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quarta-feira, dezembro 06, 2023

Das reacções às conclusões do estudo sobre o novo aeroporto destaco a inteligente conclusão do Montenegro, o tal que põe o Cavaco numa pilha de nervos (já para não falar no Marcelo que, de cada vez que o ouve, deve dar voltas em torno das suas [suas, do Marcelo, o reiterado tomba ARs] descabeladas estratégias, sem saber o que fazer à vida)

 

É sabido que os meus dias andam um pouco atrapalhados e, por isso mesmo, ando um pouco desligada do frisson das notícias. Apanho-as de passagem e, geralmente, só ao fim do dia. Hoje calhou apanhar parte da apresentação do grupo de trabalho sobre a localização do futuro aeroporto quando ia no carro mas a tarde ia ser tão preenchida que não deu para ouvir tudo nem deu para, depois, tentar recuperar.

Mas, do que vi há pouco, não me admirei por ver aqueles apontamentos de reportagem que as televisões fazem nestas circunstâncias, em que mandam jovens e inexperientes repórteres perguntar a pessoas na rua o que achariam de lá ter um aeroporto. Não me admirei porque, apesar de estúpido, é o que sempre fazem. E toda a gente opina, a malta gosta de se apanhar com um microfone em frente da boca, e, independentemente de desconhecerem todos os extensivos estudos que gente de várias competências fez, arrumam com a coisa em três penadas. Ora que sim, ora que não por causa do preço das casas ou por causa do barulho -- e já está. E parece que a quem opina na maior ligeireza nem ocorre pensar que se calhar há mil vertentes a ter atenção e sobre as quais poderiam, pelo menos, ter a curiosidade de conhecer. Zero. Meia bola e força. E as televisões exibem todas as inanidades como se fossem opiniões bem estruturadas. A comunicação social ao serviço da estupidificação colectiva.

Mas ainda mais extraordinário que tudo isto foi a reacção do Montenegro: o oposto disso. O opostíssimo. Depois de termos tido uma multifacetada e competente equipa a estudar, para cada cenário, as vantagens e desvantagens, as oportunidades e as ameaças, os constrangimentos económicos, ambientais e sociais e sei lá que mais, eis que a reacção de Montenegro foi tão só a de que vai... formar uma equipa, mais uma equipa, para estudar o relatório. Rápido no gatilho, ele. A ver se ao menos se cinge às hipóteses estudadas porque, com a sua notória falta de liderança, se dá carta branca para se porem a inventar novos cenários, se for por eles, nem em 2080 vou conseguir estrear o novo aeroporto. E não foi capaz de uma palavrinha de elogio para a forma exaustiva e clara como o trabalho foi apresentado. Nem lhe passa pela cabeça que há um relatório executivo, de síntese, e um de estratégia que igualmente deve ser de síntese e que ele próprio ou alguns dos seus podem e devem ler e depois fazer uma reunião para alinhar ideias. Não: aí vai mais um grupo de trabalho. E depois vão o quê? Pedir para fazer o trabalho de outra maneira? Acrescentar critérios? Apresentar um estudo cujo objectivo é refazer o estudo? Está bonito.

E, para justificar a criação do seu grupo de trabalho privativo, enredou-se em novelinhos, rodriguinhos, tri-li-lis, uma conversinha enredadinha para dizer que ia perder tempo para ganhar tempo. Rapaz esperto. Não admira que o cavaco, sempre que o vê, tenha vontade de saltar para a arena e vir fazer a vez dele. Só que cavaco usa uma linguagem e argumentos pouco éticos, treslê a seu gosto o que outros dizem, tempera a conversa com o seu usual ressabiamento a que só falta o bolo alimentar do pretérito bolo-rei e, portanto, ainda enterra mais o PSD.

Portanto, estamos conversados quanto ao que deveria ser o principal partido da oposição. O ventura chama-lhe um figo e papa-o sem ele dar por isso.. 

Tirando isso, do que ouvi da apresentação da Comissão Técnica Independente e do que li agora, pareceu-me um trabalho asseado, bem feito, bem ponderado. Gente capaz faz trabalho capaz. E gostei da crista rubra de Maria do Rosário Partidária, a presidenta da comissão. Mulher porreta, isto é, à maneira. Fixe.

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E um dia feliz para todos

Saúde. Ânimo. Paz.

sexta-feira, julho 01, 2022

Porque é que Pedro Nuno Santos fez o que fez neste seu episódio do aeroporto precoce?
Que venham comentadores à maneira discutir a magna questão.

 

Muita conversa, muita conversa mas quem nunca teve ou assistiu a um episódio do género que atire a primeira pedra

Acho que o que costuma estar na origem é o stress, a ansiedade, o receio de não conseguir cumprir, coisas assim. Isto quando são episódios ocasionais como parece ser o caso.

