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domingo, junho 21, 2015

Christine Lagarde, em carta, jura fidelidade a Sarkozy. "Tout un programme" ! Fanfarrona com os que estão na mó de baixo..... próxima da horizontal com os, pelo menos momentaneamente, poderosos.*


De Leitor de quem recebo sempre artigos, livros, músicas, vídeos e tudo sempre interessante e de meu agrado, recebi mail com material extraordinário.

Entretanto, vi que o Público já se fez eco de um das aberrações que constava desse material e, portanto, por uma questão de facilidade -- já que admito que muitos dos meus Leitores não percebam bem o francês -- transcrevo daqui uma parte:

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-ministra da Economia francesa, Christine Lagarde, suspeita de cumplicidade no desvio de fundos públicos no chamado "escândalo Tapie", terá escrito uma carta ao antigo Presidente Nicolas Sarkozy em que lhe jura fidelidade.


Largarde foi ouvida em tribunal no passado dia 23 de Maio. Dois meses antes, a polícia tinha encontrado em sua casa uma carta manuscrita dirigida ao antigo Presidente francês. A missiva foi nesta segunda-feira revelada pelo jornal Le Monde, que alega ter tido acesso ao processo judicial que condenou o Estado francês a indemnizar em 2008 o empresário francês Bernard Tapie com 403 milhões de euros. Tapie é amigo de Sarkozy e apelou ao voto no ex-Presidente.

“Querido Nicolas, de forma breve e respeitosamente, estou ao teu lado para te servir e servir os teus projectos para França”, começa por dizer a carta, que não se sabe se chegou a ser entregue a Sarkozy.

Ainda segundo o Le Monde, Christine Lagarde diz ter dado o melhor de si, acrescentando que se alguma vez falhou pede que Sarkozy lhe conceda perdão.

“Utiliza-me como te convier e como convier ao teu projecto. (…) Se me utilizares, necessito de ti como guia e do teu apoio: sem a tua condução poderia ser ineficaz, sem o teu apoio seria pouco credível. Com imensa admiração, Christine L”, pode ler-se na carta divulgada pelo jornal francês.


(...)

E agora, transcrevo na íntegra a asquerosa carta manuscrita que foi encontrada e enviada ao Le Monde que a divulgou:

"Cher Nicolas, très brièvement et respectueusement", écrit la patronne du FMI. 
"1) Je suis à tes côtés pour te servir et servir tes projets pour la France. 
2) J'ai fait de mon mieux et j'ai pu échouer périodiquement. Je t'en demande pardon. 
3) Je n'ai pas d'ambitions politiques personnelles et je n'ai pas le désir de devenir une ambitieuse servile comme nombre de ceux qui t'entourent dont la loyauté est parfois récente et parfois peu durable. 
4) Utilise-moi pendant le temps qui te convient et convient à ton action et à ton casting. 
5) Si tu m'utilises, j'ai besoin de toi comme guide et comme soutien : sans guide, je risque d'être inefficace, sans soutien je risque d'être peu crédible. Avec mon immense admiration. Christine L. "

Um asco. Lê-se e não se acredita nesta miséria. Como pode uma pessoa rastejar desta forma? Que desilusão que esta parva me tem saído, caraças.

E é nas mãos de gente destas que está o poder de decidir grande parte dos destinos do Mundo...? Assustador, muito assustador.

---

* Permiti-me usar no título da mensagem (parte em itálico), sem pedir prévia autorização, o texto que o Leitor escreveu no mail. Por isso e por tudo daqui lhe envio o meu agradecimento.

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E, agora, convido-vos a descerem até ao post seguinte no qual poderão conhecer a história de Beatriz, a mulher que se sentia como se estivesse a ver dentro de um conto (talvez de Borges)

...

segunda-feira, maio 07, 2012

Vive la France! (Com a vitória de François Hollande, a Europa pode, de novo, ter esperança no futuro. Vamos é perder aquelas fantásticas imagens da Popota Merkel com o seu papagaio de estimação, Sarkozy, pela mão)


Vejam, por favor: é uma boa metáfora do que se passou nas eleições francesas


La Marseillaise - excerto de Casablanca


Penso que este excerto do Casablanca é tão eloquente que vou tentar não dizer muito mais. 

Apenas umas palavrinhas
(... já sabem que sou opiniosa: teria dificuldade em não dizer nada, num dia destes, não é...?)


Talvez pela primeira vez desde que a União Europeia se formou, todos sentimos que a política já se joga em todos os estados membros e não, apenas, naquele em que vivemos. Por todo o lado, toda a gente tem acompanhado com uma atenção preocupada a evolução das sondagens e, hoje, os resultados

As eleições em França, na Grécia, na Alemanha e no Reino Unido, embora de âmbitos diferentes, revelaram, de forma sonora e clara, a onda de profundo descontentamento que alastra na Europa. 

Se na Grécia o que é patente é a descrença enorme relativamente aos partidos do agora chamado 'arco do poder', descrença essa que abre a porta a toda a espécie de radicalismos, já em França o que houve, sobretudo, foi uma afirmação no orgulho nacional contra a colagem e subserviência de Sarkozy perante a Alemanha liberal da coligação encabeçada por Merkel e, também, um murro na mesa contra a austeridade imposta pelos 'mercados' que, um pouco por todo o lado, estrangula o desenvolvimento.

Hollande pode não conseguir mudar o mundo de um dia para o outro mas vai fazer diferente e a diferença, neste momento, já não é pouco. 

E está a abrir a porta à esperança e isso também não é pouco. A vida para ser vivida com qualidade precisa de confiança, precisa de esperança, precisa de motivação. A motivação é (quase) tudo - que o diga José Mourinho.

Merkel perdeu o seu petit papagaio, o seu homenzinho de mão, que lhe dizia amén a tudo. Merkel viu também o seu partido de coligação perder numas eleições regionais e arrisca-se, portanto, a vir a perder o seu parceiro de coligação quando forem as eleições 'a sério'. Merkel começa, certamente, a sentir o peso da solidão que vai abater-se sobre ela. 

Cameron, no Reino Unido, também levou um abanão. Se juntarmos a isso as afirmações da dupla de Marios, os italianos Monti e Draghi, que têm pugnado por colocar o crescimento no centro da agenda, veremos que, finalmente, temos motivos para esperar que o bom senso, a racionalidade, a boa gestão, a competência e a política séria e ao serviço das populações volte a figurar entre as virtudes da governação.

Quanto a Passos Coelho, acho que não conta, não tem voz própria, não tem cabeça para tanto. Irá atrás de quem lhe parecer que manda. A pena é que o fará sempre de forma incompetente e trapalhona. Até um dia.


Resumindo: Fiquei contente com a vitória de Hollande.

E o homem tem uma voz grossa, convincente, e tem um discurso democrático, republicano, digno, coerente. Dá gosto ouvi-lo.

(Ressalva: Mas olho para ele e só me apetece reformular aquele look. O homem poderia melhorar bastante se cortasse o cabelo bem curtinho, se usasse uns fatos mais leves e se deixasse de usar aquelas gravatas quase pretas que lhe dão um ar tão carregado. Não é velho mas, da forma como se apresenta, parece que tem mais 10 do que, na realidade, tem, e tem um ar fora de moda o que lhe acentua, ainda mais, a falta de carisma, credo. A namorada é que tem pinta.)

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Bom. Hoje no Ginjal e Lisboa, a love affair , em dia de vitória dos socialistas em França, apeteceu-me dizer bem também do meu país que sabe a amoras. Por isso, as minhas palavras voam em volta de um belo poema de Eugénio de Andrade que fala disso. Hoje também se inicia, por lá, a semana dedicada a Bizet e, como diz a Mary, num país azul nada como pescadores de pérolas mergulhados num cenário azul. Permito-me ainda chamar a vossa atenção para os comentários: não deixem, por favor, de os ver.

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E tenham, meus Amigos, uma bela semana. Vivamo-la com ânimo, com energia, com alegria. 

