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terça-feira, outubro 01, 2024

Como sou bem mandada, cá estão eles...

 

Enquanto as televisões dão conta de foguetório aceso lá pelos médios orientes, com algumas botas a marcharem a caminho de terreno proibido, refugio-me no meu mundinho suave, banhado a outono e a ouro, onde ninguém maltrata ninguém, onde se fala de escritas e de leituras, em que se cultiva a afabilidade e não a animosidade.

Portanto, é por aí que hoje vou.

Ando geralmente pelas margens. Tento descobrir a escrita genuína, aquela em que não se encontram bolas de efeito, em que as palavras estão junto à respiração, em que não há banalidades enfatuadas mas em que se escreve sobre verdades desabitadas, em que se visitam ruínas ocupadas pelo silêncio.

É verdade que muitos dos blogs em que a escrita escorreita fluía vão rareando. Desmotivaram-se os seus autores, desertaram talvez para redes mais socialites; ou simplesmente cansaram-se. Muito gostaria eu que o Pedro Mexia, a Ana de Amesterdão, o Vítor das Âncoras e Nefelibatas e todos os outros que na minha lista de Frescos e Bons (à direita) aparecem bem cá para baixo já que não publicam há séculos voltassem a aparecer e a aquecer a blogosfera. 

De qualquer forma, vou continuando a acompanhar os fiéis e devotos que ainda se mantêm no activo. E ainda os há dos bons. 

E, também eu, não perco o que dizem. São apontamentos, são registos no livro de horas dos seus autores, são desabafos, são conselhos. São boas companhias.


No outro dia foi a Susana que falou na Maria Judite de Carvalho e nas suas saborosas crónicas. Agora, mais recentemente, foi o Mr. Xilre que falou na Alba de Céspedes com o seu Caderno Perdido (também aqui). Também a Maria do Rosário Pedreira referiu o Escrever de Stephen King e o Hoje Caviar, amanhã Sardinhas da Carmen Posadas e do irmão Gervasio.

Portanto, fui em busca desses frutos que se anunciaram gostosos, maduros.

Juntei-lhe um livro da Martha Medeiros pois tenho lido que os seus livros de crónicas se vendem como pãezinhos quentes e eu, que gosto tanto de ler crónicas (apesar de me dizerem que em Portugal o género Crónica é mal amado e pouco procurado), quero perceber quais as razões de tal sucesso.

E o Nexus do Harari porque claro que sim, é muito cá de casa, e porque o meu marido tem lido de fio a pavio todos os livros dele e estava à espera que este cá chegasse, e um outro também para ele, A História do Mundo do Peter Frankopan de quem já leu As Rotas da Seda.

Nos idos de outras eras, antes de nos termos desiludido de vez com o Expresso, gostava de ler as suas críticas literárias. Mas também havia críticas muito balofas, muito tontas. 

Por isso, agora, sem Expresso e sem gurus a opinarem sobre isto e aquilo, bebo com avidez sugestões que vou colhendo aqui e ali, nomeadamente na nossa querida blogosfera. 

Vamos é agora ver como me oriento para me deitar a eles (refiro-me aos livros, claro), tanto mais que as pilhas dos não lidos vão crescendo nos lugares estratégicos, ameaçando desabar quando lá pousar o próximo.

Mas é tão bom ver chegar bichinhos novos, cheios de mundinhos por descobrir, cheios de palavrinhas boas...

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E, agradecendo aos bloggers que se mantêm no activo, despeço-me por hoje desejando a todos, bloggers e não bloggers, uma bela terça-feira. 

domingo, março 17, 2024

Porque ele há coisas, há quem goste e quem não goste.
Veja-se o caso da colecção de arte dos Anderson

 

Como podemos pretender interpretar o que nos rodeia da mesma maneira se, perante uma mesma coisa, temos reacções tão diferentes?

Às vezes pasmo com comentários que recebo*. Posso estar, em meu entender, a ser obviamente irónica e logo me aparece alguém a interpretar tudo ao contrário e a achar que estou a gozar com maleitas alheias. Fico de boca aberta. Mas como? Não perceberam que o tom era de ironia? Serei tão pouco hábil na escrita? Terei que intercalar smiles para que percebam que é brincadeira? Ou quando ironizo sobre as adivinhas que se fazem em torno do desparecimento de alguém e há quem que se ache mais esperto que outros e, porque leu ou ouviu umas aqui e outras ali, já acha que sabe tudo e aparece como se estivesse a dar-me uma chazada por achar que mostrei não ter compreensão...? Fico de olhos arregalados. Mas como...? 

A nível político, então, é o pão nosso de cada dia. Digo uma coisa, interpretam o oposto e aparecem a mandar bocas. Gostam de tresler? Ou não sabem ler? Frequentemente é isto: eu acho que estou a dizer potato e logo alguém aparece a mandar vir porque acha que eu disse tomato

Coisas assim.

Fazer o quê?

Temos que aceitar que o mundo é diverso e que há lugar para todos. Portanto, aceitemos que, para alguns, falamos uma língua estrangeira ou aceitemos que, porque vivem uma vida diferente da nossa, nos acham, a nós, estrangeiros. Aceitemos.

É como na arte: no outro dia uma conhecida mostrava pinturas que acha excepcionais. E eu, atrapalhada, sem saber o que dizer. A mim parecia-me tudo tão básico, tão horrível. Jamais, mas jamais, seria capaz de pendurar uma coisa daquelas na minha casa. Não que não fosse uma espécie de reprodução realista de paisagens ou de retratos de pessoas a quem tivessem sido aplicados filtros de saturação de cores ou de contraste para ficar tudo absolutamente 'perfeito'... Só que, para mim, uma coisa do mais piroso que existe. Fiz uma ginástica do caraças para não deixar perceber que achava tudo aquilo detestável.

Em contrapartida, se mostro aquilo que a mim me agrada, é inevitável que alguém desate a rir como se aquilo até o filho ou o neto de cinco anos fosse capaz de fazer, e de olhos fechados. Como explicar que não gosto de coisas óbvias, que não gosto de coisas 'perfeitas'? 

Mas posso eu achar que o meu gosto é melhor que o gosto de quem gosta de coisas que acho um pavor...? Não posso.

Mesmo aqui nos blogues, há quem os tenha com letras de todo o tamanho e feitio -- umas inclinadas, outras a bold, umas pequenas, outras grandes, umas às cores, outras aos saltos -- e tudo intercalado com bonecada que, a mim, me parece básica e de mau gosto. E, no entanto, para os autores e para os amigos, aquilo deve ser o máximo. E, se calhar, é. Para eles, deve ser. É subjectivo, isto. Nada mais subjectivo que o gosto. Portanto, tudo certo. Não os frequento porque me incomoda o que a mim me parece mau gosto e, naturalmente, não vou lá 'mandar bocas'. Sou civilizada e respeito os outros e, daquilo de que não gosto, faço uma coisa muito simples: afasto-me.

