberta energias pulsantes. O veri peri tem isso: esconde sussurros, insinua sorrisos e malícias. E acolhe pensamentos profundos.

Se eu fosse solteira, divorciada ou viúva, se quisesse reunir tertúlias em que a piedade ou a beatice não tivessem lugar, se quisesse festa rija e gargalhada solta e louca até que as brumas frias da madrugada entrassem pela janela, aí talvez pintasse uma tela gigante em veri peri e a pendurasse sobre um sofá largo, largo como uma acolhedora cama, talvez pendurasse umas cortinas em transparência veri petri para esvoaçarem ao sabor do movimento das danças. 

Mas não é o caso.

No entanto, uma mantinha suave em very peri, se a tivesse, seria um must. Mas não creio que a encontre. Se alguém descobrir alguma e quiser presentear-me pois que faça o favor: não me farei rogada. Aveludada ao tacto, etérea no densidade seria, certamente, uma segunda pele.

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[Fotos de Mood Board Mix]

A cor do ano 2022 é PANTONE 17-3938 também designada por Very Peri e, dizem, é uma cor inventiva e transformativa.

Transcrevo do site para partilhar a razão de ser desta escolha (com vossa licença, tradução directa via google que, como se sabe, tem as suas particularidades):

Uma nova cor Pantone cuja presença corajosa estimula a criatividade e a inventividade pessoais.


Exibindo uma confiança despreocupada e uma curiosidade ousada que anima nosso espírito criativo, o curioso e intrigante PANTONE 17-3938 Very Peri nos ajuda a abraçar esta paisagem alterada de possibilidades, abrindo-nos para uma nova visão enquanto reescrevemos nossas vidas. Reavivando a gratidão por algumas das qualidades que o azul representa, complementadas por uma nova perspectiva que ressoa hoje, PANTONE 17-3938 Very Peri coloca o futuro à frente sob uma nova luz.

Estamos vivendo em tempos de transformação. PANTONE 17-3938 Very Peri é um símbolo do zeitgeist global do momento e da transição pela qual estamos passando. À medida que emergimos de um período de intenso isolamento, nossas noções e padrões estão mudando, e nossas vidas física e digital se fundem de novas maneiras. O design digital nos ajuda a expandir os limites da realidade, abrindo as portas para um mundo virtual dinâmico onde podemos explorar e criar novas possibilidades de cores. Com as tendências nos jogos, a crescente popularidade do metaverso e a crescente comunidade artística no espaço digital PANTONE 17-3938 Very Peri ilustra a fusão da vida moderna e como as tendências das cores no mundo digital estão se manifestando no mundo físico e vice-versa. 


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Desejo-vos uma bela terça-feira
Tudo de bom para si que está aí, desse lado. 
E obrigada pela companhia.

terça-feira, dezembro 29, 2020

Rubro

 




Durante anos, quando pensava numa cor era apenas no encarnado que pensava. Encarnado rubro carmim vermelho carne sangue fogo alma loucura flama paixão.

Com o tempo fui tentando conter-me.

No entanto, se me vejo perante uma tela em branco é para as tintas incandescentes que a minha mão espontaneamente se dirige. Posso tentar moderar-me. Mas não consigo. É a fogosa exaltação que se derrama sobre a tela. Sou feita de extremos e o extremo para que sempre me inclino é o da paixão. 


Mas tento a contenção. Abro a mente e o coração aos mil aromas de verde: o verde musgo, o verde oliveira, o verde pinheiro, o verde cedro, o vedro eucalipto, o verde bosque, o verde fundo do mar. Deixo-me envolver pelos verdes e sinto que estou em casa. Mas a vibração de uma alma tingida de paixão continua presente. Tento também a claridade do azul céu, a profundidade do azul veludo, a insolência do azul klein, a inocência do azul alfazema. Gosto do azul. Mas há no azul uma elegância conservadora ou uma pureza, não sei bem, que não me acolhe. E há o branco. Os mil tons de branco. A luz. A ilusão da luz. Não me identifico totalmente. Prefiro os reflexos, as sombras; a luz, sim, mas quando matizada de pecado, de dúvida, de excesso. Claro que poderia ser o preto, o negro, o breu, o infinito, o eterno labirinto. Mas há no negrume a maldição das trevas e eu não gosto de antecipar o funesto destino de tudo o que um dia viu a luz. O amarelo, sim, claro, poderia ser. É alegre, festivo, irradia mel e ouro, sol sobre a pele, calor, afago, doçura. Gosto do amarelo. Mas o amarelo é superficial, fica na pele, não desce onde a carne se verga ao sobressalto da paixão.

