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quinta-feira, janeiro 05, 2017

E sobre os sms do Domingues, não vai nada, nada, nada...?
NADA.
E sobre a jeiteira que o Centeno tem revelado para lidar com caldinhos destes, também não vai nada, nada, nada...?
NADA.




Não ando para muitas conversas e, muito menos, para comentar parvoeiras. 

  • Que o Centeno gere dossiers políticos com os pés é um facto, 
  • que dos dois Secretários de Estado que lhe conheço também, quando têm que gerir temas que deveriam ser geridos com pinças, os gerem à pazada é outro facto 
  • -- e que o flop António Domingues e todo o caso da nomeação de uma administração para a CGD só mostram que o Centeno é bom a gerir números ou a traçar estratégias e a segui-las mas um nabo a gerir temas que metem pessoas e respectivos egos, é outro facto.

Dizer mais o quê? Nada.

Se há alturas em que um chefe tem que se chegar à frente e suprir as lacunas dos subordinados, esta é uma delas. Costa tem que se chegar à frente de cada vez que o Centeno se ensarilha nestes assuntos. Caso contrário, é uma festa.

Claro que tudo poderia passar mais ou menos despercebido se o verdinho do Centeno tivesse pela frente um fulano low profile, que não se desbroncasse todo à primeira pergunta. É que este António Domingues, parecendo querer cultivar a imagem de um banqueiro excelentíssimo, é tudo menos discreto. É uma goela escancarada. Conta tudo: ele disse-me isto, eu respondi-lhe aquilo e eu, então, disse isto e vai ele e diz aquilo. 

Agora uma coisa é certa. Que, sempre que alguém vai ocupar um lugar qualquer público, deve fazer prova do seu património antes para que depois possa fazer prova de que não enriqueceu de forma inexplicável, acho óbvio.

Que essa declaração deva ser pública parece-me lamentável. Bem podem as vizinhas quererem espreitar para dentro da casa dos mais ricos para depois, entredentes, especularem pelas vielas como foi que eles enriqueceram  e depois, sonsas, disfarçarem e arvorarem-se em castas -- que a mim me dá igual. O património de cada um, em particular quando o obteve depois de uma vida de trabalho em organismos privados, não deve ser matéria susceptível de aparecer avacalhada na primeira página do Correio da Manhã ao lado de histórias envolvendo proxenetas e polémicas protagonizadas pela Luciana Abreu ou pela Cátia Aveiro.



Falo por mim e não tenho, certamente, património que se compare ao do Domingues: se algum maluco tivesse a ideia peregrina de me convidar para um lugar desses, eu não pensaria duas vezes: é o ias.
E não é apenas porque não me apeteceria ver o meu património exposto para que tudo o que é olho gordo salivasse: é, sobretudo, porque não me apetecia nem um bocadinho aturar a pelintrice mental daqueles deputados de aviário ou a arrogância pesporrenta de meninas com cara de más, armadas em implacáveis justiceiras. Não tinha pachorra. Juro que não.
Tirando isso, nada mais tenho a acrescentar. Poderia dizer que isto da Caixa tem sido, a todos os títulos, uma dor de alma e que para lá ir o manhoso do Macedo é sal em cima das feridas mas, francamente, não me apetece falar mais nisto. 

Se não se importam, acabo como comecei: com protagonistas de quem gosto mais do que dos do mau romance que envolve o Domingues ou o Macedo.


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PS: E nem me apetece falar no dinheirão que o Sérgio Monteiro, aquele artista dos tempos do láparo e da marilú de má memória, anda a ganhar há que tempos para não conseguir vender o Novo Banco nem por mais uma. Só espero que o totó do Costa do Bdp desista de o vender por tuta e meia a qualquer chinês mal enjorcado ou a qualquer fundo mal parido e que obrigue o dito Sérgio a devolver a dinheirama que tem andado a empochar. E se o totó do Carlos Costa não for capaz de ver isto (e não vai ser capaz pois todos já sobejamente lhe conhecemos a incapacidade de ver ou perceber o que quer que seja) pois que o Costa do Governo lhe dê um abre olhos. E se o António Costa o não conseguir, pois que o Marcelo, em vez de se limitar a atirar-se de mergulho para o Guincho, se atire também de cabeça para dentro desta caldeirada e ponha um ponto final nesta maluqueira de querer vender um banco bom como se fosse lixo de quinta categoria.



terça-feira, dezembro 06, 2016

O Paulo Macedo vale cada euro dos muitos que vai ganhar na Caixa? - Sim, sim...
E o Marques Mendes tem razão quando diz que Passos Coelho está encurralado em Lisboa? - É indiferente.
E o Marcelo Rebelo de Sousa ama de paixão a Geringonça ou tem um ódio indisfarçavel a Passos Coelho? - As duas, as duas...
E a Maria Schneider afinal conhecia a cena, só não sabia que o Marlon Brando ia usar manteiga? - Irrelevante.
E a Luciana Abreu, já não aguentando a mãe, correu com ela de casa mas continua a dar-lhe dinheiro e carro? - Ui. Tema interessante.


(Em actualização)


E eu interrogo-me quais destas questões são mais estimulantes para o comum dos portugueses. 

E interrogo-me também se, perdendo os portugueses -- de todos os extractos sociais -- tanto tempo com assuntos desta natureza, não estamos a deixar que o nosso cérebro encolha para dimensões preocupantes.

Dúvidas que me assaltam de vez em quando.

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Volto aqui para, enquanto tento manter-me com atenção à entrevista de António Costa na RTP1, vos mostrar um videozinho que faz boa companhia e me dá uma vontadinha danada de dançar:


A lição de salsa.

E que viva Cuba!


NB: Não sou accionista da Casa Chanel 
(... mas, já aqui o confessei, não me importava nada de ser)

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Agora já acabou a entrevista do António Costa. Passei, sem querer, pela RTP 3 e já lá está o José Manuel Fernandes. Rapidamente vou saltar daqui pois tenho medo que aquela doença dele, dos neurónios andarem às arrecuas e acabarem sempre aos trambolhões, uns enrodilhados nos outros, ainda se pegue (mesmo através da televisão). Foge. Não arrisco. Sei lá. Às tantas aquilo é mais pegajoso que zika e uma pessoa ainda acaba com o cérebro do tamanho do dele. Ná. Todos os cuidados são poucos. Olha a Garrido, tadinha, também já meio tolhidinha das ideias. Não sei quem é que lá está mais. A Ana Lourenço capaz de estar com uma grelha metálida debaixo do cabelo, uma coisa tipo Gaiola de Faraday adaptada à circunstância (prevenir de apanhar o mal de cabeça do Fernandes).