Agora, confesso, faz-me confusão que haja quem viva bem consigo próprio ocupando o seu tempo a ser desagradável para os outros. Mas, enfim, é o que é. Há gente para tudo.

Também por isso é que os resultados das eleições são para mim, por vezes, algo difíceis de perceber. Porque é que há tanta gente que vota em partidos que defendem medidas que lhes vão ser prejudiciais? Ou porque é que, perante a responsabilidade de escolher pessoas que nos representem, haja quem as escolha apenas para desestabilizar e causar ruído? Não percebem o risco?

Tudo um pouco bizarro. Os antropólogos ou os sociólogos -- ou mesmo os filósofos (e, se calhar, também os psicólogos, nomeadamente os especializados em psicologia social) -- que estudem estes fenómenos.

Eu, por mim, limito-me a render-me às evidências.

Agora uma coisa vos conto: gostei imenso de ver este casal aqui abaixo. Fantásticos. O que eles têm escolhido, coisas tão 'fora da caixa', o que eles têm, tantas obras e tão interessantes... E a generosidade deles... E, no entanto, o que não deve faltar deve ser gente que ache que aquelas obras não valem nada... e que os gestos deles pouco valor têm...

Mas é o que é.

Convido-vos a ver. E espero que se maravilhem como eu me maravilhei.

Anderson Art Collection to Open at Stanford

A new Bay Area art museum will open its doors this fall at Stanford University to showcase a who's-who of American post-war greats, including a large sampling of modern California masters. The works are a gift from Bay Area collectors Harry and Mary Anderson. KQED Newsroom visited the Andersons in their home to see what it's like to live in a house full of masterpieces — and why they're sharing their acclaimed collection with the public.


Nota: Lá em cima (*) refiro-me a comentários que me deixam de tal forma estupefacta que nem os publico. Não gosto de ter conversa tóxica aqui a incomodar quem os lê.
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Desejo-vos um belo dia de domingo

Saúde. Paciência. Paz.

sexta-feira, dezembro 08, 2023

A imperdível Penélope Clarinha e o seu extraordinário Passado imprevisível

 

Tenho a contar que apesar de estar escuro e de chuva, nada aprazível para passeios, não resisti à mensagem recebida na véspera dizendo que já podia ir levantar o que tinha reservado. Portanto, aí vai ela. 

A lot of static

Tinha em mente ir também dar um passeio à beira rio. Mas, ao chegar onde ia, vi que estavam a montar nova exposição. E, ao espreitar, reconheci a fantástica pintora. Não digo já o nome pois parece-me que o nome é o corolário do que ela é (ou de como ela é) -- e, por causa destas e de outras, o título das mensagens deveria vir no fim, não logo à cabeça.... Não quero arriscar definições ou caracterizações pois iria certamente pecar por defeito. E, note-se, digo isto sem a conhecer pois, conhecendo, talvez ainda mais me espantasse.

Entrei para levantar o que me estava reservado mas não resisti a ir ver o que já estava à vista de o Passado Imprevisível.

E, ao ver, não consegui arredar pé. Sempre que a coisa tem o seu quê de surreal e, logo, de doideira eu estou lá. 

Se há coisa que me maça é o normal, o normal sem nada que se lhe diga. Agora se um senhor muito senhor de si próprio tem um pássaro na cabeça, se uma senhora tem um ar apertadinho mas uma grande borboleta ao pescoço, se uma mademoiselle muito arranjadinha tem um roedor descontraidamente pousado na cabeça ou se uma outra com um penteado bem comportado tem uns óculos emplumados, e isto já para não falar de um mancebo com balões de cada lado da cabeça transformando-o em mickey (muita estática, lá está...) aí, sim, aí eu tenho vontade de entrar em jogo.

O meu marido, que estava com o seu chapéu de Dom Henrique e com a fera cabeluda pela trela viu do lado de fora e também gostou. 

Mas gostou sobretudo do senhor engravatado sentado numa cadeira, dentro de um grande aquário em cujas águas navegam peixes de mar, ao lado de uma mesinha sobre a qual está um outro pequeno aquário com peixinhos dourados. Mas o aquário onde a coisa se dá deve ser o mega-aquário do oceanário pelo que requer, certamente, uma parede a preceito para se instalar. Não tenho. Se eu estivesse ainda a trabalhar sugeriria que se adquirisse a obra para o salão nobre da empresa, para pendurar atrás do CEO ou do Chairman. 

Ainda andámos por ali, pelo CCB, a ver as vistas e a passear o dog, comigo a perguntar se ele (ele, o marido, não o dog) não gostava daquele no qual os meus míopes olhos pousaram mal lá entrei e ele a hesitar e a dizer que o outro é que lhe agradava mais. 

Quando caímos neste impasse não é fácil arbitrar, caímos no so called empate técnico. Mas, não sei bem como, talvez porque o tempo não estava de feição para andarmos ali às voltas, o milagre deu-se e alinhámo-nos. 

E lá fui, de novo. Está reservado, não o giga de que o meu marido mais gostava mas aquele que cabe no bocadinho a partir do qual irá alegrar a minha casa.

E não resisti a falar com ela. Uma simpatia. 

Apesar de ser conversa breve, gostei imenso de falar com ela. Mas mesmo imenso. Não sou de afinidades instantâneas mas a verdade é que parece que poderia tê-la aqui em casa, parece que nem ela acharia estranhas as minhas bizarrias nem eu as dela. Aliás, tenho para mim que as pessoas que se exprimem através de palavras ou imagens peculiares e/ou extravagantes, na conversa corrente são, ou parecem ser, muito boas companhias (e são, geralmente, acho eu, pessoas tolerantes).

Acompanhava-a através do blog (o icónico Palmier Encoberto).

Sem saber quem era a autora, achava que tinha sentido de humor, inteligência, escrita escorreita, elegância, fair play e golpe de asa. Para além dos textos em si, as picardias com o Pipoco e com outros e a amabilidade que revelava ao falar com as suas Leitoras eram, para mim, motivo diário de interesse. Mas a minha admiração subiu para outro patamar quando ela começou a mostrar as suas extraordinárias pinturas. 

Com muita pena minha, deixou de alimentar o blog. Compreendo-a: as redes sociais ganharam vantagem sobre os blogs, e, além disso, um blog consome tempo, exige disponibilidade e, sobretudo, quem pinta ao ritmo que ela pinta e quem pinta com o esmero e atenção aos pormenores que ela dedica ao seu trabalho dificilmente tem muito tem livre.

Mas a blogosfera perdeu muita da sua graça com a sua saída, lá isso é verdade. 

Contudo, o tema de hoje tem a ver com pintura. 

E, portanto, falemos do que aqui me traz.