E viva a esperança!

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Quando não se sabe o que se anda a fazer o resultado é o permanente disparate - onde se fala das medidas tomadas no sector dos transportes e dos resultados que já estão à vista. E onde também se fala da Carta pró desenvolvimento e pró relançamento da economia assinada pelo Reino Unido, Itália, Holanda, Espanha, Irlanda, Suécia, Finlândia, etc,... e que deixou Portugal de fora!



Já participei em jogos de simulação de gestão, de mais do que um tipo e proveniência. São, no entanto, do mesmo género (pelo menos os que conheço). É como se cada equipa fosse o corpo de gestão de uma empresa. Todas as equipas recebem o mesmo briefing no qual é descrito o meio em que a empresa vai operar, com numerosos elementos de toda a espécie e feitio.

Como são jogos de equipa, as decisões são tomadas colegialmente. Os desafios variam e, de jogada para jogada, as equipas vão reagindo ao evoluir dos resultados. Ou seja, uma jogada que pode parecer perfeita, acaba muitas vezes por ser um desastre face às jogadas das outras equipas em competição.

Geralmente a cada semana reuníamo-nos e tínhamos acesas discussões, ensaiávamos, discutíamos, uns a defenderem uma estratégia de diferenciação, outros de massificação, sempre olhando as jogadas anteriores das outras empresas e os resultados obtidos. 

O jogo consiste, pois, em simular o mercado relativo a um determinado bem (por exemplo, fabrico e venda de automóveis) e, depois de todas as equipas terem feito a sua jogada, um programa informático ‘corre’, apurando os resultados de cada empresa: quanto é que vendeu de cada produto, que custos teve, se teve produtos estragados, com que quantidades ficou em stock, qual a quota de mercado que alcançou, a sua posição em bancos, a demonstração de resultados e o balanço, estudos de mercado que demonstram como é que os produtos e a empresa são percepcionados, estudos de satisfação interna junto dos colaboradores, a cotação em bolsa.

Cada equipa tem que tomar decisões a vários níveis, desde as que se relacionam com estratégias comerciais (que produtos e que quantidades vendidas de cada um é que se  pretende alcançar, quais os respectivos preços de venda, que campanhas de marketing, de que montante, para que produto, dimensionamento das estruturas comerciais, etc, tudo com óbvias implicações em custos e proveitos), decisões de produção (quantidades a produzir, organização e dimensionamento das equipas, aposta forte ou não na investigação ou na qualidade, etc, com implicação directa nos custos operacionais), estratégias de recursos humanos (quantos trabalhadores vai ter e de que níveis, se vai seguir uma política de baixos salários ou, ao contrário, de salários fantásticos, ou, ainda, apostar numa base fixa alta ou numa baixa mas com bónus variáveis, ter ou não custos consideráveis de formação, etc, e tudo, claro, também com óbvias consequências em termos de resultados), políticas financeiras (resolvendo se se vai actuar essencialmente com base em capitais próprios ou, pelo contrário, com elevada alavancagem, naturalmente com implicações directas no volume de investimento mas, também, no serviço da dívida), etc - ou seja, todos os items sobre os quais, numa empresa a sério, os responsáveis têm que decidir.

Participar nestes jogos de simulação é uma prática educativa a todos níveis.

Eu, geralmente, das vezes em que joguei, tendia a preferir uma estratégia de diferenciação, com trabalhadores bem remunerados, apostando em produtos especiais, diferentes, em que a própria oferta gera a procura, em que há uma forte aposta na investigação, na qualidade e no marketing, não se vendendo grandes quantidades mas em que se podem praticar preços elevados.

Mas há quem defenda a estratégia oposta: vender de tudo, em grandes quantidades, aliviar na investigação, qualidade e marketing, ter custos baixos, vender barato, praticar grandes descontos.

Pode haver também estratégias híbridas, ou seja, ter produtos de combate, baratos, e ter um ou outro produto especial que se destine a nichos de mercado; e ter trabalhadores indiferenciados numas áreas  e outros, noutros sectores, altamente remunerados. Ou seja, tudo é possível – e tudo tem implicações.

De todas as vezes em que joguei, constatei que havia um traço comum: as equipas inexperientes atiram-se ao jogo como gato a bofe. Baixam ordenados a eito, contratam trabalhadores indiferenciados a quem pagam tuta e meia, aumentam preços de venda e, na sua cabecinha de quem da vida nada conhece, imaginam que, assim, infalivelmente aumentam os lucros e que ganham logo o jogo. 

Geralmente a decepção não se faz esperar pois, em regra, começam a ter problemas logo à primeira jogada. Como os preços de venda estão muito altos, os clientes mudam-se para a concorrência ou deixam de consumir e, dado que ficam insatisfeitos por terem salários baixos e não terem formação ou outros incentivos, os trabalhadores fazem greve e perdem-se dias de produção e os mais qualificados mudam-se para a concorrência. Geralmente são estas as equipas, de pretensos jovens turcos, que se estampam de tal maneira que já não conseguem recuperar, acabando em último lugar.

Este é o Álvaro, o desaparecido ministro da economia, transportes, etc
Agora, para relançar o emprego jovem, avançou o omnipresente Relvas,
deixando o Álvaro a relançar a indústria de padres e pasteis de nata

Lembrei-me disto ao ouvir o mau desempenho que as empresas de transportes vêm apresentando desde que este extraordinário governo começou a tomar medidas. O número de utentes está a baixar de tal maneira que as receitas tiveram quebras acentuadas e os resultados pioraram (já para não falar no descontentamento dos trabalhadores do sector).

Aconselho a leitura do artigo da autoria de Jorge Silvestre do Expresso online que explica bem a situação.

O problema dos transportes resolve-se quando se estudarem os transportes de uma forma integrada (analisando toda a procura, toda a oferta, conduzindo uma racionalização articulada, analisando todas as envolventes – incluindo  as regalias exageradas que os trabalhadores, ex-trabalhadores e colaterais têm e de que os media vêm fazendo eco, embora presuma que isso tem um impacto marginal se bem que muito mediatizado). 

Sérgio Monteiro, Secretário de Estado dos Transportes que,
vá lá, ao menos dá a cara. Faz tudo ao contrário mas existe
e defende as suas ideias enquanto o chefe, o Álvaro, nem aparece


Agora fazer o que este governo fez, que passou por aumentar destravadamente os preços dos transportes sem olhar a mais nada, tem o efeito que acima descrevi quando referi as típicas jogadas imaturas dos jovens turcos de trazer por casa (sem ofensa para os verdadeiros jovens turcos…) - e já nem refiro as dificuldades acrescidas sobre os pobres dos utentes. Ou seja, uma desgraça.

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Mark Rutto e David Cameron

Uma palavra também para a Carta que doze primeiro-ministros europeus enviaram a Van Rompuy e a Durão Barroso alertando para a necessidade de mudar o foco da estratégia europeia, deixando de insistir na política de austeridade em cima de austeridade, e, pelo contrário relançar a economia e a confiança, avançando com medidas concretas nesse sentido (e que passam, por exemplo, por criar estímulos à empregabilidade de jovens e mulheres). A carta seguiu em nome de Cameron (Reino Unido), Mario Monti (Itália) e Mark Rutt (Holanda) e foi também assinada, entre outros, pelos primeiro ministro espanhol, irlandês, finlandês, sueco, finlandês, polaco.

Segundo Cameron nem contactaram Passos Coelho porque todos sabem que não está alinhado com esta estratégia, sabem-no colado à política recessionista da dupla Merkozy. 

Uma vergonha, uma tristeza, uma desgraça para nós, vítimas do posicionamento absurdo de Passos Coelho.

Mas isto um dia muda, ah muda.
  

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

O abúlico P do grupo dos PIIGS (ie, um elo pouco inteligente); Merkel, Alberto João Jardim e o piegas e complexado Passos Coelho; e, por falar nela: Merkel e Sarkozy, Dinner for One. E, para haver alguma coisa que se aproveite, o Staatsballet Berlin, a Maria Guinot, de Chirico e Richard Avedon (aqui há de tudo...)