Ui. Acabei de ver: também lá está o David Dinis... Também todo contagiado. 

Drama.

Um Ensaio sobre a Cegueira revisitado. Quem se aproxima do José Manuel Fernandes fica atrofiado das ideias e rapidamente contagia também os outros. 


De fugir, meus amigos, de fugir...

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sexta-feira, dezembro 02, 2016

Paulo Macedo para a CGD...? Ó senhores do PS, poupem-me, está bem?
(em actualização)
- E, igualmente parva, a notícia da não-candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa
Valha-nos a notícia pela qual todos esperávamos:
afinal as mulheres têm asas!


E não tenho mais nada a dizer do que isto: poupem-me. 


E, de caminho, deveriam ter-se também poupado já que o Paulo Macedo, se estou a ver bem a coisa, é uma furada.

Mas, face ao embrulho que arranjaram, a situação de desespero era tão grande que qualquer sonso ungido de má-fama já serve. 

Vamos ver no que dá. Mas devo dizer que esta solução me desagrada. Nunca achei que Paulo Macedo fosse grande espingarda como gestor e, para além disso, não gosto dele como pessoa. Sonso demais para o meu gosto. 

Não é só o láparo que gosta de dar tiros nos pés. Esta equipa das Finanças também tem dado alguns e o Costa, perante o caldinho armado -- ou melhor, completamente entornado -- perdeu um bocado a margem de manobra e o tempo necessário para arranjar alguém decente que não corressse o risco de ser abatido na primeira hora ou cozido em lume brando pelos PàFs; e deu nisto. 

Não gosto e não tenho confiança em Paulo Macedo. A ver se, ao menos, o Costa anda de olho nele para não o deixar pôr o pé em ramo verde já que os maçaricos das Finanças são ingénuos demais para lidar com situações mais rebuscadas.


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Esta notícia do Paulo Macedo na Caixa, apesar de recorrente, parece-me tão estúpida como a não-notícia, também recorrente, da não-candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa. A nulidade a inundar os interstícios da vida pública. Só falta mesmo aparecer a notícia bomba de que o Super-Juíz Alex e o inspector Rosy Karamba descobriram finalmente os indícios de que o Sócrates não é mesmo flor que se cheire já que, escutas de anos passadas a pente fino, revelaram que, volta e meia, o perigoso suspeito não lava os dentes antes de ir para a cama.



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As imagens são provenientes do saudoso Kaos e ilustram quer algumas dangereuses liaisons daquele que parece transportar uma nuvem negra à sua volta, quer a sagrada liaison de Santana Lopes a quem saíu a taluda ao ser nomeado para a Santa Casa.

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E, para acabar com alguma coisa que valha a pena, uma notícia-notícia: 
a confirmação de que afinal as mulheres têm asas.

É vê-las a desfilar ao som de Lady Gaga com Million Reasons no Victoria Secret Fashion Show



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta-feira muito boa.

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sábado, dezembro 26, 2015

O que ganham os médicos no Serviço Nacional de Saúde




A conversa decorria sobre David que morreu porque não lhe efectuaram a cirurgia que o poderia salvar. Dizia um médico, durante muitos anos médico num dos grandes hospitais públicos de Lisboa, que, no governo de Passos Coelho, tanto cortaram em tudo que nada disto é surpresa -- nem novidade. Falámos que era o 5º caso. Ele corrigiu, que era o 5º caso deste tipo, o 5º caso conhecido.

E contou como sabia, pelos ex-colegas, os cortes que tinham sofrido: os da função pública, os das horas extraordinárias, os de isto, aquilo e aqueloutro. Contou que um dos grandes cirurgiões cardio-vasculares, uma especialidade complexa em que estão literalmente com a vida dos doentes nas mãos, ao falar com ele, lhe tinha contado que agora recebia 1.800 euros. 

Por isso, tantos saem, vão para a medicina privada.

Alguns colaboradores meus, que nem funções de coordenação têm e que não têm responsabilidades que se comparem, nem níveis de stress e, provavelmente, fazem muito menos horas de trabalho, ganham isso ou mais.

Paulatinamente e sem atender às alternativas que os médicos e enfermeiros têm nos hospitais privados, o Governo anterior reduziu, reduziu, cortou nos materiais, cortou nos contratos de manutenção, nos contratos de prestações de serviço, cortou nos ordenados e regalias do pessoal. Os custos do Serviço Nacional de Saúde reduziram-se, é certo. Mas o êxodo para a 'privada' foi brutal, deixando os serviços dos hospitais a trabalharem no limiar do risco. Ou melhor, em alguns casos, como agora se viu, abaixo dos limites admissíveis.

Dizia esse médico que, quando nos hospitais privados há um caso grave para o qual não têm meios de socorro, transferem os doentes para o público. O público era o último reduto. Agora já não é. Agora pode acontecer que não tenham equipas para acorrer às urgências e deixem morrer os doentes.

O actual ministro da Saúde já se chegou à frente e, aparentemente, segue-se agora um aturado trabalho de reconstrução. Mas não será fácil pois os médicos e enfermeiros que se transferiram para os hospitais privados dificilmente sairão de lá. O que Paulo Macedo, o tal ministro que tanta gente elogiava, fez enquanto ministro da Saúde foi um atentado ao Serviço Nacional de Saúde.

Dizia hoje esse médico: Dinheiro só há para salvar bancos. E eu pensei: 'Para salvar bancos -- não doentes. Os doentes podem morrer à vontade.'
...

Pensei que escrever sobre isto não era lá muito natalício. Mas depois achei que sim: falarmos é uma forma de lutarmos. E lutarmos para que haja mais condições nos hospitais para atender a quem precisa é uma forma de querer o bem dos outros. E não é esse o verdadeiro espírito natalício?


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Lá em cima os UHF interpretam 'Podia ser Natal'
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Desejo-vos, meus Carlos Leitores, uma belo sábado.