A nova exposição (que, segundo constatei -- e não apenas pelo meu caso --, arranca com algumas obras já vendidas) de Penélope Clarinha, Passado imprevisível, estará na Arte Periférica e irá de 9 de dezembro a 18 de janeiro de 2024. A quem possa, aqui fica a dica: não percam. 

Ver a pintura de Penélope Clarinha é um prazer. É uma pintura, a todos os títulos, fantástica. Digo-o sem receio de errar na adjectivação.


Uma palavra para o nome da autora: acho o mais improvável e fantástico dos nomes e, na realidade, assenta-lhe como uma luva. Se fosse pseudónimo seria brilhante de tão delirante. Sendo de verdade, só pode ser uma bênção.

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NB: As minhas desculpas pela péssima qualidade das fotografias que aqui coloquei. Não vou fazer outras ao catálogo, não por ser preguiçosa 😜mas para ver se vos incentivo a irem lá ver as obras ao vivo. Não percam.

sexta-feira, agosto 05, 2022

Os mais qualquer coisa de entre os bloggers que sigo (Parte 4):
a guerreira

 

Continuo a fazer justiça aos bloggers que acompanho e que, por um ou outro motivo, acho que se destacam. 

Não quero com isto dizer que os que aqui refiro são forçosamente melhores que os outros de que não falo (até porque tudo isto é tão subjectivo que o que é melhor para um é treta para outro), digo apenas que, pelos motivos que refiro, os acho mais (qualquer coisa) que os outros. 

Se os conhecesse a todos pessoalmente poderia aqui trazer o mais fofinho, o mais aluado, o mais zarolho, o dono dos caracolinhos mais lindos, o que anda melhor ao pé-coxinho, o que tem a voz mais sensual, etc. E, volto a dizer, escrevo no masculino mas tudo se aplica a eles e a elas

Aliás, estou super desactualizada ao escrever, como se apenas houvesse eles ou elas. Em muitas coisas começo a sentir-me à margem dos avanços. As pessoas falam e não sei do que falam. Acontece isto com a gramática portuguesa. Os meus netos falam de coisas que nunca aprendi e que me vejo grega para perceber de que se trata. Pior: não percebo o que é que aquilo acrescenta em relação ao que aprendi, sendo que metade do que aprendi nessa matéria já era a modos que de interesse duvidoso. Isto dos géneros é outra. Ainda não atinei com a categorização assente em terminologias que não há meio de assimilar: não-binários, cisgénero, transgénero, ou pansexual ou poliamoroso. Sei que uns têm a ver com identidade de género, outros com orientações sexuais e outras, tenho ideia, com práticas. Mas, quando ouço no meio da conversa, nunca me lembro onde é que a coisa encaixa e o que é que exactamente significa. 

Assim, fico-me pelas categorias que se conseguem depreender a partir do que os -- ou as ou @s -- bloggers escrevem, das músicas ou das imagens que escolhem ou dos temas que lhes despertam interesse.

E se no primeiro dia falei do mais jovem, da mais criativa e do mais romântico, no segundo falei do mais cirúrgico e do mais inesperado e ontem falei de dois temíveis e intrépidos guerrilheiros, verdadeira tropa de elite, hoje abro espaço para uma blogger que apenas recentemente comecei a apreciar.

A mais guerreira. E a minha dúvida, em relação a ela, começa já aqui. Faz sentido chamar guerreira a uma pessoa como ela? Não sei. Mas não me ocorre melhor definição. Antes achava-a quase uma variante da Pipoca mais Doce, talvez por, nessas alturas, gostar de se auto-designar por 'a pessoa'. Raramente a visitava pois, sempre que ia espreitar, apanhava alguma daquelas coisas que me pareciam feitas para ter graça mas a que eu, desmancha-prazeres, não achava. Contudo, há tempos, num outro blog, o da Flor cuja faca não corta o fogo, vi uma referência que me despertou interesse. Fui ver. Era ela. Falava no cancro que lhe tinha sido diagnosticado e do que estava a sentir. Não é inédito: não é a primeira pessoa a quem isso acontece nem a primeira que escreve sobre isso. Mas gostei. Comecei a seguir. Não se armava em vítima nem em heroína. Não se apresentava como uma pobre coitada nem como invulnerável. Não escondia o medo mas também não ficcionava o sucedido. Atravessou a dor de perder o cabelo, atravessou a quimioterapia, está a atravessar a radioterapia, está a passar pela rotina da angústia e da esperança por que passam as pessoas a quem é diagnosticado o cancro, que são operadas, que têm que fazer tratamentos, que têm que seguir em frente esperando que todo o medo e sofrimento não sejam em vão. A minha mãe já passou pelo susto de saber que tinha cancro e pelo medo dos exames e pelo pânico dos veredictos. Correu bem. Ficou sem um bocado e não foi preciso mais nada, ficou bem. Mas isto, de se estar bem, é sempre dito sob reserva, sempre com medo de 'atrair'. O meu sogro passou pelo mesmo. Não foi inesperado. Fumava demais. Tinha bronquites, teve pneumonias, tinha uma respiração que antecipava problemas sérios. Os pulmões anunciavam o que era quase mais que certo. Mesmo quando bastante doente, fumava às escondidas. Fez quimio, fez radioterapia. Penou um bom bocado e, algum tempo depois, o corpo não aguentou mais. Várias outras pessoas próximas têm passado por isto, cada uma à sua maneira. E o que penso é que são situações que põem a coragem das pessoas à prova. E esta blogger de que falo é corajosa. Mas é corajosa de forma realista. De vez em quando com medo, outras vezes com revolta, outras com esperança, frequentemente com um agudo sentido de observação, muitas vezes com um fantástico sentido de humor. Andando metida em guerras, não perde a compostura nem a sua graciosa feminilidade. Não a vou perder de vista pois sei que irá sempre enternecer-me, surpreender-me e/ou fazer-me sorrir.

Linda Blue in Linda Blue

Alguns exemplos:

Chego à sala de espera — que é mais um salão, dadas as suas medidas, talvez uns cem quadrados, dava para um belo bailarico, não fora as circunstâncias — e apercebo-me de que está bastante compostinha. Faço aquela matemática básica, um terço são lugares vagos, metade das gentes podem ser acompanhantes. Mesmo assim, imagino que vou ali passar o resto do dia e uma parte da noite e pergunto à do balcão se está muito demorado, ao que ela me responde a frase que está ex aequo com “só há o que está exposto”, “esse artigo foi descontinuado” e “isso é com a minha colega”: “A senhora tem que esperar a sua vez”, logo a mim, que adoro retóricas. “Claramente, isso não responde à minha pergunta”, “Mas é que eu não sei”, “Acabou a conversa”, e ficámos por aqui. Pena que também só haja o que está exposto nestes lugares, que não descontinuem estas azedas que estão sempre em modo de frete no seu local de trabalho e, efectivamente, tudo deve ser assunto para a colega, que não está à vista porque nem sequer existe.