Alinhado com o chefe Passos Coelho, diz Paulo Portas que nós não somos a Grécia e, como é seu hábito, contabiliza pelos dedos o número de razões que o comprovam. 


Nós somos quase a Irlanda, acrescentam em uníssono.

E todos, por aquelas bandas políticas, repetem esta mensagem. Querem demarcar-se dos gregos sarnentos, acham preferível colar-se aos irlandeses que são mais limpinhos.

Errado. Errado! Numa estratégia negocial (e o que eu gosto de negociar…?! vocês nem imaginam… ) o inteligente seria fazer justamente o contrário.

O nosso grande problema - e quando digo nosso refiro-me, por exemplo,  a Portugal, à Grécia, à Espanha, que também vai de mal a pior - é que os mercados ‘atacam’ quem lhes parece mais vulnerável. 

Uma vítima isolada é sempre uma vítima frágil.

  • [Abro aqui um parêntesis para voltar a recordar que os ditos 'mercados' se têm uma parcela racional e razoável, têm também um lado negro, funesto, especulador, ganancioso, apostando fortemente no incumprimento e isto porque têm fundos que ganham com isso e, por isso, fazem de tudo para que haja mesmo incumprimento, bancarrota – tal como agora há fundos que apostam na morte antecipada dos segurados. E se isto tudo vos parece necrófago e acham que estou a delirar, cliquem aqui e vejam com os vosso próprios olhos. E vamos ver qual o desenlace da tragédia grega em curso.)


Voltando à cold cow: Passos Coelho, como se tem vindo a demonstrar, é uma pessoa com algumas limitações* e as pessoas assim, para não se sentirem inferiorizadas, gostam de se rodear de gente mais fraca ainda, como é o caso, por exemplo, do grande guru da economia e finanças portuguesas, o engenheiro civil Moedas, do sonsinho trapalhão Gaspar, do atarantado Álvaro e outros que tais. Por isso, é gente que não pensa e que, de resto, também não tem experiência. Gente assim apanha-se à mão e isto é um perigo para nós, portugueses.

Tudo pequenino...? Ah isso não sei.
Mas que tem limitações, lá isso tem,
basta olhar-lhe para o fácies.

  • [Outro parêntesis, agora para falar das limitações de Passos Coelho. Há pouco vinha a ouvir na TSF o Proença de Carvalho e o Nogueira de Brito. A propósito do que Passos Coelho diz, nomeadamente, que os portugueses devem ser mais descomplexados e menos piegas, dizia o insuspeito Nogueira de Brito que como é sabido Passos Coelho tem algumas limitações a nível do vocabulário e que, portanto, usa palavras desapropriadas porque não conhece muitas mais]



Volto à cold cow: o que deveria ser feito era Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha, Itália, pelo menos estes (PIIGS, com muito orgulho e não inferiorizados), unirem-se, delinearem uma estratégia comum e, solidariamente, defenderem na UE uma solução conjunta que implicasse equilíbrio e desenvolvimento.

Os Gladiadores de Giorgio de Chirico

Havendo um bloco coeso de países em dificuldade, um bloco com o peso que este teria, de certeza que outro galo cantaria. A ver se andavam para aí de cimeira em cimeira atrás daquela galinha loura (galinha! estou a chamar-lhe galinha. Pensavam que a cow de que eu estava a falar era ela, jurem lá...) com cabelo cortado à tigela, filha de pai pastor luterano e educada no regime comunista - bela mistura como background - a ver se andavam anos neste faz que chove mas não molha, deixando a Grécia agonizar, deixando que Portugal para lá caminhe, deixando que a coisa vá piorando para toda a gente na Europa.

  • [Já agora por falar na Merkel: que não morro de amores pelo Alberto João é sabido e ressabido. Mas que admita que uma bardajona qualquer (e desculpem-me o linguajar...) ande por aí a dar lições de moral, apresentando como mau exemplo o que foi feito numa parte do território português, acho uma coisa intolerável. Onde é que pára agora o piegas do marido da D. Laura? Não os tem no sítio para vir a terreiro dizer àquela galinha intrometida para se ir meter lá com os da terra dela?]



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Bom, mas nem tudo é mau dos lados de Berlim. Não confundamos uma dirigente parva com uma nação.

Um exemplo? Vejam, por favor.



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E tenham, meus Caros, uma boa quinta feira!

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... e de bónus...

Audrey Hepburn por Richard Avedon

 Música*, por favor.

[* Já depois de ter publicado este post, voltei cá para incluir esta uma música, 'Silêncio e tanta gente' de Maria Guinot e agradeço à minha leitora Pôr do Sol que, no comentário à história de ontem a'o homem das mãos vazias' ma recordou; ficaria talvez melhor lá, ao pé daquele homem, mas apeteceu-me colocá-la hoje aqui - é uma voz dissonante na aridez dos temas destes dias de apreensão e isso é coisa que faz tanta falta. Precedi-a da belíssima fotografia de Avedon para ficar melhor acompanhada]

segunda-feira, dezembro 12, 2011

O primeiro ministro egípcio Kamal el-Ganzuri desatou a chorar numa conferência de imprensa. Mas o que vem a ser isto? Este mundo está a ser governado por meninas?!?!?!?! Mas talvez os homens estejam a caminho. Nick Clegg e Dominique Villepin, minhas senhoras - prestem atenção...


Depois da Ministra italiana do Trabalho e dos Assuntos Sociais, Elsa Fornero, ter desatado a chorar, não conseguindo verbalizar a palavra sacrifícios (que era suposto pedir à população), agora chegou a vez do Primeiro Ministro do Egipto. Numa conferência de imprensa em que descrevia a situação económica do país como perigosamente grave, atribuindo-a aos inumeráveis desvios do anterior regime, ao ver, via satélite, um cidadão egípicio pedindo ao governo que garanta segurança às crianças antes de lhes dar uma fatia de pão, não conteve as lágrimas.

Ah pois é...!

Que as mulheres não são de ferro já era sabido e, por isso, o mundo pasmou apenas ligeiramente com as lágrimas de Elsa Fornero.

Mas agora também os homens...? Está certo que a expressão, na verdade, é ' um homem não é de ferro' e não uma mulher - mas, ora bolas, não era costume aplicar-se a expressão noutras mais entusiasmantes circunstâncias...?

Já viram bem isto...? Olha se agora desatam todos a ser piegas, todos meninos da mamã, tudo na choraminguice...? A irem para as conferências de imprensa com caixinhas de Kleenex...?

Que maçada. (Já para não falar na concorrência desleal que seria às telenovelas da TVI, em que a filha da outra, afinal é prima da tia, que quer matar o padrinho do primo, que é filho da avó e neto do empregado - e que já pouco fazem chorar)

Ai, minha nossa... O mundo está mesmo virado das avessas...!

!  ?  !


No entanto, aqui e ali, começo a ver alguns homens a despontar. (Digo homens como podia dizer mulheres - o sexo não é relevante, relevante é que os tenham no sítio - and, please, pardon my french)

Por exemplo? Ora bem: com os ingleses o baile está armado.

Nick Clegg, a surpresa que Cameron não esperava
- ainda por cima, um homem bonito

Eis que apareceu o Nick Clegg a dizer que Cameron fez mal, muito mal, que o isolamento em que colocou o Reino Unido não é bom para o crescimento do país, não é bom para as famílias, não é bom para ninguém (nem sequer para a City a quem, supostamente, Cameron quis proteger). Loud and clear, ainda por cima com um british accent de dar gosto. Perante isto, irá a coligação aguentar-se...?! Irá o governo sobreviver...?!