Encarnado, sim, não há como fugir-lhe. Encarnado rubro carmim escarlate fogo vermelho chama. Chamamento.


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Pinturas de  Zhu Wei, Hyung Ju Park, Igor Tishin e Ligyung na companhia de The Paper Kites em For All You Give 

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Desejo-vos um bom dia

domingo, julho 19, 2020

Escrever enquanto lá fora os vultos se diluem na calada da noite





Para a semana mais um caranguejinho está em festa e, não tarda, entramos no capítulo dos leoezinhos. Por isso, e também porque havia compras essenciais a fazer, saímos do forno e aventurámo-nos a ir até à cidade para ver se, por lá, encontrávamos presentes para os respectivos próximos três aniversariantes. Mas a cidade a que fomos é uma cidade pequena. Depois das compras prioritárias que nos tinham levado lá, pensei que, por ali, arranjaria aquilo a que estava habituada quando, num outro mundo, frequentava a cidade grande. Mas não, poucas lojas e as conhecidas em dimensão reduzida. Desabituada de andar às compras e tendo ainda a memória das grandes lojas a que já conhecia os cantos, ali olhei em volta e ficou tudo visto. Pouca coisa por onde escolher. Por um bocado pensei: vou-me embora e, quando estiver na cidade grande, vou aos lugares que conheço e onde há de tudo. Mas depois pensei que, se calhar, já não serei capaz de voltar a esses lugares, catedrais de consumo, lugares em que o tempo escorre sem se dar por ele e do qual nada fica. O desperdício, incluindo o de tempo, parece-me absurdo. A fartura parece-me absurda. A vaidade parece-me absurda.
Com o tempo talvez até deixe de usar saltos altos para ir trabalhar. E se os saltos altos faziam parte de mim. Isso e o rímel. Como sou clara, habituei-me a aplicar um pouco de rímel para que as pestanas fiquem mais visíveis. Mas só o ponho para ir trabalhar. Em casa, nada. E ao fim de semana, férias ou em família também nada. Estes meses de teletrabalho aproximaram-me do meu estado nativo, quase selvagem. No outro dia, recebi mensagens a oferecer-me vouchers e descontos se comprasse isto e aquilo, nomeadamente perfumes. Noutras circunstâncias eu aproveitaria. Iria tentar descobrir o perfume mais que perfeito. Toda a vida o procurei. Iria deixar tentar-me pelo nome dos componentes, iria experimentar, iria deixar-me seduzir. Agora não. Pensei que não preciso. Na volta estou a tornar-me como se diz dos outros de que agora tanto se fala: frugal. E, se ser assim me agrada e, de certa forma, me faz sentir até um pouco orgulhosa de mim (como quando deixei de fumar), a verdade é que não consigo deixar de pensar que a frugalidade de alguns poderá tornar-se na miséria de muitos.

Mas, enfim, pensamentos confusos à parte, o que tenho a dizer é que lá vim com o possível e, para dizer a verdade, pareceu-me que mais seria excessivo. Dantes gostava de encher toda a gente de presentes e mais presentes. Gosto de dar. Agora, se calhar para mal de quem os recebe, até isso me parece demais. Ainda não cheguei à fase de me limitar a oferecer uma única coisa, uma só tshirt ou um só livro, por exemplo, mas tenho esperança de lá chegar. 

E tenho também a dizer que este sábado não foi preciso cozinhar: dos dias em que tivemos companhia sobrou comida que deu para almoço, jantar e que, com sorte, ainda dará para outra refeição. Por isso, foi como se fosse dia de férias.