A Radioterapia é detestável desde que entro até que saio. O pessoal não tem a noção que trata exclusivamente com pessoas com cancro, como acontece na Oncologia. Já lá dentro, em vez de enfermeiras e assistentes, existem técnicas, com a simpatia de um empregado de mesa. Zero empatia, zero humanidade, é um corre-corre de despe, deita, posiciona milimetricamente para que os raios que partam a possibilidade de o cancro voltar funcionem, luzes e máquinas a toda a nossa volta, uma placa redonda, uma placa rectangular, uma outra que parece um ovo de avestruz, as técnicas saem da sala e uma delas transforma-se numa voz, “Dóna Maria, suspenda a respiração”, “Agora tranque”, e a p. da centrifugadora a fazer girar as placas à minha volta até à asfixia, “ai, que morro da cura”, parece que estou numa daquelas competições absurdas que fazíamos em miúdos, de atravessar a piscina debaixo de água até ouvirmos um gemido que nos saía da garganta, a mim só me apetece fugir dali a bater o dente e correr para os braços da minha mãe, que me espera com uma toalha seca e macia, como macio era o abraço dela.

in Radio Gaga

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Andava há cinco semanas a fazer penso pós-cirúrgico, uma vez, duas vezes por semana, e esta minha mania de me aconchegar nas rotinas, já estava a ser um programa qualquer, as enfermeiras amorosas, o médico um prato cheio, todos os meus pensos foram uma paródia pegada, cada vez que me lembro que de uma das primeiras idas a enfermeira me disse: “Eu sou a Mónica das mamas” — por ser especialista em amamentação —, e eu, que já conhecia aquele nome e alcunha de outro lugar, escancarei olhos e boca, “O quê? A Mónica das Mamas da Bumba na Fofinha? A mesma que mexeu nas mamas da Bumba está a mexer nas minhas!?”.

Então hoje o cirurgião disse-me que já não era preciso voltar lá, deu-me alta e aquilo pôs-me em baixo. A enfermeira igualmente desolada, “Espero que tudo lhe corra bem, foi das pessoas mais simpáticas que por aqui passaram”, e eu de beiça caída, “E agora, senhor doutor?”, ele de braços abertos para mim, “Agora…”, e abraçámo-nos quase longamente, “Vai tudo correr-lhe bem, é muito querida, gosto muito de si”. 

Devia ter saído do hospital aos pulinhos, mas nunca achei graça nenhuma a despedidas. Flutuei até ao carro, embargada, apesar do quase doce sabor de mais uma pequena vitória.

https://youtu.be/ifm00JEjSeo

in deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

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Entrei no gabinete e toda eu era sombras e tempestades: sentei-me sem convicção, os ombros denunciando desalento, um pequeníssimo suspiro imperceptível, ou, melhor dizendo, talvez o mundo inteiro tenha ouvido, pois a médica perguntou-me por que é que estava tão desanimada, se dias antes havíamos falado pelo telefone e eu era a personificação do optimismo. Falei-lhe do tempo, das nuvens, do quão isso influencia o meu estado de espírito, depois, perante a descrença dela, que podiam ser efeitos químicos, por fim ainda tentei a desculpa das hormonas, até que confessei num fio de voz, os olhos pregados no chão por uma culpa e um medo que me esmagavam sem piedade — imerecida —, que, na sala de espera, tinha estado perto de mim uma senhora da minha idade, a barriga enorme semelhante à de uma gestação de seis meses, um gemido baixinho e contínuo, e não fui eu — porque endureci ultimamente — que lhe perguntei se precisava de ajuda, como faria sem hesitar noutros tempos que sei lá se voltam, foi outra senhora que também ali estava e, certamente, feita de massa melhor do que a minha. Ela que não, que a enfermeira já vinha, até que lhe percebi o corpo inteiro a sacudir-se, eram soluços como os de uma criança magoada, Tenho dores, e eu, endurecida, saí dali para fora quando vi chegar duas médicas e a mim me chegavam, cobardes, duas míseras — miseráveis — lágrimas aos olhos, duras como pedras.

in Ultimamente endureci

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Tenho uma comadre que só não é minha irmã porque não nasceu de obra de nenhum dos meus pais. Todos os dias, sem excepção, liga ou manda mensagens, a saber de mim. (Em contrapartida, tenho uma outra que me manda mensagem à segunda-feira a desejar boa semana.)

A minha comadre Madalena — que não podia ter um nome e um coração mais bonitos — baptizou a minha cabeleira (cansei de chamar peruca ao meu novo cabelo) de Natércia. Disse-me: “Arranjámos uma amiga para a vida: a nossa peruca!”. Assim, tal e qual. Eu uso, mas ela é nossa, faz parte deste caminho de pedras pontiagudas que percorremos descalças, de mãos dadas. Não vamos sozinhas, pois está connosco uma pequena multidão disposta a trilhar o túnel comigo, sem permitir que eu caia de todas as vezes que tropeçarei.

Nossa Natércia é da melhor qualidade: bati o pé por uma de cabelo natural, pois o nome diz tudo. Faz-me confusão ver as pessoas com cabelo de boneca e temi que me voltasse em forças a vocação para cabeleireira que tive entre os quatro e os sete anos, em que não houve boneca nenhuma — e tive dezenas, filhas de médico são cruel e profusamente brindadas no Natal e em datas aleatórias — que não ficasse escalpada até à “raiz”/implante, julgo que por estar convencida de que aquilo crescia. Mais tarde, apurei a técnica (ou talvez tenha levado três anos a perceber que “aquilo não crescia”), passei a usar rolos ou escova de enrolar e secador, e passei também a queimar/ encolher/ trilhar o cabelo às bonecas. Em suma, a técnica estava toda lá, o material é que era fraco. Por estas e outras razões, decidi deixar um rim na loja das cabeleiras, mas trouxe o cabelo da outra, que agora é meu. “Ah, é porque podes”, dirão as inflamadas da vida. Biafine.

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Natércia passou a prova de fogo — longe vá o agoiro — numa ida ao hospital. Perguntei ao segurança da oncologia onde é que podia fazer análises clínicas e ele indicou-me um laboratório a cinquenta metros dali, também pertencente ao hospital, porém para outras especialidades. Assim fiz, e só quando a enfermeira me perguntou por que é que estava a fazer análises ali e não no laboratório próprio para oncologia, é que percebi que, para variar, havia batido pela enésima, porém não última vez nesta vida, à porta errada. Já que tinha que voltar ao edifício para ter consulta com o giro, perguntei ao segurança por que é que me tinha mandado para o outro laboratório, sendo que havia um ali mesmo ao lado. Olhos escancarados, “Oncologia?”, “Sim.”, mãos unidas em oração, “Ai, ó minha senhora, desculpe, mas é que não se percebe nada, ninguém diz!”. E eu, tão feliz, peguei numa mechinha de nossa Natércia e disse: “Isto não é meu.”, fazendo aquele gesto de vitória com o punho fechado, baixando o cotovelo, e, melhor que tudo, fazendo com que ele se risse do meu riso.