+   !   +

Dominique de Villepin, outra surpresa que veio de onde não se esperava
- e outro homem bonito, com muito charme

Em França o baile que já estava a ser ensaiado, ganhou um inesperado glamour. Eis que agora um cavalheiro com uma grande pinta veio a terreiro dizer que vai a jogo - Dominique de Villepin, ex-primeiro-ministro, ex-ministro dos negócios-estrangeiros e ex-várias-outras-coisas, rival de partido de Sarkozy. Nem mais. Já há uns anos partiu a louça ao afirmar-se contrário à invasão do Iraque. Agora veio afirmar-se inquieto com toda esta trapalhada, que não gosta nada de ver a França humilhada pelos mercados, vergada ao peso de mais e mais austeridade, que isto não é caminho e que quer que 2012 seja o ano da coragem e da verdade. Belas palavras. É, pois, candidato às eleições presidenciais francesas. Hollande é sensaborão, Sarkozy um vendido. Dominique de Villepin não aceita que não haja alternativa e isso, para quem quem tem que escolher alguém que lute por ideiais, que afirme os interesses das pessoas antes dos interesses dos mercados, é meio caminho andado, é música para ouvidos sedentos de uma bela melodia. Além do mais, estando as mulheres em maioria na população, meus amigos, digam-me lá quem é que parte para a corrida já com uma estrelinha, quem é...?

...  !  ...

 

Quem sabe 2012 não vai, afinal, ser um ano cheio de inesperadas surpresas? Quem sabe não será um ano fantástico?

[Quem sabe não desatam a despontar por aí, de onde menos se espera, por todo o lado? (Já seria demais querer que fossem todos assim tão giraços mas, enfim, sonhar não custa...)]

Tomara, minhas Amigas (e meus Amigos, claro).

<>

Ah, é verdade, tenho andado a esquecer-me de vos desencaminhar. Lembram-se que no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair, há todas as semanas um 'tema' musical?

Depois de nas duas últimas semanas ter tido Chopin e Schubert, esta será a semana Mozart. Uma festa de imaginação, criatividade, exuberância. Como sempre, o apontamento musical encontra-se intercalado com poesia que selecciono, com fotografias minhas, com pequenos textos que me são inspirados pelos poemas.

Pois aqui estou hoje, de novo, a convidar-vos a visitá-lo e, como amuse-bouche - que é como quem diz, para vos abrir o apetite - aqui vos deixo o trailer do fantástico Amadeus.




E tenham, meus amigos, uma bela semana!

 

terça-feira, dezembro 06, 2011

A Popota vai tomar conta de nós, que bom. O Papagaio sorri e acha bem que os mal comportados levem umas valentes chicotadas da Dominatrix Popota. (Isto no dia em que Merkel e Sarkozy anunciam que vão rasgar o Tratado de Lisboa e fazer uma casinha para eles e na qual poderão receber os que gostarem da festa)


Ah, meus amigos, que bom, que boas notícias tivémos ontem - a Popota vai tomar conta de nós. Ufff, já me sinto mais descansada.


Andávamos para aqui, no nosso rectângulo de plástico (de plástico para ser mais barato, claro, que os tempos estão de crise - e já o O'Neill o aconselhava), a ficar cada vez mais pobrezinhos, à mercê deste grupinho que nos anda a ir ao bolso dia sim, dia sim, a ver a desgraça a aproximar-se a olhos vistos, com o cherne-mor a dormir nas suas águas profundas, incapaz de nos defender (a todos) do grupo organizado de homens sem rosto que nos ataca sem dó nem piedade, e andava para aqui eu a queixar-me da falta de lideranças e eis que hoje a Popota estendeu o braço, elevou-se na sua bota alta e estabeleceu que, a partir de agora, é ela que manda e desta vez é às claras e a sério. Até aqui andou a ensaiar, a ver se alguém se opunha, a ver como é que a maltinha reagia. Dado que ninguém se importou, então, ela sai do armário, assume a sua veia germânica e vai tomar conta disto tudo.

De que estou eu a falar, perguntam-me vocês?

Então não ouviram que finalmente a Popota mais o seu Papagaio amestrado chegaram a um acordo? Que já sabem como é que ela, com ele pela trela, vão governar a Europa...? Não ouviram? Ah, se não ouviram, perderam um grande momento, um momento histórico.


Dizem eles que vão rasgar o mais depressa possível o Tratado de Lisboa (aquela do 'porreiro, pá...' não lhes caíu bem, expressãozinha mais suburbana, mais sulista, credo), que já estão a começar um novo tratado europeu, que terão todo o gosto em receber lá na casinha que vão fazer quem quiser juntar-se a eles, que as regras vão ser na base do chicote, quem se portar mal levará logo uma valente chicotada (que ela, a Popota gosta de usar bota alta, decote generoso e um certeiro chicote na mãozinha gorda; ele, o Papagaio, já recebeu umas valentes chicotadas e gostou).

E, pronto, parece que é isto. Parece que vamos ser governados pela Popota. E já sabemos o que nos espera.

Aqui, no nosso rectângulo, para que não tenhamos ideias abstrusas, até nos vão tirar o dia da Restauração (Restaurações?! Que é lá isso? Restaurantes? Isso tem a ver com a subida do IVA?) e já há por aí quem acorra a prestar vassalagem. Tudo fazem e tudo farão para fazer parte do corpo de baile - ou melhor, do coro - da Popota. São uns verdadeiros artistas.

Ou seja, meus amigos, não sei se é porque estamos quase no Natal ou por qualquer outra razão mas parece que vamos ter a Popota Merkel no sapatinho.



E agora que já viram o filmezinho para crianças, deixo-vos aqui um outro filmezinho, este de uma Dominatrix, para nos irmos habituando ao género. Nota: Este filmezinho já não é para crianças, certo? É para gente mais crescidinha e tem um carácter meramente didáctico, está bem...? A qualidade não é extraordinária mas, como este é um blogue de família, tive que arranjar um que fosse minimamente decente.




E divirtam-se meus Amigos. Coração ao alto, cabeça erguida. E sorriam que é do melhor que há! Ou melhor, riam, riam alto e bom som!


E tenham um bom dia!
    

quarta-feira, novembro 30, 2011

A Alemanha e a França demencialmente obstinadas, a Itália no centro do medo, ou a Europa a brincar com o fogo. A isso respondo com Amor Total e Fidelidade - um Método Perigoso, sem dúvida, mas que pode trazer muita Alegria. (Poesia, Música, Cinema, Circo, Sol)


Engripada, incomodada, quero lá eu saber se os ministros europeus das finanças, todos reunidos uma vez mais e antes da cimeira de chefes de estado que terá lugar daqui a duas semanas, decidiram avançar para a alavancagem do fundo --- coisa já anunciada há meses e ainda não posta em prática porque a alavancagem é de tal monta que ninguém lá quer pôr o pescoço.

A Itália a soçobrar - o, até há pouco tempo, grande colosso económico e industrial, é agora um gigante que se arrasta, exposto ao gáudio de alguns, dos que tanto vão ganhar. Escuso de vos dizer, meus amigos, que nestas coisas, nada se perde, tudo se transforma. E que, sempre que alguém muito perde, há alguém que muito ganha.

As vozes começam a elevar-se em agonia, 'ai a zona euro a implodir', 'ai a Europa e desfazer-se', e a solução é tão óbvia que espanta como não há um homem ou uma mulher com voz suficiente forte que seja capaz de dar um murro na mesa e dizer que já chega, que mande calar o par de jarras Merkel e Sarkozy, que os mande sentarem-se sossegados, longe um do outro, na última fila, 'shiu que já chateiam, seus estúpidos, caluda', alguém que diga, 'está na hora de as pessoas com tino se chegarem à frente' e correr com esta trupe de gentinha que para aí tem andado a ver se consegue montar o circo e sem competência para o fazer, 'fora, fora daqui, chô, que se cheguem à frente as pessoas de bem, e vamos lá emitir moeda, e vamos lá a olhar para isto com olhos de gente, de gente solidária, democrata, inteligente'.