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sábado, fevereiro 07, 2015

Manuel Ferreira Teixeira, Secretário de Estado da Saúde, está no Expresso da Meia-Noite e é de susto a conversa do senhor: mete algoritmos, rentabilidades marginais, fala em equipas de negociação, e todo ele se enrola e, atrapalhado como é na conversação, digam-me por favor que não é ele que conduz as negociações com a Indústria Farmacêutica. Correia de Campos está a dar-lhe uma ensaboadela que o homem, se tivesse vergonha na cara, nunca mais punha os pés fora de casa.


Manuel Ferreira Teixeira - o facies não engana

Talvez tenha perfil para administrativo num serviço de contabilidade
e pouco mais
É nas mãos de uma pessoa assim que está a vida dos doentes do meu País?

Poupem-me, por favor.


Enquanto vamos sabendo que a medicação para a Hepatice C já está negociada e em aplicação noutros países há algum tempo - e a mais baixo custo! - aqui anuncia-se que, ao fim de 9 meses, se chegou a acordo e atiram foguetes como tendo sido uns pioneiros. Pioneiros...? Quase dá dó assistir a tanta indigência intelectual.

Correia de Campos, com delicadeza, está a pôr a nu a incompetência medonha daquele pobre Manuel Ferreira Teixeira, que nem dentes de gente tem no maxilar inferior, senhores, que boca mais mal enjorcada. Parece que a conversa ao retardador se perde pelos intervalos dos dentes do senhor.  Diz coisas do além. Depois desculpa-se e diz que está a falar em termos macro. Mandem-me este homem para longe de nós! Correia de Campos nem quase precisa de falar para dar cabo dele, tamanha a mentalidade despropositada do senhor.


Fala como um contabilista de quinta categoria. É certo que Passos Coelho já tinha dito qual a bússola: tratar os doentes, sim, mas não a qualquer custo. 

Por isso, andaram a brincar aos algoritmos, curvas de rentabilidade marginal, e outras coisas que ditas numa altura em que se sabem de mortes, são de uma pessoa ficar com de cabeça perdida com a falta de senso desta gente. À pála dos algoritmos e outras tretas, andam a pagar cada vez pior aos médicos (que se estão a pirar à força toda do SNS pois, por exemplo, querem que cirurgiões de prestígio trabalhem quase à borla - and, read my lips: sei do que falo), a explorar os enfermeiros, a reduzir os auxiliares, a reduzir camas, a espremer até ao tutano as verbas para medicamentos e tratamentos e, agora, começa a ver-se o caos e a miséria. Hoje li que há gente aos gritos com os médicos, médicos exaustos, ambulâncias sem macas, gente deitada nos corredores, debaixo das macas, junto a fraldas. O terceiro-mundo dentro das nossas cidades.

E agora foi preciso que morresse uma senhora de 51 anos por ninguém lhe administrar a medicação devida e que o filho em lágrimas de revolta andasse a falar às rádios, e que um doente fosse gritar ao ministro que não o deixasse morrer, para que, de súbito, fechassem as negociações e começassem a comprar os medicamentos. E a falta de vergonha é tal que ainda cantam vitória. 

Esta incompetência não me surpreende porque desde o primeiro dia que vi que desta gente não se podia esperar nada de bom. Aliás, desde que Passos Coelho, Relvas e Portas mostraram ao que vinham que aqui comecei a denunciá-los. Vis criaturas, incompetentes criaturas. Não têm noção das suas limitações. Como é que um Manuel Ferreira Teixeira é deixado à frente de uma equipa de negociação com uma indústria matreira como a farmacêutica? Minha nossa!

E como é que tanta gente andou a dizer que Paulo Macedo era um bom ministro? Como?!?! Que governo mais infeliz este! 

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[Imagens de Yronikamente.]

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Ver o futuro nas cartas do Tarot --- [Esqueço o 'Paulo Macedo e quando a gestão de pacotilha tem como efeito colateral a morte'. Esqueço o 'BCE e quando o poder do dinheiro não respeita a cidadania' e, para me distrair, deito as cartas e, surpreendentemente, vejo a realidade ali descrita e o futuro antevisto de uma forma que me deixa perturbada]


No post abaixo falei de festas, convívios dançantes, malícias inocentes, Janis Joplin, Miss Dior e outros.

Mas isso é a seguir. Aqui, a conversa é completamente outra. 









Devo confessar que tinha escrito um outro post cujo título era 'Quantas mais mortes tem que haver por falta de cuidados para que Paulo Macedo se demita? Quantos mais mortes têm que pesar na consciência de Passos Coelho para que ele se demita?' mas depois apaguei. 


Há assuntos que me doem ao ponto de só me apetecer falar à bruta (mas mesmo muito à bruta). Contudo, a verdade é que acho que aquelas criaturas já só me merecem desprezo. Nem sequer raiva. Só desprezo.

Tenho um seguro de saúde que me permite recorrer à medicina privada e por isso não falo por mim. Quando me insurjo, falo por quem não tem seguro privado, não tem poupanças, não tem um bom ordenado, falo por quem morre por não ter dinheiro para pagar o tratamento, por quem está horas num corredor, ao frio, por vezes até à morte. Não falo sequer pelos meus pais que têm igualmente um seguro de saúde. Nem pelos meus filhos que felizmente também o têm. Falo por aqueles cujos pais ou filhos têm que se sujeitar ao tratamento desumano a que criaturas disfuncionais como Paulo Macedo, Maria Luís Albuquerque, Paulo Portas, Passos Coelho os obrigam e a que Cavaco Silva fecha os olhos.



Depois li que o BCE está a tirar o tapete à Grécia. 


BCE deixa de aceitar dívida grega como garantia para financiar a banca do país

in Ironikamente

Há qualquer coisa de perverso nesta Europa. A UE e todos os seus organismos são uma criação das pessoas da Europa. O Banco Central Europeu é uma instituição que existe para defender a moeda e a saúde financeira dos países em que vivem pessoas. E, no entanto, as criaturas não se ensaiam nada para devorar os seus criadores, para aniquilar as pessoas para as quais deveriam trabalhar. Pode ser que isto seja uma medida de pressão, pode ser uma coisa que não seja para levar a sério e, sobretudo, pode não ter grande impacto directo, e não tem, mas tem efeito psicológico e é, de qualquer forma, uma pedrada na esperança e ofende o esforço hercúleo que os corajosos homens do Syriza estão a tentar levar a cabo para salvar o futuro da Grécia. Acredito que Varoufakis vai saber reagir em força e que Alexis vai saber suavizar o dislate mas, por coisas destas, se vê que esta Europa está a precisar de um abanão a valer.