Gosto sempre mais de me ver despenteada, nem Natércia escapa

in A nossa Natércia

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Espero que a Linda Blue, a quem desejo uma vida longa e feliz, se um dia se vir aqui, não leve a mal eu ter transcrito estes seus textos tão pessoais nem ter colocado aqui a sua bela fotografia. Se não quiser estar aqui, é só dizer-me que, logo que possível, farei como me disser. Contudo, o seu testemunho é tão íntimo, tão genuíno, tão enternecedor que tenho que aqui lhe agradecer a generosidade da partilha dos seus dias.

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Desejo-vos, a todos, uma boa sexta-feira.

Saúde. Boa sorte. Alegria. Paz.

quinta-feira, agosto 04, 2022

Os mais qualquer coisa de entre os bloggers que sigo (Parte 3): dois guerrilheiros

 

Resisto a alguns temas da actualidade e volto a trazer aqui os bloggers que considero que são mais (qualquer coisa) de entre todos os que sigo.


Já aqui tive o mais jovem, a mais criativa e o mais romântico e, a seguir, o mais cirúrgico e o mais inesperado. Hoje vou ter dois bloggers que vejo como uma dupla de guerrilheiros, tropa de elite, forças especiais.

O primeiro da tropa de elite. Qual escrupuloso relojoeiro, colecciona ferramentas, peças, mecanismos, encaixa-os uns nos outros, faz movê-los. As linhas do tempo podem sempre ser reconstituídas a partir dos seus registos. Meticuloso, implacável. Cuidado com ele. O âmbito é diverso mas há vectores que são dominantes: a baixa política, a escumalha que se acoita na igreja católica, a pimbalhada em qualquer ramo do showbiz (incluindo nos partidos), a street art. E, claro, a música. Mas aí, na música, não é vector, é cátedra. Minha nossa. Que infinito repertório. De resto, em geral, quando dispara é para acertar. Não desperdiça muitas munições. Aponta e lá vai disto. E a graça é que, frequentemente, a bala vem sob a forma de uma caça ao tesouro, há que ir destapando as pedrinhas para ver as pistas que debaixo lá se escondem. E vêm envoltas em ironia. E o melhor da história é a forma como escreve. Caraças. Como eu aprecio uma boa escrita. E não sabia mas sei agora: quem sai aos seus...

João Lisboa de Provas de Contacto

Alguns exemplos:

Kismet

(sequência daqui) Dificilmente poderia ter escolhido melhores “maîtres a penser”. Embora com largos hiatos (consequência da periclitante sobriedade) e praticamente nenhum sucesso comercial, não é, de facto, fácil encontrar um “songbook” simultaneamente tão enraizado no terreno de origem e tão aberto a impulsos exteriores – Byrds, Bacharach, Velvets –, costurados de tal forma que o que acaba por sobressair é a identidade de Michael Head. Após o tal álbum da sobriedade (Adiós Señor Pussycat, 2017), Dear Scott – inspirado na história de F. Scott Fitzgerald que, na bancarrota e sonhando com uma carreira de argumentista em Hollywood, é colocado pelo seu agente no Garden Of Allah Hotel, um antro de perdição de Sunset Boulevard – é mais uma colecção de canções minuciosamente lapidadas e orquestradas. Como ele canta em "Grace and Eddie", “If anybody asks you what you’re playing now, just say ragtime, country blues and original songs”.

Aqui

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Com mais um pedidozinho de perdão, a coisa resolve-se e não se fala mais nisso (já que engaiolar toda a seita de malfeitores parece estar fora de questão) 

Edit (14:11) - ... e também já há o guito para o evento que trará a Lisboa grupos de criminosos

Aqui

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Na generosíssima tradição de Luís IX perante o fake do Além, saúde-se a milagrosa recuperação da Santíssima Hemoglobina (o Divino Prepucinho virá a seguir, tenhamos fé!)

Aqui

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O outro guerrilheiro. Tropa de elite. Forças especiais. Aponta e nunca falha: o tiro é sempre bem no meio da testa. Os títulos são sempre bem apanhados e são, em si, mortíferos. As imagens que escolhe para ilustrar o disparo são fantásticas, igualmente letais, e tornam o blog um interessante objecto estético. Tal como o primeiro, também este é um infalível sniper. Sempre à espreita, parece que fareja todos os biltres e todos os artolas que põem pé em falso. Em todos os que gostam de se engalanar, é dos primeiros a dizer que o rei vai nu. E, rápido no gatilho como é, mal a coisa se dá, já ele está pronto para soltar os cães e disparar a matar. Acresce que, como setubalense de gema, menino do rio, conhece a rua e a malandrice da malta de Trroine, a dureza e a sageza da malta que enfrenta, de peito feito, todas as adversidades que aparecer pela frente.

José Simões de Der Terrorist

Alguns exemplos:

A child points a water pistol at a statue of Russian President Vladimir Putin riding a tank created by French artist James Colomina in Central Park in Manhattan. Reuters/ Andrew Kelly

in I Shot the Sheriff

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Qualquer que seja o ângulo, da "liberdade económica" à liberdade de expressão passando pelo regular funcionamento das instituições, entre o accionista e o contribuinte optam pela defesa do primeiro. Se dúvidas houvesse. Pelo caminho dão mais um passo na legitimação do fascismo. Comparar António Costa a Viktor Órban, o racista e homofóbico homem de mão de Putin na União Europeia. Make Portugal Great Again.

de Make Portugal Great Again

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O Holodomor não existiu, só na cabeça dos ucranianos, mas "o capitalismo mata deliberadamente".

em Inhumans of Late Communism

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Tinha escrito no título 'dois guerrilheiros e uma guerreira'. Mas o post já vai longo, os guerrilheiros são espaçosos, e a guerreira também requer espaço. E, sobretudo, requer cuidado. Não é a esta hora que vou ter tempo para escolher os textos ou para alinhar devidamente as palavras que vou usar para falar dela. Por isso fica assim, com os dois guerrilheiros, que fica bem. E é melhor que a gente não lhes dê o pretexto de que ambos precisam para passarem à acção. Make my day - pensam eles antes de reduzirem a pó os palermas, em especial os encartados.

Ou seja, a guerreira virá amanhã. Ficará mais à larga.

E, assim sendo, por hoje, por aqui me fico.

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Desejo-vos uma boa quinta-feira

Saúde. Boa sorte. Boa disposição. Saúde

quarta-feira, agosto 03, 2022

Os mais qualquer coisa de entre os bloggers que sigo (Parte 2):
o mais cirúrgico e o mais inesperado.