Mas, de facto, não sabemos. O que levou o ministro Pedro Nuno a vir assim a público fazer a festarola que fez, um orgasmo que até parecia mesmo a sério? Ninguém sabe.

A gente estranhou a exuberância da coisa quando ninguém tinha dado pelos preliminares. Dá ideia que foi coisa mesmo saída do nada. 

Mas, pensando bem, claro que do nada não foi. Na verdade a solução estudada e negociada deveria ser mesmo esta mas entre ser para ser e já estar no ponto para ver a luz do dia, ou seja, dar o acto por consumado, vai um grande passo. 

Mas, lá está, acontece. Um dia destes, quando os rubores lhe passarem, o Pedro Nuno há-de confessar-se. Quiçá ao Daniel Oliveira. É apanhá-lo lá, no Alta Definição, e, olho no olho, de perguntinha em perguntinha, levá-lo a desbroncar-se todo. Quando for a estocada final --  'o que dizem os seus olhos?' --já ele há-de estar de lagriminha no canto do olho e já há-de ter desabafado sobre todos os segredos.

Agora o que tenho a dizer é que o caso merece ser comentado. Mas não pelos chatos que aqui estão a enxamear todos os balcões televisivos onde se serve comentário a copo. Ná. Nada disso.

Cá para mim isto é pratinho bom é para a turminha do Passadeira Vermelha. Ou para a turma da Cinha da beiçola grossa, já especializada em números marados do Big Brother ou das brigas na realeza. Quiçá também para os bacanos do futebol que se alojam na CMTV ou no canal 11. Isso é que era. Um grande debate nacional com estes reis do comentário.

Ah, esperem, pára tudo: para dar alguma densidade ao debate, também o Milhazes e Rogeiro mas declaradamente na versão Manuel Marques e Herman José.

Bora juntar esta malta toda e pô-los, a todos, a comentar o vestuário do Pedro Nuno e do Costa, se os sorrisos deles eram verdadeiros ou se coisa só para épater les bourgeois, se têm ou não namorada nova, se sabem estar, se a jogada foi limpa, se o míssil era secreto ou se há risco da ejaculação voltar a acontecer prematuramente.




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Ou seja, vamos ouvir estas ecléticas turminhas a ver se algum deles descortina a chave da charada: quem tramou o Speedy Peter? Foi ele que se auto-tramou? Ou foi alguma eminência parda que lhe pregou uma partida? Ou... what?

E queiram continuar pela pista, é só descerem.

E uma feliz sexta-feira

Pedro Nuno Santos e o estranho caso do aeroporto precoce:
quis ser ele a cortar a fita da silly season ou acordou despassarado e resolveu dar uma de enfant terrible?

 

Pergunto porque, na realidade, não sei nem faço a mínima. Ontem, vinha no carro, ouvi a notícia e fiquei espantada com o facto de, aparentemente de repente, ao fim de tantos e tantos anos, todas as decisões terem sido tomadas. 

À noite, ainda pensei escrever sobre o tema mas parecia-me um coisa tão inesperada, tão insólita, que achei que era melhor deixar pousar para ver no que dava.

Devo dizer que não tenho conhecimentos para me poder pronunciar sobre o tema em si. Uma decisão sobre a localização de um grande aeroporto internacional é uma decisão complexa que envolve muitas restrições e inúmeras variáveis. Diria que é daqueles casos típicos em que a investigação operacional se aplica como uma luva. 

Portanto, a única coisa sobre a qual me posso pronunciar é sobre a demora ridícula que a decisão tem levado a ser tomada. Ora é a Ota, ora é Montijo, ora é Alcochete, ora é Beja, ora é sei lá o quê. A Portela vai ficando saturada e nós, feitos totós, continuamos alegremente a discutir a mesma never ending story.

Em abstracto, diria que o aeroporto em Alcochete me pareceria bem situado e diria também, em abstracto, que intermediamente, ou seja, até que esteja concluído, se aproveitem outros já prontos a usar. Mas isto em abstracto -- e as abstracções, neste caso, não servem de nada.

Agora o que leva um ministro a avançar com uma decisão, fazê-la publicar e divulgá-la aos sete ventos sem a discutir e fazer aprovar antes pelo Primeiro-Ministro e sem terem a oportunidade de o discutir com o Presidente da República, é coisa que me parece do além... 

O que deu na cabeça de Pedro Nuno Santos? Fartou-se de mé-mé-més? Já está sem saco para tanta hesitação? Fartou-se de tanto entendimento com o líder que foi, com o que há-de ser, com o autarca que quer dar nas vistas, com a Catarina que não percebe que já ninguém a leva a sério, com os ambientalistas que parece que só querem moer a paciência? Fartou-se de ter que se dizer tudo ao Marcelo? Ou estava capaz era de ir já de férias e quis despachar serviço, sem medir bem o que fazia?

Alguma foi.

De qualquer forma não é grave.  Aeronavegações precoces são coisas que acontecem.

Por isso, adiante e siga o baile.