Esta gente não se enxerga. As populações já não suportam esta forma mesquinha de tratar os povos. Têm sido estes estúpidos burocratas com as suas estúpidas reacções e aberrantes resoluções que têm trazido a instabilidade aos sacrossantos mercados e a fome e o retrocesso para os países abrindo a porta a movimentos xenófobos, racistas, perigosamente extremistas.

Não fosse o Um Jeito Manso um blogue de família e a ver se não rematava este assunto com uns palavrões a preceito. É que já só tenho vontade de os mandar para o raio que os parta mas com o valente vocabulário do Norte, caraças.




Mas também não quero falar nisto. Cansa-me e cansada já eu estou desta cambada toda. Já o disse aqui várias vezes. Não sou filiada em partido nenhum, nunca fui nem me vejo a seguir acefalamente o que quer que seja pois lealdade a princípios (que prezo) é uma coisa e fidelidade canina é outra e aí, santa paciência, mas não me apanham. A maior parte das vezes, nas legislativas, tenho votado no PS mas já votei de maneira diferente e assim o farei sempre que achar que há melhor alternativa. Seja como for, se agora apoio a luta das gentes do governo grego é porque me parecem mais do que justas e legítimas as suas pretensões e porque acredito que não é sangrando uma população até à penúria mais humilhante que se vai conseguir fazer alguma coisa por aquela gente. Por isso, não é por estarem significativamente à esquerda do partido no qual mais vezes votei que os vejo como uma ameaça. Têm mostrado patriotismo, argúcia, pragmatismo e coragem. E tomara que não verguem. Muitos Duartes Marques, Passos Coelhos e outras fracas figuras encontrarão certamente pelo caminho e o que desejo é que estes bravos gregos que agora por aí andam a tentar convencer os seus parceiros de que merecem ser ajudados não desmereçam quando encontrarem inesperados escolhos no seu caminho.

Mas não vou falar nisto.




Para verem do que me lembrei há bocado quando estava a tentar desviar a cabeça de tanta porcaria e miséria: fui à procura e encontrei o meu Tarot. É muito bonito este que aqui tenho, é o Tarô Da Vinci.

Sei que me repito mas, a quem veio aqui parar sem me conhecer, digo: sou dos números, dos modelos. Não vivo de fantasias nem me posso dar ao luxo de me deixar arrastar por rêveries. E sou agnóstica.

E, no entanto, a minha mente abre-se a toda a espécie de acasos, de inexplicações.

Agora andava esquecida do tarot mas sempre me pareceu tudo muito acertado. Como sou preguiçosa nunca me aperfeiçoei muito. Mas nem é por ser preguiçosa, é mais por achar que, sendo tanta coisa nesta vida um mero acaso e sendo a razoabilidade disto tão improvável, mais vale deixar estas coisas na base do improviso, do deixa lá ver.

Faço, pois, o mais simples.

Penso numa questão que gostava de ver esclarecida, mas penso mesmo concentrada, e depois parto o baralho, faço três montes, tiro a carta de cima de cada monte e disponho-as de uma certa maneira. Depois vou ao livro e interpreto.

Fiz isso a propósito de um certo assunto de índole pessoal (nada a ver com políticas). Concentrei-me mesmo enquanto pensava na dúvida, como se fizesse uma pergunta e a pergunta viesse do mais fundo de mim. Dispus as cartas e depois fui ler o significado delas naquelas posições - e, como sempre acontece, até me arrepiei, as coisas que aquilo me dizia, senhores. Estou a escrever isto e com vontade de parar para ir reler e prestar mais atenção porque, de tão incrível, li quase sobressaltada. 

Não me perguntem se eu acho que há alguma explicação ou se é tudo maluqueira, metafísica, coincidência ou anormalidade da minha parte porque não sei responder. Mas que eu faço isto e obtenho respostas que me deixam estupefacta e arrepiada lá isso é verdade.

E agora vou mesmo parar por aqui pois há ali algumas coisas que me deixaram francamente intrigada, tenho que reler e tentar interpretar com mais calma. Mas, só de pensar, já estou a sentir um certo nervosismo. A sério.

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As imagens talvez não tenham muito a ver com o texto mas apeteceu-me tê-las aqui. São fotografias de vários fotógrafos muito cá de casa (Tim Walker, Mario Testino) e que eu apenas porque estou cheia, cheia, de sono não identifico e mostram criações de um grande da moda precocemente desaparecido. Se eu pudesse não perderia a exposição Alexander McQueen: Savage Beauty exhibition at the Victoria & Albert Museum.

A música é Joan of Arc interpretada por Jennifer Warnes & Leonard Cohen

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Relembro que a Miss Dior que ouve Janis Joplin vem já a seguir

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira 
(e fazem o favor de se agasalharem, sim?)

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quinta-feira, janeiro 29, 2015

Quantas mais cirurgias têm que continuar adiadas? Quantas mais mortes nas urgência têm que ocorrer? Quantos mais médicos têm que se demitir? Quantas mais pessoas têm que sofrer ou inquietar? - até que Paulo Macedo se vá embora e dê a vez a alguém que saiba ser Ministro da Saúde? E Cavaco Silva, uma vez mais, não vê que mais um pilar do Estado não está a funcionar como deve ser?


Os noticiários mostram doentes oncológicos que estão a ver as suas cirurgias adiadas. Uma senhora falava sem mostrar o rosto mas as mãos retorciam-se de ansiedade enquanto falava.

Os noticiários dão conta de médicos demissionários: já não aguentam mais. As urgências estão caóticas. 




Os jornais trazem testemunhos de doentes e médicos descrevendo o que se passa nos hospitais públicos, horas de espera, condições de terceiro mundo.



Transcrevo um excerto da crónica de José Gameiro, médico psiquiatra, no Expresso, a que deu o título 'Urgências e erros médicos' 


A política de contratação avulsa de médicos à hora, sem qualquer coesão de equipa, é desastrosa, podendo levar-nos a pensar que há uma intenção deliberada de privilegiar a ida aos serviços de saúde privados, naturalmente para os que podem pagar, libertando espaço nos públicospara os pobres e remediados. Pequeno pormenor: em Portugal, dois terços da população é pobre ou remediada.