E por cá, na nossa triste e indigente politiquinha? Bem, já custa - é que até dói. Passos Coelho, mais parece um tonto, menino marrãozinho e algo destituído que segue a burra da Merkel como se fossem ambos inteligentes, o Tozé Seguro com aquele ar de pateta armado em duro, tudo o que diz e faz mais parecendo uma comédia de 5ª categoria, tudo a fingir, pechisbeque, plástico chinês, tudo demasiado mau. Dou por mim a achar acertado o que os do PCP dizem, dou por mim, vejam bem, a ouvir com agrado a Heloísa Apolónia (mas, enfim, ando engripada, quem sabe o vírus não está a fazer das suas...?).

E as vozes que antes tínhamos por algo conservadoras (Jaime Nogueira Pinto, por exemplo) levantam-se e dizem, 'estamos a ser governados por ignorantes' e o rosto demonstra a dor que lhe vai na alma. 

Tudo muito mau, muito preocupante. E eu, engripada, não me apetece mais disto, já chega, credo, como chegámos a isto, senhores...?! E só me apetece chá quentinho, palavrinhas amáveis, peace and love, if you please.

E, portanto, vamos mas é dar uma voltinha por aí, que vai ser bom. No fim, ainda volto á conversa para uma despedida especial tendo em conta que amanhã é um dia histórico.



Amor total, diz ela, sonhadora
 



Fidelidade, diz ele, e mente como todos os sedutores fazem tão bem





Um método perigoso, usam eles, deixando-se enlear nos perigosos caminhos das palavras que tão ardilosamente levam à sedução

(psicanálise, que riscos encerras....)




Eu, que de Freud e Jung aprecio sobretudo o lado inovador e o que se prestam a romances destemperados, sugiro que acabemos o passeio com Alegria, com música, movimento, magia. Cirque du Soleil e o seu espectáculo Alegria, pois claro.


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Boa quarta-feira, minha gente e vamos preparar-nos para gozar em festa o último 1º de Dezembro como dia feriado.

(Será que o Relvas e o seu subordinado Pedrocas fazem ideia ...? Gostava que, à sorrelfa, umas entrevistadoras daquelas 'tipo Fama Show' se aproximassem deles, os mandassem aspirar o hélio de um balão e lhes perguntassem, 'os meninos sabem o que é que se comemora a 1 de Dezembro...?'.

Sempre gostava de ver a cara deles, atrapalhados a olharem um para o outro, vozinha de falsete, a disfarçarem a hesitação como se estivessem apenas armados em engraçadinhos, '1 de Dezembro...? Bem... eu acho que é o dia de S. José... ai não que este é dos civis, .... será o dia do Viriato, aquele que foi de corda ao pescoço entregar-se ao Afonso Henriques? Ai não, que o Afonso Henriques foi antes do Viriato' e o outro, corado, 'Acho que não, acho que tem a ver com a padeira de Aljubarrota, aquela a quem raparam o cabelo e que tinha uma espada muito grande, ou será que essa era a lourinha de cabelo à rapazinho, a francesa? Capaz de ser isso, o dia da padeira mas que era bem capaz de ter um bigode maior que o de um sargento'. E as meninas, frescas e soltas, a rirem, e eles a pensarem que ainda bem que a entrevista tinha sido para o Fama Show... ufffff.

Ou seja, cá para mim não fazem ideia. Mas nem do significado dos dias, nem de coisa nenhuma.

  

sexta-feira, novembro 25, 2011

Passos Coelho não percebe nada disto, Miguel Relvas já nem diz coisa com coisa, a coxa grossa da Merkel em risco, o salto alto do Sarkozy também. Mas que é lá isto, senhores?



Madame Merkel, matrona in black, voz grossa carregada de testosterona, bate o pé ao comissário europeu, ameaça os países pecadores do sul, impõe a sua germânica voz e ... e  os mercados desprezam-na. Não consegue colocar toda a dívida. Os mercados começam a salivar, danadinhos para darem uma trinca na coxa grossa da Merkel.




Senhorzinho Bruni, sobe-se no tacão alto, ensaia arreganhar o dente à patroa Merkel, ela deixa de lhe fazer os miminhos do costume, ele arrepia caminho e jura-lhe amor eterno e ... e os mercados rosnam-lhe. As agências, de pêlo eriçado, ameaçam baixar a classificaçãozinha, ah que lá se vão os AAAsinhos. Ah os mercados querem ir às compras, oh la la, les Champs Elysées, vamos baixar os preçozinhos todos, vamos lá a dar cabo deles.




Vítor Gaspar, menino marrãozinho, um dos cromos de serviço, põe o dedinho no ar e diz à Troika, 'Já fiz o trabalhinho de casa, já fiz! E já fiz ainda mais do que era preciso'. Peter Steps Rabbit enfrenta o Presidente Cavaco, enfrenta o cherne Durão, e como tem uma veneração por gente de nome angélico, depois de seguir tudo o que Ângelo Correia dizia, agora integrou o grupo de dança de Madame Angela Merkel... e os mercados o que fazem? (Ah gente ingrata...!) Então não é que a Fitch agora diz que as medidas de austeridade não chegam, que tem que haver ainda mais e que, ainda por cima, estas medidas estão a lançar o país numa perigosa recessão e vai daí ... baixaram o rating do País... para lixo...!? E avisam que a coisa pode não ficar por aqui. E não é que até os chineses, que também têm uma agência, nos baixaram a classificação...?

Miguel Relvas, rapaz esperto, grande ideólogo do regime, aparece-nos na televisão, carinha rosada e aparvalhada, e já deve ter convocado o conselho de ministros para ver se fazem um brainstorming - é que é preciso perceber o que querem os da Fitch dizer, parece ser a contradição dos termos...! Consta que Relvas já sugeriu que é melhor chamaram o outro inteligente do regime, o jovem Moedas, talvez ele descodifique. Ah, gaita para isto, ele é greve, ele é o Soares, e agora a Fitch. Não estão a perceber nada disto. Ia ser tão fácil e agora corre tudo ao contrário. Até o Duque, outro rapaz com um ar tão esperto, aqueles óculos dão-lhe um ar tão inteligente, faz um trabalhinho daqueles na televisão, uma vergonha. Bolas para isto.



Fixe, meus!


[Está a resultar o lindo trabalhinho que andam a fazer, não está?]

 
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PS: Já sabem que não gosto que fiquem com um sabor amargo na boca. Queiram, pois, fazer o favor de  descer que, de seguida, um homem e uma mulher mostram como é a sedução em italiano. Uma cena à maneira, podem crer - para vocês e, como verão abaixo, em especial para uma Rondadeira muito vintage.

  

quinta-feira, novembro 10, 2011

Otelo diz que, é pá, fazer um golpe de estado agora até é mais fácil do que foi fazer o 25 de Abril. Os banqueiros mandaram o Governo às malvas e escreveram uma carta a Olli Rehn, Passos Coelho voltou a dar o dito por não dito. E mais uma série de coisas estranhas. Por isso, vamos espairecer? Mariza e Brigitte Lacombe dão uma ajudinha


Vinha para casa, no carro, hoje à noite e falava o Coronel Otelo Saraiva de Carvalho dizendo que não foi para isto que os Capitães fizeram o 25 de Abril, que a classe política, pá, desbaratou todo o crédito de simpatia que Portugal granjeou por ter posto fim a uma ditadura de 48 anos, que o País, pá, está à beira da bancarrota e... concluiu que não se admirava nada que houvesse um golpe militar para pôr fim a isto tudo e que até seria uma coisa fácil de fazer.

Eh pá...!


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Já os banqueiros nem se deram ao trabalho de ameaçar - estando num verdadeiro pé de guerra, partiram directamente para uma facada nas costas do governo. Explico: entendendo que com esta maltosa não se vai a lado nenhum, a Associação Portuguesa de Bancos não esteve com mas-mas. Os nossos banqueiros que já tinham dado um pontapé no traseiro de Sócrates, agora foram mais longe: fizeram um bypass em toda a linha e escreveram directamente ao comissário Olli Rehn, queixando-se que este governo está a querer fazer uma nacionalização da banca 'a la 25 de Abril'.