Mas, apesar de me sentir em férias, fiz também outras coisas: fiz três máquinas de roupa. Até uma bela colcha multicor em veludos e brilhos que estava como que esquecida foi lavada. Estou a pensar dar-lhe uma nova vida. Já a vejo com umas almofadas que estão noutro lado a encimá-la e até já me apetece reformular tudo à volta para valorizar a bela colcha. E lavei tapetes à mão e pus almofadas ao sol. Sei lá. Este calor é bom para isto. É quase como se fosse limpeza a seco. Lava-se, estende-se ao sol e, passado um bocado, está tudo mais do que enxuto. Tenho agora um detergente para a roupa que tem um perfume muito bom, a lavado, fresco, floral, nem sei. Quando pego na roupa ainda molhada e a levo ao colo para a ir estender nas cordas entre árvores, não apenas me refresco como me perfumo. E quando se pega na roupa lavada, seca ao sol, vem um tal perfuminho a roupa limpa, a campo, que fico sempre feliz, com vontade de arranjar mais o que lavar. 

E, no resto do tempo, em especial ao fim do dia, pus-me debaixo de água. Nem sei por quanto tempo mas foi muito. Totalmente debaixo de água. Gosto tanto de estar debaixo de água. Não estava fria, estava morna. Água fria, por estes dias, só a que está no frigorífico. De resto, está tudo morno.


Há pouco, lembrei-me que ainda não tinha apanhado a forra da minha almofada. Não a fronha mas, mesmo, a forra. Tem uma forra almofadada. Hoje também foi para a barrela. Mas como apenas a tirei do detergente (ao qual misturei umas gotas de lixívia) ao fim do dia, quando, à noitinha, vim para dentro, ainda não estava bem seca. E esqueci-me. Por isso, foi já perto da meia-noite que me lembrei dela. Ainda por cima estava longe, estendia-a num lugar onde pensei que lhe daria melhor a aragem. Abri a portada e ia, pé ante pé, descalça, quando me ocorreu que poderia andar por ali alguma cobra silenciosa ou algum daqueles bichos misteriosos que, se calhar, pela calada da noite, saem das grutas e vêm rondar a casa. Deu-me medo. Fui chamar reforços. E, devidamente vigiada (e calçada), lá fui. Mas andar de noite no campo, em zonas onde a luz não chega, dá-me um certo medo. Não se sabe o que está ali pois nada se vê. Sei lá se não há um olhar traiçoeiro a vigiar-me na escuridão. Por isso, fui e vim rapidamente.

E agora aqui estou, nisto, a jogar conversa fora. E já é domingo. Esta primavera foi estranha, o verão está a ser atípico. E a verdade é que, apesar de tudo, não posso dizer que esteja a desgostar até porque, no meio disto, me tornei outra e ser outra é coisa de que gosto.


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Pode alguém ser quem não é?


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As fotografias integram o grupo das vencedoras do Color Photography Award.

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A si que está aí desse lado desejo um belo dia de domingo

terça-feira, dezembro 18, 2018

Living coral, Pantone 16-1546, a cor do ano de 2019




Todos os anos é escolhida a colour of the year seguinte. Não sei se sempre assim é desde o início dos tempos ou se é moda nova, coisa para animar o marketing. Como sou fraca a história, não me abalanço a dar palpites pois não quero correr o risco de confessar a minha ignorância inclinando-me para a moda-nova e me saltar algum historiador a perguntar-me se nunca ouvi dizer que, nos tempos dos flinstones, já a coisa era na base do querido mudei a gruta, uns anos decoradas a ocre, noutros a carvão, noutros a casca de ovo, noutros a magenta com aplicações de pistácio.

O que sei é que agora, como é natural, a coisa não ia ser feita a seco. Não senhores, tudo, nesta nossa era, é revestido a simbolismo para poder ter glamour e poder dar azo a falatório. Mas um simbolismo de embrulho. Descartável, I mean. Sabe-se, fala-se, comenta-se, protesta-se, para-se o país e... passa-se à frente. Nada tem tempo para criar raízes. Talvez por isso me seja tão importante o contacto com a natureza, com os seus ciclos que se repetem indiferentes às redes sociais.