 

No seguimento do post de ontem no qual festejei o blogger mais jovem, a mais criativa e o mais romântico, seguem-se hoje outros que se destacam.


O mais cirúrgico. Um dos mais oportunos, mais precisos e mais contundentes nas análises ou denúncias que faz. Não vai em cantigas, mantém-se fiel aos seus princípios e, por mais canelada que leve, não desarma nem baixa os braços. E não manda dizer por ninguém, não rodeia, não usa meias palavras. E como escreve bem... Para além do dia a dia há a série Revolution through evolution -- as recomendações ao início da semana, cada uma mais relevante ou curiosa que a outra. E depois há a turminha do desacato que atrai e que, à porta do blog, nos comentários, arma sempre uma divertida baderna. Esmeram-se nos nomes que inventam e batem-se taco a taco com os nomes que já fazem parte da mobília. Se fosse um bar, seria daqueles em que, a par de uma boa tertúlia, frequentemente acabam todos à batatada (para no dia seguinte lá estarem, de novo, todo caídos).

Valupi do Aspirina B

Alguns exemplos:

Ao assistir à entrevista a Luís Montenegro, dei por mim a concordar com o que sempre achei dele: eis aqui um tipo simpático, bonacheirão, com quem deve ser impecável estar na comezaina e na copofonia. E deste assentimento confirmado saltei para um estado de empatia. Sentia que conseguia sentir o que ele sentia acerca de si próprio ao ser apertado pelo excelente Paulo Magalhães. Foi assim que fiquei a saber, graças à magia da empatia, que o Montenegro sabe que mesmo nos seus melhores dias não passa de um político inane, merdolas.

O futuro da direita não decadente precisa da lhaneza e virtude de Moreira da Silva ou similares. Isto para começo da conversa.

in Empatia para Montenegro

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Quem ler mais esta ladainha contra as democracias liberais – Estamos a matar a democracia? – facilmente conclui que o putinismo da Soeiro Pereira Gomes é a consequência de já não se ouvirem os amanhãs que cantam. Passam agora os dias a olhar para o abismo, com as consequências que o outro há muito descreveu.

in Tadeuismo

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«Quando eu ponderar uma vida no crime, a primeira coisa que eu vou fazer é construir um altar todo em talha dourada em honra de Ivo Rosa lá em casa e rezar-lhe uma oração todas as noites.»

Araújo das piadolas

Existe uma campanha contra Ivo Rosa, a qual une a direita política e mediática num coro de perseguição obsessiva como nunca se viu igual a respeito de um juiz em Portugal – só comparável à perseguição a Sócrates. Tal deve-se à Operação Marquês, tendo começado logo que Carlos Alexandre ficou em risco de perder o controlo absoluto sobre o seu desfecho. É uma campanha que não aflige os partidos da esquerda pura e verdadeira, nem o PS, nem o ministério da Justiça, nem o sindicato dos juízes, nem o Presidente da República, nem a minha vizinha do 4º andar. Trata-se de uma campanha alegre, portanto, e que continua porque todo o dano que se lhe conseguir fazer promete trazer ganhos para o dano maior que se deseja venha a atingir Sócrates (logo, a também atingir o PS, embora o PS de Costa conviva muito bem com essa armadilha onde os direitolas estão enfiados a ver a caravana do poder a passar).

O Sr. Araújo e coleguinhas televisivos pagos pelo Balsemão são três dos mais influentes carrascos de Ivo Rosa na comunicação social “de referência”. Fazem-no a coberto do registo “humorista”, para que o cinismo e a sonsaria atinjam o grau máximo de veneno no espaço público. Na citação acima, este “comediante” recorre ao sensacionalismo para broncos e trata literalmente Ivo Rosa como cúmplice de criminosos. Só rir, né? O Estado de direito e as legítimas diferenças na interpretação e aplicação da Lei que se fodam, viva o culto dos justiceiros que despacham a bandidagem com cordame e autos-de-fé.

Um estudo da Marktest analisou 60 e tal figuras públicas e descobriu que Ricardo Araújo Pereira é a personalidade com quem os portugueses sentem mais empatia. Ocasião para recomendar a leitura do Against Empathy, onde a tese é precisamente a de que a empatia pode boicotar, e mesmo anular, a deontologia e a ética – ou seja, a empatia pode servir para as maiores canalhices. É o caso com esta pulharia paga a peso de ouro, as vedetas da indústria da calúnia.

in Against empatas 

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O mais inesperado. Inconstante. Incerto. Indescritível. Intuitivo. Insólito. Nem sei bem dizer porque lhe acho a graça que acho. Mas acho. Apesar de uma certa maluqueira, encontro ali opções estéticas que me agradam e um certo gosto pela provocação que também me agrada. Talvez seja um dos bad boys da blogosfera. É pena que seja tão maçadoramente bissexto e é pena que não se esforce mais. Não fora isso e habituar-me-ia ao seu encanto. Assim, apenas está quase lá...

O anão gigante

in Sharing is caring

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Paul Outerbridge
André Kertész

in Projecto Díptico vertical #283

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todos os instantes de

infalibilidade e glória

em que estive 

certo, axiomático, infalível, convicto,

por conhecimento ou instinto,

com e/ou sem argumentos,

vencendo adversários, contendas e litígios,

trocaria por este

em que a verdade é minha

e tudo o que quero 

é estar 

errado


in Summa cum laude 

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The Sisters of Mercy, Henriette Browne
Word of the Day por Bella Tokaeva

Empalidece a arte ao encarar o fruto da natureza.

Summa Theologica, S. Tomás de Aquino c.1272

 in  Ars autem deficit ab operatione naturae

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Amanhã tentarei continuar. Tenho ainda que falar do melhor mestre relojoeiro que, afinal, é um disfarce pois a verdade, verdadinha, é que poderia fazer parte da mesma tropa de choque a que também pertence o sniper mais certeiro da blogosfera. Ou do historiador mais lhano e objectivo cujos textos gosto de ler em voz alta para o meu marido. E de outros. Ou outras.

Contudo, o tema dos novos precários também está a pedir para eu o agarrar. O mundo mudou e a precariedade assume novos contornos e toca os mais insuspeitos. Noutros casos, são os precários que não querem deixar de ser precários. De uma forma ou de outra somos todos descartáveis e é bom que o assumamos com humildade. Mas é um tema caleidoscópico. Apenas a malta mais obtusa o vê como um tema linear suceptível de ser resumido num slogan que seja martelado em manifs de aspecto vintage.

No entanto, para falar disto terei que ter disposição para falar um bocado a sério e não sei se tenho paciência ou se aí desse lado há quem, a meio da silly season, tenha pachorra para uma conversa desse tipo.

Amanhã logo vejo.