Eh lá...!


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Não sei como ficou o pobre do Pedro Passos Coelho... provavelmente ficou com a cuca fundida (calma aí, eu disse fundida) pois, depois de no Paraguai ter dito que, claro que tinha que renegociar o plano de resgate, de a seguir, convicto, ter dito que, nada de confusões, não queria renegociar coisa nenhuma, queria era fazer uns ajustamentos, hoje apareceu com a convicção do costume a dizer que não queria renegociar, nem tão pouco pouco fazer ajustamentos e que os senhores jornalistas o ouvissem com atenção para que não restem dúvidas: não queremos mais dinheiro, nem dilatar prazos, nem coisíssima nenhuma.

Em que é que ficamos?

Oh pá...!

Desabafo escrito numa parede do Ginjal (fotografia minha)


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E lá por fora? Eh pá, está do melhor. O Berlusconi diz que se vai embora porque os mercados andavam a morder-lhe as canelas e já ninguém acreditava nele e, na sequência desse anúncio... as bolsas afundaram-se por todo o lado, especialmente em Milão, onde ainda conseguiu ser pior, e os juros quase bateram no tecto sagrado dos 7%.

Oh la la...!


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Há mais...? Ah pois há... A CDU da Merkel (refiro-me à Angela, a cabeça do casal Angela-Nicolas) veio publicamente defender que os países que chatearem devem ser corridos da Zona Euro, que já andam a causar estragos demais, que não dá para suportar gente gastadora, xô, xô...! E, claro, toda a gente já diz que o lado feminino do casal, aquele que costuma ser visto a passear pela trela ou ao ombro da madama, também alinha e que já andam os dois a estudar como é que haverão de fazer um quartinho só para eles, correndo com o resto da maralha dali para fora, para o quintal, para o anexo, xô, xô...!

E vai daí? E, vai daí, Wall Street mergulhou a pique, um afundanço à maneira.

Oh pá...




?????

E mais? Ah bom... Então o Mahamoud Ahmadinejad diz que não recua nem um milímetro no programa de energia nuclear, afirma defender a ética e a decência e que se o chateiam risca com Israel do mapa.

Ui, ui, ui... pá...!



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Mas... e nem uma coisinha de jeito? perguntar-me-ão vocês já desanimados... Pois bem, no meio de toda esta derrocada, uma mulher continua a manter a cabeça no lugar e aí anda ela, num périplo, de país em país, chamando a atenção para o tsunami recessivo que se está a formar a toda a força. Agora é em Pequim. Christine Lagarde foi explicar que a Ásia não está imune caso o mundo se afunde nesta 'espiral de instabilidade financeira'; e que, para se sair desta crise 'perigosa e incerta', o mundo tem que se concertar e adoptar medidas articuladas que vão no sentido do desenvolvimento. Para que não seja uma década perdida, para que o mundo não colapse.


Deus a ouça....? Também. Mas melhor seria que os governantes deste mundo a ouvissem.

E o quanto antes, pá.

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Fartos disto? Já nem podem ouvir falar em tanta coisa chata? Querem é festa? É isso? Oh pá, já podiam ter dito...

Então, bora lá. Como está de chuva, aqui vos deixo a Chuva pela Mariza que, por mil vezes que a ouça, nunca deixa de me emocionar.


........
E ainda mais, que eu hoje estou assim, para a festa... Agora o tema é fotografia.

Vocês já estão fartos de saber que adoro fotografia, não é? E as fotografias feitas por mulheres? Ah, que sensibilidade...

Não ...?! Então vejam estas fotografias feitas pela Brigitte Lacombe, uma francesa que nasceu em 1958 e que agora vive em Nova Iorque.


Meryl Streep, la belle, la heureuse


Julianne Moore, la femme fatale

Kristie Scott Thomas, a pecadora

Robert de Niro, a guy next door, an intelligent and sexy neighbour


Já é a 3ª tentativa e desta vez, a ver 'se pega', vou usar mesmo esta
fotografia com legenda e 3 little boys downstairs - mas quero aqui pôr o Jack Nicholson
cujo olhar é muito pouco aconselhável....

  


E, para terminar, uma sessão de fotografia, coisa que gosto imenso de ver. Brigitte Lacombe fotografa Isabella Rossellini e a filha Elettra Wiedemann, China Machado, Shala Monroque e Andrej Pejic. Ah, dá gosto ver.




E com isto tudo...?

Ah, pois bem, é simples: vamos divertir-nos e apreciar as coisas boas desta vida. Há tantas coisas tão boas... Enjoy! Be happy!


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(PS1: Estou para aqui a escrever coisas em inglês e só a pensar na rabecada que o Patrão da Barca 'tempo Contado', Mestre J. Rentes de Carvalho, no outro dia, deu nos bloguistas que falam, escrevem, gemem e fazem tudo o mais em inglês... What the fuck, diz ele...

PS2: E se, depois deste longo post estiverem a precisar de descontrair, tenho uma solução: nada melhor que violino, certo? Então, convido-vos a virem comigo até ali à Música no Ginjal que hoje Itzhak Perlman interpreta a Serenata Melancólica de Tchaikovsky. É logo a seguir ao Fernando Pessoa e é lindo.

PS3: Vocês desculpem lá aquilo, lá em cima, do 'pá' para aqui, 'pá' para ali mas é que fiquei com o 'pá' do Otelo impregnado nos neurónios - entre cada duas palavras ele consegue enfiar três 'pás'. A ver se amanhã, numa reunião que tenho logo de manhã, isto já me passou, pá)

  

sexta-feira, novembro 04, 2011

A humilhação da Grécia, a barafunda na União Europeia, o casal Merkel e Sarkozy, os avisos de Obama, o meu vizinho caloteiro e os meus vizinhos chineses, o sionismo, a maçonaria e outras coisas cabalísticas e não, não é o Segredo, é o Avante! Que dias estes, meus amigos! Será que já fomos atingidos por um asteróide e não demos por isso...?


Moro num prédio de vários andares.

Quando resolvemos morar num prédio, sabíamos, à partida que teríamos que obedecer a regras comuns, de entre as quais se salienta o pagamento do condomínio.

Mas o pagamento do condomínio não é a única regra comum. Alguns procedimentos de urbanidade também são relevantes.


Dou um exemplo.

Para o prédio da minha mãe foi morar, há uns anos, um casal de etnia cigana com crianças (e um Mercedes topo de gama). Nada a dizer só por serem ciganos. As traseiras do prédio dão para um passeio que confina do outro lado com uma zona ajardinada. Pois, começou a ser comum que, quer o passeio, quer o jardim aparecessem pejados de sacos com lixo, restos das mais variadas coisas, brinquedos partidos, o que calhava. Suspeitou-se mas, pouco depois, confirmou-se. Eram os novos vizinhos que tinham o hábito de atirar o lixo e tudo o que não queriam pela janela.

Incomodados com a situação, os vizinhos falaram entre si e resolveram que seria a administração do prédio a contactá-los e a dizer que tal não era admissível. Eles estranharam o pedido mas aceitaram e a coisa normalizou-se.

Até que, um certo dia, grande barulheira na escada, barulho de obras. Quando os vizinhos foram ver o que se passava, nem queriam acreditar. Eram eles de novo: tinham montado dois portões na escada, um no lance que descia, outro no que subia. Explicaram depois que as crianças brincavam ali no patamar da escada e a ideia era que estivessem mais resguardados e evitar que caíssem.

Nova reunião com a administração do prédio que, depois, foi ter com eles dizendo que teriam que remover os portões porque a escada é zona de acesso que tem que estar sempre desbloqueada e que, além disso é zona comum, nunca zona na qual alguém pudesse reservar para seu uso exclusivo.

Agora as coisas parecem estar de novo normalizadas, apesar de, por vezes, acontecerem algumas coisas excêntricas.

Mas trata-se de questões culturais. Para eles tudo o que têm feito é coisa normal, não o fazem para afrontar ninguém e até acatam bem as 'reprimendas'.