Na volta, isto do blog também é classificado como um sub-mundo dentro do glorioso e festivo mundo das redes sociais, facebook, instagram e whatever. Mas, para mim, não é: para mim um blog é apenas um sítio onde escrevo. Podia escrever numa parede ali na rua mas seria menos confortável. Só isso. 

Mas, enfim, à parte dissertações que, por sublimes e inteligentes que sejam, não levam a lado nenhum, o que tenho a dizer que, apesar de saber que esta conversa das cores do ano é daquelas frioleiras que não aquecem nem arrefecem, aqui estou eu a fazer-me eco dela. E a cena é que gosto de cores. Quando me dá aquela vontade de pintar, não é pelo desenho em si: é pelas cores, é para encher a tela de cores, cores que entram sem se fazerem avisar. E sem explicação. As cores são muito assertivas. Põem-se ali e não precisam de dar explicações. As cores são a emoção materializada.


E a cor deste ano é daquelas que é toda eu. As cores quentes são as minhas cores: o pêssego, o coral, o carmim, o rubro. O sangue, o pôr-do-sol, a rosa mais carnal, o interior viscoso, molhado e doce dos dióspiros. Tudo isso é o que me atrai. 

Diz a Pantone sobre o Living coral que é "animating and life-affirming coral hue with a golden undertone that energises and enlivens with a softer edge".
"Sociable and spirited, the engaging nature of Pantone 16-1546 Living Coral welcomes and encourages lighthearted activity,"
Following on from 2018's colour of Ultra Violet, dubbed by the company as a "dramatically provocative and thoughtful purple shade", this year's vibrant shade of golden orange is meant to reflect the "innate need for optimism and joyful pursuits" as a response to social media and digital technology.
"In reaction to the onslaught of digital technology and social media increasingly embedding into daily life, we are seeking authentic and immersive experiences that enable connection and intimacy," explained Pantone.
The colour is also said to reference the nourishing impact of coral on sea life, as well as the "devastating" effect of today's society on the environment.
E isto dizem os senhores da Pantone e eu acho muito bem que digam. Sabe-me bem ler sobre coisas assim, coloridas. 

Antes isso do que ler: 
  • sobre os capangas das armas de Tancos ou sobre os investigadores que levam mais do que um ano a descobrir uma coisa que devia andar debaixo de olho todos os dias a todas as horas, 
  • ou sobre os deputados que se baldam ou que vão jardinar para onde lhes apetece e mandam os amigos picar o ponto por eles, 
  • ou sobre os excêntricos incógnitos que curtem financiar a greve dos fiéis seguidores da evangelizadora Cavaco, 
  • ou sobre os macaquinhos de imitação de colete amarelo a quererem imitar os hooligans franceses (hooligans que há quem diga que estão a soldo do Putin)
  • ou, muito menos, sobre a atarantada da May que está a ajudar a transformar a vida política do Reino Unido numa série de episódios da Little Britain, humor do bom, marado da tola todos os dias,
  • ou, ainda menos, sobre os casados à primeira vista que é daquelas insólitas pornochanchadas onde parece que todos estão ali para crescerem como pessoas (é que se ainda dissessem que estavam ali para encolherem como minhocas murchas ainda vá que não vá)
Portanto, voltando ao Living Coral, se a cena é a roupa ser na base do pêssego acoralado, um soft rosy e fofo quiçá com apontamentos salmonados ou com pinta de cenourinha toda viçosa, então bora lá. Alinho. E, se o décor da nossa linda casinha é também para ser quentinho, coradinho e cozy, então vou nessa. Curto ambientes assim, envolventes e com boas cores..

E se este texto vos parece uma pura perda de tempo também não vos digo que não. Também vou nessa, ó vanessa. Tudo certo. Tudo jóia. Se vocês acham, eu acho também. (E não me vêem mas, neste momento, estou a fazer um coração com os dedos). Toda eu estou peace and love.
E, como se vê, olhar para esta cor já está a fazer-me bem. Agora é que a UJM vai virar uma santinha. Ai é, é.
(Mas no futuro... não ainda, não ainda...)