Pormenor de Apocalypse Tapestry, Angers, França

Como la cigarra (Jaroussky/Andueza/Pluhar)

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Um dia bom

Saúde. Boa disposição. Paz.

terça-feira, agosto 02, 2022

Os mais qualquer coisa de entre os bloggers que sigo (Parte 1):
o mais jovem, o mais criativo, o mais romântico, o mais cirúrgico, o mais inesperado, o mais doido, etc.


O mais jovem. De longe o mais jovem. O mais irreverente. O que mais gosta de atirar pedras para o charco. Um que me diverte, me ensina, me chama a atenção. Um que seguramente se diverte enquanto escreve. Quase sempre, ao ler o que publica, me apetece transcrever aqui para ter a certeza de que, se quiser reler, o encontrarei. Depois não o faço, penso que seria deselegante. Mas hoje aqui fica o devido tributo. Acho-o o máximo, o máximo, o máximo.

[Ao fazer o link para a wikipédia e, logicamente, ao ler o que lá se diz, fiquei de boca aberta (literalmente aberta) ao saber de quem é pai. Não fazia ideia. Espantoso -- até por nunca tal me ter ocorrido.]

Eugénio Lisboa no De Rerum Natura

Hoje transcrevo aqui uns bocadinhos apenas para que se possa apreciar a suculência:

Se alguma coisa Fernando Pessoa viu bem, nos portugueses com que veio encontrar-se, no seu regresso de Durban, foi o seu profundo e não radicável provincianismo. Somos provincianos a admirar e somo-lo a não sermos capazes de o fazer, quando disso seja caso. Um prémio dado lá fora, um elogio vindo de fora, criam um verdadeiro histerismo nacional, como se fôssemos, de repente, o povo eleito. 

Já muitas vezes comparei a sobriedade com que o galardão Nobel é anunciado, recebido e comentado, na grande imprensa inglesa. Entre nós, com Saramago, foi aquilo que se viu. 

Para quem seja minimamente adulto, do ponto de vista intelectual, e esteja razoavelmente informado dos bastidores e da durabilidade das reputações dos laureados, o espectáculo da fúria admirativa lusíada é realmente confrangedor. 

Nunca vi, em França ou na Inglaterra, falar-se no “nosso” Nobel André Gide ou T. S. Eliot. Até seria insultuoso pensar que fora o prémio que lhes dera prestígio e não o seu mérito. O grande dramaturgo George Bernard Shaw não precisava para nada do prémio, porque já era uma lenda viva, na altura em que lho deram: quem precisava do prestígio dele era o prémio. Visto isso, até se deu ao luxo de recusar o dinheiro, aceitando, só por cortesia, o diploma e a medalha.  (...)

Tem-se visto isso com os vários gurus de serviço, como foi, por exemplo, a vergonhosa figura feita pela nossa intelectualidade, durante toda a vida de Eduardo Lourenço e, particularmente, por ocasião da sua morte. Aquilo não era admiração, era pura adoração bacoca. Fazerem de um homem que nunca foi filósofo o mais genial deles, na história da nossa cultura, tem que se lhe diga. Mas poucos, em Portugal, apreciam o grito “o rei vai nu!” (...)

in A POSTERIDADE DE ALGUNS PRÉMIOS NOBEL DE LITERATURA

ou:

Na sua coluna habitual, na última página, da última edição do quinzenário JL, Gonçalo M. Tavares refina na idiotice que usa as vestes sumptuárias de uma pitonisa cheia de segredos ominosos. As suas reflexões sobre a guilhotina, além de já terem vetustas barbas, alcançam, nesta nova formulação, uma densidade de tontice por decímetro quadrado de página, como havia muito não me era dado observar. E este senhor é publicado, patrocinado, promovido, premiado, prefaciado, traduzido, viajado e venerado. Não sei se condecorado, mas deve ser falta de informação minha. O nosso meio intelectual anda realmente a bater no fundo. A boa notícia é que, a partir daqui, só podemos melhorar. (...)

Poetas como Gastão Cruz, seduzidos por proclamações extremistas e carecidas de verdadeiro sentido, não perceberam estas coisas como não perceberam muitas outras e ficaram cinquenta anos agarrados ao excesso deliberadamente provocante de Mallarmé, pretendendo fazer poesia só com palavras. 

Seria bom que os nossos críticos literários, com tribuna oficial e responsabilidades acrescentadas, dessem um banho lustral às suas ideias e não andassem a vender gato por lebre, lançando a confusão nas jovens cabeças que os frequentam (...)

Toda a recensão está cheia de coisas confusas e sempre me pareceu que uma cabeça confusa não é o melhor equipamento para clarificar as ideias dos outros. Os nossos literatos têm de interiorizar, de uma vez por todas, que o opaco e o obscuro da escrita não são um valor, muito pelo contrário. A um literato deve exigir-se, tal como a um cientista ou a um filósofo, a boa fé das ideias claras. 

Já basta a obscuridade que muitas vezes habita na própria poesia, não se lhe acrescente a de quem a escrutina. Citando o nunca assaz citado António Sérgio, um eclipse do sol é uma obscuridade, mas a explicação científica desse eclipse deve ser uma claridade. 

Não há uma escrita literária e uma escrita de ideias, há só uma escrita.

in  PÁGINAS DE UM DIÁRIO POUCO COMPLACENTE

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A mais criativa. Talvez também a mais genuína. Do pouco faz muito. Há qualquer coisa de inocência e de muito íntimo em tudo o que publica. Há nela qualquer coisa de Lispector e de Helena Almeida. Gosto muito do que faz e gosto muito dela. Acredito que seja muito boa pessoa. Diz-se solitária mas desencanta nela e no que a rodeia sucessivos motivos de inspiração. Gosto imenso de a acompanhar. É uma lufada de ar fresco.

Gina do Dias de uma Grafómana

Poses

(Durante as férias)

Quis repetir uma pose que fiz em outras férias, as de há uma década. (link aqui) Já nessa altura imitei esta pose, havia visto algures alguém roçando os cabelos na água da piscina e, considerando giro pra caraças, imitei. Ora, este ano, imitei-me foi a mim, que o lugar é o mesmo e idem para o fotógrafo - O Luís, who else? - Entretanto, lá atrás, há post fotográfico com a foto, porém de corpo inteiro. Antes de a publicar idealizei que faria uma junção de quadradinhos azuis desenhados (desenhei-os para apagar as pessoas presentes na piscina, sei lá se quereriam estar presentes no blogue!) com os quadradinhos do interior da piscina, mas depois deixei-me de falas dispensáveis e toca de chamar simplesmente 'quadradinhos azuis à despedida'. - Pronto, sou deveras original. - Deixo agora a foto recente, mais aproximada do que a já publicada, bem como a que publiquei há uma década. Qualquer diferença encontrada, casual ou procurada, pois que, pá... Pára o mundo de girar? Não, né? Poi zé.

ou:

Pequeno-almoço

Chá de hibisco e torradas com manteiga, o pequeno-almoço. Às vezes parece que, escrevendo, retirarei a presença, e até a poesia, às coisas que vivo. Calo-me, então.

ou:
Cremes no rosto
Como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, tenho um creme de rosto que afinal até nem é creme nenhum, é um sérum, e oleoso, e eu tinha idealizado que o poria no nécessaire aquando das férias, a ver lhe acabava com o rasto e pâ pâ pâ. Pois bem, acabei, já até pus a embalagem no contentor dos plásticos. Guardei foi a tampa, que lhe estou a dar um uso para o qual não foi criada - o de servir de base e apoio para o desodorizante, que, estando de resto, virei ao contrário para o líquido escorrer e se manter always junto ao roll. Precisely, a tampa é redondinha, daí não se manter em pé e ao contrário. A imagem, o que tem a ver com o assunto já exposto, é que estava a distribuir o protector solar pelo rosto quando me lembrei que podia tirar-me o retrato e assim eternizar os pedaços de creme que haveria de espalhar. Pus o filtro que pus porque o retrato a nu é tão risível que não o aguento.


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O mais romântico. O mais subtil, o mais elegante no manuseio de palavras que acariciam, o que estende a leveza do traço ao desenho e à escolha das cores, o que destila com requinte as mágoas, as saudades, os sonhos. Também um cuidadoso coleccionador de instantes, de troca de palavras alheias, de troca de olhares. Alguém que, no acto de coligir, sempre encontra maneira de deixar perceber a atenção carinhosa com que observa os outros. Um romântico integral. Silencioso e sedutor como um gato. 

Xilre in Xilre


aceno
há instantes que pertencem às mãos, a elas apenas
[riscos: x.]

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beijos
há beijos feitos
de átomos de voragem
[riscos: x.]

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A semente
Todos precisamos de alguém a quem possamos realmente dizer a verdade quando nos é perguntado:— Como estás?
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Que és tu?
Comprei o livro no dia em que saiu sem ter lido qualquer referência, que os mergulhos em águas escuras são trepidantes também. Terminado no espaço de vinte e quatro horas, pergunto-me: terminou, de facto? Haverá sequela, haverá fecho em obra subsequente? «What are you?», se chama o livro de Lindsay Lerman, e idêntica interrogação se pode colocar quanto ao livro em si: o que és, «What are you?» Que objeto incompleto, inacabado és que nos deixas mais interrogações que respostas? Ao leitor são dadas pistas, indicações, sinais, mas não conclusões, sequer pontes entre os dados. Como uma impossível estante de montar à qual faltem prateleiras e uns quantos parafusos. Para leitores que querem ser co-autores. Para mim, talvez, assim me ache capaz de assumir tal responsabilidade sem o poder associado, a mais temível das condições, a que sempre evito, aquela que será difícil aceitar, para já.

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Nota

Se a algum dos três ilustres bloggers aqui festejados não agradar que as suas fotografias, ilustrações ou textos aqui tenham sido plantados, por favor diga-me, está bem? Retirarei logo que possível, prometo.

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E, por hoje, por aqui me fico. Se amanhã não surgir nenhuma emergência que vá além de tartarugas gigantes a bloquear o tráfego ferroviário no Reino Unido ou da suposição de que Trump enterrou a primeira mulher, a loura recauchutada Ivanka, no 1º buraco do seu campo de golf para ter benefícios fiscais e se, estoicamente, continuar a não ceder à tentação de dizer algumas coisinhas sobre o Presidente de todos os comentadores que comenta pecados de cardeais, bocas de uma senhora num restaurante da Caparica e outras inconveniências, aqui estarei para dar curso a mais umas quantas selecções. Boa matéria prima e ilustres candidatos é o que, felizmente, não falta.

Amanhã, se tudo correr de feição, falarei do mais cirúrgico, do mais inesperado, do mais doido ou de outros ainda melhores. E não quero dizer que sejam do género masculino: podem ser e podem não ser. O que são é especiais.

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Boa sorte. Paz.

quinta-feira, janeiro 13, 2022

As preferências da UJM
(Enfim, algumas)

 

Livro: Stoner e mais uma porção deles

Programa de televisão: Master Chef Australia

Música: já disse vezes de mais, não me apetece repetir

Uma cantora e uma canção entre tantas: Melody Gardot a interpretar La vie en rose

Flor: todas

Político de todos os tempos: sei lá

Político com o penteado mais original: Boris Johnson

Pior político português vivo: por ordem decrescente de relevância - Cavaco, Passos Coelho, Relvas

Prato: pescada de anzol cozida, com batatas, feijão verde, cenoura, ovo, tudo temperado com azeite e sumo de limão

Sopa: de tomate

Bolo: torta de Azeitão; doces de ovos de Aveiro; fofos de Belas; pão-de-ló de Alfazeirão; dom rodrigo de Lagos; paistéis de Belém; etc

Pessoa que aparece na televisão portuguesa com uma carinha mais laroca: Miguel Monjardino, aka, Mr. Big Eyes

Melhor imitação: Herman José a imitar o Nuno Azinheira na Passadeira (aka Arrastadeira) Vermelha

Azeiteiro/a mais azeiteiro/a: Cristina Ferreira

Entrevistadora com a maneira mais enervante de fazer perguntas: Fátima Campos Ferreira

Pessoa mais bizarra a apresentar um programa de televisão: José Navarro de Andrade

Supermercado preferido: Lidl

Ténis preferidos: Skechers

Blogger mais absolutamente critativo/a: Gina Geia

Blogger com quem quase sempre concordo e que escreve como eu gostava de escrever: Valupi

Blogger mais encantadoramente romântico: Xilre

Blogger mais esdrúxulo, bissexto e desconcertante: O anão gigante

Blogger mais inclemente, mais castigador: Plúvio

Cidade mais linda do mundo: Lisboa

Lugar de onde se tem a melhor vista de Lisboa: Ginjal

Lugar do mundo onde a vida é mais pura e onde eu sou mais eu: heaven

Amiguinho mais recente e mais fofo: o ursinho felpudo, aka a big fera

Cidade não portuguesa onde deve ser bom viver: San Sebastien, aka Donostia

Livraria bem organizada, elegante e boa pinta, bem situada, com bons livros: Livraria da Travessa

Livraria mais livraria, mais boa onda, mais acolhedora, mais arca dos mil tesouros: Livraria Escriba

Jornal que mais vale a pena: The Guardian

Pintor genial: vários mas, para aqui colocar uma pintura que considero que fica a matar nesta minha casa, Picasso

Cómico não português: Mel Brooks, por exemplo

Quem melhor descreveu como se assobia: Lauren Bacall

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Desejo-vos um belo dia
😎
E toca a ir passear, apanhar ar, apanhar sol.
Saúde e alegria