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domingo, junho 20, 2021

Os Sto Antónios cá de casa

 




Não sou conhecedora da história da sua vida mas tenho ideia que era um homem bondoso e muito culto, com inteligência e dotes de oratória. Mas acho que não é apenas por isso. Admito que seja por um qualquer outro motivo que não alcanço que simpatizo tanto com o Santo António. Fui agora ver em que altura viveu e fiquei surpreendida. Crê-se ter nascido em Lisboa em 1195 e morreu em Pádua em 1231. É, pois, dos antigos. E, no entanto, vejo-o como um moderno.

É ele o Santo Padroeira da Lisboa popular. Haverá quem invoque São Vicente e lá terá as suas legítimas razões mas contra factos não há argumentos. Quem vive no coração dos lisboetas é Santo António e contra isso batatas: não há historiadores ou escoltas de corvos que consigam dar a volta ao afecto alfacinha.

Tenho em casa algumas figuras religiosas. Tenho, por exemplo, vários pequenos presépios. Assim, de repente, sem ir conferir, acho que tenho também duas Nossas Senhoras e tenho dois crucifixos. E tenho uns Santo Antónios. Gosto deles. Aliás, posso dizer que tenho um carinho especial por eles. Mas há uma coisa: por algum motivo que também desconheço, gosto de os ter representados de uma forma pouco canónica. Gosto de versões que transmitam a inocência ou a graça da expressão popular.

Como ontem, em resposta ao Francisco, falei nele como sendo um Santo muito cá de casa, ele teve a gentileza de me enviar fotografias dos Santo Antónios de sua casa. São muito bonitos. O maior, então, é uma maravilha. 

Obrigada, Francisco.


Também tinha dito que fotografava os meus para aqui vos mostrar. Mas, Francisco, vou já avisando: os seus representam o homem da Igreja. Vê-se que cada um dos seus Sto Antónios é bem comportado, piedoso. 

Os meus mostram o homem das ruas, o homem que o povo sente como um dos seus. Pelo menos, assim eu o vejo.

Os Sto Antónios cá de casa são arte popular. Enternecem-me. Um é até feito em crochet mas eu olho para ele e vejo ali a graça da figura cuja devoção tem atravessado gerações. Quando vou a algum lugar onde veja figurinhas artesanais, espreito sempre a ver se descubro algum. Não me perguntem porquê mas tenho esta crença de que uma casa feliz e acolhedora deve ter em si fontes de luz, compaixão, tranquilidade, bondade.

Bem merecestes ter com amor
Em vossos braços o Salvador
Salve, grande Antônio, santo universal
Que amparais aflitos contra todo mal

Desprezando as honras pela sã pobreza
A Jesus vos destes com ardor e firmeza
Bem merecestes ter com amor
Em vossos braços o Salvador




Desejo-vos um feliz dia de domingo