*

Para se habitar um espaço comum tem que se abdicar de algumas liberdades individuais e há que alinhar por comportamentos que não belisquem os vizinhos.

*

Já eu, no meu prédio, tenho agora, em dois andares, vizinhos chineses. São de uma delicadeza que não dá para explicar. Sorriem imenso, cumprimentam-nos com afabilidade, já falam muita coisa em português, as crianças cumprimentam-nos efusivamente e sorriem permanentemente. Uma outra vizinha, pessoa de alguma idade, dizia-me deles, no outro dia, ‘e que limpos que são’. Ambos os casais estão à frente (serão donos?) de grandes estabelecimentos chineses da cidade. Trabalham todos os dias (sábados e domingos incluídos) de manhã à noite e, apesar disso, quando nos cruzamos no elevador, vêm sorridentes, ar fresco. Outros hábitos.



As crianças andam no melhor colégio da zona, e lá vão de bibe e mochila, totalmente integrados. O administrador do prédio dizia-me no outro dia que, nas contas do condomínio, são certinhos como relógios suíços.

Em contrapartida tenho um vizinho que não paga o condomínio já vai para 2 anos. Também não comparticipou nas despesas extraordinárias relativas a grandes arranjos feitos o ano passado e que incluíram limpeza de paredes exteriores, arranjo dos elevadores, impermeabilização da garagem, etc, uma pipa de massa. É excelente na argumentação e a profissão ajuda-o nisso e arranjou para lá uma questão, que ninguém já sabe qual é, dado que, tudo o que reivindicava, já foi satisfeito e continua sem pagar. É um sarilho que ali está, uma dívida já enorme.

Se ele não quer pagar a verba mensal, não se antevê que vá pagar a dívida acumulada que é da ordem dos milhares de euros.

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Lembrei-me disto a propósito do euro, da crise europeia, do caos que para aí anda no ar.

A união europeia formou-se assim: tudo ao molho e fé em deus. Gente com culturas distintas, com economias em estágios distintos, tudo se enfiou lá para dentro. E agora deu no que deu.

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Voltemos ao meu prédio e ao caso bicudo e verídico do meu vizinho que não paga o que deve.


1. Suponhamos que em reunião de condóminos se decide perdoar-lhe metade da dívida mas na condição de ele pagar daqui para a frente e (intuindo nós que ele não é bom a gerir dinheiros), na condição também de ele aceitar um plano de contenção dentro da sua própria casa de forma a ter dinheiro para pagar o condomínio, plano esse que definimos que passará por se habituarem a comer apenas sopa (e não carne, nem peixe), de passarem a andar a pé em vez de usarem carro, de passarem a lavar roupa à mão em vez de usarem máquina e outras medidas do género.

Vamos supor que ele diz que sim, que remédio, mas que, já agora, o deixem consultar a família pois as medidas afectarão todo o agregado familiar e é bom que se pronunciem antes, para não fazerem contra-vapor, depois.

---->  Poderemos dizer, ‘mas o tipo é doido? Então estamos a perdoar-lhe metade da dívida e ainda se põe com esquisitices…’ mas, se pensarmos bem, também temos que reconhecer que, se calhar o sujeito não tem é condições de ali continuar porque, se tem problemas financeiros sérios, cumpre agora mas não tarda estará outra vez a incumprir. Ou poderemos pensar que ele reúne a família e que chegam à conclusão que vão é vender a casa, pagar as dívidas e, com o dinheiro que sobrar, compram outra mais pequena e passam a viver segundo as suas possibilidades.

Parece legítimo, não é? Porque achamos então tão escabroso que ele diga que em princípio sim mas que o deixem consultar primeiro a família?


2. Mas, e continuemos no campo das hipóteses, suponhamos que no meu prédio não há administração de condomínio capaz, que cada um resolve as coisas como entende e que, às tantas, a vizinha gorda do 3º andar resolve pôr-se ela a mandar no prédio todo. Que, às tantas, para não parecer que é uma mandona autoritária por conta própria, pega no papagaio do 5º andar e com ele ao ombro, passa a ditar sentenças para toda a gente.



Gostaríamos disso?

Suponhamos que às tantas, como sempre de papagaio ao ombro, faz uma circular para todos os andares dizendo que resolveu perdoar metade da dívida do outro, do incumpridor, desde que ele, a mulher e os filhos passem a subir pelas escadas, a andar descalços para não sujarem a escada e que, das 18 às 22 vão para casa dela fazer limpeza, servir-lhes o jantar e coisa e tal.

Suponhamos ainda que, face a isso, os membros da família do vizinho incumpridor (pessoas simpáticas, cordatas, uma senhora simples e afável, uns miúdos impecáveis - e que sabemos nós acerca das dificuldades deles?), fulos da vida com a gorda do 3º, resolvem vir protestar e dizer que não são criados de ninguém, muito menos da gorda do papagaio e que não sabem se aceitam as condições, que estão a passar um mau bocado, que não têm dinheiro, que precisam de ajuda mas que não aceitam ser humilhados e tratados com indignidade.


3. Suponhamos ainda que na reunião de condóminos, se decide constituir um fundo para cobrir buracos como este ou outros em que mais condóminos deixem de pagar. Aparentemente parece boa ideia. Mas quem é que põe dinheiro nesse fundo? Uns dizem que não podem, outros dizem que não querem. E imaginemos que, então, eis que os vizinhos chineses, simpatiquíssimos, cheios de liquidez, se propõem cobrir parte da dívida e assegurar a alavancagem do dito fundo - mas que apenas o farão mediante determinadas condições.



E dizem: 'digam quanto precisam que nós asseguramos' mas...'mas apenas se passarem a vestir a roupa que se vende nas nossas lojas, aquelas blusinhas lindas cheias de electricidade estática que dão estalinhos quando se despem, aqueles sapatinhos brilhantes, com fivelas e saltinhos à maneira; se passarem a comprar os bibelots que se vendem nas nossas lojas, Nossas Senhoras fluorescentes, fontanários com luzinhas lilazes; se passarem a comer todos os dias nos nossos restaurantes; e os nossos detergentes, os nosso perfumes, os nossos tapetes e cortinas'.


4. Para cúmulo, suponham que o administrador do prédio do lado, prédio esse também cheio de problemas e de dívidas, também já a ser financiado por chineses que impõem igualmente as suas condições e, ainda por cima, com grande contestação entre condóminos contra ele, um mulato charmoso já ligeiramente grisalho, vendo que não há rei nem roque no meu prédio e vendo a barafunda que para ali vai, resolve informar-nos que não acha nada bem o que se está a passar no nosso prédio, que quer que nos organizemos rapidamente antes que a crise contagie o prédio dele e, se põe, também ele, a dar palpites.

(Achamos que só pode estar na brincadeira, ele que está tão mal ou pior que nós, armado em rei do pedaço, disfarçando o nervosismo pela sua própria situação, a dar palpites como se fosse o maior - mas, atordoados como andamos, nem nos ocorre dizer-lhe que ponha a casa dele em ordem antes de vir pressionar-nos)


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E nós todos a olharmos uns para os outros, sem que se perceba como se chegou a esta balbúrdia e sem vermos como vamos sair desta, uma vez que não há quem mande, quem resolva, quem trace um caminho, e já toda a gente discute com toda a gente, uns atacam o incumpridor, outros enfurecem-se porque ele quer o compromisso da família, outros dizem que a culpa é dos ciganos do prédio da minha mãe, outros acusam a gorda, outros o mulato, outros o chinês, e há ainda quem sustente que a culpa é do papagaio. Consta até que no Avante! já saíu um artigo a dizer que a culpa é do Miguel Relvas porque é maçon e do José Rodrigues dos Santos porque diz que Jesus Cristo é judeu.

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Seria lindo, não seria?