(...) As equipas actuais de alguns serviços de urgência são uma soma de profissionais cansados, exaustos, desejosos de sair dali o mais depressa possível, numa relação tensa com os doentes, por vezes sujeitos à agressividade de quem esteve dez horas à espera com a expectativa que sejam empáticos, cuidadosos, eficientes, que falem com os doentes sem pressas e que não se enganem no diagnóstico e na terapêutica... Médicos que trabalham desenquadrados dos serviços para onde enviam os doentes a necessitar de internamento, que tomam decisões complexas no mais completo isolamento.

Quem organiza equipas de urgência desta forma é moralmente responsável pelos acidentes terapêuticos que ocorrerem. 


Pois.

Depois da Educação e da Justiça, agora a Saúde. Paulo Macedo foi emoldurado pelos spin doctors do Governo como um bom minsitro e os papagaios da comunicação social repetiram-no à saciedade. Mas como pelos frutos é que os conhecemos, pergunto: perante o caos instalado na Saúde Pública, perante o que os doentes se vêem forçados a passar, alguém de boa fé ainda pode dizer que Paulo Macedo é um bom ministro? 

Quantas desgraças terão ainda que acontecer, quantas mais horas de desconforto, incómodo e perigo terão os doentes que passar nas urgências, que quantidade mais de exaustão terão os médicos e enfermeiros ainda que sofrer para que alguém resolva deitar a mão a este problema chamado Paulo Macedo e Passos Coelho?

E só se fala destes ministérios porque lidam mais directamente com a população. Mas... e a Economia? Paralisada. E as Finanças...? A paralisar os restantes.


Mas todos continuam impunemente em funções. Passos Coelho, para além de ser malcriado - mesmo para outros primeiro-ministros - e ostentar o seu proverbial ressabiamento, nada mais faz. Paulo Portas há-de sair como entrou: sem ter feito nada a não ser números circenses.

E Cavaco Silva é outro que tal: de palpável a única coisa que se vê da sua parte é a pôr a mão por baixo do Governo.

Um país que merecia melhor do que estas fracas figuras que andam para aqui a fazer de conta que governam, é o que é este meu pobre Portugal.



segunda-feira, janeiro 19, 2015

Mais uma morte nas Urgências, a segunda no Garcia da Horta. Confirmadas já sete mortes nas urgências. Alguém ainda acha que o Paulo Macedo é um bom ministro?


Todos os anos há uma época de frio. Todos os anos há um surto de gripe. E, no entanto, este ano os hospitais estão a reagir como se fosse a primeira vez desde o início dos tempos em que há frio e gripe.

Os próprios médicos o dizem: não há médicos que cheguem nas urgências. Para tentar colmatar o défice, estão a contratar médicos a peso, médicos esses que ganham à hora, que não conhecem a estrutura e a mecânica dos hospitais, de quem provavelmente nem se conhece bem o curriculum.

Ouço também que os hospitais estão a adiar cirurgias porque já não há camas nos internamentos. Ora a população não cresceu. No outro dia ouvi também que, como não há macas livres, retêm as dos bombeiros. 

Um caos.

Hoje outra:  uma senhora deu entrada ontem, pelas 11.00 horas, vindo a ser vista por um médico «apenas cerca das 20.15», refere o Diário de Notícias. O filho, João Carlos Silveira, afirma estar «indignado» com a forma como a mãe «foi deixada ao abandono numa maca de um corredor sem comer». 

Foi a segunda morte neste hospital e a sétima nestas circunstâncias desde que começou o surto de gripe. Uma vergonha.

Alguma coisa está a falhar nos hospitais públicos - mas a falhar à força toda, e a falha tem a ver com organização e com opções políticas.

Não é feito planeamento, não é feita uma correcta afectação de recursos. Tanto raparam nos custos, tanto reduziram no quadro, que está a dar nisto. Gerir com os pés tem sempre como inevitável resultado o desastre.

O que eu desejo é que nenhum de nós vá parar às urgências dos hospitais numa altura destas porque, francamente, face ao que é noticiado, vejo que é um sítio muito perigoso para se estar.


Paulo Macedo by We Have Kaos in the Garden

E o que me pergunto é como é que um ministro que gere um ministério destes como se fosse uma repartição pública na qual o que interesse seja reduzir custos pode ser considerado um dos melhores ministros do inqualificável governo de Passos Coelho?

É certo que são todos maus, mas, caraças!, neste ministério é a vida humana que está em causa. Ou isso é um pormenor que não interessa para nada?

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sexta-feira, janeiro 16, 2015

A Saúde em Portugal na era Paulo Macedo; a mulher do farmacêutico, e Bocage e o ladrão de patos


No post abaixo já contei a minha indignação por Portugal ainda ter um Governo onde pontuam criaturas inimagináveis como esse tal Sérgio Monteiro, um sujeito que poderia fazer de pistoleiro num filmezeco ordinário mas não de Secretário de Estado.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. 

De novo espaço aos Leitores. Por mail recebi as imagens e em comentários do Leitor Bob Marley as anedotas que merecem vir aqui para o palco.
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.  1  .

A saúde em Portugal na era de Paulo Macedo, o excelentíssimo Ministro da Saúde do excelentíssimo desGoverno de Passos Coelho








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.  2  .

A mulher do Farmacêutico



Uma mulher vai à farmácia e pergunta:

   - Por favor, tem veneno?

Farmacêutico: Para quê?

   - Para matar o meu marido!

Farmacêutico: Não lhe posso vender veneno para esse fim.

A mulher abre a bolsa e exibe uma foto do marido a fazer sexo com a mulher do farmacêutico.



 Sem pensar, o farmacêutico apressou-se no atendimento: Desculpe, não sabia que trazia receita!

____

.  3  .

Bocage e o Ladrão de Patos



Conta-se que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do quintal.

Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação.

Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:

- Oh, bucéfalo anácrono! Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. 

Se fazes isso por necessidade, transijo… mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

Ao que o ladrão, confuso, diz:

- Doutor, afinal levo ou deixo os patos?

____


Relembro: sobra o inenarrável caderno de encargos relativo à privatização da TAP tal como Sérgio Monteiro falou dele, escrevo já a seguir.
....

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Alô, alô Nicolau Santos do Expresso! Explique lá, se faz favor, mas explique devagarinho e, de preferência, com números, porque é que o Paulo Macedo é um bom ministro.


Não quero cavalgar a onda do alarmismo nem tomar a nuvem por Juno.