💗 Be happy 💗

sexta-feira, dezembro 08, 2017

E a cor do ano para 2018 é..... o Ultra Violeta 18-3838...!!!



A única altura em que me lembro que há 'uma cor' escolhida para cada ano é quando vejo o anúncio e, para não fugir à tradição, aqui dou disso notícia.

Portanto, cá estou. E gosto da cor deste ano. Aliás, acho que gosto de todas as cores. 


Da cor de púrpura ou violeta gosto para me vestir, para pintar as pálpebras superiores, para echarpes,  para brincos, para pintar telas. E gosto de flores desta cor. De facto, gosto de tudo o que tenha a ver com.


O primeiro perfume que comprei com dinheiro meu foi para oferecer à minha mãe. Tinha pouco e devo ter perguntado o que é que podia comprar com aquele dinheiro. A verdade é que trouxe uma pequena obra de arte: um frasquinho ínfimo, lindo, delicado, que não devia medir mais de 5 cm de altura, com uma tampa em forma de violeta e que cheirava tal e qualmente como as violetas. Devia ser verdadeira essência das flores violetas. Não voltei a descobrir coisa assim. 


Também me lembro de uma vasinho de violetas que tive uma vez. As flores eram lindas, profundas, secretas. Depois a planta foi definhando, e eu tive mesmo pena. Não voltei a tentar. Quando se gosta muito de uma coisa não deveremos querê-la domesticada, envasada, dependente de nós. 

Também me recordo de uns amores-perfeitos que o meu pai plantava no canteiro do jardim da frente e alguns eram em violeta vincado, lindos.

E há o alfazema que perfuma o canteiro junto à porta. Não será ultra violeta mas um suave lilás, lavanda, delicado alfazema.


E, escrevendo sobre flores profundas e belamente perfumadas, tenho que recordar as flores misteriosas de Georgia O'Keefe. Veludo e suspiros, olhos velados, a noite que se advinha. 


E, em casa, também gosto de um ou outro apontamento nesta cor que é feita de outras que se atraem e que, talvez por isso, ficam bem junto do azul escuro, junto do bordeaux, junto do branco.


Mas, pronto, tudo isto para dizer que a cor deste ano é o PANTONE 18-3838 Ultra Violeta. 



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E um bom dia feriado a todos quantos por aqui me acompanham.

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domingo, julho 03, 2016

O fogo, a ardência, o sangue, o vinho bem tinto, a carne viva, o vermelho, carmim, encarnado, rouge, red.
Estas são as minhas cores preferidas
Faça também o teste baseado na teoria Lüscher da cor e descubra os traços dominantes da sua personalidade


O meu Barnett e eu



Se vejo o mar em azul-sedutor ou em azul quase verde-atraente ou mesmo em azul quase chumbo, sombra e suspeita -- eu gosto.

Se o céu está azul e limpo, ou luminoso e tranquilo -- eu gosto. Ou, ao anoitecer, quando se transforma em azul quase submarino -- eu gosto.

Mas, se tenho que escolher uma cor, não é o azul que tantas vezes procuro que escolho. Eu escolho o fogo, a ardência, o sangue, o vinho bem tinto, a carne viva, o vermelho, carmim, encarnado, rouge, red.

Há pouco estive a ver o rio envolto em dourado, o casario suavíssimo, as serras banhadas pela luz do ocaso. A janela estava cheia de céu e rio. Lindíssimo. Entrava uma aragem fresca, que condizia com a brandura desta paz dulcíssima que se sente na minha sala. E, no entanto, se tivesse que escolher a cor desse instante, sem pensar, eu escolheria o fogo que se escondia por detrás do horizonte.

Antes, in heaven, eu tinha estado entre as portadas da sala a espreitar o calor ardente da tarde, aspirando o ar quente e docemente perfumado das flores do loendro.



Macias as pétalas, quase húmidas de doçura, um rosa forte que é encarnado temperado com pingos de branco, talvez um leve pingo de azul sentimental.
(Que saudades sinto de pintar, se temperar as cores, de misturar brilhos, caprichos)
Desta flor olorosa se desprende um perfume que atrai os pássaros, que prende os corações, que inspira poetas. A luz pousa nas flores, enche-as de reflexos luminosos e eu, na sombra da sala, entre os cortinados, espreito a luz e o calor e, quando reparo, é sobre os vermelhos que o meu olhar também pousa.