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Mas não é isto que está a acontecer na UE, sem liderança e entregue à prepotência míope da Merkel com o seu pequeno Nico ao ombro, com a Grécia entregue à pobreza, à humilhação, com os gregos todos desavindos, de cabeça perdida, à mercê de qualquer um que queira impor o que quer que seja, com Papandreou, vergado, a ter que recuar no referendo, humilhando-se perante toda a gente,  com Obama a extravasar e dar palpites UE, com a China a querer aplicar a sua liquidez mas desde que façamos conforme eles querem (nomeadamente, que escancaremos incondicionalmente todas as portas aos produtos deles)?



No meio disto apontamos o dedo a quem?


Tenhamos abertura de espírito, lucidez, sentido crítico e muita calma - não sabemos como serão os tempos que aí vêm.

Tomara que surja uma liderança forte que una a Europa, que mobilize os povos em torno de um projecto comum, democrático, humanista, que afirme a Europa como um par entre pares, uma Europa que não se avilte, não se humilhe, não capitule. Tomara, meus amigos.
   

quarta-feira, novembro 02, 2011

Papandreou e o referendo grego: eis que um homem se levanta, diz 'que falem as pessoas' e solta uma borboleta. E já sabemos o efeito do bater de asas de uma borboleta... A teoria do caos começa por aí.


O que se passa na Grécia é do mais perturbante que existe. Quando anunciou, sem aviso prévio, a realização de um referendo que valide a aceitação do plano de ajuda, Papandreou tirou-nos o tapete a todos. Ficamos sem chão, sem perceber nada, preocupados, perplexos. Nada poderia ter desestabilizado mais o mundo inteiro. Não querem ser ajudados?!

Depois de todo o suspense sobre o resgate à Grécia, com a cimeira europeia (depois de tanta discussão e negociação) a parir um plano de redução da dívida a 50%, eis que, quando a fome dos mercados é aplacada, Papandreou, com aquele seu ar charmoso e tranquilo, pega numa granada e a atira para cima da mesa.

As bolsas, naturalmente, quase se estatelaram, os bancos viram, de novo, o seu valor deslizar para níveis de susto, a China, os Estados Unidos, aflitos, já mandaram recados e, por todo o lado, toda a gente se benze, em pânico, sem perceber o que é que aquela gente tem na cabeça, sem saber se o fim do mundo está iminente.




Merkel e o seu pet-Nicolas já reagiram, estão em pânico, querem encontrar-se urgentemente com o doido do Papandreou, estão a ver a própria vida a andar para trás, as suas próprias eleições internas para breve e os índices de popularidade cá por baixo. Além disso, esta cimeira e estas decisões - foi tudo obra destes dois. Papandreous parece que está a brincar com eles, depois de tanto trabalho, faz uma destas? Desautorizou toda a gente, desautorizou o casal maravilha. Mas desautorizou também o cherne Durão, o discreto Van Rompuy, desautorizou toda a gente. Surpreendeu toda a gente, virou o mundo de cabeça para baixo.

O euro refém da Grécia. E União Europeia refém da Grécia. O mundo refém da Grécia.



E agora?!


Mas olhemos agora as coisas por outro prisma.


Na cimeira da semana passada, o que se resolveu foi que se reforçava o fundo de resgate. Mas com aquele dinheirão todo de que se falou...? Um bilião, não foi? Não, nem pouco mais ou menos - a solução passará, outra vez, por aquela cena da alavancagem, que tão nefasta foi em toda esta crise. E quem é que se chegou à frente para a alavancagem...? Pois claro: o dinheiro novo. A China, por exemplo. A Rússia. O Brasil. Ou seja, os emergentes a avançarem sobre a Europa. Pensemos nisto. 'Manda quem paga', já alertou, em tempos, Manuela Ferreira Leite. (A propósito, vamos ver a que mãos vão parar as nossas anteriormente chamadas empresas estratégicas... o capital chinês, brasileiro, etc, está aí, perfilado)

Na cimeira da semana passada decidiu-se também que se perdoava parte da dívida grega ... mas, meus Caros, não sabemos já que não há almoços grátis? Pois: haverá nova tranche, haverá perdão de parte da dívida, se... se... for posto em prática um novo, severo, plano de austeridade.

Ora acontece que o povo grego está já tão massacrado, tão sofrido, há tanto desemprego, tanta gente que perdeu a casa, tanta gente sem dinheiro, tanta gente sem esperança, são um povo humilhado, tanto plano de austeridade em cima de plano de austeridade, e cada vez estão pior, nada daquilo tem dado qualquer resultado, vão de mal a pior, juros que já atingiram os 100%, vítimas da agiotagem, vítimas de tudo (tal como antes foram vítimas de políticas erradas, vítimas de políticos incapazes, incompetentes, vítimas da incúria europeia que não analisou as suas contas, vítimas da ganância de quem antes, nos tempos das vacas gordas - e cegas! - lhes emprestava dinheiro para que eles pudessem importar os seus produtos). E o povo grego, desesperado, já não aguenta mais. Já não aguentam mais. Têm medo, muito medo, mas já não aguentam mais.




E o governo grego está cansado, estafado, exaurido, entalado entre a espada e a parede e Papandreou já não deve aguentar mais.




E, no meio de tanta aflição, de tanto desespero nas ruas da Grécia e no meio de tanto calculismo, de tanta negociata de baixa política, de tacticismo míope, da Europa e de todo o mundo, eis que um homem se levanta e, perante o pasmo mundial, se lembra que ainda há pessoas, que as pessoas ainda têm voz e que, no berço da democracia, ainda será possível devolver a voz ao povo.

É assim que vejo este acto imprevisto.




Na Grécia uma borboleta levantou voo.


E agora, como é sabido, quando uma borboleta bate as asas na Grécia, um tufão levanta-se em Berlim, um vendaval sopra em Paris, um tornado levanta os telhados em Washington, um temporal assola Pequim, uma tempestade envolve Moscovo. É o tão conhecido efeito de borboleta, é a teoria do caos.

Temo muito o que aí vem. Talvez nos vejamos todos sob o mais severo dilúvio - e tudo porque uma borboleta levantou voo em Atenas.




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Notas soltas


> Não me pronuncio sobre a substituição, também levada a cabo, de todas as chefias militares gregas. Fala-se em instabilidade e, à boca pequena, tem vindo a insinuar-se que há uma preocupante agitação no seio das forças armadas, falando-se até em golpe militar. Não estou bem ao corrente mas isto não são boas notícias.

> Não me pronuncio sobre as divergências no seio do governo e do partido que o apoia. Não estou muito ao corrente mas fala-se que a contestação está a subir de tom e que o governo pode estar para cair em breve na sequência de uma moção de confiança.

> Saindo da Grécia: a OCDE, a OIT, o FMI e todos os organismos internacionais em que ainda prevalece algum bom senso não se cansam de alertar para a urgente mudança de rumo que tem que ser posta em prática para que a economia mundial não se afunde de forma grave, duradoura, para que a humanidade não regrida para muito preocupantes níveis de pobreza.

> Em toda esta crise financeira mundial, o poder de decisão tem estado nos mercados, nas agências de notação, nos burocratas, nos contabilistas sem pingo de sensibilidade política, nos amanuenses impreparados, incultos, ignorantes que pululam pelos governos e pelas instituições. Nem os avisos acima referidos, nem o comprovado insucesso dos planos, nem o crescente desemprego, nem a onda de indignação que alastra por todo o mundo, têm feito inflectir o rumo que se tem vindo a seguir. Talvez que o que está agora a acontecer na Grécia (e até pode acontecer que nem venha a haver referendo, até pode acontecer que Papandreou seja apeado e, não nos iludamos - estamos a atravessar um momento disruptivo de imprevistas consequências) tenha o mérito de revelar que afinal ainda há quem se levante para dizer que a política não é letra morta e que as pessoas não são inúteis e descartáveis personagens secundárias.

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Meus Caros, o caso não é para menos, mas tentemos não cair em desalento.

Para ver se vos animo, convido-vos a seguirem para o post abaixo, o tema é mais divertido.