Mas, analisando o estado da saúde pública agora, com médicos em sobrecargas desumanas (ouço falar em cerca de 18 horas seguidas! Como não errar ao fim de tantas horas seguidas a trabalhar?), médicos que se recusam a colaborar numa coisa assim deixando as urgências desprovidas, enfermeiros explorados até à exaustão, uma assustadora desorganização nas urgências dos grandes hospitais públicos tantas vezes transformados um verdadeiro caos, como dizer que este ministro tem sido competente?

Como dizer que é competente um ministro responsável por esta situação?

Como dizer que é competente um ministro que faz com que os hospitais e centros de saúde sejam espremidos até ao tutano para, a seguir, em desespero de causa, partir para a contratação de médicos pagos à hora, a 45 euros à hora?

Como dizer isso, Nicolau Santos?


Filas de espera de doentes nas urgências de horas e horas, acompanhantes a dormir debaixo das macas dos doentes, já dois doentes que morrem nas macas enquanto esperam por atendimento depois de estarem horas nos corredores sem serem observados, o bastonário a dizer que devem ser mais os mortos nestas condições (os familiares é que nem se têm apercebido), vacinas que falham e sei lá que mais... e Paulo Macedo é um bom ministro?


Poupe-me Nicolau Santos!



PS: Costumo estar de acordo com o Nicolau Santos mas acho que desta vez lhe passou uma coisinha má pela cabeça pois deu-lhe para louvar o deplorável (e não me estou a referir apenas a Paulo Macedo). Mais uma destas e junto-me ao meu marido: deixo de ler o Expresso e, deixando ambos de o ler, deixamos de o comprar.

Chatice para isto, que parece que os jornalistas, mesmo os mais sérios, volta e meia se deixam contagiar pela conversa dos spin doctors do governo, parecendo até desrespeitar pela inteligência dos leitores. Que farta que começo mesmo a estar do Expresso.

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Como dá para ver, a imagem provém do blogue We Have Kaos in the Garden.

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sábado, maio 03, 2014

"Um homem de 39 anos morreu no Centro Hospitalar das Caldas da Rainha depois de ter sido transportado para a unidade numa ambulância dos bombeiros, por a viatura médica de emergência e reanimação (VMER) estar parada por falta de médico." . Mais uma vítima mortal. Coisa pouca. Um pormenor. O que interessa é que se está a fazer a vontade aos mercados e à troika. Diz a Albuquerque que se fez mais nestes 3 anos que em 40 de democracia. Pois claro. Drama, drama é Portugal ter um governo como este.


Transcrevo do Público:

A vítima, adianta o Diário de Notícias, estava com hemorragias e a entrar em paragem cardiorrespiratória quando a mulher, enfermeira no mesmo centro hospitalar, contactou o 112. Porém, na segunda-feira, à hora a que foi feita a chamada, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) acabou por enviar uma ambulância dos bombeiros porque a VMER estava parada por não haver médico. Foi a própria enfermeira a iniciar as manobras de reanimação do marido.

O Centro Hospitalar das Caldas da Rainha confirmou, através de um comunicado, que “lamentavelmente, na manhã do dia 28 de Abril, a VMER das Caldas da Rainha esteve inoperacional por um período de cerca de duas horas, entre as 8h e as 10h, por falta de médico. O socorro e o transporte foram geridos pelo CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes]. O utente chegou ao hospital transportado pelos bombeiros. O óbito foi confirmado já na urgência”.


Tinha 39 anos e não houve um médico que o assistisse quando estava em agonia.


Ainda em Abril tinha sido notícia que:

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo justificou nesta segunda-feira a inoperacionalidade da viatura de emergência de Évora, no domingo à noite, quando ocorreu um acidente com dois mortos, com "motivos de doença de um profissional escalado".

Desta vez as vítimas tinham 46 e 52 anos.

Dizer o quê?

Que nada já me espanta quando temos um Governo que vive alheado da população, para quem as consequências das suas medidas são coisa de somenos, que procura agradar a entidades externas mesmo que isso aconteça à custa das condições de vida e da própria vida dos seus concidadãos, que fez do embuste, do descaramento e dos atentados à inteligência dos eleitores um modo de vida.

Ainda agora mais um exemplo que enoja qualquer um: anunciam aumentos de impostos e depois, com a maior desfaçatez de que há memória, uma coisa que chega a ser boçal, dizem que não estão a aumentar impostos. Já nem é serem mentirosos: é serem descarados, primários, uma coisa anormal.

Gente sem vergonha. Sente sem piedade. Gente má, muito má.

Alguém nos livre desta peçonha.


Na 12ª avaliação da troika, Maria Luís Albuquerque e Paulo Portas


O que dizem, a forma como dizem, a forma como mentem puerilmente,
como fazem de nós parvos, como se marimbam para a vida das pessoas é chocante,
muito, muito chocante.
Não se suporta tamanha falta de respeito.


(fotografia Lusa/Mário Cruz)


quinta-feira, janeiro 09, 2014

O regresso aos mercados (leia-se: contrair mais dívida) vai ser um sucesso, já conseguimos endividar-nos na boa, que bom que é conseguir aumentar a dívida. O pior são os danos colaterais como, por exemplo, levar dois anos para fazer uma colonoscopia a uma doente oncológica cujo tumor foi crescendo. Com «uma resposta limitada, temos de triar», queixa-se um director do Hospital. Pois.


O post abaixo deste é para a palhaçada. Mete aliens, popotas, a Merkel e os berloques amestrados do Cavaco. Pena é que abduções zero.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é mais séria.

*



Agora vou falar de uma notícia que, pela manhã, ia eu para o trabalho, me revolveu logo as entranhas. Uma coisa criminosa, diria eu. 

Emília tem cerca de 60 anos e, após vários rastreios ao cancro colorretal, surgiu uma análise positiva. O médico de família encaminhou imediatamente o processo para o hospital, de modo a que a paciente fosse seguida no hospital Fernando da Fonseca, conhecido como Amadora-Sintra, na consulta de gastrenterologia. A mulher levou um ano para ser chamada para a consulta e esperou outro para fazer o exame. 


Continuo a transcrever para agora referir as declarações de Nuno Alves, director de serviços do Hospital, declarações que me arrepiam. Sinceramente: arrepiam-me.

A unidade hospitalar reconhece o atraso e argumenta que, mesmo quando a análise é positiva, tem de haver uma seleção dos doentes por falta de recursos, como refere ao jornal o diretor de serviço de gastrenterologia do hospital, Nuno Alves: «A população do hospital é vasta, 500 a 600 mil pessoas, e só temos sete médicos no serviço. Estamos à espera há um ano para contratar». Com «uma resposta limitada, temos de triar». 