Quando começa a entardecer, como uma gata encalorada, vagueio pelo exterior, junto à sombra, procurando a frescura que transpira das grossas paredes.

A buganvília está florida. Não é de vermelho-puro: é fúcsia, as pétalas quase de papel, discreta não fora a cor coquette. Trepa pela parede, toda ela tão feminina, vestida de folhas verde e amarelo, pétalas chamativas.

[Tantas flores que vi e, no entanto, ao fotografar foram estes os tons que predominantemente escolhi. E se por lá há arbustos cobertos de flores brancas... Porquê?]


Já de manhã, na praia, tinha andado em busca dos pólens que, quais pós das estrelas, salpicam as pétalas que são sedas suaves das flores que tingem de cores vibrantes as dunas. Magentas, fúcsias, pinks. As dunas ardendo ao sol e brilhando em tons gritantemente coloridos.


Enquanto escrevo, olho à minha volta. Esta sala é grande. Um dia achei que a parede do fundo, onde estão os sofás em cor quente, precisava de estar pintada de cor de sangue. O assunto foi polémico. Deu muita luta. Mas aqui está ela, uma parede em cor de sangue bem forte. Linda. Sobre ela um quadro que pintei, todo ele cores de fogo, chamas petulantes, céus de perdição, um corpo nu de mulher atravessando uma noite quente.

Gosto de ver casas claras, de móveis claros, sofás claros. E, no entanto, onde vivo não há neutralidade. As cores impõem a sua presença. Há vibração, intensidade, calor. Confesso: não suportaria viver numa casa escura, preciso de viver entre cores quentes.

O encarnado e todas as suas derivações, a chama, a intensidade, a vibração plena de vida -- essas são as cores que correm dentro de mim.

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E vem esta conversa a propósito de um teste que mão amiga, sabendo da minha gulodice por testes de toda a espécie e feitio, me fez chegar.

This Scientific Color Test Will Reveal Your True Personality Traits


Reza assim: Este teste é inspirado pela conhecida teoria Lüscher da cor, que teoriza acerca de os traços de personalidade de uma pessoa poderem ser identificados a partir das suas escolhas de cores


Fiz o teste, claro está. O resultado não me espantou.

Red

Based on this test, you were mostly drawn to the color red. Like a fire, you burn with passion and desire. 

Your dominant personality trait is your ardency. You are dynamic, powerful, strong, sexy, and exciting. 

Because you're so intense, you can be very aggressive. 

You are a determined and highly competitive person who invests 100% in everything you do.

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Roll the Dice de Charles Bukowski

(lido por Tom O'Bedlam)

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Lá em cima, uma vez mais a Habanera da Carmen de Bizet 
numa fantástica interpretação de Anna Caterina Antonacci (The Royal Opera)



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Convido-vos, agora, a irem de visita até ao meu outro blog, o Ginjal e Lisboa onde hoje vou pela mão de Fernando Pinto Amaral.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.


sábado, dezembro 19, 2015

As cores de 2016: Rosa-Quartzo e Azul-Serenidade





Desde há algum tempo, a Pantone escolhe as cores do ano que aí vem.

Assim o fez agora para 2016.

Contudo, pela primeira vez não foi escolhida uma cor mas uma simbiose de duas cores, o rosa e o azul: PANTONE 15-3919 Serenity and PANTONE 13-1520 Rose Quartz.


Em tempos de stress, medos, crises, angústias e tudo o que se sabe, pretende-se com esta escolha de cores fluidas apelar à paz, tranquilidade e leveza.

Percebo a ideia e até gosto mas, sinceramente, estas cores não fazem muito o meu género: prefiro cores mais vibrantes mas, reconheço, talvez seja bom que os tempos que aí vêm tragam uma acalmia; e nada como estas cores para pensarmos em véus, transparências, céus, inocências, sedas, algodões doces, suaves afectos.




















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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.