E o artigo continua:

O diretor do programa nacional para as doenças oncológicas, Nuno Miranda, afirmou ao diário que a espera por uma colonoscopia «não devia passar os dois meses, mas se atingíssemos seis não era mau». Emília está agora a fazer «quimioterapia neoadjuvante» para reduzir o cancro e «ver se pode ser operada».

A associação de luta contra o cancro do intestino, Europacolon, considera esta espera «criminosa», porque «o rastreio reduz em dois terços a probabilidade de se ter um cancro avançado», refere Vítor Neves ao DN. 


Segundo Vítor Neves, as normas internacionais determinam que, após um rastreio positivo à pesquisa de sangue oculto nas fezes, a colonoscopia deve ser feita de imediato, acrescenta à Lusa.



*

Já aqui o assumi muitas vezes: sou uma privilegiada. A nível de saúde tenho um seguro que me permite, a custos suportáveis, usufruir de cuidados de saúde em todas as unidades de saúde privadas do País. 

Quando aqui mostro a minha indignação, não o faço por mim. Faço-o por dever de consciência, porque não quero que os meus concidadãos tenham menos direitos que eu. Não acho que a medicina privada seja melhor do que a pública mas a questão aqui não é essa. A questão é que a saúde pública deve ser universal, seja para os que a podem pagar (e que todos os meses descontam dos seus rendimentos para que os serviços existam e sejam bons), seja para os que não a podem pagar. 

E haver cuidados de saúde significa que tudo se fará para que todas as vidas possam ser salvas, para que todas as doenças sejam tratadas, todo o conforto e assistência proporcionados. Se não se governa para o bem do povo de um país, para que raio se anda a governar?

Há um ano e tal, na sequência da cirurgia a que tinha sido submetida, estava eu de férias fora de Lisboa, apareceu-me um coágulo muito doloroso numa perna.

O cirurgião que me operou estava longe, também ele de férias fora e, pelo telefone, mandou que fosse de urgência para o hospital mais próximo. Lá fui e até era gente simpática, nada a dizer a esse nível. Mas não apenas não me fizeram um exame para avaliar o tipo de coágulo (poderia ser superficial e não grave como felizmente era, mas poderia ser uma coisa perigosa) como me disseram que tinha que levar de imediato uma injecção anti-coagulante (e ficar a tomá-las durante uma semana) - mas que tinha que ir eu à rua, a uma farmácia de serviço, comprá-las e que lá voltasse para a levar. Na altura contei isso aqui.

Sem conhecer bem a cidade onde estava, à meia noite, foi o bom e o bonito para dar com a farmácia de serviço, e isto mal podendo andar e num quadro que exigia repouso e a perna para cima. Claro que parte da busca se fez de carro e que quem mais se maçou foi o meu marido. Mas aquilo foi uma coisa mesmo impensável, nem queríamos acreditar numa coisa daquelas. Imagino como eu me teria visto em palpos de aranha, verdadeiramente atrapalhada, se estivesse sozinha ou sem carro... Mas, enfim, o meu mal foi o menos, apenas quis deixar um testemunho na primeira pessoa. Não me queixo por mim, já o disse.


Paulo Macedo, numa imagem do blogue We Have Kaos in the Garden


Paulo Macedo, o ministro que tem sido poupado à erosão pública, de fininho, vai racionando os cuidados de saúde à população, reduzindo os medicamentos, mandando os doentes para casa mesmo quando acabaram de levar uma transfusão de sangue ou quando, instantes antes, estavam a oxigénio (caso real de há poucos dias com uma pessoa conhecida), fazendo com que os médicos tenham que escolher os doentes a que vão acudir.

Estou a escrever isto e sinto um nó no peito. A sério. Apetece-me chorar. Ou dar um murro na cara destes estúpidos que, em dois anos e tal, têm desprezado as pessoas de uma forma vergonhosa - porque a prioridade para eles, a única, é agradar aos mercados.

O meu Caro Leitor, se tem a sorte de ter algum dinheiro de lado, saberá que a taxa de depósitos neste momento, na melhor das hipóteses, anda à volta de 2% ao ano e é quando é. Na Alemanha, a taxa de referência anda à volta dos 0%, veja bem como não há-de ser fácil financiarem a economia (e logo eles que não precisam). Ora veja bem, meu Caro Leitor, o belo negócio que é para as instituições financeiras obter juros à volta dos 5%. Veja os alemães se puderem vir cá aplicar o seu dinheiro - imagine-se o lucro acrescido que obtêm. Ou seja, nesta altura, levarem-nos juros a 4 ou 5% é óptimo para eles, mas péssimo para nós.

Acresce que com uma economia com crescimento abaixo de zero e com uma inflação baixa, tudo o que seja acima de uns dois e picos por cento é dinheiro que vai acrescer à dívida. Ora, quando se pagam juros da ordem dos 5% ou mais, isto significa que é dinheiro que não resulta de excedentes gerados pela economia mas sim de dinheiro esbulhado à população (são os cortes nos ordenados e nas pensões, são os colossais impostos, são as colonoscopias que não se fazem, é parte do ensino especial sem professores, é este triste e vil empobrecimento).

Como é que alguém pode andar a apregoar loas sobre o sucesso do regresso aos mercados nestas condições? E como é possível falar-se de sucesso acerca deste maldito programa de ajustamento tão brutalmente posto em prática por Passos Coelho com o ámen de Cavaco Silva? Como é que alguém pode ficar contente com o que se está a passar? Como, caraças?!

Sinto-me revoltada, triste com isto. Por falta de prevenção, por falta de assistência, pode deixar-se morrer muita gente, podem desgraçar-se muitas famílias. Isto não é justo.

Mas, nas guerras, os vencedores ocultam e desvalorizam os danos colaterais - mesmo que os danos colaterais sejam um País a viver pior, sem direitos, sem confiança, a regredir civilizacionalmente, um país mais velho, mais doente, mais triste.


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Bem. O tema é pesado. A mim, pelo menos, pensar nisto, dá-me cabo da cabeça. Por isso, para aliviar o ambiente, desçam, por favor, até ao post seguinte. E vamos todos torcer para que os aliens venham cá buscar esta gente desumana que tanto mal anda a fazer aos seus concidadãos, em especial aos mais frágeis e carentes.

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Permito-me ainda convidar-vos a virem até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa. Hoje tenho  palavras de Cecília Meireles na voz de Paulo Autran sobre um filme muito bonito: Retrato.

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E, por agora, já chega, não é? Passa das duas da manhã e estou cansada. Uma vez mais nem vou rever o que acabei de escrever.
Desejo-vos, meus Caros leitores, um dia muito feliz. 
E muito sinceramente vos desejo saúde porque sem saúde somos muito pouco.


quinta-feira, julho 04, 2013

Então para discutir na Assembleia da República a sustentabilidade da Dívida Pública, Passos Coelho enviou o Paulo Macedo....? Mas foi para os apanhados ou a Miss Swap tecve mais que fazer? Terá ido fazer um restyling, agora que vai ser ministra? Ou foi o Passos Coelho a ver se enganava o Paulo Portas, a fazer de conta que já tinha posto o Paulo Macedo à frente das Finanças? Ou foi a Maria Luís Albuquerque que ainda anda às voltas com os swaps e não teve tempo de ir fazer uma perninha ao Parlamento? Ou isto, afinal, é tudo para a gente, em vez de carpir, andar para aqui só a rir à gargalhada? Eu, confesso, estou farta de rir com mais esta palhaçada... Lol, lol, lol!!!!!


(E eu que não sou nada destes lóis, agora só me apetece dizer: lol, lol, lol. Ou então: ahahahahaha!)

Não estou a brincar, não. Transcrevo:

Governo mandou Paulo Macedo ao Parlamento discutir a sustentabilidade da dívida pública. 


Bloco de Esquerda diz que estão a esconder a “senhora Swap” e que Macedo é o “ministro sombra das Finanças”.


Maria Luís Albuquerque é a nova Ministra das Finanças mas esta quinta-feira, na Assembleia da República, é Paulo Macedo quem dá a cara pelo Governo para discutir a sustentabilidade da dívida pública. Para o Bloco de Esquerda, autor da interpelação, o Governo está a esconder a Ministra.

etc


o paulo macedo foi à assembleia discutir a dívida pública

A malta nem se tem de pé, é tudo agarrado à barriga a rir até não poder mais.

segunda-feira, julho 09, 2012

Ligeiríssima análise ao desempenho individual de cada um dos ministros de Governo de Pedro Passos Coelho




Miguel Relvas, o Número 2 do Governo - Um ministro que já era
Começa a ser penoso ver o ridículo em que caíu.
A bem de um mínimo de dignidade institucional, devia sair pelo próprio pé
pois não é bonito vê-lo sistematicamente de gatas.

A este propósito, aconselho o extraordinário vídeo o divulgado por João José Cardoso no Aventar





Álvaro Santos Pereira, o Coiso: no 'Eixo do Mal' chamaram-lhe 'ministro disfuncional'.
Eu diria que é um ministro que, pura e simplesmente, não funciona.
Tudo o que diz é deslocado. Ainda deve estar com o jet leg.
Não faz nada e quando abre a boca, armado em leão, é para se afundar ainda mais.




Vítor Gaspar: o colossal flop. As expectativas em relação a ele têm vindo a ser
sistematicamente reduzidas. Não acerta uma. Não percebe o mundo real.
Não percebe a interacção entre as finanças e a economia. Tem feito tudo ao contrário.
As suas teorias têm demonstrado ser um fiasco para mal dos portugueses.




Paula Teixeira da Cruz: uma coisa é ser comentadora da SIC, outra é ser ministra.
Que fazia e acontecia e, afinal, nada. Arranja inimigos com o seu mau feitiozinho
com a sua falta de tento e a sua falta de sentido prático e de gestão.
A Justiça era uma das áreas prioritárias e, de jeito, ainda nada se viu. Uma decepção.




Paulo Macedo: a Saúde vai-se degradando e as pessoas, desde os agentes  da Saúde
 (médicos, enfermeiros, etc) até aos doentes, são tratados abaixo de cão.
Além disso, debaixo de pressão revela não estar à altura das circunstâncias.
Não percebeu que com a saúde e com a dignidade das pessoas não se brinca




Nuno Crato: um performer que, de facto, nas funções que exerce,  é um zero à esquerda.
Sorri muito, faz-se de simpático e, enquanto isso, vai tentando instituir
um ensino à imagem de uma ideia  retrógrada, muito sua, muito saudosista.
E, infelizmente, a imagem do ensino em Portugal vai continuando a degradar-se.




Assunção Cristas: uma rapariga simpática, esforçada, que foi atirada aos bichos sem saber ao que ia
Se o ministério não fosse um mastodonte ingerível, talvez conseguisse fazer um lugar razoável
Assim, coitada, inexperiente, aí anda de feira em feira, tentando perceber a quantas anda.
Foi maldade colocá-la ali.



Passos Coelho: impreparado, dogmático, inflexível, pouco dotado
(pelo menos para as funções que desempenha)
Mal tomou posse, deu o dito por não dito. Tudo o que faz é em detrimento do País e dos Portugueses.
O mal que está a fazer é tão profundo que corre o risco de ser irreversível.
As últimas reacções mostram-no ainda mais inábil, incapaz de agir racionalmente.
Não sei se teremos que aturá-lo por muito tempo. É cá um feeling. Tomara.




Para Paulo Portas, até aqui doentiamente leal a Passos Coelho, está na hora de ser leal a si próprio,
ao seu partido e ao País. O homem que em tempos arrasou o cavaquismo,
não pode estar de consciência  tranquila estando num governo que faz o contrário daquilo
que advogou a vida inteira, nem conotado com gente do calibre de alguns dos acima referidos.
Talvez seja às suas mãos que Passos Coelho vai cair.



PS: Eu sei que há mais ministros mas são irrelevantes ou têm tido desempenho irrelevante. Exceptuo António Borges, um dos mais poderosos e inimputáveis ministros deste Governo, mas não me apetece falar dessa pessoa.

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Gostaria ainda de vos convidar a fazer-me uma visita na minha outra casa, o Ginjal e Lisboa a love affair. Lá as minhas palavras olham a natureza branca tal como a refere o poema de Armando Silva Carvalho. E inicia-se a semana dedicada a Antonio Salieri, que não foi tão mal amado quanto Forman o pintou.

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E tenham, meus Caros Leitores, uma boa semana, a começar já por esta segunda feira, com muita saúde e alegria.
Divirtam-se porque tristezas não pagam dívidas.